Sacerdote de Cristo, um sinal do Amor (III)

A essência humana e as resoluções a ela correspondentes
Por Allan Lopes
Este Amor de que temos sede, que é Cristo, é uma Pessoa, como já dito acima, e não um poema ou uma especulação meramente racional. Ora, onde então encontrá-lo quando os sentidos clamam por sinais, quando nossa afetividade brada por Ele já aqui na terra, aqui e agora?
O homem é um composto de corpo e alma, não somente uma alma prisioneira de um corpo, nem somente um corpo sem alma. Somos afetivos e inteligentes, materiais e espirituais; e nenhuma solução que não corresponda a esta necessidade hilermórfica poderá nos saciar por inteiro, senão, aparente e temporalmente, aumentando a nossa angústia e dores por não alcançar Quem tanto anseia nossa alma. Assim, nos deixou o Senhor o Seu Corpo e Seu Sangue, Sua alma e Sua Divindade como alimento, comida e bebida. Isso mesmo! O Senhor nos deixou um sinal sensível para a fome e a sede de nossa alma! Assim, não precisamos ficar iludindo-nos somente com poemas ou altíssimas especulações, belos até, mas que são meras palavras; não precisamos somente de bens materiais, úteis, mas insuficientes em si mesmos. Pois Aquele que é a razão e causa de nossa sede é bebida e comida, é Ele mesmo o nosso Único e Necessário!
No entanto, para que não somente os apóstolos e discípulos tivessem este grande dom, o Senhor escolheu do meio destes mesmos homens, pecadores e frágeis, alguns para participar do Sacerdócio de Seu Filho único, tornando-os perpetuadores dos frutos da Redenção realizada para a nossa salvação no alto do Calvário[1].
Agora, a fonte de amor que sacia a nossa sede não está somente no passado, e tão pouco é apenas um dom para o futuro, na vida eterna reservada aos seus eleitos. É agora, neste instante que esta fonte está jorrando; o Coração Aberto está jorrando Seu amor nas mãos de algum sacerdote na face da terra exatamente neste momento em estás lendo este texto! Nos sacrários está não um pão abençoado, mas o Coração aberto de Cristo, um Coração de Carne, que bate de amor em cada palpitar, que está quente, pois o Sangue que lá contém é um Sangue Vivo e Divino! Todo este mistério está velado, por misericórdia[2], aos nossos sentidos, assim como a Glória do Calvário estava velada aos homens que viam o pobre Cristo nu, aparentemente vencido, não velada porém, aos anjos, onde uns O adoravam neste sublime ato de amor, e outros eram definitivamente derrotados.
Diante deste mistério de amor incomensurável, não há como não ver a sublimidade e singularidade da vocação sacerdotal, penso. O sacerdote fiel, por participação no Único Sacerdote por essência, Cristo, é uma imagem viva do amor de DEUS pela sua criação, e de modo particular pelo homem. É uma grande prova de amor o Senhor escolher alguns homens para salvar uma multidão! E esta é a chave para entender o sacerdócio: uns se sacrificam para a salvação de muitos, repovoando o céu, de onde a terça parte dos espíritos puríssimos desceram por negarem a DEUS, com as almas impetradas e expiadas por meio de seu sacrifício unido ao de Cristo no altar da Cruz.
A Fonte de Amor, que se fez Homem no seio da Virgem, viveu entre os homens nos tornando assim filhos de DEUS, ainda hoje, de forma sensível santifica nossos lábios em cada comunhão eucarística, cura nossas iniqüidades e pecados na confissão sacramental, confirma-nos no Paráclito Santificador, une homens e mulheres para a glória de DEUSe nos guia para a eternidade, nossa vocação última, nosso fim: tudo isso por meio da sacerdócio. É um grande mistério!

[1] Em verdade, todo pontífice é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a DEUS, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados (Hebreus V, 1).
[2] Pois se víssemos, desfaleceríamos diante da Glória de DEUS em todo seu esplendor.

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