“E ninguém arrogue-se a si mesmo tal dignidade, senão aquele que é chamado por DEUS...”[1]
Quem poderia a si mesmo arrogar a eleição divina? Certamente, nenhum homem, senão o que por CRISTO é chamado. E é graças a Igreja que podemos confirmar e formar este chamado feito por Deus, que nasce no coração do vocacionado ao sacerdócio. Sem a Igreja, nenhuma homem poderia ter a certeza de ter sido chamado por DEUS para tão sublime missão[2]. Pois, tendo o pecado obscurecido a nossa inteligência e vontade, na primeira tempestade iríamos duvidar de tão sublime eleição, seja por presunção ou vão temor. E sendo o sacramento um sinal visível[3] da graça, não precisamos nos apoiar em nossas capacidades humanas, virtudes, fervor na vida devota e piedosa, uma vez que, comprometendo-se de todo coração, deixando-se ser formar por aqueles a quem a divina providência nos doou, ainda que frágeis e débeis, podemos assim, lançar-se inteiramente nos braços de Cristo e submeter o nosso juízo ao amor misericordioso que nos elevou a tão sublime vocação.
O mistério da iniqüidade
Esta oferta de si a DEUS por meio deste Fiat tem um itinerário que deve ser rigorosamente vivido desde sua concepção até o seu fim último: a santidade, único meio para a plena União com DEUS. Itinerário sem o qual não há como dar bons frutos e consequentemente não há como viver a identidade sacerdotal por excelência, a de pontífice entre DEUS e os homens.
Como entender então, que desde a primeira ordenação sacerdotal realizada por CRISTO, alguns homens são sequazes do maligno e traem Aquele que é a Fonte do Amor? É realmente um mistério. Onde só podemos compreender que, se DEUS assim o permite, é para a Sua glória e a salvação das almas[4].
Qual homem, chamado à santidade[5], pode assegurar-se que jamais há de negar a DEUS? Ou que sua vida de virtudes, sua fervorosa devoção e suas obras, ainda que grandes, lhe darão segurança no seguimento de sua vocação rumo ao céu?
Na Igreja, Corpo de CRISTO, vivem juntamente os bons e os maus, freqüentam os mesmos sacramentos, e homem algum, exceto o HOMEM-DEUS, CRISTO JESUS, poderá afirmar quem é quem. Somente depois da morte pode-se afirmar que um homem pertenceu ao mistério da piedade, por meio da canonização. Contudo, nunca se ouviu dizer, infalivelmente, que algum homem possa ter morrido sendo sequaz do mistério da impiedade sem arrependimento algum. Sendo acusados somente os atos, e jamais a pessoa e o fim que lhe sucedeu tais obras.
Tanto eu como você, caro leitor, podemos pertencer ao mistério da iniqüidade e ninguém está seguro neste vale de lágrimas de arrogar a si a glória do mistério da piedade até a morte.
Somente o amor de DEUS que nos criou pode nos assegurar, por meio da graça e misericórdia de CRISTO, que o céu nos espera! E é deste amor que somos sedentos. Amor aos pecadores, amor de si, em DEUS; amor aos doentes, pobres e cativos no corpo e na alma, pois somos todos iguais: ovelhas perdidas que necessitam de um pastor, do Divino Pastor.
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[1] Hebreus 5, 4.
[2] Nem mesmo o Verbo Divino a si arrogou a glória do Sumo Sacerdócio, mas, chamado pelo Pai por amor aos homens disse: Eis que venho! (Hebreus 5, 5)
[3] E infalível. Embora os frutos dependam das disposições interiores etc.
[4] É importantíssimo salientar que as desgraças, infortúnios e mesmos os castigos divinos são para a Sua maior Glória e a salvação das almas, nada mais.
[5] Lumem Gentium, Cap. V.
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