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Saudosismo versus realidade


David A.Conceição

As vezes no mundo virtual tenho reparado um saudosismo sem sentido em relação à espiritualidade e fé católica. Alguns tem encarado os três pilares da Igreja - Bíblia, Tradição e Magistério - como se fosse um período de curso de ensino médio que depois de um tempo resolve-se abrir o álbum de fotos e maravilhar-se por aqueles momentos vividos e desprezar o atual que se vive por não encontrar uma conexão com o passado e o presente que dá uma expectativa para um bom futuro.

Assim tem sido por muitos católicos que em redes sociais destacam com grande -fervor- alguns Santos, Papas e ensinamentos do Magistério antigos como se a catolicidade do mundo só tivesse refletido ouro nas sociedades em tempos passados. Puro engano. Esquecem que como Igreja Militante o sabor amargo do martírio deve ser constante entre os fiéis. É incoerente querer pesar na balança os momentos mais forte de crise que a Noiva de Cristo passou ou passa. Caso fosse preciso pesar eu diria com toda a convicção que a aproximação da morte do cristianismo esteve mesmo na Era Apostólica, onde o sustento dos cristãos estava apenas na fé e na coragem assinando seus testemunhos com o próprio sangue e nem assim foi impedimento para que o Evangelho se expandisse para além dos muros da Palestina.

A devoção de grandes santos nos inspira a imitá-los e a querer ter vivido em suas épocas talvez para melhor compreender como tiveram uma virtude de santidade em grau tão alto que puderam triunfar sobre os desejos da carne -que não é apenas impulso sexual- e alcançarem em Cristo a visão beatífica que é a nossa coroa prometida pelo Senhor a quem perseverá até fim. Dentre todos os Santos, os que mais me chamam a atenção são aqueles que foram sacerdotes, muito mais ainda são aqueles que deram um passo ao segundo grau do Sacramento da Ordem -O Episcopado- e muito mais admiração me causa, pela minha pequenez, são os santos sacerdotes que tiveram a graça de conduzir a Barca de Pedro: Os Papas!

Tendo sido canonizados ou não, todos os Papas deram sua contribuição pastoral e marcaram história em seus pontificados. Todo seminarista deveria ter no Sumo Pontífice o seu espelho de devoção e exemplo para melhor prosseguir em sua vocação, e ninguém melhor do que Bento XVI para ocupar esse reflexo sacerdotal que Cristo pede de seus presbíteros.

Seguindo o caminho de seu precedessor, Bento XVI tem trabalhado ardualmente para reerguer a Fé Católica colocando tijolo por tijolo o que modernismo destruiu nos últimos anos, o seu amor pela Liturgia ao celebrá-la tão piedosamente como na Liturgia Celeste, o zelo pelo clero ao pedir orações pelo mesmo no Ano Sacerdotal. Além dos problemas internos da Igreja o Santo Padre tem corajosamente anunciando Cristo ao mundo não se importanto com as perseguições da alcatéia que inutilmente tenta derrubá-lo, pedindo a conversão nos países onde tem visitado e tendo mostrado em seus discursos a imutabilidade da doutrina católica que permanece firme diante do vendaval progressista que conseguiu estremecer as paredes do anglicanismo e de outras correntes do próprio protestantismo clássico que viram porto seguro na única Igreja de Cristo estando Bento XVI no comando.

Não seria viável mais caracteres nesse texto para exemplificar as ações do governo glorioso do Santo Padre porque todos nós presenciamos dia após dia, mas algo que gostaria de salientar é de que, nestes dois mil e dez anos de História, nunca estive tanto feliz e orgulhoso de ser da geração desse Papa. Que Cristo venha coroar o Santo Padre pelo seu trabalho aqui mesmo na terra com a volta do uso da Tiara e que meus amigos seminaristas que vestirem a batina sintam também essa júbilo. Daqui a um bom tempo no futuro serei eu que com saudade - jamais saudosismo - irei ver como se deu o ínicio de apostolado de Ratzinger que deu para a Igreja uma nova primavera na soberania da fé católica nas sociedades, a Liturgia restaurada onde todo joelho se sobre diante do Senhor Jesus e principalmente a contemplação da vitória do Imaculado Coração de Maria.

É nessa fé que quero morrer.