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Seria a Igreja Ortodoxa anterior à Igreja Católica?

ATUALIZAÇÃO da postagem com o texto completo.

Resposta de um blog Católico americano sobre um e-mail de um cristão ortodoxo que dizia:

Além disso, você fala da Igreja Ortodoxa como “quase tão antiga quanto a Igreja Católica.” Uma vez que a Cristandade começou no Oriente, e os patriarcados de Jerusalém, Antioquia, e Alexandria foram estabelecidos antes de Roma (o apóstolo Pedro até mesmo serviu, segundo algumas fontes, como bispo auxiliar em Antioquia) e já que estes patriarcados defendiam as visões teológicas de Constantinopla nas contendas que surgiram entre a Nova e a Antiga Roma, não seria simplesmente mais justo ver a Igreja Ortodoxa como a mais antiga? [...] E como o cisma dos pré-calcedonianos antecede o cisma entre os quatro antigos Patriarcados e a Sé de Roma, tecnicamente não seriam também eles [pré-calcedonianos] mais antigos que a Igreja Romana?
Embora seja na Igreja de Jerusalém que o Cristianismo começou, aquela igreja (uma igreja judaico-cristã) deixou de existir entre 70 d.C. e 130 d.C. Depois de 130 d.C., todos os judeus (inclusive judeus cristãos) foram proibidos de entrar na cidade de Jerusalém, que foi renomeada como Élia Capitolina pelo Império Romano. Neste tempo, a Igreja de Jerusalém consistia em um corpo simbólico de cristãos gentios, que estava submetido à Sé metropolitana de Cesareia. Foi só no tempo de Constantino (dois séculos depois) que, novamente, foi dado a Jerusalém um lugar de importância honorífica. Entretanto, isso se deu por ser aquele um lugar de peregrinação. O reconhecimento como Patriarcado só aconteceu no Concílio da Calcedônia (451 d.C.), mas ela continuou sob a autoridade do metropolitano de Cesareia, que por sua vez respondia ao Patriarca de Antioquia. É por isto que o Concílio de Niceia (325 d.C.) declarou, no Cânon 7:
“Já que mandam o costume e a antiga Tradição que o Bispo de Élia (i.e., Jerusalém) seja honrado, que ele tenha a sucessão de honra, no entanto SEM o direito interno da metrópole (i.e., Cesareia).”
Isto está de acordo com o Cânone anterior (Cânone 6), que define os direitos patriarcais de Alexandria e Antioquia BASEANDO-SE no reconhecimento destes direitos pelo Bispo de Roma. Diz o Cânone 6:
“Prevaleçam os antigos costumes de que, no Egito, Líbia, e Pentápolis, o Bispo de Alexandria tenha jurisdição sobre todas estas, já que este também é o costume do Bispo de Roma. Igualmente, na Antioquia e nas outras províncias, que as igrejas retenham seus privilégios.” (Concílio de Niceia, Cânone 6)
Então, a autoridade patriarcal de Jerusalém é uma invenção do Concílio da Calcedônia. Não existia antes de 451.
O mesmo vale para a chamada autoridade patriarcal de Constantinopla. Apesar de lendas medievais, oriundas do Estado (e que não possuem nenhuma base histórica), Bizâncio não tinha nenhuma ligação com André ou qualquer Apóstolo, mas na verdade era uma igreja menor sob a jurisdição da Sé metropolitana de Hercúlea, na Trácia, que por sua vez era diretamente submetida a Roma. Foi com o I Concílio de Constantinopla que primeiramente tentou-se dar a autoridade patriarcal a Bizâncio (somente por ser a cidade imperial). Todavia, tanto Roma quanto Alexandria rejeitaram este decreto, e ele foi retirado. De acordo com a Tradição Apostólica, Roma tinha a primazia na Igreja universal, e Alexandria era a segunda após ela, esta última tendo a primazia no Oriente. Isto é afirmado por todos os padres que abordam o assunto, e mais claramente pelo Papa São Dâmaso I, que expediu o seguinte decreto em 382 – a fim de defender a posição de Alexandria como primaz no Oriente, que fora usurpada pelos bizantinos no Concílio de Constantinopla no ano anterior.
“Embora todas as igrejas católicas espalhadas pelo mundo formam uma só câmara nupcial do Cristo, não obstante, a santa Igreja romana foi colocada à frente não por decisões conciliares das igrejas, mas recebeu o seu primado pela voz evangélica de nosso Senhor e Salvador, o Qual diz: “Tu és Pedro...” (Mat 16:18-19). Além disto, tem também dentre sua companhia na barca dos eleitos, o beatíssimo Apóstolo Paulo que, junto com Pedro na cidade de Roma no tempo do César Nero, igualmente consagrou a sobredita santa Igreja Romana a Cristo Senhor; e por sua própria presença e por seu venerável triunfo, eles colocaram-na à frente de todas as outras de todas as cidades do mundo. A primeira Sé, portanto, é aquela do Apóstolo Pedro, a Igreja de Roma, que não tem mancha ou defeito, nem nada similar. A segunda Sé é a de Alexandria, consagrada em nome do apóstolo Pedro por Marcos, seu discípulo e Evangelista, o qual foi mandado ao Egito pelo Apóstolo Pedro, onde ele pregou a Palavra da Verdade e consumou seu glorioso martírio. A terceira Sé é a de Antioquia, a qual pertenceu ao beatíssimo Pedro, onde ele primeiro habitou antes de ir a Roma, e onde o nome de “cristãos” foi primeiro usado, como a um novo povo.” (Decreto de Dâmaso#3, 382 d.C.)
Essa é a antiga ordem – Roma, Alexandria e Antioquia, na ordem de primazia e autoridade. Foi somente em 700 d.C. – depois que Alexandria e Antioquia caíram nas mãos dos muçulmanos –, que Roma reconheceu o primado de Constantinopla no Oriente. Antes disso, a reivindicação era consistentemente negada, tanto por Roma quanto pelos outros patriarcas (embora Antioquia ocasionalmente aceitasse). Nada é tão contundente para mostrar isto quanto a condenação do Papa São Leão Magno ao Cânone 28 de Calcedônia, na qual diz:
“... nós também ordenamos e decretamos o mesmo em relação aos privilégios da santíssima Igreja de Constantinopla, a Nova Roma. Pois os Padres acertadamente garantiram privilégios ao trono da antiga Roma, porque esta era a cidade real. E os cento e cinquenta piíssimos Bispos deram iguais privilégios ao santíssimo trono da Nova Roma, julgando justamente que a cidade é honrada pela Autoridade Soberana e o Senado e goza de iguais privilégios como a antiga Roma imperial...” (Cânone 28, Calcedônia).
No entanto, o Papa Leão se recusou a concordar com este Cânone; e fazendo uso de um tipo de “veto parcial”, excluiu-o dos documentos conciliares. Aqui, o Bispo Anatólio de Constantinopla escreve ao Papa Leão, desculpando-se e explicando como o cânone veio a ser, dizendo...
“Quanto àquilo que o Concílio Ecumênico da Calcedônia recentemente ordenou em favor da igreja de Constantinopla, Sua Santidade esteja assegurada de que não tive culpa nisso, eu que desde a minha juventude sempre amei a paz e a quietude, mantendo-me na humildade. Foi o reverendíssimo clero da igreja de Constantinopla que estava ansioso por isto, e eles eram igualmente amparados pelos reverendíssimos sacerdotes daquelas partes, que concordavam com eles. Mesmo assim, toda a força de confirmação dos atos foi reservada à autoridade de Sua Beatitude. Portanto, que Sua Santidade tenha por certo de que eu não fiz nada que contribuísse no assunto, sabendo sempre que eu deveria evitar os luxos do orgulho e da cobiça.” – Patriarca Anatólio de Constantinopla ao Papa Leão, Ep 132 (sobre o Cânone 28 de Calcedônia).
Deste modo, o assunto estava encerrado; e, pelos próximos seis séculos, todas as Igrejas do Oriente falavam somente em 27 cânones de Calcedônia – o 28º Cânone foi anulado e invalidado pelo “veto parcial” de Roma. Isto é embasado por todos os historiadores gregos, como Teodoro o Leitor (escreve em 551 d.C.), João Escolástico (escreve em 550 d.C.), Dionísio Exíguo (também por volta de 550 d.C.); e por Papas como São Gelásio (c. 495) e Símaco (c. 500) – todos os quais falam somente em 27 cânones da Calcedônia.

Quanto à igreja de Antioquia, é verdade que a comunidade gentia de Antioquia é mais antiga que a comunidade gentia de Roma. Porém, a igreja de Roma em si (que começou como igreja judia) foi estabelecida por judeus peregrinos que se converteram ao Cristianismo no dia de Pentecostes (ver Atos 2:9-10), e tinha ministros judeus que lhe pertenciam e que se converteram muito antes de São Paulo (ver Romanos 16:7). Além disso, a primeira estadia de São Pedro em Roma teve lugar entre 42 d.C. (quando ele fugiu da Judeia – Atos 12:17) e 49 d.C., quando o Imperador Cláudio expulsou todos os judeus de Roma por causa de um tumulto acerca de alguém que o historiador romano Suetônio chama de “Chrestus” – claro mal-entendido de “Christus” (“Cristo”). Foi por isso que Pedro voltou a Jerusalém em Atos 15 para o Concílio de Jerusalém, que ocorreu em 49 d.C. Foi somente DEPOIS do Concílio de Jerusalém (ver Gálatas 2) que Pedro estabeleceu-se em Antioquia e tornou-se o primeiro Bispo de Antioquia (ele não era algum tipo de bispo “auxiliar”, como foi dito acima). Porém, uma vez que os judeus são readmitidos em Roma, Pedro volta para lá, e é aqui que ele e São Paulo confrontam o arqui-herege Simão o Mago, e onde eles juntos constroem a Igreja de Roma, síntese da igreja judia com a igreja gentia, e onde eles terminaram suas vidas como mártires. No entanto, só Pedro era a autoridade primacial ali – isto é, o bispo de Roma de facto. Assim, seu episcopado em Roma foi mais longo do que (e anterior) ao seu episcopado em Antioquia. Todos os Padres (Hipólito, Eusébio, Jerônimo, etc) o dizem. E, como diz Dâmaso acima, é daqui que os três originais patriarcados (Apostólicos) provêm. Por volta de 60 d.C., Pedro deixa Antioquia e volta para Roma. Fazendo isto, ele deixa seu discípulo Santo Evódio na Sé de Antioquia. Santo Evódio foi sucedido por Santo Inácio de Antioquia. Então, enquanto em Roma, Pedro enviou seu maior discípulo São Marcos para Alexandria, para ser o primeiro bispo (e seu próprio “legado”) lá. Ao fazer isto, Pedro, em essência, “triangula” o mundo conhecido. Sua própria Sé de Roma tinha a primazia e era a corte final de apelação, ao passo que administrava a Europa (e o Norte da África) diretamente. Alexandria teria o segundo lugar e o primado no Oriente, enquanto administraria a África Oriental, a Etiópia, a Arábia, e parte da atual Palestina. Antioquia, por fim, teria o terceiro lugar depois de Alexandria, e administraria diretamente a Ásia e o Oriente mais longínquo. Todavia, toda a relação dependia do quão eficientemente uma mensagem poderia ser mandada de Roma para o Oriente; isto porque, como pode ser facilmente visto num mapa romano, o caminho mais rápido de despachar uma mensagem para o Oriente era mandando-a de barco de Roma para Alexandria, e de Alexandria para a costa da Palestina até Antioquia. Este era o arranjo original, e como a Igreja primitiva operava. Os bizantinos perturbaram esta ordem original tentando equiparar a autoridade eclesiástica com a autoridade imperial.

Aqui, deve-se lembrar do fato de que a Cristandade bizantina não é a quintessência da Cristandade Oriental. Na Igreja Ortodoxa, não há representação da tradição copta, ou siríaca, ou maronita (libanesa), ou etíope, ou malankar (índia), ou armênia, ou caldeia (persa). A Igreja Católica, no entanto, possui todas estas tradições, bem como as tradições bizantina e antioquena, junto com as do Ocidente (romana e gálica). Além do mais, a presente teologia Ortodoxa nem sequer representa a totalidade da Cristandade grega, mas subordina a tradição greco-alexandrina à antioquena e à greco-capadócia. Se você aceitasse a sua herança alexandrina, não teria problema com a teologia do Filioque (propriamente dita). Logo, em suma, sua Ortodoxia não fala pelo Oriente inteiro, mas tão somente pela tradição antioquena-bizantina – isto é, uma parte do Oriente. E essa parte do Oriente pela qual você fala não é tão antiga quanto a herança apostólica de Roma.

>>>>>>E já que os Armênios também romperam a comunhão com a Igreja (com isso eu quero dizer a antiga grande Igreja) antes da separação de Roma, não seriam eles também mais antigos?

É verdade que, depois de 1054, Roma (e o resto da Europa Ocidental) deixaram de fazer parte do legado cultural do Império Bizantino, que era o herdeiro cultural direto do Império Romano. Porém, isto tem pouco, quase nada, a ver com a herança cristã e a Tradição Apostólica de Roma, que não depende das inovações de Constantino no século IV ou de seu estabelecimento de um Império cristão, mas antecede consideravelmente esta construção. Foi Bizâncio que rompeu com Roma, e não o contrário. Foi Fócio e seus planos imperiais que fizeram com que os bizantinos ignorassem e distorcessem seu prévio reconhecimento do primado romano, etc. Tente o quanto quiser, é simplesmente impossível reconciliar sua visão moderna, “Fócia”, com aquela dos padres bizantinos mais antigos como São Máximo Confessor, Teodoro Estudita, e outros que eram claramente “papistas” e que reconheciam a completa e total ortodoxia de Roma (ex. Filioque, etc.)

Aparentemente, Tertuliano serviu como sacerdote lá, e Jerônimo também visitou e serviu o Papa de Roma; mas o primeiro era originalmente de Cartago, onde ele também morreu; e o segundo era um monge de Belém, sob a jurisdição de Élia (Jerusalém) e Cesareia.

Como foi dito acima, Tertuliano tornou-se um herege montanista, e então rejeitou TODA autoridade episcopal. Então, não seria surpreendente que ele não defendesse o primado de Roma. No entanto, ele ainda testemunha para todos o primado Romano, através de seus protestos montanistas. Se o primado de Roma não fosse reconhecido, por que Tertuliano escarneceria do Papa Calisto chamando-o de “Pontifex Maximus” (isto é, a cabeça da religião estatal romana) e de “bispo dos bispos”? Além disso, por que eu e você podemos, hoje, receber o Sacramento da Confissão repetidamente, se Roma não tem a reconhecida autoridade de “ligar e desligar”?

Quanto a São Jerônimo, ele não estava sob a autoridade de Élia (Jerusalém), mas sim de Cesareia, que era o metropolitano para a atual Palestina. Cesareia respondia ao Patriarca de Antioquia, que por sua vez reconhecia o primado de Roma. No entanto, nos tempos de Jerônimo, o patriarcado de Antioquia estava dividido pelo cisma interno entre dois aspirantes a Patriarca. Jerônimo não tinha certeza a qual deveria se submeter. Então, ele escreveu o seguinte ao Papa São Dâmaso, em Roma:
“Já que o Oriente, estilhaçado como está pelas longas contendas entre seu povo, está aos poucos rasgando em pedaços a veste inconsútil do Senhor, ‘tecida de cima a baixo’, já que as raposas estão destruindo a vinha de Cristo, e já que entre vasos rachados que não guardam água alguma está difícil encontrar ‘a fonte selada’ e ‘o jardim fechado’, acredito que seja meu dever consultar a Cátedra de Pedro, e voltar-me à igreja cuja Fé fora enaltecida por Paulo. [...] Minhas palavras são dirigidas ao sucessor do Pescador, ao discípulo do Crucificado. Assim como eu não sigo nenhum líder além de Cristo, assim eu não comungo com ninguém além de Sua Beatitude, que se assenta na Sé de Pedro. Pois eu sei que esta é a Pedra sobre a qual a Igreja foi construída! Esta é a casa onde só o Cordeiro Pascal pode ser corretamente comido. Esta é a Arca de Noé, e aquele que não se encontra nela vai perecer quando o dilúvio vier. (Jerônimo, Epístola 15 – dirigida ao Papa Dâmaso I, c. 375 d.C.)
Nosso amigo ortodoxo continua:
>>>>>>Além disso, Cipriano de Cartago brigou com o Papa Estevão de Roma. Cipriano foi apoiado por toda a Ásia Menor, toda a África, toda a Grécia, toda a Arábia, e em geral todo lugar fora da diocese de Roma (embora ele também encontrasse apoio ali). O Papa Estevão, por sua vez, ameaçou essas igrejas com a excomunhão. Firmiliano de Cesareia, porém, passou a frente dele e o excomungou em favor de toda a Igreja. Cipriano foi martirizado, como você sabe, mas não estava em comunhão com Roma no momento.
É verdade que Cipriano teve um conflito amargo com o Papa Estevão sobre a questão do Batismo dos hereges – isto é, se os hereges que procuravam a comunhão com a Igreja Católica precisavam ser rebatizados ou não. Cipriano dizia que sim; Estevão dizia que não. Mais que isso, Estevão ensinava que havia “um só Batismo para a remissão dos pecados”; assim como a posição de Estevão (isto é, de Roma) fora adotada pelos padres niceno-constantinopolitanos no Credo! É a isso que esta afirmação do Símbolo de Fé se refere.
Entretanto, embora Cipriano acreditasse que o Papa Estevão estava errado, ele nunca excomungou o Papa Estevão, nem o bispo Firmiliano de Cesareia, na Capadócia. Durante toda a controvérsia, a posição de Cipriano era a de que todos os bispos eram livres para discordar neste ponto. Então, para Cipriano, o desacordo era sobre a soberania local de cada bispo. Em outras palavras, Cipriano via isso como um problema de oikonomia (literalmente, “administração da casa”) e disciplina local, e não como assunto formal da doutrina. É por isso que ele estava tão transtornado com as delcarações do Papa Estevão de que quem rebatizasse seria condenado. Porém, novamente, Cipriano NUNCA chamou Estevão de herege, e NUNCA rompe a comunhão com Roma. Ele apenas acreditava que Roma estava sendo injusta neste ponto, e que o Papa Estevão estava se intrometendo nos direitos próprios de Cipriano como bispo.
Quanto aos apoiadores de Cipriano, nem entre os bispos africanos ele tinha completo apoio. Na verdade, os bispos da Mauritânia que participaram do Concílio de Cartago seguiam o mesmo costume de Roma e não rebatizavam os hereges. É por isso que o concílio formalmente diz que os bispos são “livres para discordar” nesta matéria. E não só isso. Na conclusão do Concílio de Cartago, Cipriano manda legados ao Papa Estevão em Roma, pedindo-lhe para ratificar a decisão Africana. Por que faria isso se ele e seus colegas Africanos não reconheciam a autoridade romana? O Papa Estevão, no entanto, em um ato admitidamente pouco caridoso, recusou-se a receber a delegação africana. E é por ISSO que Cipriano voltou-se ao Oriente, tentando encontrar algum apoio ali.
No entanto, Cipriano não conseguiu encontrar ninguém no Oriente para apoia-lo, isto é, além de Firmiliano na Capadócia. Os dois patriarcados orientais de Alexandria e Antioquia ficaram do lado de Roma! Nós sabemos com certeza que Alexandria (na pessoa de São Dionísio) aceitou a ordem romana, pois, um ano depois da morte do Papa Estevão, o Patriarca Dionísio de Alexandria mandou uma carta para o seu sucessor, o Papa Sixto II, pedindo-lhe sua decisão acerca do caso de um egípcio, que era formalmente um herege, mas que procurara a comunhão com a Igreja, e que pedia para ser rebatizado porque acreditava que o batismo dos hereges não fora feito corretamente. Dionísio perguntou a Sixto se seria correto rebatizar este homem.
Então, Firmiliano na Capadócia era o único bispo oriental que tomou o partido de Cipriano contra o Papa Estevão. E ambos Cipriano e Firmiliano estavam errados! Depois os bispos de Cartago não mais rebatizaram hereges, e São Basílio Magno, sucessor de Firmiliano na Cesareia de Capadócia, também não rebatizou os hereges.
Quanto a Cipriano e Firmiliano, nenhum deles negou o primado de Roma. Por exemplo, mesmo criticando o Papa Estevão, Firmiliano escreveu:
Mas quão grande é seu erro [do Papa Estevão], quão grande a sua cegueira, que diz que a remissão dos pecados pode ser conseguida nas sinagogas dos hereges, não perpetuando assim a fundação da única Igreja, que fora primeiramente estabelecida por Cristo sobre a Pedra [...] E aqui, sobre este assunto, estou justamente indignado com esta insensatez aberta e manifesta de Estevão, logo ele que se orgulha tanto de seu lugar entre o episcopado, e sustenta que ele guarda a sucessão de Pedro, sobre quem as fundações da Igreja foram colocadas, introduz muitas outras pedras (os hereges), e constrói o novo prédio de muitas igrejas, ao manter por sua própria autoridade ele que há Batismo entre eles. Estevão, que se proclama ocupante da sucessão da Cátedra de Pedro, não é movido pelo zelo contra os hereges.” (Epístola de Firmiliano a São Cipriano, LXXV)
Em suma, Firmiliano não discute a dignidade que Estevão possui. Ele somente pensa que Estevão pessoalmente é indigno dela. Quanto a Cipriano, claramente também era um “papista”. Muito antes do conflito com Estevão, Cipriano escreveu o seguinte ao Papa Cornélio, em Roma:
“Com falsos bispos nomeados para si, eles (hereges novacianos) ousam mesmo viajar e levar suas cartas de cismáticos e blasfemos à Sé de Pedro e à principal igreja, na qual a unidade sacerdotal tem a sua origem; eles também não se lembram de que estes são Romanos, aqueles cuja fé fora enaltecida pelo Apóstolo, e a quem a fé herética não pode atingir.” (Cyp. ad Cornelius).
Para Cipriano, a Igreja de Roma era a “principal igreja” e a FONTE de unidade entre os bispos. Ele tinha como primacial a “Sé de Pedro” – porque seu bispo sucedia o próprio Pedro. De fato, em outros momentos, Cipriano chama Roma de “útero e a raiz da Igreja Católica”, e mesmo durante seu conflito com Estevão, Cipriano nunca abandonou esta visão. Por exemplo, na época da contenda, Cipriano mandou um informe a Estevão, dizendo-lhe que o bispo Marciano de Arles juntara-se ao partido do antipapa Novaciano. O Papa certamente já havia sido informado disso pelo bispo Faustino de Lyon e por outros bispos da Gália. Ainda assim, Cipriano (mesmo claramente não sendo nenhum fã de Estevão a essa altura) avisa o Papa, dizendo:
Você deveria mandar muitas cartas íntegras aos nossos irmãos bispos da Gália, não permitindo mais que o obstinado e orgulhoso Marciano insulte nossa sociedade. [...] Portanto mande cartas à província e ao povo de Arles, para que, excomungando Marciano, outro possa ser colocado em seu lugar [...], pois todo o copioso episcopado é unido pela cola da concórdia mútua e pelo laço da unidade, para que se algum de nossos irmãos ameace cair em heresia e assim lacerar e devastar o rebanho de Cristo, os outros possam prestar socorro [...] Pois embora haja muitos pastores, todos alimentamos um só rebanho.” (Cipriano, Ep. LXVIII)
Aqui, Cipriano está explicando ao Papa porque ele tomou a liberdade de interferir, e ele atribui ao Papa o poder de depor Marciano e ordenar uma nova eleição. Então, Cipriano NUNCA acreditou que Roma carecia de autoridade primacial ou que ele estivesse fora da comunhão com Roma.

>>>>>>O outro Africano, Agostinho, também não estava em comunhão com Roma quando morreu. Nem Tertuliano (embora se possa argumentar que ele era um herege, de qualquer forma).
Você está dizendo que Santo Agostinho de Hipona não estava em comunhão com Roma quando morreu? Me desculpe, Sr. Lawhorn, mas esta é uma afirmação ridícula, e você não tem absolutamente nenhuma razão para fazê-la. Você deve estar se referindo ao conflito de Agostinho com o Papa Zózimo, que ordenou a reabertura do caso contra Pelágio (inimigo de Agostinho) depois que o Papa Inocêncio condenara o pelagianismo. Porém, Zózimo também terminou condenando o pelagianismo. E ao passo que Agostinho claramente não estava satisfeito com Zózimo rever o caso, ele e seus irmãos africanos nunca romperam a comunhão com Roma por isso. Além disso, o Papa Zózimo morreu em 418 d.C., e Agostinho morreu em 430 d.C., 12 anos depois, e MUITO depois que a controvérsia já estava resolvida.
>>>>>>>E como a maioria dos primeiros Padres da Igreja escreveu em Grego e eram ou da Europa Oriental, ou da Ásia, ou da África, a Igreja Ortodoxa – que também considera estes Padres como santos, e descendentes diretos de si, e possui uma teologia idêntica à deles – parece ser a mais velha entre as duas [Igrejas].
Bem, como eu ilustrei acima, “aparências” podem enganar. Você não está vendo a história completa, nem avalia maduramente sua própria herança bizantina, que não representa integralmente a tradição Grega.
>>>>>>Quero dizer, sua teologia não é idêntica àquela dos Padres do Oriente ou mesmo dos primeiros Padres de sua próprio localidade, e parece mais ser um produto da Ortodoxia revisada e expandida por inovações.
É verdade que a Igreja do Ocidente usa algumas construções teológicas que não eram usadas pelos Padres de língua grega. Mas, e daí? Os Padres de língua grega baseavam sua linguagem filosófica na de Platão – um pagão. A Igreja do Ocidente (depois do Cisma) começou a pegar emprestada a linguagem filosófica de Aristóteles – outro pagão. É por isso que as Igrejas do Oriente e do Ocidente tem sido incapazes de comunicar-se entre si por tanto tempo. No entanto, não é a linguagem teológica que é importante, mas o conteúdo por detrás dela. E o conteúdo da Teologia Católica é completamente Apostólico. As “inovações” que você percebe são na forma, e não no conteúdo.

>>>Acredito que escrever qualquer coisa em defesa da idade dos Coptas e dos Armênios é injustificável, já que a Igreja Ortodoxa os antecede de qualquer modo.
Existem cristãos no Egito e na Armênia muito antes de Bizâncio. Além disso, como eu disse acima, nós católicos temos Coptas e Armênios em comunhão conosco. É atualmente uma Igreja composta de gregos aqueus, gregos antioquenos, e eslavos. O resto do Oriente está fora da nossa comunhão, mas está representado na Unidade Católica.
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Tradução: Marcos Marinho.

O patriarca Cirilo de Moscou declara: “É pelo número de abortos que se pode julgar o estado moral de uma sociedade”.


O patriarca Cirilo de Moscou visitou no dia de Natal, em data comemorada segundo o calendário antigo, a maternidade de uma clínica de Moscou. “Quando, em uma maternidade, o médico pergunta: ‘Interromperemos a gravidez?’, ele leva a mulher, através desta pergunta, a proceder a um aborto. Estou convencido de que se trata de um crime”, disse o patriarca Cirilo, que se dirigia às pacientes e aos colaboradores da maternidade. “Não é apenas de um crime moral, mas acredito que se trata também de um crime contra o homem, contra a pessoa. Pois o Senhor predestinou a mulher a colocar uma criança no mundo. Esta é, pode-se dizer, sua finalidade principal, sem a qual não poderia existir o gênero humano. E se, pela nossa vontade perversa, intervimos, usurpamos o plano divino para a mulher; se nos esforçarmos para modificar este plano, cometeremos um erro imenso, destruindo a pessoa humana e as relações na sociedade (...). É pelo número de abortos que se pode julgar o estado moral de uma sociedade. Segundo estes indicadores, a Rússia, infelizmente, encontra-se à cabeça dessa situação em meio a outros países”, constatou o patriarca, agradecendo à equipe da maternidade, porque “nesta instituição, não se leva as futuras mamães a interromper a gravidez”. “Se em cada maternidade persuade-se a mamãe de que é necessário fazer com que a criança nasça; que, graças à ciência contemporânea, os médicos farão de tudo para que a criança venha ao mundo e ajudarão a mamãe a cuidar da criança, mesmo no caso de a saúde desta apresentar problemas, então, acredito que o clima moral em nossa sociedade mudará da mesma forma”, continuou o patriarca. Respondendo às perguntas dos jornalistas após sua visita, o patriarca Cirilo declarou que havia “aproximadamente 50 abrigos para mulheres na Federação da Rússia”. As ocupantes destes abrigos são, em parte, jovens mamães que conseguiram recusar-se a proceder ao aborto, mas que, ao fazê-lo, encontraram-se em condições difíceis de existência. Nestes abrigos, as mulheres “podem permanecer por alguns anos. Nestes locais são ajudadas a se inserirem na vida e recebem assistência financeira. Além disso, abriu-se uma série de centros de consultas para mulheres grávidas. Se a futura mãe emite desde cedo o desejo de interromper a gravidez, consultores pertencentes à Igreja começam a trabalhar com ela. Eles ajudam, na maior parte dos casos, a preservar a vida da criança. Colaboramos neste domínio com as instituições do Estado e com as forças sociais, pois consideramos que se trata de uma direção importante de trabalho. Faremos o nosso melhor para desenvolvê-la”, sublinhou o primado da igreja ortodoxa russa.

Papa Francisco e o patriarca ortodoxo

Corrispondenza Romana | A VIDA SACERDOTAL
Traduzido por Paula Torrini

Bartolomeu I e o Papa Francisco, Vaticano
O patriarca ecumênico ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I, primus inter pares entre os patriarcas das Igrejas ortodoxas autocéfalas, participou, no último dia 19 de março, da entronização do Papa Francisco. Além disso, na audiência da quarta-feira 20 de março, aos representantes de cultos não-católicos, o Pontífice surpreendeu ao chamar Bartolomeu I por “meu irmão André”, com evidente referência ao episcopado de Constantinopla do Apóstolo Santo André, irmão de Pedro. Muitos interpretaram estes fatos como um unicum na história da Igreja desde 1054 até hoje, ou seja, desde o ano no qual a Igreja ortodoxa se separou da católica. Na verdade, atingiu-se um completo retorno dos ortodoxosà Igreja Católica romana com o Concílio de Ferrara-Florença (1438-1439).
  
Chegou em Ferrara uma delegação bizantina composta de cerca de 700 titulados para tratar da reunião entre as Igrejas latina e ortodoxa. Estavam presentes o Imperador João VIII Paeologo (1425-1448), seu irmão Demétrio (1407-1471), o patriarca de Constantinopla João II (1360 -1439) e um número impreciso de bispos, estudiosos e teólogos, Se da parte do patriarca João II este encontro tinha motivação em vista da reconciliação, para João VIII Paleologo, porém, a união das duas Igrejas era vista como premissa para a ajuda ocidental ao Império Bizantino, sitiado pelos turcos.

Devido à peste que atingiu Ferrara em 1439, o Concílio foi transferido para Florença. Aqui, o retorno dos ortodoxos foi total e absoluto, com a assinatura do decreto Laetentur coeli (6 de julho de 1439): suas Igrejas mantiveram unicamente as especificidades rituais que eram próprias de todos os católicos do Oriente. Chegaram a conclusão semelhante com os sírios, coptas e armênios.

Tal retorno foi, porém, traído e desfeito por Constantinopla, devido à prevalência da facção anti-romana, encabeçada pelo irmão do Imperador, que sacrificou, por meras razões de política interna, a aliança religiosa e político-militar com o Ocidente, tanto que o Império Romano do Oriente cairá em 1453 por obra dos Otomanos, guiados pelo sultão Mehmed II.

Não obstante esta nova política dos constantinopolitanos, vastas partes do mundo ex-ortodoxo (somam ainda hoje mais de seis milhões de pessoas, ainda que após as ferozes perseguições e a política de seu constante sacrifício sobre o altar do ecumenismo efetuada pela Santa Sé depois do Concílio Vaticano II), sobretudo na Ucrânia, Eslováquia e Transilvânia – também por obra da Polônia e Hungria – permaneceram no seio da Igreja de Roma, tomando o nome de “Uniatas”, propriamente porque permaneceram unidas à Sé petrina, refutando este segundo cisma do Oriente. 

O Natal Ortodoxo

Por Junior (Marcos Ioannis)



  O Natal, ou Festa da Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma das 12 grandes festas no Cristianismo Ortodoxo, comemorando e celebrando o nascimento de Nosso Senhor e Salvador.

  Nesta semana, pós dia 25 de dezembro, muitos no ocidente já comemoraram e celebraram o Natal, porém, os cristãos ortodoxos ainda esperam a data, já que o Natal é celebrado dia 7 de Janeiro, conforme o calendário Juliano.

  Antecedendo o Natal, os fiéis fazem um jejum de 40 dias, não tanto em penitência quanto o da Páscoa, mas de preparação, abstendo-se de carnes, lacticínios e bebidas alcoólicas, uma forma de renovar nossa fé e preparar-se para a chegada do Salvador.

  Nesse tempo os fiéis ortodoxos costumam se saudar da seguinte maneira, dizendo uns para os outros: “Cristo Nasceu!”, e o outro responde: “Glorificai-o!”. Não existe o costume em países Ortodoxos de se dizer “Feliz Natal” ou “Feliz Páscoa”, mas sim, lembrar da essência da data com essa saudação.


  A Liturgia na Igreja é celebrada com grande alegria e festividade, com diversos cantos e hinos que lembram o Nascimento do Salvador, um trecho muito bonito do Tropário da Natividade lembra que Cristo veio dar sentido novo a todas as coisas:

“Teu Nascimento, ó Cristo, nosso Deus
Fez brilhar ao mundo a luz da sabedoria
Nele, aqueles que adoravam os astros
Foram atraídos por uma estrela para Te adorar,
Ó Sol da Verdade, e conhecer-Te como o Oriente vindo do alto
Ó Senhor, glória a Ti!”

  Diferentemente do Ocidente, a Páscoa ainda ocupa o lugar mais elevado das festividades religiosas e públicas entre os cristãos ortodoxos, e o Natal, a segunda festa mais importante.


Cristo Nasceu, Glorificai-o!

  
Uma cantata de Natal Ortodoxo em árabe: 

Milagre do Santo Arcanjo Miguel em Colosso (Chône) (c. 300)


Milagre do Santo Arcanjo Miguel em Colosso (Chône) (c. 300) - 06/19 set [no calendário ortodoxo]

Perto de Hierápolis, na Frigia, havia um lugar chamado Chonê ("escorrente"), onde havia uma fonte de águas milagrosas. Quando o Apóstolo João, o Teólogo, acompanhado de Filipe, pregou o Evangelho em Hierápolis, ele viu o lugar e profetizou que uma fonte de águas milagrosas brotaria ali, da qual muitos receberiam curas e que o grande Arcanjo de Deus Miguel visitaria. Bem pouco tempo depois, a profecia cumpriu-se: uma fonte d'água transbordou e ficou vastamente conhecida por seu poder miraculoso. Um pagão de Laodicéia tinha uma filha que era muda, o que lhe era motivo de muita tristeza. O Arcanjo Miguel apareceu-lhe num sonho e mandou que levasse a menina à fonte. Ele encontrou muitas ali muitas pessoas que buscavam a cura de várias enfermidades. Todas aquelas pessoas eram cristãs. O homem perguntou como ele acharia a cura, e os cristãos disseram-lhe: "Tens que orar ao Arcanjo Miguel, no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." O homem orou desta maneira, deu à filha um gole de água, e a menina começou a falar. O pagão, sua filha e toda sua casa batizaram-se, e ele construiu uma igreja sobre a fonte, dedicando-a ao Arcanjo Miguel.

Muito tempo depois, um jovem de nome Arquipo instalou-se ali e conduziu uma vida de austeridade, de jejum e oração. Os pagãos praticaram muitas maldades para com Arquipo, pois eles detestavam o fato deste santo lugar cristão emanar tamanho poder espiritual e atrair tantas pessoas. Os pagãos, em sua impiedade, deslocaram o curso do rio mais próximo para inundar a igreja e a fonte. Pelas orações de Arquipo, o santo Arcanjo Miguel abriu uma fissura na rocha diante da igreja, e água do rio escoou pela fissura. Eis como o lugar foi salvo e por que é chamado de Chonê ou "o que escorre", pois a água do rio escorria pela fissura aberta. Santo Arquipo labutou no ascetismo até á idade dos setenta anos e repousou pacificamente no Senhor.

Os Sete Arcanjos celebrados no oriente são também celebrados no ocidente


Ángel -detalle-

La Iglesia enseña que "la existencia de seres espirituales, no corporales, que la Sagrada Escritura llama habitualmente ángeles, es una verdad de fe. El testimonio de la Escritura es tan claro como la unanimidad de la Tradición". Según la Escritura, los Ángeles son mensajeros de Dios, "poderosos ejecutores de sus órdenes, prontos a la voz de su palabra" (Sal 103,20), al servicio de su plan de salvación, "enviados para servir a los que deben heredar la salvación" (Hb 1,14). Son numerosos los episodios de la Antigua y de la Nueva Alianza en los que intervienen los santos Ángeles. La Iglesia, que en sus inicios fue protegida y defendida por el ministerio de los Ángeles (cfr. Hch 5, 17-20; 12,6-11) y continuamente experimenta "su ayuda misteriosa y poderosa", venera a estos espíritus celestes y pide con confianza su intercesión. Asimismo, durante el Año litúrgico, la Iglesia conmemora la participación de los Ángeles en los acontecimientos de la savación y celebra su memoria en unas fechas determinadas; a lo largo de los siglos, también los fieles han traducido en expresiones de piedad las convicciones de fe respecto al ministerio de los Ángeles, especialmente tomándolos como patronos de ciudades y protectores de agrupaciones, estableciendo días festivos y compuesto himnos y ejercicios de piedad.


«Orar sempre, sem desfalecer», por Isaac


Isaac, o Sírio (sec. VII), monge perto de Mossul, santo das igrejas ortodoxas
Discursos ascéticos, 1ª série, §21 

Feliz o homem que conhece a própria fraqueza. Porque esse conhecimento é nele o fundamento, a raiz, o princípio de toda a bondade. [...] Quando um homem se sente desprovido de socorro divino, reza muito. E, quanto mais reza, mais o seu coração se torna humilde. [...] Tendo compreendido realmente isto, guarda a oração na sua alma como um tesouro. E, sendo a sua alegria tão grande, faz da oração uma acção de graças. [...] Assim, guiado por este conhecimento e admirando a graça de Deus, eleva a voz e louva-O e glorifica-O, exprime a sua gratidão, nos píncaros do seu maravilhamento.

Aquele que conseguiu, verdadeiramente e não em imaginação, alcançar tais sinais e conhecer tal experiência, sabe do que estou a falar e que nada pode impedir isso. Mas que ele cesse de então em diante de desejar coisas vãs. Persevere em Deus, através da oração contínua, no temor de ser privado da abundância do socorro divino.

Todos estes bens são dados ao homem quando este reconhece a sua fraqueza. No seu grande anseio pelo socorro divino, aproxima-se de Deus, permanecendo em oração. E, quanto mais se aproxima de Deus com esta determinação, mais Deus o aproxima dos Seus dons e não lhe retira a Sua graça, devido à sua grande humildade. Pois tal homem é como a viúva que não cessa de pedir ao juiz que lhe faça justiça contra o seu adversário. Deus compassivo retém a Suas graças para que essa reserva incite o homem, que tanta precisão tem d'Ele, a aproximar-se d'Ele e a e a permanecer junto d'Aquele que é a fonte do seu bem.

[São Leão Magno I, Papa] Antologia de Textos Homiléticos


São Leão Magno, Papa
(? - cerca de 461)
Antologia de Textos Homiléticos
 
 
«O templo de que Ele falava era o seu corpo»
Sermão 48
Se considerarmos o que o mundo inteiro recebeu pela cruz do Senhor, reconheceremos que para celebrar a Páscoa é justo que nos preparemos com um jejum de quarenta dias... 
Não são apenas os bispos ou os padres ou os simples ministros dos sacramentos, mas é todo o corpo da Igreja, é todo o conjunto dos fiéis que deve purificar-se de todas as manchas, para que o templo de Deus, cujo alicerce é o seu próprio fundador, seja belo em todas as suas pedras e luminoso em todas as suas partes... Sem dúvida que não se pode empreender nem completar a purificação deste templo sem a ajuda do seu construtor; e, contudo, aquele que o edificou deu-lhe o poder de promover o seu crescimento a partir do seu próprio trabalho. Porque foi um material vivo e inteligente que serviu para a construção deste templo e é o Espírito de graça que o incita a se aglomerar voluntariamente num só edifício... 
Portanto, uma vez que todo o conjunto dos fiéis e cada um em particular formam um só e mesmo templo de Deus, este deve ser perfeito em cada um, tal como o deve ser no seu conjunto. Porque se é certo que a beleza não pode ser idêntica em todos os membros, nem os méritos iguais numa tão grande diversidade de partes, o vínculo da caridade obtém contudo a comunhão na beleza. Aqueles que estão unidos por um santo amor, mesmo se não receberam os mesmos dons da graça, alegram-se na verdade com os bens uns dos outros; e o que eles amam não pode ser-lhes estranho uma vez que eles acrescentam as suas próprias riquezas quando se alegram com o progresso dos outros.
* * * * *
«Era para reunir na unidade os filhos de Deus dispersos»
8ª homilia sobre a Paixão
«Uma vez erguido da terra, atrairei tudo a mim» (Jo 12,32).
Oh poder admirável da cruz! Oh glória inefável da Paixão! Ali se encontra o tribunal do Senhor, ali o julgamento do mundo, ali o poder do crucificado!
Tudo atraíste a ti, Senhor, e quando, «durante um dia inteiro, estendias as tuas mãos a um povo incrédulo e rebelde» (Is 65,2; Rm 10,21) todos receberam a inteligência para confessar a tua majestade.
Tudo atraíste a ti, Senhor, porque todos os elementos da natureza pronunciaram a sua sentença..., a criação inteira recusou servir os ímpios (Mt 27,45s).
Tudo atraíste a ti, Senhor, porque, quando o véu do Templo se rasgou, o símbolo do Santo dos Santos manifestou-se verdadeiramente... e a Lei antiga conduziu ao Evangelho.
Tudo atraíste a ti, Senhor, a fim de que o culto de todas as nações seja celebrado por um sacramento pleno, finalmente manifestado... 
Porque a tua cruz é a fonte de todas as bênçãos, a origem de todas as graças. Da fraqueza da cruz, os crentes recebem a força; do seu opróbrio, a glória; da tua morte, a vida.
Com efeito, agora a diversidade dos sacrifícios chegou ao fim; a oferenda única do teu corpo e do teu sangue consome todas as diferentes vítimas oferecidas no mundo inteiro, porque tu és o verdadeiro Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo (Jo 1,29). Tu completas em ti todas as religiões de todos os homens para que todos os povos não sejam mais do que um só Reino. 
* * * * *
«Sacramento de nuestra reconciliación»
Epist. 28 ad Flavianum, 3-4: PL 54, 763-767
«La bajeza fue asumida por la majestad, la debilidad por el poder, la mortalidad por la eternidad. Para saldar la deuda de nuestra condición humana, la naturaleza inviolable se unió a la naturaleza posible, con el fin de que, como lo exigía nuestra salvación, el único y mismo «mediador entre Dios y los hombres, el hombre Cristo Jesús», tuviera, a un mismo tiempo, la posibilidad de morir, en lo que le corresponde como hombre, y la imposibilidad de morir, en lo que le corresponde como Dios.
Así, pues, el Dios verdadero nació con una naturaleza humana íntegra y perfecta, manteniendo intacta su propia condición divina y asumiendo totalmente la naturaleza humana, es decir, la que creó Dios al principio y que luego hizo suya para restaurarla.
Pues aquella que introdujo el Engañador y que admitió el hombre engañado, no afectó lo más mínimo al Salvador. Ni del hecho de que haya participado de la debilidad de los hombres, se sigue que haya participado de nuestros delitos.
Asumió la forma de siervo sin la mancha del pecado, enriqueciendo lo humano sin empobrecer lo divino. Pues, el anonadamiento, por el que se manifestó visiblemente quien de por sí era invisible, y por el que aceptó la condición común de los mortales quien era el creador y Señor de todas las cosas, fue una inclinación de su misericordia, no una pérdida de su poder. Por lo tanto, el que subsistiendo en la categoría de Dios hizo al hombre, ese mismo se hizo hombre en la condición de esclavo.
Entra, pues, en lo más bajo del mundo el Hijo de Dios, descendiendo del trono celeste pero sin alejarse de la gloria del Padre, engendrado de una manera nueva por una nueva natividad.
De una nueva forma, porque, invisible por naturaleza, se ha hecho visible en nuestra naturaleza; incomprensible, ha querido ser comprendido; el que permanecía fuera del tiempo ha comenzado a existir en el tiempo; dueño del universo, ha tomado la condición de esclavo ocultando el resplandor de su gloria; el impasible, no desdeñó hacerse hombre pasible, y el inmortal, someterse a las leyes de la muerte.
El mismo que es Dios verdadero, es también hombre verdadero. No hay en esta unión engaño alguno, pues la limitación humana y la grandeza de Dios se relacionan de modo inefable.
A1 igual que Dios no cambia cuando se compadece, tampoco el hombre queda consumido por la dignidad divina. Cada una de las dos formas actúa en comunión con la otra, haciendo cada una lo que le es propio: el Verbo actúa lo que compete al Verbo, y la carne realiza lo propio de la carne.
La forma de Dios resplandece en los milagros, la forma de siervo soporta los ultrajes. Y de la misma forma que el Verbo no se aleja de la igualdad de la gloria del Padre, tampoco su carne pierde la naturaleza propia de nuestro linaje.
Es uno y el mismo, verdadero Hijo de Dios y verdadero hijo del hombre. Dios porque «en el principio ya existía la Palabra, y la Palabra estaba junto a Dios y la Palabra era Dios»; hombre porque la «Palabra se hizo carne y acampó entre nosotros».
* * * * *
«Cristo vive en su Iglesia»
Sermón 12, Sobre la pasión del Señor, 3, 6-7; PL 54, 355-357
«No hay duda, amadísimos hermanos, que el Hijo de Dios, habiendo tomado la naturaleza humana, se unió a ella tan íntimamente, que no sólo en aquel hombre que es el primogénito de toda creatura, sino también en todos sus santos, no hay más que un solo y único Cristo; y, del mismo modo que no puede separarse la cabeza de los miembros, así tampoco los miembros pueden separarse de la cabeza.
Aunque no pertenece a la vida presente, sino a la eterna, el que Dios sea todo en todos, sin embargo, ya ahora, él habita de manera inseparable en su templo, que es la Iglesia, tal como prometió él mismo con estas palabras: Mirad, yo estaré siempre con vosotros hasta el fin del mundo. Por tanto, todo lo que el Hijo de Dios hizo y enseñó con miras a la reconciliación del mundo no sólo lo conocernos por el relato de sus hechos pretéritos, sino que también lo experimentamos por la eficacia de sus obras presentes.
Él mismo, nacido de la Virgen Madre por obra del Espíritu Santo, es quien fecunda con el mismo Espíritu a su Iglesia incontaminada, para que, mediante la regeneración bautismal, una multitud innumerable de hijos sea engendrada para Dios, de los cuales se afirma que traen su origen no de la sangre, ni del deseo carnal, ni de la voluntad del hombre, sino del mismo Dios. Es en él mismo en quien es bendecida la posteridad de Abrahán por la adopción del mundo entero, y en quien el patriarca se convierte en padre de las naciones, cuando los hijos de la promesa nacen no de la carne, sino de la fe. Él mismo es quien, sin exceptuar pueblo alguno, constituye, de cuantas naciones hay bajo el cielo, un solo rebaño de ovejas santas, cumpliendo así día tras día lo que antes había prometido: Tengo otras ovejas que no son de este redil; es necesario que las recoja, y oirán mi voz, para que se forme un solo rebaño y un solo pastor.
Aunque dijo a Pedro, en su calidad de jefe: Apacienta mis ovejas, en realidad es él solo, el Señor, quien dirige a todos los pastores en su ministerio; y a los que se acercan a la piedra espiritual él los alimenta con un pasto tan abundante y jugoso, que un número incontable de ovejas, fortalecidas por la abundancia de su amor, están dispuestas a morir por el nombre de su pastor, como él, el buen Pastor, se dignó dar la propia vida por sus ovejas.
Y no sólo la gloriosa fortaleza de los mártires, sino también la fe de todos los que renacen en el bautismo, por el hecho mismo de su regeneración, participan en sus sufrimientos. Así es como celebramos de manera adecuada la Pascua del Señor, con ázimos de pureza y de verdad: cuando, rechazando la antigua levadura de maldad, la nueva creatura se embriaga y se alimenta del Señor en persona. La participación del cuerpo y de la sangre del Señor, en efecto, nos convierte en lo mismo que tomamos y hace que llevemos siempre en nosotros, en el espíritu y en la carne, a aquel junto con el cual hemos muerto, bajado al sepulcro y resucitado."
* * * * *
«La misericordia de Dios para con los penitentes»
«Quienes anunciaron la verdad y fueron ministros de la gracia divina; cuantos desde el comienzo hasta nosotros trataron de explicar en sus respectivos tiempos la voluntad salvífica de Dios hacia nosotros, dicen que nada hay tan querido ni tan estimado de Dios como el que los hombres, con una verdadera penitencia, se conviertan a él.
Y para manifestarlo de una manera más propia de Dios que todas las otras cosas, la Palabra divina de Dios Padre, el primero y único reflejo insigne de la bondad infinita, sin que haya palabras que puedan explicar su humillación y descenso hasta nuestra realidad, se dignó mediante su encarnación convivir con nosotros; y llevó a cabo, padeció y habló todo aquello que parecía conveniente para reconciliarnos con Dios Padre, a nosotros que éramos sus enemigos; de forma que, extraños como éramos a la vida eterna, de nuevo nos viéramos llamados a ella.
Pues no solo sanó nuestras enfermedades con la fuerza de los milagros; sino que, habiendo aceptado las debilidades de nuestras pasiones y el suplicio de la muerte, como si él mismo fuera culpable, siendo así que se hallaba inmune de toda culpa, nos liberó, mediante el pago de nuestra deuda, de muchos y tremendos delitos, y en fin, nos aconsejó con múltiples enseñanzas que nos hiciéramos semejantes a él, imitándole con una calidad humana mejor dispuesta y una caridad más perfecta hacia los demás.
Por ello clamaba: «No vine a llamar a los justos a penitencia, sino a los pecadores». Y también: «No son los sanos los que necesitan del médico, sino los enfermos». Por ello añadió aún que había venido a buscar la oveja que se había perdido, y que precisamente había sido enviado a las ovejas que habían perecido de la casa de Israel. Y, aunque no con tanta claridad, dio a entender lo mismo con la parábola de la dracma perdida: que había venido para recuperar la imagen empañada con la fealdad de los vicios. Y acaba: «En verdad os digo que hay alegría en el cielo por un solo pecador que se convierta».
Así también, alivió con vino, aceite y vendas al que había caído en manos de ladrones y, desprovisto de toda vestidura, había sido abandonado medio muerto a causa de los malos tratos; después de subirlo sobre su cabalgadura, le dejó en el mesón para que le cuidaran; y después de haber dejado lo que parecía suficiente para su cuidado, prometió dar a su vuelta lo que hubiera quedado pendiente.
Consideró como padre excelente a aquel hombre que esperaba el regreso de su hijo pródigo y le abrazó porque volvía con disposición de penitencia, y le agasajó a su vez con amor paterno y no pensó en reprocharle nada de todo lo que antes había cometido.
Por la misma razón, después de haber encontrado la ovejilla alejada de las cien ovejas divinas, que erraba por montes y collados, no volvió a conducirla al redil con empujones.y amenazas, ni de malas maneras; sino que lleno de misericordia la devolvió al redil incólume y sobre sus hombros.
Por ello dijo también: «Venid a mí todos los que estáis cansados y agobiados, y yo os aliviaré». Y también: «Cargad con mi yugo»; es decir, llama yugo a los mandamientos o vida de acuerdo con el evangelio, y carga, a la penitencia que puede parecer a veces algo más pesada y molesta: «porque mi yugo es llevadero», dice, «y mi carga es ligera».
Y de nuevo, al enseñarnos la justicia y la bondad divina, manda y dice: «Sed santos, sed perfectos, sed misericordiosos, como lo es vuestro Padre celestial». Y: «Perdonad y se os perdonará». Y: «Todo cuanto queráis que los hombres os hagan, hacédselo de la misma manera vosotros a ellos».

Comemoração dos Santos Arcanjos e Anjos: Miguel, Gabriel, Rafael, Uriel, Jegudiel, Salatiel, Buraquiel e Jeremiel, Príncipes das Milícias Celestes


Os anjos de Deus eram celebrados pelos homens desde os tempos mais remotos mas essa celebração era freqüentemente transformada em uma divinização dos anjos (II Rs 23:5). Os heréticos teciam todo tipo de fábulas a respeito dos anjos. Alguns deles viam os anjos como deuses; outros, apesar de não considerá-los deuses, os chamavam de criadores de todo o mundo visível. O Concílio Local de Laodicéia (quatro ou cinco anos anterior ao Primeiro Concílio Ecumênico) rejeitou a adoração dos anjos enquanto deuses e estabeleceu uma veneração adequada aos anjos no seu Trigésimo Quinto Cânone. No século quarto, durante o tempo de Silvestre, Papa de Roma e, Alexandre, Patriarca de Alexandria, a atual festa do Arcanjo Miguel e todos os outros poderes celestes foi instituída a ser celebrada no mês de novembro. Por que precisamente em novembro? Porque novembro é o nono mês após março, e março é considerado como sendo o mês em que o mundo foi criado. Também, enquanto nono mês após março, novembro foi escolhido para representar as nove ordens angélicas a serem criadas primeiramente. São Dionísio Aeropagita, um discípulo do Apóstolo São Paulo (que foi levado até ao terceiro céu), descreveu essas nove ordens angélicas em seu livro, Sobre as Hierarquias Celestes, como se segue: os Serafins de seis asas, Querubins com muitos olhos, Tronos Teóforos, Domínios, Poderes, Virtudes, Principados, Arcanjos e Anjos. O líder to todo exército dos anjos é o Arcanjo Miguel. Quando Satanás, Lúcifer, se afastou de Deus e levou consigo parte dos anjos para a destruição, Miguel se levantou e exclamou perante os anjos fiéis: "Estejamos atentos! Permaneçamos em pé! Permaneçamos em temor!'' e todo exército dos anjos fiéis exclamaram : ``Santo! Santo! Santo! Senhor Deus de Sabaoth! O Céu e a terra estão cheios da Tua glória!'' A respeito do Arcanjo Miguel, veja Josué 5:13-15 e Judas 1:9. Entre os anjos reina uma perfeita unidade da mente, unidade de alma e, de amor. As ordens inferiores mostram total obediência às ordens superiores, e todas juntas à santa vontade de Deus. Toda nação tem seu anjo guardião, assim como todo Cristão. Devemos sempre nos lembrar que tudo o que fazemos, abertamente ou em segredo, fazemos na presença do nosso anjo da guarda. No dia do Temível Julgamento, a multidão dos exércitos dos santos anjos celestes se reunirá ao redor do trono de Cristo e, as obras, palavras e pensamentos de todo homem serão revelados perante todos. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos salve pelas orações do Arcanjo Miguel e de todos os poderes incorpóreos. Amém.

Reflexão
A Sagrada Escritura testemunha clara e irrefutavelmente que os anjos se comunicam incessantemente com este mundo. A Sagrada Escritura e a Santa Tradição da Igreja Ortodoxa nos ensinam os nomes dos sete líderes dos poderes angélicos: Miguel, Gabriel, Rafael, Uriel, Salatiel, Jegudiel e Baraquiel (um oitavo, chamado Jeremiel, é algumas vezes incluído).


"Miguel", na língua hebraica, significa "Quem é como Deus?" ou "Quem é igual a Deus?" São Miguel tem sido representado desde os mais antigos tempos cristãos como um comandante, que segura em sua mão direita uma lança com a qual ataca Lúcifer, satanás, e em sua mão esquerda um ramo verde de palmeira. No topo da lança há um laço de linho com uma cruz vermelha. O Arcanjo Miguel é especialmente considerado como o Guardião da Fé Ortodoxa, e um combatente contra as heresias.

"Gabriel" significa "Homem de Deus" ou "Poder de Deus". Ele é o arauto dos mistérios de Deus, especialmente da Encarnação de Deus e de todos os outros mistérios relacionados a ela. Ele é representado da seguinte maneira: em sua mão direita ele leva uma lanterna com uma vela acesa dentro, e na mão esquerda leva um espelho de jaspe verde. O espelho simboliza a sabedoria de Deus como um mistério escondido.
"Rafael" significa "A cura de Deus" ou "Deus, o Médico" (Tobias 3:17, 12:15). Rafael é representado levando Tobias (que carrega um peixe apanhado no rio Tigre) em sua mão direita, e segurando um jarro de alabastro de médico em sua mão esquerda. "Uriel" significa "Fogo de Deus", ou "Luz de Deus" (III Esdras 3:1, 5:20). Ele é representado segurando uma espada contra os persas em sua mão direita, e uma chama flamejante em sua mão esquerda.

"Salatiel" significa "Intercessor de Deus" (III Esdras 5:16). Ele é representado com seu rosto e olhos voltados para baixo, segurando as mãos contra o peito, em oração.

"Jegudiel" significa "Glorificador de Deus". Ele é representado segurando uma coroa de ouro em sua mão direita e um chicote de três pontas em sua mão esquerda.

"Baraquiel" significa "Bênção de Deus". Ele é representado segurando uma rosa branca contra seu peito.

"Jeremiel" significa "Exaltação de Deus". Ele é venerado como um inspirador e despertador de pensamentos exaltados que elevam o homem a Deus (III Esdras 4:36).

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