ATUALIZAÇÃO da postagem com o texto completo.
Resposta de um blog Católico americano sobre um e-mail de um cristão ortodoxo que dizia:
Resposta de um blog Católico americano sobre um e-mail de um cristão ortodoxo que dizia:
Além disso, você fala da Igreja Ortodoxa
como “quase tão antiga quanto a Igreja Católica.” Uma vez que a Cristandade
começou no Oriente, e os patriarcados de Jerusalém, Antioquia, e Alexandria
foram estabelecidos antes de Roma (o apóstolo Pedro até mesmo serviu, segundo
algumas fontes, como bispo auxiliar em Antioquia) e já que estes patriarcados defendiam
as visões teológicas de Constantinopla nas contendas que surgiram entre a Nova
e a Antiga Roma, não seria simplesmente mais justo ver a Igreja Ortodoxa como a
mais antiga? [...] E como o cisma dos
pré-calcedonianos antecede o cisma entre os quatro antigos Patriarcados e a Sé
de Roma, tecnicamente não seriam também eles [pré-calcedonianos] mais antigos que a Igreja Romana?
Embora
seja na Igreja de Jerusalém que o Cristianismo começou, aquela igreja (uma
igreja judaico-cristã) deixou de existir entre 70 d.C. e 130 d.C. Depois de 130
d.C., todos os judeus (inclusive judeus cristãos) foram proibidos de entrar na
cidade de Jerusalém, que foi renomeada como Élia Capitolina pelo Império
Romano. Neste tempo, a Igreja de Jerusalém consistia em um corpo simbólico de
cristãos gentios, que estava submetido à Sé metropolitana de Cesareia. Foi só no
tempo de Constantino (dois séculos depois) que, novamente, foi dado a Jerusalém
um lugar de importância honorífica. Entretanto, isso se deu por ser aquele um
lugar de peregrinação. O reconhecimento como Patriarcado só aconteceu no
Concílio da Calcedônia (451 d.C.), mas ela continuou sob a autoridade do
metropolitano de Cesareia, que por sua vez respondia ao Patriarca de Antioquia.
É por isto que o Concílio de Niceia (325 d.C.) declarou, no Cânon 7:
“Já que mandam o costume e a antiga Tradição
que o Bispo de Élia (i.e., Jerusalém) seja honrado, que ele tenha a sucessão de
honra, no entanto SEM o direito interno da metrópole (i.e., Cesareia).”
Isto
está de acordo com o Cânone anterior (Cânone 6), que define os direitos
patriarcais de Alexandria e Antioquia BASEANDO-SE no reconhecimento destes
direitos pelo Bispo de Roma. Diz o Cânone 6:
“Prevaleçam os antigos costumes de que, no
Egito, Líbia, e Pentápolis, o Bispo de Alexandria
tenha jurisdição sobre todas estas, já
que este também é o costume do Bispo de Roma. Igualmente, na Antioquia e nas outras províncias, que
as igrejas retenham seus privilégios.” (Concílio de Niceia, Cânone 6)
Então,
a autoridade patriarcal de Jerusalém é uma invenção do Concílio da Calcedônia.
Não existia antes de 451.
O
mesmo vale para a chamada autoridade patriarcal de Constantinopla. Apesar de
lendas medievais, oriundas do Estado (e que não possuem nenhuma base
histórica), Bizâncio não tinha nenhuma ligação com André ou qualquer Apóstolo,
mas na verdade era uma igreja menor sob a jurisdição da Sé metropolitana de Hercúlea,
na Trácia, que por sua vez era diretamente submetida a Roma. Foi com o I
Concílio de Constantinopla que primeiramente tentou-se dar a autoridade
patriarcal a Bizâncio (somente por ser a cidade imperial). Todavia, tanto Roma
quanto Alexandria rejeitaram este decreto, e ele foi retirado. De acordo com a
Tradição Apostólica, Roma tinha a primazia na Igreja universal, e Alexandria
era a segunda após ela, esta última tendo a primazia no Oriente. Isto é
afirmado por todos os padres que abordam o assunto, e mais claramente pelo Papa
São Dâmaso I, que expediu o seguinte decreto em 382 – a fim de defender a
posição de Alexandria como primaz no Oriente, que fora usurpada pelos
bizantinos no Concílio de Constantinopla no ano anterior.
“Embora todas as igrejas católicas espalhadas
pelo mundo formam uma só câmara nupcial do Cristo, não obstante, a santa Igreja
romana foi colocada à frente não por
decisões conciliares das igrejas, mas recebeu o seu primado pela voz evangélica
de nosso Senhor e Salvador, o Qual diz: “Tu és Pedro...” (Mat 16:18-19).
Além disto, tem também dentre sua companhia na barca dos eleitos, o beatíssimo
Apóstolo Paulo que, junto com Pedro na cidade de Roma no tempo do César Nero,
igualmente consagrou a sobredita santa Igreja Romana a Cristo Senhor; e por sua
própria presença e por seu venerável triunfo, eles colocaram-na à frente de
todas as outras de todas as cidades do mundo. A primeira Sé, portanto, é aquela do Apóstolo Pedro, a Igreja de
Roma, que não tem mancha ou defeito, nem nada similar. A segunda Sé é a de
Alexandria, consagrada em nome do apóstolo Pedro por Marcos, seu discípulo e
Evangelista, o qual foi mandado ao Egito pelo Apóstolo Pedro, onde ele pregou a
Palavra da Verdade e consumou seu glorioso martírio. A terceira Sé é a de
Antioquia, a qual pertenceu ao beatíssimo Pedro, onde ele primeiro habitou
antes de ir a Roma, e onde o nome de “cristãos” foi primeiro usado, como a
um novo povo.” (Decreto de Dâmaso#3, 382 d.C.)
Essa é a antiga ordem – Roma, Alexandria e Antioquia, na ordem de
primazia e autoridade. Foi somente em 700 d.C. – depois que Alexandria e
Antioquia caíram nas mãos dos muçulmanos –, que Roma reconheceu o primado de
Constantinopla no Oriente. Antes disso, a reivindicação era consistentemente
negada, tanto por Roma quanto pelos outros patriarcas (embora Antioquia ocasionalmente
aceitasse). Nada é tão contundente para mostrar isto quanto a condenação do
Papa São Leão Magno ao Cânone 28 de Calcedônia, na qual diz:
“... nós também
ordenamos e decretamos o mesmo em relação aos privilégios da santíssima Igreja
de Constantinopla, a Nova Roma. Pois os Padres acertadamente garantiram
privilégios ao trono da antiga Roma, porque esta era a cidade real. E os cento
e cinquenta piíssimos Bispos deram iguais privilégios ao santíssimo trono da
Nova Roma, julgando justamente que a cidade é honrada pela Autoridade Soberana
e o Senado e goza de iguais privilégios como a antiga Roma imperial...” (Cânone
28, Calcedônia).
No entanto, o Papa Leão se recusou a concordar com este Cânone; e fazendo
uso de um tipo de “veto parcial”, excluiu-o dos documentos conciliares. Aqui, o
Bispo Anatólio de Constantinopla escreve ao Papa Leão, desculpando-se e
explicando como o cânone veio a ser, dizendo...
“Quanto àquilo que o
Concílio Ecumênico da Calcedônia recentemente ordenou em favor da igreja de Constantinopla,
Sua Santidade esteja assegurada de que não tive culpa nisso, eu que desde a
minha juventude sempre amei a paz e a quietude, mantendo-me na humildade. Foi o
reverendíssimo clero da igreja de Constantinopla que estava ansioso por isto, e
eles eram igualmente amparados pelos reverendíssimos sacerdotes daquelas
partes, que concordavam com eles. Mesmo assim, toda a força de
confirmação dos atos foi reservada à autoridade de Sua Beatitude. Portanto, que
Sua Santidade tenha por certo de que eu não fiz nada que contribuísse no
assunto, sabendo sempre que eu deveria evitar os luxos do orgulho e da cobiça.” – Patriarca
Anatólio de Constantinopla ao Papa Leão, Ep 132 (sobre o Cânone 28 de
Calcedônia).
Deste modo, o assunto estava encerrado; e, pelos próximos seis séculos,
todas as Igrejas do Oriente falavam somente em 27 cânones de Calcedônia – o 28º Cânone foi anulado e invalidado
pelo “veto parcial” de Roma. Isto é embasado por todos os historiadores gregos,
como Teodoro o Leitor (escreve em 551 d.C.), João Escolástico (escreve em 550 d.C.),
Dionísio Exíguo (também por volta de 550 d.C.); e por Papas como São Gelásio
(c. 495) e Símaco (c. 500) – todos os quais falam somente em 27 cânones da
Calcedônia.
Quanto à igreja de Antioquia, é
verdade que a comunidade gentia de Antioquia é mais antiga que a comunidade
gentia de Roma. Porém, a igreja de Roma em si (que começou como igreja judia) foi estabelecida por judeus
peregrinos que se converteram ao Cristianismo no dia de Pentecostes (ver Atos
2:9-10), e tinha ministros judeus que lhe pertenciam e que se converteram muito
antes de São Paulo (ver Romanos 16:7). Além disso, a primeira estadia de São
Pedro em Roma teve lugar entre 42 d.C. (quando ele fugiu da Judeia – Atos
12:17) e 49 d.C., quando o Imperador Cláudio expulsou todos os judeus de Roma
por causa de um tumulto acerca de alguém que o historiador romano Suetônio
chama de “Chrestus” – claro mal-entendido de “Christus” (“Cristo”). Foi por
isso que Pedro voltou a Jerusalém em Atos 15 para o Concílio de Jerusalém, que
ocorreu em 49 d.C. Foi somente DEPOIS do Concílio de Jerusalém (ver Gálatas 2)
que Pedro estabeleceu-se em Antioquia e tornou-se o primeiro Bispo de Antioquia
(ele não era algum tipo de bispo “auxiliar”, como foi dito acima). Porém, uma
vez que os judeus são readmitidos em Roma, Pedro volta para lá, e é aqui que
ele e São Paulo confrontam o arqui-herege Simão o Mago, e onde eles juntos
constroem a Igreja de Roma, síntese da igreja judia com a igreja gentia, e onde
eles terminaram suas vidas como mártires. No entanto, só Pedro era a autoridade
primacial ali – isto é, o bispo de Roma de
facto. Assim, seu episcopado em Roma foi mais longo do que (e anterior) ao
seu episcopado em Antioquia. Todos os Padres (Hipólito, Eusébio, Jerônimo, etc)
o dizem. E, como diz Dâmaso acima, é daqui que os três originais patriarcados
(Apostólicos) provêm. Por volta de 60 d.C., Pedro deixa Antioquia e volta para
Roma. Fazendo isto, ele deixa seu discípulo Santo Evódio na Sé de Antioquia.
Santo Evódio foi sucedido por Santo Inácio de Antioquia. Então, enquanto em
Roma, Pedro enviou seu maior discípulo São Marcos para Alexandria, para ser o
primeiro bispo (e seu próprio “legado”) lá. Ao fazer isto, Pedro, em essência,
“triangula” o mundo conhecido. Sua própria Sé de Roma tinha a primazia e era a
corte final de apelação, ao passo que administrava a Europa (e o Norte da
África) diretamente. Alexandria teria o segundo lugar e o primado no Oriente,
enquanto administraria a África Oriental, a Etiópia, a Arábia, e parte da atual
Palestina. Antioquia, por fim, teria o terceiro lugar depois de Alexandria, e
administraria diretamente a Ásia e o Oriente mais longínquo. Todavia, toda a
relação dependia do quão eficientemente uma mensagem poderia ser mandada de
Roma para o Oriente; isto porque, como pode ser facilmente visto num mapa
romano, o caminho mais rápido de despachar uma mensagem para o Oriente era
mandando-a de barco de Roma para Alexandria, e de Alexandria para a costa da Palestina
até Antioquia. Este era o arranjo original, e como a Igreja primitiva operava.
Os bizantinos perturbaram esta ordem original tentando equiparar a autoridade eclesiástica
com a autoridade imperial.
Aqui, deve-se lembrar do fato de que a
Cristandade bizantina não é a quintessência da Cristandade Oriental. Na Igreja
Ortodoxa, não há representação da tradição copta, ou siríaca, ou maronita
(libanesa), ou etíope, ou malankar (índia), ou armênia, ou caldeia (persa). A
Igreja Católica, no entanto, possui todas estas tradições, bem como as tradições
bizantina e antioquena, junto com as do Ocidente (romana e gálica). Além do
mais, a presente teologia Ortodoxa nem sequer representa a totalidade da
Cristandade grega, mas subordina a tradição greco-alexandrina à antioquena e à
greco-capadócia. Se você aceitasse a sua herança alexandrina, não teria
problema com a teologia do Filioque (propriamente dita). Logo, em suma, sua
Ortodoxia não fala pelo Oriente inteiro, mas tão somente pela tradição antioquena-bizantina
– isto é, uma parte do Oriente. E
essa parte do Oriente pela qual você fala não é tão antiga quanto a herança
apostólica de Roma.
>>>>>>E já que os Armênios também romperam a
comunhão com a Igreja (com isso eu quero dizer a antiga grande Igreja) antes da
separação de Roma, não seriam eles também mais antigos?
É verdade que, depois de 1054, Roma
(e o resto da Europa Ocidental) deixaram de fazer parte do legado cultural do
Império Bizantino, que era o herdeiro cultural direto do Império Romano. Porém,
isto tem pouco, quase nada, a ver com a herança cristã e a Tradição Apostólica
de Roma, que não depende das inovações de Constantino no século IV ou de seu
estabelecimento de um Império cristão, mas antecede consideravelmente esta
construção. Foi Bizâncio que rompeu com Roma, e não o contrário. Foi Fócio e
seus planos imperiais que fizeram com que os bizantinos ignorassem e
distorcessem seu prévio reconhecimento do primado romano, etc. Tente o quanto
quiser, é simplesmente impossível reconciliar sua visão moderna, “Fócia”, com
aquela dos padres bizantinos mais antigos como São Máximo Confessor, Teodoro Estudita,
e outros que eram claramente “papistas” e que reconheciam a completa e total
ortodoxia de Roma (ex. Filioque,
etc.)
Aparentemente,
Tertuliano serviu como sacerdote lá, e Jerônimo também visitou e serviu o Papa
de Roma; mas o primeiro era originalmente de Cartago, onde ele também morreu; e
o segundo era um monge de Belém, sob a jurisdição de Élia (Jerusalém) e
Cesareia.
Como foi dito acima, Tertuliano tornou-se
um herege montanista, e então rejeitou TODA autoridade episcopal. Então, não
seria surpreendente que ele não defendesse o primado de Roma. No entanto, ele
ainda testemunha para todos o primado Romano, através de seus protestos
montanistas. Se o primado de Roma não fosse reconhecido, por que Tertuliano
escarneceria do Papa Calisto chamando-o de “Pontifex
Maximus” (isto é, a cabeça da religião estatal romana) e de “bispo dos
bispos”? Além disso, por que eu e você podemos, hoje, receber o Sacramento da
Confissão repetidamente, se Roma não tem a reconhecida autoridade de “ligar e
desligar”?
Quanto
a São Jerônimo, ele não estava sob a autoridade de Élia (Jerusalém), mas sim de
Cesareia, que era o metropolitano para a atual Palestina. Cesareia respondia ao
Patriarca de Antioquia, que por sua vez reconhecia o primado de Roma. No
entanto, nos tempos de Jerônimo, o patriarcado de Antioquia estava dividido
pelo cisma interno entre dois aspirantes a Patriarca. Jerônimo não tinha
certeza a qual deveria se submeter. Então, ele escreveu o seguinte ao Papa São
Dâmaso, em Roma:
“Já que o Oriente, estilhaçado como está
pelas longas contendas entre seu povo, está aos poucos rasgando em pedaços a
veste inconsútil do Senhor, ‘tecida de cima a baixo’, já que as raposas estão
destruindo a vinha de Cristo, e já que entre vasos rachados que não guardam
água alguma está difícil encontrar ‘a fonte selada’ e ‘o jardim fechado’, acredito que seja meu dever consultar a
Cátedra de Pedro, e voltar-me à igreja cuja Fé fora enaltecida por Paulo. [...] Minhas
palavras são dirigidas ao sucessor do Pescador, ao discípulo do Crucificado. Assim
como eu não sigo nenhum líder além de Cristo, assim eu não comungo com ninguém
além de Sua Beatitude, que se assenta na Sé de Pedro. Pois eu sei que esta é a
Pedra sobre a qual a Igreja foi construída! Esta é a casa onde só o Cordeiro
Pascal pode ser corretamente comido. Esta é a Arca de Noé, e aquele que não se
encontra nela vai perecer quando o dilúvio vier.” (Jerônimo, Epístola 15 –
dirigida ao Papa Dâmaso I, c. 375 d.C.)
Nosso amigo ortodoxo continua:
>>>>>>Além
disso, Cipriano de Cartago brigou com o Papa Estevão de Roma. Cipriano foi
apoiado por toda a Ásia Menor, toda a África, toda a Grécia, toda a Arábia, e
em geral todo lugar fora da diocese de Roma (embora ele também encontrasse
apoio ali). O Papa Estevão, por sua vez, ameaçou essas igrejas com a
excomunhão. Firmiliano de Cesareia, porém, passou a frente dele e o excomungou em
favor de toda a Igreja. Cipriano foi martirizado, como você sabe, mas não
estava em comunhão com Roma no momento.
É verdade que Cipriano teve um conflito
amargo com o Papa Estevão sobre a questão do Batismo dos hereges – isto é, se
os hereges que procuravam a comunhão com a Igreja Católica precisavam ser rebatizados
ou não. Cipriano dizia que sim; Estevão dizia que não. Mais que isso, Estevão
ensinava que havia “um só Batismo para a remissão dos pecados”; assim como a
posição de Estevão (isto é, de Roma) fora adotada pelos padres
niceno-constantinopolitanos no Credo! É a isso que esta afirmação do Símbolo de
Fé se refere.
Entretanto, embora Cipriano acreditasse que
o Papa Estevão estava errado, ele nunca
excomungou o Papa Estevão, nem
o bispo Firmiliano de Cesareia, na Capadócia. Durante toda a controvérsia, a
posição de Cipriano era a de que todos os bispos eram livres para discordar
neste ponto. Então, para Cipriano, o desacordo era sobre a soberania local de
cada bispo. Em outras palavras, Cipriano via isso como um problema de oikonomia
(literalmente, “administração da casa”) e disciplina local, e não como assunto
formal da doutrina. É por isso que ele estava tão transtornado com as
delcarações do Papa Estevão de que quem rebatizasse seria condenado. Porém,
novamente, Cipriano NUNCA chamou Estevão de herege, e NUNCA rompe a comunhão
com Roma. Ele apenas acreditava que Roma estava sendo injusta neste ponto, e
que o Papa Estevão estava se intrometendo nos direitos próprios de Cipriano
como bispo.
Quanto aos apoiadores de Cipriano, nem entre
os bispos africanos ele tinha completo apoio. Na verdade, os bispos da
Mauritânia que participaram do Concílio de Cartago seguiam o mesmo costume de Roma
e não rebatizavam os hereges. É por isso que o concílio formalmente diz que os
bispos são “livres para discordar” nesta matéria. E não só isso. Na conclusão
do Concílio de Cartago, Cipriano manda legados ao Papa Estevão em Roma,
pedindo-lhe para ratificar a
decisão Africana. Por que faria isso se ele e seus colegas Africanos não
reconheciam a autoridade romana? O Papa Estevão, no entanto, em um ato
admitidamente pouco caridoso, recusou-se a receber a delegação africana. E é
por ISSO que Cipriano voltou-se ao Oriente, tentando encontrar algum apoio ali.
No entanto, Cipriano não conseguiu encontrar
ninguém no Oriente para apoia-lo, isto é, além de Firmiliano na Capadócia. Os
dois patriarcados orientais de Alexandria e Antioquia ficaram do lado de Roma!
Nós sabemos com certeza que Alexandria (na pessoa de São Dionísio) aceitou a
ordem romana, pois, um ano depois da morte do Papa Estevão, o Patriarca
Dionísio de Alexandria mandou uma carta para o seu sucessor, o Papa Sixto II,
pedindo-lhe sua decisão acerca do caso de um egípcio, que era formalmente um
herege, mas que procurara a comunhão com a Igreja, e que pedia para ser
rebatizado porque acreditava que o batismo dos hereges não fora feito
corretamente. Dionísio perguntou a Sixto se seria correto rebatizar este homem.
Então, Firmiliano na Capadócia era o único
bispo oriental que tomou o partido de Cipriano contra o Papa Estevão. E ambos Cipriano e Firmiliano
estavam errados! Depois os bispos de Cartago não mais rebatizaram hereges, e
São Basílio Magno, sucessor de Firmiliano na Cesareia de Capadócia, também não
rebatizou os hereges.
Quanto a Cipriano e Firmiliano, nenhum deles
negou o primado de Roma. Por exemplo, mesmo criticando o Papa Estevão,
Firmiliano escreveu:
“Mas quão grande é seu erro [do Papa
Estevão], quão grande a sua cegueira, que diz que a remissão dos pecados
pode ser conseguida nas sinagogas dos hereges, não perpetuando assim a fundação da única Igreja, que fora
primeiramente estabelecida por Cristo sobre a Pedra [...] E aqui,
sobre este assunto, estou justamente
indignado com esta insensatez aberta e manifesta de Estevão, logo ele que se
orgulha tanto de seu lugar entre o episcopado, e sustenta que ele guarda a
sucessão de Pedro, sobre quem as fundações da Igreja foram colocadas,
introduz muitas outras pedras (os hereges), e constrói o novo prédio de muitas
igrejas, ao manter por sua própria
autoridade ele que há Batismo entre eles. Estevão, que se proclama ocupante da
sucessão da Cátedra de Pedro, não é movido pelo zelo contra os
hereges.” (Epístola de Firmiliano a São Cipriano, LXXV)
Em suma, Firmiliano não discute a dignidade
que Estevão possui. Ele somente pensa que Estevão pessoalmente é indigno dela.
Quanto a Cipriano, claramente também era um “papista”. Muito antes do conflito
com Estevão, Cipriano escreveu o seguinte ao Papa Cornélio, em Roma:
“Com
falsos bispos nomeados para si, eles (hereges novacianos) ousam mesmo viajar e
levar suas cartas de cismáticos e blasfemos à Sé de Pedro e à principal igreja, na qual a unidade
sacerdotal tem a sua origem; eles também não se lembram de que estes
são Romanos, aqueles cuja fé fora enaltecida pelo Apóstolo, e a quem a fé herética não pode atingir.”
(Cyp. ad Cornelius).
Para Cipriano, a Igreja de Roma era a
“principal igreja” e a FONTE de unidade entre os bispos. Ele tinha como
primacial a “Sé de Pedro” – porque seu bispo sucedia o próprio Pedro. De fato, em
outros momentos, Cipriano chama Roma de “útero e a raiz da Igreja Católica”, e
mesmo durante seu conflito com Estevão, Cipriano nunca abandonou esta visão.
Por exemplo, na época da contenda, Cipriano mandou um informe a Estevão,
dizendo-lhe que o bispo Marciano de Arles juntara-se ao partido do antipapa
Novaciano. O Papa certamente já havia sido informado disso pelo bispo Faustino
de Lyon e por outros bispos da Gália. Ainda assim, Cipriano (mesmo claramente
não sendo nenhum fã de Estevão a essa altura) avisa o Papa, dizendo:
“Você deveria mandar muitas cartas
íntegras aos nossos irmãos bispos da Gália, não permitindo mais que o obstinado
e orgulhoso Marciano insulte nossa sociedade. [...] Portanto mande
cartas à província e ao povo de Arles, para que, excomungando Marciano, outro possa ser colocado em seu lugar [...],
pois todo o copioso episcopado é unido pela cola da concórdia mútua e pelo laço
da unidade, para que se algum de nossos
irmãos ameace cair em heresia e assim lacerar e devastar o rebanho de
Cristo, os outros possam prestar socorro [...] Pois embora haja muitos
pastores, todos alimentamos um só rebanho.” (Cipriano, Ep. LXVIII)
Aqui, Cipriano está explicando ao
Papa porque ele tomou a liberdade de interferir, e ele atribui ao
Papa o poder de depor Marciano e ordenar uma nova eleição. Então,
Cipriano NUNCA acreditou que Roma carecia de autoridade primacial ou que ele
estivesse fora da comunhão com Roma.
>>>>>>O
outro Africano, Agostinho, também não estava em comunhão com Roma quando
morreu. Nem Tertuliano (embora se possa argumentar que ele era um herege, de
qualquer forma).
Você está dizendo que Santo Agostinho de
Hipona não estava em comunhão com Roma quando morreu? Me desculpe, Sr. Lawhorn,
mas esta é uma afirmação ridícula, e você não tem absolutamente nenhuma razão
para fazê-la. Você deve estar se referindo ao conflito de Agostinho com o Papa
Zózimo, que ordenou a reabertura do caso contra Pelágio (inimigo de Agostinho)
depois que o Papa Inocêncio condenara o pelagianismo. Porém, Zózimo também
terminou condenando o pelagianismo. E ao passo que Agostinho claramente não
estava satisfeito com Zózimo rever o caso, ele e seus irmãos africanos nunca romperam
a comunhão com Roma por isso. Além disso, o Papa Zózimo morreu em 418 d.C., e
Agostinho morreu em 430 d.C., 12 anos depois, e MUITO depois que a controvérsia
já estava resolvida.
>>>>>>>E
como a maioria dos primeiros Padres da Igreja escreveu em Grego e eram ou da
Europa Oriental, ou da Ásia, ou da África, a Igreja Ortodoxa – que também
considera estes Padres como santos, e descendentes diretos de si, e possui uma
teologia idêntica à deles – parece ser a mais velha entre as duas [Igrejas].
Bem, como eu ilustrei acima, “aparências”
podem enganar. Você não está vendo a história completa, nem avalia maduramente
sua própria herança bizantina, que não representa integralmente a tradição
Grega.
>>>>>>Quero
dizer, sua teologia não é idêntica àquela dos Padres do Oriente ou mesmo dos
primeiros Padres de sua próprio localidade, e parece mais ser um produto da
Ortodoxia revisada e expandida por inovações.
É verdade que a Igreja do Ocidente usa algumas construções teológicas
que não eram usadas pelos Padres de língua grega. Mas, e daí? Os Padres de
língua grega baseavam sua linguagem filosófica na de Platão – um pagão. A
Igreja do Ocidente (depois do Cisma) começou a pegar emprestada a linguagem
filosófica de Aristóteles – outro pagão. É por isso que as Igrejas do Oriente e
do Ocidente tem sido incapazes de comunicar-se entre si por tanto tempo. No
entanto, não é a linguagem teológica que é importante, mas o conteúdo por detrás dela. E o conteúdo da Teologia
Católica é completamente Apostólico. As “inovações” que você percebe são na
forma, e não no conteúdo.
>>>Acredito
que escrever qualquer coisa em defesa da idade dos Coptas e dos Armênios é
injustificável, já que a Igreja Ortodoxa os antecede de qualquer modo.
Existem cristãos no
Egito e na Armênia muito antes de Bizâncio. Além disso, como eu disse acima,
nós católicos temos Coptas e Armênios em comunhão conosco. É atualmente uma
Igreja composta de gregos aqueus, gregos antioquenos, e eslavos. O resto do
Oriente está fora da nossa comunhão, mas está representado na Unidade Católica.
Fonte: Catholicism Pure & Simple












