A Providência Divina regendo o universo criado - I


Numa época como a nossa, em que campeiam a impiedade, a imoralidade e a irreligião, multiplicam-se pari passu as catástrofes naturais, com elevado número de vítimas. Tal situação deveria nos levar a recorrer com mais frequência e confiança à Providência Divina, que a tudo preside, suplicando-Lhe não olhar para os nossos pecados, mas para a sua insondável misericórdia; e que nos perdoe, ainda que tenhamos de sofrer por causa de nossas faltas.
Plinio Maria Solimeo
Davi, o rei-profeta de Israel


Davi, o rei-profeta de Israel, assim se dirige a Deus: “A Vós, Senhor, a grandeza, o poder, a honra, a majestade e a glória, porque tudo o que está no céu e na terra vos pertence. A Vós, Senhor, a realeza, porque sois soberanamente elevado acima de todas as coisas. É de Vós que vêm a riqueza e a glória, sois Vós o Senhor de todas as coisas; é em vossa mão que residem a força e o poder. E é vossa mão que tem o poder de dar a todas as coisas grandeza e solidez” (I Cr 29, 11-12). Em outras palavras, é a mão de Deus que criou, mantém, rege e governa com sua onipotência divina tudo o que está no Céu, na Terra, e nos infernos.

[URGENTE] Hoje aula ao vivo, às 20 horas, com Pe. Paulo Ricardo. Não perca!

Hoje aula ao vivo, às 20 horas, com Pe. Paulo Ricardo

Documentário: O mito da Inquisição espanhola [legendado]

"A verdade pede fundamentalmente uma coisa para ser julgada: é ser ouvida" (Bossuet).

Recomendamos aos nossos leitores, um interessante documentário da BBC sobre a Inquisição espanhola. No vídeo, historiadores e especialistas da matéria desmentem os mitos a respeito da instituição. A lenda negra cai por terra.



II ENCONTRO SUMMORUM PONTIFICUM – BRASIL






PROMOÇÃO
ARQUIDIOCESE DO RIO DE JANEIRO
ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA
SÃO JOÃO MARIA VIANNEY
15-18 DE NOVEMBRO DE 2011
RIO DE JANEIRO - RJ


PROGRAMAÇÃO

15 de novembro – terça feira

15 h: Chegada e credenciamento

18 h: Santa Missa

19 h: Jantar

16 de novembro - quarta feira

7:30h: Santa Missa

9:00h: Conferência: Aspecto Teológico da Liturgia

Conferencista: Exmo. Revmo. D. Fernando Arêas Rifan (Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney)

10: 30h: Intervalo

11:00h: Espaço para perguntas

12:00h Almoço

14:30h: Prática Litúrgica – Coordenador: Revmo. Pe. Claudiomar Souza (Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney)

15:30h: Intervalo

16:00h: Conferência: O Motu Proprio Summorum Pontificum e a Instrução Universae Ecclesiae à luz do Direito Canônico

Conferencista: Pe. José Edilson de Lima (Administração  Apostólica São João Maria Vianney e Tribunal Interdiocesano e de Apelação do Rio de Janeiro - RJ)

17:00 Espaço para perguntas

18:00h: Vésperas

19:30h: Jantar

20:30h: Canto gregoriano

17 de novembro – quinta feira

7:30h: Santa Missa

9:00h: Conferência: O Motu proprio Summorum Pontificum e a Reforma da Reforma querida pelo Papa Bento XVI

Conferencista: Exmo. Revmo. D. Fernando Guimarães (Bispo Diocesano de Garanhuns-PE e membro do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica)

10:30h: Intervalo

11:00h: Espaço para perguntas

12:00h: Almoço

14:30h: Visita às igrejas históricas do centro do Rio (Mosteiro São Bento, Candelária, Santa Cruz dos Militares, Lapa dos Mercadores, São José)

18:00h: Solene Pontifical segundo a Forma Extraordinária do Rito Romano

Celebrante: Exmo. Revmo. D. Fernando Arêas Rifan

18 de novembro – sexta feira
7:30h: Santa Missa

9:00h Mistagogia da Missa na Forma Extraordinária

Conferencista: Revmo. Pe. Claudiomar Souza

10:30h Peregrinação ao Cristo Redentor

12:00h: Almoço de Encerramento


OBS: Cada participante apresentar permissão de seu Ordinário ou Superior para o Encontro.

Comissão organizadora

Contatos: José Luiz e Edelair
Fone: (21) 2667 8309

Semana Litúrgica de 13 a 16 de Setembro de 2011 em Manilha, Itaboraí - RJ

[Santa Teresa de Liseux] "Não tenho outro meio de VOS provar o meu amor senão ofertando-LHE flores"


“Sim, Dileto de minha alma, eis como transcorrerá em VOSSA presença esta efêmera vida. Não tenho outro meio de VOS provar o meu amor senão ofertando-LHE flores, isto é, não perdendo a ocasião de fazer o bem, ou qualquer sacrifício em VOSSA honra, um olhar de compaixão, de amizade ou de ternura, uma palavra útil, um conselho ou um consolo, sempre aproveitando as ações mais simples e insignificantes, fazendo-as por VOSSO Amor. Quero sofrer por amor e gozar as obras por amor, porque estas, meu JESUS, são as flores que hei de VOS oferecer. Quantas me aparecerem, quantas desfolharei diante de VÓS... E depois cantarei, cantarei sempre, ainda que para colher as minhas rosas, tenha que me meter por entre espinhos. E tanto mais melodioso será o meu cantar, quanto maior e mais pungentes forem esses espinhos. E de que VOS servirão, meu JESUS, as minhas flores e os meus cantos? Esta chuva perfumada, essas pétalas frágeis e sem valor, esses cânticos suaves de amor, saídos de um peito pequenino e frágil, estou certa que mesmo assim VOS hão de deliciar. Sim, estes “nadas” hão de alegrar-VOS, hão de fazer sorrir a Igreja triunfante que está no Céu, que se apressará em tomar parte nos folguedos de sua criancinha, recolhendo essas rosas desfolhadas e passando-as pelas VOSSAS Divinas MÃOS para lhe dar valor infinito, e depois aspergi-las sobre a Igreja padecente, que no Purgatório lava os seus pecados, para lhe apagar as chamas ardentes da purificação, e também sobre a Igreja militante, constituída pela humanidade de todas as gerações que buscam o caminho do CRIADOR, para lhes anunciar o triunfo e proporcionar o bem que suas vidas necessitam ”. (pág 263/264)

A força do testemunho!


Achego-me ao Sacrário para um exame de consciência, e de repente encontro um sacerdote de 94 anos ajoelhado diante do Senhor, quando pensei comigo: que belo exemplo!

Confessei-me com este sacerdote, que mesmo debilitado, está muitíssimo lúcido, e disse-me:
- Conheci Pe. Leonel Franca, Pe. Penido e fui o padrinho da vocação de Dom Navarro, meu filho! E o segredo é pedir a DEUS todos os dias o dom da perseverança, pois a fidelidade vem de DEUS! É um dom!

É grande devoto de São Pio X e disse-me com grande ternura na voz e no olhar as riquezas e os frutos do hábito eclesiástico; e enquanto dizia, olhou-me mais atentamente e perguntou: você está de batina?
Respondi que estava de camisa clerical, enquanto ele dizia: as pessoas gostam da batina, é muito bom!

Tenho muito a dizer de nossa breve prosa, mas o coração esmagado pelo testemunho de amor de um sacerdote de 94 anos só me fazem ter lágrimas nos olhos e fogo no coração... nestas horas as palavras são poucas...

São Luis, Rei e Cruzado, rogai por nós!


Rei, estadista e cruzado. Cada época histórica tem um homem que a representa. Luís IX é o homem modelo da Idade Média: é um legislador, um herói e um santo… “Marco Aurélio [Imperador romano pagão] mostrou o poder unido à filosofia; Luís IX, o poder unido à santidade. Avantajou-se o cristão” (Chateaubriand, Estudos históricos).



Não surpreende muito que um homem, retirado num claustro e separado das ocasiões de pecado, domine as inclinações desregradas da natureza e progrida na prática das mais belas virtudes do Cristianismo. Mas que um príncipe, ao qual não se tem a liberdade de repreender nem contradizer, e que vivendo em meio às honrarias e às mais perigosas volúpias, domine suas paixões, conservando a inocência e a pureza de coração, é realmente admirável, podendo ser chamado um prodígio na ordem da graça.


Entretanto, aquilo que é impossível para as forças do homem, não o é para Deus. E se a História do Antigo Testamento nos apresenta muitas cabeças coroadas que souberam aliar a santidade com a autoridade soberana, e a qualidade de profeta à de chefe, de juiz e de rei, a História do Novo Testamento nos fornece um número bem maior em quase todos os reinos cristãos.
Nesse mês, dia 25, a Igreja nos propõe um príncipe, que podemos chamar de pérola dos soberanos, glória da coroa da França, modelo de todos os príncipes cristãos; e para dizer tudo em duas palavras, um Monarca verdadeiramente segundo o coração de Deus, da Igreja e do povo.
É o incomparável São Luís, quadragésimo Rei da França desde o início da monarquia, e o nono da terceira raça, da qual Hugo Capeto foi o tronco.
Seu pai foi Luís VIII, filho de Filipe Augusto, e sua mãe a princesa Branca, de quem os historiadores atribuem a glória de haver sido filha, sobrinha, esposa, irmã e tia de reis. Com efeito, seu pai foi Afonso IX, Rei de Castela, que infligiu aos mouros sério revés na batalha de Navas de Tolosa, quando mais de duzentos mil infiéis pereceram no campo de batalha; era sobrinha dos reis Ricardo e João, da Inglaterra; esposa de Luís VIII, Rei da França; irmã de Henrique, Rei de Castela; mãe de São Luís IX e de Carlos, Rei de Nápoles e da Sicília; e tia, através de suas irmãs Urraca e Berengüela, de Sanches, Rei de Portugal, e de São Fernando III, Rei de Leão.
Nasceu São Luís no Castelo de Poissy, a 30 quilômetros de Paris, no dia 25 de abril de 1215, quando em toda a Cristandade procissões solenes comemoravam o dia de São Marcos. Vivia ainda seu avô, Filipe Augusto, o qual acabava de ganhar a célebre batalha de Bouvines, oito anos antes de lhe suceder seu filho, o futuro Luís VIII.
A infância de São Luís foi um espelho de honestidade e sabedoria. Seu pai, que unia virtude e zelo pela religião a uma bravura marcial que lhe valeu o nome de Leão, foi particularmente zeloso na sua educação. Deu-lhe bons preceptores e um sábio governante: Mateus II de Montmorency, primeiro barão cristão; Guilherme des Barres, Conde de Rochefort; e Clemente de Metz, marechal-da-França, que lhe inspiraram os sentimentos que deve ter um rei cristianíssimo e um filho primogênito da Igreja.
Sua mãe, Branca, não poupou esforços para torná-lo um grande rei e um grande Santo, sobretudo após a morte de seu filho primogênito, Filipe. Ela lhe repetia com freqüência estas palavras, dignas de serem imitadas por toda mãe verdadeiramente católica: “Meu filho, eu gostaria muito mais ver-te na sepultura, do que maculado por um só pecado mortal”.
Com a morte prematura do Rei aos 40 anos, em 1226, na cidade de Montpellier, quando voltava da guerra contra os hereges albigenses, nosso Santo subiu ao trono, sob a tutela da mãe, tendo sido sagrado na Catedral de Reims em 30 de novembro daquele mesmo ano.
Sua minoridade foi pródiga em guerras intestinas, causadas pela ambição e orgulho de senhores feudais do reino, que desejavam valer-se da pouca idade do soberano para impor as suas pretensões. Mas Deus dissipou todas as facções por uma proteção visível sobre a pessoa sagrada desse jovem Monarca.
Uma minoridade tão conturbada serviu de ocasião para fazer reluzir a prudência, o valor e a bondade daquele que se tornaria um protótipo do Rei Católico.
Matrimônio abençoado por Deus
No dia 27 de maio de 1235, pouco depois de completar 20 anos, casou-se com Margarida, filha mais velha de Raimundo Béranger, Conde de Provence e de Forcalquier, e de Beatriz de Sabóia. Era uma princesa que a graça e a natureza haviam dotado de toda sorte de perfeições, e que lhe daria, ao longo de uma santa e harmoniosa existência, 10 filhos, cinco homens e cinco mulheres. Acompanhou ela o jovem esposo na sua primeira expedição além-mar, e após a morte deste, retirou-se no Mosteiro de Santa Clara, onde terminou seus dias em 20 de dezembro de 1285. Seu corpo, precedido e seguido por pobres, que a chamavam de mãe, foi enterrado em Saint-Denis.
Luís IX procurava acima de tudo tributar a Deus o serviço e a honra que Lhe eram devidos. Este lhe retribuía assistindo-o em todas as necessidades, aconselhando-o nos empreendimentos, protegendo-o dos inimigos e conduzindo a bom termo todas as suas iniciativas.
O segundo de seus filhos varões foi Filipe III, que lhe sucedeu no trono, e cujos filhos foram, por sua vez, Reis, até Henrique III. O caçula de São Luís foi Roberto de Bourbon, cuja descendência subiu ao trono francês durante nove gerações. Das filhas, com exceção de uma, falecida prematuramente, todas foram esposas de Reis.
Educação cristã dos filhos: modelo de pai
Ao contrário de outros Monarcas, que negligenciam a educação dos filhos, ou os deixam, sem maior preocupação, aos cuidados de governantes, São Luís chamava pessoalmente a si o cuidado de os instruir, imprimindo-lhes na alma o desprezo pelos prazeres e vaidades do mundo e o amor pelo soberano Criador. Ele os exercitava normalmente à noite, após as horas Completas, quando os fazia vir a seu quarto a fim de ouvir as suas piedosas exortações. Ensinava-lhes, além disso, a rezar diariamente o Pequeno Ofício de Nossa Senhora, obrigava-os a assistir às Missas de preceito, e  incutia-lhes a necessidade da mortificação e da penitência. Às sextas-feiras, por exemplo, não permitia que portassem qualquer ornamento na cabeça, porque foi o dia da coroação de espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O governante: justiceiro e moralizador dos costumes
Ainda hoje existem os manuscritos das instruções por ele deixadas à sua filha Isabel, Rainha da Navarra: são tão santas e cheias do espírito de Nosso Senhor, que nenhum diretor espiritual, por mais esclarecido que seja, seria capaz de apresentar outras mais excelentes.
Se São Luís soube educar tão bem os filhos, foi entretanto ainda mais admirável em governar os negócios públicos. Nunca a França experimentou tanta paz e prosperidade como em sua época. Enquanto as outras nações, em todas as latitudes, estavam em convulsão, os franceses por ele governados gozavam de uma feliz tranqüilidade, assegurada pela sabedoria do Monarca. Ele soube banir do Estado, através de sábias leis, todos os desregramentos então existentes. O primeiro deles foi a blasfêmia e os juramentos ímpios e execráveis. Foram tão rigorosas as punições contra eles estipulados, que o Papa Clemente IV julgou dever atenuá-las.
Outros desregramentos que se esforçou em exterminar foram os duelos, os jogos de azar e a freqüentação a lugares de tolerância. Antes de São Luís, nenhum Rei havia proibido os duelos: toleravam-no, e às vezes o ordenavam, a fim de se conhecer o direito das partes; o que importava  meio enganoso e contrário aos preceitos da justiça.

São Luiz Rei e Cruzado.
Modelo em tudo para os homens públicos de todos os tempos e sobretudo de nossos dias, Luís IX o era de modo especial no tocante à boa administração dos bens do Estado e ao exímio cumprimento da lei. Assim, por exemplo, quando enviava juizes, oficiais e outros emissários às províncias para ali exercerem durante algum tempo Justiça, proibia-lhes de adquirir bens e empregar seus filhos, com receio de que isso pudesse ensejar a que viessem cometer injustiças.
Nomeava, acima deles, juizes extraordinários para examinar sua conduta e rever seus julgamentos, a exemplo de Deus, que assegura que julgará a Justiça. E se por acaso encontrava que em algo haviam agido mal, impunha-se primeiramente a si mesmo uma severa penitência, como se tivesse sido o culpado pelo excesso praticado por eles, e em seguida ministrava-lhes severa punição, obrigando-os a restituir o que haviam tomado do povo, se fosse esse o caso, ou a reparar aqueles que haviam sido condenados injustamente. Pelo contrário, quando tomava conhecimento de que haviam cumprido dignamente os seus deveres, recompensava-os regiamente e os fazia ascender a funções mais honrosas.
Além de administrar Justiça, não negligenciava o Santo Monarca o cuidado dos pobres.
Zelo pela ortodoxia e piedade
Se foi notório seu zelo em extirpar a libertinagem no reino de França, o que dizer de seu empenho em relação ao extermínio da heresia e ao estabelecimento da Fé e da disciplina cristã? Para isso tomou-se de grande afeição pelos religiosos de São Domingos e de São Francisco, a quem ele via como instrumentos sagrados dos quais a Providência queria se servir para a salvação de uma infinidade de almas resgatadas pelo precioso Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele os convidava com certa freqüência para jantar, sobretudo São Tomás de Aquino e São Boaventura, dois luzeiros a iluminar o firmamento da Santa Igreja a partir da Idade Média.
Um dos traços em que a religiosidade desse grande Monarca mais se manifestou foi a aquisição, junto a Balduíno II, Imperador de Constantinopla, da Coroa de Espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo, para a qual mandou edificar essa verdadeira maravilha da arquitetura gótica que é a Sainte-Chapelle, no coração de Paris.
Voto de cruzar-se: realiza-se a VI Cruzada
Deus, quando suscita numa alma um grande desejo, fá-la não raro passar por uma grande provação antes de atendê-la. Foi o que sucedeu com São Luís, que em 1245 caiu gravemente enfermo, a ponto de alguns terem como certa sua morte. Nessa contingência os franceses, que o amavam como a um pai, fizeram violência ao Céu, organizando vigílias, procissões e outros atos de piedade pela sua convalescença. O Monarca fez então um voto: caso sobrevivesse, partiria para libertar o Santo Sepulcro.
Cumpriu-o três anos depois, ao partir para Lyon, onde se encontrou com o Papa Inocente IV, de quem recebeu a bênção apostólica. Dirigiu-se em seguida para Aigues-Mortes, onde o aguardavam as embarcações que deveriam conduzi-lo com os cruzados ao Oriente. Era o dia 25 de agosto de 1248, data em que se iniciava a VI Cruzada da História.
As naus tocaram inicialmente a Ilha de Chipre, onde o Monarca se viu obrigado a permanecer durante o inverno, devido a uma peste que arrebatou a sexta parte de seu exército. Sua demora e essas perdas foram contudo de algum modo recompensadas pela conquista do Rei de Chipre, a quem São Luís conseguiu convencer de juntar-se à expedição.
Reencetou o Santo Cruzado a sua expedição no dia 13 de maio de 1249, à frente de uma formidável armada de 1800 embarcações, grandes e pequenas. Entretanto, devido às tempestades, mais da metade delas desviou-se da rota. De sorte que, ao passar em revista suas tropas, encontrou apenas 700 cavaleiros, dos 2800 de que se compunha seu exército.
De batalha em batalha; vitorioso numas e com reveses em outras; passando por humilhações pelos pecados de seus soldados ou por honrarias em pleno cativeiro (os emires do Egito quiseram elegê-lo Sultão!); sendo informado do nascimento de um dos filhos em Damiette, em plena época de negociação com os algozes, e do falecimento de sua bondosa mãe, a Rainha Branca, na França; enfrentando pestes e naufrágios, retomou o Rei-Cruzado, em 25 de abril de 1254, festa de São Marcos, o caminho da doce França, onde aportou no dia 19 de julho do mesmo ano. Em 5 de setembro encontrava-se no Castelo de Vincennes, e no dia seguinte entrava solenemente em Paris.
Seu regresso foi acolhido com eloqüentes manifestações de dileção do Papa Clemente IV e de Henrique III, Rei da Inglaterra.
Provações e santa morte do Rei Cruzado


Decidiu então o Santo lançar uma VII Cruzada, a última da História, para a qual se apresentaram seus filhos e Ricardo, Rei da Inglaterra, além de numerosos príncipes e senhores. Após terem sido tomadas todas as providências, partiram em direção a Túnis, no dia 4 de julho de 1270.
São Luiz IX representado em uma miniatura
Mais uma vez no mar, e eis que outra grande tempestade dispersa as embarcações, fazendo com que muitas sejam impedidas de partir. São entretanto reparadas e chegam todas a Túnis. Mas o rei daquelas terras, bárbaro, traidor e infiel, que havia chamado São Luís à África dizendo que queria tornar-se cristão, sequer permitiu que sua armada descesse. O embate começou então ali mesmo, com os franceses assediando vários pontos nevrálgicos dos infiéis e a própria capital. Como esta resistisse, decidiram dominá-la cortando os víveres.
Mas a decomposição da cidade atingiu o exército francês, que  foi logo empestado por todos os lados, ceifando inúmeras vidas. São Luís viu morrer seu filho Jean Tristan, nascido por ocasião do seu cativeiro no Egito, e pouco depois ele mesmo entregaria serena e santamente sua bela alma a Deus, o que se deu no dia 25 de agosto de 1270, precisamente 22 anos após sua partida para a VI Cruzada.
As relíquias de São Luís foram levadas para a França por seu filho Filipe, com exceção das entranhas, destinadas à Abadia de Monreale, na Sicília, a pedido do Rei Carlos, irmão do Santo Monarca. O resto de seu corpo repousa na Abadia de Saint-Denis. Seu culto foi juridicamente examinado e aprovado pelo Papa Bonifácio VIII, que o canonizou em 1297.
Fonte de referência:
Les Petits Bollandistes, Vie des Saints, Typographie des Célestins, ancienne Maison L. Guérin, 1874, t. V, p. 192 a 217, Bar-le-Duc.
www.catolicismo.com.br

O Papa aos seminaristas na Almudena: Não se deixem intimidar por um entorno que exclui a Deus


Ao presidir esta manhã a partir das 10:00h (hora local) a Missa com uns dois mil seminaristas de diferentes partes do mundo, o Papa Bento XVI os alentou em sua homilia a "não deixar-se intimidar por um entorno no qual se pretende excluir Deus".

Antes de iniciar a Eucaristia o Papa recebeu a saudação do Arcebispo de Madrid, Cardeal Antonio María Rouco, e a de um seminarista, quem lhe disse "não resulta fácil hoje, Santo Padre, a missão de ser testemunhas de Cristo. Custa-nos muito chegar a nossos irmãos afastados ou não crentes".

Entretanto, prosseguiu, "queremos oferecer a esperança do Evangelho com nossa futura entrega sacerdotal a este nosso mundo, urgidos pela caridade de Cristo, como o melhor tesouro que nos entregou o Senhor. Para ser fiéis a isso pedimos, Santo Padre, que peça à nossa Mãe, a Santíssima Virgem Maria, para que cheguemos a ser outros Cristos no meio do mundo".

Diante de centenas de bispos e sacerdotes concelebrantes, o Papa pronunciou sua homilia na qual pediu aos seminaristas que dêem graças a Deus por tê-los escolhido, "por esta mostra de predileção que tem com cada um de vós".

O Papa destacou logo que Cristo é o exemplo perfeito de sacerdote, cumprindo sempre a vontade de Deus e entregando-se totalmente na Cruz e ficando com os homens na Eucaristia.

O Santo Padre animou logo os seminaristas a pedir a Deus que "os conceda imitá-lo em sua caridade até o extremo para com todos, sem fugir aos afastados e pecadores, de forma que, com sua ajuda, convertam-se e voltem para bom caminho. Peçam-lhe que os ensine a estar muito perto dos doentes e dos pobres, com simplicidade e generosidade".

"Enfrentem este desafio sem complexos nem mediocridade, antes bem como uma bela forma de realizar a vida humana em gratuidade e em serviço, sendo testemunhas de Deus feito homem, mensageiros da altíssima dignidade da pessoa humana e, por conseguinte, seus defensores incondicionais".

Apoiados em seu amor, exortou o Papa, "não vos deixeis intimidar por um entorno no qual se pretende excluir a Deus e no qual o poder, o ter ou o prazer freqüentemente são os principais critérios pelos quais a existência se rege".

"Pode que os menosprezem, como se costuma fazer com quem evoca metas mais altas ou desmascaram os ídolos ante os quais hoje muitos se prostram. Será então quando uma vida profundamente enraizada em Cristo se mostre realmente como uma novidade e atraia com força a quem seriamente procura Deus, a verdade e a justiça".

Alentados por seus formadores, disse logo Bento XVI, "abram sua alma à luz do Senhor para ver se este caminho, que requer valentia e autenticidade, é o seu, avançando ao sacerdócio somente se estiverem firmemente persuadidos de que Deus os chama a ser seus ministros e plenamente decididos a exercê-lo obedecendo as disposições da Igreja".

O Papa explicou logo que os anos do seminário devem ser "de silêncio interior, de permanente oração, de constante estudo e de inserção paulatina nas ações e estruturas pastorais da Igreja. Igreja que é comunidade e instituição, família e missão, criação de Cristo por seu Santo Espírito e ao mesmo tempo resultado dos que a conformamos com nossa santidade e com nossos pecados".

Bento XVI recordou também que os seminaristas e os sacerdotes têm a missão de ser Santos como Cristo e a Igreja: "nós devemos ser Santos para não criar uma contradição entre o sinal que somos e a realidade que queremos significar", assegurou.

Depois de reiterar seu chamado a viver a radical fidelidade evangélica, o Santo Padre disse que o sacerdote deve sempre configurar-se com Cristo, fazendo-se ele também bom pastor de suas ovelhas.

"Esta disponibilidade, que é dom do Espírito Santo, é a que inspira a decisão de viver o celibato pelo Reino dos céus, o desprendimento dos bens da terra, a austeridade de vida e a obediência sincera e sem dissimulação".

Na parte final de sua homilia o Papa exortou os seminaristas a seguirem o exemplo de São João de Ávila, Padroeiro do clero secular da Espanha e os animou a olhar sempre a Maria: "Ela saberá forjar sua alma segundo o modelo de Cristo, seu divino Filho, e os ensinará sempre a custodiar os bens que Ele adquiriu no Calvário para a salvação do mundo. Amém".

A próxima Jornada Mundial da Juventude será no Rio de Janeiro!


JMJ-cruzMADRI - No próximo dia 18 de setembro, o Brasil recebe a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora, símbolos da Jornada Mundial da Juventude, que será no Rio de Janeiro em 2013, conforme anunciou oficialmente o papa Bento XVI ao encerrar  hoje a Jornada em Madri. A Cruz será recebida pela arquidiocese de São Paulo de onde partirá em peregrinação para as 274 dioceses do país ao longo dos dois anos de preparação do maior evento católico para jovens do mundo.
A Comissão da arquidiocese de São Paulo, organizadora do evento, preparou uma grande festa para acolher a Cruz, que chegará às 16h ao Campo de Marte, em São Paulo. Uma missa será celebrada às 16:30h, seguida de show.
De acordo com a Comissão, o objetivo da festa é celebrar a chegada da Cruz no Brasil e provocar o entusiasmo nos jovens e nas famílias de todo o país para participar da JMJ e do roteiro de peregrinação da Cruz preparado para o período de 2011 a 2013.
Um grande show católico reunirá vários cantores ao longo de todo o dia 18 de setembro, a partir das 9h, no Campo de Marte, aguardando a chegada da Cruz, que ficará no Estado de São Paulo até 31 de outubro, seguindo para Belo Horizonte (MG), onde chegará no dia 19 de novembro para a peregrinação nas diocese do Regional Leste 2 da CNBB (Minas Gerais e Espírito Santo).
Neste Regional, a Cruz ficará durante o mês de novembro. A última parada da Cruz antes de ir para o Rio de Janeiro será no Vale do Paraíba, em março de 2013.

Bento XVI anuncia lema da próxima JMJ 2013 no Rio

“Ide e evangelizai todos os povos”


CASTEL GANDOLFO, quarta-feira, 24 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – O Papa Bento XVI anunciou hoje, ao término da audiência geral realizada no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, o lema escolhido para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) do Rio de Janeiro.

O lema será a passagem evangélica de Mateus 28, 19: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações”. A JMJ do Rio será realizada entre os dias 23 e 28 de julho de 2013, segundo informa L'Osservatore Romano.
O lema escolhido pelo Papa sublinha o caráter missionário da próxima JMJ, como já anunciou o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, na coletiva de imprensa realizada em Madri imediatamente depois do encerramento da JMJ 2011.

O Papa também anunciou o lema da JMJ do próximo ano que, como é tradição, será realizada nas dioceses no Domingo de Ramos de 2012: “Estai sempre alegres no Senhor!”, tirado da Carta aos Filipenses (4, 4).

“Desde já, confio à oração de todos a preparação destes importantes encontros”, disse o Papa aos fiéis reunidos no pátio de Castel Gandolfo.

[ICRSS]: Ordenação com Raymond Cardeal Burke em Florença, Itália.

Para quatro novos sacerdotes deste ano, a data memorável da ordenação foi quinta-feira, 7 de Julho, quando receberam mais sublime dignidade atribuída aos homens, através das mãos de Sua Eminência, Cardeal Raymond L. Burke, Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica. Ordenação e Missa Solene Pontifical aconteceu na Igreja de San Michele e Gaetano, em Florença - Itália. Agora, com grande alegria, podemos orar em agradecimento por quatro novos cânones do Instituto: Cânegos Federico Pozza, Bergerot Bertrand, Matthew Thermed e Brieuc de La Brosse.

Na mesma igreja no dia anterior, 6 de Julho, nove subdiáconos e dois diáconos foram ordenados por Sua Excelência o Bispo Athanasius Schneider, Bispo auxiliar de Astana.

Em 5 de Julho , 51 seminaristas e oblatos receberam ordens menores, de tonsura à acólito, das mãos de Sua Excelência Mons. Luciano Giovannetti, Bispo Emérito de Fiesole, na Capela da Imaculada Conceição, em Gricigliano.


No dia 4 de Julho foi quando onze "First-Years" receberam sua batina de Dom Wach, que também celebrou a Missa Solene na igreja de San Michele e Gaetano.
                                                            Cardeal Raymond Burke

São João de Ávila - Doutor da Igreja


Papa Bento XVI anunciou a futura proclamação de São João de Ávila (1500-1569), sacerdote espanhol, como Doutor da Igreja. Atualmente há 33 Doutores da Igreja. Algumas fontes dão conta de que a proclamação será feita em agosto deste ano. Eis o anúncio:

Com grande alegria, no marco da santa igreja Catedral de Santa Maria a Real da Almudena, quero anunciar agora ao povo de Deus que, acolhendo os pedidos do Senhor Presidente da Conferência Episcopal Espanhola, o Eminentíssimo Cardeal António Maria Rouco Varela, Arcebispo de Madrid, dos outros Irmãos no Episcopado da Espanha, bem como de um grande número de Arcebispos e Bispos de outras partes do mundo, e de muitos fiéis, declararei, proximamente, São João de Ávila, presbítero, Doutor da Igreja Universal.

Ao fazer pública aqui esta notícia, desejo que a palavra e o exemplo deste exímio pastor possa iluminar os sacerdotes e aqueles que se preparam, com alegria e esperança, para receber um dia a Sagrada Ordenação.” (Fonte: Santa Sé)

- Alguns traços biográficos do futuro Doutor da Igreja (aqui).

- Lista dos 33 Doctores Ecclesiae (aqui).

A Psicologia Tomista II



3.3. A imaterialidade da alma provada pelo modo como ela conhece as coisas e as comunica ao próximo pela linguagem:

(a) A simples apreensão: a simples apreensão defini-se como o ato por meio do qual o intelecto conhece alguma essência, na medida em que simultaneamente afirma ou nega, por cujo conhecimento produz-se o conceito. Em outras palavras, por apreensão simples entende-se o ato, por meio do qual, o intelecto apreende de modo absoluto, a seu modo e tornando o que apreende semelhante a si mesmo, algo do real [STh.I,q30,a3,ad2;In II Sent.d24,q3,a1,c]. Por isso, o Aquinate, seguindo o que Aristóteles afirmara, denominou a simples apreensão de intelecção indivisível. Por intelecção indivisívelentende-se a intelecção absoluta que o intelecto produz, por si mesmo, da qüididade de alguma coisa [In I Periher. lec. 3,n.3].

b) O singular: O intelecto produz o conceito, a partir do que considera da realidade. Mas a realidade, fora da mente, apresenta-se em sua existência singular. O que é o singular? Por singularentende-se algo individual, de nenhum modo comunicável a muitos [STh.I,q11,a3,c], cuja nota essencial é ser único e distinto de todos os demais [STh.I,q13,a9,c], de tal maneira que não pode ser definido [STh.I,q29,a1,ad1]. Do que se segue, que o singular não é apto naturalmente a ser predicado de muitos, senão de um só, ou seja, de si mesmo [In I Periher. lec.10]. Neste sentido, o singular é o que pode ser mostrado, designado, apontado ou indicado com o dedo [STh.I,q30,a4,c]. Assim sendo, o intelecto apreende, por abstração, a natureza do singular, de um modo mental, universal e a expressa por um conceito. Mas o que é abstração?

(c) A abstração: Por abstração entende-se o ato de abstrair, que é o ato que o intelecto faz quando apreende e torna universal e semelhante a si mesmo, uma realidade singular que existe fora do próprio intelecto. Abstrair é separar de algo singular toda a sua materialidade e movimento [In II Sent.d2,q2,a2,ad4; STh.I,q55,a2,ad2]. Neste sentido, a abstração significa o ato intelectual, por meio do qual o próprio intelecto torna inteligível o que ele considera e que existe fora da mente, de modo singular, sensível e individual. No ato do conhecimento, a abstração é o primeiro e mais nobre ato do intelecto, como sendo a sua mais perfeita operação [STh.I-II,q4,a6,ad3]. Em outras palavras, a abstração é o modo pelo qual o intelecto processa o conhecimento do real concreto, inclinando-se a ler por dentro - intus legere - a natureza, a essência do real concreto que ele considera, pois só abstraindo-a de sua sensibilidade pode ele conhecer a sua forma em ato [CG.I,44], a sua natureza, já que para conhecer o singular é sempre necessário abstrair [STh.II-II,q173,a3,c]. Mas o que busca o intelecto? O intelecto quando abstrai busca considerar o singular em sua universalidade; busca, portanto, produzir uma representação universal do singular [STh.I,q85,a2,ad2], ou seja, o intelecto produz uma similitude universal, inteligível do que no real existe de modo singular e material. Mas se o intelecto ordena-se a produzir, pela abstração, uma similitude universal do que considera do real, a primeira questão a saber é: o que é universal?

(d) O Universal: Etimologicamente, universal significa unum versus alia, um que se verte em muitos. Em seu significado real, universal é o que por natureza é apto a predicar-se de muitos [In I Perih. lec10]. Ora, se o universal é o que é apto de predicar-se de muitos, isso significa que o que é universal écomum de muitos. Do que se segue, que universal e comum de muitos são sinônimos [In I De trin. lec.1; In VII Met. lec 13]. Cabe frisar que o intelecto somente produz o universal por abstração [STH.I-II,q29,a6,c], pois o intelecto, pela abstração, ao produzir o universal, concebe o conceito, a partir do qual se expressa a essência universal da coisa particular, que ele considerou. Assim, pois, algo é considerado universal não somente quando o nome predica-se de muitos, mas, também, quando o que é significado pelo nome, pode dar-se em muitos [In I Perih. lec.10]. Cabe, ainda, distinguir o universal lógico do universal metafísico: o universal considerado em si mesmo, em seu conteúdo real e metafísico, é o universal metafísico; o universal enquanto conceito universal, desde um ponto de vista de sua predicação, é o universal lógico [In VII Met. lec13]. O universal lógico é real, porém abstrato [De ente et ess. c3]. Face a isso, cabe saber o que é o conceito.

(e) O conceito: O conceito é fruto da concepção que o intelecto faz pela abstração, ao considerar a universalidade da natureza de algo singular. Por concepção entende-se, neste contexto da lógica, a geração ou a produção de um conceito, por parte do intelecto [STh. III,q13,a12,c]. Pela concepção o intelecto produz uma palavra ou verbo mental, no qual encontra-se a similitude inteligível abstraída da coisa concreta, sem que com isso se estabeleça uma identidade entre natureza que concebe e a natureza concebida, pois o que o intelecto produz é uma similitude do objeto real [STh.q27,a2,ad2]. O conceito é uma voz mental, cujo sinal sensível é um nome que indica certo significado [In I Sent.d2,q1,a3]. Por isso, aquelas simples concepções que são produzidas pelo intelecto são vozes mentais - palavras interiores - [CG.IV,11] que significam alguma coisa [In I Perih.lec.16]. Alguns conceitos, por razão de sua universalidade, são mais abrangentes do que outros, como o conceito animal que é maisextenso do que o conceito homem, já que aquele se extende e se predica de mais realidades do que este. Ao contrário, o conceito homem é mais compreensível do que o de animal, porque é menos extenso do que aquele. Esta distinção, segundo a universalidade, é o que determina a extensão e a compreensão do conceito. Exige-se, para a expressão do verbo mental, os sinais lingüísticos, que por meio de palavras, nomes e verbos expressam o conceito e o seu significado.

(f) A linguagem - palavra, nome e verbo: O conhecimento intelectual do homem traduz-se, exteriormente, num conjunto de sinais sensíveis, falados ou escritos, que compõem a linguagem humana. O que é um sinal? Sinal é aquilo que serve para o conhecimento de outro [STh.III,q60,a4,c], ou seja, é o que se institui para significar outra coisa.

A linguagem humana é composta por sinais da fala e da escrita. A linguagem falada é expressão da fala. A fala é a manifestação, pela voz, da palavra interior que se concebe com a mente [De ver.q.9,a4]. Alinguagem escrita é a expressão gramatical da linguagem falada. O que é expressão gramatical? Em primeiro lugar convém saber o que é a ciência da gramática no contexto da filosofia tomista. A gramática é a ciência, por cujo hábito, o homem tem a faculdade de falar corretamente [STh.I-II,q56,a3,c]. A faculdade de falar corretamente, também, manifesta-se na escrita. A ciência da escrita é a Literatura. A Literatura é, em outras palavras, a ciência das letras. As letras são, pois, sinais das vozes mentais [In I Perih.lec2]. Tanto falada, quanto escritas as vozes formam a linguagem. Assim, pois, a linguagem é formada pela palavramental que pode ser apenas pensada ou mesmo proferida, falada e pela palavra escrita, que sempre representa a própria palavra mental mediante um sinal visível, impresso. Portanto, a parte elementar da linguagem é a palavra. Mas o que é a palavra? A palavra é uma voz convencional significativa de um conceito, que por sua vez é uma similitude da coisa [In I Perih. lec.10; STh.I,q13,a1], produzida pelo intelecto ao abstrair da realidade sua similitude inteligível [De nat. verbi intellectus]. O que é a voz? A voz é um sinal material, sensível da palavra, que permite a sua comunicação aos demais homens [In I Perih. lec.4] e consiste na emissão oral dos sons como efeito orgânico das cordas vocais [STh.I,q51,a3,obj4]. Apalavra significa a coisa mediante o conceito, pois segundo o modo como entendemos algo, assim o nomeamos [STh.I,q13,a1]. Mas o que é nomear? Nomear é dar nome. O que é o nome? Nome é uma voz significativa, isto é, uma voz que tem significado [In I Perih. lec.4]. Em síntese, o nome é um sinal inteligível do conceito [In IX Met. lec.3] manifesto numa palavra falada ou escrita. Uma coisa é a etimologia do nome, que indica a sua origem e outra coisa é a significação do nome, que indica o seu significado. Da etimologia conhece-se a origem de um nome para dar significado a algo. A significação do nome dá-se, segundo aquilo a que é imposto o nome significar [STh.II-II,q92,a1,ad2; I,q31,a1,ad1].

Se os nomes designam as coisas, os substantivos, os verbos designam os atos das coisas, seus movimentos e paixões. Por fim, cabe analisar o que tanto na linguagem falada, quanto escrita, serve para conectar, predicar as palavras e os nomes entre si. Eis o verbo. O que é o verbo? O verbo é uma voz significativa declinável com o tempo -presente, passado e futuro-, utilizado, às vezes, como substantivo ou considerado em si mesmo, em seu ato abstrato, no infinitivo [In I Perih. lec5]. Pelo que vimos anteriormente, embora um nome por sua origem etimológica sirva para significar algo, por seu uso e convenção pode ser tomado para significar outra coisa, como o nome cão que significa o animal, mas que pode ser tomado para significar a constelação.

[Pe. Paulo Ricardo] Palestra de lançamento do novo livro "Cristologia e Soteriologia" - 23 de Agosto, 20 horas

Na próxima terça-feira, dia 23 de Agosto, 20 horas (horário de Brasília) teremos a palestra do Pe. Paulo Ricardo via Internet, ao vivo, sobre o lançamento do seu novo livro "Cristologia e Soteriologia". O livro vem acompanhado de DVD e CD (MP3) e é o quinto volume da série de "Introdução à Teologia". Você já pode adquiri-lo em nosso site.

 

Pedimos a sua ajuda para divulgar a palestra para o máximo de pessoas conhecidas para que elas também conheçam o trabalho do Pe. Paulo.

 

Em breve divulgaremos detalhes de outra palestra, a do lançamento do livro "O Ano Sacerdotal". O livro é o primeiro de uma série de escritos do Papa Bento XVI que iremos lançar nos próximos meses. O palestrante será o organizador do livro, Pe. Demétrio Gomes, e a data inicialmente fixada é 7 de Setembro, uma quarta-feira.

 

Gostaríamos de anunciar que a nossa livraria virtual atingiu a marca de 1.300 títulos à venda e estamos trabalhando para ampliar ainda mais a variedade para que você sempre encontre em www.ecclesiae.com.br, os melhores livros católicos publicados no Brasil.

 

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A Psicologia Tomista I



por Paulo Faitanin - UFF

1. Origem: Peri Yuchj [Perì Psychés, em latim De anima] foi provavelmente o nome dado ao grupo de 3 livros de uma obra inacabada que Aristóteles [384-322]escreveu. Já desde Homero via-se a evolução semântica do uso e aplicação do vocábulo yuch/ para significar o princípio de vida. Muito provavelmente foi por esta razão que o Estagirida ou o editor de sua obra assim denominara este tratado, já que o seu ojetivo era investigar a natureza, o ser, as propriedades e as operações da alma, enquanto princípio de vida do corpo [De anima, I,1, 402a 5-11]. Nela encontramos, efetivamente, uma investigação acerca da alma. Contudo, a formação e o uso da palavra psicologia [psyché+logia=ciência, estudo da alma], para designar tal estudo, é relativamente recente. Foi cunhada provavelmente ao longo do séc. XIV e XV, aparecendo no conteúdo de obras de Melanchton [1497-1560] e de Marcus Marulus [1450-1524]. Como título de um tratado surgiu na obra de R. Goclenius em 1590. Desde então passaria a nominar estudos sobre a alma, como o de Christian Wolff, no século XVIII, que por volta do ano de 1732, denominou seu estudo Psycologia empirica. Literalmente psicologia significava, como significa ainda hoje, o estudo ou a ciência da alma. Mas este estudo já havia sido considerado pelos antigos, por Platão e, especialmente, por Aristóteles que o sistematizou na referida obra. A partir da sistematização aristotélica psicologia passaria a designar o estudo da natureza da alma, a gnosiologia o estudo dos fenômenos psíquicos cognitivos, a antropologia a relação ontológica entre alma e corpo e ética o estudo das paixões da alma. Eis a divisão e o conteúdo da obra em Aristóteles:

2. Os Comentários de Tomás de Aquino: Tomás de Aquino [1225-1274] dedicou-se ao comentário do primeiro livro desta obra quando ainda estava em Roma, por volta de 1267. Mas os dois outros livros foram comentados quando já se encontrava em Paris, tendo o terminado por volta de 1270. O tema central é o da natureza espiritual da alma, sua unidade e operação. O Aquinate dedicou-se ao mesmo tema em outros dois tratados: a Quaestio disputata de anima de 1265-1266 e o opúsculo De unitate intellectus contra Averroistas de 1270. Na Quaestio dedicou-se à natureza e operação da alma e no De unitate à unidade da alma e de suas operações. De fato, a alma é a única forma do seu corpo, sendo nele individuada. Suas operações próprias e mais nobres não necessitam de algum órgão corpóreo, por meio do qual conhecesse a natureza das coisas. A abstração é o meio pelo qual a alma intelectiva considera a forma do objeto sensível sem as suas condições materiais, sensíveis, particulares e individuantes. Está ordenado o seu conhecimento à verdade. Para destacar a originalidade da psicologia tomista abordaremos a sua principal contribuição, ou seja, os seus Comnetários aos III livros do De anima de Aristóteles [Edição de M. Pirotta, Roma: Marietti,1948]. O Comentário é uma explicação sumária e doutrinal da obra. Não é uma exposição crítica. O Aquinate segue a divisão aristotélica de livros e capítulos, mas acrescentam-se as lectio, que aqui traduzimos mais por razão pedagógica que por razões lingüísticas por lições e não por leituras. Eis, pois, o número de livros, a sua ordem e as principais doutrinas de seu comentário:

3. A Psicologia Tomista

(a) O objeto da psicologia tomista: tal como vimos acima a psicologia tomista destina-se a estudar, sobretudo, a natureza da alma humana; diferente da psicologia contemporânea, especialmente a psicanálise, que se destina a estudar não a natureza, mas os fenômenos psíquicos, como o temperamento, as emoções, as funções e distúrbios psicológicos do homem. Na psicologia tomista destacam-se os estudos da definição, origem e natureza da alma.

 (b)Definição de alma: no contexto tomista, define-se alma do seguinte modo: ‘a alma é ato e perfeição do corpo’ [De Subs. sep., c.16]; ‘a alma é o ato do corpo, porque a alma separada não é vivente em ato’ [De unit. intel., c. 1].

3.1. A origem da alma: acerca de sua origem afirma que é herética a doutrina que estabelece que a alma humana é induzida do sêmen [STh I q118 a2 sol]. Daí que para Tomás ela não pode ser produzida senão por criação[STh I q90 a2 sol; In II Sent d1 q1 a4 sol; CG II c87; De Ver q27 a3 ad9; De Spirit creat a2 ad8; Quodl IX q5 a1; CTh I c93]. Deus é o criador da alma, mas isso não significa que ela seja parte ou induzida do ser de Deus [STh I q90 a1 sol]. Assim, ainda que não seja necessária a criação da alma se disposta a matéria, já que Deus pode não criá-la, mesmo que se disponha a matéria, será condição para a infusão instantânea da alma no corpo, a disposição simultânea do corpo [De nat mat c2 n374]. E é pautado nisso que aplicará a teoria da animação simultânea na concepção dos demais homens. O Aquinate estabelece, retomando a tese de Agostinho que a alma «Deus a cria infundindo e a infunde criando no corpo» [In II Sent d3 q1 a4 ad1].

3.2. A natureza da alma: a alma humana é de natureza espiritual, isto é, não é induzida ou tirada da matéria (traducianismo), materia ex qua, já que a alma non habeat materiam partem sui ex qua sit [In II Sent d17 q2 a1 ad5]. E se a alma não pode ser induzida da potência da matéria, também não pode ter pré-existido no sêmen dos pais [STh I q118 a2 sol]. Daí, que para Tomás ela non potest fieri nisi per creationem[STh I q90 a2 sol; In II Sent d1 q1 a4 sol; CG II c87; De Ver q27 a3 ad9; De Spirit Creat a2 ad8; Quodl IX q5 a1; CTh I c93]. A alma de natureza espiritual, como a intelectiva, é superior em ser, dignidade, nobreza e perfeição à alma de natureza corporal, como a vegetativa e a sensitiva. Por isso, a alma de natureza espiritual, possui, em si mesma, a perfeição do ser da alma da natureza corporal, sendo ela mesma, imaterial, incorruptível e imortal. A alma humana – que é simultaneamente sensitiva e nutritiva – é criada por Deus no final do processo da geração humana, depois da corrupção da última forma substancial pré-existente na matéria do sêmen dos pais, que é a forma de corporeidade [STh I q118 a2 sol]. O princípio da infusão da alma no corpo não se dá no início da geração, mas no final da geração do corpo, quando da disposição simultânea da matéria. Esta ‘disposição’ da matéria, como veremos, não se refere somente à organização e preparação final da matéria, como se o embrião estivesse perfeito e completamente formado, mas, pode também se referir, neste contexto da passagem da Suma, à disposição inicial da matéria, se admitirmos a teoria da animação simultânea aplicada à concepção dos demais homens, porque teria início com a conflagração do material genético herdado dos pais, cujo termo só se conseguiria com o fim da disposição ou geração do corpo, em cuja disposição final nada faltaria para receber a alma. É bem verdade que nos Comentários do Livro de JóTomás de Aquino deixa bem claro que a animação somente se realizaria depois de toda divisão orgânica, mas na Suma Teológica oferece a oportunidade de entender da maneira que expomos. A preparação inicial da matéria não constitui para Deus, obrigação que, pautada numa condição necessária dessa matéria, se seguisse a criação e infusão da alma no corpo. E isso, porque em Deus o ato da criação e infusão da alma no corpo são atos sumamente livres, cujas próprias condições são o seu sumo querer, liberdade e poder de fazê-lo, quando livremente o quiser fazer, tendo por fundamento do seu querer, liberdade e poder, somente o seu sumo amor. Resumindo, a infusão da alma [dispositioanimae] é simultânea à disposição do corpo: à própria disposição do corpo segue-se a disposição da alma racional [De Pot q3 a9 ad7]. Disso se segue que a alma tem materia in qua, ou seja, matéria em que existe, mas não materia ex qua, isto é, matéria da qual existe. Daí que a multiplicidade dos cor-pos não pode ser causa da multiplicidade das almas [CG II c81 n1620]. Por isso, a alma humana não recebe o seu ser de Deus, senão no corpo [In II Sent d3 q1 a4 ad1], na materia in qua, não podendo ser criada, pois, antes do corpo [STh I q90 a4 sol; I q91 a4 ad3 y 5; q118 a3 sol; In II Sent d17 q2 a2 sol; CG II c83-84; De Pot q3 a10 sol]. A capacidade que a alma tem por meio de sua mais nobre faculdade - o intelecto - de abstrair e conceber conceitos, constitui uma prova da imaterialidade da alma. O pensamento e a linguagem são efeitos da atividade imaterial do intelecto.