Especial Adolph Tanquerey para sacerdotes - Parte IX

1º. O SACERDOTE, RELIGIOSO DE DEUS, DEVE SER SANTO

393. Em virtude da sua missão, o sacerdote deve glorificar a Deus em nome de todas as criaturas e, mais especialmente, do povo cristão. É, pois, verdadeiramente, em virtude do sacerdócio, tal como Nosso Senhor o instituiu, o religioso de Deus: “pro hominibus constituitur in iis quæ sunt ad Deum, ut offerat dona et sacrificia”. É sobretudo, pelo santo sacrifício da Missa e pela recitação do Ofício divino que ele se desempenha desse dever; mas todas as suas ações, ainda as mais comuns, podem contribuir para isso, como dissemos mais acima, se são feitas para lhe agradar. Ora, esta missão não pode ser convenientemente desempenhada senão por um sacerdote santo, ou ao menos apostado a ser.

394. A) Que santidade se não requere para o Santo Sacrifício?! Os sacerdotes da Antiga Lei, que se queriam aproximar de Deus, deveriam ser santos (trata-se, sobretudo da santidade legal), sob pena de serem castigados: “Sacerdotes, qui accedunt ad Dominum, sanctificentur, ne percutiat eos” [Ex 19, 22]. Para oferecerem o incenso e os pães destinados ao altar, deviam ser santos: “Incensum enim Domini et panes Dei sui offerunt, et ideo sancti erunt” [Lv 21,6].Quanto mais santos, mas de santidade interior, não devem ser aqueles que oferecem, não já sombras e figuras, senão o sacrifício por excelência, a vítima infinitamente santa? Tudo é santo neste divino sacrifício a vítima e o sacerdote principal. Que outro não é senão Jesus Cristo, o qual, no dizer de S. Paulo, “é santo, inocente, imaculado, segregado dos pecadores, e mais elevado do que os céus: Talis decebat ut nobis esset pontifex, sanctus, innocens, impollutus, segregatus a peccatoribus et excelsior coelis factus” [Hb 7,26]; a Igreja, em cujo nome o sacerdote oferece a Missa, e que Jesus santificou com o seu sangue “seipsum tradidit pro eâ ut illam sactificaret... ut sit sancta et immaculata”; o fim, que é glorificar a Deus e produzir nas almas frutos de santidade; as orações e cerimônias, que o sacrifício do Calvário e os efeitos de santidade por ele merecidos; a comunhão sobretudo que nos une à fonte de toda a santidade. – Não será, pois, indispensável que o sacerdote, que em nome de Jesus Cristo e da Igreja oferece este augusto sacrifício, esteja revestido de santidade? Como poderia ele representar dignamente a Jesus Cristo, a ponto de ser alter Christus, se levasse uma vida medíocre, sem aspirar à perfeição? Como seria ministro da Igreja imaculada, se a sua alma, presa ao pecado venial, não cuidasse de progredir em espírito? Como glorificaria a Deus, se o seu coração estivesse vazio de amor e sacrifício? Como santificaria as almas, se ele mesmo não tivesse desejo sincero de se santificar?

Especial Adolph Tanquerey para sacerdotes - Parte VIII

III. A natureza das funções sacerdotais exige a santidade.


392. Conforme o testemunho do Apóstolo S. Paulo, o sacerdote é mediador entre o homem e Deus, entre a terra e o céu: escolhido entre os homens, para ser seu representante, deve ser aceito a Deus, chamado por Ele, para ter direito de aparecer na sua Presença a oferecer-Lhe as homenagens dos homense a obter Dele benefícios: “Omnis namque Pontifex, ex hominibus assumptus, pro hominbus constituitur in iis quæ sunt ad Deum, ut offerat dona et sacrificia pro peccatis... Nec quisquam sumit sibi honorem, sed qui vocatur a Deo tanquam Aaron” [Hb 5, 1-4]. As suas funções podem-se reduzir a duas principais: é o Religioso de Deus [no sentido de oficialmente é encarregado dos deveres de religião], encarregado de O glorificar em nome de todo o povo cristão; é um Salvador, um Santificador de almas, que tem missão de colaborar com Jesus Cristo na slavação e santificação do próximo. Ora, este duplo título, deve ser santo [1], e por conseguinte, tender incessantemente a plenitude da santidade que as suas funções reclamam.
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[1] E ainda o que diz SANTO TOMÁS (IV Sent., dist. 24, q. 2); “Qui divinis mysteriis applicatur regiam dignitatem assequuntur et perfecti in virtute esse debent”.

Especial Adolph Tanquerey para sacerdotes - Parte VII


390. 5º. E contudo exige ainda mais do presbítero. Já que ele oferece o Santo Sacrifício da Missa, é mister que seja vítima no mesmo tempo que sacrificador: sê-lo-á, imolando as suas paixões: “Agnoscite quod agitis; imitamini quod tractatis; quatenus mortis dominicæ mysterium celebrantes, mortificare membra vestra a vitiis et concupiscentiis omnibus procuretis”:sê-lo-á, renovando incessantemente em si o espírito de santidade: “innova in visceribus eorum spiritum sanctitatis”. Para isso mediará dia e noite a lei de Deus, para a ensinar aos outros e para ele mesmo a praticar, dando assim o exemplo de todas as virtudes cristãs: “ut in lege tua die ac nocte meditantes, quod legerint, credant; quod crediderint, doceant; quod docuerint, imitentur; justitiam , constantiam, misericordiam, fortitudem, ceterasque virtutes in se ostendat”. E, como tem de se consumir pelas almas, praticará a caridade fraterna sob forma de dedicação: “accipe vestem sacerdotalem per quam caritas inteligitur”; como S. Paulo, desprender-se-á completamente pelas almas: “Ego autem libentissime impendam et superimpendar ipse pro animabus vestris” [2 Cor 12,15]. É, aliás, o que vai ressaltar das funções sacerdotais que passamos a expor.

391. Assim, pois, a cada novo passo para o sacerdócio, exige o Pontifical mais virtude . mais amor e sacrifício; e, quando chega ao sacerdócio, é a santidade que ele reclama, diz Santo Tomás [q. 35, a. 1, ad 3], a fim de que o sacerdote possa oferecer dignamente o Santo Sacrifício e santificar as almas que lhe são confiadas. O Ordinário é livre para dar ou não o passo à frente; mas, se recebe as Ordens, é que evidentemente aceita as condições tão explicitamente formuladas pelo Pontífice, isto é, a obrigação de tender à perfeição, obrigação que, longe de ser diminuída pelo exercício de santo ministério, não faz senão, tornar-se mais urgente, como vamos mostrar.

Especial Adolph Tanquerey para sacerdotes - Parte VI

I. A autoridade do Pontifical


385. Seria fácil mostrar que os SS. Padres, ao comentarem o Evangelho e as Epistolas, desenvolveram e fixaram com precisão estes ensinamentos; poderíamos até acrescentar que escreveram Cartas e Tratados inteiros sobre a dignidade e santidade do sacerdócio [1]. Para não nos alongarmos, porém, demasiado, limitar-nos-emos a invocar a autoridade do Pontifical, que é como o Código sacerdotal da Nova Lei, e contém o resumo do que a Igreja católica exige dos seus ministros. Esta simples exposição mostrará o alto grau de perfeição que se requere dos Ordinários e, com maior força de razão, dos pastores de almas.

387. 2º. Com as Ordens Menores, recebe o clérigo um duplo poder: um sobre o Corpo eucarístico de Jesus, outro sobre o seu corpo místico, isto é, sobre as almas; mas exigi-se dele, além do desprendimento, um duplo amor, o amor do Deus do sacrário, e o amor das almas, cada um dos quais supõe o sacrifício.


Acólito, desapega-se dos prazeres sensuais, para praticar já aquela pureza que o serviço dos altares requere. Ao mesmo tempo vai-se robustecendo o seu amor para com Deus: ama o Deus do sacrário, cuja guarda lhe está confiada, ama o Verbo oculto debaixo do véu das letras na Sagrada Escritura, ama Aquele que impera aos espíritos malignos, ama Aquele que se imola no altar. E este amor desabrocha em zelo: ama as almas, e por isso a sua felicidade é levá-las a Deus pela palavra e pelo exemplo, edificá-las pelas suas virtudes, purificá-las pelos seus exorcismos, santificá-las, santificá-las pela parte que toma no Santo Sacrifício. E assim vai a pouco avançando para a perfeição.

389. 4º Aos diáconos, que são constituídos cooperadores do presbítero na oblação do santo Sacrifício “comministri et cooperatores estis corporis et sanguinis Domini”, o Pontifical exige pureza mais perfeita ainda: “Estote nitidi, mundi, puri, casti”. E, como tem o direito de pregar o Evangelho, exige-se-lhes que o pregue com o exemplo mais ainda que com a boca: “curate ut quibus Evangelium ore annuntiatis, vivis operibus exponatis”. A sua vida deve, pois , ser uma tradução viva do Evangelho, e por isso mesmo uma imitação constante das virtudes de nosso Senhor Jesus Cristo. E assim, ao orar para que o Espírito Santo desça sobre eles, com todos os seus dons, e sobre tudo com o da fortaleza, o Pontífice dirige a Deus esta bela oração: “Abundet in eis totius forma virtutis, auctoritas modesta, pudor, constans, innocentiæ puritas, et spiritualis observantia disciplinæ”. Não é isto pedir para eles a prática das virtudes que conduzem à santidade? Na oração final, o Bispo pede efetivamente que eles sejam ornados de todas as virtudes “virtutibus universis ... instructi”.

Especial Adolph Tanquerey para sacerdotes - Parte V

380. B) É, aliás, o que se resulta dos ensinamentos do divino Mestre. Durante os três da vida pública, a sua obra capital é a formação dos Doze: é a sua ocupação habitual. A pregação às turbas não é mais que um acessório, e, por assim dizer, um modelo da maneira como os discípulos deverão pregar. Daqui fluem as conclusões seguintes:

a) Os ensinamentos tão elevados sobre a bem-aventurança, a santidade interior, a abnegação, o amor de Deus e do próximo, a prática da obediência, humildade, mansidão e todas as demais virtudes, tantas vezes inculcadas no Evangelho, dirigem-se incontestavelmente a todos os cristãos que aspiram à perfeição, mas antes de tudo aos Apóstolos e seus sucessores: são eles, com efeito, os encarregados de ensinar aos simples fiéis estes graves deveres, pelo exemplo, mais ainda que pela palavra: é o que o Pontifical recorda aos diáconos: “Curate ut quibus Evangelium ore annuntiatis, vivis operibus exponatis”. Ora, não há ninguém que não reconheça que estes ensinamentos formam um código de perfeição, e de altíssima perfeição. Os sacerdotes são, pois, obrigados, por dever de estado, a aproximar-se da santidade.

381. b) É muito particularmente aos Apóstolos e sacerdotes que se dirigem estas exortações a mais elevada perfeição, contidas em muitas páginas do Evangelho: “Vós sois o sal da terra... vós sois a luz do mundo: Vos estis sal terrae... Vos estis lux mundi [Mt 15, 13-14]. A luz. De que se trata aqui, não é somente a ciência, é também e sobretudo o exemplo que ilumina e arrasta mais que a ciência: “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras, e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus: Sic luceat vestra coram hominibus, ut videant opera vestra bona, et glorificent Patrem vestrum qui in coelis est [Mt 5, 16]". É a eles também, e de modo especial, que se dirigem os conselhos, sobre a pobreza e a continência, porque, em virtude da sua vocação, são obrigados a seguir a Jesus Cristo mais de perto e até o fim.

382. c) Enfim, há uma série de ensinamentos que direta e explicitamente são reservados aos apóstolos e a seus sucessores [1]: são os que Ele ministra aos Doze e aos Setenta e dois, ao enviá-los a pregar na Judéia, e os que pronunciou na Última Ceia. Ora, estes discursos contêm um código de perfeição sacerdotal tão elevada que daí resulta para os sacerdotes um dever absoluto de tender incessantemente à perfeição. E, com efeito, eles deverão praticar o desinteresse absoluto, o espírito de pobreza e a pobreza efetiva, contentando-se do necessário, o zelo, a caridade, a dedicação completa, a paciência, a humildade no meio das perseguições que o esperam, a fortaleza para confessar a Cristo e pregar o Evangelho a todos e contra todos, o desapego do mundo e da família, o amor prático da Cruz, a abnegação completa.

383. Na Última Ceia dá-lhes aquele mandamento novo que consiste em amar os seus irmãos como Ele os amou, isto é, até à imolação completa; recomenda-lhes uma fé viva, uma confiança absoluta na oração feita em Seu nome; o amor de Deus manifestado no cumprimento dos preceitos; a paz da alma para receberem e gostarem dos ensinamentos do Espírito Santo; a união íntima e habitual com o próprio Jesus, condição essencial de santificação e apostolado; a paciência no meio das perseguições do mundo, que os odiará como odiou o Divino Mestre; a docilidade para com o Espírito Santo que os virá consolar nas tribulações; a firmeza na fé e o recurso à oração no meio das provações; numa palavra, as condições essenciais do que nós chamamos hoje a vida interior ou a vida perfeita. E termina por aquela oração sacerdotal, tão cheia ternura, em que pede ao seu Pai que guarde os seus discípulos como Ele próprio os guardou durante a sua vida mortal; que os preserve do mal, no meio desse mundo que eles devem evangelizar, e que os santifique em toda a verdade. Esta oração ele fez não somente pelos Apóstolos em pessoa, mas também por todos os que nele haviam de crer, afim de que eles sejam sempre unidos pelos laços da caridade fraterna, como são unidas as três Divinas pessoas, e sejam todos unidos a Deus e todos unidos a Cristo, para que o amor com que Vós me amastes esteja neles e eu também esteja neles.

Não é isto um programa completo da perfeição, traçado de antemão pelo Sumo Sacerdote, de quem somos representantes na terra? E não é consolador ver que Ele orou para que nós o possamos realizar?

384. 2º. É por isso que São Paulo se inspira deste ensino de Jesus, quando por seu turno descreve as virtudes apostólicas. Depois de haver advertido que os sacerdotes são dispensadores dos mistérios de Deus e seus ministros, embaixadores de Cristo, mediadores ente Deus e os homens, enumera nas Epístolas Pastorais as virtudes de que devem ser adornados os diáconos, os presbíteros e os bispos. Não lhes basta haverem recebido a graça da ordenação; devem ressuscitá-la, fazê-la reviver não seja caso que ela diminua: “Admoneo te ut resuscites gratiam quae est in te per impositionem manuum mearum” [2 Tm 1,6]. Os diáconos devem ser castos e púdicos, sóbrios, desinteressados, discretos e leais; devem saber governar a sua casa com prudência e dignidade. Mas perfeitos ainda devem ser os presbíteros e os bispos: a sua vida deve ser tal modo pura que sejam irrepreensíveis; devem, pois, combater com cuidado o orgulho, a ira, a intemperança, a cobiça, e cultivar as virtudes morais e teologais, a humildade, a sobriedade, a continência, a santidade, a bondade, a hospitalidade, a paciência, a doçura, e sobretudo a piedade, que é útil a tudo a fé e a caridade. É necessário até dar exemplo destas virtudes, e por conseqüência praticá-las em grau elevado: “In hominibus teipsum praebe exemplum bonorum operum” [Tt 2,7]. Todas estas virtudes supõem não somente certo grau de perfeição já adquirida, mas alem disso um esforço generoso e constante para a perfeição.

Especial Adolph Tanquerey para sacerdotes - Parte IV


378. O Código sancionou estas idéias de Pio X, insistindo, mais do que o havia feito a legislação antiga, sobre a necessidade da santidade para o sacerdote e os meios de alcançá-la. Declara sem rodeios que “os clérigos devem levar uma vida interior e exterior mais santa que os leigos, e dar-lhes bom exemplo pela sua virtude e boas-obras”. E acrescenta que os Bispos devem procurar “que todos os clérigos se aproximem frequentemente do sacramento da Penitência, para se purificarem das suas faltas; que consagrem todos os dias certo tempo à oração mental, visite o SS.mo Sacramento, recitem o Terço em honra da Virgem Mãe de Deus, e façam exame de consciência. Todos os três anos, ao menos, devem os sacerdotes seculares fazer um retiro durante o tempo determinado pelo seu Bispo, em uma casa pia ou religiosa; não podem ser dispensados dessa obrigação senão, em algum caso particular, por uma causa grave e com licença explícita do Ordinário. Todos os clérigos, mas sobretudo, os sacerdotes são especialmente obrigados a ter para com o seu Ordinário respeito e obediência [1].


Ademais a necessidade que tem o sacerdote de tender à perfeição prova-se: 1.º pela autoridade de N. S. Jesus Cristo e de S. Paulo; 2.º pelo Pontifical; 3.º pela mesma natureza das funções sacerdotais.

I. A doutrina de Jesus e de S. Paulo.

379. 1.º N. S. Jesus Cristo ensina eloqüentemente, tanto pelos seus exemplos como pelas suas palavras, a necessidade de ser santo que tem o sacerdote.


A) Dá o exemplo. Ele, que desde o princípio era cheio de graça e de verdade, “vidimus eum... plenum gratiae et veritatis”, quis submeter-se, na medida do possível, à lei do progresso: “Jesus progredia, diz S. Lucas, em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e dos homens: “proficiebat sapientia et aetate et gratia apud Deum et homines” [2]. E durante trinta anos preparou-se para o seu ministério público pelo exercício da vida oculta com todas as usas conseqüências: oração, mortificação, humildade e obediência. Três palavras resumem trinta anos da vida do Verbo Encarnado: “Erat subditus illis” [3]. Para pregar com mais eficácia as virtudes cristãs, começou as por em prática: “coepit facere et docere” [4]; e tão perfeitamente as exercitou que poderia dizer de todas as virtudes o que disse da mansidão e da humildade: “discite a me, quia mitis sum et humilis corde” [5]. E assim, ao fim ao fim de sua vida, declara com toda a simplicidade que se santifica e sacrifica (a palavra sanctifica tem este duplo sentido). Para que os seus apóstolos e sacerdotes, seus sucessores, se santifiquem em toda a verdade: “Et pro eis ego sanctifico meipsum, ut sint et ipisi sanctificati in veritate” [6]. Ora, o sacerdote é o representante de Jesus Cristo na terra, outro Cristo: “pro Christo ergo legatione fungimur” [7]. Logo também nós devemos tender incessantemente à santidade.


[1] – Antigo CDC, Can. 124-127.
[2] – Lc 2, 52.

[3] – Lc 2, 51.

[4] – Atos 1,1.
[5] – Mt 11,29.
[6] – Jo 17,19.
[7] – 2 Cor 5,20.

Especial Adolph Tanquerey para sacerdotes - Parte III


378. O Código sancionou estas idéias de Pio X, insistindo, mais do que o havia feito a legislação antiga, sobre a necessidade da santidade para o sacerdote e os meios de alcançá-la. Declara sem rodeios que “os clérigos devem levar uma vida interior e exterior mais santa que os leigos, e dar-lhes bom exemplo pela sua virtude e boas-obras”. E acrescenta que os Bispos devem procurar “que todos os clérigos se aproximem frequentemente do sacramento da Penitência, para se purificarem das suas faltas; que consagrem todos os dias certo tempo à oração mental, visite o SS.mo Sacramento, recitem o Terço em honra da Virgem Mãe de Deus, e façam exame de consciência. Todos os três anos, ao menos, devem os sacerdotes seculares fazer um retiro durante o tempo determinado pelo seu Bispo, em uma casa pia ou religiosa; não podem ser dispensados dessa obrigação senão, em algum caso particular, por uma causa grave e com licença explícita do Ordinário. Todos os clérigos, mas sobretudo, os sacerdotes são especialmente obrigados a ter para com o seu Ordinário respeito e obediência [1].


Ademais a necessidade que tem o sacerdote de tender à perfeição prova-se: 1.º pela autoridade de N. S. Jesus Cristo e de S. Paulo; 2.º pelo Pontifical; 3.º pela mesma natureza das funções sacerdotais.

I. A doutrina de Jesus e de S. Paulo.

379. 1.º N. S. Jesus Cristo ensina eloqüentemente, tanto pelos seus exemplos como pelas suas palavras, a necessidade de ser santo que tem o sacerdote.


A) Dá o exemplo. Ele, que desde o princípio era cheio de graça e de verdade, “vidimus eum... plenum gratiae et veritatis”, quis submeter-se, na medida do possível, à lei do progresso: “Jesus progredia, diz S. Lucas, em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e dos homens: “proficiebat sapientia et aetate et gratia apud Deum et homines” [2]. E durante trinta anos preparou-se para o seu ministério público pelo exercício da vida oculta com todas as usas conseqüências: oração, mortificação, humildade e obediência. Três palavras resumem trinta anos da vida do Verbo Encarnado: “Erat subditus illis” [3]. Para pregar com mais eficácia as virtudes cristãs, começou as por em prática: “coepit facere et docere” [4]; e tão perfeitamente as exercitou que poderia dizer de todas as virtudes o que disse da mansidão e da humildade: “discite a me, quia mitis sum et humilis corde” [5]. E assim, ao fim ao fim de sua vida, declara com toda a simplicidade que se santifica e sacrifica (a palavra sanctifica tem este duplo sentido). Para que os seus apóstolos e sacerdotes, seus sucessores, se santifiquem em toda a verdade: “Et pro eis ego sanctifico meipsum, ut sint et ipisi sanctificati in veritate” [6]. Ora, o sacerdote é o representante de Jesus Cristo na terra, outro Cristo: “pro Christo ergo legatione fungimur” [7]. Logo também nós devemos tender incessantemente à santidade.

[1] – Antigo CDC, Can. 124-127.
[2] – Lc 2, 52.
[3] – Lc 2, 51.
[4] – Atos 1,1.
[5] – Mt 11,29.
[6] – Jo 17,19.
[7] – 2 Cor 5,20.

Especial Adolph Tanquerey para sacerdotes - Parte II

378. O Código sancionou estas idéias de Pio X, insistindo, mais do que o havia feito a legislação antiga, sobre a necessidade da santidade para o sacerdote e os meios de alcançá-la. Declara sem rodeios que “os clérigos devem levar uma vida interior e exterior mais santa que os leigos, e dar-lhes bom exemplo pela sua virtude e boas-obras”. E acrescenta que os Bispos devem procurar “que todos os clérigos se aproximem frequentemente do sacramento da Penitência, para se purificarem das suas faltas; que consagrem todos os dias certo tempo à oração mental, visite o SS.mo Sacramento, recitem o Terço em honra da Virgem Mãe de Deus, e façam exame de consciência. Todos os três anos, ao menos, devem os sacerdotes seculares fazer um retiro durante o tempo determinado pelo seu Bispo, em uma casa pia ou religiosa; não podem ser dispensados dessa obrigação senão, em algum caso particular, por uma causa grave e com licença explícita do Ordinário. Todos os clérigos, mas sobretudo os sacerdotes são especialmente obrigados a ter para com o seu Ordinário respeito e obediência [1].

Ademais a necessidade que tem o sacerdote de tender à perfeição prova-se: 1.º pela autoridade de N. S. Jesus Cristo e de S. Paulo; 2.º pelo Pontifical; 3.º pela mesma natureza das funções sacerdotais.

I. A doutrina de Jesus e de S. Paulo.

379. 1.º N. S. Jesus Cristo ensina eloqüentemente, tanto pelos seus exemplos como pelas suas palavras, a necessidade de ser santo que tem o sacerdote.

A) Dá o exemplo. Ele, que desde o princípio era cheio de graça e de verdade, “vidimus eum... plenum gratiae et veritatis”, quis submeter-se, na medida do possível , à lei do progresso: “Jesus progredia, diz S. Lucas, em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e dos homens: “proficiebat sapientia et aetate et gratia apud Deum et homines” [2]. E durante trinta anos preparou-se para o seu ministério público pelo exercício da vida oculta com todas as usas conseqüências: oração, mortificação, humildade e obediência. Três palavras resumem trinta anos da vida do Verbo Encarnado: “Erat subditus illis” [3]. Para pregar com mais eficácia as virtudes cristãs, começou as por em prática: “coepit facere et docere” [4]; e tão perfeitamente as exercitou que poderia dizer de todas as virtudes o que disse da mansidão e da humildade: “discite a me, quia mitis sum et humilis corde” [5]. E assim, ao fim ao fim de sua vida, declara com toda a simplicidade que se santifica e sacrifica (a palavra sanctifica tem este duplo sentido). Para que os seus apóstolos e sacerdotes, seus sucessores, se santifiquem em toda a verdade: “Et pro eis ego sanctifico meipsum, ut sint et ipisi sanctificati in veritate” [6]. Ora, o sacerdote é o representante de Jesus Cristo na terra, outro Cristo: “pro Christo ergo legatione fungimur” [7]. Logo também nós devemos tender incessantemente à santidade.
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[1] – Antigo CDC, Can. 124-127.
[2] – Lc 2, 52.
[3] – Lc 2, 51.
[4] – Atos 1,1.
[5] – Mt 11,29.
[6] – Jo 17,19.
[7] – 2 Cor 5,20.

Especial Adolph Tanquerey para sacerdotes - Parte I

1.1. Da obrigação que têem os sacerdotes de tender à perfeição

Extraído do Livro "Compêndio de Teologia Ascética e Mística" de Ad. Tanquerey 1925.

PRIMEIRA PARTE: Os Princípios

Cap. IV. Da obrigação de tender à perfeição

Art. III. PARA OS SACERDOTES

ART. III. Da obrigação que têem os sacerdotes de tender à perfeição [1].


377. Os sacerdotes, em virtude das suas funções e da missão que lhes incumbe de santificar as almas, são obrigados a uma santidade interior mais perfeita que os simples religiosos, que não foram elevados ao sacerdócio. É esta a doutrina expressa de Santo Tomás, confirmada pelos documentos eclesiásticos mais autênticos: “quia per sacrum ordinem aliquis deputatur ad dignissima ministaria, quibus ipsis Christo servitur in sacramento altaris; ad quod requiritur major sanctitas interior, quam requeritat etiam religionis status” [2]. Os Concílios, em particular o de Trento [3], os SS. Pontífices,especialmente Leão XIII [4] e Pio X [5], insistem de tal modo sobre a necessidade da santidade para o sacerdote que negara nossa tese é pôr-se em contradição flagrante com estas autoridades irrefragáveis. Baste-nos relembrar que Pio X, por ocasião do qüinquagésimo aniversário do seu sacerdócio, publicou uma Carta dirigida ao clero católico, em que demonstra a necessidade da santidade para o sacerdote, e indica com precisão os meios necessários para alcançar, meios que, para o dizer de passagem, são precisamente os que inculcamos nos nossos Seminários. Depois de haver descrito a santidade interior (vitae morumque sanctimonia), declara que só esta santidade nos torna tais quais o exige a nossa vocação divina: homens crucificados ao mundo, revestidos do homem novo, que não aspiram senão aos bens celestes e se esforçam por todos os meios possíveis, por inculcar aos outros os mesmos princípios: “ Sanctitas uma nos efficitquales vocatio divina exposcit: homines videlicet mundo crucifixos... homines in novitate vitae ambulantes... qui unice in caelestia tendant et alios eodem adducere omni ope contendant”.
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[1] - Além dos autores citados, cf. ARVISENET, Memoriale vitae sacerdotalis; MOLINA LE CHARTREUX, L' Instruction des prêtres, 2º Traité; J.J OLIER, Traité des SS. Ordres; TRANSON, Exam. Particuliers; DUBOIS, Le saint Prête; CAUSSETTE, Manrèse du Prêtre; GIBBONS, L'ambassadeur du Christ; GIRAUD, Préte et Hostie; MANNING, Le Sacerdoce éternel; MGR. LELONG, Le Prêtre; CARD. MERCIER, La Vie intérieure, 1919, p. 149 - 226. [2] - Sum. Theol., 2. 2. q. 184, a. 8 . [3] - Sess. XXII, de Reform. c. 1. [4] - Enc. Quod muntum, 22 de agost. de 1886; Lettre encycl. Depuis le jour, 8 Sept. 1889. [5] - Exhortatio ad clerum catholicum, 4 de Agosto de 1908. Deve-se ler toda esta Exortação.