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Mons. Brunero Gherardini e a papolatria

Info Católica | A VIDA SACERDOTAL
Tradução: Allan dos Santos

Tínhamos [NdT: o blogue da postagem original] esta postagem desde antes da eleição de Francisco, Papa. Pensamos que este artigo complementaria o Newman contra a "papolatria". O Pe. Iraburu parece escandalizar-se com o uso da palavra "papolatria", pois seria um termo empregado por protestantes do século XVI para insultar os fiéis católicos. Certamente é falso que os católicos adoram o  Papa como amam a Deus. Não existe uma "papolatria" que é um erro por excesso respeito do Romano Pontífice e sua função na Igreja, com diversas manifestações, sejam teóricas ou práticas. Neste artigo, Gherardini alude a uma "papolatria" entendida como "infalibislismo". A infalibilidade é um carisma da Igreja e do sucessor de Pedro, enquanto que o infalibilismo é uma desvirtuação e uma extensão do abusivo carisma petrino para além dos limites da Revelação. É também uma a atitude não insenta de servilismo, típica em certo modo da mentalidade cortesã que tem sido efeito e causa de exagerações que   levados até as suas últimas consequências, vão contra os dogmas relativos ao Primado, a Igreja e sua Hierarquia. Pensando historicamente, devemos dizer que a expressão "papolatria" foi empregada durante o Sacrossanto Concílio Ecumênico Vaticano II (recordemos que o Pe. Iraburu gosta de referir-se a ele como "sacrossanto"). Usou este termo, por exemplo, na Aula Conciliar o bispo Emil-Josef De Smedt (Bruxelas, Bélgica), que fez parte do Secretaria da Unidade dos Cristãos e membro de uma Comissão que redigiu esquemas que logo se tornaram em documentos oficiais do último Concílio. E o no mesmo sentido, também a utilizou durante o Concílio Máximo IV Saigh, Patriarca de Antioquiae de  todo o Oriente, cardeal da Igreja Católica. E seu uso é legítimo sempre que se precise adequadamente sua definição. Sob impulsos de entusiasmo papólatra já estamos vendo outro sinal de "papolatria": o de atribuir fatos e ditos do outrora cardeal Jorge M. Bergoglio um valor equivalente ao de atos pontifícios. É um erro funesto corrente.

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A este respeito, parece muito apropriado considerar cuidadosamente as palavras do dogma:
«O Romano Pontífice, quando fala “ex cathedra”, ou seja, quando no exercício de seu ofício de pastor e mestre de todos os cristãos, em virtude de sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina de fé ou costumes, como que deve ser sustentada por toda a Igreja, possui, pela assistência divina que lhe foi prometida no benaventurado Pedro, aquela infalibilidade da qual o divino Redentor quis que gozasse sua Igreja na definição da doutrina de fé e costumes. Por isso, estas definições do Romano Pontífice são em si mesmas, e não por consentimento da Igreja, irreformáveis».
Palavras sopesadas com extremo rigor. Não somente não divinizam a um ser humano, senão que, no ato mesmo de reconhecer-lhe um carisma que nenhum outro homem possui, colocam limites claros assim como condições estritas no exercício do mesmo. O Papa, com efeito, «não é pelo fato de ser papa (simpliciter papatus ex auctoritate), absolutamente infalível». Talvez é chegado o momento de dizer com sinceridade e firmeza o que reiteradamente se declarou no passado, recente e distante, acerca da necessidade de libertar o papado de uma espécie de «papolatría», que não contribui a honrar o Papa e a Igreja. Nem todas as declarações papais são infalíveis, nem todas pertencem ao mesmo nível do dogma. A maior parte dos discursos e documentos papais, mesmo quando tocam o campo doutrinal, contém ensinamentos comuns, orientações pastorais, exortações e conselhos, que na forma e no conteúdo, estão muito longe da definição dogmática. Esta não existe senão quando se apresentam as condições estabelecidas pelo Vaticano I.

— É necessário que o Papa fale «ex cathedra»: a expressão toma seu significado da função exemplar e moderadora que, desde o princípio, fez o Bispo de Roma o mestre da Igreja universal e da mesma Roma o «locus magisterii». O uso desde o século II como símbolo da função magisterial do bispo, a cátedra, logo, um símbolo da função magisterial do Papa. Falar «ex cathedra» significa, portanto, falar com autoridade e a responsabilidade da pessoa que goza da jurisdição suprema, ordinária, imediata e plena sobre toda a Igreja, e cada um dos fiéis, pastores também, em matéria de fé e costumes, mas não sem reflexão e inclusive efeitos disciplinares.

— «Omnium Christianorum pastoris et doctoris munere fungens»: a frase tem explícito o conteúdo de «ex cathedra». Fontes bíblicas neo-testamentárias e documentos da Tradição confluem na definição do Vaticano I para afirmar que a infalibilidade do magistério papal somente surge quando o Papa ensina a Revelação divina e torna obrigatório seus ensinamentos para todos.

— «Pro suprema sua Apostolica auctoritate »: é razão formal de seu magistério infalível e universal. Tal razão é devida à sucessão apostólica do Papa a Pedro, que entAo foi o primeiro, mas não o único, bispo de Roma, o Papa, enquanto bispo de Roma. A todo sucessor seu na «cátedra romana» compete tudo quanto Cristo tinha dado a Pedro, «ratione office, non personae». É pelo menos correto dizer «infalibilidade pessoal do Papa»  em vez de «infalibilidade papal». Entretanto, se se quer insistir, como fazem alguns, na «infalibilidade pessoal», se deve distinguir sempre, no Papa, a «pessoa pública» da «privada», recordando que a «pessoa pública» vem determinada por seu ofício.

— «Doctrinam de fide vel moribus»: deve tratar-se de uma verdade que se há de crer e qualificada da existência cristã, diretamente contida ou não, na Revelação divina. Um objeto diverso do ensinamento papal não pode pretender estar coberto pelo carisma da infalibilidade, o qual se estende tanto como a Revelção mesma.

— «Per assistentiam, divinam»: não é qualquer intervenção do Papa, não é uma simples advertência, não é um ensinamento qualquer que estão assegurados pela assistência do «Espírito da verdade»  (Jo 14, 17; 15, 26), senão que somente aquele que, em harmonia com as verdades reveladas, manifesta que o cristão deve, enquanto tal, crer e por em prática. Somente com o pleno e absoluto respeito das mencionadas condições, o Papa recebe a garantia da infalibilidade; pode, portanto, recorrer a ela quando se pretende obrigar o cristão no âmbito da fé e da moral. E também cabe mencionar, de toda intervenção papal e das palavras que a expressam, deve resultar, junto ao respeito das condições indicadas, a vontade de definir uma verdade como direta ou indiretamente revelada, ou melhor definir uma questão  «de fide vel moribus», com a que toda a Igreja deverá logo uniformizar seu próprio ensinamento.

Recordando Gherardini: caminhar para além das afirmações retóricas.

Livro de Mons. Gherardini Para o bem da Igreja – e mais especificamente para a atuação da “salus animarum” que é a primeira e “suprema lex” – depois de décadas de livre criatividade exegética, teológica, litúrgica, historiográfica e “pastoral” em nome do Concílio Ecumênico Vaticano II, parece-me urgente que se faça um pouco de clareza, respondendo oficialmente à pergunta sobre a continuidade do mesmo – não declamada, mas demonstrada – com os outros Concílios e sua fidelidade à Tradição desde sempre em vigor na Igreja. [...] Parece, de fato, difícil, se não impossível, colocar as mãos na esperada hermenêutica da continuidade, a menos que se proceda a uma análise cuidadosa e científica de cada um dos documentos, deles conjutamente e de todos os seus argumentos, suas fontes imediatas e remotas, e se continua, pelo contrário, a falar deles apenas repetindo o seu conteúdo ou apresentando-o como uma novidade absoluta. Esse pensamento há tempos nasceu em minha mente – que ouso ora apresentar à Sua Santidade –, de uma grande e possivelmente definitiva purificação sobre o último Concílio em todos os seus aspectos e conteúdo. Parece, de fato, lógico e adequado que todos os aspectos e conteúdos sejam estudados em si e em conjunto com todos os outros, com os olhos fixos em todas as fontes, e sob o ângulo específico do Magistério eclesiástico precedente, solene e ordinário. A partir desse amplo e irrepreensível trabalho científico, comparado com os resultados seguros da atenção crítica ao secular Magistério da Igreja, será então possível elaborar um argumento para uma avaliação segura e objetiva do Concílio Vaticano II [...] Mas se a conclusão científica do exame levar à hermenêutica da continuidade como a única devida e possível, será portanto necessário provar – para além de toda afirmação retórica – que a continuidade é real, e tal se manifesta apenas na identidade dogmática de fundo. [...] [Se] não resultar cientificamente provado, seria necessário dizê-lo com serenidade e franqueza, em resposta à exigência de clareza sentida e esperada por quase meio século.
Do livro de Monsenhor Brunero Gherardini, Concilio Ecumenico Vaticano II. Un discorso da fare, editado pela Casa Mariana Editrice di Frigento, fundada e dirigida pelos Franciscanos da Imaculada,  com prefácio de Dom Mario Oliveri, bispo de Albenga e Imperia, e apresentação de Dom Albert Malcom Cardeal Ranjith, Arcebispo de Colombo e antigo secretário da Congregação para o Culto Divino.
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Fonte: Fratres in Unum

Dom Schneider: "[...] um Syllabus que condene infalivelmente “os erros de interpretação do Concílio Vaticano II”


Ciclo de conferências sobre o Vaticano II organizado pelos Franciscanos da Imaculada, em Roma, reúne expoentes da crítica ao Concílio. Dentre eles, Mons. Gherardini e Prof. Roberto de Mattei.
Ciclo de conferências sobre o Vaticano II organizado pelos Franciscanos da Imaculada, em Roma, reúne expoentes da crítica ao Concílio. Dentre eles, Mons. Gherardini e Prof. Roberto de Mattei.

Um verdadeiro furacão passou ontem, 17 de Dezembro de 2010, por Roma, a dois passos da basílica de São Pedro: um bispo propôs, nada mais nada menos, que… recolocar em prática o magistério infalível da Igreja.

Com efeito, desde 16 de dezembro, realiza-se em Roma um importante colóquio intitulado “Concílio Vaticano II, um concílio pastoral – Análise histórica, filosófica e teológica”. Organizado pelos corajosos Franciscanos da Imaculada, este colóquio se realiza nas salas de conferência de Santa Maria Bambina, atrás da colunata de Bernini, próximo ao Palácio do Santo Ofício, num quase silêncio midiático, apesar da atualidade do tema com relação ao pontificado de Bento XVI e da qualidade dos intervenientes.

Duas intervenções esperadas marcaram o primeiro dia: a de Mons. Gherardini, autor do livro Concilio Vaticano II, un discorso da fare, e a do professor Roberto de Mattei, historiador italiano, autor de um recente livro sobre o concílio, intitulado Il Concilio Vaticano II. Una storia mai scritta (disponível por ora apenas em italiano, edições Lindau). Ambos responderam às críticas que os seus trabalhos levantaram, aliás, muito paradoxalmente, do meio conservador, em cujo seio há alguns raros defensores da infalibilidade do Concílio.

Ontem, 17 de dezembro, Dom Schneider, bispo auxiliar de Karaganda, causou alvoroço com sua conferência sobre o tema do culto a Deus como fundamento teológico da pastoral conciliar. Propondo um longa coletânea de citações, teologicamente muito ortodoxas, extraídas dos textos conciliares, apresentou à assistência textos escolhidos de um Vaticano II, de certo modo, “mais ortodoxo que Trento”. A captatio benevolentiae foi particularmente eficaz: a assistência esperava o que estava por vir, suspenso nos lábios do bispo.

Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Karaganda, Cazaquistão.
Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Karaganda, Cazaquistão.

É então que, denunciando a interpretação errônea deste concílio no período pós-conciliar, o bispo conclui a sua intervenção sugerindo… a redação de um Syllabus que condene infalivelmente “os erros de interpretação do Concílio Vaticano II”.

Pois, segundo Dom Schneider, só o magistério supremo da Igreja (do Papa ou de um novo concílio ecumênico) pode corrigir os abusos e os erros nascidos do Concílio e retificar sua compreensão e sua recepção à luz da tradição católica. Respondendo um pedido de esclarecimento, fez a sua douta assistência cair no riso ao considerar que não era possível reunir um concílio em menos de 500 anos. Cabe, portanto, ao magistério supremo do Papa. Daí seu pedido por um novo Syllabus, onde figurariam face à face os erros condenados e a sua interpretação ortodoxa.

Como tantos e tantos outros há 40 anos, é, pois, ao juízo infalível do Papa “reformulando” o Vaticano II que se está apelando. Com exceção de que, desde a “liberação da palavra” operada por Bento XVI, são doravante os personagens oficiais que interpõe o pedido.

Tradução: Fratres in Unum.com

O juízo de Monsenhor Brunero Gherardini sobre o debate teológico entre Tradição e o Concílio Vaticano II


DICI – Na edição de maio de 2010 de Courrier de Rome (n°333), Professor Paolo Pasqualucci oferece um comentário esclarecedor sobre o estudo de Monsenhor Brunero Gherardini publicado na revista teológica Divinitas sob o título Quod et tradidi vobis – La tradizione vita e giovinezza della Chiesa (Quod et tradidi vobis.  A tradição, vida e juventude da Igreja), um estudo que também foi republicado em um volume por Casa Mariana Editrice.

Monsenhor Gherardini, autor de Vaticano II: Un discorso da fare, publicado em francês no início desse ano, apresenta em Quod et tradidi vobis uma análise muito pertinente do debate teológico entre a Tradição e o Concílio Vaticano II. Aqui está o amplo extrato que pode ser encontrado em Courrier de Rome, oferecendo uma lista de 9 dificuldades; a esta lista nós acrescentamos os três parágrafos que seguem, onde Monsenhor Gherardini não hesita em transmitir um julgamento pessoalmente muito explícito.

“Em meu esforço em estabelecer uma síntese de posições defendidas por Dom Lefebvre em favor da Tradição, e sem pretender tratar exaustivamente do assunto, parece-me que o conflito se estabelece da seguinte maneira:
    Mons. Brunero Gherardini, cônego da Basílica de São Pedro e 
postulante da causa de canonização do Beato Pio IX, também questinou a 
aceitação da validade do cânon de Adai e Mari, que omite as palavras da 
consagração, pela Congregação para a Doutrina da Fé.
    Monsenhor Brunero Gherardini, cônego da Basílica de São Pedro e postulante da causa de canonização do Beato Pio IX, também questinou a aceitação da validade do cânon de Adai e Mari, que omite as palavras da consagração, pela Congregação para a Doutrina da Fé.
  1. Uma formação sacerdotal que encontrou seus princípios na Tradição eclesiástica e nos valores sobrenaturais da Revelação divina, frente a uma formação sacerdotal aberta ao horizonte flutuante de uma cultura em perpétuo estado de devir.
  2. Uma liturgia que certamente tem um ponto forte na Missa dita tradicional, frente a uma liturgia antropocêntrica e sociológica [a do Novus Ordo da missa], na qual o coletivo prevalece sobre o valor do individual, a oração ignora o aspecto latrêutico, a assembléia torna-se o ator principal e Deus dá lugar ao homem.
  3. Uma liberdade que faz sua “libertação” depender do Decálogo, dos mandamentos da Igreja, das obrigações do dever de estado e do dever de conhecer, amar e servir a Deus, frente a uma liberdade que coloca todas as formas de culto em pé de igualdade, silencia a respeito da lei de Deus, desobriga os indivíduos e a sociedade sobre domínios éticos e religiosos e deixa a solução de todos os problemas exclusivamente à consciência.
  4. Uma teologia que reúne seu conteúodo de fontes específicas (Revelação, Magistério, Patrística, Liturgia), frente a uma teologia que abre bem os seus braços, dia após dia, às emergências culturais do momento, mesmo àquelas que claramente contradizem as fontes recém mencionadas.
  5. Uma soteriologia (nota do editor: estudo da obra da salvação) estreitamente unida à pessoa e à obra redentora do Verbo Encarnado, à ação do Espírito Santo, intimamente ligada à aplicação dos méritos do Redentor, à intervenção sacramental da Igreja e à cooperação dos fiéis batizados, frente a uma soteriologia que considera a unidade do gênero humano como consequência da encarnação do Verbo, em quem (cf GS 22) cada homem encontra sua própria identificação.
  6. Uma eclesiologia que identifica a Igreja com o Corpo Místico de Cristo e reconhece em Sua presença sacramental o segredo vital do ser e do agir eclesial, frente a uma eclesiologia que considera a Igreja Católica como um componente, entre outros, da Igreja de Cristo,  e que, nessa fantasmagórica Igreja de Cristo, adormece o espírito missionário, dialoga mas não evangeliza, e acima de tudo, renuncia o proselitismo como se fosse um pecado mortal.
  7. Um Sacrifício expiatório da Missa, que celebra os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Cristo, representando sacramentalmente a redenção satisfatória, frente a uma Missa na qual o padre é apenas um presidente e todos tomam uma parte “ativa” no sacramento, graças ao fato de que a fé não é encontrada em Deus que Se revela, mas numa resposta existencial feita a Deus que nos interpela.
  8. Um Magistério consciente de ter o múnus de guardar o sagrado depósito da Revelação divina com o dever de interpretá-lo e transmiti-lo às gerações futuras, frente a um Magistério Papal que, longe de se sentir a voz da Igreja docente, sujeita a própria Igreja ao colégio dos bispos, dotado dos mesmos direitos e deveres do Romano Pontífice.
  9. Uma religiosidade que compreende a vocação comum ao serviço de Deus e, por amor a Ele, o serviço aos irmãos na humanidade, frente a uma religiosidade que inverte essa ordem natural, faz do homem seu centro e, se não em teoria, ao menos na prática, coloca-o em lugar de Deus.
“Do que acaba de ser dito, pode-se facilmente deduzir como a Fraternidade São Pio X compreende a Tradição. Realmente, a Tradição é exatamente o que a Fraternidade não nega ou se opõe. Diretamente ou nas entrelinhas, a Fraternidade rejeita as inogações dos documentos do Concílio e suas aplicações pós-conciliares, e permanece em oposição ao uso selvagem que tão casualmente foi feito deles.

“É verdade que nos escritos da Fraternidade São Pio X o conceito de Tradição não freqüentemente é explicado, e nós não o encontramos desenvolvido sistematicamente. Mas o que se compreende, assim como o que se conjetura, nunca permanece em sombras. Como fundamento de tudo está “a fé de sempre” para cuja salvaguarda nasceu a Fraternidade”. “Salvaguarda” indica uma oposição a algo presente ou possível, em favor de seu contrário ou de sua substituição. A “fé de sempre” é o valor que Monsenhor Lefebvre quis salvaguardar, um valor que está sendo substituído por todas as atenuações, reinterpretações, reduções e negações do período conciliar e pós-conciliar. A “fé de sempre” é o eco alto e claro do ensinamento agostiniano resumido pelas palavras de São Vicente de Lérins: “Quod semper, quod ubique, quod ab omnibus creditum est”[1]. A própria ereção da Fraternidade, com seu objetivo primeiro que é a formação sacerdotal, obedece a este grande ideal e ao comprometimento de salvaguardá-lo. Salvaguardar a fé e combater o erro.

“Não entrarei em detalhes sobre as relações e dificuldades entre a Santa Sé a Fraternidade São Pio X. Atenho-me ao tema comum da Tradição e observo que “salvaguardar a fé e combater o erro” deveria ser o ideal e o comprometimento tanto da Igreja como de seus filhos. À essa luz, é difícil, para mim, compreender como a acusação de uma “incompleta e contraditória Tradição” formulada por João Paulo II em 1988 [2] poderia ter alguma base verdadeira. O que compreendo é que ela não tem nada a ver com o “espírito de Assis”. [3] (Traduzido do Italiano — DICI n°218, July 10, 2010)

Courrier de Rome – B.P. 10156 – 78001 Versailles Cedex or courrierderome@wanadoo.fr – Assinatura: 20 euros (Exterior: 24 euros)

Msgr. Brunero Gherardini, Ecumenical Council Vatican II: And Open Discussion – disponível em Courrier de Rome: 15 euros + 3 euros frete

[1] St. Vincent de Lérins, Commonitorium, c. 23.
[2] Motu Proprio Ecclesia Dei, July 2, 1988.
[3] Msgr. Gherardini, Quod et tradidi vobisLa tradizione vita e giovinezza della Chiesa, Ed. Casa Mariana Editrice, pp. 241-244.

El secretario de la Pontificia Academia de Teología considera necesario que el Papa aclare los puntos oscuros del Vaticano II

El secretario de la Pontificia Academia de Teología y director de la revista de Teología Divinitas, monseñor Brunero Gherardini (en la foto), ha pedido recientemente al Santo Padre Benedicto XVI que clarifique definitivamente los aspectos oscuros del Sínodo Vaticano II. La tesis la desarrolla en su último libro Concilio Vaticano II: Una discusión abierta, prologado por el arzobispo Malcom Ranjith, antiguo secretario de la Congregación para el Culto Divino. En él afirma que el Santo Padre debería hacer uso del ejercicio vigilante y responsable de su ministerio como Sucesor de Pedro. Gherardini afirma que el espíritu sobrenatural está presente en el Concilio Vaticano II, gracias a su profesión de Fe de las grandes verdades teológicas; no obstante aboga por una clarificación definitiva de todos los contenidos del Concilio. La voz del que es uno de los canónigos de la Basílica del Vaticano en Roma, se une a otras de reconocido prestigio que pululan por el orbe católico y que se están levantado cada vez con más fuerza en este sentido.De hecho, monseñor Gherardini propone una acción papal que iría en la línea del omnia reparare (repararlo todo) y que podría ser realizada "por medio de un gran documento magisterial que sería recordado por la Historia como un signo y un testimonio del ejercicio vigilante y responsable de su ministerio como sucesor de Pedro".


Y se despacha a gusto en relación al Sínodo ecuménico: "Si alguien me preguntase si el modernismo finalmente entró en la misma estructura de los documentos del Concilio, al punto de que los mismos padres estuvieran infectados por él, mi respuesta sería sí y no. No, porque el espíritu sobrenatural no está ausente del Concilio, gracias a su abierta profesión de fe en la Trinidad, en la Encarnación, en la redención universal del Logos, junto con la profunda convicción del llamado universal a la santidad, la aceptación y la fe en el efecto santificador de los sacramentos, su consideración particularmente elevada del culto litúrgico y eucarístico, el rol santificador de la Iglesia y una devoción teológicamente nutrida a María. Pero mi respuesta es también sí, porque pueden encontrarse ideas modernistas en varios documentos del Concilio, notablemente en Gaudium et Spes, y porque un grupo de pocos pero prominentes padres conciliares eran abiertamente favorables a los antiguos y a los nuevos modernistas. Ellos deseaban tener una Iglesia en peregrinación hacia la Verdad, como cualquier otro peregrino, un amigo y un aliado de todo investigador, aprobando incluso en el área de los estudios sacros, la misma metodología crítica aplicable a las demás ciencias. En breve, su Iglesia era un tipo de laboratorio de investigación, en lugar de ser una dispensadora de Verdades de lo alto".


fonte:sector católico