Papa sugere: quando não se crê, é melhor ser “honesto” e deixar a Igreja.
Homilia do Pe. Anderson Batista em Bom Jesus do Itabapoana - RJ
Eis a liberdade da “elite pensante” republicana e democrática.
Falta de respeito: Estudantes da Unesp atacam trineto de Dom Pedro durante palestra
Franca Notícias.com- O trineto do imperador Dom Pedro II foi praticamente atacado por estudantes da Unesp em Franca.Cardeal Brandmüller: a Missa de Paulo VI não é a Missa do Concilio. A Sacrosanctum Concilium nunca foi realmente implementada.
De uma entrevista concedida pelo Cardeal Walter Brandmüller ao Vatican Insider e publicada hoje. A última resposta, sobre a revolução litúrgica que nunca deveria ter acontecido e que destruiu o desenvolvimento orgânico do culto sagrado, é particularmente relevante.
Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com
O Concílio Vaticano Segundo foi um Concílio Pastoral que também ofereceu explicações dogmáticas. Já houve algo semelhante anteriormente na história da Igreja?

Cardeal Walter Brandmüller.
[Brandmüller:] Parece, de fato, que o Vaticano II marcou o início de um novo tipo de Concílio. A linguagem utilizada no seu transcorrer e a totalidade dos textos mostram que os padres conciliares não estavam tão motivados pela necessidade de passar um julgamento sobre novas questões eclesiásticas e teológicas polêmicas, mas sim pelo desejo de voltar a atenção à opinião pública dentro da Igreja e todo o mundo, no espírito do anúncio.
O Concílio não deveria ser declarado um fracasso, já que após cinquenta anos os fiéis não o acolheram calorosamente? Bento XVI alertou contra uma interpretação errônea do Concílio, particularmente em termos de hermenêutica da [ruptura]…
[B:] Essa é uma daquelas questões clichês que remontam a um novo sentimento existencial; aquele sentimento de confusão, que é típico de nossos tempos. Porém, o que significa cinquenta anos, afinal de contas?! Retroceda o seu pensamento ao Concílio de Nicéia, em 325. As disputas ao redor do dogma deste Concílio – sobre a natureza do Filho, ou seja, se ele foi feito da mesma substância do Pai ou não – continuaram por mais de cem anos. Santo Ambrósio foi ordenado Bispo de Milão por ocasião do cinquentenário do Concílio de Nicéia e teve que lutar duro contra os arianos que se recusavam a aceitar as disposições nicenas. Pouco tempo mais tarde veio um novo Concílio: o Primeiro Concílio de Constantinopla de 381, que foi considerado necessário a fim de concluir a profissão de fé de Nicéia. Durante este Concílio, Santo Agostinho recebeu a tarefa de tratar de solicitações e refutar hereges até a sua morte, em 430. Francamente, mesmo o Concílio de Trento não foi muito frutuoso até o Jubileu de Ouro de 1596. Foi necessária uma nova geração de Bispos e prelados para amadurecer no "espírito do Concílio" antes que seu efeito pudesse efetivamente ser sentido. Precisamos nos conceder um pouco mais de espaço para respirarmos.
Agora falemos sobre os frutos que o Vaticano II produziu. O senhor pode comentar sobre isso?
[B:] Primeiramente, é claro, o "Catecismo da Igreja Católica" em comparação ao Catecismo Tridentino: após o Concílio de Trento, o Catecismo Romano foi lançado a fim de oferecer aos párocos, pregadores e etc. diretrizes sobre como pregar e anunciar o Evangelho ou evangelizar.
Mesmo o Código de Direito Canônico de 1983 pode ser considerado uma consequência do Concílio. Preciso enfatizar que a forma da liturgia pós-conciliar com todas as suas distorções não é atribuível ao Concílio ou à Constituição sobre a Liturgia estabelecida durante o Vaticano II, que, a propósito, não foi efetivamente implementada mesmo hoje em dia. A retirada indiscriminada do Latim e do Canto Gregoriano das celebrações litúrgicas e a construção de inúmeros altares não foram absolutamente atos prescritos pelo Concílio.
Com o benefício de retrospectiva, voltemos nosso pensamento particularmente à falta de sensibilidade demonstrada em termos de cuidado pelos fiéis e na falta de cuidado pastoral demonstrado na forma litúrgica. Basta pensar dos excessos da Igreja, reminiscente da [crise iconoclasta] que ocorreu no século XVIII. Excessos que impulsionaram inúmeros fiéis ao caos total, deixando muitos andando no escuro.
Quase tudo foi dito sobre esse assunto. Nesse meio tempo, a liturgia chegou a ser vista como uma imagem em espelho da vida da Igreja, sujeita a uma evolução histórica orgânica que não pode – como sem dúvida ocorreu – ser repentinamente alterada pelo decreto par ordre de mufti. E ainda estamos pagando o preço hoje em dia. [Fonte, adaptado]
“A ‘missa’ deles é quase igual à nossa”.

[Dom Boaventura Kloppenburg] Empenhou-se em preparar o II Encontro da Comissão Mista de Estudos para o Diálogo Bilateral Internacional entre a Igreja Católica e os Luteranos, de 8 a 12 de janeiro de 1974, em Roma. Havia dez representantes de cada lado. De São Leopoldo compareceu o pastor luterano Bertoldo Weber.
Foi interessante quando o grupo luterano celebrou a Santa Ceia, presidida pelo bispo luterano alemão Hermann Dietzfelbinger. O grupo católico "assistiu". A gente sente, em momentos assim, o absurdo da separação - observou [Dom Kloppenburg] em 10 de janeiro no Diário 11. - Ontem eles "assistiram" à nossa Eucaristia, sem poderem comungar. Hoje nós "assistimos", sem podermos comungar. No entanto, a "missa" deles é quase igual à nossa. Só no fim fiquei chocado com a diferença: sobre o altar restaram hóstias e no cálice havia ainda muito vinho. Levei reverentemente as hóstias e o cálice à sacristia e o celebrante luterano (Dietzfelbinger) ajuntou as hóstias às outras e recolocou o vinho na garrafa, para outra celebração...
Frei Boaventura Kloppenburg, OFM - 90 anos por Cristo em sua Igreja, 2ª Edição, 2008, Edições Eletrônicas Veritatis Splendor.
Amanhã: Missa Pontifical de Dom Athanasius Schneider em Belém.

Santa Missa Pontifical no Rito Latino Gregoriano celebrada por
Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Maria Santíssima em Astana, Cazaquistão.
Sábado, 25 de agosto de 2012, às 10 horas
Catedral Metropolitana de Belém do Pará
III ENCONTRO SUMMORUM PONTIFICUM NO BRASIL
Maquiavel em clave teológica – (II)

Sidney Silveira
Arroladas as principais características do período medieval, estabeleçamos os traços marcantes da política nos primeiros séculos que serviram de preâmbulo à idade moderna — XIV, XV e começos do XVI —, quando se deu a grande crise que culminou na perda do sentido transnacional de unidade cristã entre os povos europeus. Essa época anterior a Maquiavel trouxe mudanças significativas nas relações entre os poderes material e espiritual e estabeleceu a ambiência prévia sem a qual as teorias maquiavélicas sequer poderiam historicamente surgir.
Gestou-se, paulatinamente, o mundo em que as leis divinas foram aos poucos se tornando uma impossibilidade política. Ou seja, o mundo em que a Pólis começou a se fechar, na forma da lei, ao influxo da lei natural (sucedâneo da lei eterna), justamente a partir da separação entre o poder político e o espiritual custodiado pela Igreja e por seu Magistério — cisão esta defendida por Dante no De Monarchia e, de alguma maneira, posta em prática já por Felipe, o Belo, no começo do século XIV, numa prévia das mudanças de vetor político que estavam por vir no Ocidente. Diga-se, a propósito, que Maquiavel não irá propor exatamente tal separação, e sim que o príncipe simule crer, e aqui está um dos seus golpes de "mestre": propor a substituição da féexplícita dos governantes cristãos por uma mentira descarada, proclamada com o propósito de controle social e manutenção no poder a qualquer custo.
Neste contexto, convém fazer um esclarecimento profilático, antes de enumerarmos as características históricas do embrionário humanismo político renascentista. É o seguinte: chama-se implícito àquilo que contém em si muitas coisas, como por exemplo o conhecimento dos princípios universais contém em si, implícita e virtualmente, várias conclusões particulares. No caso da fé, se não houvesse a sua manifestação explícita por parte de alguns, e não apenas implícita (ou seja, a continência virtual das conclusões nas premissas), nunca o mundo poderia se converter às leis de Deus ensinadas por Cristo. Pois bem, neste sentido é conveniente que os educadores da fé creiam de forma explícita, pois a recepção da fé pelos homens é semelhante à primeira aceitação, por parte do discípulo, dos ensinamentos do mestre.[1]
Assim, embora os reis cristãos medievais não fossem propriamente teólogos ou educadores da fé, davam com o seu exemplo público de fé e de submissão à Igreja um sinal aos seus súditos de que existe ordenação a um poder de ordem superior, o que era altamente pedagógico econtribuía sobremaneira para a orientação teleológica de todo o conjunto da sociedade a Deus, na medida em que o poder político não era (nem poderia ser) considerado um bem com princípio e fim em si mesmo. "Não terias nenhum poder sobre mim se não te fosse dado do alto" (Jo. XIX, 11).
Mas não percamos o fio da meada. Eis, a seguir, o quadro político dos antecedentes históricos da idade moderna, em linhas gerais, a partir de algumas circunstâncias que serviram de causa material para as mudanças que se seguiram de forma acelerada nesses séculos.
Ø Ida do Papado para Avignon, o que acarretou a notável perda simbólica da universalidade de Roma — epicentro da vida cristã e do Magistério da Igreja, cidade de onde a autoridade do Pontífice se espraiava de Leste a Oeste. Urdida ainda sob os auspícios políticos anti-romanos de Felipe, o Belo, em cujo reinado acontece a primeira grande fratura entre os poderes espiritual e material, a ida do Papado para Avignon tornou a Igreja politicamente refém dos desmandos do rei francês.
Os principais historiadores da Igreja afirmam que, sem o terrível atentado a Bonifácio VIII em Anagni, em 1303, não haveria Avignon, o que nos parece acertadíssimo, na medida em que Avignon é a ratificação formal da tentativa de pôr o poder espiritual a serviço do político, o que só não acontecera antes graças à força extraordinária de Bonifácio VIII. Seja como for, o fato é que Benedito XI, sucessor de Bonifácio VIII, após ceder a pressões de Felipe, o Belo, estabeleceu-se em Perugia, onde o surpreendeu a morte, e naquela cidade italiana houve o conclave que elegeu Bertrand de Got (Clemente V), homem hábil e ávido por riquezas, segundo Villoslada, e que, de acordo com o famoso cronista Villani, se encontrou secretamente com Felipe, o Belo, em maio de 1305, pouco antes de ser eleito Papa, ocasião em que teria sido prometida a vitória a Bertrand (com tráfico de influência política entre os cardeais)sob as seguintes condições:
a) que o novo Papa absolvesse o rei da França e seus asseclas das punições que sobre eles pesavam desde Bonifácio VIII (entre elas a excomunhão);
b) que ele concedesse, por cinco anos, todos os dízimos à França;
c) que fossem restituídas aos excomungados Colonnas todas as suas dignidades cardinalícias;
d) que o Papa de alguma forma condenasse a memória de Bonifácio VIII.
Se a história é ou não verídica,[2] o fato é que, com Clemente V (primeiro Papa a estabelecer-se em Avignon), se inaugura uma época de submissão do poder espiritual ao político— durante um período de cerca de 70 anos que, entre outras calamidades, facilitou grandemente o primeiro grande cisma do Ocidente. Nessa ocasião, a autoridade espiritual e política da Santa Sé diminuiu consideravelmente, prenunciando a ruptura da unidade cristã entre os povos. Diz Villoslada que, quando os Pontífices abandonaram o grande centro espiritual (Roma), o mundo cristão experimentou em seu corpo uma espécie de deslocamento anômalo dos seus mais importantes membros. De um lado, o cabeça visível da Igreja, em Avignon; de outro, os sepulcros de Pedro e Paulo, as basílicas, os grandes monumentos e símbolos da Cristandade, etc.;
Ø Intromissão do poder político na Igreja, a começar com a concessão de Clemente V a Felipe, o Belo, de dar ao rei, durante cinco anos, todos os dízimos das igrejas da França, conforme denunciado pelo cronista Villani. Os exemplos históricos são abundantes.
Ø Exacerbação nacionalista, proveniente da perda do sentido transnacional de unidade cristã, dado o enfraquecimento de Roma. A propósito, serão exatamente os pruridos nacionalistas o grande motor do cisma do Ocidente. Nesse período, o poeta Petrarca é o talentoso retórico que ataca a Igreja (a "Sodoma de Avignon"), com versos satíricos que tinham por objetivo atingir, também, aos franceses. Diz Villoslada que a antítese Roma-Avignon ampliou o antagonismo entre Itália e França;
Ø Absolutismo monárquico, pois, na medida em que o poder político, cada vez mais laico, se vai tornando independente da Igreja, acaba absolutizando-se para justificar-se socialmente.
Ø Tendência laicizante na política. Ao lado das figuras eclesiásticas que até então tinham total predominância, como reitoras da sociedade, surgem as pessoas civis, sobretudo advogados, legisladores, poetas e filósofos humanistas, que proporão cada vez mais uma independência do Estado em relação à Igreja, perdendo-se crescentemente o vínculo que orientava aquele a esta.
Ø Descrédito da escolástica como método científico-filosófico, com o novo apelo à retórica clássica e a um modusde filosofar subjetivo e personalista. Estamos aqui na ante-sala da filosofia moderna, com sua terminologia equívoca, com sua visão reducionista, suas imprecisões terminológicas e sua desmedida ambição de pôr abaixo tudo o que, até então, havia sido construído no amplo edifício teorético da filosofia ocidental;
Ø Perda da ordenação da filosofia à teologia, já proposta claramente por Duns Scot e levada às últimas conseqüências por teólogos e filósofos que seguiram a sua linha.
Estes e outros fatores contribuíram enormemente para a perda da influência doutrinária e moral da Igreja e impulsionaram asecularização da cultura, assim como o individualismo que, séculos depois, culminará na revolta não apenas contra a autoridade da Igreja, mas contra toda e qualquer autoridade constituída. Na vida religiosa, por exemplo, começa-se a estimular uma relação direta do homem com Deus, sem o intermédio dos sacramentos e do Magistério da Igreja, e tal devoção individualista acabará trazendo malefícios até mesmo para a liturgia. Em poucos séculos, essas tendências culminarão na terrível revolução luterana a que historicamente chamamos Reforma.
Também vale mencionar a ruína do feudalismo, na medida em que, na nova configuração política, os antigos senhores feudais, para conseguir o favor de reis arrogantes, senhores absolutos do céu e da terra que se identificam pessoalmente com o Estado, transformam-se em aduladores cortesãos e passam do campo às cidades. A nobreza abandona os castelos e as vastas posses agrárias para participar do crescente comércio que surge nos grandes centros urbanos; daí começam a surgir os ricos mercadores e banqueiros que prepararão os tempos vindouros do capitalismo.
Neste ponto, estamos de acordo com Burckhardt, quando contrapõeo cristianismo da Idade Média ao quase paganismo do Renascimento; as firmes crenças religiosas do período anterior ao ceticismo cada vez mais predominante na idade nova; a teologia escolástica às humanidades clássicas; o sentido de transcendência ao de imanência; o ascetismo e o monaquismo à alegria descompromissada e mundana do humanismo.
(continua).
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1- Cfme. Santo Tomás, De Veritate, Q. 14, art. 12, resp. "Unde non tenentur omnes explicite credere omnia quae sunt fidei, sed sollum illi qui eruditores fidei instituuntur".
2- Villoslada diz que a história não é verídica, mas em favor de Villani está o fato de que o Papa concedeu quase todas as imposições de Felipe, o Belo.
DOCUMENTO DA TFP QUE A HISTÓRIA CONFIRMOU
DOCUMENTO DA TFP QUE A HISTÓRIA CONFIRMOU
Neste mês recordamos também outro aniversário marcante:
25 anos da publicação do documento A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas – Para a TFP: omitir-se ou resistir?
Tal documento e as circunstâncias em que ele veio a lume são referidos na obra, já editada em cinco idiomas, do catedrático italiano, Prof. Roberto de Mattei, O Cruzado do século XX – Plinio Corrêa de Oliveira.
Do capítulo VI desse livro transcrevemos abaixo o item 9 – "A 'Resistência' à Ostpolitik vaticana".
A transcrição constitui síntese fidedigna do contexto histórico no qual se deu aquela célebre atitude da TFP brasileira, assumida pelas TFPs e entidades afins então existentes nas Américas e na Europa.
* * *
"A Ostpolitik vaticana teve numerosos críticos em todo o mundo, a começar por aqueles que deveriam ter sido os seus beneficiários e que declararam ser, pelo contrário, as suas vítimas: os cristãos do Leste europeu. Mas a manifestação de discordância pública mais relevante no campo católico foi, indiscutivelmente, a histórica Declaração de Resistência publicada em 1974 em 36 jornais de diversos países, pelas TFPs então existentes nos continentes europeu e americano. O autor e primeiro signatário da histórica declaração foi Plinio Corrêa de Oliveira.
"Em 1972, a 'distensão' tinha recebido um extraordinário impulso com as viagens de Nixon à China e à Rússia(1). O objetivo da política desenvolvida em escala mundial pelo presidente americano e pelo seu Secretário de Estado Henry Kissinger era idêntico ao da política que Willy Brandt, chanceler socialista da Alemanha, desenvolvia em escala européia: a idéia de uma 'convergência' entre o bloco ocidental e o comunista. O único resultado desta política de colaboração, fundada sobre o eixo privilegiado Washington-Moscou, foi o de adiar por vinte anos, graças às ajudas econômicas, o inevitável desmoronamento do império comunista, enquanto a agressividade soviética continuava a crescer na mesma proporção em que aumentavam os subsídios mandados pelo Ocidente.
Cardeal Mindszenty, herói da resistência anticomunista
O Cardeal Josef Mindszenty recebe mensagem de admiração e homenagem das TFPs, a ele entregue em Viena pelo enviado especial das entidades, Dr. Martim Afonso Xavier da Silveira, em 15-3-1974 |
"'No panorama de devastação geral – escreveu Plinio Corrêa de Oliveira – o Cardeal Mindszenty tem-se erguido como o grande inconformado, o criador do grande caso internacional, de uma recusa inquebrantável, que salva a honra da Igreja e do gênero humano. O seu exemplo – com o prestígio da púrpura romana intacta nos ombros robustos de pastor valente e abnegado – mostrou aos católicos que não lhes é lícito acompanhar as multidões que vão dobrando o joelho ante Belial"(4).
Os fatos
"Poucos dias depois, em 10 de abril de 1974, a Folha de São Paulo publicava, como matéria paga, uma ampla declaração da TFP brasileira com o título 'A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas – Para a TFP: omitir-se ou resistir?'.
"No mesmo ano, por ocasião de uma viagem a Cuba, Mons. Casaroli tinha afirmado que 'os católicos que vivem em Cuba estão felizes sob o regime comunista' e que 'os católicos e, em geral, o povo cubano, não têm a menor dificuldade com o governo socialista'(5). Este episódio é recordado na declaração da TFP, ao lado de outros não menos significativos: a viagem à Rússia em 1971, feita por Mons. Willebrands, Presidente do Secretariado para a União dos Cristãos, a fim de encontrar-se com o bispo 'ortodoxo' Pimen, homem de confiança do Kremlin, e o apoio do Cardeal Raúl Silva Henríquez, Arcebispo de Santiago do Chile, ao líder marxista Salvador Allende.
Cessar a luta, ou explicar a posição?
"Perante tais fatos, Plinio Corrêa de Oliveira, em nome da TFP, escrevia com linguagem respeitosa mas, ao mesmo tempo, firme:
"'A diplomacia de distensão do Vaticano com os governos comunistas cria, entretanto, para os católicos anticomunistas, uma situação que os afeta a fundo, muito menos enquanto anticomunistas do que enquanto católicos. Pois a todo o momento se lhes pode fazer uma objeção supremamente embaraçosa: a ação anticomunista que efetuam não conduz a um resultado precisamente oposto ao desejado pelo Vigário de Jesus Cristo? E como se pode compreender um católico coerente, cuja atuação ruma em direção oposta à do Pastor dos Pastores? Tal pergunta traz como conseqüência, para todos os católicos anticomunistas, uma alternativa: cessar a luta, ou explicar a sua posição.
"'Cessar a luta não podemos. E é por imperativo da nossa consciência de católicos que não o podemos. Pois se é dever de qualquer católico promover o bem e combater o mal, a nossa consciência impõe-nos que difundamos a doutrina tradicional da Igreja, e combatamos a doutrina comunista. (...) a Igreja não é, a Igreja nunca foi, a Igreja jamais será tal cárcere para as consciências. O vínculo da obediência ao sucessor de Pedro, que jamais romperemos, que amamos com o mais profundo da nossa alma, ao qual tributamos o melhor do nosso amor, esse vínculo nós o osculamos no momento mesmo em que, triturados pela dor, afirmamos a nossa posição. E de joelhos, fitando com veneração a figura de Sua Santidade o Papa Paulo VI, manifestamos-lhe toda a nossa fidelidade.
"'Neste ato filial, dizemos ao Pastor dos Pastores: A nossa alma é vossa, a nossa vida é Vossa. Mandai-nos o que quiserdes. Só não nos mandeis que cruzemos os braços diante do lobo vermelho que investe. A isso se opõe a nossa consciência'" .(6)
A solução: atitude do Apóstolo São Paulo
São Paulo Apóstolo - Mosaico da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, Roma |
"Esta legítima 'desobediência' a uma ordem de si injusta em matéria de fé e moral pode estender-se, em casos particulares, até à resistência mesmo pública à autoridade eclesiástica. Arnaldo V. Xavier da Silveira, num estudo dedicado à Resistência pública às decisões da autoridade eclesiástica(8), provou bem esta tese, transcrevendo citações de Santos, Doutores da Igreja e ilustres teólogos, os quais demonstram que – em caso de 'perigo iminente para a fé'(9) (São Tomás de Aquino) ou de 'agressão às almas'(10) (São Roberto Bellarmino) no campo doutrinário – é legítimo, por parte dos fiéis, o direito à resistência, até mesmo pública, à autoridade eclesiástica.
"Donde a liceidade de uma atitude de 'resistência': 'Uma resistência que não é separação, não é revolta, não é acrimônia, não é irreverência. Pelo contrário, é fidelidade, é união, é amor, é submissão'(11). Apoiando-se na atitude de São Paulo que 'resistiu em face' a São Pedro,(12) Plinio Corrêa de Oliveira escrevia: 'No sentido em que São Paulo resistiu, o nosso estado é um ato de resistência'(13). Esta declaração de resistência foi publicamente assumida por todas as Associações de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, e entidades afins então existentes nas Américas e Europa.
"Vinte anos depois do Concílio, a 'Instrução sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação', da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé(14), que definia o marxismo como 'uma vergonha do nosso tempo', parecia vir dar razão à declaração de 'resistência' da TFP e dos católicos anticomunistas de todo o mundo à Ostpolitik(15). (O Cruzado do século XX, Roberto de Mattei, Livraria Civilização Editora, Porto, 1997, pp. 294 - 300).
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Nota da Redação: O título e os intertítulos do texto são da Redação.
(1) Segundo Plinio Corrêa de Oliveira, "pode-se afirmar sem exagero o seguinte: desde a bolchevização da Rússia, o comunismo não teve vitória igual. Até mesmo as conquistas catastróficas que a moleza (chamemo-la assim) de Roosevelt proporcionara ao comunismo em Yalta, não igual em nocividade os resultados difusos mas profundos da 'quebra das barreiras ideológicas'operada pela dupla Nixon- Kissinger" (A crise louca, in "Folha de São Paulo", 18 de agosto de 1974).
(2) Segundo Plinio Corrêa de Oliveira, "pode-se afirmar sem exagero o seguinte: desde a bolchevização da Rússia, o comunismo não teve vitória igual. Até mesmo as conquistas catastróficas que a moleza (chamemo-la assim) de Roosevelt proporcionara ao comunismo em Yalta, não igual em nocividade os resultados difusos mas profundos da 'quebra das barreiras ideológicas'operada pela dupla Nixon- Kissinger" (A crise louca, in "Folha de São Paulo", 18 de agosto de 1974).
(3)Segundo Plinio Corrêa de Oliveira, "pode-se afirmar sem exagero o seguinte: desde a bolchevização da Rússia, o comunismo não teve vitória igual. Até mesmo as conquistas catastróficas que a moleza (chamemo-la assim) de Roosevelt proporcionara ao comunismo em Yalta, não igual em nocividade os resultados difusos mas profundos da 'quebra das barreiras ideológicas'operada pela dupla Nixon- Kissinger" (A crise louca, in "Folha de São Paulo", 18 de agosto de 1974).
(4) Segundo Plinio Corrêa de Oliveira, "pode-se afirmar sem exagero o seguinte: desde a bolchevização da Rússia, o comunismo não teve vitória igual. Até mesmo as conquistas catastróficas que a moleza (chamemo-la assim) de Roosevelt proporcionara ao comunismo em Yalta, não igual em nocividade os resultados difusos mas profundos da 'quebra das barreiras ideológicas'operada pela dupla Nixon- Kissinger" (A crise louca, in "Folha de São Paulo", 18 de agosto de 1974).
(5) Segundo Plinio Corrêa de Oliveira, "pode-se afirmar sem exagero o seguinte: desde a bolchevização da Rússia, o comunismo não teve vitória igual. Até mesmo as conquistas catastróficas que a moleza (chamemo-la assim) de Roosevelt proporcionara ao comunismo em Yalta, não igual em nocividade os resultados difusos mas profundos da 'quebra das barreiras ideológicas'operada pela dupla Nixon- Kissinger" (A crise louca, in "Folha de São Paulo", 18 de agosto de 1974).
(6) Plinio Corrêa de Oliveira, A Política de distensão do Vaticano..., in Catolicismo nº 280 (abril de 1974). Publicado também em 36 jornais brasileiros e depois reproduzido em 73 órgãos de imprensa, entre jornais e revistas de 11 países, sem receber a mínima objeção a respeito da sua ortodoxia e da sua correção canônica.
(7) D. Gregorio Manise, O.S.B., verbete "Obbedienza", in DTM, p. 1115.
(8) Arnaldo Xavier da Silveira, La nouvelle messe de Paul VI: qu'en penser?, Diffusion de la Pensée Française, Chiré-en-Montreuil, 1975, pp. 319-334.
(9) Segundo São Tomás de Aquino, existe o direito de resistir publicamente, em determinadas circunstâncias, a uma decisão do Romano Pontífice. Afirma a propósito o Doutor Angélico: "Existindo um perigo próximo para a fé, os Prelados devem ser repreendidos, até publicamente, por parte dos seus súditos. Assim São Paulo, que era súdito de São Pedro, repreendeu-o publicamente, em razão de um perigo iminente de escândalo em matéria de fé. E, como diz o comentário de Santo Agostinho, 'o próprio São Pedro deu o exemplo aos que governam, a fim de que estes, afastando-se alguma vez do bom caminho, não recusem como indevida uma correção mesmo vinda dos seus próprios súditos'" (Gal. 2, 14)"(Summa Theológica, II-II, 33, 4, 2).
(10) Um outro grande teólogo, o Cardeal jesuíta São Roberto Bellarmino, campeão dos direitos do Papado na luta contra o protestantismo, afirma: "Assim como é lícito resistir ao Pontífice que agride o corpo, da mesma forma é lícito resistir àquele que agride as almas, ou que perturba a ordem civil ou, sobretudo, àquele que tentasse destruir a Igreja. Digo que é lícito resistir-lhe deixando de fazer aquilo que ordena e impedindo a execução da sua vontade; mas não é lícito julgá-lo, puni-lo e depô-lo, porque estes atos são próprios de um superior"(De Romano Pontefice, II, 29).
(11) Plinio Corrêa de Oliveira, A política de distensão do Vaticano, cit.
(13) Plinio Corrêa de Oliveira, A política de distensão do Vaticano, cit.
(14) Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução Libertatis nuntius, cit.
(15) A declaração foi saudada por Plinio Corrêa de Oliveira como "jato de água fresca e benfazeja lançada por uma mangueira de bombeiro". "Para quem se afligia diante desse espetáculo, por enquanto trágico, mas que dentro em breve pode transformar-se em apocalíptico – comentou Plinio Corrêa de Oliveira – ver que um órgão como a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé afirma, preto sobre o branco, a incompatibilidade da doutrina católica com o marxismo é algo de análogo a que alguém, dentro de um incêndio, sinta chegar a si, inopinadamente, o jato de água fresca e benfazeja de uma mangueira de bombeiros.
"A mim que, como presidente do Conselho Nacional da TFP brasileira, fui o primeiro signatário da Declaração de Resistência à Ostpolitik vaticana, incumbe o dever de justiça de manifestar aqui a alegria, a gratidão e sobretudo a esperança que sinto, dentro do incêndio, com a chegada desse alívio.
"Sei que irmãos de Fé extrínsecos aos arraiais da TFP, sobretudo fora do Brasil, se abstêm de externar análogos sentimentos, notadamente porque julgam que uma só mangueira é insuficiente para apagar todo um incêndio.
"Também julgo que uma só mangueira não apaga um incêndio. Mas isto não impede de saudá-la como um benefício, tanto mais quanto não tenho prova de que ficaremos só com essa mangueira. Não foi inesperada a 'Instrução' do Cardeal Ratzinger? Um passo inesperado não convida a esperar outros na mesma linha, também mais ou menos inesperados?" (Plinio Corrêa de Oliveira, "Un primo ostacolo agli errori diffusi dalla teologia della liberazione", in Cristianità,Piacenza, nº 117, janeiro 1985.
União amiga entre o Trono e o Altar
Discurso pronunciado por D. Antônio Macedo Costa, companheiro de D. Vital, e com ele preso por ordem do gabinete chefiado pelo Visconde do Rio Branco. Anos depois, em 28 de setembro de 1888,em homenagem a Princesa Isabel, por ocasião da entrega da Rosa de Ouro, oferecida à princesa pelo Papa Leão XIII, D. Antônio pronuncia famoso discurso, no qual se destaca esse trecho, verdadeiro programa para o novo reinado.
Decreto de ereção canônica da comunidade Redentoristas Transalpinos


A comunidade Papa Stronsay conhecidos como Filhos do Santíssimo Redentor foi fundada em 2 de agosto de 1988 residentes na Ilha de Sheppey na Inglaterra. Em 1994 eles se mudaram para Joinville na França e de lá, em 1999 veio a sua localização atual na Ilha de Papa Stronsay no arquipélago das Ilhas Orkney.
Dado neste dia 15 de agosto no ano de Nosso Senhor 2012
Felipe Aquino é contra a pena de morte; Lutero também era.
Via Fratres in Unum.
Segundo o senhor Felipe Aquino, a ‹‹Igreja, na prática, é contra a pena de morte ›› ; justifica-se o douto Professor: ‹‹ como S. Tomás de Aquino a aceitava, em casos raros, na Idade Média, a Igreja não fechou a porta definitivamente para a possibilidade dela ser usada em um caso extremo ›› . Por fim, conclui que hoje tornou-se ‹‹ claro que a Igreja Católica é contra a pena de morte ›› .
‹‹ É contra o desejo do Espírito Santo que heréticos sejam queimados. ››Felipe Aquino – 20 jan 09 às 11:22O Vaticano reitera rejeição à pena de morte após execução de Saddam Hussein
VATICANO, 2006-12-30 (ACI).- A Santa Sé reagiu ao anúncio da aplicação da pena capital ao ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, mediante um comunicado do Diretor da Sala de Imprensa, Pe. Federico Lombardi, S.J., que reiterou a posição da Igreja contra a pena de morte e auspiciou o início de um tempo de reconciliação e paz para o país. ?
"Uma execução capital é sempre uma notícia trágica, motivo de tristeza, inclusive quando este foi culpado de graves delitos", diz a nota do Pe. Lombardi.
"A posição da Igreja católica, contrária à pena de morte, foi várias vezes reiterada".
"A morte do culpado não é o caminho para reconstruir a Justiça e reconciliar à sociedade. Existe, pelo contrário, o perigo de que isto alimente o desejo de vingança e se semeie nova violência", adiciona.
"Neste tempo escuro da vida do povo iraquiano não pode senão auspiciar-se que todos os responsáveis façam verdadeiramente todo esforço para que nesta situação dramática se abram finalmente caminhos de reconciliação e de paz"; conclui.
Hussein morreu na sábado em Bagdá pouco antes das 6h. -hora local-, executado na forca, conforme informou a televisão iraquianao.
O ex-ditador de 69 anos foi conduzido ao lugar da execução com um Corã entre as mãos algemadas e a cena foi filmada e fotografada.
A execução se realizou antes do esperado pela imprensa para antecipar-se à Festa do Cordeiro muçulmano, na qual se realiza a peregrinação anual a Meca; já que a atual lei iraquiana proibe que se execute a um muçulmano durante uma festividade islâmica.
Condições necessárias para que uma definição do Papa tenha caráter de dogma, sentença infalível:1. É necessário que ele fale "ex-cathedra", isto é, de maneira decisiva, como Pastor e Mestre dos cristãos, e não apenas de modo particular. Ele não é obrigado a consultar algum Concílio e ninguém, embora possa fazê-lo, e quase sempre o faz.2. A matéria a ser definida se refira apenas à fé e à moral; isto é, se relacione com a crença e o comportamento dos cristãos.3. Que o Sumo Pontífice queira proferir uma sentença definitória e definitiva, irrevogável, imutável, sobre o assunto em questão.
‹‹ Em 1520, através da Bula "Exsurge Domine", o Papa Leão X condenou 41 proposições de Lutero como heréticas ››
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