Um sacerdote que se conscientize daquilo que faz, conformando a própria existência a Cristo, vence o mundo!

“Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem o Pai ungiu com o Espírito Santo, e revestiu de poder, te guarde para a santificação do povo fiel e para oferecer a Deus o santo sacrifício”; “Recebe a oferenda do povo para apresentá-la a Deus. Toma consciência do que fazes e põe em prática o que vais celebrar, conformando tua vida ao ministério da cruz do Senhor”.
Pontificale Romanum. De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum, editio typica altera , Typis Polyglottis Vaticanis 1990


Cidade do Vaticano, 27 de março de 2010.
 
Caríssimos irmãos no Sacerdócio
 
Nestes dias pascais reviveremos o Mistério da nossa Redenção, faremos os gestos e pronunciaremos as palavras que se encontram verdadeiramente no coração da nossa existência sacerdotal. Na Sexta-feira Santa reviveremos o gesto humilde e profético da prostração, idêntico àquele vivido no dia da nossa Ordenação. No Tríduo Pascal teremos a ocasião de acolher os renovados dons da graça, implorando à Providência Divina os frutos abundantes para nós e para a Salvação do mundo.
 
Tal como nos recorda a fórmula da unção com o óleo do crisma, somos revestidos com o mesmo poder de Cristo, com a potestas que o Pai consagrou no Espírito Santo o Seu único Filho, e que nos foi dada com o explícito fim de santificar o Seu povo e de oferecer o Sacrifício Eucarístico. Qualquer outra utilização do poder sacramental recebido com a Ordenação é ilegítimo e perigoso, seja para a nossa salvação pessoal, seja para o próprio bem da Igreja.
 
Não  é por acaso que o rito, consciente da desproporção absoluta entre a grandiosidade do Mistério e a pequenez do homem, afirma: “Toma consciência do que fazes”. Nunca poderemos, totalmente, ter consciência do grande Mistério que foi posto em nossas mãos, no entanto, somos chamados a uma contínua tensão para a perfeição moral, para viver “o Mistério que foi posto em nossas mãos” e sermos “imitadores de Cristo”.
 
Esta é a extraordinária e irredutível novidade quotidiana do Sacerdócio: o Mistério que se põe em nossas mãos! O Senhor do tempo e da história, Aquele fez todas as coisas, do Qual viemos e para o Qual vamos, o Autor da vida faz algumas das suas pobres criaturas participantes do próprio poder salvífico, entregando-se totalmente em nossas mãos como um Cordeiro imolado. Que tal entrega nunca seja traída! Mantenha-se firme em nós a certeza do abraço de predileção que o Senhor nos deu e nos faça, sobretudo no tempo de provação, renovar o nosso “sim”: um “sim” consciente dos próprios limites, mas não por eles bloqueado; um “sim” livre de todo complexo de inferioridade; um “sim” consciente da história, mas não por ela intimidado; um “sim” que – como aquele pronunciado pela Beata Virgem Maria, na Casa de Nazaré – perdurou no tempo, tornando-se atual nos Santos e no hoje da nossa existência.
 
Um sacerdote que se conscientize daquilo que faz, conformando a própria existência a Cristo, vence o mundo! E tal vitória é o verdadeiro “documento” da Ressurreição de Cristo.
 
Mauro Piacenza
 
Arcebispo tit. de Victoriana
Secretário

Especial Adolph Tanquerey para sacerdotes

LAVS DEO!
O nosso blog, A VIDA SACERDOTAL, recolhe as postagens do maravilhoso Compêndio de Teologia Ascética e Mística de Adolph Tanquerey acerca da perfeição requerida para o Ministro do SANTO dos santos. Confira no link abaixo:



Em breve, teremos a coleção de textos dos Padres R. Garrigou-Lagrange e Antonio Royo Marín!
Salve MARIA!

As relações entre fé e razão (II)

Sidney Silveira
(continuação)

c) Com relação ao domínio da fé

Como corolário das duas confusões anteriores está a perda da visão de qual seja o verdadeiro domínio da fé. Sim, pois se a fé e a ciência se reduzem a uma mesma origem (o saber humano), e se os conceitos de cada uma se identificam na raiz — na exata medida em que a razão passa a atribuir-se a possibilidade de provar a fé —, obviamente a fé sai de sua fonte sobrenatural e, por assim dizer, se naturaliza.

Na imensa maioria dos casos, tal naturalismo acaba colocando a fé num mesmo plano do conhecimento “científico”, o que é absurdo. Soube eu de um teólogo brasileiro, por exemplo, para quem o mar vermelho se abriu graças a um fenômeno natural — o que é muito mais difícil de crer. Ou seja: no exato instante em que Moisés rogou a Deus, um fenômeno natural (não explicado) dividiu as águas para o povo hebreu passar, fenômeno esse interrompido exatamente na hora em que os egípcios passavam. Papa-léguas!! E as teorias loucas se multiplicam.

Vale dizer que isto não é prerrogativa do nosso tempo. Já na Idade Média, vários erros decorrentes da má-resolução dada ao problema das relações entre fé e razão grassavam, com a diferença específica de que, então, o Magistério se pronunciava solenemente, condenando as heresias e chamando os fautores do erro ao arrependimento e à retratação ou, então, impondo-lhes o silêncio com relação às suas doutrinas — caso não quisessem ser excomungados.

A título de exemplo, vejamos algumas dessas heresias conseqüentes à confusão entre fé e razão, com as quais, a propósito, Santo Tomás teve brilhantemente de se confrontar:

1- Negação da Trindade;
2- necessitarismo da ação de Deus na criação do mundo;
3- eternidade do mundo;
4- negação do primeiro homem;
5- negação da potencialidade na atividade dos anjos;
6- negação da Providência divina em relação a cada coisa do mundo;
7- proposição de um único intelecto possível para todos os homens;
8- pluralidade das formas substanciais no homem individual;
9- influxo necessário e determinante dos astros sobre as potências superiores da alma humana (inteligência e vontade);
10- tese de que o homem conhece as coisas particulares por iluminação divina, e não por abstração de suas qüididades materiais, etc.

Todas essas opiniões, direta ou indiretamente, partem da confusão acerca de quais sejam os objetos da fé e os da razão, e os limites e direitos de cada uma.

Assim, se Maria é sempre Virgem, se Adão foi o primeiro homem, se Deus criou o mundo e todas as espécies de animais ex nihilo, se Maria disse “sim” ao Anjo da Anunciação, se o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, etc., são verdades de fé que não cabe à razão provar, embora a ciência teológica possa extrair alguns corolários dessas verdades, com o auxílio luxuoso da filosofia, ancilla theologiæ.

Veremos, no próximo texto, a posição de Santo Tomás no tocante a este tema de importância capital, a partir das distinções entre fé e razão e entre teologia e filosofia, que em sua teoria são complementares. E veremos também que o Aquinate jamais admite o Credo ut intelligam anselmiano como se representasse uma transformação do conteúdo da fé em algo científico.

Deixemos consignados, desde logo, que de acordo com o Doutor Comum há as seguintes distinções:

a) Quanto ao objeto material: a razão parte do visum, e a fé, do non visum (explicaremos a ambos);
b) Com relação ao objeto formal: a razão parte de evidências, e a fé da autoridade divina;
c) Com relação a seus efeitos: a razão anui às conclusões por uma espécie de necessidade intrínseca, graças às conclusões que a ela se impõem a partir de princípios e evidências, e a fé chega a suas conclusões livremente, pois não parte de nenhuma evidência, não obstante tenha a ser favor os elementos de credibilidade.

Baixe livros do Padre Jean Nicolas Grou

Os livros são de 1831, portanto, um espanhol bem difícil de ler, mas vale a pena!
Baixe nestes links abaixo:

Abbé Jean Nicolas Grou



SALVE MARIA!

Estudos sobre A VIDA ESPIRITUAL em vídeo conferência

LAVS DEO!


Neste sábado, 06/03/2010, iniciamos os estudos sobre a VIDA ESPIRITUAL em vídeo conferência no site www.dimdim.com .

Sáb 6/3
Estudamos sobre a VIDA ESPIRITUAL.
Autores consultados: Antonio Royo Marín, Reginald Garrigou-Lagrange, Adolph Tanquerey.

Tema estudado neste sábado:
- Em que consiste a santidade, sua obrigação;
- A diferença da santidade Revelada por DEUS e a que é proposta por Lutero;
- A razão de tantos fracassos na ordem natural;

No próximo sábado 13/03, no mesmo horário das 15h às 16h, estudaremos a razão dos fracassos na ordem sobrenatural.

Entre para o nosso grupo de estudos aqui.

Abraço a todos!

*Ainda não entendi como se utiliza a permissão. Sempre selecionava "accept"... Se alguém não pode entrar, desculpem-me. 

Catequese do Papa: São Boaventura, o teólogo de Cristo

Intervenção na audiência geral de hoje

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 3 de março de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Sala Paulo VI para a audiência geral.

***
Queridos irmãos e irmãs:

Hoje, eu gostaria de falar de São Boaventura de Bagnoregio. Confesso que, ao propor-vos este tema, sinto certa nostalgia, porque me lembro das pesquisas, que fiz, como jovem estudante, precisamente sobre este autor, particularmente querido para mim. Seu conhecimento incidiu muito em minha formação. Com muita alegria, há poucos meses, peregrinei ao lugar do seu nascimento, Bagnoregio, uma pequena cidade italiana, no Lácio, que custodia com veneração sua memória.


Nascido provavelmente em 1217 e falecido em 1274, ele viveu no século XIII, uma época em que a fé cristã, penetrada profundamente na cultura e na sociedade da Europa, inspirou obras imperecíveis no campo da literatura, das artes visuais, da filosofia e da teologia. Entre as grandes figuras cristãs que contribuíram para a composição desta harmonia entre fé e cultura, destaca-se precisamente Boaventura, homem de ação e de contemplação, de profunda piedade e de prudência no governo.


Ele se chamava Giovanni da Fidanza. Um episódio que ocorreu quando ele ainda era menino marcou profundamente sua vida, como ele mesmo relata. Ele tinha contraído uma grave doença e nem sequer seu pai, que era médico, esperava salvá-lo da morte. Sua mãe, então, recorreu à intercessão de São Francisco de Assis, canonizado há pouco. E Giovanni foi curado. A figura do Pobrezinho de Assis se tornou ainda mais familiar para ele alguns anos depois, quando se encontrava em Paris, por razões de estudo. Havia obtido o diploma de Professor de Artes, que poderíamos comparar ao de um prestigioso Liceu da nossa época. Nesse ponto, como tantos jovens do passado e também de hoje, Giovanni se fez uma pergunta crucial: “O que vou fazer com a minha vida?”.


Fascinado pelo testemunho de fervor e radicalidade evangélica dos Frades Menores, que haviam chegado a Paris em 1219, Giovanni bateu à porta do convento franciscano dessa cidade e pediu para ser acolhido na grande família dos discípulos de São Francisco.


Muitos anos depois, explicou as razões da sua escolha: em São Francisco e no movimento iniciado por ele, reconheceu a ação de Cristo. De fato, escreveu em uma carta dirigida a outro religioso: “Confesso diante de Deus que a razão que me fez amar mais a vida do beato Francisco é que se parece com o início e com o crescimento da Igreja. A Igreja começou com simples pescadores e se enriqueceu imediatamente com doutores muito ilustres e sábios; a religião do beato Francisco não foi estabelecida pela prudência dos homens, mas por Cristo(Epistula de tribus quaestionibus ad magistrum innominatum, em Opere di San Bonaventura. Introduzione generale, Roma 1990, p. 29).


Portanto, por volta de 1243, Giovanni vestiu o hábito franciscano e assumiu o nome de Boaventura. Foi imediatamente dirigido aos estudos e frequentou a Faculdade de Teologia da Universidade de Paris, seguindo um conjunto de cursos muito difíceis. Recebeu os diversos títulos requeridos pela carreira acadêmica, os de “bacharel bíblico” e o de “bacharel sentenciário”. Assim, Boaventura estudou profundamente a Sagrada Escritura, as Sentenças de Pietro Lombardo, o manual de teologia daquela época e os mais importantes autores de teologia; e, em contato com os professores e estudantes que chegavam a Paris de toda a Europa, amadureceu sua própria reflexão pessoal e uma sensibilidade espiritual de grande valor que, no decorrer dos seguintes anos, ele soube mostrar em suas obras e sermões, convertendo-se, assim, em um dos teólogos mais importantes da história da Igreja. É significativo recordar o título da tese que ele defendeu para recebera habilitação no ensino da teologia, a licentia ubique docendi, como se dizia na época. Sua dissertação intitulava-se “Questões sobre o conhecimento de Cristo”. Este tema mostra o papel central que Cristo teve sempre na vida e nos ensinamentos de Boaventura. Podemos dizer sem hesitar que todo o seu pensamento foi profundamente cristocêntrico.


Naqueles anos, em Paris, a cidade adotiva de Boaventura, começou uma violenta polêmica contra os Frades Menores de São Francisco de Assis e os Frades Pregadores de São Domingos de Gusmão. Discutia-se seu direito de lecionar na Universidade e se duvidava inclusive da autenticidade da sua vida consagrada. Certamente, as mudanças introduzidas pelas Ordens Mendicantes na forma de entender a vida religiosa, das quais falei nas catequeses anteriores, eram tão inovadoras que nem todos chegavam a compreendê-las. Acrescentavam-se também, como às vezes acontece entre pessoas sinceramente religiosas, motivos de fraqueza humana, como a inveja e o ciúme.


Boaventura, ainda que cercado pela oposição dos demais professores universitários, já havia começado a lecionar na cátedra de teologia dos Franciscanos e, para responder àqueles que criticavam as Ordens Mendicantes, compôs um escrito intitulado “A perfeição evangélica”. Nele, demonstra como as Ordens Mendicantes, especialmente os Frades Menores, praticando os votos de pobreza, castidade e obediência, seguiam os conselhos do próprio Evangelho. Muito além destas circunstâncias históricas, o ensinamento proporcionado por Boaventura nesta obra e em sua vida permanece sempre atual: A Igreja se torna luminosa e bela pela fidelidade à vocação desses filhos seus e dessas filhas suas que não somente colocam em prática os preceitos evangélicos, mas que, por graça de Deus, estão chamados a observar seus conselhos e, assim, dão testemunho, com seu estilo de vida pobre, casto e obediente, de que o Evangelho é fonte de alegria e de perfeição.


O conflito se apaziguou, pelo menos por certo tempo e, por intervenção pessoal do Papa Alexandre IV, em 1257, Boaventura foi reconhecido oficialmente como doutor e professor da universidade parisiense. Contudo, teve de renunciar a este prestigioso cargo, porque nesse mesmo ano o capítulo geral da ordem o elegeu como ministro geral.


Ele desempenhou este cargo durante 17 anos, com sabedoria e dedicação, visitando as províncias, escrevendo aos irmãos, intervindo às vezes com certa severidade para eliminar os abusos. Quando Boaventura começou este serviço, a Ordem dos Frades Menores havia se desenvolvido de maneira prodigiosa: eram mais de 30 mil os frades dispersos em todo o Ocidente, com presenças missionárias no norte da África, no Oriente Médio e também em Pequim. Era preciso consolidar esta expansão e sobretudo conferir-lhe, em plena fidelidade ao carisma de Francisco, unidade de ação e de espírito.


De fato, entre os seguidores do santo de Assis, registravam-se diversas formas de interpretar sua mensagem e existia realmente o risco de uma fratura interna. Para evitar esse perigo, o capítulo geral da ordem em Narbona, em 1260, aceitou e ratificou um texto proposto por Boaventura, no qual se unificavam as normas que regulavam a vida cotidiana dos Frades Menores. Boaventura intuía, contudo, que as disposições legislativas, ainda inspiradas na sabedoria e na moderação, não eram suficientes para garantir a comunhão do espírito e dos corações. Era necessário compartilhar os mesmos ideais e as mesmas motivações. Por esta razão, Boaventura quis apresentar o autêntico carisma de Francisco, sua vida e seus ensinamentos. Por isso, recolheu com grande zelo documentos relativos ao Pobrezinho e escutou com atenção as lembranças daqueles que haviam conhecido diretamente Francisco. Daí nasceu uma biografia, historicamente bem fundada, do Santo de Assis, intitulada Legenda Maior, redigida também de maneira mais sucinta e chamada, por isso, de Legenda Minor. A palavra latina, ao contrário da italiana (e também do termo em português, “lenda”, N. do T.), não indica um fruto da fantasia, mas, pelo contrário, legenda significa um texto autorizado, a “ser lido” oficialmente. De fato, o capítulo geral dos Frades Menores, em 1263, reunido em Pisa, reconheceu na biografia de São Boaventura o retrato mais fiel do fundador e esta se converteu, assim, na biografia oficial do Santo.


Qual é a imagem de São Francisco que surge do coração e da caneta do seu filho devoto e sucessor, São Boaventura? O ponto essencial: Francisco é um alter Christus, um homem que buscou Cristo apaixonadamente. No amor que conduz à imitação, ele se conformou inteiramente com Ele. Este ideal, válido para todo cristão, ontem, hoje e sempre, foi indicado como programa também para a Igreja do terceiro milênio pelo meu predecessor, o venerável João Paulo II. Este programa, escrevia na carta Tertio Millennio ineunte, centra-se “no próprio Cristo, que temos de conhecer, amar, imitar, para n’Ele viver a vida trinitária e com Ele transformar a história até sua plenitude na Jerusalém celeste” (n. 29).


Em 1273, a vida de São Boaventura teve outra mudança. O Papa Gregório X quis consagrá-lo bispo e nomeá-lo como cardeal. Pediu-lhe também que preparasse um importantíssimo acontecimento eclesial: o II Concílio Ecumênico de Lion, que tinha como objetivo o restabelecimento da comunhão entre a Igreja latina e a grega. Ele se dedicou a esta tarefa com diligência, mas não chegou a ver a conclusão daquela cúpula ecumênica, porque morreu durante sua realização. Um anônimo notário pontifício compôs um elogio a Boaventura, que nos oferece um retrato conclusivo deste grande santo e excelente teólogo: “Homem bom, afável, piedoso e misericordioso, repleto de virtudes, amado por Deus e pelos homens (...). Deus, de fato, havia lhe dado tal graça, que todos aqueles que o viam eram invadidos por um amor que o coração não podia ocultar” (cf. J.G. Bougerol, Bonaventura, en A. Vauchez (vv.aa.), Storia dei santi e della santità cristiana. Vol. VI. L’epoca del rinnovamento evangelico, Milão, 1991, p. 91).

Recolhamos a herança deste santo doutor da Igreja, que nos recorda o sentido da nossa vida com estas palavras: “Na terra, podemos contemplar a imensidão divina através da razão e do assombro; já na pátria celeste – onde seremos semelhantes a Deus –, por meio da visão e do êxtase, entraremos na alegria de Deus” (La conoscenza di Cristo, q. 6, conclusione, em Opere di San Bonaventura. Opuscoli Teologici /1, Roma 1993, p. 187).

[Tradução: Aline Banchieri ©Libreria Editrice Vaticana]

III. Santificación de las relaciones de amistad - Parte II

LAVS DEO!
2º DE LAS AMISTADES FALSAS

De ellas diremos la naturaleza, los daños y los remedios.

600. A) Su naturaleza. a) Falsas amistades son aquellas que están fundadas sobre cualidades sensibles o frívolas, con el fin de gozar de la presencia o de las gracias de la persona amada. En el fondo son una especie de egoísmo disfrazado porque se quiere al amigo por el placer que hallamos en su compañía. Cierto que estamos dispuestos a servirle; pero con la mira del placer que sentimos en allegarnos más a él.

b) S. Francisco de Sales distingue tres clases de amistades: las carnales, cuyo fin es el placer voluptuoso; las sensuales, que gustan principalmente de las cualidades exteriores y sensibles, «como el placer de ver lo hermoso, de oír una voz agradable, de tocar y otros semejantes»[1]; las frívolas, fundadas en ciertas habilidades y gracias vanas que los espíritus débiles tienen por virtudes y perfecciones, como el bailar bien, jugar bien a todos los juegos, vestir bien, cantar bien, ser decidor y de buena presencia.

601. c) Estas amistades comienzan generalmente con la edad de la pubertad; nacen de la necesidad instintiva que sentimos de amar y de ser amados. Muchas veces es cierta desviación del amor sexual: fuera de las comunidades, las amistades éstas nacen entre muchachos y muchachas, y, cuando van demasidado lejos, llámanse enamoramientos[2]. En las comunidades claustradas se dan entre personas del mismo sexo, y se llaman amistades particulares. Duran a veces hasta en edades muy avanzadas, así hombres hechos sienten afición sensible hacia jovencillos de presencia joven y atractiva, de carácter franco, de finos modales.

602. d) Las señales características por las que se conocen las amistades sensibles, se deducen de su origen, su desarrollo y sus efectos.

1) Por lo que toca a su origen, comienzan repentina y fuertemente, porque nacen de una simpatía natural instintiva; fúndanse en dotes exteriores y brillantes, o que, por lo menos, así lo parecen; suelen ir acompañadas de emociones fuertes y apasionadas.

2) En su desarrollo viven de conversaciones a veces sin importancia, pero afectuosas, a veces harto íntimas y peligrosas; de miradas frecuentes, que, en algunas comunidades, valen por conversaciones particulares; de caricias, de apretones de manos, fuertes y expresivos, etc.

3) En cuanto a sus efectos, son asiduas, absorbentes y exclusivas; piénsase que habrán de ser eternas; pero una separación, tras de la cual vengan otras aficiones, pone a ellas un término asaz brusco.

603. B) Los peligros de estas clases de amistades saltan á la vista.

a) Son uno de los mayores obstáculos para el progreso espiritual. Dios, que no quiere corazones a medias, comienza por dirigir interiores reproches, y, si no le damos oídos, se aparta poco a poco del alma, la priva de su luz y de sus consuelos interiores. A medida que las aficiones crecen, se pierde el recogimiento interior, la paz del alma, el gusto de los ejercicios espirituales y del trabajo. b) De aquí vienen las pérdidas considerables de tiempo. el pensamiento se va con harta frecuencia tras del amigo ausente, y es un estorbo para aplicar el espíritu y el corazón a las cosas serias y a la piedad. c) El final de todo esto es disgustarse y desanimarse, móntase la sensibilidad sobre la voluntad, que acaba por ser floja y lánguida.  d) Entonces se presentan los peligros para la pureza. Bien quisieran los tales amigos mantenerse dentro de los límites de la honestidad; pero piensan que la amistad da ciertos derechos, y permítense familiaridades cada vez más sospechosas. La pendiente es muy escurridiza, y quien se expone al peligro, acaba por perecer en él.

604. C) El remedio es combatir esas falsas amistades desde el comienzo, fuertemente y con medios positivos.

a) Desde los comienzos: entonces es más fácil, por no haberse aún aficionado el corazón hondamente; con algunos esfuerzos enérgicos saldremos con ello, sobre todo si tenemos valor para decirlo todo al confesor, y acusarnos de las más menudas faltas. Si dejamos pasar tiempo, será mucho más trabajoso dejar la amistad[3].

b) Mas, para salir bien con ello, es menester aplicar medidas radicales: «Corta, divide, rompe; no te detengas a descoser estas locas amistades, rásgalas; no te desates las ligaduras, rómpelas o córtalas»[4]. Así, pues, no solamente hemos de huir de ir en busca del que así amamos, sino aun de pensar voluntariamente en él; y, si no pudiéremos evitar el encontrarnos con él, le trataremos con urbanidad y caridad, pero sin darle confianza alguna ni muestras especiales de afecto.

c) Para mejor conseguirlo, empléanse medios positivos; procúrese ocupar toda la actividad del alma en el cumplimiento de los deberes del propio estado; y, cuando, a pesar de todo, se viniere al pensamiento el recuerdo del amado, nos valdremos de ello para hacer un acto de amor de Dios, diciendo de esta o parecida manera: «A ti solo, oh Jesús, quiero amar; unus est dilectus meus, unus est sponsus meus in aeternum.» Así nos valdremos de la tentación misma para amar más al único que merece por entero nuestro amor.

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1.Op. cit., c. 17.
2.S. Fr. de Sales, 1. c., cap. 18.
3.Éste es el aviso de Ovidio, en De remediis amoris: 
«Principiis obsta, sero medicina paratur
Cum mala per longas invaluere moras.»
4.Vida devota, c. XXI.

Fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística, Adolph Tanquerey.

III. Santificación de las relaciones de amistad - Parte I

LAVS DEO!

La amistad puede ser un medio de santificación, o un fuerte obstáculo para la perfección, según que fuere sobrenatural o natural y sensible. Diremos, pues: 1º  de las amistades verdaderas; 2º de las falsas; 3º de las amistades en las que se mezcla lo sobrenatural con lo sensible.
1º DE LAS VERDADERAS AMISTADES



De ellas diremos acerca de su naturaleza y sus ventajas.

595. A) Naturaleza. a) Por ser la amistad una mutua comunicación entre dos personas, especifícase según la diversidad de comunicaciones y de los bienes que se comunican. Muy bien lo declara S. Francisco de Sales[1]: «Cuanto más excelentes sean las virtudes que entren en esta comunicación, tanto más perfecta será tu amistad. Será ciertamente muy laudable si comunicas acerca de las ciencias; mucho más si comunicas acerca de las virtudes, prudencia, templanza, fortaleza y justicia; pero si esta mutua y recíproca comunicación fuese acerca de la caridad, devoción y perfección cristiana, ¡oh Dios mío, qué amistad tan preciosa! Será excelente porque viene de Dios, excelente porque va a Dios, excelente porque su vínculo es Dios, excelente porque durará para siempre en Dios. ¡Qué bueno es amar en la tierra como se ama en el cielo, y aprender a amarse mutuamente en este mundo como nos amaremos eternamente en el otro!».

La amistad verdadera en general es, pues, un comercio íntimo entre dos almas para hacerse mutuamente bien. Puede no pasar de simplemente honesta, si los bienes que los .amigos se comunican son de orden natural. Mas la amistad,  sobrenatural es de un orden muy superior. Es un comercio íntimo entre dos almas que se aman en Dios y por Dios, con propósito de ayudarse recíprocamente a hacer más perfecta la vida divina que poseen. La gloria divina es su fin último, y el adelantamiento espiritual su fin inmediato, y Jesús el lazo de unión entre los dos amigos; así pensaba de ello el Beato Etelredo: «Ecce ego et tu et spero quod tertius inter nos Christus sit»; que traducía Lacordaire de esta manera: :«No puedo amar a nadie sin que el alma se me vaya detrás del corazón y esté Jesús en medio de nosotros»[2].

596. b) De esta manera la amistad, lejos de ser apasionada, absorbente y exclusiva como la amistad sensible, se 'distingue por el sosiego, recato y mutua confianza Es un afecto sosegado, moderado, precisamente porque se funda en el amor de Dios, y participa de esta virtud; por esa misma razón es un afecto constante, que crece de continuo, al revés del amor apasionado, que tiende a flaquear. Va junta con un prudente recato: en vez de andar tras de las familiaridades y caricias, está siempre llena de respeto y de recato, porque no desea sino las comunicaciones espirituales. Este recato no estorba para la confianza; porque los amigos de esta clase se estiman bien mutuamente, y no ven en el otro sino un reflejo de las divinas perfecciones; tienen en el amigo muy grande confianza, que siempre es recíproca; lo cual trae consigo íntimas comunicaciones, porque el uno no desea sino comunicar en las dotes sobrenaturales del otro. Comunícanse, pues, los amigos sus pensamientos, propósitos y deseos de la perfección. Y, porque mutuamente quieren hacerse perfectos, no tienen reparo alguno en avisarse las faltas, y en ayudarse recíprocamente a corregirlas. La mutua confianza, que tiene el uno en el otro, impide que la amistad sea inquieta, absorbente y exclusiva; no llevamos a mal que nuestro amigo tenga otros amigos; aun nos gozamos de ello por su bien y por el del prójimo.

597. B) Es evidente que una tal amistad presenta grandes ventajas. a) La Escritura la alaba con frecuencia: «El amigo fiel es una defensa poderosa: quien le halla, ha hallado un tesoro... bálsamo de vida y de inmortalidad es un fiel amigo: Amicus fidelis protectio fortis; qui autem invenit illum invenit thesaurum... Amicus fidelis, medicamentum viae et ¡mmortalitatis»[3]. Nuestro Señor nos ha dado ejemplo en la amistad que tuvo con S. Juan: éste era conocido como el díscipulo «al. que amaba Jesús, quem diligebat Jesus»[4]. S. Pablo tuvo amigos, a los que quería entrañablemente, sufre con su ausencia, y no tiene más dulce consuelo que volver a estar con ellos; así se muestra desconsolado porque no ha hallado a Tito cuando lo esperaba, «eo quod non invenerim Titum fratrem meum»[5] regocijase cuando le encuentra: «Consolatus est nos Deus in adventu Titi... magis gavisi sumus super gaudio Titi»[6]. Échase también de ver el afecto que sentía por Timoteo, y cuánto le consolaba su presencia y le ayudaba para el bien de los demás; por eso le llama su coadjutor, su hijo, su querido hijo, su hermano: «Timotheus adjutor meus... filius meus... Timotheus frater.. Timotheo dilecto filio»[7].

La antigüedad cristiana nos ofrece también claros ejemplos del mismo género: una de las más célebres amistades fue la de S. Basilio y S. Gregrorio Nacianceno[8].

598. b) De estos ejemplos se deducen tres razones que nos demuestran cuán provechosa sea la amistad cristiana, especialmente para el sacerdote dedicado al ministerio.

1) Un amigo es la defensa de la propia virtud, protectio fortis. Tenemos necesidad de manifestar el fondo de nuestro corazón a un confidente íntimo, a veces remedia esta necesidad el director espiritual, pero no siempre: su amistad paternales de otra clase que la amistad fraternal que deseamos. Hemos menester de un igual, con el que podamos hablar con amplia libertad. Si no le tuviéramos, correríamos peligro de confiar secretos delicados a gentes que no merecen nuestra confianza, y las confidencias que les hiciéremos, muchas veces causarían daño a ellos y a nosotros.

2) Es también un consejero íntimo, a cuyo parecer sometemos gustosos nuestras dudas y dificultades, y que nos ayuda a resolverlas; un corrector prudente y cariñoso que, viendo cómo nos portamos, y sabiendo lo que la gente dice de nosotros, nos dirá la verdad, e impedirá que cometamos muchas imprudencias.

3) Es, por último, un consolador, que escuchará con cariño el relato de nuestros dolores, y hallará en su corazón las frases a propósito para suavizarlos y confortarnos.

599. Se ha movido cuestión sobre si conviene fomentar estas amistades en el seno de las comunidades: pudiérase temer que fueran un daño para el afecto que debe unir a todos los miembros, y que sean origen de envidias. Cierto que se ha de velar para que las tales amistades no dañen a la caridad común, y sean, no sólo sobrenaturales, sino contenidas también dentro de los justos límites señalados por los superiores. Pero, con estos requisitos, tienen también sus ventajas, porque también los religiosos han menester de un consejero, de un consolador y de un corrector que, al mismo :tiempo, sea un amigo. De todas las maneras, en las comunidades, más aún que en otra parte, se ha de huir con mucho cuidado de todo lo que pareciere falsa amistad.

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1.Vida devota, P. IH, c. 19.
2.P. CHOCARNE, Vie de Lacordaire, t. II, c. XV.
3.Eccli, VI, 14-16.
4.S Joan., XIII, 23.
5.II Cor., XII, 13.
6.II Cor., VII, 6, 13.
7.Rom, XVI, 2 1; 1 Cor., IV, 17; II Cor., I, 1; I Tim., 1. 2.
8.S. FR. DE SALES, 1. cit., c. 19, trae otros muchos.


Fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística, Adolph Tanquerey.

Parte I - Las Edades de la vida interior, por R. Garrigou-Lagrange


PREFACIO

Esta obra quiere ser el resumen de un curso de ascética y mística que hemos ido explicando durante veinte años, en la facultad de Teología del Angélico de Roma. Reanudamos en ella, de la manera más sencilla y alta a la vez, el estudio de la materia que en dos obras diferentes hemos tratado ya. Éstas son: Perfección cristiana y contemplación, 1923, y El Amor de Dios y la Cruz de Jesús, 1929. Hemos reunido en este libro los estudios anteriores en una síntesis en la que las diversas partes se equilibran y se aclaran mutuamente. Siguiendo el consejo de varios amigos, hemos eliminado de esta exposición las discusiones sobre las cuales no era necesario volver. Así esta obra se halla al alcance de. todas las almas que llevan vida interior. 


La razón de no haberle dado la forma y modalidad de un manual, es porque no se trata aquí de acumular conocimientos, como se hace a veces en las pesadas tareas escolares, sino de formar el espíritu, proporcionándole sólidos principios y el arte de saberlos manejar y hacer las aplicaciones que de ellos derivan, y ponerlo así en disposición de juzgar por sí mismo los problemas que se le vayan planteando. Tal es el concepto que, en otros tiempos, se tenía de las humanidades; mientras que hoy, y esto con demasiada frecuencia, se pretende transformar las inteligencias en manuales y repertorios, o también en colecciones de opiniones y expedientes, pero sin la menor preocupación por sus causas, razones y consecuencias, bien profundas a veces. 


Por lo demás, las cuestiones de espiritualidad, por el hecho de hallarse entre las más vitales y a veces entre las más secretas y escondidas, no tienen fácil cabida en los límites de un manual, o, para decirlo de una vez, hay, en hacer eso, un gran peligro: el ser superficial, al querer clasificar materialmente las cosas, y el reemplazar con un mecanismo artificial el profundo dinamismo de la vida de la gracia, de las virtudes infusas y de los dones. Por eso los grandes espiritualistas nunca expusieron su pensamiento bajo esta forma esquemática, que corre el riesgo de presentarnos un esqueleto allá donde pretendíamos encontrar la vida.


En estas cuestiones hemos seguido principalmente a tres doctores de la Iglesia que de ellas han tratado, cada uno a su manera: Santo Tomás, San Juan de la Cruz y San Francisco de Sales. Guiados por los principios teológicos de Santo Tomás hemos procurado captar lo más corriente y tradicional de la doctrina del autor de la Noche oscura, y del Tratado del amor de Dios de San Francisco de Sales. 


Así vemos confirmada nuestra opinión acerca de la contemplación infusa de los misterios de la fe, estando cada día más persuadidos de que dicha contemplación se encuentra dentro de la vía normal de la santidad, y es moralmente necesaria para la consecución de la total perfección de la vida cristiana. En algunas almas adelantadas esta contemplación infusa no se muestra todavía como un estado habitual, sino, de tanto en tanto, como un acto transitorio, que, en los intervalos, se mantiene más o menos latente, aunque va iluminando toda su vida. No obstante, si esas almas son generosas y dóciles al Espíritu Santo, fieles a la oración y al recogimiento interior, su fe se va haciendo día a día más contemplativa, penetrante y sabrosa, y gobierna sus actos haciéndolos más y más fecundos. En tal sentido, mantenemos y exponemos aquí lo que nos parece ser la doctrina tradicional y hoy se enseña cada vez con mayor unanimidad: siendo, como es, preludio normal de la visión beatífica, la contemplación infusa de los misterios de la fe es, mediante la docilidad al Espíritu Santo, a la oración y a la cruz, accesible a todas las almas que viven fervorosa vida interior. 


Igualmente creemos que, según la doctrina de los principales espirituales, sobre todo de San Juan de la Cruz, hay un grado de perfección al que no es posible llegar sin la purgación pasiva propiamente dicha, que es un estado místico. Creemos que tal es la doctrina neta y clara de San Juan de la Cruz, cuando nos habla de la purgación pasiva, expuesta principalmente en estos dos textos, que son capitales, de la Noche oscura, 1. I, c. VIII: "La sensitiva (purgación) es común y que acaece a muchos, y éstos son los Principiantes"; y ibídem, 1. 1, c. XVI: "Salió el alma a comenzar el camino y vía del espíritu, que es el de los aprovechantes y aprovechados, que, por otro nombre, llaman vía iluminativa o de contemplación infusa, conque Dios de suyo anda apacentando y reficionando el alma, sin discurso ni ayuda activa de la misma." 


Por lo demás, nunca hemos dicho, como se nos ha atribuido, que: "El estado de contemplación infusa propiamente dicha; sea la única vía normal para llegar a la perfección de la caridad". En efecto, esta contemplación no comienza generalmente sino con la purgación pasiva de los sentidos, o, según San Juan de la Cruz, el principio de la vía iluminativa, tal como él la describe; muchas almas caminan, pues, por la vía normal de la santidad sin haber todavía recibido la gracia de la contemplación infusa propiamente dicha; mas dicha contemplación hállase dentro del camino normal de la santidad, bien que en lo más alto de él. 


Sin estar totalmente de acuerdo con nosotros, un teólogo contemporáneo, profesor de teología ascética y mística en la Universidad gregoriana escribía a propósito de nuestro libro: Perfección cristiana y contemplación, y de la obra del P. Joret, O.P., La contemplación mística según Santo Tomás de Aquino: "Que esta doctrina posea notable armazón arquitectónica y magnífico desarrollo; que baga resaltar espléndidamente la riqueza espiritual de la teología dominicana en la forma definitiva que le dieron, en los siglos XVI y XVII los preclaros intérpretes de Santo Tomás como Cayetano, Báñez (de Artazubiaga) y Juan de Santo Tomás; que la síntesis así presentada agrupe, en perfecta y armónica unidad, considerable cúmulo de doctrinas y experiencias de la tradición católica; que nos haga apreciar en su debido valor muchas de las páginas más bellas de nuestros grandes contemplativos, es cosa que nadie podría negar"(1). 
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(1) P. J. DF GUIBERT, S. J., "Revue d'Ascétique et Mystique", julio, 1924, p. 294. Véase también la obra del mismo autor: Theologia spiritualis ascetica et mystica, Roma, 1937, pp. 374-389. En no pocas cosas está el P. de Guibert de acuerdo con nosotros cuando dice, ibid., p. 381: "Licet videantur animæ generosæ ordinarie ad perfectionem revera non pervenire  quin eis Deus concesserit aliquos tactus seu breves participaciones gratiarum illarum quæ constituunt contemplationem proprie infusam, via tamen seu status contemplationis infusæ non est unica via normalis ad caritatis perfectionem; ideoque possunt animaæ ad quemlibet sanctitatis gradum ascendere quin hac via habituali modo incedant."

Nosotros no decimos que el estado de contemplación infusa sea la única vía normal de la santidad, sino que está en lo más alto de la vía normal de la santidad; y en la presente obra queremos demostrar que hay un grado de perfección y asimismo de vida de reparación que es inaccesible si no es mediante la purificación pasiva propiamente dicha de los sentidos y del espíritu, como estado caracterizado y bien definido. En esto nos apartamos del P. Guibert, creyendo seguir la doctrina tradicional de los principales espirituales sobre todo de San Juan de la Cruz, cuando trata de la necesidad de las dos purgaciones pasivas, necesarias para hacer desaparecer los defectos de los principiantes y de los adelantados (cf. Noche oscura, 1. I, c. VIII, IX: 1. II, c. II, III, IV). Las penas exteriores son sin duda grandes medios de purificación; mas sin la purgación pasiva propiamente dicha no las sobrelleva el alma con la perfección que sería de desear. San Juan de la Cruz, ibid., dice que si esta purificación no se sufre sino por intervalos, no hay manera de llegar a las alturas a las que el alma podría alcanzar.

Acompanhem as próximas postagens de Garrigou-Lagrange "LAS TRES EDADES DE LA VIDA INTERIOR"

LAVS DEO!

Em primeiro lugar, peço minhas sinceras desculpas pelo pouco tempo que tenho para me dedicar ao blog.

Acabo de adquirir o maravilhoso livro "LAS TRES EDADES DE LA VIDA INTERIOR" do Pe. Garrigou-Lagrange, O.P.

Espero que gostem!
É um excelente livro.

Em CRISTO,
Allan Lopes.