O progressismo - do Cardeal Giuseppe Siri (II)

A segunda está na auto-intitulada grande produção teológica hodierna, em que exatamente pelo esquecimento da lógica se afirma o contrário de tudo, não excluída a morte de Deus. O desígnio divino na instituição do Magistério, ao qual está conectado tudo quanto se acha na obra da história da salvação, se prova claro e necessário pelo redemoinho das desenfreadas coisas humanas.
 
O que hoje acontece é a demonstração ab absurdo da verdade e da necessidade do magistério eclesiástico!
 
O magistério eclesiástico canoniza outros instrumentos que se tornam assim “meios” para atingir com certeza a verdade teológica. Eles são: os Padres, os Doutores, os Teólogos, a Liturgia... na medida em que tenham sido consentidos e tenham tido a aprovação explícita ou implícita da Igreja. Tal aprovação torna patrimônio do próprio Magistério a verdade expressa pelas outras fontes. Nenhum Teólogo, nenhum grupo de Teólogos ou Doutores, sem esta aprovação segura do Magistério, conta alguma coisa na afirmação teológica. Tudo mais, se corresponder às regras ordinárias de um método científico, poderá levar a formular uma hipótese de trabalho. Como o campo permanece amplo. Aqueles que havíamos chamado “meios” de reflexão do magistério eclesiástico constituem, juntamente com o próprio, a “lógica” da teologia.
 
Esta lógica é abandonada por muitos. E é por isto que se lêem revistas e livros que contradizem tranquilamente o que o Concílio de Trento definiu, aceitam modos de pensar que são expressamente condenados na encíclica Pascendi de São Pio X, assim como no seu Decreto Lamentabili; promovem a reabilitação de Loisy; põem em dúvida o valor histórico dos Livros históricos da Sagrada Escritura, elevam a critério as teorias destrutivas do protestante Bultman, ouvem com indiferença as proposições de qualquer escritor transalpino, mesmo se tocam o centro da revelação divina, ou seja, a divindade de Cristo.
 
Naturalmente, tratados sem freio os princípios, tem-se aquilo que se quer da moral e da disciplina eclesiástica.
 
Sob este fundamental ângulo de visão, o progressismo consiste em tratar como relativa a verdade revelada, em mudá-la o mais rapidamente possível, em dar aos homens uma liberdade, com a qual em breve não saberão o que fazer, em face do Absoluto. Reduzido a esta fronteira, o “progressismo” coincide com o “relativismo”, e ao homem, “adorado”, não se deixa mais nada, nem mesmo suas esperanças!
 
Naturalmente nem todas as pessoas etiquetadas como progressistas conhecem estas coisas. Mas eles aceitam as consequências e as deduções lógicas daquilo que ignoram. Se têm alguma culpa – que os julgue Deus! – esta consiste em não perguntar o porquê daquilo por que são fanáticos.
 
De toda forma, o esquecimento da lógica teológica funciona, também se não conhecida, como permissão para as outras manifestações sobre as quais devemos discorrer. Tudo aquilo que lançámos através de catecismos de várias línguas, que inundou o ar, e que poderia vir a aparecer em catecismos futuros, significaria a lenta destruição da Fé e a fraude mais culpável perpetrada em prejuízo dos pequenos que crescem.

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