Por Rodolpho Loreto
Observando as Artes Liberais, cujo nome remete a
libertação da alma da ignorância e do pecado para assim encontrar com
Deus em sua plenitude, unindo para isso o Trivium e o Quadrivium, os
quais irei expor na seqüência, temos uma clara noção de como a educação
medieval, muito além de preparar o aluno apenas no âmbito acadêmico, o
transformava em um homem completo e temente a Deus, não pela imposição
tirânica da “malvada Igreja” como muitos dizem, mas pelo conhecimento de
Deus e sua ação na vida cotidiana, na natureza e na sociedade. Vejamos
no que consiste tal metodologia de estudos:
Trivium:
Compõem as três disciplinas mentais que o aluno precisava exercitar durante sua vida acadêmica.
Compõem as três disciplinas mentais que o aluno precisava exercitar durante sua vida acadêmica.
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Gramática:
A arte de dominar os elementos formais da língua, em geral o grego, o latim e a língua local, de maneira a instrumentalizar o estudante para uma clara compreensão clara da leitura e uma boa escrita. -
Retórica:
A arte de aplicar os recursos aprendidos na gramática de maneira a expressar-se de maneira elegante e persuasiva. Esta arte permite ao estudante expor suas idéias de maneira ordenada, permitindo-o estruturar seu raciocínio de maneira concisa e coerente. -
Lógica dialética:
A arte de debater suas idéias de maneira racional e coesa, a fim de buscar a verdade nos campos científicos naturais e supranaturais, permitindo seu desligamento das paixões secantes e desvirtuadas que permeiam os discursos apaixonados e irracionais.
Quadrivium:
Compõem as quatro disciplinas que possibilitam o estudo da matéria, mediante sua contemplação diante de Deus, de maneira a propiciar o entendimento da interconexão entre o físico e o metafísico.
Compõem as quatro disciplinas que possibilitam o estudo da matéria, mediante sua contemplação diante de Deus, de maneira a propiciar o entendimento da interconexão entre o físico e o metafísico.
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Aritmética:
A arte de entender os números, as possíveis operações entre eles e suas relações por meio de funções, equações e expressões. Através deste estudo, o estudante conseguia absorver as unidades primordiais das diversas interações dos muitos elementos que compõem o mundo natural. -
Música:
O arte da música nas Artes Liberais remete a teoria musical fundamental. Esta possibilita ao aluno entender a harmina que existe entre as muitas notas musicais, bem como também o introduz a contemplação do belo. Assim, o estudante consegue de fato apreciar e identificar as coisas realmente boas das coisas aparentemente boas. -
Geometria:
A arte de compreender o espaço e as figuras que podem ocupar-lo. Junto com a música, a geometria desperta a sensibilidade do aluno para entender o mundo em que vive, entendendo assim todas as coisas que o compõem. -
Astronomia:
A arte de estudar os astros de maneira a compreender os padrões de deslocamento, os fenômenos físicos oriundos destas atividades. Isso proporciona ao aluno uma compreensão das forças naturais e seus resultados para os seres humanos e o ambiente que vivemos. A astronomia pode hoje ser desmembrada em outras ciências naturais como a física, a química e a biologia.
Este método acadêmico vigorou nas escolas católicas
por séculos a fio, possibilitando a criação de toda a civilização
ocidental. Nomes como São Tomás de Aquino, São Francisco de Sales, São
João da Cruz, Santo Antônio de Pádua, São Francisco de Assis, São João
Bosco, São João Batista de La Salle e muitos outros fundadores de ordens
religiosas e colégios católicos adotaram esta metodologia de ensino,
que muito além de preparar o homem para um convívio social salutar, o
conduzia para Deus mediante a modulação do caráter e de sua percepção.
Todo o ensino das Artes Liberais era pautado na
disciplina, no desenvolvimento intelectual e na conscientização do aluno
do seu papel dentro do espectro social e religioso. Não se havia espaço
para propaganda e doutrinação ideológica. O conhecimento e a fé eram de
fato a espinha dorsal desta metodologia, pois diferente do que se é
propagado hoje, o obscurantismo e a ausência da correta razão afastam o
homem do entendimento de Deus e sua ação na realidade.
Hoje, temos um ensino pautado no liberalismo e na
dissociação de papeis sociais, permitindo assim a implosão dos limites
que devem ser estabelecidos entre os seres humanos para que estes não se
destruam mutuamente. Próceres das metodologias de ensino moderno, como o
desenvolvimentismo de Jean Piaget, o construtivismo de Emilia Ferreiro,
Vigotski e Paulo Freire, cujo único mérito deste último foi criar um
sistema de alfabetização que não alfabetiza ninguém, buscam no fundo um
nivelamento entre os mestres e aluno, destruindo assim as
responsabilidades do mestre de ensinar e do aluno de aprender.
Observando os péssimos resultados obtidos pelo Brasil
nos testes internacionais de ensino (53º no PISA 2009) e da
qualificação pífia das universidades brasileiras nos rankings mundiais
(melhor colocada é a USP em 169º lugar, sendo superada por universidades
na Malásia (167º) e África do Sul (157º)), podemos ver claramente o
resultado de anos de empenho para a destruição da educação no Brasil.
Fica então a pergunta: Por que desmantelar a educação brasileira que já
foi modelo a ser seguido nas décadas de 50 e 60? A resposta a esta
questão infelizmente não está no âmbito cultural e pedagógico, mas nos
comitês e reuniões dos partidos que governam o Brasil hoje mediante a
toda uma preparação para a revolução cultural, aos moldes da Escola de
Frankfurt. Não irei aqui descrever os modelos educacionais atuais de
maneira individual, pois de certo todos eles têm o mesmo princípio, ao
qual irei expor a seguir.
Para Antônio Gramsci, filósofo socialista co-fundador
do Partido Comunista Italiano e da Escola de Frankfurt, a educação
escolar tinha um papel fundamental na revolução cultural socialista,
pois formava opiniões, formas de pensar e agir na cultura ocidental.
Observou através de estudos filosóficos que a escola criava hábitos
religiosos, de amor a família, de respeito a pátria, e a própria noção
de cidadania numa sociedade. Assim sendo, propõe a transformação da
escola em um instrumento de transformação social, de maneira a conduzir
as massas diretamente para a revolução. Para isto, Gramsci sugere a
criação da Escola Unitária, onde a proposta pedagógica deveria abordar
dois segmentos:
1 – Eliminar a separação entre trabalho intelectual e trabalho manual:
Isso seria possível através da existência de um círculo que privilegie
tanto as matérias clássicas (matemática, história, geografia, física,
etc.) quanto conteúdos ligados a preparação para o trabalho, reduzindo
assim a distância entre a valorização do trabalho intelectual e do
trabalho manual.
2 – Trabalhar na dimensão política da sociedade:
Com o objetivo de nivelar completamente a cultura, sem levar em conta
as origens sociais, através de uma instituição pública, gratuita,
estatal e obrigatória a todos, introjetando assim conteúdo político
ligado às idéias da revolução cultural, de maneira a transformar a
cultura da sociedade de maneira lenta e gradual, bem como a formação de
intelectuais orgânicos (ativistas da causa revolucionária) para conduzir
o processo pelas gerações.
Vemos assim que a proposta de Gramsci visa unificar o
ensino escolar, tanto no espectro da freqüência de todas as pessoas
independente de sua classe social, quanto no espectro de ensino,
difundindo e doutrinando as crianças com ativismo político nos ideais
ligados a revolução.
Esta estratégia é a base para todos os métodos de
ensino aplicados hoje nas escolas públicas e privadas tanto no Brasil
quanto em diversas partes do mundo. O estudo confessional religioso foi
abolido e marginalizado dos quadros educacionais do Brasil. As Artes
Liberais foram substituídas por “Artes Prisionais”. Os líderes da
revolução cultural no país não se preocupam em nada com a formação
acadêmica, cultural, cívica e moral dos seus patrícios, mas apenas na
doutrinação e escravização mental em prol da sua ideologia política. Ser
educador no Brasil do século XXI é, voluntaria ou involuntariamente,
ser instrumento da propaganda revolucionária.
Ao folhearmos alguns livros didáticos distribuídos
pelas escolas públicas estatais e também nas escolas particulares
veremos claramente que o grande desafio dos próximos anos não será
descobrir novos e eficientes métodos de ensino, mas a retomada do ensino
nos moldes clássicos, de maneira a permitir a construção efetiva de uma
sociedade justa, de alto nível moral e intelectual. Este trabalho deve
começar através da formação de uma nova elite cultural, munida de alta
cultura de fato, limpa das obscenidades políticas incutidas pelos
revolucionários, permitindo assim a tomada dos espaços perdidos nas
universidades pelas ideologias gramscianas de maneira geral.
Não há dúvida que este desafio é muito grande e não
deverá ser realizado de maneira afoita e desestruturado. A paciência é
uma virtude fundamental para a reversão deste quadro. Porem, não podemos
ficar esperando as coisas acontecerem de maneira espontânea, ao
contrário, é preciso trabalhar desde já com amor e dedicação a causa da
educação brasileira confessional para que as nuvens negras da revolução
possam ser dissipadas uma vez por todas.
Peçamos a Deus e a Virgem Santíssima força e coragem
para lutar nesta batalha árdua, mas que nós já sabemos que será vencida
pelo Imaculado Coração de Maria e pelo Sagrado Coração de Nosso Senhor
Jesus Cristo. Educar para o Céu é a missão da igreja e de todos os
cristãos, portanto, devemos ser instrumentos de Cristo para atingir
todos os corações, preparando-os para o encontro derradeiro com o
Cristo, promovendo assim a verdadeira justiça social e paz, que só pode
ser alcançada mediante o Reinado Social de Cristo Rei.
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Fonte: