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Ano Litúrgico no Rito Romano Tradicional I

I) Ciclo do Natal:

1 - Tempo do Advento

2 - Tempo Natalício:

2.1 - Tempo do Natal: do Natal ao dia 5 de janeiro

2.2 - Tempo da Epifania: da Epifania ao Batismo de Jesus (6 a 13/01)



→ TEMPUS PER ANNUM (depois da Epifania)

II) Ciclo da Páscoa:

1 - Tempo da Septuagésima

2 - Tempo Quaresmal:

2.1 - Tempo da Quaresma

2.2 - Tempo da Paixão (Semana Santa)

3 - Tempo Pascal:

3.1 - Tempo da Páscoa

3.2 - Tempo da Ascensão

3.3 - Tempo de Pentecostes: festa e oitava


→ TEMPUS PER ANNUM (depois de Pentecostes)

Perceba que no que se refere à catequese, o ano é dividido em duas grandes seções:

1) Uma primeira, que vai do Advento até Pentecostes, é essencialmente constituída pelos mistérios de Cristo: a Igreja recorda resumidamente os principais estágios da existência terrestre de Seu Esposo. Se nossa alma estiver pronta, essa representação será para nós uma fonte abundante de luz. Dessa viva representação, repetida todos os anos, tiramos um conhecimento profundo e seguro dos mistérios de Cristo, recebendo, na medida de nossa fé, as mesmas graças como se tivéssemos vivido com Nosso Senhor e assistido a todos os Seus mistérios. Assim, podemos nos assemelhar mais a Cristo.

2) A segunda parte é formada pela longa seqüência dos domingos de Pentecostes, o chamado tempo durante o ano, no qual a oração e o ensino da Igreja nos são ministrados com base permanente de sua vida, independente de qualquer circunstância particular. Podemos ver nessa segunda seção a vida da Igreja de sua fundação em Pentecostes até a vinda de Cristo nos últimos tempos.

Claro, no meio dessas duas seções também temos as festas dos santos e da Virgem Santíssima.

I) Ciclo do Natal

1 - Tempo do Advento



Espiritualidade

A palavra Advento vem do latim, e quer dizer vinda: é o tempo litúrgico de oração e penitência em preparação para a festa do Santo Natal.

As quatro semanas do Advento representam o Antigo Testamento: os séculos nos quais os Santos Patriarcas, Reis e Profetas aspiravam pela vinda do Messias prometido por Deus.

Este tempo litúrgico celebra as três vindas de Nosso Senhor, como explica São Bernardo:

"No primeiro advento, Ele vem em carne e enfermidade; no segundo, Ele vem em espírito e poder; no terceiro, Ele vem em glória e em majestade; e o segundo advento é o meio pelo qual se passa do primeiro ao terceiro."

O primeiro advento já passou: foi o nascimento de Jesus em Belém, fato passado na história; nele, Jesus foi julgado injustamente pelos homens. Atualmente estamos no segundo advento, que é a vinda de Jesus pela graça em nossas almas: Nosso Senhor vem para nos tornar justos. O terceiro advento irá ainda realizar-se, mas não sabemos o dia nem a hora: é o juízo final, no qual Cristo julgará todas as coisas com equidade.


Estrutura e normas litúrgicas

a) O tempo do Advento consta de quatro domingos com suas respectivas semanas. Os domingos do Advento são todos de primeira classe, não admitindo nenhuma festa ou comemoração.

b) As férias são de terceira classe: assim, quando não há nenhuma festa dos santos, deve-se celebrar a Santa Missa do tempo, usando os textos do domingo anterior.

c) A partir de 17 de dezembro começam as chamadas férias maiores, que são de segunda classe: já não permitem as festas comuns dos santos (terceira classe).

d) O Advento é tempo de penitência, porém é menos rigoroso que a Quaresma. Nas missas do tempo não se ornamenta o altar com flores, exceto no terceiro domingo, quando se usam paramentos róseos. É muito importante destacar este espírito penitencial durante as funções litúrgicas.

e) Coro e organistas: durante o Advento (salvo o terceiro domingo) não se permite tocar o órgão, a não ser para acompanhar o canto. É importante fazer com que o canto expresse o tempo litúrgico, por isso é bom usar mais os hinos próprios desse tempo.


Celebrações de destaque

a) Festa da Imaculada Conceição (8/12 - primeira classe): é dia santo de guarda e uma das principais festividades marianas. A tradicional novena (que se aconselha fazer em todas as paróquias) começa no dia 29 de novembro.

b) Festa de Nossa Senhora de Guadalupe (12/12 - primeira classe): é a padroeira da América Latina. Embora não seja uma devoção muito popular entre nós, é sempre bom lembrar que se trata de nossa padroeira também.

c) Novena do Santo Natal (16 a 24/12): é a mais tradicional das novenas. É interessante cantar durante elas as"Antífonas Maiores" (também chamadas "Antífonas O") que a liturgia coloca no ofício das Vésperas. Normalmente é para o começo da novena que se monta o Presépio nas igrejas. 

d) Vigília do Natal (24/12): é de grande valor restaurar a importância dessa vigília como um dia dedicado mais a oração e penitência, como preparação imediata para o Santo Natal.

2 - Tempo Natalício:

2.1 - Tempo do Natal: do Natal ao dia 5 de janeiro



Espiritualidade

Depois da preparação de quatro semanas do Advento, chega o grande dia do Natal. A festa do Natal tem um ordenamento litúrgico muito especial: celebram-se três santas missas, tal é a grandeza do mistério. E isso, principalmente, porque Aquele que hoje nasce manifestou-se em três nascimentos. Ele nasce nesta noite da Virgem Bendita; Ele vai nascer por sua graça nos corações dos pastores, que são as primícias de toda a cristandade; Ele nasce eternamente no seio do Pai, nos esplendores dos santos. Este triplo nascimento deve ser honrado com uma tripla homenagem. 

Nas três missas podemos ver presentes estes três aspectos do mistério do Natal; porém, podemos assinalar a cada Missa um aspecto principal. D. Guérranger, baseando-se no Evangelho que é lido em cada uma delas, ensinava:

» A Missa da meia-noite honra o nascimento de Jesus segundo a carne, narrado no Evangelho de São Lucas.

» A Missa da aurora honra o segundo nascimento de Cristo: o nascimento da graça e da misericórdia, que se realiza no coração de cada fiel, como aconteceu no coração dos pastores que foram visitar Jesus.

» A Missa do dia honra o nascimento eterno do Filho de Deus no seio do Pai, explicado de maneira maravilhosa no Prólogo do Evangelho de São João.

Estrutura e normas litúrgicas

a) A festa do Natal é de primeira classe, com oitava de segunda classe, sendo o oitavo dia (01/01) de primeira classe. Assim, durante toda a oitava (de 25/12 a 01/01) deve-se ornamentar o altar e a igreja de modo festivo.

b) A imagem do Menino Jesus pode ser exposta sobre o altar do dia 25/12 até o dia 01/01.
c) Coro e organistas: usar os hinos próprios do tempo do Natal. Tocar o órgão com melodias festivas.

d) Depois de 01/01 até a Epifania: são dias feriais comuns (quarta classe). 

Celebrações de destaque

a) Durante a oitava do Natal, celebram-se festas de santos de muita devoção na Igreja Universal:

26/12 - Santo Estevão, Protomártir da Igreja

27/12 - São João Evangelista

28/12 - Santos Inocentes

b) Último dia do ano: há o costume de cantar o Te Deum de ação de graças diante do Santíssimo Sacramento exposto (quem participa pode lucrar indulgência planária).

c) O dia 01/01: é a oitava do Natal (primeira classe) e dia santo de guarda: festa da Circuncisão do Senhor e Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus.

d) No dia 01/01 celebra-se também o Dia Mundial da Paz, quando o Santo Padre envia sua mensagem de paz ao mundo todo. É interessante aproveitar a ocasião para cantar hinos, fazer orações e até ornamentações alusivas à paz. Há também o costume em muitos lugares de se cantar o Veni Creator, pedindo luzes do Espírito Santo para conduzir o novo ano.

e) Festa do Santo Nome de Jesus: celebra-se no domingo entre 2 e 5 de janeiro, ou, caso não haja domingo, no dia 2 de janeiro.

2.2 - Tempo da Epifania: da Epifania ao Batismo de Jesus (6 a 13/01)


Espiritualidade

Epifania (quer dizer apariçãomanifestação) é uma festa coletiva de três milagres que manifestaram Nosso Senhor:

"Hoje a estrela conduziu os Magos ao presépio, hoje nas bodas a água se tornou vinho, hoje Cristo quis ser batizado no Jordão para nos salvar" (Ad Vesp. antif. ad Magnificat)

Porém, se considerarmos em detalhe o múltiplo objeto desta solenidade, vemos que a Igreja romana celebra a adoração dos magos com maior destaque. A maior parte dos cantos do Ofício e da Missa o celebra, e os dois grandes doutores da Sé Apostólica, São Leão e São Gregório, falaram quase exclusivamente dos Santos Reis em suas homilias sobre a festa.

Dada esta preferência da Igreja pela primeira manifestação, foi necessário que as outras duas tivessem uma celebração em outros dias.

 

Assim, a Igreja escolheu o dia da oitava da Epifania (13 de janeiro) para celebrar a comemoração do Batismo de Nosso Senhor (festa de segunda classe), e no segundo domingo após a Epifania se fixou o Evangelho das Bodas de Caná.



O dia da manifestação de Jesus aos magos, primeiros pagãos que receberam o anúncio do Seu nascimento, deve nos fazer lembrar e agradecer a Deus o dom da fé. Ao mesmo tempo é ocasião de rezarmos e colaborarmos com a obra missionária da Igreja, para que Cristo se manifeste muito mais nas almas.

Estrutura e normas litúrgicas

a) A festa da Epifania é de primeira classe. Caso o dia 6 caia em dia de semana, pode ser comemorada no domingo seguinte. Ornamentação, cantos e órgão festivo.

b) Os dias que se seguem à festa são dias feriais normais.

Celebrações de destaque

a) Festa da Sagrada Família: celebra-se no domingo seguinte da Epifania. Data importante para destacar a família: fazer um trono para a imagem da Sagrada Família, cantar hinos alusivos à família.

b) Comemoração do Batismo de Jesus: dia 13 de janeiro.

O Casamento de Nossa Senhora e São José


Este quadro ostenta como fundo um pequeno edifício que é, segundo imaginação do pintor, uma parte do Templo de Jerusalém.
Vê-se o sacerdote com uma capa vermelha, e debaixo dela uma espécie de meia-túnica desce da cintura até o pé. É um homem idoso, digno, já de cabelos brancos, abundantemente barbado, e que numa atitude de piedade e recolhimento está celebrando a cerimônia do matrimônio de Nossa Senhora e São José.

Vê-se São José passando uma aliança à Beatíssima Virgem e segurando uma vara com flores. A vara floresceu, e desse modo indicou ser ele o esposo escolhido pela Providência para Maria Santíssima.

Segundo velha tradição, São José é apresentado mais idoso que Nossa Senhora. Ela ainda muito jovem, e com o recato e a compostura de uma pessoa toda virginal. Para o casamento, Ela está vestida com uma túnica de um cor-de-rosa tão claro, que quase se diria branco, lembrando a virgindade, a pureza e a delicadeza de sentimentos levadas ao mais alto grau. Com um porte ereto e virginal, está cingida com uma coroa de flores.

São José assume, até certo ponto, um pouco o papel de esposo e um pouco o papel de pai em relação a Nossa Senhora, numa atitude de proteção. E a Mãe de Deus toma a posição de quem se deixa proteger. É uma atitude muito apropriada, apresentando alguma timidez junto ao sacerdote respeitável e diante de São José.

Mais atrás, pessoas comentam as bodas. Estão vestidas com trajes romanos, cujos coloridos contudo são orientais. E bem ao fundo vê-se a cidade de Jerusalém.
* * *
* Afresco pintado entre 1302 e 1306 por Giotto di Bondone (1267–1337), que se encontra na Capela degli Scrovegni, em Pádua (Itália).

A impregnação das alegrias de Natal


 A festa do Santo Natal tem o privilégio — ao menos é a impressão pessoal que tenho — de interromper o tempo. Pode uma pessoa estar na situação aflitiva que estiver, chegando o Natal, abre-se como que um paredão e as desgraças ficam do outro lado. Bimbalham os sinos, o Natal começou! Cristo nasceu: alegria para todos os homens!

A alegria própria ao Natal é toda feita de luz - é o Lumen Christi, a luz de Nosso Senhor Jesus Cristo que brilhou na Terra na noite de Natal.

Uma alegria que não é a alegria vulgar do homem que fez um bom negócio, que venceu uma jogada política ou ganhou na loteria. Não. É uma alegria muito mais interna, muito mais leve, toda feita de luz. Enquanto as outras alegrias são feitas de coisas palpáveis e de segunda ordem, a alegria própria ao Natal é toda feita de luz — é o Lumen Christi, a luz de Nosso Senhor Jesus Cristo que brilhou na Terra na noite de Natal. Luz que nunca mais, de ano em ano, deixou de brilhar, trazendo uma verdadeira alegria, uma verdadeira paz de alma até para as pessoas mais atormentadas.
No meu tempo de menino, a noite de Natal era um hiato luminoso, cheio de algo que não se consegue descrever, mas que todos sentiam: era aquela suavidade, aquela paz, aquela doçura que dava a impressão de que todo o céu  estrelado da noite estava como que impregnando a Terra de perfumes. Os sinos tocavam, o som se espalhava e o júbilo impregnava até os jardins. Era uma alegria enorme que circundava todos os homens, porque Cristo nasceu, nasceu em Belém!
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 21 de dezembro de 1984. Sem revisão do autor.

O Natal Ortodoxo

Por Junior (Marcos Ioannis)



  O Natal, ou Festa da Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma das 12 grandes festas no Cristianismo Ortodoxo, comemorando e celebrando o nascimento de Nosso Senhor e Salvador.

  Nesta semana, pós dia 25 de dezembro, muitos no ocidente já comemoraram e celebraram o Natal, porém, os cristãos ortodoxos ainda esperam a data, já que o Natal é celebrado dia 7 de Janeiro, conforme o calendário Juliano.

  Antecedendo o Natal, os fiéis fazem um jejum de 40 dias, não tanto em penitência quanto o da Páscoa, mas de preparação, abstendo-se de carnes, lacticínios e bebidas alcoólicas, uma forma de renovar nossa fé e preparar-se para a chegada do Salvador.

  Nesse tempo os fiéis ortodoxos costumam se saudar da seguinte maneira, dizendo uns para os outros: “Cristo Nasceu!”, e o outro responde: “Glorificai-o!”. Não existe o costume em países Ortodoxos de se dizer “Feliz Natal” ou “Feliz Páscoa”, mas sim, lembrar da essência da data com essa saudação.


  A Liturgia na Igreja é celebrada com grande alegria e festividade, com diversos cantos e hinos que lembram o Nascimento do Salvador, um trecho muito bonito do Tropário da Natividade lembra que Cristo veio dar sentido novo a todas as coisas:

“Teu Nascimento, ó Cristo, nosso Deus
Fez brilhar ao mundo a luz da sabedoria
Nele, aqueles que adoravam os astros
Foram atraídos por uma estrela para Te adorar,
Ó Sol da Verdade, e conhecer-Te como o Oriente vindo do alto
Ó Senhor, glória a Ti!”

  Diferentemente do Ocidente, a Páscoa ainda ocupa o lugar mais elevado das festividades religiosas e públicas entre os cristãos ortodoxos, e o Natal, a segunda festa mais importante.


Cristo Nasceu, Glorificai-o!

  
Uma cantata de Natal Ortodoxo em árabe: 

Vaticano: Papa lembra Natal vivido na pobreza


Bento XVI contrapõe festa dos negócios à festa do coração.


D.R.
Cidade do Vaticano, 24 dez 2011 (Ecclesia) – Bento XVI recordou no Vaticano todos os que são “obrigados a viver o Natal na pobreza, no sofrimento, na condição de emigrante”, sublinhando que esta é uma “festa do coração” e da paz.


Na homilia que proferiu durante a Santa Missa da Noite de Natal, na basílica de São Pedro, o Papa disse que Deus se opõe “a toda a violência e traz uma mensagem de paz”.


“Neste tempo, em que o mundo está continuamente ameaçado pela violência em tantos lugares e de muitos modos, (…), clamamos ao Senhor: (…) Fazei que, neste nosso tempo e neste nosso mundo, sejam queimados os bastões do opressor, as vestes manchadas de sangue e o calçado ruidoso da guerra, de tal modo que a vossa paz triunfe neste nosso mundo”, assinalou.


 Para o Papa, “hoje, o Natal tornou-se uma festa dos negócios”, convidando a “olhar para além das fachadas lampejantes deste tempo, a fim de podermos encontrar o menino no estábulo de Belém e, assim, descobrimos a autêntica alegria e a verdadeira luz”.


 Sublinhando que “Deus é pura bondade”, Bento XVI destacou que “ainda hoje há pessoas que, não conseguindo reconhecer a Deus na fé, se interrogam se a Força última que segura e sustenta o mundo será verdadeiramente boa, ou então se o mal não será tão poderoso e primordial como o bem e a beleza”.


 A homilia papal recuou ao ano de 1223, quando Francisco de Assis celebrou em Grécio [Itália] o Natal com um boi, um jumento e uma manjedoura cheia de feno, naquele que é considerado o primeiro presépio ao vivo.“Graças a Francisco e ao seu modo de crer, aconteceu algo de novo: ele descobriu, numa profundidade totalmente nova, a humanidade de Jesus”, indicou.

Bento XVI destacou ainda uma particularidade da igreja da Natividade de Jesus, em Belém, cuja porta de entrada tem apenas metro e meio de altura, obrigando as pessoas a “inclinar-se”.
“Devemos depor as nossas falsas certezas, a nossa soberba intelectual, que nos impede de perceber a proximidade de Deus”, declarou o Papa, “o Deus que se esconde na humildade dum menino acabado de nascer”.“Celebremos assim a liturgia desta Noite santa, renunciando a fixarmo-nos no que é material, mensurável e palpável”, apelou.


A missa iniciou-se pelas 22h00 locais e incluiu uma oração em português, na qual se pediu que “que os corações de todos sejam repletos de fé e de esperança e se abram à compaixão e à generosidade”.
Durante as celebrações de Natal, na basílica de São Pedro, foi colocada uma estátua da Virgem Maria, junto ao altar da confissão, imagem oferecida em 1963 a Paulo VI, por ocasião da sua eleição como Papa, pelo então presidente brasileiro João Goulart.

Santa Teresa de Liseux e o Santos Anjos (I)

O SOFRIMENTO E OS ANJOS

Teresinha tinha consciência da diferença entre Anjo e homem. Pensar-se-ia que ela teria inveja dos Anjos, mas é o contrário! Ela tinha entendido a grandeza da Encarnação. “Quando vejo o Eterno envolvido em paninhos e ouço o fraco choro desse Verbo divino, ó Mãe querida, não invejo mais os Anjos, porquanto o Onipotente é meu amado Irmão! ...” (Poesia 54: “Porque eu te amo, Maria”). Também os Anjos compreendem profundamente o alcance da Encarnação e teriam, se fosse possível, inveja de nós pobres criaturas de carne e sangue. Num teatro natalino, no qual ela dá nomes aos Anjos conforme suas tarefas em relação a Cristo - por exemplo, o Anjo do Menino Jesus, o Anjo da Sagrada Face, o Anjo da Eucaristia - ela coloca na boca do Anjo do Juízo Final o canto: “Diante de Ti, doce Criança, o Querubim se inclina! Admira, espantado, Teu inefável amor. Quer, como Tu, sobre a sombria colina poder um dia morrer!” Então todos os Anjos cantam o estribilho: “Como é imensa a alegria da humilde criatura. Nos seus arrebatamentos os Serafins desejam deixar, ó Jesus, a angélica natureza, e fazer-se criança!”. (Os Anjos no presépio, cena final). Aqui nos deparamos com o motivo da estima de Santa Teresinha para com os Anjos, isto é: sua ‘santa inveja’ em relação aos homens, pelos quais o Filho de Deus Se fez homem e morreu. Na poesia em honra de Santa Cecília, um Serafim explica esse mistério a Valeriano da seguinte forma: “Eu me abismo em Deus, Seus encantos contemplo, mas não posso imolar-me nem sofrer por Ele. Não posso Lhe ofertar nem lágrimas nem sangue; apesar de todo meu amor, não posso morrer... A pureza de um Anjo é a herança luminosa de uma felicidade imensa que não passa, mas neste ponto, sim, vós venceis os Serafins: sois puros e, além disso, ainda podeis sofrer” (Poesia 3: Santa Cecília).

Mais adiante, Jesus Se dirige a um Anjo com as seguintes palavras cheias de luz e consolo: “Ó tu! que quiseste na terra compartilhar Minha cruz, Minha dor; belo Anjo, escuta este mistério: toda alma padecente é irmã tua. No Céu, o brilho do seu sofrimento virá também na tua fronte recair, e o brilho da tua pura essência iluminará o mártir!” (Os Anjos no presépio, Cena 5,10-11). Portanto, no Céu, Anjo e homem terão comunhão, parte e alegria com a glória do outro. Assim, na economia da salvação existe uma maravilhosa e íntima comunhão de pessoas.