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O sagrado uso do véu

Por quase 2000 anos, mulheres Católicas se cobriram com o véu antes de adentrarem na igreja ou em qualquer momento que estivessem na presença do Santíssimo.
A obrigação estava expressa no Código de Direito Canônico (CDC) antigo (1917). Depois do encerramento do Concílio Vaticano II, por algum motivo não sabido exatamente o uso do véu extinguiu-se. O descaso por parte das autoridades vaticanas sobre o assunto colaborou para a perda do uso. Quando o novo CDC (1983) foi produzido, a questão do véu simplesmente não foi mencionada (não foi abolida, simplesmente não mencionada). Este silêncio do novo CDC é o grande argumento usado por aqueles que rejeitam salutar costume.
A questão do véu, entretanto, não é somente um ponto legal, mas, como veremos, é também magistério apostólico. Primeiramente, analisaremos o aspecto legal (que, de si, bastaria para justificar seu uso).
1 Aspecto legal
Antes de adentrarmos na exposição direta do raciocínio que nos leva ao uso do véu, é-se necessário alguns esclarecimentos acerca da lei positiva eclesiástica.
A Igreja, a fim de organizar suas leis positivas, criou, em 1917, a pedido do Concílio do Vaticano, o Código de Direito Canônico, que nada mais era que uma reunião de todas as leis existentes à época. É bom frisar que a inexistência de um Código anterior a 1917 não implicava falta de leis positivas eclesiásticas.
Após a convocação do Concílio Vaticano II, o mesmo concílio pediu a reforma do Código vigente. Em 1983 saiu o novo CDC.
Claro que para analisarmos o aspecto legal do uso do véu, teremos de consultar o que o Código de Direito Canônico legisla sobre a questão.
O atual Código, como dito, nada fala sobre o uso do véu. Isso implica a abolição do véu? A resposta é NÃO, pois o novo Código nos diz nos cânones 20 e 21 que a nova lei canônica só abole a velha lei canônica quando ela escrever explicitamente isto, e que em caso de dúvidas, a lei antiga não deve ser revogada, pelo contrário. Eis as citações:
A lei posterior ab-roga ou derroga a anterior, se expressamente o declara, se lhe é diretamente contrária, ou se reordena inteiramente toda a matéria da lei anterior; a lei universal, porém, de nenhum modo derroga o direito particular ou especial, salvo determinação expressa em contrário no direito (Código de Direito Canônico de 1983, cân. 20).
E ainda:
Na dúvida, não se presume a revogação de lei preexistente, mas leis posteriores devem ser comparadas com as anteriores e, quanto possível, com elas harmonizadas (Ibid., cân. 21).
É fácil perceber que o uso do véu fica transferido para o que o Código anterior estabelece a esse respeito.
1.1 O antigo Código de Direito Canônico não estabelece o uso
Essa hipótese existe apenas como reflexão teórica, pois o antigo Código afirma expressamente a obrigatoriedade do uso do véu. Portanto, a discussão se esgota tão rapidamente se inicia.
Concluiremos que, para infelicidade dos que são contra o uso ou a obrigatoriedade do véu, mesmo que o Código antigo não o regulamentasse, ele seria obrigatório.
Diz o novo Código “O costume é o melhor intérprete da lei” (Ibid., cân. 27).
De fato, há poucos costumes na Igreja que seja anterior ao uso do véu pelas mulheres; entretanto, o Código novo ainda acrescenta:
Salva a prescrição do cân. 5, o costume contra ou à margem da lei é revogado por um costume ou lei contrários; mas, se não fizer expressa menção deles, uma lei não revoga costumescentenários ou imemoriais, nem a lei universal, costumes particulares (Ibid., cân. 28, destaques meus).
Como já dito, o novo Código simplesmente se omite quanto ao uso do véu. Nem existe um costume contrário a ele, nem está à margem de alguma lei ou costume ou a eles não se harmoniza.
Nisto já se esgota a análise jurídica de tal uso, mas para exaurirmos qualquer argumento contrário que possa surgir contra esse uso venerável, veremos o cânon 5, a exceção da qual nos fala o cânon 28:
§ 1. Os costumes, universais ou particulares, vigentes até o presentecontra as prescrições destes cânones e que são reprovados pelos próprios cânones deste Código, estão completamente supressos e não se deixem reviver no futuro; os outros também sejam considerados supressos, a não ser que outra coisa seja expressamente determinada pelo Código, ou sejam centenários ou imemoriais, os quais podem ser tolerados se, a juízo do Ordinário, em razão de circunstâncias locais e pessoais, não possam ser supressos.
§ 2. São mantidos os costumes à margem do direito e vigentes até agora, quer universais, quer particulares (Ibid., cân. 5).
O cânon 5 fala dos costumes que não se harmonizam com as novas leis, caso que não ocorre com o uso do véu, negligenciado que foi pelo novo Código. No parágrafo primeiro, está destacado que, mesmo o uso do véu sendo proibido pelo novo Código, proibição esta expressa, o uso não seria proibido porque ele é imemorial (é apostólico, como veremos).
O segundo parágrafo resolve qualquer caso de má interpretação da nova lei para se proibir o uso do véu, pois diz que os costumes à margem do direito (universais ou não) são mantidos. Ora, o uso do véu é um costume universal (não apenas em toda a Igreja latina, a que o Código se refere, mas em todas as Igrejas orientais sui iure) que está à margem do novo direito, pois o Código se abstém de comentá-lo.
A conclusão é que, mesmo o antigo Código não referenciando nada sobre o uso do véu, tal uso seria obrigatório por se tratar de um costume imemorial e apostólico.
1.2 O antigo Código estabelece o uso
A ilação a que se chega no tópico anterior é desnecessária porque o antigo Código fala explicitamente da obrigação do uso do véu e o novo, além de não proibir (na verdade nem trata a questão), legifera que na falta de lei nova, a antiga ainda vale.
O que estabelece o antigo Código? Está escrito no Código de Direito Canônico de 1917: “As mulheres, entretanto, têm que cobrir suas cabeças e vestir-se com modéstia, especialmente quando se aproximam da mesa do Senhor” (Mulieres autem, capite cooperto et modest vestitae, maxime cum ad mensam Domincam accedunt, Código de Direito Canônico de 1917, cân. 1262).
Conseqüentemente, de acordo com a Lei canônica e o costume, a mulher continua tendo o dever de cobrir sua cabeça.
2 Aspecto espiritual
O uso véu, no cristianismo (por cristianismo, falo em sentido estrito, ou seja, catolicismo) é um costume muito importante. E não diz respeito somente à lei canônica, mas também a dois milênios de tradição: tanto na tradição do Velho Testamento, como nas admonições do novo Testamento, em que São Paulo escreveu:
Tornai-vos os meus imitadores, como eu o sou de Cristo. Eu vos felicito, porque em tudo vos lembrais de mim, e guardais as minhas instruções, tais como eu vo-las transmiti. Mas quero que saibais que senhor de todo homem é Cristo, senhor da mulher é o homem, senhor de Cristo é Deus. Todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta falta ao respeito ao seu senhor. E toda mulher que ora ou profetiza, nãotendo coberta a cabeçafalta ao respeito ao seu senhor, porque é como se estivesse rapada. Se uma mulher não se cobre com um véu, então corte o cabelo. Ora, se é vergonhoso para a mulher ter os cabelos cortados ou a cabeça rapada, então que se cubra com umvéu. Quanto ao homem, não deve cobrir sua cabeça, porque é imagem e esplendor de Deus; a mulher é o reflexo do homem. Com efeito, o homem não foi tirado da mulher, mas a mulher do homem; nem foi o homem criado para a mulher, mas sim a mulher para o homem. Por isso a mulher deve trazer o sinal da submissão sobre sua cabeça, por causa dos anjos. Com tudo isso, aos olhos do Senhor, nem o homem existe sem a mulher, nem a mulher sem o homem. Pois a mulher foi tirada do homem, porém o homem nasce da mulher, e ambos vêm de Deus. Julgai vós mesmos: é decente que uma mulher reze a Deus sem estar coberta com véu? A própria natureza não vos ensina que é uma desonra para o homem usar cabelo comprido? Ao passo que é glória para a mulher uma longa cabeleira, porque lhe foi dada como um véu. Se, no entanto, alguém quiser contestar, nós não temos tal costume e nem as igrejas de Deus (I Cor 11,1-16).
Tal advertência é de vital importância: São Paulo descreve, na seqüência, o rito da instituição do Sacrifício da Missa. Ora, há uma ligação entre tamanho mistério e a advertência ao véu feminino.
De acordo com o Apóstolo, as mulheres usam o véu como sinal da glória de Deus; deve ser o foco de adoração, como sinal de submissão à autoridade. É o reconhecimento e um sinal de se ter Deus e o marido (ou pai, de acordo com cada caso) como cabeças, é um sinal de respeito à presença dos Santos Anjos e da Liturgia Divina. Usando o véu, se reflete a ordem invisível divina e as fazem visíveis. Isto São Paulo apresenta claramente como uma lei, uma que é a prática de toda Igreja – no ocidente ou oriente.
Alguns acreditam que o Apóstolo das Gentes estava a falar apenas aos fiéis de sua época, e que esta prática não mais se aplica. Note-se, porém, que o santo nunca se intimidou em quebrar desnecessários tabus. Foi ele próprio quem enfatizou várias vezes que a circuncisão e toda a Lei mosaica não eram necessárias, mesmo falando a católicos oriundos do judaísmo. Ao invés, a tradição e lei do uso do véu não é uma questão de influência cultural; o véu é um símbolo tão relevante, quanto é a batina de um padre, ou um hábito de uma religiosa.
Ressalte-se, outrossim, que São Paulo não está, de maneira alguma, praticando a misoginia aqui. Ele nos assegura que a mulher é a glória do homem e que ele precisa da mulher (e a mulher dele). Mas existem diferenças no papel de cada um, ambos iguais em dignidade – e tudo para a glória de Deus.
O véu é também um sinal do reconhecimento das diferentes funções de cada um dentro da ordem racional. O véu é ainda sinal de modéstia e castidade. No Antigo Testamento, descobrir a cabeça da mulher era um modo de humilhar ou punir adúlteras e mulheres que transgredissem de outra forma a Lei (cf. Nm 5,12-18; Is 3,16-17, Ct 5,7).
A mulher hebraica não cogitaria em hipótese alguma adentrar no Templo (ou mais tarde sinagoga) sem cobrir sua cabeça. Esta prática é simplesmente passada para e pela Igreja.
O ato de cobrir algo é sinônimo de respeito e mostra o quanto este algo é importante. O próprio conceito de Revelação – retirar o véu – nos aponta isso. Temos, neste contexto, o velado como Deus e sua Verdade; não se pode negar quão importante é, para os homens, essa Revelação, fruto da infinita benevolência divina para conosco. Existia algo mais, no Antigo Testamento que era velado: o Santo dos Santos.
A primeira aliança, na verdade, teve regulamentos rituais e seu santuário terrestre. Consistia numa tenda: a parte anterior encerrava o candelabro e a mesa com os pães da proposição; chamava-se Santo. Atrás do segundo véu achava-se a parte chamada Santo dos Santos. Aí estava o altar de ouro para os perfumes, e a Arca da Aliança coberta de ouro por todos os lados; dentro dela, a urna de ouro contendo o maná, a vara de Aarão que floresceu e as tábuas da aliança; em cima da arca, os querubins da glória estendendo a sombra de suas asas sobre o propiciatório. (Hb 9,1ss, destaque meu).
E, na Missa, o que é velado até à hora do ofertório? O cálice! O nosso Santo dos Santos, o verdadeiro Santo dos Santos, o vaso onde o preciosíssimo Sangue de Cristo se encontra e se derrama para nos inebriar e aplicar os frutos da redenção!
E, nas igrejas, o que é também velado? O cibório no Tabernáculo, onde o santíssimo Corpo de Cristo Se encontra e Se oferece para nos salvar expiando a justa ira divina. O próprio Sacrário, aliás, é também coberto por um véu.
Estes objetos de vida são velados porque são sagrados! Há outra personagem que sempre está vestida de modéstia e não apenas por usar véu. Não só sempre se apresenta modestamente, como manda às mulheres que assim se vistam. A Toda Santa, Arca da Nova Aliança, o Vaso da Verdadeira Vida: a Santa Virgem, Mãe de Deus (a quem devemos imitar sempre)!
Ao vestirem o véu, as mulheres imitam Nossa Senhora e se afirmam, verdadeiramente, como mulheres, como vasos de vida.

Jovem recebe Crisma de véu e comunga de joelhos dando testemunho de modéstia e piedade

No dia 13 de novembro de 2011, em Ceilândia, Distrito Federal, a jovem Daniella Buarque recebe o sacramento da Crisma. Paroquiana do Padre Jorge Eldo, Paróquia Nossa Senhora da Glória, recebeu o sacramento de suas mãos mesmo, pois o bispo não pôde comparecer.


Mesmo sendo jovem, demonstra coragem e amor ao ser uma das únicas a usar o piedoso véu na Santa Missa, como ela mesma descreve:

"Aos 15 anos, véu, modéstia, nada disso me passava pela cabeça. Até que certo dia fui presenteada por meu tio com um, que ele adquiriu por meio da  comunidade ‘O Piedoso Uso do Véu’ no Orkut. Desde então, fui pesquisando seu real sentido e me encantava cada vez mais. Tive receio de usá-lo, e para me acostumar usava apenas na hora da Santa Comunhão. Era bem difícil na Santa Missa ficar silenciosa, quieta, quando todos ao redor batem palmas, fazem coreografias. E também, de certa forma, querendo velar-se inteiramente para Deus acabar atraindo para si os olhares. Sempre ao final alguém me abordava, pedia explicações sobre o  porquê do uso do véu, e certa vez até me perguntaram se eu era freira, mas sempre elogiam muito ( uso há 9 meses). Fico muito feliz pois meu exemplo foi um incentivo a outras duas jovens e algumas senhoras, já estamos com planos de fazer algo como que ‘um movimento para o retorno do véu’ aqui na Paróquia. Já somos 6 com seus véus, e outras já estão se preparando. Expressando nossa reverência e decoro, queremos ser exemplo da Santíssima Virgem e que tudo seja ad majorem Dei Gloriam."

Confiram as fotos da Crisma:










Enquanto a maioria se prepara para receber o Senhor DEUS em suas próprias mãos, as jovens se colocam no seu devido lugar: o de criatura diante de seu DEUS CRIADOR.






O grupo do Piedoso uso do véu no Facebook: http://www.facebook.com/groups/265549633471781/


Onde comprar um véu para usar na Missa?


Recebi e com alegria repasso, amigos:

"Caros irmãos e irmãs, quero comunicar uma grande alegria! 

Agora ficou muito mais fácil usar o véu ou presentear (no caso de nós homens) alguma mulher com o véu. Laís, depois de perceber a dificuldade das pessoas em encontrar tal “objeto de piedade”, decidiu produzi-los. Aqueles que tiverem interesse em adquirir os véus é só entrar em contato com a Laís Bessa através do seu perfil no Facebook ou pelo email: lais.bessa@gmail.com

Garanto que os valores estão dentro da justiça e ela enviará para qualquer lugar do Brasil através dos correios."

O piedoso uso do véu em evento da Canção Nova


A jovem Sabryne Amaral de Governador Valadares, MG, levou o seu primeiro véu para ser abençoado pelo Pe. Paulo Ricardo em evento da Canção Nova.

Ela e suas amigas estão se encorajando umas às outras para utilizarem o piedoso véu numa diocese onde os sacerdotes e fiéis afetados pela apostasia libertária, conhecida por alguns como teologia da libertação, ainda impera. Que sua coragem e exemplo se propaguem cada vez mais.


Até onde sei, apenas as srtas. Sabryne Amaral e Jésica Cotrim utilizaram o véu numa multidão de 200.000 pessoas. Entretanto, a quantidade do fermento não precisa ser maior que a massa. Assim, que estas jovens piedosas sejam fermento!

POR QUE USAR O VÉU


Por Juliana Fragetti Ribeiro Lima

Publicado originalmente no blog Tantum Ergo

Sei que hoje isso é algo considerado “ultrapassado”, “radical” entre outras coisas. Muitos dirão que isso até é reflexo de um costume machista e que inferioriza a mulher e tal. Mas isso não é verdade. Eu estou me referindo ao uso do véu na Santa Missa. Aliás, não só na Santa Missa, mas em qualquer ato de devoção.

Primeiro temos que entender o motivo.

Um deles é bíblico. “Quero, porém, que saibais que Cristo é a cabeça de todo homem, o homem a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo. Todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta desonra a sua cabeça. Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça, porque é a mesma coisa como se estivesse rapada.” (1 Co 11.3-5)

Veja que na Escritura, S. Paulo fala que é vergonhoso que oremos com a cabeça descoberta. Que em sinal de submissão devemos ter a cabeça coberta. Oras, dirá você, mas que argumento machista, por causa de homens eu vou cobrir minha cabeça? Não. Não é machismo, é um reconhecimento: Deus fez o homem, que é a sua (de Deus) glória. E dele (de Adão, do homem) nos fez, sendo nós a sua (do homem) glória (1 Co 11.7). Além disso, diz S. Paulo, que devemos cobrir a cabeça por causa dos anjos (1 Co 11.10).

Além disso, temos um motivo mais sublime. Muito mais. Não é por homens que o fazemos, mas pelo Senhor. Veja, até os anjos cobrem seu rosto em face de estarem diante de Deus (Is 6.2)!! Os anjos são puros, sem pecado, mas reconhecem o que é estar diante da majestade de Deus, diante do Criador de todas as coisas e cobrem seu rosto. Não iremos nós também nos cobrir diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento?
Sim, não só na hora da missa, pois se estivermos na igreja, o Senhor está lá no Sacrário, sempre presente. Se formos fazer atos piedosos (orar, etc.) em público, ainda que não na igreja, também convém, pois não estaríamos nós com isso testemunhando nosso amor a Jesus, assim como Nossa Senhora o fez?

Uma outra coisa interessante, é que nos tempos do Antigo Testamento, descobrir a cabeça da mulher estava relacionado à vergonha, maldição, etc.

Em Números, depois de falar de como proceder no caso de adultério, o texto sagrado diz que “Então apresentará a mulher perante o Senhor, e descobrirá a cabeça da mulher, e lhe porá na mão a oferta de cereais memorativa, que é a oferta de cereais por ciúmes; e o sacerdote terá na mão a água de amargura, que traz consigo a maldição” (Números 5.18)

A Igreja sempre recomendou o uso do véu. São Jerônimo, escrevendo uma carta, abordou o assunto dizendo:

“É comum nos mosteiros do Egito e da Síria que as virgens e viúvas que se entregaram a Deus, renunciaram ao mundo e jogaram ao chão os prazeres, peçam às mães de suas comunidades que cortem seus cabelos; não que depois elas possam ir com as cabeças descobertas em desafio ao mandamento do Apóstolo, elas usam uma capa fechada e véu.” (Carta 147, 5)

Hoje se diz muito por aí que “o que importa é o interior”, etc. Mas a grande verdade é que não somos “puro espirito” e sim somos uma unidade de corpo e alma, e o interior e exterior se refletem mutuamente. E, com freqüência, o nosso exterior revela o nosso interior, a nossa fé e espiritualidade. Cá pra nós, não é estranho você ver alguém que se diz muito temente a Deus andando com roupas sensuais, etc? Você e eu esperaríamos (corretamente) que a vida e o exterior dessa pessoa correspondessem à alta profissão de fé que ela faz, não é?

Além do mais, veja que tudo que é importante na liturgia da Igreja é coberto: o cálice com o Sangue de Nosso Senhor é coberto durante a missa até o momento da consagração, O sacrário, onde fica permanentemente o Corpo de Nosso Senhor, é coberto por um véu frontal. A Virgem Santíssima também. Você já viu uma imagem da Ssma. Virgem onde ela estivesse descoberta? Repare que em todas as invocações que conhecemos dela, a vemos de véu.

O véu por séculos simbolizou a castidade, a modéstia e a santidade da mulher cristã. A Igreja sabendo disso, instava por todos os séculos com suas filhas que o usassem, simbolizando pureza, santidade, humildade, qualidades que vemos em Nossa Senhora. Por que então não adotarmos uma coisa tão simples, mas como vimos, tão cheia de significados?

Obrigado Srta Juliana.

O Uso do Véu como um Sacramental

Por Maite Tosta

O uso do véu pode ser considerado um sacramental. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “quase não há uso honesto de coisas materiais que não possa ser dirigido à finalidade de santificar o homem e louvar a Deus.” (§1670). O uso do sacramental não é essencial, portanto, à salvação, mas um auxílio.

Não é expressamente ordenado, mas é recomendado como uma prática de piedade, caso a mulher se sinta chamada a isso. Se a mulher lê as passagens bíblicas a esse respeito e sente o Espírito Santo movê-la, deve primeiramente orar e discernir a respeito.

É muito importante que um sacramental seja praticado pelas razões certas, ou seja, para o crescimento espiritual do praticante. Superstição, pressão do grupo, vaidade, nada disso são razões válidas para se usar o véu. Um bom teste a se fazer é se perguntar: “Se o Papa banisse o uso do véu amanhã, eu estaria disposta a obedecer?” Se a resposta for sim, então essa é a atitude correta. No final das contas, o uso do véu tem a ver com obediência a Deus e a seus representantes. Obediência, como dizia São Bento, é a prova de fogo para a santidade. Uma pessoa verdadeiramente humilde e santa obedece aqueles que foram designados para dirigi-la.

Voltando ao conceito de sacramental, é imporante a atitude honesta diante de Deus, e o uso honesto de coisas materiais, de modo a ordená-las para a finalidade de glorificar a Deus. O uso do véu tem a finalidade de levar a mulher a desenvolver atitudes próprias de humildade e adoração a Jesus, da mesma forma que o uso do escapulário é uma devoção que promove a piedade.

Por fim, pode-se concluir que o uso do véu é, antes de tudo, um chamado, um carisma. Cada um tem suas necessidades, seu processo de crescimento espiritual. A Igreja, mãe generosa, oferece vários meios de prover a essas necessidades, através de suas muitas formas de devoção e dos sacramentais, que, se praticados corretamente, levam o fiel à maturidade espiritual. Ademais, o hábito de usar o véu ajuda a mulher a compreender sua vocação e identidade, seu lugar na criação e na Nova Aliança, o Santo Sacrifício, bem como a real importância destes.