Papa Bento XVI deixa o Vaticano

Considerações sobre o ato de renúncia de Bento XVI


Raio atinge a cúpula da Basílica de São Pedro poucas horas depois da abdicação de Bento XVI. Foto: Alessandro di Meo, AFP
Em 11 de fevereiro, dia da Festa de Nossa Senhora de Lourdes, o Santo Padre Bento XVI comunicou ao Consistório de cardeais e a todo o mundo sua decisão de renunciar ao Pontificado.
O anúncio foi acolhido pelos cardeais, “quase inteiramente incrédulos”, “com a sensação de perda”, “como um raio em céu sereno”, segundo as palavras dirigidas em seguida ao Papa pelo cardeal decano Angelo Sodano.
Se tão grande foi a perda dos cardeais, pode-se imaginar quão forte tem sido nesses dias a desorientação dos fieis, sobretudo daqueles que sempre viram em Bento XVI um ponto de referência e agora se sentem de algum modo “órfãos”, senão mesmo abandonados, em face das graves dificuldades que enfrenta a Igreja no momento presente.
No entanto, a possibilidade da renúncia de um Papa ao sólio pontifício não é de todo inesperada. O presidente da Conferência Episcopal da Alemanha, Karl Lehmann, e o primaz da Bélgica, Godfried Danneels, haviam apresentado a ideia da “renúncia” de João Paulo II, quando a sua saúde havia se deteriorado.
O cardeal Ratzinger, no seu livro-entrevista Luz do Mundo, de 2010, disse ao jornalista alemão Peter Seewald que se um Papa se dá conta de que não é mais capaz,“fisicamente, psicologicamente e espiritualmente, de cumprir os deveres de seu ofício, então ele tem o direito e, em certas circunstâncias, também a obrigação, de renunciar”.
Ainda em 2010, cinquenta teólogos espanhóis haviam manifestado sua adesão à Carta Aberta do teólogo suíço Hans Küng aos bispos de todo o mundo, com estas palavras:“Acreditamos que o pontificado de Bento XVI pode ter-se exaurido. O Papa não tem a idade nem a mentalidade para responder adequadamente aos graves e urgentes problemas com os quais a Igreja Católica se defronta. Pensamos, portanto, com o devido respeito por sua pessoa, que deve apresentar sua demissão do cargo.”
E quando, entre 2011 e 2012, alguns jornalistas como Giuliano Ferrara e Antonio Socci escreveram sobre a possível renúncia do Papa, esta hipótese havia suscitado entre os leitores mais desaprovação que consenso.
Não existe dúvida sobre o direito de um Papa de renunciar. O novo Código de Direito Canônico prevê a possibilidade de renúncia do Papa no cânon 332, parágrafo segundo, com estas palavras: “Se acontecer que o Romano Pontífice renuncie a seu múnus, para a validade se requer que a renúncia seja livremente feita e devidamente manifestada, mas não que seja aceita por alguém.”
Nos artigos 1 º e 3 º da Constituição Apostólica Universi Dominicis Gregis, de 1996, sobre a vacância da Santa Sé, é prevista ademais a possibilidade de que a vacância da Sé Apostólica seja determinada não só pela morte do Papa, mas também por sua renúncia válida.
Na História não são muitos os episódios documentados de abdicação. O caso mais conhecido continua sendo o de São Celestino V, o monge Pietro da Morrone, que foi eleito na Perugia em 5 de julho de 1294 e coroado em L’Aquila em 29 de agosto seguinte.
Após um reinado de apenas cinco meses, ele julgou oportuno renunciar, por não se sentir à altura do cargo que assumira. Em seguida, preparou a sua abdicação, consultando primeiramente os cardeais e promulgando uma Constituição com a qual confirmava a validade das regras já estabelecidas pelo Papa Gregório X para a realização do próximo Conclave.
Em 13 de dezembro, em Nápoles, pronunciou sua abdicação diante do Colégio dos Cardeais, despojou-se da insígnia papal e das roupas, e tomou o hábito de eremita. Em 24 de dezembro de 1294, por sua vez, foi eleito Papa Benedetto Caetani com o nome de Bonifácio VIII.
Outro caso de renúncia papal – o último registrado até hoje – ocorreu no decurso do Concílio de Constança (1414-1418). Gregório XII (1406-1415), Papa legítimo, a fim de recompor o Grande Cisma do Ocidente (1378-1417), enviou a Constança o seu plenipotenciário Carlo Malatesta, para dar a conhecer sua intenção de retirar-se do ofício papal; as demissões foram oficialmente acolhidas pela assembleia sinodal em 4 de julho de 1415, que ao mesmo tempo depôs o antipapa Bento XIII.
Gregório XII foi reintegrado ao Sacro Colégio com o título de cardeal-bispo do Porto (diocese suburbicária de Roma) e com o primeiro posto após o Papa. Abandonando o nome e o hábito pontifício e retomando o nome de cardeal Angelo Correr, ele se retirou como legado papal nas Marche [província italiana] e morreu em Recanati em 18 de outubro 1417.
Portanto, o caso de renúncia em si não escandaliza: está contemplado no Direito Canônico e verificou-se historicamente ao longo dos séculos. Note-se, no entanto, que o Papa pode renunciar, e por vezes tem historicamente renunciado ao Pontificado, enquanto este é considerado um “cargo jurisdicional da Igreja”, não indelevelmente ligado à pessoa que o ocupa.
A hierarquia apostólica exerce de fato dois poderes misteriosamente unidos na mesma pessoa: o poder da ordem e o poder de jurisdição (ver, por exemplo, São Tomás de Aquino, Summa Theologica, II-IIae, q 39, a 3, resp., III, q 6-2).
Ambos poderes são direcionados a realizar os objetivos peculiares da Igreja, mas cada qual com características próprias, que o distinguem profundamente do outro: opotestas ordinis é o poder de distribuir os meios da graça divina e refere-se à administração dos sacramentos e ao exercício do culto oficial; o potestas iurisdictionisé o poder de governar a instituição eclesiástica e os simples fiéis.
O poder da ordem distingue-se do poder de jurisdição não só pela diversidade de natureza e de objeto, mas também pelo modo como o poder de ordem é conferido, uma vez que tem como propriedade ser dado com a consagração, isto é, por meio de um sacramento e com a impressão de um caráter sagrado. A posse dapotestas ordinis é absolutamente indelével, porquanto seus graus não são ofícios temporários, mas imprimem caráter a quem é concedido.
De acordo com o Código de Direito Canônico, uma vez que um batizado se torna diácono, sacerdote ou bispo, é para sempre e nenhuma autoridade humana pode excluir essa condição ontológica. Pelo contrário, o poder de jurisdição não é indelével, mas temporário e revogável; suas atribuições, exercidas por pessoas físicas, cessam com o término do mandato.
Outra característica importante do poder da ordem é a não territorialidade, pois os graus da hierarquia da ordem são absolutamente independentes de qualquer circunscrição territorial, pelo menos no que respeita à validade do exercício.
As atribuições do poder de jurisdição, ao contrário, são sempre limitadas no espaço e têm no território um de seus elementos constitutivos, exceto o do Sumo Pontífice, que não está sujeito a qualquer limitação de espaço.
Na Igreja, o poder de jurisdição pertence, jure divino, ao Papa e aos Bispos. A plenitude deste poder, no entanto, reside apenas no Papa que, como fundamento, sustenta todo o edifício eclesiástico. Nele se encontra todo o poder pastoral, e na Igreja não se pode conceber outro independente.
A teologia progressista, pelo contrário, sustenta, em nome do Vaticano II, uma reforma da Igreja num sentido sacramental e carismático que opõe o poder da ordem ao poder de jurisdição, a igreja da caridade à do direito, a estrutura episcopal à monárquica.
O Papa, reduzido a primus inter pares no interior do colégio dos bispos, exerceria apenas uma função ético-profética, um primado de “honra” ou de “amor”, mas não de governo e jurisdição.
Nesta perspectiva, Hans Küng e outros invocaram a hipótese de um Pontificado “temporário”, e não vitalício, como uma forma de governo exigida pela celeridade das mudanças do mundo moderno e da novidade contínua de seus problemas. “Não podemos ter um Pontífice de 80 anos que já não está totalmente presente do ponto de vista físico e mental”, disse à emissora Südwestundfunk Küng, que vê na limitação do mandato do Papa um passo necessário para a reforma radical da Igreja.
O Papa seria reduzido a presidente de um Conselho de administração, a uma figura meramente de arbitragem, ao lado de uma estrutura eclesiástica “aberta”, qual sínodo permanente, com poder de decisão.
No entanto, caso se considere que a essência do Papado está no poder sacramental da ordem e não no poder supremo de jurisdição, o Pontífice jamais poderia renunciar; se o fizesse perderia com a renúncia apenas o exercício do poder supremo, mas não o poder em si, que é indelével como a ordenação sacramental da qual deflui.
Quem admite a hipótese da renúncia deve admitir com isso que a summa potestasdo Papa deriva da jurisdição que exerce, e não do sacramento que recebe. A teologia progressista está, portanto, em contradição consigo mesma quando procura fundamentar o Papado sobre sua natureza sacramental e depois reivindica a renúncia de um papa, a qual por sua vez só pode ser admitida se seu múnus se basear sobre o poder de jurisdição.
Pela mesma razão não pode haver, após a renúncia de Bento XVI, “dois papas”, um no cargo e outro “aposentado”, como tem sido impropriamente dito. Bento XVI voltará a ser Sua Eminência o Cardeal Ratzinger e não poderá exercer prerrogativas, como a da infalibilidade, que são intimamente ligadas ao poder de jurisdição pontifício.
O Papa, portanto, pode renunciar. Mas é oportuno que o faça? Um autor, por certo não “tradicionalista”, Enzo Bianchi, escreveu em “La Stampa” de 1º de julho de 2002:
“Segundo a grande tradição da Igreja do Oriente e do Ocidente, nenhum papa, nenhum patriarca, nenhum bispo deveria renunciar apenas por ter atingido o limite de idade. É verdade que há cerca de trinta anos na Igreja Católica existe uma disposição que convida os bispos a oferecer as próprias renúncias ao Papa ao atingirem 75 anos, e é verdade que todos os bispos recebem com obediência esse convite e apresentam a renúncia, como também é verdade que normalmente elas são aceitas e as renúncias acolhidas. Mas esta é uma regra e uma prática recente, fixada por Paulo VI e confirmada por João Paulo II: nada exclui que no futuro possa ser revista, depois de pesados as vantagens e os problemas que ela tem produzido nas últimas décadas de aplicação.”
A norma pela qual os bispos renunciam a diocese a partir dos 75 anos é uma fase recente na história da Igreja que parece contradizer as palavras de São Paulo, para quem o Pastor é nomeado ad convivendum et commoriendum (2 Cor 7, 3), para viver e morrer junto a seu rebanho. A vocação de um Pastor, como a de todos os batizados, vincula de fato não somente até uma certa idade e a uma boa saúde, mas até a morte.
Sob este aspecto, a renúncia de Bento XVI ao Pontificado aparece como um ato legítimo do ponto de vista teológico e canônico, mas, no plano histórico, em absoluta descontinuidade com a tradição e a prática da Igreja.
Do ponto de vista do que poderiam ser as suas consequências, trata-se de um ato não simplesmente “inovador”, mas radicalmente “revolucionário”, como o definiu Eugenio Scalfari em “La Repubblica” de 12 de fevereiro.
A imagem da instituição pontifícia, aos olhos da opinião pública de todo o mundo, fica de fato despojada de sua sacralidade para ser entregue aos critérios de julgamento da modernidade.
Não por acaso, no “Corriere della Sera” do mesmo dia, Massimo Franco fala do“sintoma extremo, final, irrevogável, da crise de um sistema de governo e de uma forma de papado”.
Não se pode fazer uma comparação, nem com Celestino V, que renunciou após ter sido arrancado à força de sua cela eremítica, nem com Gregório XII, quem por sua vez foi forçado a renunciar para resolver a gravíssima questão do Grande Cisma do Ocidente.
Tratava-se de casos excepcionais. Mas qual é a exceção no gesto de Bento XVI? A razão, oficial, esculpida nas suas palavras pronunciadas em 11 de fevereiro, mais do que a exceção exprime a normalidade:
“No mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande importância para a vida da fé, para governar o barco de Pedro e anunciar o Evangelho, é também necessário o vigor, seja do corpo, seja da alma, vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de modo tal, que devo reconhecer a minha incapacidade.”
Não nos defrontamos com uma deficiência grave, como foi o caso de João Paulo II no final de seu pontificado.
As faculdades intelectuais de Bento XVI estão plenamente íntegras, como ele o demonstrou numa de suas últimas e mais significativas meditações para o Seminário Romano, e sua saúde é “geralmente boa”, como afirmou o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, segundo o qual, entretanto, o Papa alertou nos últimos tempos para “o desequilíbrio entre as tarefas, entre os problemas a serem resolvidos e as forças das quais sente não dispor”.
No entanto, desde o momento da eleição, cada pontífice experimenta um compreensível sentimento de inadequação, percebendo a desproporção entre suas capacidades pessoais e o peso da tarefa para a qual ele é chamado. Quem pode afirmar-se capaz de suportar com suas próprias forças o munus de Vigário de Cristo?
Mas o Espírito Santo assiste o Papa não somente no momento da eleição, senão também até a sua morte, em cada momento, mesmo nos mais difíceis, de seu pontificado. Hoje, o Espírito Santo é frequentemente invocado de forma inadequada, como quando se pretende que Ele inspira cada ato e cada palavra de um Papa ou de um Concílio.
Nestes dias, no entanto, Ele é o grande ausente dos comentários da mídia, que avaliam o gesto de Bento XVI de acordo com um critério puramente humano, como se a Igreja fosse uma multinacional guiada em termos de pura eficiência, prescindindo de qualquer influxo sobrenatural.
Mas a questão é: em dois mil anos de história, quanto foram os Papas que reinaram com boa saúde, que não experimentaram o declínio da força nem sofreram com doenças e provas morais de todo gênero? O bem-estar físico nunca foi um critério de governo da Igreja. Sê-lo-á a partir de Bento XVI?
Um católico não pode deixar de se colocar estas perguntas, e se não o fizer elas serão colocadas pelos fatos, como no próximo conclave, quando a escolha do sucessor de Bento será inevitavelmente orientada para um cardeal jovem na plenitude de suas forças, para que possa ser considerado adequado para a grave missão que o espera.
A menos que o cerne do problema não esteja naquelas “questões de grande relevância para a vida da fé” às quais se referiu o Pontífice, e que poderiam aludir à situação de ingovernabilidade em que parece encontrar-se hoje a Igreja.
Seria pouco prudente, sob este aspecto, considerar já “fechado” o pontificado de Bento XVI, dedicando-se a balanços prematuros antes de aguardar o prazo fatal anunciado por ele: a noite de 28 de fevereiro de 2013, uma data que ficará gravada na história da Igreja.
Antes, mas também depois dessa data, Bento XVI ainda poderá ser protagonista de cenários novos e inesperados. De fato, o Papa anunciou sua demissão, mas não seu silêncio; e sua escolha restitui-lhe uma liberdade da qual talvez se sentisse privado.
O que dirá e fará Bento XVI, ou o cardeal Ratzinger, nos próximos dias, semanas e meses? E, sobretudo, quem guiará, e de que maneira, a barca de Pedro nas novas tempestades que inevitavelmente o esperam?
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(*) Prof. Roberto de Mattei (Roma, 1948). Professor de História Moderna e História do Cristianismo na Universidade Européia de Roma, onde é coordenador de mestrado de Ciências Históricas. É presidente da Fundação Cultural Lepanto e membro do Conselho de Administração do Instituto Histórico Italiano para a Idade Moderna e Contemporânea e do Conselho de Administração da Sociedade Italiana Geográfica. Foi durante vários anos vice-presidente do Conselho Nacional de Pesquisas da Itália e é autor de vários livros com repercussão internacional, entre os quais destaca-se O Concílio Vaticano II – Uma história nunca escrita (Petrus Editora, São Paulo).

O que explica a reação conservadora no mundo? – Parte II (Vídeos)


Assista aos vídeos da última conferência promovida pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira sobre as reações conservadoras no mundo.
1- Abertura de Dr. Adolpho e palestra de Dr. Nelson Fragelli
2- Dr. Mario Navarro
3- Dr. Nelson Barretto
4- Dr. S.A.I.R Dom Bertrand de Orlenas e Bragança

O que explica a reação conservadora no mundo? - Parte I


Da esq. para a dir: Dr. Nelson Ribeiro Fragelli, Dr. Caio Vidigal Xavier da Silveira, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Dr. Adolpho Lindenberg, Dr. Mario Navarro da Costa e Dr. Nelson Ramos Barretto.
No dia 21 de fevereiro de 2013 realizou-se mais um importante evento promovido pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira no Club Homes, situado na Avenida Paulista, famosa artéria da pauliceia.
Aproximadamente 150 pessoas compareceram para ouvir três conferencistas versarem sobre as reações conservadoras que estão sendo suscitadas no Brasil e no mundo, polarizando a opinião pública e colocando sérios obstáculos à marcha do processo revolucionário.
Mas qual é a origem dessa reação tão diversa em vários países, promovida muitas vezes por jovens cuja formação foi a do século, mas que estão abrindo os olhos e resolvendo enfrentar a avalanche revolucionária?
A resposta a esta pergunta foi o que o público presente ao evento quis ouvir com atenção.

O primeiro indício da resposta foi fornecido pelo presidente do Instituto, Dr. Adolpho Lindenberg [foto], que abriu o evento fazendo a apresentação dos conferencistas e enfatizando que as reações conservadoras têm sua fonte primeira em uma graça suscitada pela Providência Divina.
* * *
O Dr. Nelson Ribeiro Fragelli [foto], diretor do instituto italiano Voglio Vivere, começou sua palestra de maneira inusitada. Como um impressionista, foi pintando na imaginação dos ouvintes um quadro discorrendo sobre a história de Nossa Senhora de Lourdes e a vitória que, em pleno século XIX dominado intelectualmente pelas correntes positivistas, iluministas e pelo ateísmo crescente, Maria Santíssima obteve através de uma menina e de um povo simples que ainda tinha Fé, vencendo todos os obstáculos que o establishment da época tentou colocar contra as aparições na gruta de Massabielle.
As proibições da prefeitura da região de Lourdes (França), que apoiada pelo governo de Napoleão III impediam o povo de visitar o local das aparições a Santa Bernadette, colocando uma cerca em volta da gruta com guardas para a vigiarem, pareciam suficientes para combater a “superstição”.
Mas qual não foi a surpresa do administrador da região ao ser procurado pelo chefe da guarnição, que com a roupa toda rasgada fora avisá-lo do inesperado: os fiéis da região haviam expulsado os guardas — alguns dos quais aderiram ao povo — e removido a cerca.
Foram as fibras suscitadas por Nossa Senhora na alma daquele povo simples que lhe deram coragem para enfrentar a onda anticatólica e ir contra a corrente do momento.
E assim como os fiéis reagiram para defender o local das aparições de Nossa Senhora de Lourdes — alvo, naquela época, de todas as correntes anticatólicas —, em nossos dias a Virgem Mãe de Deus também faz florescer tais fibras no fundo das almas, para que estas possam defender o que hoje é a “gruta Massabielle” que os revolucionários procuram combater: a instituição da família.
O Dr. Fragelli mencionou que na França a família é o único tema que nas pesquisas de opinião recebe o apoio de pessoas de todas as vertentes (esquerda, centro e direita). O que explica a extraordinária marcha contra a aprovação do “casamento” homossexual, ocorrida recentemente em Paris, que contou com quase 1 milhão de participantes.
Segundo os franceses, é preciso lutar para que a família não pereça. E eles parecem dispostos a fazê-lo, do mesmo modo como o povinho que outrora lutou para proteger a gruta de Lourdes.
No tocante à Itália, o Dr. Fragelli falou inicialmente da influência de Plinio Corrêa de Oliveira nos movimentos conservadores daquele país. Mostrou, a título de exemplo, o recente livro intitulado Spaghetticons, de Luigi Copertino, no qual este descreve as origens do neoconservadorismo na Itália e a importância dos escritos de Plinio Corrêa de Oliveira sobre o mesmo.
O conferencista ressaltou também as reações conservadoras na Hungria, cujo governo saído das últimas eleições fez uma nova Constituição de teor conservador e católico. Apesar de Victor Orban, o atual presidente, ser de origem calvinista, em conferência pronunciada no ano passado na Espanha, ele afirmou que a Hungria é “Terra de Maria”.
O Dr. Nelson Fragelli observou com muita propriedade que certamente essas atitudes inesperadas do povo húngaro provêm das graças obtidas pelo martírio do heroico cardeal József Mindszenty, que sofreu indizivelmente nas masmorras comunistas por não aceitar a coexistência com o governo marxista.
Os mentores da União Europeia laica e anticatólica não estarão hoje surpresos por esses acontecimentos como outrora o prefeito da região de Lourdes diante da reação de simples almas em defesa de uma gruta? Com essa pergunta o Dr. Nelson Fragelli deu o último toque de pincel em seu quadro sobre a situação da Europa, e afirmou: “Maria Vincit!”.
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O próximo conferencista, Dr. Mario Navarro da Costa [foto], diretor de campanhas do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, tratou sobre os movimentos conservadores nos Estados Unidos. Descreveu em linhas gerais a importância dos EUA para o processo revolucionário no passado, e as esperanças que seus fundadores nutriam de criar um novo país tendo por base os ideais da Revolução Francesa.
Mostrou também toda a influência que Hollywood teve — e ainda tem — na Revolução Cultural visando a mudança da mentalidade dos povos. Apontou para o avanço revolucionário relativo ao “casamento” homossexual — já aprovado em vários Estados —, à imposição da aceitação de homossexuais nas Forças Armadas e nos grupos escoteiros, aos 40 anos da aprovação legal do aborto em qualquer momento da gestação e à investida socialista na econômica. Perguntou em seguida ao auditório se dentro dessa loucura era possível existir alguma reação sadia.
O Dr. Mario Navarro explicou que há nos EUA uma enigmática coexistência de fatores bons e maus, mas que existe uma ascensão, já iniciada há décadas, do conservadorismo militante. Nos momentos em que a Revolução dá seus últimos golpes no que restou da civilização cristã, no ocaso dessa civilização surge a aurora de uma graça nova, uma graça semelhante à que o Filho Pródigo do Evangelho recebeu, de voltar à casa paterna.
Segundo o palestrante, nos EUA as pessoas despertaram para o fato de que na luta contra a destruição dos valores importam não apenas as eleições, mas também atuações no campo da cultura. Ele exemplificou com o fato de que mesmo durante os governos de Reagan e dos dois Bush (pai e filho) a revolução cultural não parou de avançar.
Destacou ainda a importância que a TFP americana sempre atribuiu à necessidade de alertar a opinião pública sobre os problemas culturais, e das iniciativas que a entidade empreendeu nesse sentido — a mais recente das quais foi a publicação do livro Return to Order.
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A última palestra coube ao jornalista Nelson Ramos Barreto [foto]. Ele afirmou que longe de ser otimismo falar de florescimento dos movimentos conservadores no Brasil, que este é um fenômeno observado até por elementos da esquerda, como o escritor francês Gilles Kepel, que em seu livro intitulado A Revanche de Deus comenta e lamenta a crescente onda do espírito religioso no mundo.
Outro ponto importante foi sua explicação de como é a vertente conservadora no Brasil. Sempre que há consultas de opinião pública, fica patente que o público brasileiro é conservador, especialmente em pontos referentes à família.
Mas como explicar que essa mesma massa conservadora eleja políticos de esquerda que projetam leis contrárias aos anseios desse eleitorado?
A resposta é que, embora exista, o conservadorismo brasileiro não é ideológico. E, portanto, as vitórias eleitorais obtidas pela esquerda não representam uma vitória do socialismo. Decorrem de manobras eleitorais (que evitam tratar de assuntos como aborto, homossexualismo, maioridade penal, etc.) visando a perpetuar-se no poder, tentar aprovar subrepticiamente projetos de lei antifamília no Congresso, etc.
O que o movimento conservador no Brasil precisa fazer é alertar a opinião pública — conservadora, mas adormecida — e fazê-la reagir. Isso explica as dificuldades que o governo do PT enfrenta há 10 anos para tentar aprovar o aborto e a “lei da homofobia”.
O Dr. Nelson Barreto enfatizou um importante exemplo dessa reação no Brasil. Quando das últimas eleições presidenciais, a esquerda esperava uma vitória da candidata Dilma no primeiro turno. Mas quando diversos segmentos conservadores da sociedade e um corajoso bispo levantaram o tema do aborto, as eleições foram empurradas para o segundo turno.
Tornou-se tão incerta a vitória de Dilma, que esta se viu obrigada não somente a fazer discursos ambíguos sobre sua posição a respeito desse tema, mas a visitar o Santuário de Aparecida — onde, aliás, fez o Sinal da Cruz de modo errado.
O palestrante falou também da crise na Igreja e do surgimento de seminaristas e padres jovens mais conservadores e com anseios da doutrina tradicional da Igreja. Isso apesar de toda a influência e controle ainda exercido por elementos progressistas dentro desses mesmos seminários. Como explicar isso se não uma interferência da Providência Divina nas almas?
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O Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança [foto, à esq.], finalizou brilhantemente o evento reafirmando que essa reação — que se desenvolve debaixo do domínio da esquerda — é realmente uma ação de Nossa Senhora, e incentivou a todos os presentes com as seguintes palavras: “‘Não tenhais medo‘, recomendou Nosso Senhor Jesus Cristo a seus discípulos. ‘Não tenhais medo’ de ir contra a corrente da laicidade, das pseudoverdades que a propaganda e o sistema querem nos impor!
“Saibamos, como dizia São Luiz IX, ‘enfrentar as coisas do ponto mais alto do nosso batismo’. Saibamos proclamar a nossa Fé, os nossos princípios, certos de que, como afirmou o Professor Plinio Corrêa de Oliveira no seu livro Revolução e Contra Revolução: ‘Quando os homens resolvem cooperar com a graça de Deus. são as maravilhas da História que assim se operam: é a conversão do Império Romano, é a formação da Idade Média, é a reconquista da Espanha a partir de Covadonga, são todos esses acontecimentos que se dão como fruto das grandes ressurreições de alma de que os povos são também susceptíveis. Ressurreições invencíveis, porque nada há que possa vencer um povo virtuoso e que verdadeiramente ame a Deus’”.
FLAGRANTES DO EVENTO NO CLUB HOMS [click na imagem para ampliá-la]
Cocktail após o fórum

UE tenta vetar símbolos religiosos em moeda, mas povo eslovaco resiste e vence


Modelo aprovado pela Eslováquia: Santos Cirilo e Metodio com aura e cruz nos paramentos
Para comemorar o 1150º aniversario da evangelização da Eslováquia, o Banco Central desse país aprovou o lançamento de moedas de dois euros com a imagem dos Santos Cirilo e Metódio.
Além de evangelizar a região, eles criaram o alfabeto cirílico para traduzir a Bíblia, o qual é atualmente adotado por várias línguas eslavas, noticiou Infocatólica.
O desenho aprovado incluía num dos lados da moeda a efígie dos dois Santos com as respectivas aureolas e cruzes em suas vestimentas. Porém, a Comissão Europeia e alguns Estados da UE pediram a eliminação desses símbolos, “para obedecer ao princípio da neutralidade religiosa”.
O governo eslovaco cedeu à pressão, porém diversas instituições e eminentes figuras da vida social e política do país protestaram firmemente.
A Conferência Episcopal qualificou de “vergonha” dita imposição. O porta-voz dos bispos declarou:
“Em 1988, os fiéis da Eslováquia arriscaram suas vidas pregando a doutrina que haviam pregado os dois santos. Realmente vivemos num Estado de Direito, ou num sistema totalitário que nos dita quais atributos podemos utilizar?”.
Diante da reação popular, o Banco Central do país reconsiderou sua posição e aprovou o modelo original com os símbolos e atributos dos Santos Cirilo e Metódio, fundadores da identidade católica nacional.
Anton Ziolkovský, secretário executivo da Conferência Episcopal, agradeceu o apoio da população eslovaca dizendo: “Esperamos que nossas legítimas motivações sejam respeitadas agora pela Comissão Europeia”.
O temor tem todo o propósito considerando-se o constante atropelo dessa Comissão à vontade dos povos membros da UE.

Perita brasileira afirma: efeito contraceptivo e abortivo estão igualmente presentes na pílula do dia seguinte


Dra. Renata Gusson Martins

SÃO PAULO, 23 Fev. 13 / 10:51 am (ACI).- Após a aprovação por parte dos bispos alemães do uso da pílula do dia seguinte em hospitais católicos no caso de estupro, peritos de várias partes do mundo advertiram para o alto potencial abortivo do fármaco. No Brasil, a Dra. Renata Gusson Martins, Farmacêutica-Bioquímica, especialista em Biologia Molecular explica que diante da dificuldade de saber o exato momento da ovulação o uso da pílula é como uma “roleta russa”, nem os médicos, nem as mulheres podem ter certeza absoluta que esta não atuou como um abortivo.

“O levonorgestrel, princípio ativo da “pílula do dia seguinte”, é uma progesterona sintética. Por ser um hormônio, seu mecanismo de ação é complexo e interfere em diversas funções fisiológicas. No sistema reprodutor, pode impedir a ovulação, provocar o espessamento do muco cervical, inviabilizando a movimentação dos espermatozoides e, finalmente, provocar o atrofiamento do endométrio”, explicou a Dra. Renata, que também atua no movimento pró-vida no Brasil. 

Segundo perita brasileira, que também possui mestrado em Ciências pela Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, “os fabricantes da “pílula” afirmam que ela garante uma contracepção se tomada até 72 horas após a relação sexual. Entretanto, ao lermos as bulas de tais medicamentos, nos deparamos com uma insistente afirmação de que eles não são abortivos. Além disso, diversos artigos científicos reforçam que “não se tem evidências de que o levonorgestrel atue no endométrio”. Diante dessa afirmação, foi-se criando um consenso de que a “pílula do dia seguinte” teria somente um efeito contraceptivo, mas não abortivo”.

“Porém, contrariando essa posição, podemos questionar: se uma mulher mantiver relação sexual no dia de sua ovulação, a fecundação pode ocorrer poucos minutos após a relação. Ademais, os fabricantes garantem, como vimos, que a “pílula” impede a gravidez se tomada até 72 horas após o coito. Portanto, como afirmar que os efeitos do levonorgestrel são apenas contraceptivos se a gravidez já ocorreu? Diante de um embrião humano formado, a única maneira de impedir a continuação da gravidez é o aborto. Portanto, seguindo esta lógica, podemos afirmar que a “pílula” é sim abortiva”, asseverou.

“Temos aqui um problema bastante sério: o medicamento que pode impedir a ovulação é o mesmo que pode impedir a implantação. O efeito contraceptivo e abortivo estão igualmente presentes. Se ela for tomada antes da fecundação, atuará como contraceptivo. Se for tomada depois, atuará como abortivo.  Na prática, contudo, é improvável saber se já ocorreu ou não a fecundação”, 

“A questão que surge é muito relevante: o uso da “pílula do dia seguinte” é moralmente correto?” Segundo a Dra. Gusson a resposta é “não”.  

“Dizer o contrário seria o mesmo que afirmar que não há problema nenhum em brincar de roleta-russa”, concluiu. 

O Código do livro do Apocalipse


Por Fabio L. Leite

Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo.
Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, 
Apocalipse 1:9-10
(Domingo é o Dia do Senhor)





 
Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; Apocalipse 4:1 





E logo fui arrebatado no Espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono. E do trono saíam relâmpagos, e trovões, e vozes; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus.E havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos, por diante e por detrás.E o primeiro animal era semelhante a um leão, e o segundo animal semelhante a um bezerro, e tinha o terceiro animal o rosto como de homem, e o quarto animal era semelhante a uma águia voando. Apocalipse 4:2,5-7
(Na simbologia cristã, São Marcos é o leão, São Lucas o bezerro, São Mateus o homem e São João a águia)



 

E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestes brancas; e tinham sobre suas cabeças coroas de ouro. Apocalipse 4:4




 
(Santos Mártires Gregos do Jugo Otomano)

Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram?E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra.Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem sol nem calma alguma cairá sobre eles.Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima. Apocalipse 7:9,13-17 




Deacon of St.Nicholas Russian Orthodox Cathedral in Seattle Protodeacon Paul Bilibin 
E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono.E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus. Apocalipse 8:3-4 



E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. Apocalipse 12:1 



E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra. Apocalipse 5:6 



 
E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares,Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças.E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.E os quatro animais diziam: Amém. E os vinte e quatro anciãos prostraram-se, e adoraram ao que vive para todo o sempre. Apocalipse 5:11-14