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Experiência Mística - exclusiva dos grandes místicos?

O termo experiência, do latim experientia, tem vários significados, porém, a maioria deles possui em comum o fato de referir-se a uma apreensão imediata de uma realidade ou de “processos internos”. Filosoficamente, experiência tem dois sentidos fundamentais: como confirmação ou possibilidade de confirmação empírica de dados e como vivência de algo “dado”, antes de qualquer reflexão ou predicação. A experiência pode, portanto, designar a apreensão de “evidências” de caráter não-natural, isto é, místicas . Neste último caso, a experiência, o fato de ter “sentido”, “provado”, é fundamental para tornar crível o testemunho de quem fala do sobrenatural, de Deus . A palavra mística, do grego mystikós (o que concerne aos mistérios), por sua vez, pode ser definida como a atividade espiritual que procura efetuar a união da alma com a divindade. O contato com o divino, para o neoplatonismo, provoca uma iluminação interior que permite conhecer o ser da realidade divina . A mística é a união da alma com o seu Primeiro Princípio.
Experiência mística seria propriamente uma experiência do divino, o encontro com o divino de pessoa a pessoa; é um “sentir” a presença de Deus, um sentir-se tocado por Ele no mais íntimo. Esse “sentir” dá a certeza de que é Deus mesmo quem fala. A mística possui um extraordinário poder revelador, prefigurando a própria visão beatífica . É distintivo da experiência mística, ademais de unir o homem ao Absoluto, uma forma de conhecimento espiritual que não se deixa apreender conceitualmente nem se traduz em palavras . Outro elemento constitutivo da experiência mística é a absoluta manifestação, a absoluta iniciativa divina, que penetra no ser humano transformando-o, ampliando seus limites, fazendo-o apreender diretamente e sem mediações a presença do Infinito .
Sao_Joao_da_cruzSão João da Cruz, ao descrever as purificações da alma nas noites escuras e a posterior luz que a invade, elevando o espírito a um sentir divino, estranho e alheio a todo modo humano, assim se expressa: “a alma virá a ter um novo senso e conhecimento divino, muito abundante e saboroso, em todas as coisas divinas e humanas, que não pode ser encerrado no sentir comum e no modo de saber natural; porque então tudo verá com olhos bem diferentes de outrora, – diferença essa tão grande, como a que vai do sentido ao espírito” . Acrescenta, ainda, que esse conhecimento místico e amoroso ilumina a vontade e, ao mesmo tempo, fere e ilustra o entendimento, infundindo certo conhecimento e luz divina, com tanta delicadeza e suavidade, que a vontade se afervora extraordinariamente .
Composto de corpo e alma, matéria e espírito, inseparáveis , o ser humano necessita das exterioridades para, através de uma ação harmônica e complementar dos sentidos e da inteligência, conhecer o mundo. Ou seja, é pelos sentidos que se dá o conhecimento natural. O conhecimento sobrenatural ou místico não tem necessidade de passar pelos sentidos, é uma comunicação direta de Deus no fundo da alma. É uma espécie de iluminação que, atuando sobre a inteligência, vontade e sensibilidade, transporta o espírito humano para uma ordem metafísica e sobrenatural. A impressão causada pela experiência do divino proporciona uma clareza especial de visão, produzindo um amor que eleva a pessoa acima do seu próprio nível e a enche do desejo de dedicação, tornando-a entusiasmada e ansiosa por entregar-se .
A duração dos fenômenos místicos pode variar; geralmente eles são muito curtos, algo à maneira de um relâmpago ou flash, entretanto, deixam na alma marcas indeléveis. Nesse sentido, Santa Teresa, tratando das manifestações da “Sacratíssima Humanidade” de Jesus Cristo, afirma: “E, embora seja com tanta presteza, que a poderíamos comparar à de um relâmpago, fica tão esculpida na imaginação esta imagem gloriosíssima, que tenho por impossível que se lhe tire até que a veja onde sempre a possa gozar” . Longe de ser uma “via extraordinária”, exclusiva dos grandes místicos experimentais, a mística faz parte da experiência transcendente comum, “ordinária”. Sem “sentir” a proximidade do Ser Absoluto – causa primeira e fim último de todas as coisas –, sem “experimentar” a possibilidade de unir-se a Ele, o ser humano ficaria abalado em sua certeza axiológica e ontológica, perderia a noção do seu próprio ser.

O desenvolvimento da vida espiritual

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Irmã Maria Cecília Seraidarian, EP


Em sua Teologia da Perfeição Cristã, o Pe Royo Marín (1968, p 273) salienta que :
Cada alma segue seu próprio caminho rumo à santidade sob a direção e o impulso supremo do Espírito Santo. Não há duas fisionomias inteiramente iguais no corpo nem na alma. Contudo, os mestres da vida espiritual tem tentado diversas classificações atendendo às disposições predominantes das almas, que não deixam de ter sua utilidade ao menos como ponto de referência para precisar o grau aproximado de vida espiritual em que se encontra uma determinada alma. (…)
São três, parece-nos, as principais classificações que foram propostas ao longo de toda a história da espiritualidade cristã: a clássica das três vias: purgativa, iluminativa e unitiva; a do Doutor Angélico, baseada nos três graus de principiantes adiantados e perfeitos; e a de Santa Teresa de Jesus em seu genial Castelo interior ou livro das Moradas.
A obra de Santa Teresa de Jesus, Castelo interior ou Moradas, é tomada como exemplo pela maioria dos autores de vida espiritual, pois explica de modo excelente as fases da vida cristã rumo à santidade, baseando-se nos graus de oração. Esta Doutora da Igreja compara a alma a um castelo e os diversos graus da vida espiritual, aos aposentos desse castelo: “consideremos nossa alma como um castelo, feito de um só diamante ou de limpidíssimo cristal. Neste castelo existem muitos aposentos, assim como no céu há muitas moradas” (1981, p. 19).
Santa Teresa divide o desenvolvimento da vida espiritual em sete moradas:
a) Primeiras Moradas (ibidem, p. 19-37) – considera a beleza de uma alma em estado de graça e lamenta aquelas almas que jamais entram no castelo, ficam ao redor dele, obstinadas no pecado. Afirma ainda que a porta de entrada desse castelo é a oração. Trata da hediondez de uma alma em estado de pecado mortal e da importância da humildade e do conhecimento de si mesmo, através do conhecimento de Deus. Adverte também sobre as artimanhas do demônio para impedir que as almas progridam dessas primeiras moradas para as seguintes. Nesse estágio, as almas desejam não ofender a Deus e praticar boas obras, no entanto, estão ainda absorvidas pelo mundo.
b) Segundas Moradas (ibidem, p. 41-49) – aqui as almas já se preocupam em servir a Deus, fogem das distrações fúteis e buscam uma vida de oração e recolhimento, embora com muitas quedas e falhas. Têm aversão ao pecado mortal, porém, pouco cuidado em evitar as ocasiões. Sofrem por sentirem cada vez mais claro o chamado de Deus e não terem ânimo suficiente para se entregarem inteiramente. Nesta fase, a Santa encoraja-as a não desanimarem diante dos ataques do demônio mas serem humildes e se confiarem à Misericórdia Divina, a fim de perseverarem.
c) Terceiras Moradas (ibidem, p. 53-68) – nestas moradas as almas passam a ter mais oração e recolhimento, evitam os pecados veniais e fazem penitência. Quando são provadas pelo Senhor com securas e aridezes, desanimam porque ainda são débeis. Aconselha a estas almas a fuga das ocasiões e a perseverança na humildade e na oração, sem fazer caso de provações ou de consolações.
d) Quartas Moradas (ibidem, p. 71-95) – é nesta etapa que ocorre a transição da ascética para a mística. As tentações trazem benefícios e são ocasião de mérito. Tem-se o início das orações contemplativas. Santa Teresa ressalta a importância de crescer no amor, condição para progredir às moradas seguintes.
e) Quintas Moradas (ibidem, p. 99-130) – a Santa Doutora descreve longamente a união da alma com Deus na oração contemplativa. A experiência mística é intensificada e aumentam as purificações passivas. As almas experimentam grande amor ao próximo e têm necessidade de muita vigilância para não cair nas sutilezas do demônio.
f) Sextas Moradas (ibidem, p. 133-224) – nesta fase as almas recebem grandes favores e padecem terríveis provações; Deus opera maravilhas naqueles que alcançam estas moradas. O amor a Deus é levado até o esquecimento de si mesmo. Os fenômenos místicos se multiplicam. As almas têm desejo de unir-se intimamente a seu Senhor, abandonando esta vida.
g) Sétimas Moradas (ibidem, p. 227-260) – Perfeição – dá-se o “matrimônio espiritual”, a união transformante em que a alma se faz uma com Deus, sente em si a inabitação da Santíssima Trindade. As almas atingem um estado de paz e tranqüilidade inalteráveis, preocupam-se unicamente com a glória de Deus.
Diante dessa impressionante descrição de Santa Teresa de Jesus, um dos luminares da mística experimental, percebe-se o belo mas árduo caminho a percorrer para alcançar a santidade, uma vez que é preciso arrancar da alma todo o apego às coisas terrenas e o apego a si mesmo para poder seguir a Nosso Senhor Jesus Cristo (Lc 9, 23): “se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (BÍBLIA SAGRADA, 1996). Sem um constante auxílio de Deus, que com sua graça atrai as almas, sustenta-as e faz avançar nas vias da santidade, não seria possível ao homem chegar à perfeição por suas próprias forças.

A prova da existência de Deus pelas cinco vias de São Tomás de Aquino


Luiz Carlos da Silva Júnior
Ao observarmos o curso da história veremos que não faltou quem negasse a real existência de Deus. Poderíamos lastimar o fato de tais pessoas não serem dotadas do dom da fé. Pois à primeira vista parece que o conhecimento de Deus é fruto deste dom.
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Ora, São Tomás de Aquino faz a demonstração de provas meramente naturais acerca da existência de Deus. A própria razão humana é capaz de chegar à ideia da existência do Criador. Por isso, não admitir a existência de Deus não é racional, mas sim apoiar-se num vago e convencional dogma de negação.

A doutrina da Igreja sobre a existência de Deus funda-se na Revelação, todavia a simples filosofia humana é capaz de vislumbrar a Deus, bem como alguns de seus atributos. São Tomás de Aquino, o maior teólogo da História da Igreja, teve o mérito de reunir e explicitar estes conceitos sobre a existência de Deus[1].

Este santo, conhecido como Doutor Angélico, distingue cinco caminhos pelos quais nossa inteligência pode admitir a existência de Deus. O plano das cinco vias é altamente claro, simples e didático.

Primeira via: a prova pelo movimento

A primeira via de raciocínio para chegar ao conhecimento da existência de Deus é a prova do movimento. Em linguagem corrente, movimento significa mudança de local. Ao andar de um lugar para outro, exerço um movimento. No entanto, há também um outro sentido da palavra movimento. O movimento significa qualquermodificação dos seres.

Em outras palavras, há dois tipos de movimento: o primeiro é o movimento de lugar dado na locomoção que um ser corpóreo faz, de um lugar ao outro; o segundo, é o movimento de sucessão que ocorre no crescimento de uma criança até o seu pleno grau de amadurecimento. Ambos movimentos são facilmente perceptíveis pelos sentidos.

Antes do movimento todos os seres estão em potência[2], isto é, possuem uma possibilidade de se tornarem diferentes do que são. Em filosofia este fenômeno denomina-se atualizar-se. Um corpo frio em ato pode vir a ser quente, ou seja, ele é quente em potência. Movimento é, portanto, qualquer passagem de potência para ato(Atualização). Em outras palavras, o ato é a realização enquanto a potência é a possibilidade de realização. Por exemplo, uma semente em ato é uma semente, mas em potência, é uma árvore.

movimento não é a sucessão de dois estados, mas a passagem que um ser faz de um estado para o outro. Por exemplo, o fogo que é quente em ato, torna a madeira que está em potência para o calor, quente em ato. Deste modo, há uma realidade que permanece sob os dois estados, e a mudança consiste em receber aatualização do segundo estado (frio), pelo qual a coisa (a madeira) fica agora existindo de outro modo (quente), isto é, modificada. A mudança portanto inclui sempre uma aquisição de algo que antes o ser não possuía.

Dado ser evidente a todos, esta experiência dos sentidos, São Tomás a toma como ponto de partida da primeira via racional a provar a existência de Deus: “Nossos sentidos atestam, com toda certeza, que neste mundo algumas coisas se movem. Ora, tudo o que é movido é movido por outro. Nada se move que não esteja em potência em relação ao termo de seu movimento; ao contrário o que se move o faz enquanto se encontra em ato” (S. Th. I, q.2, a. 3).

Tudo se move, tudo muda, tudo passa de um estado para outro, não somente no sentido do movimento local, mas de mudança substancial, como na geração de novas substâncias (a madeira pode se tornar carvão). Também acidental, como o aumento ou diminuição quantitativa (o filhote cresce e torna-se adulto). E como variação quantitativa, quer na ordem material quer na ordem espiritual (maior peso, mais graça).

Assim, se o que move é também movido, o é necessariamente por outro, e este por outro ainda. Ora, não se pode continuar até o infinito, pois neste caso não haveria um primeiro motor, por conseguinte, tampouco outros motores, pois os motores segundos só se movem pela moção de outro motor. Logo, é então necessário chegar a um primeiro motornão movido por nenhum outro, e este, todos entendem: é Deus” (S. Th. I, q.2, a. 3).

O Primeiro Motor – Deus – é puro ato, existência subsistente. Deve ser ato, pois sendo movente, deve ter em ato a perfeição que ele comunica; deve ser puro, sem mistura de potencialidade, pois é movente imóvel e imutável. Logo, o movente imóvel é puro ato enquanto existente: é a Existência mesma subsistente[3].

Só é independente na sua atividade quem é a própria atividade, e só é a atividade quem é a existência; só comunica a perfeição quem produz a existência desta, e só pode ter por efeito próprio “fazer existir” quem é a existência. Logo, o primeiro movente imóvel é a sua existência: DEUS.
Segunda via: prova pela causa eficiente

Conforme a primeira via, uma semente tem a possibilidade de tornar-se (atualizar-se) em árvore. Já na segunda nos deteremos em mostrar que a semente para ser árvore, necessita de causas entre si subordinadas, ou seja, que dependam umas das outras no agir e no existir. Sem a terra, o ar, a água, o sol, etc., a semente não encontraria condições para o seu desenvolvimento. Assim, o clima e as substâncias que alimentam a planta são causas de vida para o vegetal. Seria portanto uma loucura afirmar que a semente é causa de si mesma, pois para ser sua própria causa necessitaria existir antes de si mesma.

A segunda via segue substancialmente o mesmo caminho da primeira. Porém, não se baseia na mudança e passividade dos seres, e sim, na dependência e causalidade que há nas atividades deles. É muito clara a semelhança entre a primeira e a segunda via, pois ambas nos levam à necessidade de uma causa inicial. Entretanto, consideramos anteriormente a existência e a necessidade de uma causa motriz, e agora trataremos de considerar a obrigatoriedade de existir uma causa eficiente[4].

Ao observarmos a criação, notamos nas coisas sensíveis uma relação de causas. Desta forma, não se pode encontrar um ser que seja sua própria causa eficiente. Sendo a causa anterior ao efeito, seria absurdo, considerar um ser que fosse a sua própria causa eficiente, pois seria ele anterior a si mesmo. Entretanto não é possível levar ao infinito a série de causas eficientes. Isto posto, ficam evidentes duas possibilidades: que algo seja causa de si próprio e que a série de causas seja remontada ao infinito.

Há, pois, uma ordem de causas em que a primeira é a causa da segunda, esta, da terceira e assim sucessivamente até a última. Tanto numa causa intermediária que une a primeira à última como numa variedade de outras causas intermediárias, a causa primeira é a causa do último efeito, de tal forma que suprimindo a causa suprime-se o efeito, e se não há um primeiro termo nas causas, não haverá nem intermediário nem último. As causas intermediárias são, por conseguinte, efeitos da causa originária. Não se admite efeitos sem causa, segundo o princípio básico de causalidade[5].

Assim, as causas subordinadas dos seres levam-nos direta e imediatamente a uma causa eficiente primeiracom certo atributos:

Esta causa é Infinitamente perfeita, porque sendo a existência mesma subsistente, é tudo o que pode existir, isto é, todos os modos de ser, todas as perfeições; Imaterial, porque a matéria é potência. Ora, a causa primeira não sofre mudanças por ser ela ato puro; Inteligente, porque a imunidade e exceção da matéria é a causa da faculdade intelectual, que se caracteriza por se fazer atualmente inteligíveis as formas materiais abstraindo-as da matéria e das condições da matéria; Não subordinada e incausada, pois não pode ser causada por outra, caso contrário não seria a primeira, nem poderia ser absolutamente independente no agir e no causar[6]. A esta causa eficiente primeira chamamos: DEUS.

Terceira via: prova pelo ser necessário

A terceira via também faz o caminho semelhante ao das anteriores. Entrando mais intimamente na essência dos seres do universo, procura o ponto de partida na entidade destes seres contingentes, ou seja, dependente de outro ser necessário para existir.

O contingente[7] é qualquer ser que existe, mas poderia não existir, por não ter em si mesmo, em sua essência, a razão de sua existência. Por exemplo, uma criança para se desenvolver e sobreviver necessita de minerais, vitaminas, nutrientes, etc., encontrados no leite materno. A criança é contingente ao colo da mãe.

Agora, a ideia de contingente está em oposição à de necessário. O necessário é, pois, o ser existente que de modo algum pode não existir, porque tem em si a razão absoluta de sua existência. Contendo na sua própria essência a sua existência, seria absurdo não existir. Expostos os conceitos de contingente e necessário chega-se a uma conclusão óbvia que a existência do contingente está justificada no ser necessário que a comunica.

Com efeito, tudo o que pode ser ou não ser, é mutável. Já que o ser necessário tem que ser imóvel, como São Tomás demonstrou na primeira via, não há nele possibilidade de ser ou não ser. Desta forma, todo ser que é, e que é impossível que não seja, é necessariamente. Porque a possibilidade de existência e de não existência significa a mesma coisa. Além disso, os seres que possuem a possibilidade de ser ou não ser necessitam de outro ser que seja distinto deles, que lhes comunique o ser, por ter aptidão na sua natureza para tal. Visto que o ser que comunica o existir é anterior ao que recebe, é necessário afirmar a existência de um ser anterior ao que possui a privação de ser por si. Em última análise, nada existe senão pelo ser que é a existência subsistente, nada possui a beleza senão pela beleza subsistente, nada possui o bem senão pela bondade subsistente, nada está em ato senão pelo ato puro[8].

Admitir um contingente existente incausada, é admitir um ser que tem e não tem em si a razão suficiente de sua existência: o que é contraditório. Logo, a existência do contingente implica forçosamente a existência da sua causa. Esta causa existe necessariamente por si ou o recebe de outrem a sua existência. Ora, sem um ser que exista por si mesmo, nada existe, pois alguma coisa não pode vir a ser do nada: deste modo nada existiria. Por conseguinte, não pode uma série ser contingente sem que haja fora dela um ser primeiro não causado, que possua na sua essência sua existência e possa ser a fonte da essência dos seres.

Portanto, os seres contingentes exigem a existência de um ser que não tenha começado a existir; um ser não causado, que exista por si mesmo, que tenha existido sempre e que seja necessário aos demais. Este ser necessário encontra na sua própria essência sua existência que é infinita, caso contrário estaria criando outro ser infinito e necessário, e este, outro e assim sucessivamente. Ora, a série de contingência segue ao infinito. Assim, os seres criados têm por um lado a essência e, por outro, tanta existência quanto sua essência possa permitir, ou seja, têm uma limitação própria à sua essência[9]. Desta forma, é necessário afirmar a existência de um ser necessário por si mesmo e que é a causa e a necessidade de todos os outros: DEUS.

Quarta via: prova pelos graus de perfeição dos seres

Esta via não evidenciará a mudança, a atividade, a geração ou corrupção, mas a limitação com que certas perfeições existem nos vários seres. Em outras palavras, os graus de bem que residem nas criaturas.

Vemos nos seres que uns são mais ou menos bons, verdadeiros e nobres que os outros. Assim, ninguém duvida que o homem é mais perfeito que o animal; o animal mais que o vegetal; e este mais que o mineral. O mesmo deve-se dizer da bondade, da verdade, da nobreza e das outras perfeições semelhantes, as quais encontra-se em todos os seres segundo uma diversidade de graus, em virtude da qual alguns  seres são mais perfeitos que outros.

São Tomás de Aquino observa que “encontra-se nas coisas algo mais ou menos bom, mais ou menos verdadeiro, mais ou menos nobre etc. Ora, mais menos se dizem de coisas diversas conforme elas se aproximam diferentemente daquilo que é em si o máximo”.[10]

Em outras palavras, “mais ou menos” não diz respeito às coisas em si, mas sim, no tanto em que elas se aproximam em graus diversos do que é em grau máximo. Por exemplo, algo torna-se mais frio quando se aproxima do frio em grau máximo. Desta forma há algo que é em grau supremo o bem, a verdade, a nobreza e, por sua vez, o grau máximo do ser. Assim, o que é o grau máximo do gênero é causa e medida de todo esse gênero: O gelo que é grau máximo de frio, é causa e medida de todo frio.

Da existência destas perfeições limitadas e graduadas deduz-se a existência de um ser perfeitíssimo. Ser sublime no qual residem todas as perfeições em seu grau sumo. João Ameal conclui que, “Há, então, um ser soberanamente belo soberanamente bom, soberanamente perfeito. Mas aquilo que é soberano, supremo em algum gênero, é causa de todos os seres do mesmo gênero”.[11]

Já Santo Agostinho se refere aos antigos filósofos por terem visto que em todas as coisas mutáveis o modo pelo qual um ser é o que é só lhe virá do ser verdadeiro e imutável por essência:
“Compreenderam, além disso, que em todo ser que muda, toda forma que o faz ser o que é, qualquer que seja sua natureza e os seus modos, não pode ela mesma existir senão por Aquele que é verdadeiramente porque é imutavelmente. É daí que, quer seja o corpo do mundo inteiro, a sua estrutura, as suas propriedades, o seu movimento regular, os seus movimentos escalonados do céu à terra e todos os corpos que ele encerra; quer seja toda a vida: a que sustenta e mantém o ser, como nas árvores; a que, além disso, possui sensibilidade, como nos animais; a que acrescenta a tudo isto a inteligência, como nos homens; ou a que, sem necessidade de mantimentos, se mantém, goza de sentimentos e de inteligência como nos anjos, não pode manter o seu ser senão d’Aquele que simplesmente é”.[12]

Por esta razão, São Tomás ao explicar que “se alguém indo a uma casa e desde a porta fosse sentindo calor e cada vez que mais nela penetrasse mais calor sentisse, evidentemente perceberia que havia fogo no seu interior, mesmo que não estivesse vendo o fogo. Acontece o mesmo conosco ao considerar as coisas deste mundo. Todas as coisas estão ordenadas conforme diversos graus de beleza e de nobreza, e quanto mais estão próximas de Deus, tanto melhores e mais belas são. Ora, os astros são mais nobres e mais belos que os corpos inferiores; as coisas invisíveis, que as visíveis”.[13]

Deste modo a quarta via, para achar a razão suficiente das perfeições existentes no mundo, nos conduz necessariamente à existência real de um Ser perfeito, único e simples, o qual é evidentemente distinto dos seres do universo: DEUS.

Quinta via: prova pela ordem do universo

Se considerarmos a ordem existente no universo, desde os componentes microscópicos existentes numa planta até os gigantescos astros do firmamento; a harmonia, a atividade e relação entre eles, facilmente chegamos à seguinte conclusão: houve uma Inteligência que criou e ordenou tudo isto, caso contrário seria absurdo dizer que isto é fruto do acaso.

“De fato, apenas a inteligência pode ser razão da ordem, quer dizer, da organização dos meios em vista de um fim, ou dos elementos em vista do todo que eles compõem: os corpos ignoram os fins e, por conseguinte, se os corpos ou os elementos conspiram em conjunto, é necessário que sua organização tenha sido obra de uma inteligência”.[14]

Os seres que carecem de conhecimento não podem rumar aos seus respectivos fins sem que haja um ser que conheça tais fins. Assim, uma flecha não pode atingir o alvo sem o arqueiro que a dispare. Garrigou-Lagrange explica que:
“os seres privados de razão não tendem a um fim se não são guiados por uma inteligência, como a flecha pelo arqueiro. Com efeito, uma coisa não pode estar ordenada à outra senão por uma causa ordenadora, que necessariamente deve ser inteligente, ‘sapientis est ordinare’. Por que? Porque só a inteligência conhece a razão de ser das coisas”.[15]

Isto posto, que inteligência ordena o universo? Obviamente há de ser diferente dos seres da natureza, porque os minerais e vegetais são desprovidos da ciência das coisas e os animais não possuem intelecto. Deve ser também diferente da inteligência humana, que apesar de perceber e explicar a ordem que existe, não a cria. Tem que ser, pois, a suma inteligência, dado que a ordem do universo supõe um ser que possua a ciência de todos os seres e suas propriedades. Por isso conclui Garrigou-Lagrange:
Os animais conhecem sensivelmente o objeto que constitui seu fim, mas neste objeto não percebem a razão formal do fim. Por conseguinte, se não houvesse uma inteligência ordenadora, que governasse o mundo, a ordem e a inteligibilidade, que há no universo e que as ciências descobrem, proviria da inteligibilidade, e ainda mais, nossas próprias inteligências proviriam de uma causa cega e ininteligível; uma vez mais, o mais sairia do menos, o que é absurdo”.[16]

É indispensável afirmar que a Inteligência Criadora e Ordenadora do universo é Infinita e Divina. Um ser natural, na sua criação não é precedido por nada e suas propriedades e capacidades provém de sua própria essência. Daí a ordem interna de cada ser e, por consequência, das relações destas essências entre si, resulta a ordem externa do universo.

Sendo a causa total de toda ordem, o Autor destas essências deve ser também Criador, por tirá-las do nada. Portanto a Inteligência ordenadora é também Criadora. Ademais, esta inteligência não pode ter sido criada, porque seria como qualquer outro ser existente e não ordenaria, mas seria ordenada por uma outra inteligência. Por fim, a Inteligência ordenadora deve ser também por si subsistente e infinita. A este ser Criador, Subsistente por si e Infinito, chamamos: DEUS.

[1] Mais especificamente, a que se encontra na Suma Teológica I (q. 2, a. 3).
[2]Com Deus não é assim, pois ele é ato puro, como veremos mais à frente.
[3] Cf. GILSON, Étienne. El Tomismo introducción a la filosofía de Santo Tomás de Aquino. 2002, p. 76.
[4]MONDIN, Battista. Quem é Deus?.Trad. José Maria de Almeida. São Paulo: Paulus, 1997, p. 233. Causa eficiente, é a causa da vinda do efeito a existência. Tudo que existe, é um efeito de uma causa primeira (NICOLAS, Marie-Joseph. Vocabulário da Suma Teológica. In Suma Teológica. 2ª edição. São Paulo: Loyola, 2001, p. 75).
[5] Cf. S. Th. I, q.2, a. 3.
[6] Cf. CERRUTI, Pedro. A caminho da Verdade Suprema. 2º Milheiro. Rio de Janeiro: Universidade Católica, 1955.p. 486.
[7] A noção de contingente recebe um significado mais restrito e é tomado como sinônimo de corruptível, que possui em sua essência uma matéria com potência para receber diferentes formas substanciais, da mesma forma que tem a possibilidade natural de existir.
[8] Cf.  S. Th. I, q.2, a. 3.
[9] SÃO TOMÁS, O ente e a essência, n. 65.
[10] S. Th., q. 2, a. 3.
[11]AMEAL, João. São Tomás de Aquino. Sem data, 269-270.
[12] Santo Agostinho. A cidade de Deus. Trad. J. Dias Pereira. 3ª edição. Coimbra: Fundação Colouste Gulbenkian, 2006. Civitas Dei, 8, 6.
[13] SANTO TOMÁS, Exposição sobre o credo, p.27.
[14]JOLIVET, Régis. Curso de filosofia. Trad. Eduardo Prado de Mendonça. 3ª edição. Rio de Janeiro: Agir, 1957, p.319.
[15]Dios la existência de Dios. Trad. José San Román Villasante. 2ª edição. Madrid: Palabra, 1980, p. 303-304
[16]Dios la existência de Dios. Trad. José San Román Villasante. 2ª edição. Madrid: Palabra, 1980, p. 304.

Arautos do Evangelho ajudando as vítimas das chuvas no Brasil

Via EP

"Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" Mt V, 16.

As chuvas que assolam o sudeste do Brasil, especialmente o Estado do Rio de Janeiro, já são consideradas a maior catástrofe natural da História do Brasil. Cerca de 800 mortos e milhares de pessoas ficaram desalojadas. Todavia, esta calamidade atingiu também o estado de São Paulo, e de modo especial, as cidades que se localizam na Serra da Cantareira, ao norte da Capital.


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Casas destruídas, ruas obstruídas, falta de energia e inundações atingiriam a população da Serra, e de forma especial, algumas famílias do bairro do Apolinário.



Como o riacho transbordou, suas águas penetraram em diversas casas, fazendo com que seis famílias ficassem desabrigadas e as respectivas casas condenadas, devido à erosão provocada pelas águas junto aos fundamentos das residências.



Face à dor destes nossos irmãos, os membros do IFAT-ITTA, com a ajuda de alguns famílias generosas e compadecidas, distribuíram alimentos e apoio espiritual às cerca de 30 pessoas desalojadas que, com o apoio da comunidade local, conseguiram hospedar-se num salão de festas.

Por que ser tomista?

Numa época em que a humanidade dificilmente consegue harmonizar a fé e a razão, os Papas dão o rumo certo ao pensamento, recomendando a doutrina imperecível de São Tomás de Aquino.
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Eterna é a fidelidade do Senhor” (Sl 116, 2).
Um dos sintomas pelos quais podemos discernir o quanto Deus cria a alma humana com vistas à vida eterna é a inextinguível sede de eternidade que brota de seu mais profundo âmago. E isso acontece apesar do homem constatar até que ponto é efêmera sua existência terrena, tal qual diz o Eclesiástico: “A duração da vida humana é quando muito de cem anos. No dia da eternidade esses breves anos serão contados como uma gota de água do mar, como um grão de areia” (Eclo 18, 8).
O homem tem sede de perpetuar sua lembrança
Entretanto, arde no homem o desejo de prolongar estavelmente sua lembrança junto aos que com ele vivem, como também entre aqueles que no futuro haverão de existir. A angústia, muitas vezes, pervade o espírito de quem se coloca na perspectiva de vir a ser inteiramente esquecido pelos seus e pela posteridade. A simples consideração deste versículo do Eclesiastes: “Não há memória do que é antigo, e nossos descendentes não deixarão memória junto àqueles que virão depois deles” (Ecle 1, 11), quase sempre deita certa amargura no fundo da alma de quem experimenta a progressiva cercania da morte.
Esse é o pânico psíquico que esteve na raiz da febricitada busca de sucesso da parte de tantos infelizes. Eles mais encontraram frustração do que felicidade e, o que é pior, ad perpetuam rei memoriam. Mais ainda, essa memória pela qual ansiavam fixou-se nas esteiras da História, bem no extremo oposto à glória divina que desejavam. Os tempos que nos precederam estão coalhados de ilustrações dessa triste situação. Algumas, porém, se tornaram paradigmáticas como é, por exemplo, o caso de Alexandre Magno (356 – 323 a.C.).
Conta-nos a História, que ele chegou a exigir de seus súditos um culto de idolatria, considerando-se deus. Mas, de que lhe valeram a sucessão de magníficas vitórias, a fundação do Império Grego e o ter-se tornado o dominador absoluto do Oriente Próximo?1
De passagem lembremos outro nome, carregado de significado, para ilustrar os desastrosos resultados a que conduz esse malfadado delírio de autopromoção. Recordemos o quanto o imperador Calígula se tornou famoso pelos excessos de crueldade. Sua memória permaneceu — e assim se prolongará até o fim dos tempos — manchada pelos piores crimes e atrocidades, e jamais deixará de ser objeto de horror e abjeção.
Eterna será a memória do justo”
Quanto erraram esses e tantos outros homens! Pois o caminho para perpetuar a memória é bem outro, tal qual afirma o Salmista: “Eterna será a memória do justo” (Sl 111, 6), ou o próprio Livro da Sabedoria: “Mais vale uma vida sem filhos, mas rica de virtudes: sua memória será imortal, porque será conhecida de Deus e dos homens” (Sb 4, 1). Ainda mais nimbada de glória será a imortalidade de sua memória, se de seus lábios ou de sua pluma brotarem sábias e elevadas explicitações segundo os recursos da razão humana, sobre as últimas causas, o mundo, o homem e a própria existência de Deus, como também de seus atributos. E se esse esforço não se apoiar exclusivamente na inteligência mas, de maneira especial, nas luzes que nos proporciona a Revelação, o fulgor daí resultante será maior.
St Tomas
Perfeita união entre filosofia e teologia
Um indiscutível exemplo de quem, nessa linha, marcou os acontecimentos da Igreja e foi aureolado da melhor fama é São Tomás de Aquino. Por um rico sopro do Espírito Santo, soube ele conjugar as verdades filosóficas e teológicas enquanto procedentes da Verdade Criadora e Inteligência Suprema. E isso porque a Filosofia é a mais importante das ciências para servir à Teologia, sendo esta a primeira entre todas elas. Uma estuda a ordem da natureza e a outra, a ordem da graça. Ambas muito harmônicas, pois, delas, um só é o criador: Deus! Ele é o autor da verdade natural, como também da revelada, e daí haver um necessário e perfeito entrelaçamento entre razão e fé.
No coração do Doutor Angélico, a lógica adquire asas sem perder seu contato com a terra, e as ciências físicas, metafísicas e filosóficas, com toda humildade, inclinam-se diante da autoridade divina para servir à Teologia. Em sua mente encontramos um alcandorado resumo de toda a ciência da Idade Média, como até mesmo da do mundo antigo, purificada e santificada; ali estavam a Filosofia e a Teologia conduzidas a uma perfeita união, a razão submetida à fé com novo vigor e energia. Por isso não devemos considerar suas obras como simples ensaios de Teologia ou de Filosofia, mas sim um monumento-síntese de enorme envergadura e profundidade, esplendor de uma grande época. Daí tornar-se compreensível ainda hoje o motivo pelo qual se deve buscar em São Tomás uma das mais belas aplicações do método, ou melhor ainda dizendo, da lógica em toda a força de sua clareza e penetração, e nunca com os entraves com que a arrouparam nos séculos posteriores.
A Suma Teológica marcou sua época e a posteridade
Quer na alma dos santos, quer na voz do Magistério da Igreja, sempre houve um reconhecimento do gênio divino com o qual São Tomás elaborou sua Suma Teológica, discernindo e desenvolvendo todos os ramos do conhecimento humano, agrupando-os, entrelaçando-os e entregando-os ao serviço da fé. É nessa perspectiva que encontramos Santo Alberto Magno abismado diante da Suma Teológica produzida por seu ex-aluno, quando com muito esforço procurava ele fazer avançar a sua própria, que há certo tempo começara.
Quando Alberto leu a Suma de seu antigo aluno, exclamou maravilhado: ‘Isto é perfeito e definitivo!’ E se absteve de continuar a sua. O Concílio de Trento confirmou seu parecer: sobre a mesa da sala colocou, ao lado da Bíblia, a Suma de São Tomás, como testamento da Idade Média”. 2
Teólogo recomendado pelo Concílio Vaticano II
O brilho da fulgurante aura de São Tomás não ficou circunscrito à Idade Média; ainda hoje suas luzes nos assistem com seus raios. Na carta Lumen Ecclesiæ, do Servo de Deus Paulo VI, dirigida ao Superior Geral dos Dominicanos por ocasião do VII centenário da morte do grande doutor da Igreja, encontramos este importante elogio:
Também o Concílio Vaticano II recomendou, duas vezes, São Tomás às escolas católicas. Com efeito, ao tratar da formação sacerdotal, afirmou: ‘Para explicar da forma mais completa possível os mistérios da salvação, aprendam os alunos a aprofundar-se neles e a descobrir sua conexão, por meio da especulação, sob o magistério de São Tomás’. O mesmo Concílio Ecumênico, na Declaração sobre a Educação Cristã, exorta as escolas de nível superior a procurar que, ‘estudando com esmero as novas investigações do progresso contemporâneo, se perceba mais profundamente como a fé e a razão têm a mesma verdade’; e logo em seguida afirma que para esse fim é necessário seguir os passos dos doutores da Igreja, sobretudo de São Tomás. É a primeira vez que um Concílio Ecumênico recomenda um teólogo, e este é São Tomás”.3
João Paulo II ressalta a atualidade da doutrina tomista
É particularmente significativo o empenho de João Paulo II em ressaltar a atualidade da doutrina tomista.
Em 13 de setembro de 1980, ao receber os participantes do VIII Congresso Tomista Internacional, por ocasião do centenário da encíclica Æterni Patris, do seu predecessor Leão XIII, o Papa João Paulo II afirmava:
Os cem anos da encíclica Æterni Patris não passaram em vão, nem esse célebre documento do Magistério pontifício perdeu a sua atualidade. A encíclica baseia-se num princípio fundamental, que lhe confere profunda unidade orgânica interior. É o princípio da harmonia entre as verdades da razão e as da Fé.” […]
Com ‘Æterni Patris’— que tinha como subtítulo ‘De philosophia christiana… ad mentem sancti Thomæ… in scholis catholicis instauranda’ —, Leão XIII manifestava a consciência de que se tinha chegado a uma crise, uma ruptura e um conflito ou, pelo menos, a um ofuscamento acerca da relação entre a razão e a Fé. [...] Era, portanto, o momento de imprimir novo rumo aos estudos no interior da Igreja. Leão XIII aplicou-se com clarividência a essa tarefa, reapresentando — este é o sentido de instaurare — o pensamento perene da Igreja, na límpida e profunda metodologia do Doutor Angélico” .4
Eixo central do pensamento cristão
Salientou também o Servo de Deus João Paulo II, nessa ocasião, o papel de grande destaque que ocupa São Tomás, tanto nos céus da Filosofia quanto nos da Teologia:
Como afirmava Paulo VI: [...] ‘São Tomás, por disposição da Divina Providência, atingiu o cume de toda a Teologia e Filosofia ‘escolástica’, como se lhe costuma chamar, e fixou na Igreja o eixo central a cuja volta, então e em seguida, se pôde desenvolver o pensamento cristão em seguro progresso” (Lumen Ecclesiæ, 13. 3).
Está nisto a motivação da preferência dada pela Igreja ao método e à doutrina do Doutor Angélico. Longe de preferência exclusiva, trata-se de referência exemplar, que permitiu a Leão XIII declará-lo ‘Inter Scholasticos Doctores omnium princeps et magister’ (Æterni Patris, 13). E tal é verdadeiramente São Tomás de Aquino, não só pela sua plenitude, pelo equilíbrio, pela profundidade e pela limpidez do estilo, mas ainda mais pelo vivíssimo sentido de fidelidade à verdade, que podem também dizer-se realismo. Fidelidade à voz das coisas criadas, para construir o edifício da Filosofia; fidelidade à voz da Igreja, para construir o edifício da Teologia” .5
Justo equilíbrio entre fé e razão
É, porém, na encíclica Fides et Ratio, que o Papa torna mais candente a atualidade do tomismo, propondo-o como justo equilíbrio entre a fé e a razão, “as duas asas do espírito humano”:
Embora sublinhando o caráter sobrenatural da fé, o Doutor Angélico não esqueceu o valor da racionabilidade da mesma; antes, conseguiu penetrar profundamente e especificar o sentido de tal racionabilidade. Efetivamente, a fé é de algum modo ‘exercitação do pensamento’; a razão do homem não é anulada nem humilhada, quando presta assentimento aos conteúdos de fé; é que estes são alcançados por decisão livre e consciente.” [...]
Precisamente por esse motivo é que São Tomás foi sempre proposto pela Igreja como mestre de pensamento e modelo quanto ao reto modo de fazer Teologia”.6
Bento XVI salienta novamente sua atualidade
Cabe-nos ainda recordar uma recente alocução de Sua Santidade Bento XVI, felizmente reinante, sobre o Doutor Angélico, salientando sua atualidade como solução para o inconsistente conflito entre fé e razão:
O calendário litúrgico recorda hoje São Tomás de Aquino, grande doutor da Igreja. Com seu carisma de filósofo e teólogo, ele oferece um válido modelo de harmonia entre razão e fé, dimensões do espírito humano, que se realizam plenamente no encontro e no diálogo recíproco. Segundo o pensamento de São Tomás, a razão humana, por assim dizer, ‘respira’: isto é, move-se num horizonte amplo, aberto, no qual pode expressar o melhor de si. Ao contrário, quando o homem se limita a pensar só em objetos materiais e experimentáveis e se fecha às grandes interrogações sobre a vida, sobre si mesmo e sobre Deus, empobrece-se. A relação entre fé e razão constitui um desafio sério para a cultura atualmente dominante no mundo ocidental e, precisamente por isso, o amado João Paulo II quis dedicar-lhe uma Encíclica, intitulada Fides et ratio, ‘Fé e razão’ ”.7
Pai da Filosofia moderna
Ainda sobre a consagração histórica e universal de São Tomás, enquanto filósofo e teólogo, valeria a pena lembrarmos o fato de o Papa João XXII haver afirmado que se aprende mais durante um ano de estudos dedicado às suas obras, em comparação a décadas consagradas ao aprofundamento nos escritos de outros autores.
É indispensável, ademais, reconhecer os méritos do Papa Leão XIII em ressaltar os valores científicos das explicitações de São Tomás. Foi por uma ação direta sua — no século XIX, portanto — que surgiram centros de estudos tomistas nas universidades católicas, propiciando, dessa forma, a influência do Doutor Angélico nas descobertas e investigações da ciência. A Biologia, a Química e a própria Psicologia experimental, em suas novas conquistas, enriqueceram-se, assim, com a seiva doutrinária antiga. Importantes universidades modernas do continente europeu, como também do americano, passaram a se abeberar nos grandes princípios tomistas; por exemplo, Harvard, Oxford, Sorbonne e Louvain. Não foi sem razão que Etiènne Gilson, conceituado catedrático da Sorbonne, conferiu a São Tomás o título de Pai da Filosofia Moderna. Levou em conta esse mestre o quanto a metafísica de São Tomás constitui a sustentação unificadora da cultura greco-romana, batizada e alimentada pelo Cristianismo.
Oferecer um contributo ao pensamento moderno por meio de uma clave antiga e nova
Dado o exíguo espaço de um artigo, não pretendemos aqui comentar as numerosas obras densas em substância doutrinária desse gênio hors série da Verdadeira Igreja. Nem sequer em nada nos pervade a pretensão de nos supormos possuidores dos conhecimentos que nos tornariam capazes de apontar todos os méritos da elaboração de nosso Santo Doutor. Queremos apenas abrir um pouco nossos corações e manifestar o porquê da Faculdade Arautos do Evangelho, assim como o Instituto Teológico São Tomás de Aquino e o Instituto Filosófico Aristotélico-Tomista terem tomado por bem promover o estudo da Filosofia e Teo­logia medievais, destacando de forma especial a doutrina tomista.
Desejamos oferecer um contributo ao pensamento moderno por meio de uma clave antiga e nova ao mesmo tempo: a união da luz da razão com a da fé sob o prisma da Revelação, dentro do sistema teológico do Aquinate.
Com efeito, os homens e as mulheres de nosso tempo, cansados de procurar a verdade em sistemas de pensamento extremamente contrapostos e diversos, estão sedentos de beber de uma fonte límpida e clara, de haurir a certeza numa escola de pensamento de inspiração cristã, a qual ofereça um sistema não-sujeito às limitações que o divórcio entre a realidade natural e a sobrenatural impõe à inteligência e à vontade humanas.
Pois bem, longe de qualquer anacronismo, o estudo e a pesquisa das fontes tomistas contribuem com uma resposta convincente e profunda àqueles que procuram o alcandor e o esplendor da verdade. ²
(Extrato do artigo publicado
em “Lumen Veritatis – Revista de
Inspiração Tomista”, Ano I, nº 1 –
Outubro a Dezembro 2007)
1 )Cf. Gran Enciclopedia Rialp, Vol. I, Madrid: Rialp SA, 1971.
2 )WEISS, J. B. Historia Universal, Barcelona, Tip. de la Educación, 1929, Vol. VII, p. 170. Tradução nossa.
3 )PAULO VI. Lumen Ecclesiae, n. 24. Disponível em: . Acesso em: 15 jun. 2007. Tradução nossa.
4 )JOÃO PAULO II. VIII Congresso Tomista Internacional. Discurso aos participantes. 13 set. 1980. Disponível em: . Acesso em: 25 nov. 2007. Tradução nossa.
5 )Idem.
6 )JOÃO PAULO II. Fides et Ratio, n. 43. Disponível em: . Acesso em: 21 maio 2007.
7 )BENTO XVI. Ângelus. 28 jan. 2007. Disponível em: . Acesso em: 27 jul. 2007.

Deus Governador da História

Via ARAUTOS DO EVANGELHO
Anderson Fernandes Ferreira – 2º Ano de Teologia
Em meio a tantos afazeres que transformam a vida dos homens de hoje numa corrida exaustiva, passa-se um fato que vem interromper a rotina, apesar de ser  tão comum em toda a história humana o nascimento ou a morte de um homem.


No primeiro caso, quando alguém nasce, todos se encantam, querem pegá-lo  nos braços, dar sua sugestão para a escolha do nome, oferecer  presentes, e reina em toda família uma grande alegria. No caso da morte , a dor da separação se instala, e a memória daquele que partiu desta terra, perdurará durante longo tempo no coração daqueles que lhe eram próximos.
Alguém que parasse para observar estas duas cenas tão diferentes e ao mesmo tempo tão comuns, poderia se colocar o seguinte problema: Este que agora deixa a vida, para que veio a esta Terra? E este que acaba de nela entrar, o que faz aqui? Ao ser expulso do paraíso, o homem levou consigo o castigo de a partir de então , ter que comer o pão com o suor de seu rosto, até que voltasse à terra de onde houvera sido tirado (Gn 3, 19).
Será somente isso a vida na Terra? Será a História apenas uma luta pela sobrevivência e uma sucessão de nascimentos e mortes, onde alguns fatos mais relevantes acontecem na medida em que os interesses políticos de uns são atrapalhados por outros, e que todos os fatos se avolumem  caoticamente sem um sentido nem unidade?
O governo do plano divino
 Em meio  a tantos problemas que afligem a sociedade atual, o homem é levado muitas vezes, sem negar formalmente a existência de Deus, a achar que está abandonado à sua própria sorte e que os tempos vão se desenrolando naturalmente, esquecendo-se que ele foi criado por Deus, que por  Ele deve orientar sua vida, olvidando-se de que tudo que existe é sustentado e dirigido pelo Criador.
A filosofia e a própria experiência demonstram que os seres racionais não podem realizar algo sem buscar um determinado fim.  Assim, é evidente que “Deus, que é a Inteligência infinita e o Agente intelectual por excelência, teve que determinar  um fim ao trazer à existência suas criaturas(…)”.[1]
Visto então que Deus tem um fim ao tirar do nada as criaturas, decorre necessariamente que tenha um plano de governo pois como explica o Pe. Ramière, “o plano é na verdade, a determinação da ordem no espírito do ordenador, e ordem, é a execução do plano nas coisas ordenadas. (…) Assim , se ao criar o mundo, Deus não tivesse um plano, a obra Divina em vez de ser uma obra admirável (por exemplo, no cosmos), seria um horrível caos, cuja desordem deveria ser atribuída ao próprio Deus. Esta hipótese é inadmissível por ir contra a razão e a experiência”.[2]Entretanto, como demonstrar pela história este governo Divino?  
O problema do mal
A conhecida frase tão utilizada no final dos romances de que  “viveram felizes para sempre”, nem sempre está muito de acordo com os fatos da vida real. O homem nesta terra vê-se continuamente afligido por dramas, dores e dificuldades e por isso, “a existência do mal no mundo é frequentemente invocada para negar a existência de Deus ou a realidade da Providência Divina”.[3]
Muitos são os erros de inúmeras correntes que ao longo da história tentaram dar a volta no problema do mal. É através da tradição judaica, no Antigo Testamento, e posteriormente com a tradição cristã, que se encontra o Bem sempre identificado com Deus, e o mal sendo uma privação de sua presença: “as trevas não são o contrário da luz, mas a sua privação”.[4] E como ensina Santo Agostinho: “o mal não é propriamente uma natureza, mas a corrupção dela. Uma natureza má seria uma natureza corrompida, mas não seria má enquanto natureza, e sim naquilo em que se degenerou”.[5]
Visto que o mal não existe enquanto uma natureza, mas enquanto ausência de bem, caberia ainda uma pergunta: Por que terá Deus permitido o mal em sua criação? Não sabia Ele, já antecipadamente da queda dos anjos e de nossos primeiros pais? “A quem pergunta – diz Journet – por que o poder de Deus não impediu, por algum milagre, o pecado do primeiro homem, o catolicismo responde que Ele preparava para compensá-lo sobejamente  um milagre mais estupendo. Enfim, Deus jamais teria permitido a queda do homem – diz D. Estevão Bettencourt – se, no mesmo instante divino e eterno, não tivesse previsto a Redenção”.[6]
A maior prova do governo divino
A ousada e conhecida proposição de que Deus tira o bem do mal, encontra todo seu apoio no fato mais admirável de todos os tempos: a encarnação do Verbo no seio puríssimo da Virgem Maria. Se grande foi o desastre decorrente do pecado, sublime foi a solução encontrada pela Misericórdia infinita do Criador, pois Ele enviou ao mundo o seu Filho Unigênito, a fim de redimir todo o gênero humano, e é por isso que a Igreja não hesita em cantar “O Felix Culpa, que há merecido a graça de um tão grande Redentor”.
 Com a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, “a revelação de Deus entrou no tempo e na história,  tornando-se assim esta, o lugar onde podemos constatar a ação de Deus em favor da humanidade”[7].
A vida e os ensinamentos de Cristo deitam uma luz sobre a existência do homem, apontando-lhe uma meta que pareceria inatingível se não fosse proposta pelo próprio Filho de Deus: “sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”(Mt 5, 48). E é na medida em que a humanidade corresponda a este chamado, que a história terá o brilho e o esplendor que faça desta terra, um reflexo da vida celeste como Ele mesmo nos ensinou a rezar: “Venha a nós o Vosso Reino, seja feita sua vontade assim na Terra como no céu”(Mt 6,10), pois “há nos desígnios da Providência uma relação íntima entre a vida terrena e a vida eterna. A vida terrena é o caminho, a vida eterna é o fim. Assim como a escola militar é o caminho para as armas, ou o noviciado é o caminho para o  ingresso numa ordem religiosa, assim a terra é o caminho para o Céu”.[8]
Venha a nós o Vosso Reino
A consideração dos fatos que preenchem a história atual não pode causar outros sentimentos senão o de aflição e angústia. Por que uma sociedade tão caótica e injusta? Não será pelo fato de que os homens, cada vez mais, fazem menos caso dos ensinamentos deixados por Nosso Senhor Jesus Cristo, e procuram buscar os “valores” sobre os quais querem constituir a sociedade atual fora dos Seus preceitos? Onde encontrar o modelo de todo agir humano senão em Jesus Cristo? Somente Ele “revelou verdadeira grandeza, abaixando-se voluntariamente e colocando a sua glória a serviço de seus súditos. Apenas Ele elevou a dignidade da obediência ao nível da dignidade do comando. Apenas Ele provou aos ricos que o seu interesse verdadeiro deve levá-los a despojarem-se de seus bens em favor dos pobres. Apenas Ele provou aos pobres que podiam encontrar, na sua miséria, o princípio dos bens mais preciosos. Nas virtudes de que deu verdadeiro exemplo, o Homem-Deus apresentou aos povos a única defesa eficaz contra os vícios que os arruínam e corrompem”.[9]
Não é difícil compreender que na, medida em que os homens se afastam de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua Santa Igreja, os desastres sejam inevitáveis. Santo Agostinho, em poucas linhas, traça a imagem de uma sociedade verdadeiramente católica: “imaginemos um exército constituído de soldados como os forma a doutrina de Jesus Cristo, governadores, maridos, esposas, pais, filhos, mestres, servos, reis, juízes, contribuintes, cobradores de impostos como os quer a doutrina cristã! E ousem [os pagãos] ainda dizer que essa doutrina é oposta aos interesses do Estado! Pelo contrário, cumpre-lhes reconhecer sem hesitação que ela é uma grande salvaguarda para o Estado, quando fielmente observada”.[10]
Seria impossível conceber uma sociedade mais perfeita. Se hoje em dia, os homens observassem os Mandamentos da Lei de Deus, não cairiam por terra tantos problemas que nos afligem e atormentam? Por outro lado, como conseguir uma solução para os dramas da atualidade, se os homens insistem em desprezar os preceitos Divinos? Entretanto, é justamente pelo fato do mundo de hoje se encontrar tão afastado dos ensinamentos de Cristo, que a intervenção Divina se faz mais necessária, e a confiança de que chegará o momento que Jesus Cristo e sua Igreja triunfarão, deve estar inteiramente posta nas mãos da “Providência Divina que obrigará novamente os mares a se abrirem de par em par, moverá montanhas e fará estremecer a Terra inteira, se tal for necessário para o cumprimento da Divina promessa: as portas do inferno não prevalecerão contra ela”[11] por isso, a oração daqueles que creem em Jesus Cristo e em sua Santa Igreja deve redobrar o fervor e com os joelhos por terra dizerem cheios de confiança: “Venha a nós o Vosso Reino”.

[1] MARIN, Antonio Royo. Teologia Moral para Seglares. Moral fundamental e especial. Bac. Madrid. 1957. Tradução nossa. p.22.
[2] RAMIÈRE, Henri. O Reino de Jesus Cristo na História. Porto: Civilização, 2001. p.36.
[3] JOLIVET, Régis. Manual de Filosofia, Metafísica. Rio de Janeiro: Agir, 1972. p. 427.
[4] AQUINO, Tomás de. De Malo, I, a. 1, ad. 5.
[5] FAITANIN, Paulo. O mal, perda do Bem. Apresentação do livro ‘Sobre o mal’, de São Tomás. Rio de Janeiro: Sétimo selo. 2005. p.XVI.
[6] FAITANIN, Paulo. Op. cit. p.XVIII.
[7] JOÃO PAULO II. Fides et Ratio: carta encíclica. Disponível em:<www.vatican.va>. Acesso em 18 mar. 2009.(11)
[8] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. O Reino de Cristo. Catolicismo, São Paulo, jan. 1951.
[9] RAMIÈRE, Henri. O Reino de Jesus Cristo na História. Porto: Civilização, 2001. p. 190.
[10] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Op. cit.  
[11] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. O legionário, São Paulo, 25 de abril de 1943.