Série: Os Jesuítas na América latina I


Os Jesuítas na América latina
Por Prof. Carlos Ramalhete
Introdução

Para o brasileiro médio de hoje, é dificílimo sequer imaginar o ambiente mental dos europeus, especialmente íberos, do século XVI. Tudo, na concepção do homem da época, passava pela religião. Não havia sequer a possibilidade mental de imaginar o mundo de maneira materialista ou secular. 

Isto não era, entretanto, como hoje em dia é comum acusar, um totalitarismo religioso imposto sobre a população. A religião regrava as vidas não por imposição externa, mas por crença real e livremente aceita. As autoridades religiosas não detinham senão uma parcela ínfima do poder que hoje tem qualquer guarda de trânsito. As autoridades civis no nível nacional espanhol e português estavam apenas começando a ter o seu poder aumentado lentamente, às custas do poder tradicionalmente mantido pelas instâncias inferiores. Mesmo assim, o poder dos reis era infinitamente menor que o poder exercido por um prefeito moderno. Um rei não poderia dizer a uma Universidade o que fazer, o que ensinar, quem contratar e a quem admitir como aluno. Um rei não poderia dizer a um pai de família como e onde educar seus filhos.

Toda a sociedade estava organizada tendo como pólo principal não as leis e regulamentações estatais, mas a religião. Ao contrário de hoje, havia um acordo completo dentro de todos os segmentos da sociedade, até mesmo os criminosos, acerca do que era certo e do que era errado, do que era permissível e do que não era. Os criminosos não viam com orgulho seus atos criminosos, como hoje muitos fazem; os atos desonestos que cometiam eram por eles vistos como atos desonestos e não justificáveis. 

Ao mesmo tempo surgia mais ao norte a sombra da Era Moderna; com a Revolta protestante, seguida pelo dito "Iluminismo", a era de ouro da civilização européia cedia o lugar aos primeiros sinais do que viria a tornar-se a barbárie genocida do século XX. Na Espanha e em Portugal, contudo, a longa batalha, finalmente concluída, contra as tropas muçulmanas instaurava um período de grandeza espiritual e material. O Século de Ouro espanhol se iniciava.

No mesmo ano em que Cristóvão Colombo descobriu a América, foi concluída a Retomada. A Península Ibérica, que passara oitocentos anos sob dominação muçulmana, estava finalmente de volta às mãos dos cristãos. A longa guerra pelo domínio da Península fizera com que a mentalidade espanhola e portuguesa fosse radicalmente diferente da mentalidade do resto da Europa. Enquanto para a maioria dos europeus o mundo era a Cristandade, para os ibéricos a lembrança recente dos duros combates contra os muçulmanos, e até a presença de muçulmanos nos territórios recém-retomados, eram fatores importantes na formação da mentalidade do povo. Os íberos eram povos guerreiros, povos de soldados.

Estes soldados, entretanto, eram profundamente religiosos. Em suas guerras eles cometiam crimes hediondos, como aliás o fazem quase todos os soldados. Raramente, porém, encontraríamos alguém que os quisesse justificar. A noção de “guerra total”, não podemos esquecer, é uma invenção do século XX.
Os Jesuítas

A Societas Jesu, ou Companhia de Jesus, foi fundada em 27.IX.1540 pelo ex-militar espanhol Santo Inácio de Loyola. Um de seus primeiros seguidores foi o jovem São Francisco Xavier. Organizada em moldes militares, era dedicada à obediência à Igreja ao ponto de adicionar um quarto voto, de obediência direta ao Papa, aos tradicionais votos de pobreza, obediência e castidade. Dispensando muitas práticas tradicionais em prol de uma maior mobilidade, a Companhia de Jesus foi a primeira congregação regular a não ter hábito próprio, não ter canto comum dos Horas litúrgicas e não ter eleições internas, adotando um regime monárquico baseado na obediência. O superior Geral da Companhia é chamado "Papa Negro" (por usar a batina negra dos padres diocesanos), e só presta obediência ao Papa. Do mesmo modo, os jesuítas (termo originalmente ofensivo mas depois adotado pelos membros da Companhia) só prestavam obediência ao Papa e a seus superiores dentro da Companhia. Eles também não faziam votos solenes, de modo a poderem ser mais facilmente dispensados pelo Papa em caso de necessidade.

Antes mesmo do reconhecimento canônico da Companhia, seus membros já foram encarregados pelos Papas de várias missões difíceis, especialmente a luta contra as heresias dentro da Cristandade e a evangelização de povos distantes e agressivos. Coube aos jesuítas a evangelização do Japão, da China (onde envolveram-se em uma questão controversa por adotarem uma versão achinesada da liturgia), da Índia, da América do Norte (onde tombaram vários, martirizados pelos índios na Flórida, em Nova Iorque, na Virgínia e no Canadá). A eles também couberam as tentativas de re-catolicização da Inglaterra, onde vários foram martirizados pelos protestantes. A Companhia teve ao todo mais de oitocentos de seus membros martirizados in odium fidei.

Por adotarem intransigentemente a defesa da Fé e a obediência ao Romano Pontífice, muitas foram as inimizades conquistadas pelos Jesuítas. Os protestantes, os jansenistas, os iluministas, os traficantes de escravos; todos, em um ou outro momento, levantaram-se contra estas vozes da pura Fé, que preferiam entregar sua vida a ceder na defesa da verdade.

Sermões da FSSP em espanhol.



Disponibilizamos para os nossos leitores os excelentes sermões do Pe. J.  Romanoski, FSSP (em espanhol).

Para acessar os sermões, clique AQUI. Acesse também os seguintes links:

Site da FSSP no México e a página deles no Facebook.

Popule meus, quid feci tibi?



Eu flagelei por ti o Egito e os primogênitos:
E tu, flagelado, me entregaste.

Meu povo, que te fiz eu ou em que te contristei?
Responde-me!

Eu te tirei do Egito, afogando o Faraó no Mar Vermelho:
E tu me entregaste aos príncipes dos sacerdotes.

Meu povo, que te fiz eu ou em que te contristei?
Responde-me!

Eu abri o mar diante de ti:
E tu me abriste o lado com uma lança.

Meu povo, que te fiz eu ou em que te contristei?
Responde-me!

Eu te guiei na coluna de fogo:
E tu me conduziste ao pretório de Pilatos.

Meu povo, que te fiz eu ou em que te contristei?
Responde-me!

Eu te alimentei com o maná no deserto:
E tu me alquebraste de tapas e de açoites.

Meu povo, que te fiz eu ou em que te contristei?
Responde-me!

Eu te dei a beber a boa água da pedra:
E tu me deste a beber fel e vinagre.

Meu povo, que te fiz eu ou em que te contristei?
Responde-me!

Eu bati por ti os reis de Canaan:
E tu me bateste a cabeça com uma cana.

Meu povo, que te fiz eu ou em que te contristei?
Responde-me!

Eu te dei o cetro da realeza:
E tu me deste uma coroa de espinhos.

Meu povo, que te fiz eu ou em que te contristei?
Responde-me!

Eu te exaltei com grande poder:
E tu me suspendeste no patíbulo da Cruz

Meu povo, que te fiz eu ou em que te contristei?
Responde-me!

O dilema moral de Pio XII


Obra polêmica faz retrato devastador do papa acusado de ter optado pelo silêncio diante dos horrores do Holocausto.
Por Hermes Rodrigues Nery
Pio XIIFratres in Unum.com – Desde 1963, com o aparecimento da peça teatral O Vigário, do escritor alemão Rolf Hochhuth, que a polêmica em torno da ação do papa Pio XII durante a 2ª Guerra Mundial foi crescendo, ao ponto de criar sérios embaraços para o Vaticano, que deseja beatificar (e posteriormente canonizar) Eugênio Pacelli (cujo pontificado foi um dos mais difíceis do século XX, por coincidir com as trevas do Holocausto).
A grande questão apresentada pelos críticos de Pio XII (papa de 1939 a 1958) é a seguinte: Pacelli deveria ou não ter denunciado publicamente o Shoah? O protesto formal teria tido força suficiente para debelar a insanidade em execução? Sua denúncia teria sido capaz de evitar ou diminuir o genocídio que exterminou cerca de 6 milhões de judeus? Quais teriam sido as razões pelas quais Pio XII teria feito a “opção diplomática” pelo silêncio?
Ninguém até hoje saberia dizer o que poderia ter acontecido se Pacelli tivesse condenado publicamente as barbaridades cometidas por Hitler  (apesar de ter tocado no assunto na sua mensagem de Natal de 1942; de ter auxiliado Pio XI a redigir a encíclica Mit Brennender Sorge (Com Profunda Preocupação) – a primeira condenação direta do racismo e do nazismo, divulgada em 1937; de ter ajudado concretamente os judeus da Hungria, e de ter se envolvido diretamente num perigosíssimo complô contra Hitler, em 1939-40; e de ter sido quase seqüestrado pelo Führer, que pensou em levá-lo para a Alemanha ou Liechtenstein, e chegou a dizer, em julho de 1941, que a destruição da Igreja Católica fazia parte de seus planos (“Minha última missão – declarou Hitler – será resolver o problema da Igreja. Na juventude, tive a visão: dinamite tudo”).
Julgar Pio XII por sua ação num contexto até hoje altamente problemático não é tarefa fácil. Simplesmente acusá-lo de covardia pode ser uma atitude imediatista e até irresponsável, tendo em vista a enorme complexidade da conjuntura  histórica em que viveu e teve de atuar.
Na realidade, como afirmou Henry L. Sobel, é necessário investigar. “O Vaticano criou (em 1998), a pedido de entidades judaicas uma comissão internacional de pesquisadores judeus e católicos, encarregada de reexaminar a documentação já divulgada pela Santa Sé referente a atuação da Igreja durante a 2a Guerra Mundial e, eventualmente, conseguir acesso aos inúmeros arquivos ainda mantidos em sigilo pelo Vaticano. O estudo desses documentos revelará a informação que nos permitirá encarar o passado, compreender a realidade daquela época e reagir construtivamente”.
No bojo da polêmica, o historiador inglês John Cornwell (professor, jornalista e pesquisador do Jesus College, Cambridge) surge com sua obra bombástica: O Papa de Hitler, simplesmente devastadora. “A omissão em dizer uma palavra franca sobre a Solução Final em execução proclamava para o mundo que o Vigário de Cristo não podia ser levado à compaixão e à raiva. Desse ponto de vista, ele era o papa ideal para o plano abominável de Hitler. Era um peão de Hitler. Era o papa de Hitler”, diz Cornwell.
Não é difícil sair da leitura do livro sem reconhecer que as colocações mais contundentes contra Pio XII e as candentes indagações de Cornwell são bem argumentadas. Resta saber se as conclusões tiradas têm realmente fundamentação e condizem com a verdade dos fatos. O “choque moral” que Cornwell diz ter tido ao recolher o material de sua pesquisa e constatar que os dados coligidos “não serviam para inocentar Pio XII; em vez disso, consolidava as acusações” diz respeito à sua interpretação dos documentos analisados (ao juízo que ele já tinha do problema) e não aquilo que realmente a documentação pudesse conter como verdade histórica. Como jornalista, habituado em lidar com versões dos fatos, Cornwell deixou-se enredar pela areia-movediça da parcialidade.
Não há certeza exata (documental) do quanto Pio XII sabia a respeito do Endlosung (A Solução Final). De qualquer forma, o que se questiona é o aspecto moral da atitude de Pio XII. Se ele tinha conhecimento dos detalhes da Solução Final, teria como dever moral impedi-la, até porque – como reza o Catecismo – “é pecado saber de um mal e não impedi-lo”. Porém, também observa: “se queremos impedir um mal, podemos provocar outro maior?” Terrível dilema moral. A responsabilidade de uma ação  diz respeito às suas conseqüências.
Os defensores de Pio XII afirmam que o silêncio não  representou omissão, mas ação  estratégica para evitar a extensão do mal. Conhecendo a fundo o ideário e as motivações do governo nazista, Pio XII sabia do risco das retaliações e do quanto poderia agravar ainda mais a conturbação de uma época, em que os poderosos temporais, estavam decididos a pulverizar as nações, e não  recuar enquanto não ao vissem “o mundo em chamas”. Diante de tão grande mal, somente no silêncio, a Igreja poderia “salvar vidas” e resistir.
O livro de John Cornwell causou sensação. No entanto, apesar de sua pesquisa ter sido, até agora, a mais consistente já realizada sobre o assunto (o autor teve acesso a documentos inéditos do próprio arquivo do Vaticano), a obra “carece de provas”, como afirma Gilles Lapouge: “O autor do livro, um católico inglês, iniciou suas pesquisas para reabilitar Pio XII, mas diz ter encontrado documentos tão importantes que sua obra ficou, ao contrário, muito incômoda.  Não se vêem muitos desses documentos no livro de Cornwell. Com certeza, há muitas coisas que ‘não foram ditas’, por Pio XII, uma prudência extrema, mas nada que prove um consentimento com o nazismo. E as acusações de Cornwell freqüentemente não são amparadas pelos documentos oficiais (O Estado de São Paulo – 18.09.1999).
Se Pio XII não denunciou o Holocausto, também não o fizeram o governo inglês e norte-americano que (por estarem em guerra com a Alemanha, tinham também muitas informações do horror dos campos de concentração). O papa Paulo VI formou uma comissão de 3 jesuítas que vasculharam os arquivos do Vaticano e publicaram uma farta documentação, em 6 volumes, e nada encontraram que incriminasse Pio XII. Também, até os anos 60, como conta o Pe. José Oscar Beozzo, diversas instituições judaicas costumavam agradecer à Igreja pela ajuda que deu a milhares de judeus durante a guerra, socorro esse confirmado pelo próprio Cornwell: “Em 29 de novembro de 1945 (ao final da guerra), Pacelli reuniu-se com 80 representantes de refugiados judeus  de vários campos de concentração da Alemanha, que expressaram ‘sua grande honra por serem capazes de agradecer ao Santo Padre por sua generosidade com os perseguidos durante o período nazi-fascista’. Não se pode deixar de respeitar um tributo feito por pessoas que sofreram a perseguição e sobreviveram. E não podemos depreciar os esforços de Pacelli no nível do socorro caritativo, ou seu estímulo ao trabalho de incontáveis religiosos e leigos católicos que proporcionaram conforto e segurança a centenas de milhares de pessoas”.
O valor da obra de Cornwell está nas perguntas que faz. O desmérito nas respostas que apresenta. Antonio Amaral de Sampaio, também em artigo publicado no Estado de São Paulo, acrescentou: “Ao Vaticano não cabe nenhuma responsabilidade direta ou indireta pelo crime do século, cujas raízes já se encontravam no anti-semitismo germânico”. Há, evidentemente, uma grande diferença entre anti-judaísmo e anti-semitismo. O fato é que, do ponto de vista racial, conforme a ideologia nacional-socialista, a Igreja, em nenhum momento, endossou ou estimulou uma política anti-semita. O anti-judaismo de caráter religioso gerou incompreensões, tensões e conflitos agudos em diversas circunstâncias na história da Igreja, mas sem motivação anti-semita.
John Cornwell não deu a última palavra sobre o juízo do pontificado de Pio XII. O tema, de dificílima abordagem, continua a exigir a responsabilidade de análises que não sejam generalistas, superficiais, tendenciosas e reducionistas. Tais características, infelizmente, fazem da obra de Cornwell um estudo (corajoso e de fôlego) cheio de gritantes contradições.
Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté (SP).

Mais de um milhão de franceses marcham novamente contra o “casamento” homossexual

Por Marcelo Dufaur

24-03-2013: a manifestação vista desde a dianteira
24-03-2013: a manifestação
vista desde a dianteira


A imensa Avenue de la Grande Armée – que vai do Arco do Triunfo até a ponte que comunica Paris com La Défense – foi pequena para conter a multidão que se manifestou mais uma vez contra o projeto socialista de “casamento” homossexual que o equipara ao casamento normal e permite a adoção de crianças por casais sodomíticos.
Nem mesmo os organizadores aguardavam tamanha adesão.
Após idêntica manifestação realizada no 13 de janeiro , supunha-se uma certa diminuição, devido à proximidade das datas.
Uma contagem mais ponderada, organizada pelo general de exército Bruno Dary, ex-governador militar de Paris, estimou então o comparecimento entre 800 mil e 900 mil pessoas.

Desta vez, o número resultou muito superior a olhos vistos.
Enquanto a polícia estipulou “pelo menos 300 mil”, mas avisando que revisaria seus cálculos, os organizadores falaram em 1 milhão e 400 mil.
O deputado da UMP (centro-direita) Henri Guaino foi um dos muitos políticos presentes – eles sempre aparecem quando o vento é favorável – e disse: “Em 13 de janeiro, vós éreis um milhão. Hoje vós sois ainda mais numerosos” – segundo publicou “Le Figaro” .
24-03-2013: a manifestação vista desde o fundo
24-03-2013: a manifestação
vista desde o fundo
A Prefeitura de Paris, nas mãos de um grande propulsor da agenda homossexual e do socialismo, interditou a manifestação na prestigiosa avenida dos Champs Elysées, cônscio de que se a permitisse contribuiria para abrilhantar ainda mais a marcha de protesto contra o casamento antinatural.
Contudo, os Champs Elysées não teriam sido suficientes para tanta gente.
Tal foi o comparecimento, que a polícia precisou liberar a Avenue Foch, outra imensa artéria que vai desde o Arco do Triunfo até o Bois de Boulogne, e a Avenue Carnot.
Satélites capturaram com sensores de calor a área ocupada pelos manifestantes nessas grandes avenidas e nas ruas adjacentes: oito quilômetros de ruas inteiramente cheias!
A juventude muito presente comunicava entusiasmo
A juventude muito presente
comunicava entusiasmo
Mais importante do que o número foi o entusiasmo e o fervor dos participantes.
Uma não explicada ojeriza e até proibição da parte dos organizadores ao uso de cartazes, bandeiras, símbolos não-oficiais, cânticos e slogans, bem como de outras formas de exprimir entusiasmo, na prática não conseguiu se impor.
Ordeiros, mas aguerridos, os mais distintos grupos vindos de toda a França cantavam, agitavam bandeiras de suas regiões, erguiam cartazes feitos em casa, faziam rufar caixas e tambores.
Muitos apoios desde os prédios
Muitos apoios desde os prédios
Os slogans espontâneos abandonaram a linguagem “politicamente correta” dos slogans oficiais: “Hollande, demite-te”, “Hollande, não queremos a tua lei”.
Uma confusão episódica envolveu 200 ou 300 manifestantes e a polícia.

Socialismo desabafou sua impotência
Socialismo desabafou sua impotência
Esta utilizou gases lacrimogêneos e força excessiva, mas o fato passou desapercebido para a imensa concentração.
Na hora da dispersão, tornou-se inevitável utilizar a contígua Avenue Champs Elysées, que ficou repleta de manifestantes voltando para suas casas.
O fato serviu de pretexto para a polícia, que sob ordem do governo socialista carregou contra os populares, bem no espírito da falsa tolerância da agenda homossexual!

Clero jovem participou
Este episódio tangencial foi explorado pela grande imprensa para desviar a atenção do público do aspecto central do evento: majoritariamente católico e conservador, o povo francês recusa o “casamento” homossexual.
Houve manifestações análogas e simultâneas em muitas cidades da França, bem como diante de embaixadas, consulados e órgãos oficiais franceses em numerosos países, inclusive em locais inimagináveis como o Dubai, o Congo e o Afeganistão.

1.400.000 contra o 'casamento' homossexual
1.400.000 contra o ‘casamento’ homossexual
Os conchavos políticos continuam e os parlamentares de esquerda se apressam para passar no mês de abril um projeto à revelia da vontade popular.
Por sua vez, nenhuma autoridade eclesiástica de relevo, na França ou no Exterior, se destacou pela adesão a um protesto popular em defesa de princípios essenciais da Lei de Deus, dos Evangelhos e do Direito Natural.
1.400.000 contra o 'casamento' homossexual
Considerando manifestações como essas de 24 de março e 13 de janeiro, ainda que o projeto passar, ficará patente para a História que sua aprovação se deveu a confabulações entre políticos e eclesiásticos de esquerda.
Na aprovação dessa lei em nada foi respeitado o sentimento da esmagadora maioria do povo francês.

Giuseppe Sarto, a eleição de um santo (III – Final)


Leia antes o primeiro e segundo posts da série.

As razões por trás da eleição

São Pio X, rogai por nós!A eleição de um cardeal ao Sumo Pontificado é sempre o resultado de muitas considerações, políticas e espirituais. Se Sarto foi eleito, é porque havia um amplo acordo quanto a seu nome. Não que uma grande maioria de cardeais compartilhavam a mesma visão sobre ele, mas, antes, havia um acúmulo das várias razões que eles individualmente tinham para querê-lo como Papa. Gianpaolo Romanato assim resumiu estes motivos:
O Patriarca de Veneza parecia ser a pessoa mais satisfatória. Seus traços biográficos representavam uma espécie de garantia. Ele era um homem do povo, muito humilde, e não da nobreza; havia nascido não nos Estados Papais, mas no Reino da Lombardia-Venécia; ele nunca servira como diplomata pontifício; era um homem discretamente culto, mas não um intelectual; passara toda a sua carreira na cura das almas; era de conhecimento geral que, se necessário, ele sabia mandar e fazer-se obedecido. Além do mais, era conhecido por sua profunda piedade; totalmente distante dos lobbies romanos e desprovido de interesses pessoais. Por último, mas não menos importante, ele tinha exatamente a idade certa (68) para dar a todos as necessárias garantias de discernimento e prudência”. [Romanato, “Pio X: profile storico”, in Sulle orme di Pio X, p. 13.] 
Em suma, de muitas formas ele era o anti-Rampolla. Até o veto, o conclave havia sido em grande parte um reflexo das lutas de influência entre os grandes blocos de poder. O veto austríaco escandalizou muitos cardeais e fez com que eles vissem que o critério para escolher o sucessor de São Pedro deveria ser essencialmente religioso. Também é possível que, mesmo que os participantes do conclave ainda não tivessem informação suficiente para avaliar os resultados do pontificado de Leão XIII, eles tinham algumas de suas deficiências em mente. Enquanto as encíclicas sociais de Leão XIII, o seu prestígio com certos governos e seu encorajamento da renovação intelectual cristã (notavelmente através de um retorno à filosofia tomista e da renovação dos estudos bíblicos) contavam a seu favor, os observadores mais atentos não podiam deixar de ver os problemas que permaneceram não resolvidos: a inadequada formação do clero italiano e o seu laxismo, a crescente laicização das consciências e dos estados, os primeiros sinais do modernismo, etc. Dando os seus votos gradativamente ao Cardeal Sarto, os cardeais do conclave de 1903, evidentemente, queriam romper com um certo tipo de pontificado e com uma certa maneira com que a Igreja se apresentava ao mundo. Sem exagerar grosseiramente as diferenças — pois havia também continuidade –, podemos dizer que os cardeais queriam ver um papa proeminentemente político sucedido por um papa religioso, que traria a Igreja “de volta ao centro” — o centro sendo Cristo — ao unir o povo cristão nos fundamentos da disciplina e da defesa da fé.
O Cardeal Sarto, no entanto, não aspirava ao Sumo Pontificado. Há uma riqueza de detalhadas evidências de que ele não estava fingindo uma aparente humildade; nem é esta imagem o resultado de reconstrução hagiográfica após o acontecimento. Na mesma medida em que os votos cresciam para o Patriarca de Veneza, aumentava também a sua apreensão. Após o quarto escrutínio, ele declarou que “não foi feito para o Papado, e que as pessoas estavam usando o seu nome sem consultá-lo” [Landrieux, “Le Conclave de 1903”, p. 176]. Diversos cardeais foram à sua cela para encorajá-lo a não rejeitar o ofício pontifício se este lhe fosse confiado. O Cardeal Satolli repetiu a ele as palavras de Cristo a São Pedro, andando sobre as águas: “Ego sum, nolite timere!” e, sorrindo, disse-lhe: “Deus que vos ajudou a comandar a gôndola de São Marcos, ajudará a guiar a barca de São Pedro”. Após a quinta votação, parecia que movimento em favor do Patriarca de Veneza só poderia ficar cada vez mais forte. Porém, como relatou o conclavista Landrieux, “após o escrutínio, Sarto se levantou e declarou que ele era indigno da escolha que muitos estavam fazendo, e lhes implorou que votassem em outros” [Ibid., p. 178].
Os escrúpulos e as recusas do Cardeal Sarto eram tão insistentes que o Cardeal Decano, Oreglia di San Stefano, pediu a Monsenhor Merry del Val que fosse vê-lo. Monsenhor Merry del Val fez um relato deste primeiro encontro com o homem de quem ele seria o principal colaborador:
Sua Eminência (Cardeal Oreglia di San Stefano) se sentiu obrigado em consciência a assegurar que o conclave não se arrastasse [em um impasse], e enviou-me ao Cardeal Sarto para questioná-lo se ele insistiria em sua recusa e, fazendo-o, se desejaria e autorizaria que Sua Eminência, o Cardeal Decano, fizesse uma pública e definitiva declaração a este respeito ao conclave durante a sessão da tarde. Neste caso, o Cardeal Decano convidaria os seus confrades a refletir e ao menos a considerar a possibilidade de direcionar suas escolhas a outro candidato.
Eu parti imediatamente para procurar o Cardeal Sarto. Disseram-me que ele não estava em seu quarto e que eu provavelmente o encontraria na capela Paulina.
Era quase meia-noite quando adentrei à silenciosa e sombria capela…
Eu notei um cardeal ajoealhado no chão de mármore próximo ao altar, absorto em oração, com a cabeça entre as mãos e seus cotovelos apoiados em um pequeno banco.
Era o Cardeal Sarto.
Ajoelhei-me ao seu lado e, em voz baixa, dei-lhe a mensagem da qual havia sido incumbido.
Sua Eminência, assim que me compreendeu, levantou os seus olhos e lentamente voltou sua cabeça para mim, com lágrimas transbordando de seus olhos…
“Sim, sim, Monsignore”, ele acrescentou gentilmente, “pedi ao Cardeal Decano que me faça esta caridade…”
As únicas palavras que tive forças para expressar, e que vieram espontaneamente aos meus lábios, foram:
“Eminência, tende coragem! O Senhor vos ajudará!” [Cardeal Merry del Val, Pie X, Impressions et souvenirs”, p. 51]
Quando Pio X escreveu, nas primeiras linhas de sua primeira encíclica, “inútil é lembrar-vos com que lágrimas e com que ardentes preces Nos esforçamos por desviar de nós o múnus tão pesado do Pontificado supremo”, não se tratava de mera formulação costumeira de palavras.

A eleição

Entrementes, o Cardeal Sarto havia se restabelecido de suas apreensões. Outros cardeais, particularmente Ferrari e Satolli, vieram fazer “um premente apelo à sua consciência, para persuadi-lo a aceitar o sacrifício. [Cardeal Mathieu, “Les derniers jours”, p. 283.] O Cardeal Rampolla, apesar de seus votos em declínio, manteve sua candidatura. Fê-lo, afirmou ele, “por uma questão de princípio” e estava agindo “sob conselho formal de seu confessor”. [Cardeal Perraud, “Jounal du Conclave de 1903”, pp. 65-66.] Esta atitude, ao fim, atrasou a eleição do Cardeal Sarto. Parecia mesmo, após várias abordagens relatadas pelo Cardeal Perraud, que a obstinação de Rampolla era uma tática deliberada de obstrução contra Sarto. [O Cardeal Perraud relata duas visitas que o Cardeal Rampolla lhe fez em 4 de agosto: Ibid., p. 67. O Padre Landrieux, por sua vez, conta em seu Diário os esforços feitos pelos cardeais franceses para persuadir Rampolla a se retirar “nobremente”: a recusa deste impressionou os purpurados. Landrieux observa, sobre o penúltimo dia do conclave, após o sexto escrutínio no qual Rampolla recebeu apenas 16 votos (apenas metade do que recebera no dia anterior): “O comportamento de Rampolla é incompreensível. Ele não alcançou nada. Em quatro escrutínios, manteve 30 votos a seu favor para nada. Ele foi incapaz e relutante em dar qualquer direção àqueles que o apoiaram. Ele se recusou a sair quando se viu comprometido e perdeu o momento psicológico quando ele poderia salvar tudo com uma saída digna e honrosa”(“Le Conclave de 1903”, p. 179).]
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Finalmente, na votação — a sétima — da manhã de 4 de agosto, Cardeal Sarto recebeu 50 votos, contra apenas 10 do Cardeal Rampolla e 2 do Cardeal Gotti. “O Cardeal Sarto estava acabado”, recorda o Cardeal Mathieu: “seus olhos estavam cheios de lágrimas, o suor escorria por sua face e parecia estar quase desmaiando”. Segundo o ritual, o Cardeal Oreglia, Decano do Sacro Colégio, dirigiu-se a ele com dois outros cardeais para questionar ao recém eleito:
“Aceitais a eleição que canonicamente vos faz Soberano Pontífice?”
O Cardeal Sarto respondeu humildemente:
“Quoniam calix non potest transire, fiat voluntas Dei! (Já que não posso afastar-me deste cálice, faça-se a vontade de Deus)”.
Canonicamente, esta não era a resposta correta. O Cardeal Oreglia questionou novamente:
“Aceitais ou não?”
Então o Cardeal Sarto respondeu com a fórmula exigida:
Accepto!”
E quando questionado sobre qual nome ele doravante gostaria de ter, declarou:
“Pius Decimus (Pio X)”.
Saint Pius X, Restorer of the Church, Yves Chiron, Angelus Press, 2002, pp. 124-127 | Tradução: Fratres in Unum.com. As notas com meras remissões bibliográficas foram excluídas.

O modernista crente





Agora, passando a considerá-lo como crente, se quisermos conhecer de que modo, no modernismo, o crente difere do filósofo, convém observar que, embora o filósofo reconheça por objeto da fé a realidade divina, contudo esta realidade não se acha noutra parte senão na alma do crente, como objeto de sentimento e afirmação; porém, se ela em si mesma existe ou não fora daquele sentimento e daquela afirmação, isto não importa ao filósofo. Se, porém, procurarmos saber que fundamento tem esta asserção do crente, respondem os modernistas: é a experiência individual. Com esta afirmação, enquanto na verdade discordam dos racionalistas, caem na opinião dos protestantes e dos pseudo-místicos.


Eis como eles o declaram: no sentimento religioso deve reconhecer-se uma espécie de intuição do coração, que pôs o homem em contato imediato com a própria realidade de Deus e lhe infunde tal persuasão da existência dele e da sua ação, tanto dentro como fora do homem, que excede a força de qualquer persuasão, que a ciência possa adquirir. Afirmam, portanto, uma verdadeira experiência, capaz de vencer qualquer experiência racional; e se esta for negada por alguém, como pelos racionalistas, dizem que isto sucede porque estes não querem pôr-se nas condições morais que são necessárias para consegui-la. Ora, tal experiência é a que faz própria e verdadeiramente crente a todo aquele que a conseguir. Quanto vai dessa à doutrina católica! Já vimos essas idéias condenadas pelo Concílio Vaticano I. Veremos ainda como, com semelhantes teorias, unidos a outros erros já mencionados, se abre caminho para o ateísmo. Cumpre, entretanto, desde já, notar que, posta esta doutrina da experiência unida à outra do simbolismo, toda religião, não executada sequer a dos idólatras, deve ser tida por verdadeira. E na verdade, porque não fora possível o se acharem tais experiências em qualquer religião? E não poucos presumem que de fato já se as tenha encontrado. Com que direito, pois, os modernistas negarão a verdade a uma experiência afirmada, por exemplo, por um maometano? Com que direito reivindicarão experiências verdadeiras só para os católicos? E os modernistas de fato não negam, ao contrário, concedem, uns confusa e outros manifestamente, que todas as religiões são verdadeiras. É claro, porém, que eles não poderiam pensar de outro modo.

(Encíclia Pascendi Domici Gregis - São Pio X).

Leão XIII: "a única religião verdadeira é a que o próprio Jesus Cristo instituiu e deu à sua Igreja a missão de guardar e propagar"

Cardeal Cañizares celebrando na FSSP em Wigratzbad, Alemanha


Sendo a sociedade política fundada sobre estes princípios, evidente é que ela deve, sem falhar, cumprir por um culto público os numerosos e importantes deveres que a unem a Deus. Se a natureza e a razão impõem a cada um a obrigação de honrar a Deus com um culto santo e sagrado, porque nós dependemos do poder dele e porque, saídos dele, a Ele devemos tornar, à mesma lei adstringem a sociedade civil. Realmente, unidos pelos laços de uma sociedade comum, os homens não dependem menos de Deus do que tomados isoladamente; tanto, pelo menos, quanto o indivíduo, deve a sociedade dar graças a Deus, de quem recebe a existência, a conservação e a multidão incontável dos seus bens. É por isso que, do mesmo modo que a ninguém é lícito descurar seus deveres para com Deus, e que o maior de todos os deveres é abraçar de espírito e de coração a religião, não aquela que cada um prefere, mas aquela que Deus prescreveu e que provas certas e indubitáveis estabelecem como a única verdadeira entre todas, assim também as sociedades não podem sem crime comportar-se como se Deus absolutamente não existisse, ou prescindir da religião como estranha e inútil, ou admitir uma indiferentemente, segundo seu beneplácito. Honrando a Divindade, devem elas seguir estritamente as regras e o modo segundo os quais o próprio Deus declarou querer ser honrado.
12. Devem, pois, os chefes de Estado ter por santo o nome de Deus e colocar no número dos seus principais deveres favorecer a religião, protegê-la com a sua benevolência, cobri-la com a autoridade tutelar das leis, e nada estatuírem ou decidirem que seja contrário à integridade dela. E isso devem-no eles aos cidadãos de que são chefes. Todos nós, com efeito, enquanto existimos, somos nascidos e educados em vista de um bem supremo e final ao qual é preciso referir tudo, colocado que está nos céus, além desta frágil e curta existência. Já que disso é que depende a completa e perfeita felicidade dos homens, é do interesse supremo de cada um alcançar esse fim. Como, pois, a sociedade civil foi estabelecida para a utilidade de todos, deve, favorecendo a prosperidade pública, prover ao bem dos cidadãos de modo não somente a não opor qualquer obstáculo, mas a assegurar todas as facilidades possíveis à procura e à aquisição desse bem supremo e imutável ao qual eles próprios aspiram. A primeira de todas consiste em fazer respeitar a santa e inviolável observância da religião, cujos deveres unem o homem a Deus.
13. Quanto a decidir qual religião é a verdadeira, isso não é difícil a quem quiser julgar disso com prudência e sinceridade. Efetivamente, provas numerosíssimas e evidentes, a verdade das profecias, a multidão dos milagres, a prodigiosa celeridade da propagação da fé, mesmo entre os seus inimigos e a despeito dos maiores obstáculos, o testemunho dos mártires e outros argumentos semelhantes, provam claramente que a única religião verdadeira é a que o próprio Jesus Cristo instituiu e deu à sua Igreja a missão de guardar e propagar.

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LEÃO XIII, IMMORTALE DEI (grifos nossos)

Santo Tomás de Aquino e o Islã

Sidney Silveira
PEQUENA ERRATA: Lapsus linguae: Onde se ouve, no vídeo, "apostasia a ordinis", entenda-se"apostasia ab ordine".


LIVRO: ESSÊNCIA E ATUALIDADE DO TOMISMO


Corrispondenza Romana | Tradução: Mônica Santana


LIVRO: ESSÊNCIA E ATUALIDADE DO TOMISMO

(de Fabrizio Cannone) Atualmente grande parte da classe docente da Igreja, não excluindo seu corpo episcopal, se afastou por vezes mais, por vezes menos, de Santo Tomás de Aquino, em nome de outros teólogos autorizados, mais frequentemente por causa da modernidade e de suas exigências no campo do pensamento. De muitos então se pretende integrar certas instâncias do tomismo ao interior de sistemas fundados no imanentismo, criando uma confusão enorme, especialmente entre os jovens estudantes de teologia.


A lista de autores e teólogos neste sentido seria longuíssima e inútil. Seria possível questionar como a autoridade eclesiástica não foi bem sucedida em evitar uma verdadeira reviravolta, especialmente nos Seminários e Faculdades católicas, ou melhor, nos lugares mais adequados para estudá-lo, aprofundá-lo e servir-se dele como escudo no resguardo do pensamento relativista de nossos tempos. Sinteticamente, como escreveu João Paulo II, em “muitas escolas católicas, nos anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II, foi possível observar, na matéria, certa decadência devido à menor estima, não somente à filosofia escolástica, mas geralmente no estudo da própria filosofia” (Fides et Ratio, 61).

O excelente tomista que foi o padre dominicano Reginald Garrigou-Lagrange (1897-1964) explica em um breve texto recentemente publicado (cf R. Garrigou-Lagrange, Essência e Atualidade do Tomismo...) as razões pelas quais se devem manter a teologia de São Tomás, contra as ideias de “superação” que circulavam abundantemente antes da virada conciliar. Desta forma, o opúsculo demonstra como “a doutrina de São Tomás permanece e permanecerá sempre atual, porque (...) conserva aquelas verdades imutáveis sem as quais é impossível fazer uma correta ideia de Deus, da alma, do mundo; porque a doutrina de São Tomás é, além disso, uma defesa filosófica de valor real das verdades primordiais provenientes do senso comum, que não sabe, porém, defender-se sozinho” (p.11).

Com efeito, desaparecendo o tomismo em nome do espírito crítico e da modernização, são rendidas tantas noções a um tempo fixas e claramente inteligíveis, como in primis aquelas próprias de Deus, alma, mundo, homem, verdade, bem: termos hoje usados em milhares de asserções diferentes das teológicas, infiltradas em milhares de filosofias distantes da Tradição (como o kantismo, o fideísmo, o evolucionismo, o pragmatismo, as escolas insidiosas de Husserl, Bohnhöffen, Heidegger, etc). Ainda recentemente, no Observatório Romano (18.01.2013, p.4) atacava-se tanto São Tomás quanto as 24 célebres teses tomistas do padre Guido Mattiussi, aprovadas e autorizadas pela Sacra Congregação para os Seminários em 1925, com o aval explícito do Papa Pio XI (e mencionadas no livro nas páginas 86-90).

Se, porém, como escreveu Paulo VI, São Tomás é, por antonomásiao Apóstolo da Verdade” (Lumen Ecclesiae, 8) e se sua filosofia “é verdadeiramente a filosofia do ser e não das simples aparências” (Fides et Ratio, 44), então la trahison des clercs que se avultou após do Vaticano II, na rejeição do tomismo tem uma de suas causas endógenas principais. Analogamente a retomada do pensamento de São Tomás em todos os campos do saber (teologia, filosofia, ética, direito, política, economia, etc), e sob sua luz analisar, purificar e refutar os sistemas espúrios da filosofia contemporânea, não poderá senão levar a uma nova geração de custódios do pensamento católico, ou melhor dizendo, de cultores da verdade.



Magdi Allam, um proeminente convertido, abandona a Igreja.



Madgi Allam.
Madgi Allam.
Por John Thavis | Tradução: Fratres in Unum.com – Um jornalista proeminente nascido muçulmano e batizado pelo Papa Bento XVI, Magdi Allam, acaba de anunciar que está abandonando a Igreja porque ela é muito “fraca com o Islã”.
Allam, escrevendo em seu sítio na Internet, disse que a “euforia sobre o Papa Francisco” e a maneira rápida como o Papa Bento foi deixado de lado foi “a última gota d’água” a convencê-lo a abandonar a sua conversão ao cristianismo.
Bento batizou Allam em 2008 durante a cerimônia da vigília de Páscoa no Vaticano, dizendo que ele queria inspirar outros ex-muçulmanos a praticarem o cristianismo abertamente. Naquele momento, alguns dos parceiros do diálogo com os muçulmanos do Vaticano disseram que a grande repercussão dada à conversão era uma provocação deliberada.
Allam disse que o que o motivou a deixar a Igreja foi, sobretudo, o “relativismo religioso, particularmente a legitimação do Islã como uma religião verdadeira, de Allah como Deus verdadeiro, Maomé como profeta verdadeiro, o Alcorão como um texto sagrado e mesquitas como locais de culto.”
Magdi Allam é batizado por Bento XVI na Vigília Pascal de 2008.
Magdi Allam é batizado por Bento XVI na Vigília Pascal de 2008.
Ele disse que foi uma “verdadeira tolice” Bento ter rezado em uma mesquita em Istambul, e que o Papa Francisco, em um de seus primeiros discursos, disse que os muçulmanos “adoram o Deus único, vivo e misericordioso.”
Allam disse que ele considera o Islã uma “ideologia intrinsecamente violenta.”
Sua saída pública da Igreja deve ser um constrangimento para o Arcebispo Rino Fisichella, que acompanhou Allam pessoalmente em seu caminho para o cristianismo. Mais tarde, Fisichella foi nomeado chefe do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização – supostamente o conselho está usando um modelo mais produtivo de evangelização do que as “conversões” altamente politizadas de outras religiões.
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Comentário do leitor Brandon Vogt no blog de Thavis: “Esta história confirma a suspeita de que tenho há muito tempo: as objeções teológicas são sempre objeções pessoais disfarçadas. Ao especular sobre deixar o catolicismo, Allam optou por questões secundárias, como, “Como é que a Igreja Católica se envolve com o Islã?” e “Será que os católicos honram o Papa Emérito o bastante?” Essas são sem dúvida perguntas “importantes, mas elas não têm relevância alguma quanto ao cristianismo (ou catolicismo) ser verdadeiro. Eis algumas perguntas que ele deveria ter feito: - Jesus é Deus? - Jesus estabeleceu a Igreja Católica? - O Catolicismo é verdadeiro ou o Islã é verdadeiro? (ou nenhum dos dois é verdadeiro?).
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Nota do Fratres: Sem dúvida, Magdi é responsável por seus atos. Porém, são sempre apropriadas as palavras de Nosso Senhor àqueles que deveriam zelar pelos pequeninos, no caso, um neo-converso: “Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!” (Mt. 18, 6-7).
Magdi Cristiano Allam, apesar da sua frustração com a Igreja, afirmou: “Continuarei a crer em Jesus, sempre amei e orgulhosamente me identifiquei com o cristianismo enquanto civilização que, mais do que qualquer outra, aproxima o homem do Deus que decidiu se tornar homem”.
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Posts antigos em que Magdi é citado no Fratres: