por Paulo Faitanin - UFF
1. Origem: Ética foi provavelmente o nome dado ao conjunto de 10 livros que Aristóteles [384-322] escreveu como introdução à Política. O objetivo desta obra era investigar o bem, a perfeição e a felicidade, eudaimonia, que correspondem ao homem, com o intuito de orientá-lo na vida prática, discernindo a felicidade própria da vida humana dos demais prazeres da vida [Etica, I,2, 1095a 22-28]. Para tanto, as virtudes jogam papel fundamental na educação do homem livre, na medida em que o aperfeiçoa no que lhe é próprio, tornando-o melhor e boa a sua obra, enquanto também lhe corrigem os defeitos e vícios. O próprio Estagirita ou o seu editor valeu-se de um advérbio grego Hqika [Ethika] com o significado de 'segundo os costumes', 'conforme aos costumes', 'referente aos costumes', 'relativo aos costumes' derivada de hqoj [ethos] de significado 'hábito', 'costume', 'caráter', para dar nome a estes escritos esotéricos, ou seja, as anotações das aulas destinadas para o uso interno dos alunos de sua escola. O título da obra como nos chegou é: Ética a Nicômacos. Ora, se 'Ética' significa o que é relativo aos costumes, hábitos, o que significa a palavra 'Nicômacos' que completa o título desta obra? Trata-se de um nome de pessoa possivelmente ligado a Aristóteles ou à sua obra. Mas quem é Nicômacos? Ventilam-se duas hipóteses: a primeira possivelmente herdada de Alexandre de Afrodísias [198-211 d.C], comentador de Aristóteles, que indica ser Nicômacos o filho do Estagirita, que se encarregara de anotar e editar tais aulas; outra hipótese, defendida por W. Jaeger, refere-se a um possível editor destas anotações. Segundo este mesmo pesquisador, muito provavelmente não se tratou de obra dedicada em vida pelo próprio Aristóteles a seu filho, pois não era comum à época que isto ocorrera, nem a de que esta teria sido escrita por algum discípulo seu. A partir da sistematização aristotélica o estudo dos costumes humanos passaria designar a disciplina teórico-prática da filosofia que orienta a conduta moral do homem em sua vida privada, como condição de boa conduta na vida em sociedade, na vida da Pólis, na vida política. Eis a divisão e o conteúdo da obra:
1. Origem: Ética foi provavelmente o nome dado ao conjunto de 10 livros que Aristóteles [384-322] escreveu como introdução à Política. O objetivo desta obra era investigar o bem, a perfeição e a felicidade, eudaimonia, que correspondem ao homem, com o intuito de orientá-lo na vida prática, discernindo a felicidade própria da vida humana dos demais prazeres da vida [Etica, I,2, 1095a 22-28]. Para tanto, as virtudes jogam papel fundamental na educação do homem livre, na medida em que o aperfeiçoa no que lhe é próprio, tornando-o melhor e boa a sua obra, enquanto também lhe corrigem os defeitos e vícios. O próprio Estagirita ou o seu editor valeu-se de um advérbio grego Hqika [Ethika] com o significado de 'segundo os costumes', 'conforme aos costumes', 'referente aos costumes', 'relativo aos costumes' derivada de hqoj [ethos] de significado 'hábito', 'costume', 'caráter', para dar nome a estes escritos esotéricos, ou seja, as anotações das aulas destinadas para o uso interno dos alunos de sua escola. O título da obra como nos chegou é: Ética a Nicômacos. Ora, se 'Ética' significa o que é relativo aos costumes, hábitos, o que significa a palavra 'Nicômacos' que completa o título desta obra? Trata-se de um nome de pessoa possivelmente ligado a Aristóteles ou à sua obra. Mas quem é Nicômacos? Ventilam-se duas hipóteses: a primeira possivelmente herdada de Alexandre de Afrodísias [198-211 d.C], comentador de Aristóteles, que indica ser Nicômacos o filho do Estagirita, que se encarregara de anotar e editar tais aulas; outra hipótese, defendida por W. Jaeger, refere-se a um possível editor destas anotações. Segundo este mesmo pesquisador, muito provavelmente não se tratou de obra dedicada em vida pelo próprio Aristóteles a seu filho, pois não era comum à época que isto ocorrera, nem a de que esta teria sido escrita por algum discípulo seu. A partir da sistematização aristotélica o estudo dos costumes humanos passaria designar a disciplina teórico-prática da filosofia que orienta a conduta moral do homem em sua vida privada, como condição de boa conduta na vida em sociedade, na vida da Pólis, na vida política. Eis a divisão e o conteúdo da obra:
Ética a Nicômacos
Livro I (A) Livro I: O bem humano. A felicidade, fim e sumo bem do homem. As partes da alma e a divisão das virtudes.
Livro II (B) Livro II: A virtude moral em geral. Como se gera e se corrompe. A definição de virtude. Descrição das virtudes e os vícios. Algumas recomendações para alcançar a virtude.
Livro III (G) Livro III: O voluntário e o involuntário. A fortaleza e suas classes. A temperança e os vícios extremos de ambas.
Livro IV (D) Livro IV: A liberalidade, a magnificência, a magnanimidade, o pudor, a mansidão, a cortesia, a veracidade, a eutrapelia, a vergonha e todos os seus extremos correspondentes.
Livro V (E) Livro V: A justiça e a injustiça. A eqüidade e o eqüitativo.
Livro VI (Z) Livro VI: Os princípios do agir, os hábitos intelectuais: ciência, arte, intelecto, sabedoria e prudência. As partes da prudência. A sagacidade. A virtude natural. As virtudes e a prudência e sua relação.
Livro VII (H) Livro VII: A continência e a incontinência. A malícia humana. A virtude heróica e a bestialidade. A preguiça, a perseverança, a contumácia e outras. O prazer, suas classes e a dor.
Livro VIII (Q) Livro VIII: A amizade honesta, a deleitável e a útil, entre iguais e entre desiguais. Segundo a idade e outras diferenças. A relação entre as distintas amizades e as distintas ordenações políticas. A amizade parental, filial, fraterna, familiar e entre marido e mulher. As querelas na amizade.
Livro IX (I) Livro IX: Como se conservam e se dissolvem as amizades. Efeitos da amizade: a benevolência, a concórdia, a beneficência. O amor de si mesmo, egoísmo e altruísmo. Se o homem feliz necessita de amigos.
Livro X(K) Livro X: O deleite na vida humana. O fim da virtude: a felicidade, contemplativa e ativa. A ponte para os livros da Política.
2. O Comentário de Tomás de Aquino à Ética aristotélica: o Aquinate dedicou-se ao comentário desta obra quando se encontrava em Nápoles, entre os anos de 1271 e 1272. Nele o Aquinate estabelece um estreito vínculo entre: a moral revelada [decálogo], os princípios morais e a metafísica. A liberdade é a chave da moralidade. Pela vontade livre as ações humanas tendem a um fim livre. A felicidade, enquanto bem-supremo, é o que todos buscam e tendem naturalmente. Tendo inscrito em sua natureza uma lei que o impele a buscar este bem, pela qual cada homem participa da lei eterna de Deus. A virtude se completa pela graça e ordena o homem a agir bem, para além de seu próprio benefício e o dispõe para Deus. Para destacar a originalidade da ética tomista abordaremos a sua principal contribuição, ou seja, os seus Comentários aos X livros da Ética a Nicômacos de Aristóteles [Edição de R. Spiazzi, Roma: Marietti,1964] sem que diminua a importância de sua exposição na Suma Teológica II e outras obras. O Comentário é uma explicação sumária e doutrinal da obra. Não é uma exposição crítica. Vale frisar que os termos latinos ethica e moralis traduzem adequadamente a palavra grega hqika. O Aquinate segue a divisão aristotélica de livros e capítulos, mas acrescentam-se as lectio, que aqui traduzimos mais por razão pedagógica como lições e não leituras. Eis, pois, o número de livros, a sua ordem e as principais doutrinas de seu comentário:
Livro II (B) Livro II: A virtude moral em geral. Como se gera e se corrompe. A definição de virtude. Descrição das virtudes e os vícios. Algumas recomendações para alcançar a virtude.
Livro III (G) Livro III: O voluntário e o involuntário. A fortaleza e suas classes. A temperança e os vícios extremos de ambas.
Livro IV (D) Livro IV: A liberalidade, a magnificência, a magnanimidade, o pudor, a mansidão, a cortesia, a veracidade, a eutrapelia, a vergonha e todos os seus extremos correspondentes.
Livro V (E) Livro V: A justiça e a injustiça. A eqüidade e o eqüitativo.
Livro VI (Z) Livro VI: Os princípios do agir, os hábitos intelectuais: ciência, arte, intelecto, sabedoria e prudência. As partes da prudência. A sagacidade. A virtude natural. As virtudes e a prudência e sua relação.
Livro VII (H) Livro VII: A continência e a incontinência. A malícia humana. A virtude heróica e a bestialidade. A preguiça, a perseverança, a contumácia e outras. O prazer, suas classes e a dor.
Livro VIII (Q) Livro VIII: A amizade honesta, a deleitável e a útil, entre iguais e entre desiguais. Segundo a idade e outras diferenças. A relação entre as distintas amizades e as distintas ordenações políticas. A amizade parental, filial, fraterna, familiar e entre marido e mulher. As querelas na amizade.
Livro IX (I) Livro IX: Como se conservam e se dissolvem as amizades. Efeitos da amizade: a benevolência, a concórdia, a beneficência. O amor de si mesmo, egoísmo e altruísmo. Se o homem feliz necessita de amigos.
Livro X(K) Livro X: O deleite na vida humana. O fim da virtude: a felicidade, contemplativa e ativa. A ponte para os livros da Política.
2. O Comentário de Tomás de Aquino à Ética aristotélica: o Aquinate dedicou-se ao comentário desta obra quando se encontrava em Nápoles, entre os anos de 1271 e 1272. Nele o Aquinate estabelece um estreito vínculo entre: a moral revelada [decálogo], os princípios morais e a metafísica. A liberdade é a chave da moralidade. Pela vontade livre as ações humanas tendem a um fim livre. A felicidade, enquanto bem-supremo, é o que todos buscam e tendem naturalmente. Tendo inscrito em sua natureza uma lei que o impele a buscar este bem, pela qual cada homem participa da lei eterna de Deus. A virtude se completa pela graça e ordena o homem a agir bem, para além de seu próprio benefício e o dispõe para Deus. Para destacar a originalidade da ética tomista abordaremos a sua principal contribuição, ou seja, os seus Comentários aos X livros da Ética a Nicômacos de Aristóteles [Edição de R. Spiazzi, Roma: Marietti,1964] sem que diminua a importância de sua exposição na Suma Teológica II e outras obras. O Comentário é uma explicação sumária e doutrinal da obra. Não é uma exposição crítica. Vale frisar que os termos latinos ethica e moralis traduzem adequadamente a palavra grega hqika. O Aquinate segue a divisão aristotélica de livros e capítulos, mas acrescentam-se as lectio, que aqui traduzimos mais por razão pedagógica como lições e não leituras. Eis, pois, o número de livros, a sua ordem e as principais doutrinas de seu comentário:
Comentários de São Tomás aos X Livros da Ética a Nicômacos de Aristóteles
Livro I (A) Livro I: O bem humano. A felicidade, fim e sumo bem do homem. As partes da alma e a divisão das virtudes. Lições de I a XX, n. 1-244.Livro II (B) Livro II: A virtude moral em geral. Como se gera e se corrompe. A definição de virtude. Descrição das virtudes e os vícios. Algumas recomendações para alcançar a virtude. Lições de I a XI, n. 245-381.
Livro III (G) Livro III: O voluntário e o involuntário. A fortaleza e suas classes. A temperança e os vícios extremos de ambas. Lições I a XXII, n. 382-648.
Livro IV (D) Livro IV: A liberalidade, a magnificência, a magnanimidade, o pudor, a mansidão, a cortesia, a veracidade, a eutrapelia, a vergonha e todos os seus extremos correspondentes. Lições I a XVII, n. 649-884.
Livro V (E) Livro V: A justiça e a injustiça. A eqüidade e o eqüitativo. Lições de I a XVII, n. 885-1108.
Livro VI (Z) Livro VI: Os princípios do agir, os hábitos intelectuais: ciência, arte, intelecto, sabedoria e prudência. As partes da prudência. A sagacidade. A virtude natural. As virtudes e a prudência e sua relação. Lições I a XI, n. 1109-1291.
Livro VII (H) Livro VII: A continência e a incontinência. A malícia humana. A virtude heróica e a bestialidade. A preguiça, a perseverança, a contumácia e outras. O prazer, suas classes e a dor. Lições I a XIV, n. 1292-1537.
Livro VIII (Q) Livro VIII: A amizade honesta, a deleitável e a útil, entre iguais e entre desiguais. Segundo a idade e outras diferenças. A relação entre as distintas amizades e as distintas ordenações políticas. A amizade parental, filial, fraterna, familiar e entre marido e mulher. As querelas na amizade. Lições I a XIV, n. 1538-1756.
Livro IX (I) Livro IX: Como se conservam e se dissolvem as amizades. Efeitos da amizade: a benevolência, a concórdia, a beneficência. O amor de si mesmo, egoísmo e altruísmo. Se o homem feliz necessita de amigos. Lições I a XIV, n. 1757-1952.
Livro X(K) Livro X: O deleite na vida humana. O fim da virtude: a felicidade, contemplativa e ativa. A ponte para os livros da Política. Lições I a XVI, n. 1953-2180.


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