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A Fuga das ocasiões de pecado.

A Fuga das ocasiões de pecado:
um dos mais graves deveres da vida espiritual.
(SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO)
I. Da obrigação de evitar as ocasiões perigosas
Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade!
Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado.Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e sem necessidade se entretêm com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos.
O Espírito Santo diz: “Quem ama o perigo nele perecerá” (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos. São Bernardino de Sena diz que dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado.
Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo tentador. O demônio deseja que se se entretenha com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. S. Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: “Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar” (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que o demônio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: ‘eis a porta pela qual poderei entrar’, e imediatamente sugere a tentação. Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial se se tratar de um pecado impuro. É a razão por que ao demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus.
Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir. Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: “Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti” (Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma ocasião próxima para ti.
Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto.
É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo perecerá nele.
Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha S. Paulo (Fil 2, 12):“Com temor e tremor operai a vossa salvação”. Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará.
II. De algumas ocasiões que devemos evitar cuidadosamente
Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado.Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que nos suscitam maus pensamentos. “Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma”, diz S. Bernardo (De modo bene viv., c. 23), e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: “Desviai vossos olhos de uma mulher adornada” (Ecli 9, 8).
Para se livrar de tentações impuras, um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens.
Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto.
O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles entrada. Quando São Bernardino de Sena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos.
Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração.
Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam.
Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e romancistas.
Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz (De inst. nov., p. 1 , c. 14): “Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção”. Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes.
Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. “Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado”, diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há danças, celebra-se uma festa do demônio, diz Santo Efrém.
Mas que há de ruim quando se graceja?, dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde São João Crisóstomo, são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão.
Poderás aqui perguntar-me se é pecado mortal namorar. Responderei a essa pergunta na segunda parte, c. 6, § IV. Aqui só direi que tais namoros tornam-se ocasião próxima do pecado. A experiência ensina que em tais casos só poucos deixam de pecar. Se não pecam já no começo, caem no decorrer do tempo. No princípio se entretêm só por mútua inclinação; esta torna-se, porém, em breve, paixão, e a paixão, uma vez arraigada, cega o espírito e arrasta a muitos pecados de pensamentos, palavras e obras.
III. Fúteis objeções contra as sobreditas verdades
Objetar-me-ás: Mudei duma vez de vida; não tenho nenhuma má intenção, nem mesmo uma tentação quando vou visitar fulana ou sicrana. Respondo: Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então, de um salto, captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará. Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo.
A história eclesiástica narra que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos dos Santos Mártires.Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu?Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé.
Mas a visita àquela casa, a continuação daquela amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que “aquela casa é o caminho para o inferno” (Prov 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz.Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota – dizes.A isso responde São Francisco de Assis: O demônio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado.
Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer presentes.
Ainda uma observação importante: Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda.Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranqüilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, alcançar a perfeição.
(Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã, Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44-48)

GAME OF THRONES

Por Pe. Valderi Silva

Tenho apenas lido sinopses e assistidos pequenos "flashs" do seriado, mas conheço sua índole imoral. Penso nem ser tão necessário que se busque muitos argumentos para ver neste seriado mais um instrumento utilizado para subliminar a mensagem de ditadura do homossexualismo e erotismo pornográfico na mente principalmente dos jovens. Sabemos que o mundo desde muito tempo é chagado pela pornografia e homossexualismo, mas a campanha intensa para elevar a categoria de "lei natural" estes desvios morais está cada vez mais forte e explícita. Hoje em dia, a violência não preocupa mais tanto quanto esta campanha sutil, mas extremamente letal à humanidade.

Enfim, o citado seriado é mais que uma afronta ou absurdo, é uma verdadeira arma apontada para pureza a qual o ser humano é chamado. Este seriado deve ser proibido independente dos argumentos contra.

Extractos de Summa Theologiae Moralis de 1904

Disponibilizamos hoje os extratos da Suma de Teologia Moral de Noldin-Schmit de 1904 em espanhol disponível no site Mercabá. Já para quem quer o original em latim, baixe o livro em pdf, epub, kindle e outros formatos: AQUI.

Segue abaixo a versão espanhola:

CANADENSE CONTA O DRAMA DE SER CRIADA POR PAI HOMOSSEXUAL


Marisa, essa mulher norte-americana tem lutado por uma sociedade menos imoral.


ACI/EWTN Noticias (em 12 de dezembro de 2012), informou que a canadense Dawn Stefanowicz, publicou um livro intitulado “OUT FROM UNDER : THE IMPACT OF HOMOSSEXUALl PARENTING” (Fora da escuridão. O impacto da paternidade homossexual), no qual conta um pouco de sua experiência de crescer em lar com o pai homossexual. A autora, tem por objetivo relatar as influências negativas que as crianças sofrem quando são criadas por pais homossexuais.

“A pequena Cynthia Dawn -este é seu nome completo- nasceu em Toronto nos anos 60 em umas condições de grave mal-estar familiar e pessoal, em grande parte, ignoradas deliberadamente pelo mundo dos adultos, começando pelos seus professores”, explica um artigo escrito pela neuropsiquiatra infantil Caterina Saccà.

Dawn, afirmou que “sente-se traída afetivamente por um pai ausente, na busca contínua de relações homossexuais com casais de convivência ou ocasionais, e sem o cuidado adequado de uma mãe que, por sua vez, precisa de ajuda (devido à diabete). Cynthia entra em uma espiral de confusão e vergonha alimentada pela exposição direta e precoce a práticas de natureza explicitamente sexual”.

Em um texto divulgado através da página Web familyandmedia.eu, narra que logo depois de cair em “um estado de destruição da personalidade e da dignidade humana”, Dawn conseguiu na vida adulta reconciliar-se com seu passado “complicado e traumático” graças a anos de terapia “e a profunda fé em Deus”.

Atualmente, divulgar seu testemunho para Dawn Stefanowicz transformou-se em “uma batalha a favor do bem-estar dos filhos e da importância da família natural -instituição natural fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher- e contra a legalização das adoções e das uniões homossexuais”.

Você pode encontrar mais informações sobre o testemunho de Dawn no site: http://www.dawnstefanowicz.org/index.html

Jovem blogueira é convidada por sacerdote para falar sobre Modéstia e Pudor

Pe. Eduardo, pároco da Paróquia JESUS de Nazaré, Complexo da Maré, RJ, convidou a jovem blogueira (e também catequista de crisma) Bárbara Lores, que foi acompanhada de sua amiga Málova Negreiros, para testemunhar a alegria de viver a santa modéstia cristã, a virtude do pudor, temas relacionados à sexualidade católica e afins. A palestrante não teve medo de ensinar para as jovens e mulheres presentes a grande riqueza de guardar a castidade nos gestos e palavras do dia-a-dia; tratou de temas de difícil exposição como o beijo no namoro e todos os outros demais afetos desordenados que em muitos meios católicos são omitidos, esquecidos ou mesmo rechaçados conscientemente.

O Padre Eduardo, além das obras físicas da paróquia, como a criação do altar da Comunhão, e toda uma renovação esplendorosa do átrio do templo, também não se cansa de promover o piedoso uso do véu e a escravidão à Santíssima Virgem segundo o método de São Luis Maria G. de Montfort. Assim, esperamos confiantes que o Imaculado Coração Triunfe o quanto antes para que este pequeno gesto, não obstante tão assombroso para o inferno, seja cada vez mais frequente em todas as nossas paróquias.





Embora a palestra tenha sido adaptada para o público presente, todo o conteúdo é inspirado no excelente livro sobre namoro católico da quadrante e nos textos do Pe. Royo Marín, disponíveis em espanhol e português aqui em nosso blog.



O inimaginável absurdo: o que ontem era pecado hoje é exaltado, Parte II

A Moral imutável da Igreja Católica

Moisés lê para o povo o livro da Aliança - Rafael (séc. XVI), Vaticano
A moral sempre ensinada pela Santa Igreja tem como base os 10 Mandamentos entregues pelo próprio Deus a Moisés, na Tábuas da Lei, no Monte Sinai. Os Mandamentos do Decálogo compreendem os preceitos básicos da própria Lei Natural. Esses Mandamentos são imutáveis, justamente porque a essência da natureza humana é imutável, valendo para todos os homens em qualquer situação.
Jamais alguém, em sã lógica, poderia dizer que os Mandamentos têm um prazo de validade, ou que eram aplicáveis só a tais ou quais povos. Eles, na realidade, em sua essência valem sempre e para todos, e não pode haver relativização de seu conteúdo. Por exemplo, o decimo, “Não cobiçar as coisas alheias”. Ele essencialmente vale tanto para hoje quanto para a época das catacumbas, como tinha vigor no antigo Egito. E aplica-se essencialmente tanto a situações de abundância quanto de penúria. Não é porque alguém possui milhões de dólares que terei o “direito” de invejá-lo. Os Mandamentos são normas morais que devem guiar as pessoas sempre.
Ora, se analisarmos os Mandamentos, veremos que há dois deles dedicados especialmente a combater uma das paixões mais dinâmicas no homem: a sensualidade. O sexto, que ordena “Não pecar contra a castidade”, e o nono, que preceitua “Não desejar a mulher do próximo”. Tal é o dinamismo da sensualidade no homem, que o próprio Deus estabeleceu esses dois Mandamentos para regularmos nosso comportamento em tal matéria, de acordo com a fé e a razão.
E estas nos ensinam que, embora dotado de alma imortal, o homem na vida presente caminha infalivelmente para a morte. Portanto, deve ele viver mais em função da vida futura – a eterna – do que desta vida terrena.
A Igreja, em todas as épocas, executou a difícil tarefa de lembrar aos homens suas limitações neste mundo e os preceitos que devem ser seguidos, constantes do Decálogo, os quais, como foi dito acima, já pertencem, em sua quase totalidade, à Lei moral natural.
Moral Nova e Ética da Situação
Contudo, a ânsia sempre crescente do gozo da vida e dos prazeres terrenos, que já a partir do Renascimento recebeu um impulso inusitado, no século XX transformou-se em vendaval. Pode ser comparado a certas doenças, que em determinado momento manifestam-se com um dinamismo implacável.
O fato é que a sensualidade, mais ou menos encoberta até o início do século, transpôs todas as barreiras e apareceu em público de modo impudente. Embora tal tendência tenha sido favorecida e fortemente estimulada pela mídia, ela só progrediu porque os homens não quiseram opor uma barreira séria a tal decadência e se deixaram levar por ela.
Mas sendo o homem um ente racional, procurou ele uma justificativa para esse comportamento desregrado. Pois, como bem diz o escritor francês Paul Bourget em sua obra Le démon du Midi"cumpre viver como se pensa, sob pena de, mais cedo ou mais tarde, acabar por se pensar como se viveu". (3)
Pio XII condenou essa moral relativista em duas alocuções pronunciadas em 1952 (vide quadro às pp. 24-25). E a conceituou com as seguintes palavras: “O traço característico desta moral é ela não se basear nas leis morais universais, como, por exemplo, os dez Mandamentos, mas nas condições ou circunstâncias reais e concretas nas quais se deve agir, e segundo as quais a consciência individual deve julgar e escolher”.
Os adeptos dessa Nova Moral afirmam que tal estado de coisas é único e vale uma só vez para toda a ação humana. Deduzem então que a decisão da consciência não pode ser dirigida pelas idéias, pelos princípios e pelas leis universais.
Quatro anos após, em fevereiro de 1956, a Sagrada Congregação do Santo Ofício, através de uma Instrução, condenou a chamada Ética da Situação (vide quadro à p. 25). Tal ética é uma decorrência da filosofia existencialista e vai na linha da Moral Nova. Segundo ela, não é suficiente o conceito tradicional de “natureza humana”, mas é necessário recorrer ao conceito de natureza humana “existente”, que geralmente não tem valor objetivo absoluto, mas apenas relativo e, por isso mesmo, mutável.
Moral do Consenso: nova queda
Após a década de 50, acentuou-se o processo de relativização da moral católica, possantemente incentivado pela Moral Nova e pela Ética da Situação. Atingiu ele em nossos dias um clímax. Às características desses tipos de moral relativista acrescentou-se um dado, muito presente em nossa época: o chamado consenso. Desde que um novo costume não contunda demais o esquálido senso moral e o anêmico pudor da maioria, ele deve ser absorvido pela sociedade, segundo preceitua essa falsa Moral de Consenso..
Moral do Consenso não se baseia igualmente em nenhum Mandamento da Lei de Deus ou em qualquer norma moral objetiva, mas numa fórmula inteiramente relativista:“Não escandalizar demais”. Tal fórmula malandra tende a enganar a consciência do homem moderno, apresentando o consenso como uma espécie de regulador. Desde que todos, ou a maioria, aceitem algo como sendo tolerável, esse algo passa a ter foros de cidadania. E o que é hoje intolerável, amanhã deixará de sê-lo, desde que todos, ou a maioria de uma coletividade, adotem o novo costume.
Assim, o que escandalizava no passado, porque a maioria não tolerava, passou a ser normal e até banal quando ela se acomodou ao novo hábito.
Se observarmos mais detidamente as notícias difundidas pela mídia, especialmente a partir de 1960, verificaremos como a fórmula “não escandalizar demais” foi aplicada para que os homens se habituassem a comportamentos que, poucos anos antes, eram rejeitados com vigor.
Tomemos o exemplo das drogas. Houve época em que elas eram veementemente rejeitadas pela maioria. A partir da década de 60 – especialmente com os movimentos contestatários, o hippismo, a Revolução da Sorbonne, os punks – o consenso antidrogas começou a ser erodido e os entorpecentes passaram a ser displicentemente tolerados.
Hoje em dia, devido à fórmula da Moral de Consenso, a situação está se invertendo. Entramos numa fase em que o uso de drogas “não escandaliza mais” e tende a ser legalizado. E dentro em breve, quem se opuser à droga será mal visto e considerado radical e retrógrado!
Naturalmente, a decadência moral não avança igualmente em todos os pontos. Por exemplo, o divórcio já foi introduzido na legislação de quase todos os países do Ocidente cristão. Mas ainda se notam reações ponderáveis em vários desses países para se introduzir em suas leis a liberação completa do aborto. E quanto à eutanásia e ao chamado “casamento” homossexual, ainda se verificam oposições não desprezíveis.
O dever de resistir ao processo de relativização moral
Quando Nossa Senhora apareceu em Fátima, em 1917, mostrou aos três pastorinhos o inferno. Por quê? Era necessário lembrar aos homens o terrível destino eterno que aguarda aqueles que violam os Mandamentos da Lei de Deus. E violam tais Mandamentos não só os que abertamente os infringem, mas também os que são cúmplices com o pecado.
A cumplicidade tem graus. Uma é a cumplicidade aberta, daquele que favorece o mal sem disfarces, promovendo o vício, elogiando o pecado. Outra é a cumplicidade de quem não peca diretamente, mas que, podendo evitar que outros pequem, entretanto nada faz.
Não é lícito viver indiferente ao lado do mal. Aquele que, podendo, não ajuda outros a evitar o pecado, e portanto a não cair no inferno – e sobretudo a não ofender a Deus -- comete uma falta contra a caridade. E uma ajuda importante ao alcance de todos nós consiste em abrir os olhos das pessoas para essa relativização da moral.
A TFP, durante décadas vem denunciando tal processo. Distinguiu-se desde os seus primórdios nessa batalha para impedir a derrocada moral. Empreendeu, sob a sapiente e prudente direção do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, duas campanhas vitoriosas contra a implantação do divórcio no Brasil, e prossegue a batalha contra a imoralidade e a decadência moral. Também denunciou o processo de baldeação moral, pelo qual muitos católicos julgam que podem ter a consciência tranqüila, mesmo quando nada fazem para opor-se ao pecado.
Se a TFP vem cumprindo seu dever nesse sentido, deve-o sobretudo a graças concedidas por Nossa Senhora. Não faltaram também, em sua longa luta em defesa da moral católica, ajudas inesperadas, apoios corajosos, orações fervorosas, intervenções desinteressadas. Nessa batalha, contudo, é essencial a confiança nAquela que em Fátima mostrou o inferno, mas que também prometeu: “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará!”
Notas:
1- Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, 4ª ed. em Português, Artpress, São Paulo, 1998, p.62.
2 - Zuenir Ventura, Muda tudo, estilo de vida, família, sexo, moral, Globo 2000, p. 14.
3 - Op. cit. Librairie Plon, Paris, 1914, Vol. II, p.375 apud Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução.

Dois documentos de Pio XII condenam a Moral Nova"

"A moral nova afirma que a Igreja, em lugar de suscitar a lei da liberdade humana e do amor, e de insistir sobre ela como justo estímulo da vida moral, se apóia ao contrário, por assim dizer exclusivamente e com uma rigidez excessiva, sobre a firmeza e a intransigência das leis morais cristãs, recorrendo freqüentemente a estes ‘vós sois obrigado’, ‘não é permitido’, que têm por demais o tom de um pedantismo aviltante.

Pio XII
“Ora, a Igreja quer, ao contrário – e Ela o põe expressamente em evidência quando se trata de formar as consciências – que o cristão seja introduzido nas riquezas infinitas da fé e da graça, de um modo persuasivo, a ponto de se sentir inclinado a penetrá-las profundamente.
“Entretanto, a Igreja não pode deixar de advertir os fiéis de que estas riquezas não podem ser adquiridas e conservadas senão pelo preço de obrigações morais precisas.
“Mais ainda que no domínio da vida privada, muitos quereriam hoje em dia excluir a autoridade da lei moral na vida pública, econômica, social, na ação dos poderes públicos no interior e no exterior, na paz e na guerra, como se Deus nestes assuntos nada tivesse a dizer, ao menos de definitivo”. (Excertos da Alocução do Papa Pio XII, em 23 de março de 1952, apud Catolicismo nº 18, junho de 1952).
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"O traço característico desta [nova] moral é ela não se basear nas leis morais universais, como, por exemplo, os dez Mandamentos, mas nas condições ou circunstâncias reais e concretas nas quais se deve agir, e segundo as quais a consciência individual deve julgar e escolher. Tal estado de coisas é único e vale uma vez só para toda ação humana. Eis por que, segundo afirmam os adeptos desta ética, a decisão da consciência não pode ser dirigida pelas idéias, pelos princípios e pelas leis universais. .... Expressa sob esta forma, a nova ética está de tal modo afastada da fé e dos princípios católicos, que mesmo uma criança, se já sabe seu catecismo, o perceberá e o sentirá. Não é difícil verificar como o novo sistema moral provém do existencialismo, que ou faz abstração de Deus ou simplesmente O nega, e em todo caso remete o homem a si mesmo. .... Perguntar-se-á como a lei moral, que é universal, pode bastar, e mesmo obrigar, num caso particular, o qual é, concretamente, sempre único e de ‘uma vez’. Ela o pode e ela o faz porque, justamente graças à sua universalidade, a lei moral compreende necessariamente e ‘intencionalmente’ todos os casos particulares, nos quais seus conceitos se verificam. E em muitos casos ela o faz com uma lógica tão concludente, que mesmo a consciência do simples fiel vê imediatamente e com certeza plena a decisão a tomar". (Excertos do Discurso de Pio XII aos membros do Congresso da Federação Mundial das Juventudes Femininas, 18 de abril de 1952, apud Catolicismo nº 19, julho de 1952).
Santo Ofício condena a Ética da Situação
"Em muitas regiões e mesmo entre católicos, começa a espalhar-se um sistema ético contrário aos princípios e às aplicações da moral ensinada pela Igreja, que é por muitos denominado ‘Ética da Situação’, e que dizem não depender dos princípios da ética objetiva. .... Muito do que se acha estabelecido nesta ‘Ética da Situação’ está em contradição com a verdade das coisas e se opõe ao reto ditame da razão, apresenta indícios de relativismo e modernismo, e abertamente se afasta da doutrina católica ensinada através dos séculos. Em não poucas asserções se revela afim com diversos sistemas de moral não católica.
“Tudo isso considerado, para afastar o perigo da Moral Nova de que falou o Sumo Pontífice Pio XII nas alocuções de 23 de março e 18 de abril de 1952, e para resguardar a segurança e pureza da doutrina católica, esta Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício interdiz e proíbe que esta doutrina da ‘ética da situação’ – qualquer que seja o nome sob o qual ela se apresente – seja ensinada ou aprovada nas Universidades, Ateneus, Seminários e casas de formação de Religiosos, ou seja propagada e defendida em livros, dissertações, conferências ou de qualquer outro modo”.
(Excertos do Decreto do Santo Ofício de 2 de fevereiro de 1956, apud Catolicismo, nº 70, outubro de 1956).


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Nossa capa: uma explicação complementar

O artista moderno francês Rouault é autor das duas pinturas que figuram acima: a da direita intitulada “Santa Face”, e a da esquerda,“Palhaço”.
Em nossa capa aparece, à esquerda, meia face de Nosso Senhor impressa no Santo Sudário de Turim; e à direita, meia face da correspondente pintura de Rouault.
Para uma compreensão melhor dessa última pseudo-obra de arte, transcrevemos abaixo excertos do penetrante artigo Religiosidade ou pseudo-religiosidadena arte de Rouault, do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, publicado em Catolicismo, nº 34, outubro/1953:
“A revista ‘Fede e Arte’, editada pela Pontifícia Comissão para para a Arte Sacra na Itália, publicou recentemente um artigo de Michele Guerrisi sobre a ‘Arte religiosa e a crise do gosto contemporâneo’. Esse artigo contém interessantes considerações sobre Rouault, de que transcrevemos aqui alguns tópicos.”
A "Santa Face", de Rouault
Da citação apresentada no artigo de Catolicismo,
destacamos apenas alguns trechos: “Se a crítica tivesse sabido ver melhor, teria observado que Rouault representa com os mesmos traços a face de Cristo, a de seus palhaços e a do père Ubu. .... Sua aparente religiosidade é sem caridade, e ignora qualquer iluminação mística, como a própria catarseartística.”
* * *
Prossegue a colaboração do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: “Esse artigo vem ilustrado por vários clichês, dos quais publicamos dois [os dois quadros abaixo reproduzidos]. Comparando-os, o leitor não terá dúvida em afirmar que na “Santa Face” e no “Palhaço” Rouault pintou o mesmo homem.
O "Palhaço", de Rouault
Tudo isto, a nós torna pensativos.
Rouault não é um artista isolado. Ele está à testa de toda uma corrente, entrosada ela mesma com outras que lhe são afins. É todo um vasto movimento, que tem tido a seu favor o apoio de uma propaganda estrepitosa, o encanto que a extravagância, a aberração, a novidade abstrusa e paradoxal exercem sobre os homens nos períodos de decadência. Estas são armas poderosíssimas, que nos últimos tempos têm derrubado, quase no primeiro impacto, idéias, costumes, sistemas e instituições quase sem conta. ....
Não seria difícil imaginar que mundo, que ambientes, que costumes, que ‘civilização’ nasceriam da vitória desta arte sem arte, desta religiosidade absolutamente vazia de conteúdo religioso.”

O inimaginável absurdo: o que ontem era pecado hoje é exaltado, Parte I


Enrique Lara
O leitor deve ter notado que esta matéria, de caráter moral, é ilustrada na capa da presente edição com um contraste entre duas gravuras. Por que utilizar tal recurso, próprio ao plano estético e não ao moral? A razão é simples: as duas meias-faces – a do Divino Redentor no Sudário de Turim e a desfiguração dela na obra do pintor moderno Rouault – simbolizam muito apropriadamente a adulteração da moral católica, única verdadeira, pela disseminação da pseudo-moral moderna no mundo neopaganizado de hoje. A explicação mais detalhada da pintura de Rouault encontra-se no quadro da pp. 22-23.
Feita essa observação inicial, passemos ao tema do artigo, de grande atualidade.
Sempre que alguém atinge uma certa idade, se tem bom senso, é natural que olhe para trás e faça um balanço de sua vida sob o olhar de Deus.
O mesmo acontece, com mais razão, com uma civilização. Chegamos ao fim de um século, de um milênio, e compreende-se que se faça um levantamento dos últimos 100 anos.
Para ter um ponto de referência dos fatos ocorridos, tomei a coleção Globo 2000, publicada pelo diário carioca "O Globo", e analisei as notícias do início do século XX. À medida que ia lendo, aumentava em meu espírito a sensação de espanto. Sim, pois o que escandalizava, com razão, as pessoas daqueles tempos, tornou-se natural e até corriqueiro em nossos dias. Apresento a seguir, a título exemplificativo, algumas dessas notícias:
Kaiser Guilherme II da Alemanha: o que diria ele das danças mais recentes?
1913 – "Contra o tango: [O Kaiser Guilherme II, da Alemanha, pediu] ao Exército e .... Marinha que suas tropas não dançassem nem o tango nem o two-step, considerados obscenos".
Se o Kaiser vivesse hoje, em rigor de lógica deveria proibir quase todas as danças mais recentes. E não só para as tropas, mas para todos, inclusive meninos e meninas de cinco anos de idade nas escolas!
1902 – Pelleas e Melisande, a única ópera do compositor francês Claude Debussy, estreou com escândalo. O Diretor do Conservatório de Paris, onde o músico havia estudado, proibiu seus alunos de a assistirem.
Debussy proibido! Todas as lojas de CD hoje vendem suas composições na seção de músicas eruditas! Qualquer diretor de conservatório enfrentaria problemas caso proibisse seus alunos de assistirem a um show de música rock, mesmo sendo as letras desta explicitamente satanistas...
1906 – Comentário de um crítico teatral sobre a peça Fantasmas, de Henrik Ibsen: "É um esgoto aberto, uma odiosa ferida sem ataduras, um ato sujo cometido em público". Qual a razão de linguagem tão violenta? “Henrik Ibsen trouxe a vida real para o palco”. Imaginem o que diria tal crítico se assistisse a cenas da televisão atual! Programas televisivos não só tratam em público todas as mazelas e desgraças que podem acontecer na vida, mas apresentam como normais as maiores aberrações!
1901 – “Auguste Rodin chocou crítica e público com sua escultura de Vítor Hugo, representando o romancista francês numa figura seminua, emergindo de uma rocha bruta – imagem que, para muitos observadores, sugeria uma espécie de deus pagão”.
Atualmente ninguém se escandaliza diante de qualquer evocação do paganismo e de suas manifestações. Pelo contrário, elas estão na moda. Hoje, uma escultura com bom senso e que não seja uma obra “abstrata” é qualificada por muitos como conservadora! Além do mais, tal escultura escandalizava não o Brasil católico, mas a França, já muito descatolicizada na época, e que adotara uma política abertamente anticlerical.
Outra notícia refere-se à saída de Oscar Wilde da prisão. O dramaturgo inglês estivera encarcerado devido à prática do homossexualismo. Aliás, as notícias da época nem sequer usavam essa palavra. Utilizavam eufemismos: "Preso por grave atentado ... moral". Hoje em dia esse pecado contra a natureza é cada vez mais apresentado com naturalidade. No Antigo Testamento, a prática de tal vício provocou a ira divina, sendo as cidades de Sodoma e Gomorra destruídas pelo fogo enviado por Deus (Gn 19, 24-26). Segundo o Catecismo Maior promulgado por São Pio X, esse é um dos pecados que“bradam aos Céus e clamam a Deus por vingança”!
Pus de lado a coleção de notícias do início do século e examinei uma série de recortes de jornais de nossos dias, narrando casos considerados corriqueiros, os quais, há 100 anos ou menos, teriam provavelmente causado horror e revolta. O que pensariam as pessoas de 1910, se tomassem conhecimento destas notícias?
· “Pensão para companheiro homossexual”. A Previdência vai pagar pensão para o companheiro homossexual do segurado que morreu (“Jornal da Tarde”, São Paulo, 9-6-2000);
· “Feira livre oferece fotos pornográficas [na Internet]”. Imagens podem ser encontradas em seções de bate-papo da rede internacional, abertas a qualquer pessoa (“Folha de S. Paulo, 31-1-1999);
· “Levar os namorados para dormir no quarto, uma questão que desafia os pais (liberais ou não)”. Deixar a filha dormir com o namorado no próprio quarto, ou vice-versa, era uma questão inconcebível até bem pouco tempo atrás. Mas hoje a prática é aceita entre muitas famílias urbanas de classe média (“Jornal do Brasil”, 28-5-2000).
Tais notícias são apenas algumas amostras do que pode ser encontrado hoje ao se abrir qualquer jornal. Vai longe a época em que a sanidade moral e psicológica era a norma! Hoje o antinatural, o absurdo, o non sense é erigido como normal.
“Revolução Cultural” e “Revolução dos costumes”
Legend Figur - obras de arte que nao sejam de tipo "abstrato", como esta escultura, muitos hoje as consideram "conservadoras"
Em sua renomada obra Revolução e Contra-Revolução, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira aborda com penetração um tema intimamente conexo com a transformação acima apontada. Eis suas palavras: “Como uma modalidade de guerra psicológica revolucionária, a partir da rebelião estudantil da Sorbonne, em maio de 1968, numerosos autores socialistas e marxistas em geral passaram a reconhecer a necessidade de uma forma de revolução prévia às transformações políticas e sócio-econômicas, que operasse na vida cotidiana, nos costumes, nas mentalidades, nos modos de ser, de sentir e de viver. É a chamada ‘revolução cultural’” (1).
O insigne pensador católico explica a seguir que tais autores marxistas consideram essa revolução -- preponderantemente psicológica e tendencial – uma etapa indispensável para se chegar à mudança de mentalidade, o que possibilitaria a implantação da utopia igualitária nas instituições e nas leis. E que sem tal preparação a transformação revolucionária e as “mudanças de estruturas” seriam efêmeras.
Embora essa “Revolução Cultural” tenha se configurado inteiramente a partir da rebelião da Sorbonne, em 1968, vinha ela sendo gestada muitas décadas antes, mediante a brutal modificação de costumes, perceptível já no início do século XX.
O tópico a seguir, de autoria de Zuenir Ventura, publicado em Globo 2000, é muito significativo nesse sentido, ressaltando a “Revolução dos Costumes” :
“E se a revolução dos costumes tiver sido a verdadeira revolução deste século? Não a soviética ou a chinesa, nem a cubana, nem a portuguesa, muito menos a de 64, mas a que fez o homem e a mulher do século XX mudarem seu estilo de vida e seu modo de estar no mundo, tendo ao fundo o rock como trilha sonora? .... Com destaque especial para os anos 60, essa revolução nem sempre silenciosa subverteu códigos, derrubou preconceitos e tabus, legitimou ‘desvios’, rejeitou convicções estabelecidas, transformou reivindicações em direito e lançou novas convenções .... Esse processo de liberação se acelerou a partir da segunda metade do século, quando caíram as últimas resistências de pudicícia e pudor .... . É claro que tudo isso não aconteceu isoladamente, mas estimulado ou causado pelas invenções da ciência e da tecnologia em geral, especialmente a da comunicação. Com o poder de entrar não só dentro das casas, como dentro de seus próprios moradores, condicionando gostos, preferências e sensações, a mídia foi fundamental na criação desse ser .... O corpo foi o espaço onde se travaram as batalhas comportamentais mais significativas. Permissivo e hedonista, o século XX desenvolveu como nunca seu culto” (2).
O texto acima descreve a transformação dos costumes, mas não vai ao fundo da questão. Não é possível ocorrer uma tão profunda mudança de costumes sem a alteração dos princípios morais que sustentam tais costumes. Como se deu essa mudança? Desapareceram assim, simplesmente, os princípios morais? E isto em todos os países ao mesmo tempo?
Mais ainda. Como foi possível povos católicos em sua maioria, sem querer deixar de ser católicos, aceitarem tal mudança, que em última análise é frontalmente contrária à moral católica? No Brasil, 75% da população se diz católica. No início do século era bem mais de 90%.
Então essa mutação só se explica devido à relativização dos princípios perenes da moral católica por parte dessa grande maioria. No decorrer do século, embora se declare católica, tal maioria deixou de seguir os princípios da doutrina moral da Igreja em matérias importantes como contracepção, divórcio, aborto, homossexualismo etc.