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O sagrado uso do véu

Por quase 2000 anos, mulheres Católicas se cobriram com o véu antes de adentrarem na igreja ou em qualquer momento que estivessem na presença do Santíssimo.
A obrigação estava expressa no Código de Direito Canônico (CDC) antigo (1917). Depois do encerramento do Concílio Vaticano II, por algum motivo não sabido exatamente o uso do véu extinguiu-se. O descaso por parte das autoridades vaticanas sobre o assunto colaborou para a perda do uso. Quando o novo CDC (1983) foi produzido, a questão do véu simplesmente não foi mencionada (não foi abolida, simplesmente não mencionada). Este silêncio do novo CDC é o grande argumento usado por aqueles que rejeitam salutar costume.
A questão do véu, entretanto, não é somente um ponto legal, mas, como veremos, é também magistério apostólico. Primeiramente, analisaremos o aspecto legal (que, de si, bastaria para justificar seu uso).
1 Aspecto legal
Antes de adentrarmos na exposição direta do raciocínio que nos leva ao uso do véu, é-se necessário alguns esclarecimentos acerca da lei positiva eclesiástica.
A Igreja, a fim de organizar suas leis positivas, criou, em 1917, a pedido do Concílio do Vaticano, o Código de Direito Canônico, que nada mais era que uma reunião de todas as leis existentes à época. É bom frisar que a inexistência de um Código anterior a 1917 não implicava falta de leis positivas eclesiásticas.
Após a convocação do Concílio Vaticano II, o mesmo concílio pediu a reforma do Código vigente. Em 1983 saiu o novo CDC.
Claro que para analisarmos o aspecto legal do uso do véu, teremos de consultar o que o Código de Direito Canônico legisla sobre a questão.
O atual Código, como dito, nada fala sobre o uso do véu. Isso implica a abolição do véu? A resposta é NÃO, pois o novo Código nos diz nos cânones 20 e 21 que a nova lei canônica só abole a velha lei canônica quando ela escrever explicitamente isto, e que em caso de dúvidas, a lei antiga não deve ser revogada, pelo contrário. Eis as citações:
A lei posterior ab-roga ou derroga a anterior, se expressamente o declara, se lhe é diretamente contrária, ou se reordena inteiramente toda a matéria da lei anterior; a lei universal, porém, de nenhum modo derroga o direito particular ou especial, salvo determinação expressa em contrário no direito (Código de Direito Canônico de 1983, cân. 20).
E ainda:
Na dúvida, não se presume a revogação de lei preexistente, mas leis posteriores devem ser comparadas com as anteriores e, quanto possível, com elas harmonizadas (Ibid., cân. 21).
É fácil perceber que o uso do véu fica transferido para o que o Código anterior estabelece a esse respeito.
1.1 O antigo Código de Direito Canônico não estabelece o uso
Essa hipótese existe apenas como reflexão teórica, pois o antigo Código afirma expressamente a obrigatoriedade do uso do véu. Portanto, a discussão se esgota tão rapidamente se inicia.
Concluiremos que, para infelicidade dos que são contra o uso ou a obrigatoriedade do véu, mesmo que o Código antigo não o regulamentasse, ele seria obrigatório.
Diz o novo Código “O costume é o melhor intérprete da lei” (Ibid., cân. 27).
De fato, há poucos costumes na Igreja que seja anterior ao uso do véu pelas mulheres; entretanto, o Código novo ainda acrescenta:
Salva a prescrição do cân. 5, o costume contra ou à margem da lei é revogado por um costume ou lei contrários; mas, se não fizer expressa menção deles, uma lei não revoga costumescentenários ou imemoriais, nem a lei universal, costumes particulares (Ibid., cân. 28, destaques meus).
Como já dito, o novo Código simplesmente se omite quanto ao uso do véu. Nem existe um costume contrário a ele, nem está à margem de alguma lei ou costume ou a eles não se harmoniza.
Nisto já se esgota a análise jurídica de tal uso, mas para exaurirmos qualquer argumento contrário que possa surgir contra esse uso venerável, veremos o cânon 5, a exceção da qual nos fala o cânon 28:
§ 1. Os costumes, universais ou particulares, vigentes até o presentecontra as prescrições destes cânones e que são reprovados pelos próprios cânones deste Código, estão completamente supressos e não se deixem reviver no futuro; os outros também sejam considerados supressos, a não ser que outra coisa seja expressamente determinada pelo Código, ou sejam centenários ou imemoriais, os quais podem ser tolerados se, a juízo do Ordinário, em razão de circunstâncias locais e pessoais, não possam ser supressos.
§ 2. São mantidos os costumes à margem do direito e vigentes até agora, quer universais, quer particulares (Ibid., cân. 5).
O cânon 5 fala dos costumes que não se harmonizam com as novas leis, caso que não ocorre com o uso do véu, negligenciado que foi pelo novo Código. No parágrafo primeiro, está destacado que, mesmo o uso do véu sendo proibido pelo novo Código, proibição esta expressa, o uso não seria proibido porque ele é imemorial (é apostólico, como veremos).
O segundo parágrafo resolve qualquer caso de má interpretação da nova lei para se proibir o uso do véu, pois diz que os costumes à margem do direito (universais ou não) são mantidos. Ora, o uso do véu é um costume universal (não apenas em toda a Igreja latina, a que o Código se refere, mas em todas as Igrejas orientais sui iure) que está à margem do novo direito, pois o Código se abstém de comentá-lo.
A conclusão é que, mesmo o antigo Código não referenciando nada sobre o uso do véu, tal uso seria obrigatório por se tratar de um costume imemorial e apostólico.
1.2 O antigo Código estabelece o uso
A ilação a que se chega no tópico anterior é desnecessária porque o antigo Código fala explicitamente da obrigação do uso do véu e o novo, além de não proibir (na verdade nem trata a questão), legifera que na falta de lei nova, a antiga ainda vale.
O que estabelece o antigo Código? Está escrito no Código de Direito Canônico de 1917: “As mulheres, entretanto, têm que cobrir suas cabeças e vestir-se com modéstia, especialmente quando se aproximam da mesa do Senhor” (Mulieres autem, capite cooperto et modest vestitae, maxime cum ad mensam Domincam accedunt, Código de Direito Canônico de 1917, cân. 1262).
Conseqüentemente, de acordo com a Lei canônica e o costume, a mulher continua tendo o dever de cobrir sua cabeça.
2 Aspecto espiritual
O uso véu, no cristianismo (por cristianismo, falo em sentido estrito, ou seja, catolicismo) é um costume muito importante. E não diz respeito somente à lei canônica, mas também a dois milênios de tradição: tanto na tradição do Velho Testamento, como nas admonições do novo Testamento, em que São Paulo escreveu:
Tornai-vos os meus imitadores, como eu o sou de Cristo. Eu vos felicito, porque em tudo vos lembrais de mim, e guardais as minhas instruções, tais como eu vo-las transmiti. Mas quero que saibais que senhor de todo homem é Cristo, senhor da mulher é o homem, senhor de Cristo é Deus. Todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta falta ao respeito ao seu senhor. E toda mulher que ora ou profetiza, nãotendo coberta a cabeçafalta ao respeito ao seu senhor, porque é como se estivesse rapada. Se uma mulher não se cobre com um véu, então corte o cabelo. Ora, se é vergonhoso para a mulher ter os cabelos cortados ou a cabeça rapada, então que se cubra com umvéu. Quanto ao homem, não deve cobrir sua cabeça, porque é imagem e esplendor de Deus; a mulher é o reflexo do homem. Com efeito, o homem não foi tirado da mulher, mas a mulher do homem; nem foi o homem criado para a mulher, mas sim a mulher para o homem. Por isso a mulher deve trazer o sinal da submissão sobre sua cabeça, por causa dos anjos. Com tudo isso, aos olhos do Senhor, nem o homem existe sem a mulher, nem a mulher sem o homem. Pois a mulher foi tirada do homem, porém o homem nasce da mulher, e ambos vêm de Deus. Julgai vós mesmos: é decente que uma mulher reze a Deus sem estar coberta com véu? A própria natureza não vos ensina que é uma desonra para o homem usar cabelo comprido? Ao passo que é glória para a mulher uma longa cabeleira, porque lhe foi dada como um véu. Se, no entanto, alguém quiser contestar, nós não temos tal costume e nem as igrejas de Deus (I Cor 11,1-16).
Tal advertência é de vital importância: São Paulo descreve, na seqüência, o rito da instituição do Sacrifício da Missa. Ora, há uma ligação entre tamanho mistério e a advertência ao véu feminino.
De acordo com o Apóstolo, as mulheres usam o véu como sinal da glória de Deus; deve ser o foco de adoração, como sinal de submissão à autoridade. É o reconhecimento e um sinal de se ter Deus e o marido (ou pai, de acordo com cada caso) como cabeças, é um sinal de respeito à presença dos Santos Anjos e da Liturgia Divina. Usando o véu, se reflete a ordem invisível divina e as fazem visíveis. Isto São Paulo apresenta claramente como uma lei, uma que é a prática de toda Igreja – no ocidente ou oriente.
Alguns acreditam que o Apóstolo das Gentes estava a falar apenas aos fiéis de sua época, e que esta prática não mais se aplica. Note-se, porém, que o santo nunca se intimidou em quebrar desnecessários tabus. Foi ele próprio quem enfatizou várias vezes que a circuncisão e toda a Lei mosaica não eram necessárias, mesmo falando a católicos oriundos do judaísmo. Ao invés, a tradição e lei do uso do véu não é uma questão de influência cultural; o véu é um símbolo tão relevante, quanto é a batina de um padre, ou um hábito de uma religiosa.
Ressalte-se, outrossim, que São Paulo não está, de maneira alguma, praticando a misoginia aqui. Ele nos assegura que a mulher é a glória do homem e que ele precisa da mulher (e a mulher dele). Mas existem diferenças no papel de cada um, ambos iguais em dignidade – e tudo para a glória de Deus.
O véu é também um sinal do reconhecimento das diferentes funções de cada um dentro da ordem racional. O véu é ainda sinal de modéstia e castidade. No Antigo Testamento, descobrir a cabeça da mulher era um modo de humilhar ou punir adúlteras e mulheres que transgredissem de outra forma a Lei (cf. Nm 5,12-18; Is 3,16-17, Ct 5,7).
A mulher hebraica não cogitaria em hipótese alguma adentrar no Templo (ou mais tarde sinagoga) sem cobrir sua cabeça. Esta prática é simplesmente passada para e pela Igreja.
O ato de cobrir algo é sinônimo de respeito e mostra o quanto este algo é importante. O próprio conceito de Revelação – retirar o véu – nos aponta isso. Temos, neste contexto, o velado como Deus e sua Verdade; não se pode negar quão importante é, para os homens, essa Revelação, fruto da infinita benevolência divina para conosco. Existia algo mais, no Antigo Testamento que era velado: o Santo dos Santos.
A primeira aliança, na verdade, teve regulamentos rituais e seu santuário terrestre. Consistia numa tenda: a parte anterior encerrava o candelabro e a mesa com os pães da proposição; chamava-se Santo. Atrás do segundo véu achava-se a parte chamada Santo dos Santos. Aí estava o altar de ouro para os perfumes, e a Arca da Aliança coberta de ouro por todos os lados; dentro dela, a urna de ouro contendo o maná, a vara de Aarão que floresceu e as tábuas da aliança; em cima da arca, os querubins da glória estendendo a sombra de suas asas sobre o propiciatório. (Hb 9,1ss, destaque meu).
E, na Missa, o que é velado até à hora do ofertório? O cálice! O nosso Santo dos Santos, o verdadeiro Santo dos Santos, o vaso onde o preciosíssimo Sangue de Cristo se encontra e se derrama para nos inebriar e aplicar os frutos da redenção!
E, nas igrejas, o que é também velado? O cibório no Tabernáculo, onde o santíssimo Corpo de Cristo Se encontra e Se oferece para nos salvar expiando a justa ira divina. O próprio Sacrário, aliás, é também coberto por um véu.
Estes objetos de vida são velados porque são sagrados! Há outra personagem que sempre está vestida de modéstia e não apenas por usar véu. Não só sempre se apresenta modestamente, como manda às mulheres que assim se vistam. A Toda Santa, Arca da Nova Aliança, o Vaso da Verdadeira Vida: a Santa Virgem, Mãe de Deus (a quem devemos imitar sempre)!
Ao vestirem o véu, as mulheres imitam Nossa Senhora e se afirmam, verdadeiramente, como mulheres, como vasos de vida.

Otra buena noticia: también se restablece la Santa Misa Tridentina de los Franciscanos de la Inmaculada en Florencia (Italia)

CATHOLICVS | A VIDA SACERDOTAL

Tras la buena noticia en relación a los Franciscanos de la Inmaculada y la celebración de la Santa Misa tradicional, que publiqué el pasado domingo (ver aquí), la Coordinadora Toscana Benedicto XVI da otra buena noticia que va en la misma dirección: ha anunciado que la solicitud hecha por los Frailes Franciscanos de la Inmaculada de Florencia para el restablecimiento de la Santa Misa en el rito antiguo, también fue aceptada por el Comisario Apostólico, el P. Fidenzio Volpi.

Las celebraciones comenzarán de nuevo en la Iglesia de S. Salvatore de Todos los Santos (Ognisanti), el próximo domingo 1 de septiembre, a las 12 am, y tendrá la misma frecuencia establecida anteriormente: domingos y festivos a las 12 am y los días de diario a las 8 am. La dirección es: Borgo Ognissanti, 42, Florencia (Italia). Tel.: 055 2398700.

La Coordinadora ha expresado su satisfacción por el resultado y sigue rezando en apoyo del fecundo apostolado de los Padres Franciscanos de la Inmaculada. La imagen que abre esta entrada fue tomada hace varios años durante las Ordenaciones diaconales conferidas por S. E. R. Raymond Leo S.R.E. Card. Burke en la parroquia de Ognissanti de Florencia, asistido por los Franciscanos de la Inmaculada. En la siguiente imagen puede verse la fachada de la iglesia parroquial de San Salvatore in Ognissanti de Florencia, donde los PP. Franciscanos de la Inmaculada también volverán a oficiar la Santa Misa Tridentina, tras la reciente prohibición de la Congregación para los Institutos de Vida Consagrada y Sociedades de Vida Apostólica, a cuyo frente se encuentra como Prefecto S. E. R. João S.R.E. Card. Braz de Aviz.

Missal de 1947 para baixar

Via Alexandria Católica


Clique em Missal Quotidiano


Completo
Em Latim/Português
Com o Próprio do Brasil
Edição A
D. Beda Keckeisen O.S.B.
Missal de 1947


Prefácio da V Edição

  Numerosos e instantes foram os pedidos, nesses últimos anos, para uma nova edição, em latim e português. Se não pudemos atendê-los, até aqui, por motivos alheios a nossa vontade, tanto maior satisfação temos agora em fazê-lo, entregando aos fiéis, justamente no ano em que se completa o 1o. decênio de nosso Missal Quotidiano, completo, esta 5a. edição, nas duas línguas."
   Vencidas as muitas dificuldades que se nos apesentaram, temos íntima consolação em constatar o grande interesse dos católicos brasileiros, nesses dez anos, pelas nossas edições, sentindo ao mesmo tempo que não nos enganamos em contar com as bençãos de Deus para que tão belo apostolado, que é o de ensinar a amar, a louvar e agradecer "ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo", o que fazemos no Santo Sacrifício. Sentimo-nos assim compensados pelos sacrifícios dispendidos, por havermos contribuído, com parcela diminuta embora, para o ressurgimento da vida espiritual dos nossos irmãos em Cristo, fazendo-os participar mais intimamente dos frutos da Santa Missa.
   De edição para edição procuramos melhorar a tradução dos textos e as notas. Como mudança de maior vulto, há, além da inclusão da Missa dos sumos Pontífices (no comum dos Santos como no Próprio), a colocação do Ordinário da Missa, que se acha agora entre o Próprio do Tempo e dos Santos, visando facilitar o manuseio do Missal. Confiantes inda uma vez nas bençãos de Deus, para esta nova edição do Missal Quotidiano, temos a certeza de que ela será proveitosa a muitas almas,para que dos mananciais do verdadeiro espírito cristão, possam haurir com abundância a VIDA. Membros do Corpo Místico do Cristo viverão essa VIDA para a vitória do Reino de Cristo e a Paz no mundo.

D. Beda Keckeisen, O.S.B.
Bahia, 28 de novembro de 1945



Obs.: Agradeço a alma generosa que enviou este arquivo ao blog. Que Nossa Senhora o abençoe muito e sempre.

Papa Francisco: "A Missa Antiga é intocável!"


Papa Francisco na Missa do Crisma de 2013.
É isso mesmo, leitor, segundo a notícia do site italiano Il Foglio, estas são as palavras do Papa Francisco.

Segue a matéria em italiano até que alguém possa traduzi-la para nós:


Francesco e il latino
La messa antica non si tocca, il Papa gesuita spiazza ancora tutti
I vescovi pugliesi chiedono il ritiro del motu proprio di Ratzinger. Bergoglio dice no, servono cose nuove e antiche
Chi pensava che con l’arrivo al Soglio di Pietro del gesuita sudamericano Jorge Mario Bergoglio la messa in latino nella sua forma extra-ordinaria fosse archiviata per sempre, aveva fatto male i conti. Il motu proprio ratzingeriano del 2007, il Summorum Pontificum, non si tocca, e il messale del 1962 di Giovanni XXIII (che poi è l’ultima versione di quello tridentino del Papa santo Pio V) è salvo. Quel rito con il celebrante rivolto verso Dio e non verso il popolo, con le balaustre a separare i banchi per i fedeli dal presbiterio, non è un’anticaglia, detrito da spedire in qualche museo a impolverarsi. E’ stato proprio il Pontefice regnante a dirlo, ricevendo qualche giorno fa nel Palazzo apostolico la delegazione dei vescovi pugliesi giunti a Roma in visita ad limina apostolorum, come fa tutto l’episcopato mondiale ogni cinque anni.
Come ha scritto sul suo blog il vaticanista Sandro Magister, i vescovi pugliesi sono stati i più loquaci, con clero e giornalisti. La scorsa settimana, il capo della diocesi di Molfetta, Luigi Martella, ha raccontato come Francesco sia pronto a firmare entro l’anno l’enciclica sulla fede che Benedetto XVI starebbe portando a termine nella tranquillità del monastero Mater Ecclesiae, aggiungendo addirittura che Bergoglio ha già pensato alla sua seconda lettera pastorale, dedicata alla povertà e intitolata “Beati pauperes”. Dichiarazioni che hanno costretto la Santa Sede a smentire, rettificare e chiarire, con padre Federico Lombardi che invitava a pensare “a un’enciclica per volta”. Poi è toccato al vescovo di Conversano e Monopoli, Domenico Padovano, che al clero della sua diocesi ha raccontato come la priorità dei vescovi della regione del Tavoliere sia stata quella di spiegare al Papa che la messa in rito antico sta creando grandi divisioni all’interno della chiesa. Messaggio sottinteso: il Summorum Pontificum va cancellato, o quanto meno fortemente limitato. Ma Francesco ha detto no.
E’ sempre monsignor Padovano a dirlo, spiegando che Francesco ha risposto loro di vigilare sugli estremismi di certi gruppi tradizionalisti, ma suggerendo altresì di far tesoro della tradizione e di creare i presupposti perché questa possa convivere con l’innovazione. A tal proposito, come scrive Magister, Bergoglio avrebbe pure raccontato le pressioni subite dopo l’elezione per avvicendare il Maestro delle cerimonie liturgiche, quel Guido Marini dipinto al Papa come un tradizionalista che andava rimandato a Genova, la città che nel 2007 lasciò a malincuore obbedendo alla volontà di Benedetto XVI che lo volle a Roma. Anche in questo caso, però, Francesco ha opposto il suo rifiuto a ogni cambiamento nell’ufficio delle cerimonie. E lo ha fatto “per fare tesoro della sua preparazione tradizionale”, consentendo al mite e poco protagonista Marini di “avvantaggiarsi della mia formazione più emancipata”.
La differenza culturale c’è tutta, il gesuita che per tradizione ignaziana “nec rubricat nec cantat” si trova improvvisamente catapultato in una realtà in cui negli ultimi otto anni erano stati pazientemente e lentamente recuperati elementi liturgici abbandonati negli ultimi trenta-quarant’anni, giustificando così chi vedeva nel Concilio una rottura anche in campo liturgico. Il filo conduttore delle cerimonie benedettiane era riassumibile nella sintesi tra solennità e compostezza: il ritorno sull’altare dei sette alti candelabri e della croce centrale e gli avvisi a non applaudire ne sono un esempio. E poi il latino, lingua della chiesa, che veniva usato per le celebrazioni non più solo a Roma ma in ogni angolo del pianeta, Africa compresa. Non pochi, guardando il volto serio di Marini quella sera di marzo mentre Bergoglio appariva per la prima volta alla Loggia delle Benedizioni con la semplice talare bianca, senza mozzetta né stola, avevano previsto un avvicendamento imminente. Invece Francesco sa che Roma non è Buenos Aires, che fare il Papa richiede anche di mantenere un apparato simbolico ancorato nella storia e nella tradizione millenaria della chiesa cattolica.
La continuità che non piace a tutti
Un recupero, quello avvenuto negli anni di Benedetto XVI, che a molti non è piaciuto, anche dentro le Mura leonine. Monsignor Sergio Pagano, prefetto dell’Archivio segreto vaticano, diceva lo scorso 7 maggio a margine della presentazione della costituzione d’indizione del Concilio “Humanae salutis” che “quando oggi vedo in certi altari delle basiliche quei sette candelabri bronzei che sovrastano la croce mi viene da pensare che ancora poco è stato capito della costituzione sulla liturgia Sacrosanctum Concilium”. Ecco perché qualcuno, come il vescovo di Cerignola-Ascoli Satriano, monsignor Felice Di Molfetta – che da sempre considera la messa in forma extra-ordinaria incompatibile con il messale di Paolo VI, espressione ordinaria della lex orandi della chiesa cattolica di rito latino – qualche giorno fa ha fatto sapere ai fedeli della sua diocesi di essersi vivamente rallegrato con Francesco “per lo stile celebrativo che ha assunto, ispirato alla nobile semplicità sancita dal Concilio”.
© - FOGLIO QUOTIDIANO
di Matteo Matzuzzi@matteomatzuzzi

Da crença batista à Missa na Forma Extraordinária - a história do Pe. Christopher Smith

Tradução e notas por Luís Augusto - membro da ARS
Pe. Christopher na Quinta-feira Santa de 2012
Por que estou tão enraizado na Forma Extraordinária da Missa? (1)
Por Pe. Christopher Smith, 
Pároco da Paróquia Prince of Peace, em Taylors, Carolina do Sul, 
da Diocese de Charleston, Estados Unidos da América.
Eu estava tendo uma deliciosa refeição recentemente com um bispo a quem amo e respeito como um pai, e que tem sido extraordinariamente bondoso para comigo. Minha política pessoal de nunca mencionar a forma extraordinária da Missa à mesa de jantar foi contornada por um de meus irmãos padres, a quem estimo como amigo e colega. "Então, sr. bispo, o que o senhor pensa da Missa Tridentina?" O suor começou a se formar na minha testa enquanto meu estômago se agitou, e o antes deleitável filé mignon, em meu prato, imediatamente me deu repulsa. "De novo não", eu disse para mim mesmo, começando a abafar o que eu sabia que seria um dilúvio de palavreado contra o Missal de Pio V/João XXIII, rezando de cabeça as Orações ao pé do Altar.
É uma cena que ocorreu comigo várias vezes, e que é muito familiar a padres jovens por todo o mundo. De uma hora para a outra, eu já não era só mais um padre no meio dos outros. Eu era um homem marcado. Eu cometi o pecado não tão original de ser um "daqueles padres", do tipo que celebrava a Forma Extraordinária do Rito Romano. Eu era um enigma para vários amigos que eu fiz nas comunidades que gozam exclusivamente dos livros litúrgicos pré-conciliares, que não conseguiam compreender como eu podia acordar toda manhã e rezar o desagradável Novus Ordo, ou Nervosa Desordem (2). E eu era um mistério para meus irmãos padres e até para alguns de meus paroquianos que não conseguiam enquadrar o homem que eles conheciam como seu amigo, que parecia tão jovial, divertido e mente-aberta, com uma liturgia que era caricaturada por muitos como o carro-chefe dos que se acham a última coca-cola do deserto, dos machucadinhos, dos integristas, dos inflexíveis (3).

“O Papa lava os pés de duas moças? Um mau exemplo”.


Lombardi explica a “oportunidade” do gesto em uma comunidade pequena como a Casal do Marmo
Por Alessandro Speciale | Tradução: Fratres in Unum.com – Alguns alarmes soaram imediatamente após sua eleição, quando o Papa Francisco se apresentou ao mundo, no Balcão das Bênçãos, com a sua cruz de ferro e vestido de forma extremamente simples. Os tradicionalistas católicos, ligados à missa pré-conciliar em latim, fizeram uma careta.
Por outro lado, o “currículo” do Papa argentino provocou muitas críticas dentre os “fãs” da missa tridentina. “O Horror”, resumiu um periodista sul-americano em uma análise publicada no sítio tradicionalista Rorate Caeli. «Dentre todos os candidatos impensáveis, Jorge Mario Bergoglio é, talvez, o pior. Não porque professe abertamente doutrinas contra a fé e a moral, mas sim porque, julgando por seu trabalho como arcebispo de Buenos Aires, a fé e a moral parecem ser irrelevantes para ele».
Sobretudo, o novo Papa foi descrito como «um inimigo da missa tradicional», aquela que é celebrada em latim, e havia impedido em sua arquidiocese que se colocasse em prática o Motu Proprio “Summorum Pontificum”, com o qual Bento XVI permitia a missa tridentina como «forma extraordinária» do Rito Romano.
Outro exemplo. Um comentador católico conservador, Michael Brendan Dougherty, definiu a eleição de Bergoglio no “National Post”, apressadamente (apenas a três dias da “fumaça branca”), como mais uma das «novidades recentes e mediocridades católicas», porque segue a linha que foi seguida em meio século do Concílio Vaticano II, marcado por «experimentações desconsideradas», como a celebração da missa em línguas vernáculas, os gestos «drásticos» de João Paulo II ou a renúncia de Bento XVI.
Porém, a hostilidade explodiu somente depois de ontem à tarde, quando o Papa Francisco lavou e beijou os pés de duas meninas (e uma muçulmana) durante a liturgia da Quinta-Feira Santa, que ele celebrou no instituto penal para menores Casal do Marmo.
O Papa Francisco foi acusado de dar um mau exemplo e de violar a lei da Igreja; o sítio “Rorate Coeli” declarou imediatamente que a «reforma da reforma», que muitos esperavam de Bento XVI, havia acabado.
Ed Peters, um canonista e blogueiro muito conhecido nos Estados Unidos, não acusou o Pontífice, naturalmente, de «violar qualquer indicação divina», porém, sobretudo, de «dar um exemplo discutível, ignorando a sua própria lei».
Em 1988, a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos publicou a carta circular “Paschales Solemnitatis” sobre a celebração dos ritos pascais. Nesse texto, no número 51, se lê que a lavagem dos pés deve envolver apenas homens escolhidos. O original em latim, “viri selecti”, não deixa dúvidas a esse respeito.
Nos Estados Unidos, a Conferência Episcopal decretou, um ano antes, a prática de incluir também as mulheres na cerimônia, embora não esteja previsto nos livros litúrgicos, pois tinham a «intenção de realçar o serviço ao lado da caridade no rito», porque era uma «forma compreensível de acentuar a ordem evangélica do Senhor, que veio para servir e não para ser servido».
A questão voltou a surgir em 2005, quando o arcebispo de Boston, o cardeal Séan O’Malley desencadeou as polêmicas por sua vontade de abrir o rito também às mulheres. Nessa ocasião, a Congregação para o Culto Divino explicou que, embora permanecia a «obrigação litúrgica» de lavar os pés somente dos homens, o bispo local podia ter a liberdade de decidir se existia uma necessidade pastoral na diocese.
Até esta “ruptura” humilde de Francisco. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, explicou à Associated Press que se em uma «grandiosa celebração solene» seria lógico lavar os pés somente dos homens, porque se comemora a Última Ceia de Jesus com os apóstolos, «em uma comunidade pequena e única, composta também por mulheres», como a de Casal do Marmo, havia sido «inoportuno» excluir as mulheres, «à luz do simples objetivo de comunicar uma mensagem de amor a todos em um grupo que não incluía a refinados peritos em normas litúrgicas» [nota do Fratres: ou seja, se estás em uma "comunidade" pequena, "faze o que tu queres pois é tudo da lei!"].
* * *
O Padre Adolfo Ivorra, doutor em teologia litúrgica pela Universidade São Dámaso, de Madri, e professor de metodologia de investigação e de livros litúrgicos modernos na Espanha, explica em seu blog o que determina o Missal de Paulo VI:
“Os varões designados, acompanhados pelos ministros, ocupam os assentos preparados para eles em um lugar visível aos fiéis. O sacerdote (deposta a casula, se necessário), aproxima-se de cada uma das pessoas designadas e, com a ajuda dos ministros, lava e seca os seus pés” (Missal Romano: reimpressão espanhola atualizada de 2008, p. 263).
Em latim: “Viri selecti deducuntur a ministris ad sedilia loco apto parata. Tunc sacerdos (deposita, si necesse sit, casula) accedit ad singulos, eisque fundit aquam super pedes et abstergit, adiuvantibus ministris. (Missale Romanum, a. 2002)
Prossegue o douto sacerdote: “O que me preocupa muito é que o primeiro a não obedecer as rubricas seja o ‘patriarca’ de nosso rito, o romano. Temos um sério problema, sobretudo no catolicismo latino, em relação à correta apreciação dos sinais litúrgicos [...] O grande problema que recai sobre nós é o relativo ao munus regendi, ou dito em uma linguagem secular: o caos litúrgico, onde tudo vale porque tudo é “relativo”. O relativismo está dentro de nossa casa. Por favor, Santidade, peço-lhe que siga fielmente as rubricas de seu próprio rito, o romano, e dê exemplo aos demais sacerdotes e bispos de fidelidade às normas da Igreja. O Papa não é um monarca absoluto ao modo dos governantes seculares, mas alguém que reconhece, como dizia Bento XVI, que a liturgia é uma realidade que nos é dada e que não se reconstrói segundo os gostos. O primado do bispo de Roma não é tarefa fácil. Roguemos ao Senhor para que o próprio Papa Francisco ou alguns de seus colaboradores façam que Sua Santidade veja a importância destes sagrados ritos”.
E o blog Rorate Caeli questiona: “Uma vez que há normas em vigor a respeito do lava-pés (viri, homens), todavia, mesmo a Suprema Autoridade está obrigada a humildemente obedecê-las, ao menos que ele formalmente as altere de antemão. Não é realmente tão complicado entender esta matéria básica de lógica legal, não é mesmo?”.

Ainda o Papa Francisco e a Missa Tridentina

Tradução por Osvaldo Mafra Lopes Júnior

Conforme havíamos pedido, segue a tradução do artigo francês aqui publicado:
Uma boa noticia : o Cœtus Internationalis Summorum Pontificum anuncia uma segunda edição da peregrinação à Roma do "povo do Summorum Pontificum ", em outubro e a celebração de uma missa pontifical na Basílica de São Pedro de Roma na véspera da festa de Cristo Rei. Segue o comunicado do CISP :
O POVO DO SUMMORUM PONTIFICUM  DE VOLTA à ROMA
PARA A CONCLUSÃO DO ANO DA Fé
Cœtus Internationalis Summorum Pontificum (CISP) se alegra em anunciar que concluirá o Ano da Fé como ele o começou : com uma peregrinação Ad Petri Sedem.
Após o sucesso espiritual da peregrinação de 2012, o povo do Summorum Pontificum tem um novo encontro marcado em Roma, para testemunhar a eterna juventude da liturgia tradicional sobre a Tumba dos Apóstolos. O CISP pretende assim participar da harmonia e da edificação da Igreja Universal em docilidade à ação do Espírito Santo.
Em resposta ao encorajamento à "seguir adelante" que lhe foi dirigida, quando da peregrinação de novembro, pelo cardeal Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, o CISP solicitou, no começo do ano, a disponibilização da Basílica de São Pedro à seu arcipreste, o cardeal Angelo Comastri. Neste 14 de março, o cardeal Comastri confirmou a disponibilização da basílica no dia 26 de outubro próximo, às 11 horas, para a celebração solene que será o ápice da peregrinação.
Cœtus Internationalis Summorum Pontificum agradece o cardeal Comastri pela sua hospitalidade e convida os grupos de fiéis ligados à forma extraordinária do rito romano à se preparar desde agora para a peregrinação e à se associar ativamente à sua organização.
*Constituído em julho do ano passado, o Cœtus Internationalis Summorum Pontificum é o organizador da peregrinação do povo do Summorum Pontificum - padres diocesanos ou de comunidades, seminaristas, religiosos e fiéis ligados à liturgia tradicional - à Roma. Este ano, ele está sobre a coordenação de um comité constituído por : Giuseppe Capoccia, delegado geral ; Guillaume Ferluc, secretário geral ; Padre Claude Barthe, capelão. O conselheiro Giuseppe Capoccia, alto-funcionario italiano, sucede ao conselheiro Riccardo Turrini Vita que em 31 de dezembro de 2012 se tornou juiz da Corte de Apelação da Cidade Estado do Vaticano.

O neoconservadorismo é mais nocivo que o modernismo desmascarado

Por Allan dos Santos

Eu postei na minha página pessoal do Facebook:


Não sei quem cuida da página Missa Tridentina no Rio de Janeiro RJ, mas estão fazendo um deserviço à causa tradicional. Lamentável. 
Estão fazendo uma campanha ridícula para APROXIMAR a Missa Tridentina da Missa Nova.
Vejam, respeitar a Missa Nova e reconhecê-la como lícita e válida, é uma coisa. E que isso se faça como fazem os grupos como o Salvem a Liturgia. Mas, querer pretender-se tradicional e ficar ensinando normas que contradizem as normas litúrgicas até então vigentes para o Missal de 1962 em nome de uma reforma-da-reforma que se quer existe nos documentos? Não, por favor!
Os tradicionalistas precisam resistir e negar esta pérfida influência do que há de pior nos modernistas. Se a Liturgia hoje pode ser melhor compreendida não é porque a Missa Tridentina se desfez, mas EXATAMENTE o contrário. Se queremos defender a Fé e trazer dias melhores para a Igreja Católica, é necessário NADA MUDAR na Missa Tridentina, e esperar o Papa fazer isso. 
Que papelão usar Pio XII para defender o que era desejo de Bugnini! Que ao menos fosse homem e colocasse a cara para debater...
Eis o link que escreveram tosquices: www.facebook.com/photo.php?fbid=514062675281635&set=a.231309220223650.58933.231290870225485
Há os que dizem que estou sendo radical e não equilibrado, mas é fácil de notar que estes anônimos covardes querem construir uma Igreja aos seus moldes, diferente da proposta tradicional que é nada mais que manter o que sabemos ser seguro. É necesário dizer NÃO às novidades que não somos obrigados a crer, viver e abraçar. É necessário transmitir o que nos foi dado, em vez de interpretar o que não nos compete.

Não é de se esperar nada mais desta página. Na época da Peregrinação ao Cristo Redentor, postaram uma foto transferindo as informações oficiais da própria página da Peregrinação, causando um verdadeiro caos que levou à desistência centenas de pessoas.

Para debate — Terminologia: “Forma Extraordinária” é um nome aceitável? E será que é o nome oficial?


Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com
Nunca pensamos que seria necessário escrever isso, uma vez que ambos os aspectos de que trataremos parecem ser óbvios, e parecem ter sido óbvios desde 2007. Assim, há tantos mal-entendidos com relação á expressão “Forma Extraordinária“, que nos sentimos compelidos a esclarecer dois pontos.
(1) Por que o nome “Forma Extraordinária” foi introduzido pelo Santo Padre no motu proprio Summorum Pontificum? Resposta: a fim de resolver um enigma da legislação litúrgica.
Tradicionalmente, ao longo da história da Igreja – pelo menos desde que a diferenciação dos ritos tornou-se clara e vinculada a patriarcados e áreas geográficas específicas – padres bi-ritualistas têm sido excepcionais. Eles ainda são uma exceção. Além disso, o Papa sentiu a necessidade de finalmente desfazer a injustiça que havia se perpetuado – e defendida pela maioria dos canonistas – desde o advento da Constituição Apostólica Missale Romanum, de Paulo VI (1969), que criou o Novus Ordo Missae: ele, e os documentos anteriores e subsequentes que modificaram todos os ritos de sacramentos, ab-rogaram o Rito Romano Tradicional?
O uso do termo “forma” resolveu ambos os problemas: ele não fez com que todos os padres na Igreja Latina, incluindo a vasta maioria de padres seculares, se tornassem imediatamente bi-ritualistas (na lei), o que seria bastante não tradicional; e, mais importante, ele resolveu o aparente problema da impossibilidade da ab-rogação de um rito litúrgico de origem imemorial. (Esse era um problema aparente porque, conforme o Papa deixou implícito ao dizer que “Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial,” os Ritos e Usos litúrgicos imemoriais da Igreja Latina não poderiam e não podem simplesmente ser ab-rogados) Em certo sentido, é um artifício, uma construção intelectual nobre, uma vez que a celebração comum da Missa Tradicional em Latim e a Missa Novus Ordo parecem expressar dois ritos muito distintos – mas o uso de tais construções legais é bastante comum no direito, e não há nada imoral nisso. O uso da terminologia esclareceu que a celebração da Missa Tradicional é um rito solene de cada padre na Igreja Latina.
(2) Apesar disso, a expressão “Forma Extraordinária” NÃO é o nome “oficial” do Rito Romano Tradicional. Este é apenas uma das muitas maneiras de se referir a ele. Na realidade, como podemos perceber, nos muitos textos dos documentos oficiais, vários nomes diferentes são utilizados para fazer referência ao Rito Romano Tradicional.
O próprio motu proprio fala em suas primeiras palavras do “uso extraordinário” e da “forma antiga” (antiqua forma) do Rito Romano. Em seus artigos, faz-se referência ao “Missal Romano promulgado por São Pio V e repromulgado pelo Beato João XXIII” (ou seja, o Missal de São Pio V também é “oficial” como o “Missal do Beato João XXIII” – não é de se admirar que o Cardeal Navarette-Cortes tenha utilizado o termo em 2008); ela é uma “expressão extraordinária” (extraordinaria expressio), e também “Forma Extraordinária” (forma extraordinaria). Ela também é chamada pelo motu próprio de “tradição litúrgica anterior”.
Os ritos dos sacramentos de acordo com o Ritual Romano Tradicional são caracterizados como de acordo com o ritual mais antigo (Rituale antiquior), e o mesmo adjetivo se aplica ao [rito] Pontifical e à própria forma: forma anterior (forma antiquior).
Todos esses nomes estão incluídos em um breve texto do próprio motu proprio Summorum Pontificum!
Na carta aos bispos, menciona-se também a “liturgia romana anterior à reforma de 1970″. O Papa diz na carta que não há “dois ritos” (embora, na carta, ele utilize o nome “rito novo”! – deixando-nos bastante à vontade para também utilizarmos a expressão rito antigo…), mas também utiliza nomes diferentes para ele naquele documento: “uso”, a “Forma anterior”, “missal de 1962″, “Missal antigo”, “tradição litúrgica latina antiga” (a propósito, um nome muito bonito).
Na instrução Universae Ecclesiae, faz-se referência à expressão “forma extraordinária”, mas também há todos os tipos de expressões diferentes: “uso”, “Usus antiquior“, “Missal de 1962”…
Estes são apenas nomes “oficiais” utilizados amplamente nos próprios documentos – sem esquecer a necessidade de clareza que requer um uso contínuo de expressões que estão estabelecidas no vernáculo, como, por exemplo, Missa Tradicional em Latim (MTL) em inglês, e “Missa Tridentina” (mesmo se não particularmente exato) em inglês e em diversas línguas europeias. Sem mencionar o uso muito respeitável (por exemplo, pelo ex-presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei Cardeal Castrillon Hoyos) das expressões “Rito Gregoriano” e “Liturgia Romana Clássica”.
PORTANTO: (1) não se sinta, de modo algum, forçado a utilizar o nome Forma Extraordinária, como se ele fosse o único nome aceitável – ele não é nem mesmo o nome exclusivo utilizado nos próprios documentos;
(2) não reclame quando outras pessoas o utilizarem, como se fosse ilegítimo ou inaceitável; se você não gosta dele, tudo bem, apenas não o utilize.

Neste 3 de novembro, na Basílica de São Pedro, a missa “extraordinária” é a missa normal.


Uma missa “extraordinária”? Uma missa normal!
Missa Pontifical celebrada na Basílica de São Pedro pelo Cardeal Cañizares.
Missa Pontifical celebrada na Basílica de São Pedro pelo Cardeal Cañizares. Foto: Rinascimento Sacro.
Por Summorum Pontificum Observatus, 3 de novembro de 2012 | Tradução: Fratres in Unum.com – Em preparação à celebração que acaba de ser concluída na Basílica de São Pedro, o Cardeal Cañizares havia, então, explicado ao vaticanista Andrea Tornielli, ponderando suas palavras: “é uma maneira de mostrar às pessoas que é normal usar o missal de 1962”. Para quem conhece o funcionamento da Cúria Romana, tal ato do Prefeito da Congregação para o Culto Divino na Basílica do Papa não poderia deixar de ser, de uma forma ou outra, inspirado, como assinala a mensagem do Papa, em francês, lida no início da cerimônia.
Às 14:30, a longa procissão de confrarias, clero e fiéis, que partiu de San Salvatore, do outro lado do Tibre, atravessando a Ponte Sant’Angelo, depois de ter subido toda a Via della Conciliazione, passava as portas da Basílica vaticana para se juntar à multidão de fiéis que já estava em seu interior. E às 15 horas, visivelmente radiante, o Prefeito do Culto Divino iniciou a Missa Pontifical sob a Cátedra de São Pedro, diante de uma assistência de cerca de duas a três mil pessoas em torno da Cátedra de São Pedro, além da multidão atrás das divisórias e de um numerosíssimo clero secular e religioso. Como em outras cerimônias desta peregrinação Summorum Pontificum [cuja entrevista de apresentação foi publicada em português com exclusividade pelo Fratres in Unum], um dos pontos mais marcantes foi a presença maciça de sacerdotes diocesanos e seminaristas provenientes de diversas de Universidades Pontifícias, ou vindos para a ocasião da França, Estados Unidos, Inglaterra, etc.
Entre os prelados romanos que assistirão a cerimônia (Mons. Perl, Mons. Pozzo, que acabava de ser nomeado Arcebispo nesta manhã, Monsenhor Agostini, cerimoniário pontifício, etc.), a presença mais marcante era aquela, quase oficial, da Comissão Ecclesia Dei, com o seu Vice-Presidente, Dom Di Noia, ladeado por seus colaboradores e presidindo os membros do clero. Padre Almir de Andrade, [brasileiro] membro da Comissão, impecavelmente conduziu a cerimônia, auxiliado por um sacerdote diocesano, Pe. Cuneo. O sacerdote assistente foi Mons. Ferrer, vice-secretário da Congregação para o Culto Divino; o diácono, Pe. Barker, Vigário da paróquia pessoal [em Roma] dedicada à liturgia tradicional; o subdiácono, Pe. Reginal-Marie, da Fraternidade São Vicente Ferrer, sendo os outros ministros escolhidos dentre os seminaristas dos colégios romanos o dos cleros diocesanos.
Tudo visava a dar a entender que, partindo de uma situação de “privilégio” concedido, estamos agora a caminho — mesmo se ainda muito longe do objetivo — de uma situação normal, o extraordinário de ontem devendo se integrar pouco a pouco, passo a passo, nas paróquias, nas dioceses, nos movimentos de juventude, ordinariamente na vida da Igreja.
Procissão se aproxima da Basílica de São Pedro. Foto: The Remnant.
Procissão se aproxima da Basílica de São Pedro. Foto: The Remnant.
É o que o próprio Cardeal Cañizares enfatizou no final de sua homilia (muito espiritual), detendo-se sobre um tema que lhe é caro: o Motu Proprio é a pacificação da Igreja consigo mesma, com a sua Tradição, cujo eixo é a liturgia romana tradicional. Quando o “ministro da liturgia” de Bento XVI evoca com muita delicadeza a “iluminação” que a Constituição Sacrosanctum Concilium deve trazer a uma e a outra forma do Rito Romano, isso não significa dizer que, se ontem o Concílio foi explicado pela liturgia de Paulo VI, hoje ele pode também ser relido com o auxílio – para não dizer dizer com o filtro – da liturgia dita de São Pio V?
A emoção que contagiou os assistentes da Missa de 3 de novembro vinha da consciência de ver brotar essa revolução copernicana. O Cardeal recordou os objetivos da peregrinação: ação de graças e apoio à intenção do Santo Padre, comunhão “afetuosa” do povo Summorum Pontificum com o Pai Comum.
Anúncio da celebração do Papa que selará esta passagem da missa “extraordinária” à missa normal?