LUTO - Nosso blog está de luto pela escolha da democracia falida.


Virgem de Fátima, VINDE E NÃO TARDEIS!

FSSP: Uma história fascinante!

Qualquer um já ouviu dizer: tal pai, tal filho. Mas desta vez, a conhecida frase foi mais longe: Tal pai, tal ... padre?!
Fr. David Goddard (pai) e Fr. Matthew Goddard (filho)
Pois bem, Pe. Matthew Goddard (à direita de quem vê) tem uma história fascinante.

Ele se converteu ao catolicismo quando ele ainda era adolescente. O resto de sua família logo se juntou à Fé Católica. Seu pai era clérigo anglicano e após sua conversão, ele se tornou um padre Católico Romano. Assim, pai e filho são Padres da Santa Igreja Católica. Pe. Matthew Goddard, e recém-ordenado padre. David Goddard seu pai. Pe. Goddard é da Inglaterra e é pároco em Ottawa, Canadá. Já o Fr. Matthew Goddard é membro da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, onde oferece o Santo Sacrifício na forma extraordinária do Rito Romano.

Tomada do hábito no IRCS (I)



3 de outubro de 2010, sábado na Capela da Imaculada Conceição da Gricigliano.

Preparação para a chegada de Sua Eminência Antonio Cardeal Cañizares.

A ilustre presença de Rev. Abade Dom Chauveau da Abadia de Notre-Dame de Fontgombault.

Chegada do Cardeal Cañizares

Mons. Prior Geral e Mons. Schmitz acolhem Sua Eminência


Antes de receber o hábito
Mademoiselle Sarah Connolly

Mademoiselle Anne-Marie Murphy

Mademoiselle Anne-Laure Vannini


A RECEPÇÃO DO HÁBITO E PROFISSÃO DOS VOTOS




As futuras esposas de CRISTO REI e SACERDOTE, vestidas de noiva, são conduzidas para a capela.





AOS PÉS DO ALTAR



Canto do Veni Creator


BÊNÇÃO DO HÁBITO









Futuro Cardenal Raymond Burke explica a relação aborto-voto

Entrevista concedida a CatholicAction.org

Entrevista de Paix Liturgique a Sua Ex.a Reverendíssima, Dom Atanásio Schneider (II)

Continuamos esta semana a apresentar a entrevista exclusiva que, durante o Verão, o Senhor Dom Atanásio Schneider, bispo auxiliar de Karaganda, no Cazaquistão, concedeu à Carta da Paix Liturgique. Após uma primeira parte dedicada à questão da comunhão, que foi objecto do seu livro “Dominus Est – Para compreender o rito da comunhão praticado por Bento XVI” (publicado em Portugal pelas edições Caminhos Romanos em 2008 e no Brasil, em 2009, pelas edições Raboni)*, queremos hoje propor-lhes as suas opiniões acerca do mútuo enriquecimento das duas formas do rito romano. O Senhor Dom Atanásio Schneider, que tivemos a ocasião de encontrar quando conferiu as ordens menores aos seminaristas do Instituto de Cristo Rei Supremo Sacerdote, aqui, desenvolve sobretudo uma concepção tradicional do papel do diácono, do leitor e do acólito na moderna liturgia.

6) No Motu Proprio que decretou, Summorum Pontificum, Bento XVI formulou um convite explícito ao recíproco enriquecimento das duas formas do único rito romano. Na opinião do Senhor Dom Atanásio, que de bom grado celebra nas duas formas do rito, em que aspectos poderia este enriquecimento manifestar-se de modo mais frutuoso?
AS: Temos de levar o Papa a sério. Não se pode continuar a agir como se ele não tivesse dito essa frase. Ou, aliás, como se ele não a tivesse escrito. Claro está que, mesmo sem que haja necessidade de rever os missais, há meios para proceder a uma aproximação das duas formas do rito.

Uma primeira ideia poderia ser a de celebrar versus Deum a partir do Ofertório, como de resto é previsto pelas rubricas do novo missal. Com efeito, o missal de Paulo VI indica claramente dois momentos em que o celebrante se deve voltar para o povo. Uma primeira vez, no momento do “Orate fratres”, e uma segunda, quando o sacerdote diz “Ecce Agnus Dei”, por altura da comunhão dos fiéis. Que significado dar a estas indicações senão a de que o sacerdote deverá estar voltado para o altar durante o Ofertório e o Cânon? Em Setembro de 2000, a Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos publicou uma resposta relativa a um quesito sobre a orientação [posição] do sacerdote durante a Missa. Ao explicar que «a posição versus populum parece a mais cómoda na medida em que ela torna mais fácil a comunicação», ela precisava, no entanto, que «supor que a acção sacrificial deve ser orientada principalmente para a comunidade seria um grave erro. Se o sacerdote celebra versus populum, coisa legítima e frequentemente aconselhável, a sua orientação espiritual deve estar sempre voltada para Deus por Jesus Cristo».

Parece-me que, hoje e dia, esta resposta que vinha defender a celebração face ao povo poderia ser adaptada à nova realidade criada pelo MP Summorum Pontificum mediante uma recomendação no sentido de se celebrar voltado para o Oriente a partir do Ofertório.

No que toca à comunhão, a Santa Sé também poderia publicar uma recomendação universal a fim de lembrar o que está previsto na Instrução Geral do Missal Romano, no seu artigo 160°: «Os fiéis comungam de joelhos ou de pé, segundo a determinação da Conferência Episcopal. Quando comungam de pé, recomenda-se que, antes de receberem o Sacramento, façam a devida reverência, estabelecida pelas mesmas normas.» Cabe pois sublinhar que a primeira forma de comunhão a ser referida pelo texto oficial da Igreja destinado a comentar o Novus Ordo é a forma de comunhão de joelhos…

Uma outra possibilidade de enriquecimento da nova liturgia seria a de que as leituras da Bíblia Sagrada fossem feitas por homens em vestes litúrgicas e em caso algum por mulheres ou homens vestidos à civil. E isto porque as leituras são feitas no presbitério, um lugar que desde os tempos apostólicos é reservado ao sacerdote e aos ministros ordenados, aí se incluindo os clérigos com ordens menores. Só na falta destes últimos é que um leigo (homem) podia vir suprir. O serviço do altar, de leitor ou de acólito, não é um exercício do sacerdócio comum, fazendo antes parte do sacerdócio sagrado, em especial do diaconato. É por esta razão que, pelo menos a partir do século III, a Igreja concebeu as ordens menores como uma espécie de introdução às diferentes funções contidas no exercício do diaconato, como, por exemplo, a guarda do santuário e o chamamento dos fiéis à liturgia (ostiário), a leitura da palavra de Deus durante a liturgia (leitor), expulsar os espíritos malignos (exorcista), transportar a luz e servir ao altar (acólito). Assim, é-nos mais fácil compreender porque é que, tradicionalmente, a Igreja reservou a atribuição das ordens menores e a instituição de leitores ou de acólitos apenas a fiéis homens.

Neste sentido, bem se compreende que um dos enriquecimentos permitidos pela aproximação das duas formas litúrgicas consistisse em retornar à sã tradição de reservar o presbitério apenas aos homens: diáconos, acólitos, leitores e crianças de coro (ou coroinhas), todos eles devem ser do sexo masculino. De nada adianta que nos lamentemos do descalabro das vocações quando os rapazes deixam de ser chamados para o serviço do altar.

Por fim, a oração dos fiéis deve ficar reservada apenas aos diáconos, acólitos ou leitores, todos com hábitos litúrgicos. Até seria mais coerente com a tradição bimilenar da Igreja, tanto ocidental como oriental, que esta oração dos fiéis, ou oração universal, fosse proclamada, ou melhor ainda, cantada, unicamente pelo diácono, pois que antes ela recebia o nome de “oratio diaconalis”. Na falta de diácono, seria bom que fosse o próprio sacerdote a lê-la, como de resto acontece com o evangelho. O termo oração dos “fiéis” não significa que a sua proclamação seja uma função dos fiéis. Acreditar nisso seria um erro histórico e litúrgico. De facto, o que isso indica é que ela decorria ao início da missa dos fiéis, depois que tivessem saído os catecúmenos, e quando o diácono ou o sacerdote oferecia à Majestade Divina as intenções de toda a Igreja, e portanto de todos os fiéis, daí o seu nome.


7) E no que respeita à forma extraordinária? De que maneira poderia ela enriquecer-se ao contactar com a forma ordinária do rito romano?
AS: Eu diria que se poderia aplicar à forma extraordinária o espírito que anima os últimos elementos que citei a propósito do Novus Ordo. As leituras sagradas deveriam ser sempre acessíveis aos fiéis, logo, na língua local e não apenas em latim, salvo em ocasiões especiais. Assim, também nesta forma, as leituras poderiam ser feitas por um leitor ordenado ou instituído, isto é, um fiel homem em hábitos litúrgicos.
Uma iniciativa bela e útil seria a introdução de alguns prefácios do novo missal, e o mesmo se diga da introdução de novos santos no calendário litúrgico tradicional.


* Em Portugal, foi publicado em Setembro de 2008 pela Ed. Caminhos
Romanos-Unipessoal, Ltda., Porto (para informações ac.azeredo@hotmail.com). E no Brasil foi lançada no mês de Maio 2009 pela Editora Raboni (http://www.raboni.com.br). 

Giuseppe Sarto: Os homens vos acusarão de papistas, retrógrados, intransigentes; Orgulhai-vos disso!

Em sua primeira carta pastoral como Patriarca de Veneza: “católicos liberais são lobos em pele de cordeiro: por esta razão, o verdadeiro sacerdote tem a obrigação de desmascará-los [...] Os homens vos acusarão de papistas, retrógrados, intransigentes [...] Orgulhai-vos disso!”.
R. Bazin, Pius X, Londres, 1928, p. 104.

FSSP: Primeira Missa do Pe. Jehan-Aldric Rondot. Besançon, França.

No dia 5 de setembro de 2010, em Besançon, França, o neo-sacerdote Pe. Jehan-Aldric Rondot, FSSP, celebrou a sua primeira Missa. DEO gratias!






Entrevista de Paix Liturgique a Sua Ex.a Reverendíssima, Dom Atanásio Schneider

PRIMEIRA PARTE - SOBRE A COMUNHÃO

A reforma da reforma promovida pelo Santo Padre é uma obra que vai avançando lentamente por lhe faltar, até ao momento, o necessário apoio por parte da hierarquia episcopal. Apesar de a maioria dos prelado se manter numa atitude de quem fica à espera, alguns houve que optaram por se lançar com entusiasmo e obediência na promoção do novo movimento litúrgico desejado por Bento XVI. Para nós, é uma alegria poder apresentar-lhes esta semana a primeira parte de uma conversa com um desses prelados, Sua Excelência Reverendíssima, o Senhor Dom Atanásio Schneider, bispo auxiliar de Karganda, no Cazaquistão, e autor do livro “Dominus Est”, sobre o rito da Comunhão — publicado em Portugal em Setembro de 2008 pela editora Caminhos Romanos – Unipessoal, Lda. (para informações, ac.azeredo@hotmail.com) e, no Brasil, em Maio de 2009, pela editora Raboni. É precisamente sobre esta questão da Comunhão que o Senhor Dom Atanásio nos hoje vai falar.
Dom Athanasius Scheneider na Missa de Ordenação
de sacerdotes da FSSP

1) Antes de mais, será que o Senhor Dom Atanásio nos poderia apresentar a ordem religiosa a que pertence: os Cónegos Regulares da Santa Cruz, também conhecidos pelo nome de Cónegos de Coimbra?

S.E.R., Senhor Dom Atanásio Schneider: A ordem foi criada no ano de 1131, em Coimbra, em Portugal, por Dom Telo e São Teotónio, o primeiro português a ser canonizado. Fundaram-na com outros dez religiosos e optaram por seguir a regra de Santo Agostinho, pondo-se sob a dupla protecção da Santa Cruz e da Imaculada Conceição. A ordem conheceu logo um rápido crescimento.

Também ele português de nascença, Santo António de Pádua, chegou a pertencer à ordem antes de se juntar aos franciscanos. Em 1834, o governo português interditou as ordens religiosas. Sem embargo disso, para a Igreja, uma ordem só se considera extinta 100 anos após a morte do último dos seus membros. Tendo em conta esta disposição, o Primaz de Portugal decidiu relançar a ordem logo após o fim do concílio Vaticano II. O seu renascimento foi aprovado em 1979 por um decreto da Santa Sé, assinado pelo Senhor Dom Augusto Mayer, que então era o Secretário da Congregação para os Religiosos.

A ordem dedica-se à veneração da Santa Cruz e dos anjos, estando particularmente ligada à obra levada a cabo pelo Opus Angelorum. Tendo nascido na Áustria, em 1949, o Opus Angelorum veio a originar em 1961 a Confraria dos Anjos da Guarda, que tinha a vocação de reunir os “irmãos da Cruz”. A fundadora do Opus Angelorum, uma humilde mãe de família austríaca, Gabrielle Bitterlich, queria trazer uma ajuda espiritual aos sacerdotes e participar na expiação dos pecados destes através da prática da adoração eucarística.

O Opus Angelorum, depois de ter sido alvo de várias intervenções por partes da Santa Sé, com o intuito de clarificar o seu funcionamento, veio por fim a tornar-se, depois de 2007, na ordem terceira dos Cónegos Regulares da Santa Cruz.

A ordem conta com 140 membros, dos quais 80 são sacerdotes, e está presente na Europa, na Ásia e na América.

No seio da ordem, a Missa é celebrada de acordo com o Novus Ordo, mas “versus Deum”, sendo a comunhão distribuída segundo a forma tradicional, a mesma que o Santo Padre pôs em lugar de honra nas cerimónias a que preside: comunhão na língua estando os fiéis ajoelhados. Com esta opção, a ordem perpetua também a memória da fundadora do Opus Angelorum, que já muito sofrera com a generalização da comunhão na mão.


2) Senhor Dom Atanásio, foi este especial respeito pela Eucaristia que o incitou a entrar na ordem?

AS: Foi. É preciso que saiba que vivi durante 12 anos, os primeiros anos da minha vida, debaixo da tirania do comunismo soviético. Cresci com amor ao Jesus Eucarístico graças a minha mãe que era uma “mulher hóstia”, isto é, uma das pias mulheres que, assim que acontecia os padres serem presos ou interrogados pelas autoridades, tratavam de guardar secretamente a hóstia sagrada para evitar que fossem praticados sacrilégios.

Compreenderá, pois, como é natural que tivesse ficado chocado, aquando da nossa chegada à Alemanha, em 1973, ao descobrir como se dava a comunhão nas igrejas. Lembro-me de, ao ver pela primeira vez a comunhão a ser dada na mão, ter dito à minha mãe: “Mãe, mas é como quando nos dão os biscoitos na escola!”

Mais tarde, quando percebi que tinha a vocação ao sacerdócio, fui em busca de um caminho que também me permitisse ser, à minha maneira, um guardião de Jesus Hóstia. Quis a Providência que isto se desse precisamente no momento em que eram relançados os Cónegos da Santa Cruz.


3) Desde a sua eleição, ocorrida em pleno ano eucarístico, Bento XVI tem reafirmado constantemente a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia. E, depois da festa do Corpo de Deus de 2008, chegou mesmo a retomar o uso de dar a comunhão na língua estando os fiéis ajoelhados. Tocados por este exemplo pontifício, muitos sacerdotes, e frequentemente entre os mais jovens, começam a duvidar dos méritos a comunhão generalizada na mão, que, além do mais, é considerada por alguns como um dos maiores estragos saídos da reforma litúrgica. O vosso livro “Dominus Est” trata precisamente deste tema. De acordo com o Senhor Dom Atanásio, será certo dizermos, como o faz bispo Malcolm Ranjith no prefácio ao livro de Vossa Excelência Reverendíssima, que a comunhão na mão veio favorecer a diminuição da fé na presença real de Cristo e, por consequência, uma falta de respeito para com o Santíssimo Sacramento? E prova disso seria o relegar dos sacrários para certos cantos escondidos das igrejas, os fiéis que já não genuflectem diante do Santíssimo Sacramento, as comunhões sacrílegas, etc.

AS: Antes de mais, gostaria de sublinhar que acredito ser possível comungarmos com grande reverência recebendo a hóstia na mão. Mas, no modo de fazer que é mais comum, em que ministro e fiel parecem ter esquecido toda a sacralidade do acontecimento, tenho de admitir que a comunhão na mão contribui para um enfraquecimento da fé e para uma menor veneração do Senhor Eucarístico. Neste sentido, estou completamente de acordo com as observações de SER, o bispo Malcolm Ranjith.

Há algumas considerações que ajudam a compreender essas observações:

- Nada há aí que assegure a veneração relativamente aos fragmentos mais ínfimos da hóstia. Dói-me muito a perda de fragmentos da Santa Eucaristia, que é agora tão frequente por causa da prática quase geral da comunhão a mão. Não compreendo como é possível uma tal indiferença, que, com o passar do tempo, conduz a uma diminuição da fé na Transubstanciação, senão mesmo ao seu desaparecimento puro e simples…

- A comunhão na mão favorece muitíssimo o roubo das espécies eucarísticas. E por causa disso, cometem-se sacrilégios que em hipótese alguma deveríamos permitir.

- Além disso, a deslocação do sacrário vem prejudicar a centralidade da Eucaristia, mesmo numa perspectiva pedagógica: o lugar onde Nosso Senhor Jesus Cristo repousa deve ser sempre visível para todos.


4) Ainda que no princípio ela não tenha sido autorizada senão mediante um indulto, a comunhão na mão tornou-se a norma, e quase um dogma, na maioria das dioceses. Como se pode explicar esta evolução?

AS: Esta foi uma situação que se impôs com todas as notas próprias de uma moda e a impressão que tenho é a de que a sua difusão correspondeu a uma autêntica estratégia. Foi um hábito que se difundiu com efeito de avalanche. Pergunto-me a mim mesmo como pudemos tornar-nos insensíveis ao ponto de deixar de reconhecer a sublime sacralidade das espécies eucarísticas, Jesus vivo dentro de nós com a Sua majestade divina.


5) Até ao momento, foram muito poucos os prelados que decidiram imitar o Santo Padre dando também a comunhão da maneira tradicional. Ao mesmo tempo, há muitos sacerdotes que hesitam em seguir aquele exemplo. Crê tratar-se somente de simples resistências conservadoras (nas coisas dadas por adquiridas depois do concílio, no “acquis” do concílio, não se toca), ou, o que seria pior, tratar-se-á de um desinteresse pela questão?

AS: Não podemos julgar as intenções, mas uma observação exterior permite pensar que há realmente uma resistência, se não chegar a ser um efectivo desinteresse, relativamente à maneira mais sagrada e mais segura de receber a comunhão. É como se uma parte dos pastores da Igreja fizesse de conta que não vê o que o Sumo Pontífice está a levar a cabo: um magistério eucarístico pela prática.

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI AOS PRELADOS DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (REGIONAL NORDESTE V) EM VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM»


Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. Gaudium et spes, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural(cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem,82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. Gaudium et spes 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17 de setembro de 2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Bento XVI defende ação política da Igreja contra o aborto


O Papa Bento XVI disse hoje, a bispos brasileiros, no Vaticano, que é papel da Igreja emitir juízo moral em questões políticas quando isso for importante para defender os direitos fundamentais da pessoa. No discurso, ao qual a reportagem da Gazeta do Povo teve acesso com exclusividade, o Pontífice afirmou que os padres devem se posicionar quando estiverem em discussão temas como aborto e a eutanásia (a abreviação da vida de doentes terminais).

Embora não fale diretamente sobre o processo eleitoral brasileiro, o pronunciamento, feito a três dias do segundo turno presidencial, pode ser visto como um aval à postura de religiosos que criticaram candidatos e programas de governo pró-aborto – caso, por exemplo, do bispo de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que teve um artigo sobre o tema retirado do site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O pronunciamento do Papa foi feito nesta manhã aos integrantes da regional do Maranhão (Regional Nordeste 5) da CNBB, que fazem visita oficial ao Vaticano nesta semana. De acordo com a regra da Igreja Católica, todos os bispos precisam se reunir com o Papa a cada cinco anos.

O discurso do Papa afirma que, em princípio, o dever de construir uma sociedade mais justa por meio da política não cabe aos sacerdotes. No entanto, diz que há temas em que os bispos e os padres podem e devem se posicionar politicamente. É o caso da defesa da vida, por exemplo.

Para ilustrar seu ponto de vista, Bento XVI usou um trecho de um dos principais documentos do Concílio Vaticano II, de 1963 – a constituição apostólica Gaudium et Spes, que fala sobre a Igreja no mundo atual. De acordo com o texto, a Igreja, “em razão da sua missão e competência, de modo algum se confunde com a sociedade nem está ligada a qualquer sistema político determinado”. Porém, deve ter direito a sempre “pronunciar o seu juízo moral mesmo acerca das realidades políticas, sempre que os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem”.

O texto do Papa afirma, sem citar nomes ou partidos, que projetos políticos que pregam a descriminalização do aborto ou da eutanásia traem o ideal democrático. E diz que seria ilusório afirmar que essas práticas seriam validadas em função de qualquer defesa de direitos humanos – em contraposição à tese de que o aborto é um direito da mulher decidir sobre seu próprio corpo.

Bento XVI também reforçou a defesa da educação religiosa e do ensino confessional e plural da religião na escola pública brasileira – algo que é combatido por uma linha política que diz que o Estado deve ser laico (sem religião). Novamente, o texto cita um documento da Igreja: neste caso, a encíclica Caritas in Veritate, do próprio Bento XVI. “A religião cristã e as outras religiões só podem dar o seu contributo para o desenvolvimento, se Deus encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política”, diz um trecho da encíclica.

Finalmente, o Papa defendeu ainda a existência de símbolos religiosos em prédios públicos, afirmando que eles são uma lembrança da transcendência do homem. Bento XVI dirá ainda que isso faz sentido especialmente no Brasil, país de tradição católica que tem como um de seus principais símbolos a estátua do Cristo Redentor.

Embora o discurso do Papa não faça referência a partidos ou candidatos, o texto condena práticas que chegaram a ser defendidas pelo governo federal brasileiro e por setores do PT. No ano passado, o governo Lula lançou o 3.º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) – que, em sua primeira versão, previa a descriminalização do aborto e a proibição da ostentação de símbolos religiosos em espaços públicos da União. Depois de uma forte polêmica, esses trechos do PNDH foram retirados do plano.

VESTES LITURGICAS SACERDOTAIS (II)

Amicto: é a primeira veste que o Sacerdote coloca sobre os ombros e em volta do pescoço. Representa o elmo da salvação que defende o Sacerdote das insídias de Satanás. Ao vesti-la é rezada a seguinte oração: "Colocai, Senhor, na minha cabeça o elmo da salvação para que possa repelir os golpes de Satanás".

Alva: é a antiga túnica romana e grega. É de linho e simboliza a pureza de coração com que o Sacerdote deve se aproximar do altar. Representa também a túnica branca com que Cristo foi vestido, por ordem de Herodes, para designá-lo como louco. Ao vesti-la, o sacerdote reza: "Revesti-me, Senhor, com a túnica de pureza, e limpai o meu coração, para que, banhado no Sangue do Cordeiro, mereça gozar das alegrias eternas".

Cíngulo: é um cordão que o Sacerdote amarra na cintura impedindo que a alva se arraste no chão. Representa a mortificação necessária para a conservação da castidade. Representa também a corda com que Nosso Senhor foi amarrado, quando foi preso. O Sacerdote coloca-o dizendo: "Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui nos meus rins o fogo da paixão, para que resida em mim a virtude da continência e da castidade".

Manípulo: inicialmente era uma espécie de guardanapo, preso a um dos braços, utilizado nos banquetes antigos. Mais tarde passou a ser utilizado como lenço, pelos oradores, para enxugar o suor e as lágrimas. Hoje é utilizado por aqueles que possuem ordens maiores, preso ao braço esquerdo. É de seda, e da mesma cor da casula e com três cruzes. Simboliza o trabalho e as boas obras, feitas aqui na terra, com lágrimas, mediante as quais o Sacerdote conquistará o céu. Representa também a corda com que Nosso Senhor foi preso à coluna, para ser açoitado. Ao vesti-lo o Sacerdote reza: "Fazei, Senhor, que mereça trazer o manípulo do pranto e da dor, para que receba com alegria a recompensa do meu trabalho".

Estola: era um lenço luxuoso, mais comprido que o manípulo, utilizado por pregadores, indicando autoridade da pessoa que falava. Hoje é uma faixa comprida de seda, da mesma cor da casula, colocada ao pescoço, descendo para frente por ambos os lados. Simboliza o poder sacerdotal e a imortalidade ou glória eterna que o Sacerdote pede, ao revestir-se dela, rezando: "Restitui-me, Senhor, a estola da imortalidade, que perdi na prevaricação do primeiro pai, e, ainda que não seja digno de me abeirar dos Vossos sagrados mistérios, fazei que mereça alcançar as alegrias eternas".

Casula: seu nome significa "casinha". Era um grande manto que cobria todo o corpo do Sacerdote, permitindo passar somente a cabeça. Sua função era simbolizar o isolamento do Sacerdote com relação o mundo. Com o tempo, esse manto foi diminuindo, por razões práticas (era muito difícil fazer qualquer movimento com ele). Hoje a casula romana é aberta nos flancos para facilitar os movimentos do sacerdote. A casula é feita de seda da cor correspondente à Missa celebrada, possui uma grande cruz nas costas, simbolizando o jugo suave da lei de Cristo que o Sacerdote deve levar e ensinar aos demais a levar. O Sacerdote coloca-a, rezando: "Senhor, que dissestes: O meu jugo é suave e o meu peso é leve, fazei que o suporte de maneira a alcançar a Vossa graça. Amén".

Durante a Santa Missa, o Sacerdote pode ser auxiliado pelos coroinhas, esses se vestem com batina e sobrepeliz.

Batina: Veste dos padres e seminaristas. É negra, representado luto ao mundo, para o qual o Sacerdote está morto, possui um colarinho branco representando a pureza. Na frente possui trinta e três botões, representando a idade de Cristo, e nas mangas possui cinco botões representado as cinco chagas de Cristo.

Sobrepeliz: É uma espécie de alva de tamanho reduzido, chega o máximo na altura do joelhos, possui mangas largas e folgadas. Costuma ser de linho e pode ter rendas.

Há ainda outros paramentos usados pelo Diácono e pelo Subdiácono, em Missas solenes: Dalmática e Tunicela: são paramentos de seda semelhantes à casula do sacerdote, e da mesma cor que ela, porém possuem mangas e formato mais próximo do quadrado. São utilizados, respectivamente, pelo Diácono e pelo Subdiácono. Indicam solenidade, e simbolizam: a dalmática, a Justiça, e a Tunicela, a alegria.

Pluvial: é um grande manto usado pelo sacerdote e que chega até aos pés. É preso no peito por um broche. É utilizado em Missas solenes, onde muitas vezes há procissões. Seu uso antigo era para defender o Sacerdote da chuva.

Véu Humeral: é usado pelo Sacerdote nas bênçãos, transladações e procissões do Santíssimo Sacramento, comunhão para os enfermos, etc., e pelo Subdiácono, na Missa solene, para sustentar a Patena. Utilizado também para cobrir os objetos da Credência. É de seda, branca quando se trata do Santíssimo Sacramento, e da cor dos paramentos, na Missa solene.

Há também os Ornamentos Episcopais ou Pontificiais, mais vistosos e mais ricos, que os dos simples Sacerdotes, pois a maior autoridade e maior dignidade assim exigem.

O Bispo, nas funções solenes reveste-se da cor violácea, símbolo da penitência e do sacrifício, em que devem viver para conduzir o seu rebanho.

Solidéu: é um pequeno gorro da cor violácea, seu nome significa "só para Deus". É utilizado pelo Bispo em todas as ocasiões, e em todos os lugares, exceto diante do Santíssimo exposto, e do Sumo Pontífice.

Roquete: é parecido com a sobrepeliz, possui, porém, mangas compridas e estreitas.

Murça: capinha de cor violácea utilizada sobre o roquete, fechada na frente com botões.

Capa Magna: grande capa com cauda e capuz, utilizada nas funções pontificiais.

Meias e Sandálias: da cor do paramento do dia, significam que o Bispo é como Mensageiro divino, preparado para levar o Evangelho aos povos.

Além dos ornamentos o Bispo utiliza as seguintes Insígnias: Cruz Peitoral: é uma advertência solene de sua diginidade sacerdotal, que deriva da Cruz, e dos seus deveres para com o seu rebanho redimido pela Cruz.

Anel: de ouro, simboliza a caridade, possui uma pedra preciosa e significa a união do Bispo com a Igreja, e sua inquebrantável fidelidade.

Báculo: é um grande cajado de metal precioso, e relembra o cajado dos pastores. Possui uma das extremidade terminado em uma espécie de gancho, e a outra em ponta. Simboliza as funções do pastor: de atrair a ovelha, com a extremidade em gancho, e de atacar e ferir o lobo, com a extremidade pontuda.

Palmatória: pequeno castiçal de cabo com uma vela acesa, como sinal de homenagem a sua dignidade.

Cânon: pequeno missal que fica na frente do Sacrário, ou no atril, em lugar do Missal Ordinário, para maior comodidade do Prelado que deve rezar, nele, orações especiais.

Cruz Arquiespiscopal: possui uma haste, e se leva diante do Arcebispo, quando entra ou sai da igreja, ou quando se dirige solenemente a um lugar, com o crucifixo voltado para ele.

Catequese do Papa: Santa Brígida da Suécia, copadroeira da Europa

Intervenção na audiência geral de hoje

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 27 de outubro de 2010 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral.
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Queridos irmãos e irmãs:

Na fervente vigília do Grande Jubileu do ano 2000, o Venerável Servo de Deus João Paulo II proclamou Santa Brígida da Suécia como copadroeira de toda a Europa. Nesta manhã, eu gostaria de apresentar sua figura, sua mensagem e as razões pelas quais esta santa mulher tem muito a ensinar - ainda hoje - à Igreja e ao mundo.

Conhecemos bem os acontecimentos da vida de Santa Brígida, porque seus pais espirituais redigiram sua biografia para promover seu processo de canonização imediatamente depois da sua morte, ocorrida em 1373. Brígida havia nascido 70 anos antes, em 1303, em Finster, na Suécia, uma nação do norte da Europa que, três anos antes, havia acolhido a fé cristã com o mesmo entusiasmo com que a santa a havia recebido dos seus pais, pessoas muito piedosas, pertencentes a famílias nobres, próximas da casa reinante.

Podemos distinguir dois períodos na vida desta santa. O primeiro se caracterizou pela sua condição de mulher felizmente casada. Seu marido se chamava Ulf e era governador de um importante distrito do reino da Suécia. O matrimônio durou 28 anos, até a morte de Ulf. Nasceram 8 filhos, dos quais a segunda, Karin (Catarina), é venerada como santa. Isso é um sinal eloquente do compromisso educativo de Brígida com relação aos seus próprios filhos. No demais, sua sabedoria pedagógica era tão apreciada, que o rei da Suécia, Magnus, chamou-a à corte por certo tempo, com o fim de introduzir sua jovem esposa, Branca de Namur, na cultura sueca.

Brígida, espiritualmente guiada por um doutor religioso que a iniciou no estudo das Escrituras, exerceu uma influência muito positiva em sua própria família que, graças à sua presença, converteu-se em uma verdadeira "igreja doméstica". Junto ao seu marido, adotou a Regra dos terciários franciscanos. Praticava com generosidade obras de caridade com os indigentes; também fundou um hospital. Junto à sua esposa, Ulf aprendeu a melhorar seu caráter e a progredir na vida cristã. Ao voltar de uma longa peregrinação a Santiago de Compostela, em 1341, junto a outros membros da família, os esposos amadureceram o projeto de viver em continência; mas pouco depois, na paz de um mosteiro no qual se havia retirado, Ulf concluiu sua vida terrena.

Este primeiro período da vida de Brígida nos ajuda a valorizar o que hoje poderíamos definir como uma autêntica "espiritualidade conjugal": juntos, os esposos cristãos podem percorrer um caminho de santidade, sustentados pela graça do sacramento do Matrimônio. Muitas vezes, precisamente como aconteceu na vida de Santa Brígida e de Ulf, é a mulher quem, com sua sensibilidade religiosa, com a delicadeza e a doçura, consegue fazer que o marido percorra um caminho de fé. Penso, com admiração, em tantas mulheres que, dia a dia, ainda hoje iluminam suas próprias famílias com seu testemunho de vida cristã. Que o Espírito do Senhor possa suscitar também hoje a santidade dos esposos cristãos, para mostrar ao mundo a beleza do matrimônio vivido segundo os valores do Evangelho: o amor, a ternura, a ajuda recíproca, a fecundidade em gerar e educar filhos, a abertura e a solidariedade com o mundo, a participação na vida da Igreja.

Quando Brígida ficou viúva, começou o segundo período da sua vida. Ela renunciou a outro casamento para aprofundar na união com o Senhor através da oração, da penitência e das obras de caridade. Também as viúvas cristãs, portanto, podem encontrar nesta santa um modelo a seguir. De fato, Brígida, quando seu marido morreu, após ter distribuído seus próprios bens aos pobres, ainda sem ter pensado na consagração religiosa, estabeleceu-se no mosteiro cisterciense de Alvastra. Lá começaram as revelações divinas, que a acompanharam pelo resto da vida. Estas foram ditadas por Brígida aos seus secretários-confessores, que as traduziram do sueco ao latim e as recolheram em uma edição de oito livros, intitulados Revelationes (Revelações). A esses livros se acrescentou um suplemento, que tem como título Revelationes extra vagantes (Revelações complementares).

As Revelações de Santa Brígida apresentam um conteúdo e um estilo muito variados. Às vezes, a revelação se apresenta sob a forma de diálogos entre as Pessoas divinas, Nossa Senhora, os santos e também os demônios; são diálogos nos quais também Brígida intervém. Outras vezes, no entanto, trata-se da narração de uma visão particular; em outras, narra-se o que a Virgem Maria lhe revela sobre a vida e os mistérios do seu Filho. O valor das Revelações de santa Brígida, às vezes objeto de dúvida, foi reconhecido pelo Venerável João Paulo II na carta Spes Aedificandi: "Reconhecendo a santidade de Brígida - escreve meu amado predecessor -, a Igreja, ainda sem pronunciar-se sobre cada uma das revelações, acolheu a autenticidade conjunta da sua experiência interior" (n. 5).

De fato, lendo estas Revelações, somos interpelados sobre muitos temas importantes. Por exemplo, descreve frequentemente, com detalhes muito realistas, a Paixão de Cristo, à qual Brígida teve sempre uma devoção privilegiada, contemplando nela o amor infinito de Deus pelos homens. Na boca do Senhor que lhe fala, ela coloca com audácia estas comoventes palavras: "Ó amigos meus, eu amo tão ternamente minhas ovelhas que, se fosse possível, eu gostaria de morrer muitas outras vezes por cada uma delas, da mesma morte que sofri pela redenção de todas" (Revelationes, Livro I, c. 59). Também a dolorosa maternidade de Maria, que fez dela a Mediadora e Mãe de misericórdia, é um tema que se repete com frequência nas Revelações.

Recebendo esse carisma, Brígida era consciente de ser destinatária de um dom de grande predileção por parte do Senhor: "Minha filha - lemos no primeiro livro das revelações -, Eu a escolhi para mim, ama-me com todo o teu coração, (...) mais do que tudo que existe no mundo" (c. 1). No demais, Brígida sabia bem - e estava firmemente convencida disso - que todo carisma está destinado à edificação da Igreja. Precisamente por esse motivo, muitas de suas revelações estavam dirigidas, em forma de advertências inclusive severas, aos fiéis da sua época, incluindo as autoridades religiosas e políticas, para que vivessem coerentemente sua vida cristã; mas fazia isso com uma atitude de respeito e de fidelidade plena ao Magistério da Igreja, em particular ao Sucessor do apóstolo Pedro.

Em 1349, Brígida deixou para sempre a Suécia e se dirigiu em peregrinação a Roma. Não queria somente participar do Jubileu de 1350, mas também desejava obter do Papa a aprovação da Regra de uma ordem religiosa que queria fundar, dedicada ao Santo Salvador e composta por monges e monjas sob a autoridade da abadessa. Este é um elemento que não deve nos surpreender: na Idade Média, existiam fundações monásticas com um ramo masculino e um ramo feminino, mas com a prática da mesma regra monástica, que previa a direção da abadessa. De fato, na grande tradição cristã, a mulher é reconhecida com dignidade própria e - a exemplo de Maria, Rainha dos apóstolos - um lugar próprio na Igreja, que, sem coincidir com o sacerdócio ordenado, é também importante para o crescimento espiritual da comunidade. Além disso, a colaboração de consagrados e consagradas, sempre no respeito pela sua vocação específica, é de grande importância no mundo de hoje.

Em Roma, em companhia de sua filha Karin, Brígida se dedicou a uma vida de intenso apostolado e de oração. E de Roma foi, em peregrinação, a vários santuários italianos, em particular a Assis, pátria de São Francisco, a quem Brígida sempre teve grande devoção. Finalmente, em 1371, realizou seu maior desejo: a viagem à Terra Santa, aonde se dirigiu em companhia dos seus filhos espirituais, um grupo ao qual Brígida chamava de "os amigos de Deus".

Durante esses anos, os pontífices se encontravam em Avinhão, longe de Roma: Brígida se dirigiu encarecidamente a eles, para que voltassem à Sé de Pedro, na Cidade Eterna.

Faleceu em 1373, antes que o Papa Gregório XI voltasse definitivamente a Roma. Foi sepultada provisoriamente na igreja romana de San Lorenzo in Panisperna, mas em 1374, seus filhos Birger e Karin a levaram à sua pátria, ao mosteiro de Vadstena, sede da ordem religiosa fundada por Santa Brígida, que logo depois teve uma notável expansão. Em 1391, o Papa Bonifácio IX a canonizou solenemente.

A santidade de Brígida, caracterizada pela multiplicidade dos dons e das experiências que eu quis recordar neste breve perfil biográfico-espiritual, faz dela uma figura eminente na história da Europa. Procedente da Escandinávia, Santa Brígida testemunha como o cristianismo havia permeado profundamente a vida de todos os povos desse continente. Declarando-a copadroeira da Europa, o Papa João Paulo II desejou que Santa Brígida - que viveu no século XIV, quando a cristandade ocidental ainda não havia sido ferida pela divisão - possa interceder eficazmente diante de Deus, para obter a graça tão esperada da plena unidade de todos os cristãos. Por esta mesma intenção, que consideramos tão importante, e para que a Europa saiba alimentar-se sempre das suas próprias raízes cristãs, queremos rezar, queridos irmãos e irmãs, invocando a poderosa intercessão de Santa Brígida da Suécia, fiel discípula de Deus, copadroeira da Europa.

[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]

Queridos irmãos e irmãs:

Co-patrona da Europa, Santa Brígida testemunha como o cristianismo permeou profundamente a vida de todos os povos deste continente. Sua vida pode ser dividida em dois períodos. O primeiro corresponde à sua experiência de mãe e esposa, vivida segundo uma autêntica espiritualidade conjugal. Por vinte e oito anos, esteve casada com o governador de um importante distrito do Reino da Suécia; tiveram oito filhos. Guiada pela Sagrada Escritura, fez de sua família uma igreja doméstica, sendo, de modo particular para seu marido, um instrumento para o crescimento na fé. O segundo período da sua vida inicia com a sua viuvez e consequente dedicação ao Senhor através da oração, penitência e caridade. Neste período, teve numerosas revelações divinas, um carisma que soube colocar ao serviço da edificação da Igreja, na plena fidelidade ao Magistério, particularmente ao Sucessor de Pedro. Deixando a sua terra natal, veio para Roma; queria tomar parte no Jubileu de 1350 e obter do Papa a aprovação de uma Ordem Religiosa que havia de nascer em honra do Santíssimo Salvador.
Amados peregrinos de língua portuguesa, queridos fiéis brasileiros de Itatiba, França, Paciência, São Paulo e peregrinos vindos de Portugal: a todos dou as boas vindas, feliz e agradecido pela vossa visita amiga. O Pai do Céu derrame os seus dons sobre vós e vossas famílias, que de coração abençoo. Obrigado!

[Tradução: Aline Banchieri

©Libreria Editrice Vaticana]

A primeira Missa dos Carmelitas de Wyoming

Noticiamos aqui a ordenação Carmelitas de Wyoming. Eis, portanto, uma foto da primeira Missa dos dois carmelitas que estudavam com a FSSP nos E.U.A:

FSSP: Primeira Missa do Pe. Pierre-Marie e inauguração da Maison Saint-Maurice, França.

Primeira Missa do Padre Pierre-Marie Després e inauguração da Maison Saint-Maurice, cononicamente erigida com a presença do Superior Geral da FSSP, Fr. John Berg. Depois da Missa teve o teatrinho das crianças sobre São Maurício.





Fr. John Berg, Superior Geral da FSSP.
Saint-Maurice, padroeiro da casa.

Carmelo tradicional nos E.U.A

No dia 15 de outubro de 2010, Mons. James D. Conley, Bispo Auxiliar da diocese de Denver, Canadá, ordenou dois padres carmelitas segundo o usus antiquor em Cheyenne, Wyoming. Estes carmelitas americanos são do Carmelo Imaculado Coração de MARIA, que se encontra em Wyoming. Eles seguiram seus estudos no Our Lady Seminary of Guadalupe da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro nos E.U.A.
Mons. James D. Conley, Bispo Auxiliar da diocese de Denver, Canadá.
Algumas fotos da ordenação: