MATERNIDADE ESPIRITUAL PARA OS SACERDOTES - Parte II

A vocação a ser mãe espiritual para os sacerdotes é muito pouco conhecida, insuficientemente compreendida e portanto pouco vivida, apesar de sua vital e fundamental importância. Essa vocação muitas vezes está escondida, invisível ao olho humano, mas voltada a transmitir vida espiritual.

Disto tinha certeza Papa João Paulo II:


por isso ele quis no Vaticano um mosteiro de clausura onde fosse possível rezar

pelas suas intenções como Sumo Pontífice.





“O que me tornei e como, o devo á minha mãe!”

S. Agostinho

Independentemente da idade e do estado civil, todas as mulheres podem se tornar mãe espiritual para um sacerdote e não somente as mães de família. É possível também para uma mulher doente, para uma moça solteira ou para uma viúva. Em particular isso vale para as missionárias e as religiosas que oferecem inteiramente a própria vida a Deus para a santificação da humanidade. João Paulo II agradeceu até mesmo uma menina pela sua ajuda materna: “Exprimo a minha gratidão também à beata Jacinta de Fátima pelos sacrifícios e orações oferecidas pelo Santo Padre, que ela tinha visto em grande sofrimento”. (13 de maio de 2000).
Cada sacerdote é precedido por uma mãe, que amiúde também é uma mãe de vida espiritual para seus filhos. Giuseppe Sarto, por exemplo, o futuro Papa Pio X, logo depois de ser consagrado bispo foi visitar sua mãe, na época com setenta anos de idade. Ela beijou respeitosamente o anel do filho e de repente, tornando-se meditativa, indicou seu pobre anel nupcial de prata: “Sim, Peppo, mas você agora não estaria usando esse anel se eu antes não tivesse usado meu anel nupcial”. S. Pio X, justamente, confirmava a partir da sua experiência: “Cada vocação sacerdotal vem do coração de Deus, mas passa através do coração de uma mãe!”.
Uma ótima prova disto é a vida de S. Mônica. Santo Agostinho, seu filho, que aos dezenove anos como estudante em Cartago havia perdido a fé, escreveu em suas ‘Confissões’:

“... Tu estendeste tua mão do alto e tiraste minha alma destas densas trevas, pois minha mãe, tua fiel, chorava por mim mais de quanto não chorem as mães pela morte física dos filhos … e no entanto, aquela viúva casta, devota, morigerada, das que são tuas prediletas, já mais animosa graças à esperança, mas nem por isso menos dada ao pranto, não cessava de chorar frente a ti, em todas as horas de oração”.

Após a conversão ele disse com gratidão:

“Minha santa mãe, tua serva, nunca me abandonou. Ela me pariu com a carne para essa vida temporal e com o coração para a vida eterna. O que me tornei e como, o devo à minha Mãe!”.
Durante suas discussões filosóficas, Santo Agostinho queria sempre que sua mãe estivesse ao seu lado; ela escutava atentamente, às vezes intervinha com um parecer delicado ou, para assombro dos sábios presentes, dava respostas a questões abertas. Portanto não surpreende que Santo Agostinho se declarasse seu ‘discípulo em filosofia’!

“Rogai ao Senhor da messe para que envie trabalhadores” - Parte I




“Rogai ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe!”.
Isto significa que: a messe existe, mas Deus quer servir se dos homens, a fim de que ela seja levada ao celeiro. Deus necessita de homens. Necessita de pessoas que digam: Sim, eu estou disposto a me tornar seu trabalhador na messe, estou disposto a ajudar para que esta messe, que está amadurecendo nos corações dos homens,possa realmente entrar nos celeiros da eternidade e se tornar perene comunhão divina de alegria e de amor. “Rogai ao Senhor da messe”! Isto quer dizer também: não podemos simplesmente “produzir” vocações, elas devem vir de Deus. Não podemos, como talvez noutras profissões, por meio de uma propaganda bem visada, através das chamadas estratégias adequadas, simplesmente recrutar pessoas. A chamada, partindo do coração de Deus, deve sempre encontrar o caminho rumo ao coração do homem. E no entanto, exatamente para que chegue aos corações dos homens, é necessária também a nossa colaboração. Rogar ao senhor da messe significa certamente, antes de mais nada, rezar para isso, sacudir o coração e dizer: “Faça-o por favor! Desperte os homens! Acenda neles o entusiasmo e a alegria pelo Evangelho! Faça-os entender que este é o mais precioso de todos os tesouros e que quem o descobriu deve transmiti-lo!” Nós sacudimos o coração de Deus. Mas o rogar a Deus não se realiza somente mediante palavras de oração; implica também na transformação da palavra em ação, para que o nosso coração rogador lance a faísca da alegria em Deus, da alegria pelo Evangelho, e suscite em outros corações a disponibilidade a dizer um “sim”. Como pessoas de oração, repletas da Sua luz, atingimos os outros e, envolvendo-os na nossa oração, fazemos com que entrem na luz da presença de Deus, que fará então a sua parte. Neste sentido queremos sempre e novamente rogar ao Senhor da messe, sacudir seu coração e tocar com Deus, na nossa oração, também os corações dos homens para que Ele, segundo a sua vontade, faça amadurecer neles o “sim”, a disponibilidade e a constância - através de todas as confusões do tempo, através do calor do dia e também através da escuridão da noite - de perseverar fielmente no serviço, haurindo continuamente dele a consciência de que, embora fadigoso, este esforço é bom, é útil porque conduz ao essencial, ou seja, a fazer com que os homens recebam o que esperam: a luz de Deus e o amor de Deus.

"Bento XVI - Encontro com os sacerdotes e os diáconos em Freising, 14 de setembro de 2006"
Fonte: Adoração eucarística pela santificação
dos sacerdotes e Maternidade espiritual

O Ano Sacerdotal


Já se aproxima o início do Ano Sacerdotal, que anunciamos aqui .
E os fiéis podem fazer vários sacrifícios em reparação pelos sacerdotes.

Sobre a Maternidade Espiritual veja aqui.

Algumas considerações sobre a Missa do Cardeal Cañizares na Arquibasílica de S.João de Latrão


A recente celebração de uma Solene Missa Pontifical no usus antiquior pelo Cardeal Prefeito da congregação romana que supervisiona a sagrada liturgia, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos; e além disso na proeminente Arquibasílica Lateranense, a própria catedral do papa na Sé de Roma, não pode ser subestimada. Ao contrário, ela traz consigo aspectos notáveis, tanto históricos como simbólicos.

Não seria exagero sugerir que o significado desta combinação de pessoa e lugar seja algo que certamente não passará despercebido em vários setores na Igreja - e dificilmente alguém pode esperar que isso não tenha sido considerado ao menos de certa maneira no planejamento e aprovação desta Missa.

Tal evento é, de fato, rico em seu valor simbólico por não deixar de ser uma poderosa declaração e afirmação do atual lugar que o usus antiquior ocupa novamente na vida da Igreja. Enfatiza ainda a bênção do papa ao mesmo, que, embora não esteja em dúvida, é novamente relevante por causa desses fatores.

Com certeza a próxima questão que pousará sobre a mente de muitas pessoas, a partir deste evento, dirá respeito à futura possibilidade de algum tipo de celebração papal destes mesmos ritos litúrgicos, seja uma Missa rezada papal pública, seja a Missa coram Summo Pontifice, a Solene Missa Papal, ou mesmo algum desenvolvimento destes à luz das circunstâncias atuais. Ao mesmo tempo em que se trata de um interessante assunto a se especular, a primeira coisa que devemos ter claramente em mente é que o julgamento cabe ao Papa. É manifestadamente claro, por atividades como estas que ocorreram ontem (21/04/09), dentro de sua própria Catedral e não menos pelo seu escolhido prefeito litúrgico - sem mencionar o próprio motu proprio - que o Papa firmemente apóia o usus antiquior como uma parte de sua ampla visão litúrgica. Ninguém pode duvidar e nenhum sinal a mais é necessário. Dito isto, enquanto verdade, ninguém pode negar que tal atividade seja de importância significativa - particularmente na era da mídia visual - e que tais especulações e desejos são totalmente compreensíveis. É óbvio, surgem vários fatores na consideração de tais possibilidades para o Papa, tanto de ordem litúrgica como pastoral.

Dito tudo isto, não é meu objetivo especular se haverá uma tal liturgia papal, e quando ou em que forma. Sempre alguém pode aparecer com teorias, mas elas permanecem exatamente como isso: teorias. O que é, todavia, digno de nota, particularmente para quem isto é uma matéria de grande interesse a considerar, é que a Missa do Cardeal Cañizares no Latrão, ontem (21/04/09), só pode ser compreendida como um auxílio em potencial para pavimentar o caminho rumo a tal possibilidade, tanto em termos de uma maior familiaridade litúrgica na execução destes livros litúrgicos nestes lugares, como de um auxílio para aclimar, adaptar, preparar os que talvez sejam mais reticentes quanto à idéia.

Por essa razão, e simplesmente por causa da Missa em si mesma, podemos ser gratos ao Santo Padre e ao Cardeal Cañizares pela Missa de ontem (21/04/09) na Arquibasílica Lateranense.


Por Shawn Tribe - The New Liturgical Movement
Traduzido por Luís Augusto - membro da ARS

VESTES LITURGICAS SACERDOTAIS


VESTES LITÚRGICAS – Na missa o sacerdote reveste-se dos seis ornamentos seguintes: o amito, a alva, o cordão ou cíngulo, o manipulo, a estola e a casula. Foi o próprio Deus, no antigo Testamento, quem determinou os diferentes vestuários sagrados que deveriam ser utilizados pelos ministros conforme a natureza do culto a ser prestado. S. Jerônimo, ao comentar o que diz Ezequiel sobre o culto divino:“Não devemos entrar no Santo dos Santos, nem celebrar os sacramentos do Senhor trajando roupas comuns de uso diário... A religião divina tem um traje para o ministério e outro para o uso comum”.A alva é uma veste de linho branco que desce até aos pés. No Oriente era uso vestir uma longa veste branca em certas circunstâncias, por exemplo, nos casamentos, em que o convidado recebia a veste nupcial em casa dos esposos. Jesus Cristo faz alusão a esse uso na parábola do festim das bodas (S. Mat. XXII, 12). Quanto ao simbolismo, a alva recebeu desde o início da cristandade um significado particular de pureza e incorruptibilidade. Como veste litúrgica especial dos sacerdotes, é lembrada, no Ocidente (398), pelo cânon 60 do chamado IV concílio de Cartago.

O cíngulo ou cordão serve para segurar as longas pregas na veste, que impediria o passo ao sacerdote. Os Orientais cingem assim a veste para as suas viagens e ocupações; foi assim que Tobias, procurando um companheiro, encontrou um homem com os rins cingidos e pronto para caminhar (Tob.V,5). O simbolismo deste vestido foi indicado por Jesus Cristo mesmo, quando disse: «Cingi vossos rins» (S. Luc. XII, 35). O cíngulo tem seu uso litúrgico acenado por Celestino I, na epístola aos bispos da Gália (428) tornando a propor a tradicional interpretação simbólica de Lc 12, 35.

O amito é um pano de linho branco de que os Orientais se serviam para cobrir o pescoço, e com que os sacerdotes envolviam a cabeça (como o capuz dos religiosos) para serem menos facilmente distraídos durante o sacrifício. Este costume foi conservado em várias ordens religiosas, mas hoje não se coloca senão sobre o os ombros. No amito, vê-se simbolizada a reserva no uso da língua.

A casula é uma veste munida de uma abertura para a cabeça, que cobre o peito e as costas, descendo até aos joelhos. Primitivamente era um longo manto fechado de todos os lados, de onde vem o seu nome de casula, que quere dizer casa pequena. A casula, para autores medievais como Ruperto de Deutz (De div. Off. 1, 22), representaria, a veste de Cristo, isto é, a Igreja.

A estola é vestida cruzada no peito (cân. 4 do sínodo de Braga de 675). Para Amalário é sinal-emblema de humildade, e representa o jugo de Cristo, onus leve ac suave (Lib. off. II, 20 e 26,2)

O manipulo era primitivamente um lenço de linho que o sacerdote levava no braço esquerdo para limpar o rosto; simboliza o feixe de boa obras que se deve apanhar. O Pontifical Romano do século XIII, interpreta também como símbolo das boas obras (IX, 6). A estola provém sem dúvida da guarnição da antiga toga, insígnia da mais alta dignidade romana. Com as suas duas extremidades pendentes do pescoço sobre o peito, é o símbolo da dignidade sacerdotal: o sacerdote serve-se dela em todas as funções litúrgicas.

O Uso do Véu como um Sacramental

Por Maite Tosta

O uso do véu pode ser considerado um sacramental. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “quase não há uso honesto de coisas materiais que não possa ser dirigido à finalidade de santificar o homem e louvar a Deus.” (§1670). O uso do sacramental não é essencial, portanto, à salvação, mas um auxílio.

Não é expressamente ordenado, mas é recomendado como uma prática de piedade, caso a mulher se sinta chamada a isso. Se a mulher lê as passagens bíblicas a esse respeito e sente o Espírito Santo movê-la, deve primeiramente orar e discernir a respeito.

É muito importante que um sacramental seja praticado pelas razões certas, ou seja, para o crescimento espiritual do praticante. Superstição, pressão do grupo, vaidade, nada disso são razões válidas para se usar o véu. Um bom teste a se fazer é se perguntar: “Se o Papa banisse o uso do véu amanhã, eu estaria disposta a obedecer?” Se a resposta for sim, então essa é a atitude correta. No final das contas, o uso do véu tem a ver com obediência a Deus e a seus representantes. Obediência, como dizia São Bento, é a prova de fogo para a santidade. Uma pessoa verdadeiramente humilde e santa obedece aqueles que foram designados para dirigi-la.

Voltando ao conceito de sacramental, é imporante a atitude honesta diante de Deus, e o uso honesto de coisas materiais, de modo a ordená-las para a finalidade de glorificar a Deus. O uso do véu tem a finalidade de levar a mulher a desenvolver atitudes próprias de humildade e adoração a Jesus, da mesma forma que o uso do escapulário é uma devoção que promove a piedade.

Por fim, pode-se concluir que o uso do véu é, antes de tudo, um chamado, um carisma. Cada um tem suas necessidades, seu processo de crescimento espiritual. A Igreja, mãe generosa, oferece vários meios de prover a essas necessidades, através de suas muitas formas de devoção e dos sacramentais, que, se praticados corretamente, levam o fiel à maturidade espiritual. Ademais, o hábito de usar o véu ajuda a mulher a compreender sua vocação e identidade, seu lugar na criação e na Nova Aliança, o Santo Sacrifício, bem como a real importância destes.

Voltam as mesas de comunhão.


O novo Prefeito para a Congregação do Culto Divino defende ativamente a Comunhão na boca e a Missa Tridentina. Seu bom exemplo já produz imitadores.

Cardeal Cañizares em missa celebrada na última terça-feira na Basílica de São João de Latrão.


Cardeal Cañizares em missa celebrada na última terça-feira na Basílica de São João de Latrão.
(kreuz.net, Toledo) Os fiéis devem receber a Sagrada Comunhão de joelhos e na boca, conforme esclareceu o Prefeito da Congregação para o Culto Divino, Cardeal Antonio Cañizares, durante a Missa de Quinta-Feira Santa em Toledo. A esse respeito informou o sítio ‘The New Liturgical Movement’.

O Cardeal Cañizares ainda é o Administrador Apostólico de sua antiga arquidiocese.

O Príncipe da Igreja fez o que prometeu. Na Semana Santa ele reativou a mesa da comunhão na Catedral de Toledo.

Estabelecer sinais e entender a liturgia

Em uma recente entrevista para o jornal espanhol ‘ABC’, o Cardeal Cañizares esclareceu que ajoelhar-se significa demonstrar reverência por Deus.

O ajoelhar-se seria um sinal. O homem se prostra perante Aquele que o ama até o fim.

Não se trata de introduzir uma alteração apenas pelo gosto da alteração. É preciso buscar o sentido das formas religiosas e vencer o secularismo em nosso mundo.

No ano que vem a Congregação para o Culto Divino conduzirá uma ação em larga escala para a formação litúrgica.

Sem medo de contato com a Tradição

Terça-feira, o Cardeal Cañizares celebrou uma Missa Solene no Rito Antigo na Basílica de São João de Latrão, em Roma.

A Missa foi organizada pela congregação dos Franciscanos da Imaculada, que adota os dois ritos.

Outras catedrais espanholas introduzem a mesa da comunhão

Segundo informações do movimento leigo tradicionalista internacional ‘Una Voce’, recentemente, duas outras catedrais espanholas introduziram mesas de comunhão. Trata-se da catedral de Málaga no sul da Espanha e da catedral da diocese militar em Madrid.

Tradução livre de T.M. Freixinho

SANTA MISSA "IN COENA DOMINI" - HOMILIA DO PAPA BENTO XVI

Basílica de São João de Latrão
Quinta-feira Santa, 9 de Abril de 2009

Amados irmãos e irmãs!

Qui, pridie quam pro nostra omniumque salute pateretur, hoc est hodie, accepit panem: assim diremos hoje no Cânone da Santa Missa. «Hoc est hodie»: a liturgia de Quinta-feira Santa insere no texto da oração a palavra «hoje», sublinhando deste modo a dignidade particular deste dia. Foi «hoje» que Ele o fez: deu-Se a Si mesmo para sempre no sacramento do seu Corpo e do seu Sangue. Este «hoje» é antes de mais nada o memorial da Páscoa de então. Mas é mais do que isso. Com o Cânone, entramos neste «hoje». O nosso hoje entra em contacto com o seu hoje. Ele faz isto agora. Com a palavra «hoje», a liturgia da Igreja quer induzir-nos a olhar com grande atenção interior para o mistério deste dia, para as palavras com que o mesmo se exprime. Procuremos, pois, escutar de maneira nova a narração da instituição tal como a Igreja, com base na Escritura e contemplando o próprio Senhor, a formulou.

A primeira coisa que faz impressão é o facto de a narração da instituição não ser uma frase autónoma, mas começar por um pronome relativo: qui pridie. Este «qui» liga toda a narração à frase anterior da oração: «… se converta para nós no Corpo e Sangue de vosso amado Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo». Deste modo, a narração fica unida à oração anterior, ao Cânone inteiro e torna-se ela mesma oração. Não é de modo algum uma simples narração aqui inserida nem se trata de palavras de autoridade, como um todo à parte, que interromperiam mesmo a oração. É oração. E somente na oração se realiza o acto sacerdotal da consagração, que se torna transformação, transubstanciação dos nossos dons de pão e vinho em Corpo e Sangue de Cristo.

Rezando neste momento central, a Igreja está em total acordo com o acontecimento no Cenáculo, porque o agir de Jesus é descrito com as palavras: «gratias agens benedixit – dando graças, abençoou-o». Com esta expressão, a liturgia romana dividiu em duas palavras aquilo que, no hebraico é uma palavra só – berakha –, enquanto em grego já aparece em dois termos: eucharistía e eulogía. O Senhor dá graças. Ao agradecermos, reconhecemos que algo é dádiva que provém de outrem. O Senhor agradece e assim restitui a Deus o pão, «fruto da terra e do trabalho do homem», para de novo o receber d’Ele. Agradecer torna-se abençoar. O que foi entregue nas mãos de Deus, volta d’Ele abençoado e transformado. Por isso, a liturgia romana tem razão quando interpreta a nossa prece neste momento sagrado por meio das palavras: «oferecemos», «suplicamos», «pedimos que aceiteis», «que abençoeis estas ofertas». Tudo isto se encerra na palavra «eucharistia».

Há outra particularidade na narração da instituição referida no Cânone Romano, que queremos meditar nesta hora. A Igreja orante fixa o olhar nas mãos e nos olhos do Senhor. Quer de certo modo observá-Lo, quer perceber o gesto do seu rezar e do seu agir naquela hora singular, encontrar a figura de Jesus por assim dizer também através dos sentidos. «Ele tomou o pão em suas santas e adoráveis mãos…». Olhamos para aquelas mãos com que Ele curou os homens; mãos com que abençoou as crianças; mãos que impôs sobre as pessoas; mãos que foram cravadas na Cruz e que para sempre conservarão os estigmas como sinais do seu amor pronto a morrer. Agora somos nós encarregados de fazer o que Ele fez: tomar nas mãos o pão para que, através da oração eucarística, seja transformado. Na Ordenação Sacerdotal, as nossas mãos foram ungidas, para que se tornassem mãos de bênção. Nesta hora, rezemos ao Senhor para que as nossas mãos sirvam cada vez mais para levar a salvação, levar a bênção, tornar presente a sua bondade.

Depois o Cânone toma, da introdução à Oração Sacerdotal de Jesus (cf. Jo 17, 1), as palavras: «Levantando os olhos ao céu, para Vós, Deus, seu Pai todo-poderoso…». O Senhor ensina-nos a levantar os olhos e sobretudo o coração: a levantar o olhar, afastando-o das coisas do mundo; a orientar-nos na oração para Deus e assim nos erguermos. Num hino da Liturgia das Horas, pedimos ao Senhor que guarde os nossos olhos, para que não acolham nem deixem entrar em nós «vanitates» – as vaidades, as nulidades, aquilo que não passa de ilusão. Pedimos que, através dos olhos, não entre em nós o mal, falsificando e manchando assim o nosso ser. Mas queremos rezar principalmente para ter olhos que vejam tudo o que é verdadeiro, esplendoroso e bom; a fim de nos tornarmos capazes de ver a presença de Deus no mundo. Pedimos para vermos o mundo com olhos de amor, com os olhos de Jesus, reconhecendo assim os irmãos e irmãs que precisam de nós, que estão à espera da nossa palavra e da nossa acção.

Depois de o ter abençoado, o Senhor parte o pão e distribui-o aos discípulos. Partir o pão é o gesto do pai de família que se preocupa dos seus e lhes dá aquilo de que têm necessidade para a vida. Mas é também o gesto da hospitalidade com que o estrangeiro, o hóspede é acolhido na família sendo-lhe concedido tomar parte na sua vida. Partir-partilhar é unir. Através da partilha, cria-se comunhão. No pão repartido, o Senhor distribui-Se a Si próprio. O gesto de partir alude misteriosamente também à sua morte, ao amor até à morte. Ele distribui-Se a Si mesmo, verdadeiro «pão para a vida do mundo» (cf. Jo 6, 51). O alimento de que o homem, no mais fundo de si mesmo, tem necessidade é a comunhão com o próprio Deus. Dando graças e abençoando, Jesus transforma o pão: já não dá pão terreno, mas a comunhão consigo mesmo. Esta transformação, porém, quer ser o início da transformação do mundo, para que se torne um mundo de ressurreição, um mundo de Deus. Sim, trata-se de transformação: do homem novo e do mundo novo que têm início no pão consagrado, transformado, transubstanciado.

Dissemos que partir o pão é um gesto de comunhão, é unir através do partilhar. Deste modo, no próprio gesto já se alude à natureza íntima da Eucaristia: esta é agape, é amor que se tornou corpóreo. Na palavra «agape», compenetram-se os significados de Eucaristia e amor. No gesto de Jesus que parte o pão, o amor que se participa alcançou a sua radicalidade extrema: Jesus deixa-Se fazer em pedaços como pão vivo. No pão distribuído, reconhecemos o mistério do grão de trigo que morre e assim dá fruto.

Reconhecemos a nova multiplicação dos pães, que deriva da morte do grão de trigo e continuará até ao fim do mundo. Ao mesmo tempo vemos que a Eucaristia não pode jamais ser apenas uma acção litúrgica; só está completa, quando a agape litúrgica se torna amor no dia a dia. No culto cristão, as duas coisas tornam-se uma só: ser cumulados de graça pelo Senhor no acto cultual e o culto do amor para com o próximo. Nesta hora, peçamos ao Senhor a graça de aprender a viver cada vez melhor o mistério da Eucaristia de tal modo que assim tenha início a transformação do mundo.

Depois do pão, Jesus toma o cálice do vinho. O Cânone Romano qualifica o cálice que o Senhor dá aos discípulos como «praeclarus calix» (como cálice sagrado), aludindo assim ao Salmo 23/22, o Salmo que fala de Deus como Pastor poderoso e bom. Lê-se nele: «Diante de mim, preparastes uma mesa, sob o olhar dos meus inimigos… o meu cálice transborda» – calix praeclarus. O Cânone Romano interpreta esta expressão do Salmo como uma profecia, que se realiza na Eucaristia: Sim, o Senhor prepara-nos a mesa no meio das ameaças deste mundo e dá-nos o cálice sagrado – o cálice da grande alegria, da verdadeira festa, pela qual todos anelamos – o cálice cheio do vinho do seu amor. O cálice significa as bodas: agora chegou a «hora», a que de forma misteriosa tinham aludido as bodas de Caná. Sim, a Eucaristia é mais do que um banquete, é uma festa de núpcias. E estas núpcias fundam-se na autodoacção de Deus até à morte. Nas palavras da Última Ceia de Jesus e no Cânone da Igreja, o mistério solene das núpcias esconde-se sob a expressão «novum Testamentum». Este cálice é o novo Testamento, «a nova Aliança no meu Sangue» – assim a frase de Jesus sobre o cálice é referida por Paulo, na segunda leitura de hoje (1 Cor 11, 25).

O Cânone Romano acrescenta «da nova e eterna Aliança», para exprimir a indissolubilidade do laço nupcial de Deus com a humanidade. O motivo pelo qual as antigas traduções da Bíblia não falam de Aliança, mas de Testamento, deve-se ao facto de não serem dois contraentes de nível igual que se encontram, mas entra em acção a distância infinita entre Deus e o homem. Aquilo que designamos por nova e antiga Aliança não é um acto acordado entre duas partes iguais, mas dom meramente de Deus que nos deixa em herança o seu amor, nos deixa a Si mesmo. E com certeza Ele, superando toda a distância através deste dom do seu amor, torna-nos depois verdadeiramente seus «parceiros» e realiza-se o mistério nupcial do amor.

Para se poder compreender em profundidade o que ali sucede, devemos escutar ainda mais atentamente as palavras da Bíblia e o seu significado originário. Os estudiosos dizem-nos que, nos tempos remotos de que falam as histórias dos Patriarcas de Israel, «ratificar uma aliança» significa «entrar com outros numa ligação assente sobre o sangue, ou seja, acolher o outro na própria federação e assim entrar numa comunhão de direitos um com o outro». Deste modo, cria-se uma consanguinidade real, embora não material. Os parceiros tornam-se de algum modo «irmãos com a mesma carne e os mesmos ossos». A aliança realiza um todo que significa paz (cf. ThWNT, II, 105-137). Será possível agora fazermos pelo menos uma ideia do que sucedeu na hora da Última Ceia e que, desde então, se renova sempre que celebramos a Eucaristia? Deus, o Deus vivo estabelece connosco uma comunhão de paz; mais, Ele cria uma «consanguinidade» entre Ele e nós.

Através da encarnação de Jesus, através do seu sangue derramado, fomos atraídos para dentro duma consanguinidade muito real com Jesus e, consequentemente, com o próprio Deus. O sangue de Jesus é o seu amor, no qual a vida divina e a humana se tornaram uma só. Peçamos ao Senhor para compreendermos cada vez mais a grandeza deste mistério, a fim de que o mesmo desenvolva de tal modo a sua força transformadora no nosso íntimo que nos tornemos verdadeiramente consanguíneos de Jesus, permeados pela sua paz e desta maneira também em comunhão uns com os outros.

Agora, porém, surge ainda uma nova questão. No Cenáculo, Cristo dá aos seus discípulos o seu Corpo e o seu Sangue, isto é, dá-Se a Si mesmo na totalidade da sua pessoa. Mas, como pode fazê-lo? Está ainda fisicamente presente no meio deles, está ali diante deles! Eis a resposta: naquela hora, Jesus realiza aquilo que tinha anteriormente anunciado no discurso do Bom Pastor: «Ninguém me tira a vida, sou Eu que a dou espontaneamente. Tenho o poder de a dar e o de a retomar…» (Jo 10, 18). Ninguém Lhe pode tirar a vida: é Ele que por livre decisão a dá. Naquela hora, antecipa a crucifixão e a ressurreição. O que se há-de realizar por assim dizer fisicamente n’Ele, cumpre-o Ele já de antemão na liberdade do seu amor. Ele dá a sua vida e retoma-a na ressurreição, a fim de poder partilhá-la para sempre.

Senhor, hoje destes-nos a vossa vida, destes-nos a Vós mesmo. Penetrai-nos com o vosso amor. Fazei-nos viver no vosso «hoje». Tornai-nos instrumentos da vossa paz. Amen.

O que é reparação?

“A Reparação quer nos levar a uma plena saúde espiritual, é mais do que apenas confessar os nossos pecados, vai além do arrependimento, é concretamente um ato penitente após a confissão.” Por isso é corretíssimo que o Padre indique uma penitência ao confessor, como forma de também reparar as consequências geradas pelo mal que cometerá, independente do grau que for. Diz ainda o Catecismo: “Muitos pecados prejudicam o próximo. É preciso fazer o possível para reparar este mal (por exemplo: restituir as coisas roubadas, restabelecer a reputação daquele que foi caluniado, compensar as ofensas e injúrias). A simples justiça exige isso, mas, além disso o pecado fere e enfraquece o próprio pecador, como também sua relação com Deus e com o próximo. Absolvição tira o pecado, mas não remedia todas as desordens que ele causou. Liberto do pecado o pecador deve ainda recobrar a plena saúde espiritual, deve, portanto fazer alguma coisa a mais para reparar os seus pecados.” (Cat. 1459).

Arcebispo deu nome ao desastre litúrgico atual: As igrejas se transformaram em mercados.

Um arcebispo deu nome ao desastre litúrgico atual: As igrejas se transformaram em mercados. As mesas de comunhão e a reverência foram destruídas, o Santíssimo é profanado.

Arcebispo Buti Joseph Tlhagale de Johannesburg

(kreuz.net, Johannesburg) O Arcebispo Buti Joseph Tlhagale (61) de Johannesburg está horrorizado com o comportamento dos fiéis com relação ao Santíssimo, conforme disse em seu sermão na Quarta-feira Santa.

Alguns católicos não demonstram fé alguma na presença real de Cristo – enfatizou o prelado.

Muitos não fazem o sinal da cruz com água benta ao entrar na igreja e não se ajoelham em frente de Cristo no Sacrário – nem uma genuflexão sequer.

Como uma praça de mercado

O Arcebispo Tlaghale criticou ainda a destruição de muitas mesas de comunhão. Assim, os fiéis não são mais convidados a ajoelhar para receber a Comunhão.

“As nossas igrejas são como que praças de mercado antes e depois das missas – em parte porque colocamos o Sacrário em um espaço separado ou simplesmente porque perdemos o sentido da presença do sagrado. Abandonamos o silêncio e a atmosfera devota nas igrejas.”

Mons. Tlaghale recomenda a recolocação do Sacrário no centro da igreja, bem como a renovação da prática das genuflexões e do silêncio.

Chicletes durante a Missa

Em seu sermão, o Arcebispo elogiou os padres que rezam com os acólitos antes e depois das missas.

O clero também deve fomentar a adoração e disseminar os documentos eclesiais sobre a Eucaristia.

“O Direito Canônico exige jejum de uma hora antes de receber a Comunhão. Chiclete durante a missa é algo simplesmente repugnante.”

Com o Santíssimo no supermercado.

O Arcebispo criticou ainda a [forma de] administração da comunhão aos doentes. As hóstias consagradas seriam dadas a leigos.

Vocês sabem como é, ocasionalmente, eles param a caminho do doente para fofocar com amigos: “de vez em quando, eles fazem umas comprinhas antes de ir para a casa do doente.”

Para alguns também não seria incomum levar o Santíssimo para casa devido à ausência do doente e o fato da igreja estar fechada no caminho de volta.

Tradução livre de T.M. Freixinho

Sacerdotes que imitam Judas


SÃO FRANCISCO FALA SOBRE SACERDOTES QUE IMITAM JUDAS ISCARIOTES AO CELEBRAR A MISSA PARA AGRADAR AOS HOMENS

14. Rogo também no Senhor a todos os meus irmãos sacerdotes, os que são e serão e desejam ser sacerdotes do Altíssimo, que todas as vezes que quiserem celebrar a missa, puros com pureza façam com reverência o verdadeiro sacrifício do santíssimo corpo e sangue do Senhor nosso Jesus Cristo, com intenção santa e limpa, não por alguma coisa terrena nem por temor ou amor de alguma pessoa, como para agradar aos homens (cfr. Ef 6,6; Cl 3,22); 15. mas que toda a vontade, quanto ajuda a graça, seja dirigida a Deus, desejando agradar só ao próprio sumo Senhor, porque ali é Ele sozinho que age, como lhe agrada; 16. porque, como Ele mesmo diz: Fazei isto em memória de mim(Lc 22,19; 1Cor 11,24), se alguém o fizer de outra maneira, converte-se em Judas, o traidor, e se torna réu do corpo e do sangue do Senhor (cfr. 1Cor 11,27).

(Fontes Franciscanas e Clarianas. Petrópolis: Vozes, 2004, p. 122. Carta a toda a Ordem)

Igreja não sucumbirá, garante Papa na vigília pascal

Igreja não sucumbirá, garante Papa na vigília pascal

Batiza 5 adultos em uma celebração dominada pela força da Ressurreição

CIDADE DO VATICANO, domingo, 12 de abril de 2009 (ZENIT.org).- Apesar das dificuldades que a Igreja vive, nas que alguns anunciam seu afundamento, Bento XVI garantiu, na vigília pascal, que graças à Ressurreição de Jesus, está fora a gravidade da morte.

Na «mãe de todas as vigílias» para os cristãos, o Papa batizou 5 adultos na basílica vaticana: 2 homens italianos e 3 mulheres da China, Itália e Estados Unidos.

Na homilia da celebração, que começou às 21h do Sábado Santo, o pontífice constatou como, enquanto «na realidade deveria afundar, a Igreja entoa o cântico de agradecimento dos redimidos».

«Está sobre as águas de morte da história e todavia já está ressuscitada», sublinhou em uma Basílica de São Pedro totalmente lotada.

«Cantando, ela agarra-se à mão do Senhor, que a sustenta por cima das águas. E sabe que deste modo é guindada fora da força de gravidade da morte e do mal – uma força da qual, sem tal intervenção, não haveria caminho algum de fuga – guindada e atraída para dentro da nova força de gravidade de Deus, da verdade e do amor.»

«De momento, ela encontra-se ainda entre os dois campos gravitacionais. Mas desde que Jesus ressuscitou, a gravitação do amor é mais forte que a do ódio; a força de gravidade da vida é mais forte que a da morte», explicou.

Citando São Paulo, reconheceu: «Somos considerados (…) como agonizantes, embora estejamos com vida». E acrescentou: «a mão salvadora do Senhor nos sustenta e assim podemos cantar já agora o cântico dos redimidos, o cântico novo dos ressuscitados: Aleluia!».

A celebração começou no átrio da basílica vaticana, com o silêncio mais profundo, com a bênção do fogo novo e o acendimento da círio pascal, símbolo de Cristo, Luz do mundo.

Depois começou a procissão até o altar maior, no meio de uma escuridão total no templo, iluminado pouco a pouco com as velas das milhares de pessoas que o enchiam, velas que foram acesas uma a uma, com a chama procedente do círio pascal.

Quando chegou ao altar maior, acenderam todas as luzes, deixando descobertas as maravilhas do templo vaticano, e começou o canto do Exultet, ou pregão pascal, um percorrido sintético da história da salvação.

Precisamente o símbolo da luz de Jesus levou o Papa a reconhecer, durante a homilia, «quanta compaixão deve Ele sentir também do nosso tempo, por causa de todos os grandes discursos por trás dos quais, na realidade, se esconde uma grande desorientação!».

«Para onde devemos ir? Quais são os valores, segundo os quais podemos regular-nos? Os valores segundo os quais podemos educar os jovens, sem lhes dar normas que talvez não subsistam nem exigir coisas que talvez não lhes devam ser impostas?», perguntou-se, recolhendo interrogantes em voga.

A resposta é Cristo, «Ele é a Luz», concluiu.

O que pretende S. S. Bento XVI ao afirmar isso?

Ressurreição de Jesus não é teoria
Pronunciada da janela da Basílica de São Pedro, diante de 200 mil peregrinos

CIDADE DO VATICANO, domingo, 12 de abril de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI dedicou a mensagem da Páscoa – pronunciada da janela da Basílica de São Pedro do Vaticano – a mostrar como a ressurreição de Jesus não é uma teoria ou um mito, mas o fato mais significativo da história.

Diante de 200 mil fiéis que enchiam a Praça de São Pedro e as ruas adjacentes, o Papa considerou, por este motivo, que o anúncio da Páscoa limpa as regiões escuras do materialismo e do niilismo, que parecem estender-se nas sociedades modernas.

Em uma manhã de céu coberto, o Santo padre recolheu «uma das questões que mais angustia a existência do homem é precisamente esta: o que há depois da morte?».

«A este enigma – respondeu –, a solenidade de hoje permite-nos responder que a morte não tem a última palavra, porque no fim quem triunfa é a Vida.»

A ressurreição de Jesus «não é uma teoria, mas uma realidade histórica revelada pelo Homem Jesus Cristo por meio da sua ‘páscoa’, da sua ‘passagem’, que abriu um ‘caminho novo’ entre a terra e o Céu».

«Não é um mito nem um sonho, não é uma visão nem uma utopia, não é uma fábula, mas um acontecimento único e irrepetível: Jesus de Nazaré, filho de Maria, que ao pôr do sol de Sexta-feira foi descido da cruz e sepultado, deixou vitorioso o túmulo», sublinhou.

O Bispo de Roma explicou que «o anúncio da ressurreição do Senhor ilumina as zonas escuras do mundo em que vivemos. Refiro-me de modo particular ao materialismo e ao niilismo, àquela visão do mundo que não sabe transcender o que é experimentalmente constatável e refugia-se desconsolada num sentimento de que o nada seria a meta definitiva da existência humana».

De fato, assegurou, «se Cristo não tivesse ressuscitado, o ‘vazio’ teria levado a melhor. Se abstraímos de Cristo e da sua ressurreição, não há escapatória para o homem, e toda a sua esperança permanece uma ilusão».

Com a ressurreição de Cristo, sublinhou, «já não é o nada que envolve tudo, mas a presença amorosa de Deus».
Porém, continuou dizendo, ainda que seja verdade que a morte já não tem poder sobre o homem e o mundo, no entanto, «restam ainda muitos, demasiados sinais do seu antigo domínio».

Por este motivo, o papa afirmou que Cristo «precisa de homens e mulheres que, em todo o tempo e lugar, O ajudem a consolidar a sua vitória com as mesmas armas d’Ele: as armas da justiça e da verdade, da misericórdia, do perdão e do amor».
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Diante desta notícia, não há como não exclamar:
Ai de vós "exegetas"! Ressurreição de Jesus não é teoria.

Carta que a Congregação está enviando para promover a adoração eucarística em reparação e para a santificação do Clero [parte I]:

Excelência Reverendíssima

São realmente muitas as coisas a serem feitas para o verdadeiro bem do Clero e para a fecundidade do ministério pastoral nas circunstâncias atuais, mas, exatamente por isso, mesmo com o firme propósito de enfrentar essas dificuldades e essas fadigas, cientes de que o agir sucede ao ser e que a alma de cada apostolado é a intimidade com Deus, pretende-se iniciar um movimento espiritual que, favorecendo uma consciência cada vez maior da ligação ontológica entre Eucaristia e Sacerdócio e da especial Maternidade de Maria em relação a todos os Sacerdote, dê vida a uma corrente de adoração perpétua, para a reparação das faltas e para a santificação dos clérigos, e a um novo empenho das almas femininas consagradas para que, inspirando-se à tipologia da Beata Virgem Maria, Mãe do Sumo e Eterno Sacerdote e associada, de modo singular, à sua obra de Redenção, queiram adotar espiritualmente sacerdotes para ajudá-los com a oferta de si, a oração e a penitência.

Segundo o dado constante da Tradição, o ministério e a realidade da Igreja não se reduzem à estrutura hierárquica, à liturgia, aos sacramentos e aos ordenamentos jurídicos. De fato a natureza intima da Igreja e a origem primeira de sua eficácia santificadora, devem ser buscadas na mística união com Cristo.

A doutrina, e a própria estrutura da constituição dogmática Lumen Gentium, afirmam que essa união não pode ser imaginada separada da Mãe do Verbo Encarnado, Aquela que Jesus quis intimamente unida a Si para a salvação de todo o gênero humano.

Não é casual, portanto, que no mesmo dia em que era promulgada a constituição dogmática sobre a Igreja – 21 de novembro de 1964 -, Paulo VI proclamasse Maria “Mãe da Igreja”, ou seja, mãe de todos os fiéis e de todos os pastores.

O Concílio Vaticano II – referindo-se à Bem Aventurada Virgem – assim se expressa: “...Concebendo, gerando e alimentando a Cristo, apresentando-O ao Pai no templo, padecendo com Ele quando agonizava na cruz, cooperou de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É por esta razão nossa mãe na ordem da graça.” (LG n 61).

PAPA ALENTA CAMPANHA DE «MATERNIDADE ESPIRITUAL» DE SACERDOTES

Promovida pela Congregação vaticana para o Clero

Por Jesús Colina
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 22 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI manifestou sua apreciação por uma campanha de adoração eucarística e de «maternidade» pela santidade dos sacerdotes do mundo.

O Santo Padre, que em sua viagem aos Estados Unidos sublinhou repetidamente a necessidade que a Igreja tem de santos sacerdotes, manifestou apoio a este projeto através de uma carta enviada por meio da Secretaria de Estado à Congregação vaticana para o Clero, que promove a campanha.

A carta «deseja que o amor e a devoção a Jesus Eucaristia e a devoção a Maria, Mãe de Cristo Sumo Sacerdote, dê aos presbíteros um novo fervor de vida e de apostolado».
Segundo anunciaram em 8 de dezembro o cardeal Cláudio Hummes e o arcebispo Mauro Piacenza, respectivamente prefeito e secretário desta Congregação, a campanha propõe às «almas femininas consagradas» que, seguindo o exemplo de Maria, adotem «espiritualmente aos sacerdotes para ajudá-los com a oferta de si, a oração e a penitência».

A iniciativa promove também a adoração eucarística pela santificação dos sacerdotes de maneira que «em cada canto da terra sempre se eleve a Deus, incessantemente, uma oração de adoração, agradecimento, louvor, pedido e reparação, com o objetivo principal de suscitar um número suficiente de santas vocações ao estado sacerdotal».

O anúncio da Congregação vaticana, uma nota explicativa e subsídios sobre o significado da maternidade espiritual de sacerdotes podem ser lidos em: www.clerus.org


Pdf para saber o que é a "Maternidade Sacerdotal"

O Ano Sacerdotal

Por ocasião dos 150 anos da morte do Santo Cura d’Ars, João Maria Vianney, “verdadeiro exemplo de Pastor ao serviço do rebanho de CRISTO”, como disse S. S. Bento XVI, somos convocados a adentrar no mistério sacerdotal de CRISTO. O Ano Sacerdotal, de 19 de Junho 2009 a 19 de Junho de 2010, terá como tema: "Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote".

Segundo Bento XVI, competirá à Congregação para o Clero, de acordo com os bispos diocesanos e com os superiores dos Institutos religiosos, “promover e coordenar as várias iniciativas espirituais e pastorais que pareçam úteis para fazer perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea”.

Um comunicado divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé revela que o Papa abrirá este “ano sacerdotal”, presidindo à celebração das Vésperas, a 19 de Junho, solenidade do Coração de Jesus, na presença da relíquia de Cura d'Ars trazida pelo Bispo de Belley-Ars.

Bento XVI encerrará esta iniciativa a 19 de Junho de 2010, participando num "Encontro Mundial Sacerdotal", na Praça S. Pedro, do Vaticano.

Ainda de acordo com o comunicado, durante este ano jubilar, Bento XVI proclamará São João Maria Vianney como "Padroeiro de todos os sacerdotes do mundo".

Além disso, será publicado o "Diretório para os Confessores e os Diretores Espirituais", juntamente com uma coletânea de textos do atual Papa sobre temas essenciais da vida e da missão sacerdotal nos dias de hoje.

São João Maria Vianney, ou Cura d'Ars, nasceu em Dardilly, França, em 1786. Ordenado sacerdote, foi enviado para uma insignificante aldeia, com cerca de 230 paroquianos.

Mais tarde, João Maria Vianney tornou-se o cura de Ars-sur-Formans, no Leste de França. Rezava, fazia penitência, pregava e fazia caridade, cumprindo zelosamente o seu ministério sacerdotal. Permanecia horas e horas a fio atendendo em confissão os peregrinos que a ele acorriam de toda a França, a fim de pedir orientações. Morreu no ano de 1858.

Bento XVI aos sacerdotes: «já não pertenceis a vós mesmos»

Hoje, durante a renovação das promessas sacerdotais, na Missa Crismal

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 9 de abril de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI dedicou a homilia da Missa Crismal, celebrada na manhã desta Quinta-Feira Santa na Basílica de São Pedro com os cardeais, bispos e sacerdotes presentes em Roma, a falar do significado da consagração sacerdotal, fazendo confidências sobre a maneira como ele a viveu no dia de sua ordenação.

Em uma longa homilia, Bento XVI explicou o que significa ser «consagrado», ou «separado do mundo para entregar-se a Deus»: «Consagrar algo ou alguém significa, portanto, dar essa coisa ou pessoa em propriedade a Deus, tirá-la do âmbito do que é nosso e colocá-la em sua atmosfera, de modo que já não pertença mais a nossas coisas, mas que seja totalmente de Deus».

Daí que o sacerdócio, para a fé católica, consista em «uma mudança de propriedade, um ser tirado do mundo e entregue a Deus», mas não como «uma segregação»: «o sacerdote vem separado das conexões mundanas e entregue a Deus, e precisamente assim, a partir de Deus, está disponível para os demais, para todos», explicou.

«Consagro-me – sacrifico-me: esta palavra abismal, que nos permite ver a intimidade do coração de Jesus, deveria sempre ser objeto de nossa reflexão. Nela está contido todo o mistério de nossa redenção. E ali está contida também a origem do sacerdócio na Igreja.»

Em sua oração antes da paixão, que aparece no evangelho de João lido hoje, explica o Papa, Jesus pede ao Pai «que Deus mesmo atraia os discípulos para si, dentro de sua santidade. Pede que Ele os separe para Ele mesmo e os tome como sua propriedade, para que, a partir d’Ele, eles possam levar a cabo o serviço sacerdotal para o mundo».

Importância da Escritura

Nesta oração, recorda o Papa, Jesus acrescenta: «Tua palavra é a verdade». «Os discípulos são, portanto, levados ao íntimo de Deus mediante a imersão na palavra de Deus.»

Neste sentido, reafirmou a importância do contato constante de um sacerdote com a Sagrada Escritura. Neste sentido, interpelou os presentes: «Estamos verdadeiramente invadidos pela palavra de Deus? É verdade que ela é o alimento do qual vivemos, mais do que o são o pão e as coisas deste mundo? Nós a conhecemos de verdade? Nós a amamos? Nós nos ocupamos interiormente desta palavra até o ponto de que ela imprima realmente um selo à nossa vida e forma ao nosso pensamento?», inquiriu.

«Nós sabemos aprender de Cristo a reta humildade, que corresponde à verdade de nosso ser, e essa obediência que se submete à verdade, à vontade de Deus?», acrescentou, exortando os presentes a serem «discípulos dessa verdade que se descobre na palavra de Deus».

O unir-se a Cristo, acrescentou «supõe a renúncia. Implica que não queiramos impor nosso caminho ou nossa vontade; que não desejemos ser isso ou aquilo, mas nos abandonamos n’Ele, da forma como Ele quiser servir-se de nós».

Neste sentido, explicou, adquire tanta importância o «sim» a Cristo pronunciado no dia da ordenação sacerdotal, «como os pequenos ‘sins’ e as pequenas renúncias».

«Este ‘sim’ dos pequenos passos, que unidos constituem o grande ‘sim’, poderá realizar-se sem amargura e sem autocompaixão só se Cristo for verdadeiramente o centro da nossa vida, se entramos em familiaridade com Ele. Então, de fato, experimentaremos em meio às renúncias que em um primeiro momento podem causar dor, a alegria crescente da amizade com Ele, todos os pequenos e às vezes grandes sinais de seu amor, que Ele nos dá continuamente.»

O amor e a verdade de Cristo, acrescentou o Papa, são exigentes: «significam para nós também aceitar o caráter exigente da verdade; contrapor-se à mentira tanto nas coisas grandes como nas pequenas, que de modo tão diverso está presente no mundo; aceitar a fadiga da verdade, porque sua alegria mais profunda está presente em nós».

«O amor verdadeiro não está rebaixado, pode ser também muito exigente. Opõe resistência ao mal, para levar o homem ao verdadeiro bem. Se nos convertemos em uma só coisa com Cristo, aprendemos a reconhecê-lo nos que sofrem, nos pobres, nos pequenos deste mundo», acrescentou.

Confidências

O Papa concluiu a homilia com uma lembrança pessoal do dia de sua ordenação. «Na véspera da minha ordenação sacerdotal, há 58 anos, abri a Sagrada Escritura, porque queria receber ainda uma palavra do Senhor, para esse dia e para meu futuro caminho de sacerdote».

«Meu olhar se deteve nesta passagem: ‘Consagra-os na verdade; tua palavra é a verdade’. Então eu soube: o Senhor está falando de mim e está falando a mim. Precisamente o mesmo me acontecerá amanhã», relatou.

Padres seguem ala tradicional da Igreja Católica e celebram missas em latim

da Folha de S.Paulo
da Folha Online


Desde que o papa Bento 16 permitiu que a missa tridentina [Segundo o Missal de 1962], a missa em latim [A Missa pós Conciliar também pode ser celebrada em latim], voltasse a ser celebrada, em 2007, grupos religiosos passaram a seguir a ala mais tradicional da Igreja Católica ao celebrá-la - embora tenha caído em desuso nos últimos 40 anos.


Um dos divulgadores da missa no Brasil é o padre Jonas dos Santos Lisboa [Clérigo da Admnistração Apostólica S. J. M. Vianney] que, ordenado no rito tradicional, reza a missa em latim no Mosteiro de São Bento, na região central da cidade de São Paulo, sempre aos domingos, às 18h30.


No vídeo a seguir, veja trechos do ritual e uma entrevista com o padre, que é solicitado em paróquias do país para ensinar o rito.

Papa afirma que Deus «continua chamando» novas vocações apesar das dificuldades

Pede aos fiéis que «rezem intensamente» pelas vocações


CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 31 de março de 2009 (ZENIT.org).- «Temos que rezar para que em todo o povo cristão cresça a confiança em Deus», que «não deixa de pedir a alguns que entreguem livremente sua existência para colaborar mais estreitamente com Ele» na vida sacerdotal e religiosa, afirma o Papa em sua mensagem por ocasião da Jornada Mundial das Vocações, que acontecerá no próximo dia 3 de maio.


Na mensagem, divulgada hoje pela Santa Sé, o Papa convida os cristãos à «confiança» na ação divina, que «guia firmemente a Igreja pelos caminhos do tempo para o cumprimento definitivo do Reino».


O Papa convida à confiança apesar de que «é verdade que em algumas regiões se registra uma escassez preocupante de presbíteros e que dificuldades e obstáculos acompanham o caminho da Igreja na obra da salvação».


Apesar disso, acrescenta, «sustenta-nos a certeza inquebrantável de que o Senhor livremente escolhe e convida a seu seguimento pessoas de todas as culturas e de todas as idades, segundo os desígnios inescrutáveis de seu amor misericordioso».
«A vocação ao sacerdócio e à vida consagrada constituem um especial dom divino, que se situa no amplo projeto de amor e de salvação que Deus tem para cada homem e para a humanidade inteira», acrescenta.


Chamado divino, liberdade humana


Em sua mensagem, o Papa insiste em várias ocasiões na importância da liberdade humana na resposta ao chamado de Deus à vida sacerdotal e religiosa.


«A iniciativa livre de Deus requer a resposta livre do homem: uma resposta positiva que pressupõe sempre a aceitação e a participação no projeto que Deus tem sobre cada um; uma resposta que acolhe a iniciativa amorosa do Senhor e chega a ser para todos os chamados uma exigência moral vinculante, uma oferenda agradecida a Deus e uma total cooperação no plano que Ele tem na história», afirma.


Esta resposta do homem tem sua fonte na Eucaristia, explica o Papa: «A convicção de ter sido salvos pelo amor de Cristo, que cada Santa Missa alimenta nos crentes e especialmente nos sacerdotes, não pode deixar de suscitar neles um confiado abandono em Cristo, que deu a vida por nós».


«Portanto, crer no Senhor e aceitar seu dom, comporta fiar-se d’Ele com agradecimento, aderindo-se a seu projeto salvífico. Se isso acontece, a pessoa chamada abandona tudo com prazer», acrescenta.


A vocação ao sacerdócio e à vida consagrada é, afirma o Papa, «esse relacionamento de amor entre a iniciativa divina e a resposta humana».


«Quem pode considerar-se digno do ministério sacerdotal? Quem pode abraçar a vida consagrada contando apenas com suas forças humanas?», pergunta.


Neste sentido, acrescenta Bento XVI, convém recordar que a resposta do homem ao chamado divino deve dar-se na «consciência de que é Deus quem toma a iniciativa e a Ele corresponde levar a cabo seu projeto de salvação».


Por isso, pede a todas as Igrejas que «mantenham viva, com oração incessante, essa invocação da iniciativa divina nas famílias e nas paróquias, nos movimentos e nas associações entregues ao apostolado, nas comunidades religiosas e em todas as estruturas da vida diocesana».


«Por parte de todos que estão chamados, é preciso desenvolver a escuta atenta e o prudente discernimento, adesão generosa e dócil ao desígnio divino, aprofundamento sério no que é próprio da vocação sacerdotal e religiosa, para corresponder a ela de maneira responsável e convencida», conclui a mensagem papal.