O Casamento de Nossa Senhora e São José


Este quadro ostenta como fundo um pequeno edifício que é, segundo imaginação do pintor, uma parte do Templo de Jerusalém.
Vê-se o sacerdote com uma capa vermelha, e debaixo dela uma espécie de meia-túnica desce da cintura até o pé. É um homem idoso, digno, já de cabelos brancos, abundantemente barbado, e que numa atitude de piedade e recolhimento está celebrando a cerimônia do matrimônio de Nossa Senhora e São José.

Vê-se São José passando uma aliança à Beatíssima Virgem e segurando uma vara com flores. A vara floresceu, e desse modo indicou ser ele o esposo escolhido pela Providência para Maria Santíssima.

Segundo velha tradição, São José é apresentado mais idoso que Nossa Senhora. Ela ainda muito jovem, e com o recato e a compostura de uma pessoa toda virginal. Para o casamento, Ela está vestida com uma túnica de um cor-de-rosa tão claro, que quase se diria branco, lembrando a virgindade, a pureza e a delicadeza de sentimentos levadas ao mais alto grau. Com um porte ereto e virginal, está cingida com uma coroa de flores.

São José assume, até certo ponto, um pouco o papel de esposo e um pouco o papel de pai em relação a Nossa Senhora, numa atitude de proteção. E a Mãe de Deus toma a posição de quem se deixa proteger. É uma atitude muito apropriada, apresentando alguma timidez junto ao sacerdote respeitável e diante de São José.

Mais atrás, pessoas comentam as bodas. Estão vestidas com trajes romanos, cujos coloridos contudo são orientais. E bem ao fundo vê-se a cidade de Jerusalém.
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* Afresco pintado entre 1302 e 1306 por Giotto di Bondone (1267–1337), que se encontra na Capela degli Scrovegni, em Pádua (Itália).

A impregnação das alegrias de Natal


 A festa do Santo Natal tem o privilégio — ao menos é a impressão pessoal que tenho — de interromper o tempo. Pode uma pessoa estar na situação aflitiva que estiver, chegando o Natal, abre-se como que um paredão e as desgraças ficam do outro lado. Bimbalham os sinos, o Natal começou! Cristo nasceu: alegria para todos os homens!

A alegria própria ao Natal é toda feita de luz - é o Lumen Christi, a luz de Nosso Senhor Jesus Cristo que brilhou na Terra na noite de Natal.

Uma alegria que não é a alegria vulgar do homem que fez um bom negócio, que venceu uma jogada política ou ganhou na loteria. Não. É uma alegria muito mais interna, muito mais leve, toda feita de luz. Enquanto as outras alegrias são feitas de coisas palpáveis e de segunda ordem, a alegria própria ao Natal é toda feita de luz — é o Lumen Christi, a luz de Nosso Senhor Jesus Cristo que brilhou na Terra na noite de Natal. Luz que nunca mais, de ano em ano, deixou de brilhar, trazendo uma verdadeira alegria, uma verdadeira paz de alma até para as pessoas mais atormentadas.
No meu tempo de menino, a noite de Natal era um hiato luminoso, cheio de algo que não se consegue descrever, mas que todos sentiam: era aquela suavidade, aquela paz, aquela doçura que dava a impressão de que todo o céu  estrelado da noite estava como que impregnando a Terra de perfumes. Os sinos tocavam, o som se espalhava e o júbilo impregnava até os jardins. Era uma alegria enorme que circundava todos os homens, porque Cristo nasceu, nasceu em Belém!
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 21 de dezembro de 1984. Sem revisão do autor.

O Natal Ortodoxo

Por Junior (Marcos Ioannis)



  O Natal, ou Festa da Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma das 12 grandes festas no Cristianismo Ortodoxo, comemorando e celebrando o nascimento de Nosso Senhor e Salvador.

  Nesta semana, pós dia 25 de dezembro, muitos no ocidente já comemoraram e celebraram o Natal, porém, os cristãos ortodoxos ainda esperam a data, já que o Natal é celebrado dia 7 de Janeiro, conforme o calendário Juliano.

  Antecedendo o Natal, os fiéis fazem um jejum de 40 dias, não tanto em penitência quanto o da Páscoa, mas de preparação, abstendo-se de carnes, lacticínios e bebidas alcoólicas, uma forma de renovar nossa fé e preparar-se para a chegada do Salvador.

  Nesse tempo os fiéis ortodoxos costumam se saudar da seguinte maneira, dizendo uns para os outros: “Cristo Nasceu!”, e o outro responde: “Glorificai-o!”. Não existe o costume em países Ortodoxos de se dizer “Feliz Natal” ou “Feliz Páscoa”, mas sim, lembrar da essência da data com essa saudação.


  A Liturgia na Igreja é celebrada com grande alegria e festividade, com diversos cantos e hinos que lembram o Nascimento do Salvador, um trecho muito bonito do Tropário da Natividade lembra que Cristo veio dar sentido novo a todas as coisas:

“Teu Nascimento, ó Cristo, nosso Deus
Fez brilhar ao mundo a luz da sabedoria
Nele, aqueles que adoravam os astros
Foram atraídos por uma estrela para Te adorar,
Ó Sol da Verdade, e conhecer-Te como o Oriente vindo do alto
Ó Senhor, glória a Ti!”

  Diferentemente do Ocidente, a Páscoa ainda ocupa o lugar mais elevado das festividades religiosas e públicas entre os cristãos ortodoxos, e o Natal, a segunda festa mais importante.


Cristo Nasceu, Glorificai-o!

  
Uma cantata de Natal Ortodoxo em árabe: 

Dois quadros, duas mentalidades, duas doutrinas



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Notre-Dame de Rouault

Faça o leitor um exercício da fantasia, e suponha que lhe fosse possível, revolvendo a série dos séculos já passados, voltar ao tempo de Cristo, e entrar num cômodo da modesta habitação da Sagrada Família em Nazareth. Cuide que encontrasse ali a Virgem brincando com Menino. E que uma e outro fossem exatissimamente como Rouault os imaginou no quadro que reproduzimos em nosso clichê. Esta vista satisfaria a expectativa do leitor? Corresponderia ao que poderia esperar da Mãe de Deus, e do próprio Verbo Encarnado? Encontraria nestas figuras um reflexo autêntico do espírito cristão, das virtudes inefáveis de Jesus e Maria? Evidentemente não.

ACC_1951_006_2 - Maitre de Moulins
Maitre de Moulins - Catedral de Notre-Dame
Quem, pois se empenhe em que a arte cristã reflita de modo digno e apropriado o espírito dos Evangelhos e da Igreja, não pode ser indiferente a que quadros deste gênero se generalizem entre os fiéis. O que acabará por pensar e sentir da Sagrada Família um povo que não tenha diante de si senão obras pictóricas ou escultóricas deste jaez? A arte crista tem a missão de auxiliar dentro de suas possibilidades peculiares a difusão da sã doutrina, e não se pode considerar que o espírito deste quadro seja propício a tal fim.

 Para melhor elucidar estas afirmações, consideremos quanto é eficaz pelo contrário este quadro do "Maitre de Moulins", (século XV)representando também a Virgem e o Menino, para fazer compreender pelos sentidos o que a Igreja nos ensina sobre Jesus e Maria.

27 de Dezembro: São João, Apóstolo e Evangelista


São João nasceu na Galiléia, era filho de Zebedeu, irmão de Tiago, era pescador, como seu irmão e pai, toda família foi discípula de São João Batista, com André foi um dos primeiros discípulos de Jesus, conheceu-o quando estava concertando a rede, teve a imensa sorte de ser o discípulo mais amado pelo Jesus. O Senhor passou perto e lhes disse: "Venham comigo e os farei pescadores de almas" e, assim, ele e seu pai largaram as redes para seguir Jesus.

Escreveu o Evangelho de São João e mais Três Epístolas e o Livro do Apocalipse.
 
João Evangelista presenciou os maiores milagres de Jesus, estando presente na Transfiguração, presenciou a ressurreição da filha de Jairo, este junto do Senhor durante a Sua Agonia no Horto das Oliveiras, preparou a última ceia e se desbruçou no ombro do Senhor. Sobre ele se cumpriu as palavras de Jesus, quando disse-o, representando toda a humanidade que Maria seria Sua Mãe e Ele, João Evangelista, o filho.
 
Assim, podemos declarar que João Evangelista, recebeu de Cristo, em seus últimos momentos o mais precioso dos presentes, como: 
Cuidar de Sua Mãe, na ressurreição foi o primeiro a chegar ao Sepulcro vazio e na pesca milagrosa, após a ressurreição de Jesus, foi o primeiro a reconhece-lo.


Depois da morte e martírio de Tiago, o Justo (também conhecido como Irmão do Senhor), João teria se dirigido à Ásia Menor, onde dirigiu a importante e influente comunidade cristã de Éfeso, fundada por Paulo anos antes. João esteve várias vezes na prisão, foi torturado e exilado para a Ilha de Patmos, por um período de cerca de quatro anos, onde teria escrito o Apocalipse até que o cruel imperador Domiciano foi assassinado e o manso imperador Nerva chegasse ao poder em Roma.
 
Ele viveu até o ano 100, e foi o único apóstolo ao qual não conseguiram matar os perseguidores. João se encarregou de cuidar da Maria Santíssima como o mais carinhoso dos filhos.Com Ela foi se evangelizar Éfeso e a acompanhou até a hora de sua gloriosa morte. O imperador Dominiciano quis matar o apóstolo São João e o fez ser atirado em uma panela de azeite fervente, mas ele saiu de lá mais jovem e mais são do que havia entrado, sendo banido da ilha de Patmos, onde foi escrito o Apocalipse. Depois voltou outra vez a Éfeso onde escreveu o Evangelho.

A São João Evangelista é representado com uma águia ao lado, como símbolo da elevada espiritualidade que transmite com seus textos. Nenhum outro livro tem tão elevados pensamentos como seu Evangelho.

Conforme assinala São Jerônimo quando São João era já muito ancião se fazia levar às reuniões dos cristãos e o único que lhes dizia sempre era isto: "irmãos, amai-vos uns aos outros". Uma vez lhe perguntaram por que repetia sempre o mesmo, e respondeu: "é que esse é o mandamento de Jesus, e se o cumprimos, todo o resto virá além disso". São Epifanio assinalou que São João morreu por volta do ano 100 aos 94 anos de idade.


Oração de São João Evangelista


Ó São João Apóstolo e Evangelista, fostes o mais íntimo confidente das palavras de vida que brotavam dos lábios de Jesus; o mais próximo de sua glória, no Tabor; de seu coração, na Ceia; de sua Cruz, no Calvário. Ó Apóstolo do Amor, sois por excelência a testemunha da fé, da verdade e da caridade. Pelo amor e fidelidade ao Mestre, sois o protetor de todos os cristãos; dos sacerdotes: vivestes o sacerdócio em toda a sua plenitude; da virgindade: sois o apóstolo virgem; das mães, merecestes ser dado por filho a Mãe de Deus; das crianças e dos jovens: fostes o mais moço dos apóstolos; dos velhos: é como ancião que vos apresentais na Epístolas; dos que sofrem: padecestes ao pé da Cruz; das almas contemplativas: estivestes no Tabor; dos pobres: por eles trabalhastes nas minas de Patmos; dos doentes: curastes os enfermos; dos males do corpo e do espírito: após traçar o sinal da cruz bebestes do cálice com veneno e ressuscitastes os mortos: de todas as pessoas que querem dedicar-se aos seus irmãos e amá-los em Deus: a caridade não pode ter ideal mais puro que o do amigo de Jesus. Ó Apóstolo, orador da divindade, pela grandeza de vossa vida e pelos dons que recebestes, sem cessar, intercedei por nós ao Pai, Filho e Espírito Santo, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.

Vaticano: Papa lembra Natal vivido na pobreza


Bento XVI contrapõe festa dos negócios à festa do coração.


D.R.
Cidade do Vaticano, 24 dez 2011 (Ecclesia) – Bento XVI recordou no Vaticano todos os que são “obrigados a viver o Natal na pobreza, no sofrimento, na condição de emigrante”, sublinhando que esta é uma “festa do coração” e da paz.


Na homilia que proferiu durante a Santa Missa da Noite de Natal, na basílica de São Pedro, o Papa disse que Deus se opõe “a toda a violência e traz uma mensagem de paz”.


“Neste tempo, em que o mundo está continuamente ameaçado pela violência em tantos lugares e de muitos modos, (…), clamamos ao Senhor: (…) Fazei que, neste nosso tempo e neste nosso mundo, sejam queimados os bastões do opressor, as vestes manchadas de sangue e o calçado ruidoso da guerra, de tal modo que a vossa paz triunfe neste nosso mundo”, assinalou.


 Para o Papa, “hoje, o Natal tornou-se uma festa dos negócios”, convidando a “olhar para além das fachadas lampejantes deste tempo, a fim de podermos encontrar o menino no estábulo de Belém e, assim, descobrimos a autêntica alegria e a verdadeira luz”.


 Sublinhando que “Deus é pura bondade”, Bento XVI destacou que “ainda hoje há pessoas que, não conseguindo reconhecer a Deus na fé, se interrogam se a Força última que segura e sustenta o mundo será verdadeiramente boa, ou então se o mal não será tão poderoso e primordial como o bem e a beleza”.


 A homilia papal recuou ao ano de 1223, quando Francisco de Assis celebrou em Grécio [Itália] o Natal com um boi, um jumento e uma manjedoura cheia de feno, naquele que é considerado o primeiro presépio ao vivo.“Graças a Francisco e ao seu modo de crer, aconteceu algo de novo: ele descobriu, numa profundidade totalmente nova, a humanidade de Jesus”, indicou.

Bento XVI destacou ainda uma particularidade da igreja da Natividade de Jesus, em Belém, cuja porta de entrada tem apenas metro e meio de altura, obrigando as pessoas a “inclinar-se”.
“Devemos depor as nossas falsas certezas, a nossa soberba intelectual, que nos impede de perceber a proximidade de Deus”, declarou o Papa, “o Deus que se esconde na humildade dum menino acabado de nascer”.“Celebremos assim a liturgia desta Noite santa, renunciando a fixarmo-nos no que é material, mensurável e palpável”, apelou.


A missa iniciou-se pelas 22h00 locais e incluiu uma oração em português, na qual se pediu que “que os corações de todos sejam repletos de fé e de esperança e se abram à compaixão e à generosidade”.
Durante as celebrações de Natal, na basílica de São Pedro, foi colocada uma estátua da Virgem Maria, junto ao altar da confissão, imagem oferecida em 1963 a Paulo VI, por ocasião da sua eleição como Papa, pelo então presidente brasileiro João Goulart.

Santa Teresa de Liseux e o Santos Anjos (I)

O SOFRIMENTO E OS ANJOS

Teresinha tinha consciência da diferença entre Anjo e homem. Pensar-se-ia que ela teria inveja dos Anjos, mas é o contrário! Ela tinha entendido a grandeza da Encarnação. “Quando vejo o Eterno envolvido em paninhos e ouço o fraco choro desse Verbo divino, ó Mãe querida, não invejo mais os Anjos, porquanto o Onipotente é meu amado Irmão! ...” (Poesia 54: “Porque eu te amo, Maria”). Também os Anjos compreendem profundamente o alcance da Encarnação e teriam, se fosse possível, inveja de nós pobres criaturas de carne e sangue. Num teatro natalino, no qual ela dá nomes aos Anjos conforme suas tarefas em relação a Cristo - por exemplo, o Anjo do Menino Jesus, o Anjo da Sagrada Face, o Anjo da Eucaristia - ela coloca na boca do Anjo do Juízo Final o canto: “Diante de Ti, doce Criança, o Querubim se inclina! Admira, espantado, Teu inefável amor. Quer, como Tu, sobre a sombria colina poder um dia morrer!” Então todos os Anjos cantam o estribilho: “Como é imensa a alegria da humilde criatura. Nos seus arrebatamentos os Serafins desejam deixar, ó Jesus, a angélica natureza, e fazer-se criança!”. (Os Anjos no presépio, cena final). Aqui nos deparamos com o motivo da estima de Santa Teresinha para com os Anjos, isto é: sua ‘santa inveja’ em relação aos homens, pelos quais o Filho de Deus Se fez homem e morreu. Na poesia em honra de Santa Cecília, um Serafim explica esse mistério a Valeriano da seguinte forma: “Eu me abismo em Deus, Seus encantos contemplo, mas não posso imolar-me nem sofrer por Ele. Não posso Lhe ofertar nem lágrimas nem sangue; apesar de todo meu amor, não posso morrer... A pureza de um Anjo é a herança luminosa de uma felicidade imensa que não passa, mas neste ponto, sim, vós venceis os Serafins: sois puros e, além disso, ainda podeis sofrer” (Poesia 3: Santa Cecília).

Mais adiante, Jesus Se dirige a um Anjo com as seguintes palavras cheias de luz e consolo: “Ó tu! que quiseste na terra compartilhar Minha cruz, Minha dor; belo Anjo, escuta este mistério: toda alma padecente é irmã tua. No Céu, o brilho do seu sofrimento virá também na tua fronte recair, e o brilho da tua pura essência iluminará o mártir!” (Os Anjos no presépio, Cena 5,10-11). Portanto, no Céu, Anjo e homem terão comunhão, parte e alegria com a glória do outro. Assim, na economia da salvação existe uma maravilhosa e íntima comunhão de pessoas.