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Uma revolução igualitária movida pela inveja

Dr. Plínio Correa de Oliveira

Revolução Francesa! O tema ocupou as páginas de nossa revista, ininterruptamente de maio a dezembro de 1989, e em fevereiro do presente ano, a propósito das comemorações do bicentenário daquele trágico evento. Fatos diversos e centrais do período revolucionário (1789-1815) foram aqui lembrados, bem como noticiadas as comemorações realizadas no ano passado, sobretudo na França.
Hoje, apresentamos aos leitores uma análise do que foi o espírito da Revolução Francesa, e do modo pelo qual foi ela discutida desde seu desencadear até nossos dias.
O presente trabalho — o qual nos desvenda, em profundidade, o motor da Revolução Francesa — é o resultado de anotações extraídas de uma penetrante conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, proferida para sócios e cooperadores da TFP, em 23 de agosto do ano passado.
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As três Revoluções: etapas da destruição da Cristandade medieval

Apresentamos a seguir aos leitores excertos da conclusão da conferência do Prof.Plinio Corrêa de Oliveira, cuja primeira parte publicamos na edição de março sob o título "Idade Média: caluniada por ser realização da Cristandade na História"
Após a descrição da ordem medieval, torna-se muito mais fácil a exposição das Três Revoluções, ressaltando melhor o nexo existente entre elas.
Quando estudamos a Idade Média, verificamos que ela teve altos e baixos, que foram superados; e crises de orgulho e sensualidade, também dominadas.
Entre essas crises está a do séc. XIII, quando Nosso Senhor suscitou a Ordem dos Franciscanos, que praticava em grau exímio a humildade e a pureza. Suscitou a Ordem dos Dominicanos, para pregar essas mesmas virtudes num terreno mais intelectual. São Francisco, São Domingos, Santo Tomás de Aquino, São Boaventura, e tantos outros santos dessas Ordens, foram luzeiros que repeliram a maré montante do orgulho, da sensualidade e das heresias, salvando assim a Idade Média.
Por essas ou aquelas razões, no séc. XV o orgulho e a sensualidade cresceram de novo, de modo imenso, talvez sem precedentes. E não apareceram mais santos para apregoar a necessidade de uma reforma de costumes, para dar nova vida à pureza e à humildade, para pregar com o calor e o êxito de São Domingos, São Francisco e outros santos, que conseguiram desviar o curso das coisas na sociedade inteira.
O resultado foi que se levantou um santo, São Vicente Ferrer, que começou a pregar que estava próximo o fim do mundo, que ele era o anjo predito pelo Apocalipse para anunciar toda uma série de catástrofes. E as catástrofes de fato começaram no séc. XVI, com o Protestantismo.

1ª Revolução 

O protestantismo: revolução religiosa provocada pelo orgulho e a sensualidade.
A Igreja Católica, segundo ensinamento de São Pio X, é uma Igreja de desiguais.Uns foram instituídos para ensinar, governar e santificar. E outros para serem ensinados, governados e santificados. Estes últimos são os leigos. (cfr. EncíclicaVehementer, de 11-2-1906)
Nesta sociedade de desiguais há uma hierarquia: Cardeais, Arcebispos, Bispos, cônegos, párocos e coadjutores. Em baixo, o povo fiel, que está para a Igreja, como a plebe para a sociedade civil.
O protestantismo nega a autoridade doutrinária da Hierarquia eclesiástica. Cada qual tem o direito de interpretar a Bíblia como quer. A partir desse momento deixa de haver hierarquia. Todas as seitas protestantes têm esse denominador comum igualitário: não há mestres para interpretar o Evangelho, cada um é mestre de si mesmo.
Elas negaram o monarca da Igreja Católica, o Papa, exceto os anglicanos, que reconhecem ao Papa um vago primado de honra, mas não jurídico.  Na seita protestante anglicana continuaram os arcebispos, bispos, certos dignitários eclesiásticos à maneira de cônegos, párocos, coadjutores.
A seita luterana também admite esses graus. Mas Calvino, que foi um heresiarca pouco posterior a Lutero, negou os Arcebispos e Bispos, admitindo apenas os padres; são os chamados presbiterianos.
Surgiu depois uma outra seita, a dos niveladores, também conhecidos porquackers, que não admitiam sequer os padres. Ficaram abolidos todos os graus, restando apenas o povo. É uma hierarquia que se destruiu.
Dentro das próprias seitas protestantes esse trabalho de demolição continuou.Na igreja anglicana como na luterana, a autoridade dos  homens que continuaram a se dizer bispos e arcebispos foi reduzida a quase a zero. Não tem comparação com a autoridade de um Bispo católico. Os bispos anglicanos não passam de figuras decorativas. O título ainda existe, mas nada significa. Também entre os presbiterianos o título de padre, de ministro, ainda existe, mas quase nada significa. Eles não têm autoridade doutrinária sobre seus fiéis.
Esse movimento igualitário não ficou apenas dentro do protestantismo, mas tentou penetrar várias vezes na Igreja Católica. E acabou penetrando e triunfando por meio do progressismo, que quer reduzir a Igreja a uma república, em que o povo fiel tem o direito soberano de mandar, e o Papa e os bispos fazerem o que o povo quer. Portanto, o contrário da organização hierárquica que estudamos; no fundo não haveria governo, seria a anarquia, o fim da Igreja.
Os protestantes acabaram com as ordens religiosas. Confiscaram, saquearam, fecharam. Algumas se mantiveram na aparência, mas com um ar de mero pensionato. O estado religioso desapareceu nas seitas protestantes. Toda a hierarquia eclesiástica começou a sofrer uma corrosão, cujo termo último é o progressismo em nossos dias.
Tendência igualitária atinge o plano político.
Em meados do século XVII houve uma primeira manifestação de igualitarismo político: a revolução inglesa, chefiada por Cromwell, mandou decapitar o rei Carlos I, proclamou a república na Inglaterra, e virtualmente aboliu os títulos de nobreza. A seita de Cromwell não admitia desigualdades religiosas; e, coerentemente, insurgiu-se também contra as desigualdades civis. Porque, se alguém odeia toda desigualdade por causa do orgulho, este se molesta tanto com a desigualdade civil quanto com a religiosa, e acaba se atirando contra ambas.
A revolução inglesa foi relativamente efêmera. Morto Cromwell, seu filho governou muito pouco tempo e veio logo o restabelecimento da monarquia,  com o rei Carlos II.
Mas essa tendência igualitária na ordem política explodiu sobretudo na França, país que fora fortemente trabalhado pelo protestantismo. No século XVI grande parte da França tornou-se protestante. Se não fosse o auxílio de Felipe II, Rei da Espanha, e a intervenção dos Papas, a França ter-se-ia tornado protestante. 
Em seu aspecto religioso, a Revolução manifestou-se então na   heresia jansenista, que foi uma forma larvada de protestantismo. Depois vieram os   enciclopedistas, que primeiramente se diziam deístas, só acreditando em Deus.Depois declararam-se ateus.
Foi nos meios enciclopedistas que se gerou, sobretudo através de  Rousseau, a doutrina da igualdade civil completa e do contrato social. A idéia de Rousseau é que os homens eram felizes quando viviam em anarquia, na natureza. A civilização foi um mal e a sociedade nasceu de um contrato estabelecido entre os homens. O povo seria então o verdadeiro soberano e a verdadeira lei a da igualdade.

2ª Revolução 

Revolução Francesa: na ordem civil, ação análoga à do protestantismo
Essa doutrina social dos enciclopedistas degenerou em idéias políticas, que se propagaram  na França, dando origem, em 1789, à Revolução Francesa. Esta fez, na ordem civil, aquilo que o protestantismo fizera na ordem espiritual.
Levados pelo orgulho, pelo igualitarismo, os republicanos franceses - muito coadjuvados pelos protestantes - proclamaram a república e aboliram  os títulos de nobreza. Mais ainda. Sendo a França um país católico, promulgaram uma lei que visava obrigar a Igreja Católica a aceitar a mentalidade e a estrutura de uma Igreja protestante.
De acordo com essa Constituição Civil do Clero, a Igreja da França ficava independente de Roma. E os cargos eclesiásticos - como os de Arcebispos, Bispos, etc. - tornavam-se mais ou menos eletivos, introduzindo o republicanismo na Igreja. Como os padres católicos, na sua imensa maioria, não aceitaram essa lei, a Revolução Francesa proibiu o funcionamento da verdadeira Igreja Católica na França.
Isto mostra como a Revolução Francesa é o outro lado da medalha da Revolução Protestante. Ela proveio de protestantes antigos e tentou implantar na França um neoprotestantismo.
Ainda segundo os ideólogos da mesma Revolução, sendo os homens iguais perante a lei, são também iguais politicamente. E declaravam que a monarquia era o furto do poder do povo em benefício de uma família, e a aristocracia o furto do poder político em benefício de um grupo de famílias. E concluíam que a única ordem de coisas moral e legítima é a ordem igualitária e popular.
Resultado: quando a Revolução Francesa estava no seu declínio, mostrou-se quase comunista: editou leis contra as propriedades, perseguiu os ricos, etc. Não chegou a declarar formalmente abolida a propriedade privada, mas os discursos dos deputados jacobinos contra a mesma, nessa fase, eram tipicamente comunistas. E logo depois houve a revolução de Babeuf, declaradamente comunista, para implantar a propriedade coletiva.

3ª Revolução 

Marx: igualitarismo quanto à propriedade privada - o comunismo
Mesmo depois de extinta a Revolução Francesa, continuou a haver pela Europa um número enorme de pessoas que se diziam favoráveis à propriedade coletiva, com base no princípio da igualdade: se os homens são iguais em tudo, têm que sê-lo também em fortuna.
Quando Marx publicou seu Manifesto em 1848, o número desses socialistas chamados utópicos era bem grande na Europa, os quais já haviam tentado várias revoluções. Marx deu uma formulação e uma organização a essas tendências, surgindo então o comunismo, último surto da igualdade que derrubou o poder restante. E da velha estrutura medieval nada mais restou.
Os senhores têm aí as Três Revoluções que se consumaram. É o apogeu do orgulho que chegou à plenitude do igualitarismo.
Do exposto resulta claro o nexo profundo que existe entre a primeira Revolução, que é a Revolução Protestante, e a última, que é a Revolução Comunista.

4ª Revolução que nasce 

O último esboroamento: a revolução anarquista após o comunismo
Poder-se-ia ainda acrescentar mais algo. O comunismo parece o termo final, mas dentro dele ainda há um esboroamento.
Os comunistas tipo Marx, Lenine, Stalin e outros reconheciam que o Estado, o Poder Público com sua máquina, sua administração, etc., ainda era um resto de desigualdade. E deveria vir o dia em que não existiria mais o Poder Público, todas as autoridades seriam supressas e haveria apenas cooperativas, e nada mais.
Esse é o objetivo da revolução marcusiana, a revolução hippie, que é anarquista e visa suprimir até o Estado. Eis o último esboroamento que dentro do comunismo ainda se pode dar.
Papel da sensualidade nessa tríplice Revolução
O protestantismo estabeleceu o divórcio, que é uma satisfação ao instinto desregrado da sensualidade, acabando com a monogamia. Pois o que é o divórcio, se não a poligamia a prestações?
Lutero aliás - e esse documento se descobriu muito tempo após sua morte e nem mesmo os protestantes o negam - autorizou o landgrave de Hasse, na Alemanha a ter mais de uma esposa ao mesmo tempo. Esse nobre escreveu uma carta a Lutero e a outros corifeus do luteranismo, explicando que ele tinha de viajar muito - nuns estadinhos comparáveis a pequenos municípios brasileiros - para administrá-los, e que ficava muito caro deslocar-se com a princesa, porque, de acordo com os protocolos do tempo, esta precisava ir com um séquito, etc. De um lado, não podia levar a sua esposa, mas de outro, era muito duro permanecer sozinho durante as viagens. Não via outro meio senão ter uma esposa suplementar.
Lutero, que necessitava muito dele naquela ocasião para defender-se contra a investida política dos católicos, redigiu e assinou, juntamente com vários outros teólogos protestantes de Wittemberg, um documento - ao qual o Pe. Leonel Franca S.J. alude em sua obra A Igreja, a Reforma e a Civilização (**) - autorizando-o a prática da bigamia, "contanto que o caso se mantivesse secreto". Mas, no rigor de sua doutrina, isso era permitido e ele mesmo contraiu um pseudo-casamento com uma ex-freira.
O protestantismo acabou com o celibato sacerdotal, conseqüência forçosa da explosão sensual.
Além disso, generalizou-se no mundo inteiro uma tolerância para com a impureza e uma intolerância pelo contrário. Ou seja, a idéia de que o homem  tem o direito de cometer o pecado de impureza, não é condenável. Pelo contrário, o homem casto é um atrofiado, um cretino, um complexado, quando não um homossexual. Todos já ouviram zumbir essa infâmias em torno de si e, quando eu era menino, elas já eram velhas.
Tal erro estabeleceu uma tolerância para com a prostituição.   Porque quem diz que o homem não peca procurando uma prostituta, não pode achar que a prostituta peca entregando-se ao homem. Que sincera condenação da prostituição propugnará um homem que acha que pode procurar a prostituta?
Pior ainda: depois de casado, habituar-se-á ele à fidelidade conjugal? Quem se habituou à pluralidade e à fantasia das relações sexuais, poderá depois habituar-se à fidelidade conjugal? Que ascese precisará ter para ser fiel!
Pelo argumento da igualdade de direitos entre o homem e a mulher, se a impureza é lícita ao homem, também o será à mulher. O igualitarismo leva assim a uma autorização do amor livre para ambos os sexos. O divórcio gerou o amor livre; a sensualidade, muitas vezes, gerou o amor livre sem passar pelo divórcio.
O que visa o comunismo em matéria de casamento? É o amor livre. Se se pode dizer, em alguma medida, que o divórcio é a condição de casamento própria ao mundo posterior à Revolução Francesa, pode-se dizer que o amor livre é a condição de casamento, de relação entre os sexos, própria ao comunismo.
Vamos mais longe. Porque a partir do momento em que se permite o amor livre entre homens e mulheres, ele também deverá ser permitido entre pessoas do mesmo sexo, porque é esse o amor livre em toda a sua força. Há de chegar o momento, desejado pelos marcusianos e pelos anarquistas, do nudismo total e da inteira total liberdade de relações sexuais, como entre os animais.
Falei do nudismo. Não vamos caminhando para lá também? A exigüidade cada vez maior dos trajes não caminha para o nudismo? Onde estamos? Estamos, pois, na apoteose do orgulho e da sensualidade, nas vésperas da anarquia total, se Nossa Senhora não intervier, tendo pena do mundo.
Do reino da Revolução ao Reino de Maria
Os homens que representavam a ordem medieval pecaram de mil modos, inclusive por moleza. Essa ordem foi destruída: no comunismo, radicalmente; no que resta de países não comunistas, quase até suas últimas fímbrias.
Por causa daquela idéia da perenidade do poder de Jesus Cristo, da realeza de Cristo na Terra, acredito que esse triunfo da Revolução não poderá realizar-se completamente. E que haverá a implantação de uma ordem de coisas que vai ser o contrário de tudo isto.
De um extremo se volta ao outro extremo. No relógio, quando o pêndulo chega até um extremo, ele volta depois ao outro lado. Nós, do mesmo modo, vamos passar do reino da Revolução ao Reino de Maria.
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Cfr. A Igreja, a Reforma e a Civilização, Indústria Tipográfica Romana,Roma, 1923, p.p. 451 e 452
(*) - Este é o título original de conferências que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira pronunciou a partir da década de 40. Ao repetir a mesma exposição para sócios e cooperadores da TFP em 25 de março de 1965, o orador, discernindo uma 4ª etapa, então nascente, do processo revolucionário, denunciou a revolução anarquista hippie.

Roberto De Mattei: “É estranho o silêncio do Vaticano II sobre o comunismo"


(Renascença ) O historiador italiano Roberto de Mattei está em Portugal para apresentar o seu livro “O Concílio Vaticano II – Uma história nunca escrita”.  O historiador italiano Roberto De Mattei é professor de História da Igreja e do Cristianismo na Universidade Europeia de Roma. Em 2008 foi condecorado pelo Papa em reconhecimento dos serviços prestados à Igreja. É ainda colaborador do Pontifício Conselho das Ciências Históricas. Nesta entrevista fala do seu mais recente livro: “O Concílio Vaticano II – Uma história nunca escrita”.

Em que sentido é que o seu livro é uma “história nunca escrita” do Concílio?
Nunca até hoje foi escrita uma história compreensiva sobre os três anos do Concílio. A única que está escrita, por Giussepe Alberigo, é apenas uma colecção de textos.

Falta-lhe o aspecto de interpretação dos factos?
Exactamente, a ideia é também uma nova interpretação dos factos. Só depois da reconstrução histórica dos factos é que os pastores, os teólogos, podem intervir para formular os seus juízos teológicos e morais. O meu nível é o histórico.

Por exemplo, hoje em dia toda a gente se apercebe do alcance revolucionário do Maio de 68, uma revolução cultural profunda e incisiva. Contudo, antes de 68 houve o Concílio, uma revolução que modificou profundamente a história dos anos seguintes, a começar pelo próprio Maio de 68, que tem uma componente católica que devemos reconhecer para melhor resolver os problemas contemporâneos.
À medida que investigou o Concílio, o que é que o surpreendeu mais?
Talvez o silêncio do Concílio sobre o comunismo. Quando o Concílio se reúne, o Muro de Berlim acabara de desferir uma profunda ferida na Europa. O Comunismo estendia a sua sombra ameaçadora sobre todos os continentes.Porque é que os padres conciliares, reunidos em Roma para tratar das relações entre a Igreja e o mundo moderno, ignoram o fenómeno mais macroscópico da sua era, o imperialismo comunista? Esse é talvez o mistério mais profundo do Concílio Vaticano II.

É cedo para fazer já um balanço do efeito do Concílio na Igreja?
É o momento de se fazer este balanço. O Vaticano II não foi o primeiro nem o último concílio, foi um momento da longa história da Igreja. Ao longo da história houve 21 concílios. Alguns deles, Niceia, Trento, Vaticano I, são inesquecíveis, por causa do alcance teológico dos documentos que deles emanaram. Outros foram esquecidos. Um concílio entra na história pela qualidade dos seus documentos. Nesse sentido temos uma grande liberdade crítica para analisar e fazer um balanço do Concílio Vaticano II.

Daqui a 400 anos as pessoas vão-se lembrar do Concílio Vaticano II?
Não posso dizer isso, mas posso dizer que o Vaticano II foi um concílio diferente de todos os que o precederam, neste a característica mais importante foi a pastoral. Claro que nem o Concílio de Trento nem o Vaticano I tinham sido privados do elemento pastoral, mas no Vaticano II a dimensão pastoral acabou por se tornar prioritária, introduzindo uma revolução na linguagem e na mentalidade. Essa seria a característica principal, essa revolução não no conteúdo, não dogmática, mas na linguagem, na mentalidade, na maneira de apresentar a doutrina da Igreja.

Ruptura ou continuidade?
Em sua opinião o Concílio apresentou uma ruptura com a Igreja anterior, ou não?
O Papa Bento XVI declarou que existe uma hermenêutica da reforma cuja verdadeira natureza consiste numa conjugação de continuidade e descontinuidade a níveis diferentes. Parece-me que é justamente daí que devemos partir e essa continuidade e descontinuidade do Vaticano II, nos confrontos com a Igreja anterior, pode ser considerada sobre dois aspectos: a dimensão histórica-humana da Igreja e a dimensão ontológica. Acho que houve continuação na dimensão ontológica que corresponde à dimensão divina da Igreja, porém houve descontinuidade na dimensão humana que corresponde à natureza humana da Igreja.

O erro é concentrar a atenção sobre os documentos do Concílio, ou seja do conteúdo dogmático. O Concílio, antes de ser uma série de documentos, foi um evento histórico. Nesse sentido podemos dizer, acho, que houve uma ruptura, mas uma ruptura histórica não é necessariamente uma ruptura doutrinal e dogmática.
Qual era o clima na Igreja antes do Concílio?
Houve uma crise na Igreja antes do Vaticano II, mas o clima do Concílio favoreceu a explosão dessa crise. Hoje temos de perguntar se a voz profética que se fez ouvir na aula conciliar foi a do Cardeal Suenens, [da ala liberal], ou a voz dos conservadores que no Concílio combateram o Cardeal Suenens. A minoria conservadora do Concílio é hoje apresentada como a parte derrotada e os liberais são apresentados como profetas. O que faço no meu livro é ser a voz dos vencidos do Concílio, a voz da tradição.

Acredita que essa voz poderá ser reabilitada?
Acho que sim, porque hoje temos necessidade da tradição. A tradição não é o passado, esse acabou, não pode voltar, são os elementos do passado que vivem no presente e que têm de viver para que o nosso presente tenha futuro.

Houve uma grande expectativa à volta do Concílio. Passados 50 anos como vê a situação?
Recentemente Bento XVI falou de como esteve, enquanto jovem teólogo, na Praça de São Pedro quando João XXIII abriu o Concílio e em todo o mundo havia um clima de entusiasmo, parecia haver um clima de aurora, de Pentecostes para toda a Igreja.

Veja-se o contraste entre o clima entusiástico, um pouco utópico e a situação da Igreja que se apresenta nos discursos dos bispos reunidos em Roma para o sínodo da Nova Evangelização. A voz dos padres sinodais é uma voz dolente, pessimista, descrevem nas próprias dioceses uma situação de profundo sofrimento da Igreja, uma Igreja que é perseguida em todos os continentes, incluindo na Europa. Essa é a situação actual.

[Livro] "Histoire Universelle de l'Église Catholique" de Rohrbacher

Livro para download:  "Histoire Universelle de l'Église Catholique" de Rohrbacher.

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A Igreja e os templários

Por Ricardo da Costa

Palestra de abertura da cerimônia de lançamento do livro "In Nomine Domine" do historiador e escritor Eliezer Nardoto. Local: Catedral de São Mateus (ES). 04 de maio de 2013.

Parte I

Parte II

Inquisição Espanhola para leigos

Via Inquisição Espanhola para leigos

Ninguém espera a Inquisição Espanhola
Há dois dias ouvi sobre um livro chamado The Irrational Atheist: Dissecting the Unholy Trinity of Dawkins, Harris, And Hitchens, de Theodore Beale, que é uma resposta às alegações neo-ateístas de Dawkins, Harris e Hitchens. Fui à página do livro na Amazon (The Irrational Atheist), e notei um grande número de reviews negativos. Quase cheguei a considerar isso uma evidência de que o livro não fosse bom, mas quando li os reviews comecei a perceber um padrão de discurso neo-ateísta comum em reviews de livros que pretendem responder autores neo-ateus - em que se acusa o autor de cometer diversas falácias e não dominar os tópicos que aborda.

Isso pode ser percebido na página do livro What's So Great About Christianity, de Dinesh D'Souza, ou na página de Reasonable Faith, de William Lane Craig - para citar apenas os mais populares. E ainda que eu não concorde com alguns pontos de D'Souza, seu livro é uma boa leitura e a filosofia oferecida, mesmo não sendo particularmente sofisticada, está muito à frente da filosofia oferecida por Richard Dawkins, que, para ser justo, simplesmente não é filosofia. Mas, apesar disso, a página do livro The God Delusion conta com nada menos que, até o momento, 958 reviews de cinco estrelas (o máximo possível), uma porcentagem que excede assustadoramente o número de reviewsde uma estrela (em mais de 300%) - diferente do que acontece nos livros teístas.

Isso não surpreenderá os teístas familiarizados com debates acadêmicos entre cristãos e neo-ateus, como o protagonizado por Christopher Hitchens e William Lane Craig, ou por Dinesh D'Souza e John Loftus. Porque nesses debates os teístas se saíram, mesmo segundo outros ateístas, muito melhores e mais convincentes, o que não impediu que vários ateus alardeassem a superioridade de Hitchens - e se o leitor quiser exemplos, caso pense que estou atacando um espantalho, basta pedir -, ou que, no caso de Dawkins e Craig no painel de discussão no México, repetissem ataques sobre a fraqueza intelectual de Craig face ao brilhantismo do biólogo britânico - o mesmo que disse que não saber o nome dos livros da Bíblia torna as pessoas menos cristãs, e depois, quando perguntado se poderia dizer o título completo deA Origem das Espécies e responder que sim, não fez nada além de gaguejar.


Mas o melhor exemplo de quão curiosos e não confiáveis podem ser os reviews nas páginas da Amazonvem do caso do livro de Thomas E. Woods, How the Catholic Church Build Western Civilization. Há um usuário que acusa o autor de estar recebendo dinheiro do Vaticano para fazer propaganda positiva da Igreja Católica - de certa forma, uma acusação que também já caiu sobre meus próprios ombros (http://www.caosdinamico.com/2011/09/cinismo-extraterrestre.html), e que temo não ser rara. Outro acusa Woods de falar do bom e esquecer-se do ruim, e então cita o caso Galileu para justificar o ruim. Mas há um capítulo dedicado especialmente ao caso Galileu e à relação da Igreja com a Ciência desde a Idade Média no livro. O que deixa claro que alguns usuários não se deram ao trabalho de sequer ler o livro - algo que também já foi relatado nesse blog, exatamente na postagem sobre Igreja e Ciência, em que um rapaz condena o livro após ter lido sua contracapa (http://www.caosdinamico.com/2011/02/cristianismo-e-ciencia.html).

O que eu quero dizer com tudo isso é que, apesar de importantes, os reviews de uma obra não podem ser mais estimados que a obra em si, e por isso os reviews negativos do livro de Beale não representam um argumento contra ele - e, é válido ressaltar, também há vários reviews favoráveis ao livro. Obviamente, ainda não tive tempo de lê-lo inteiro, mas pude ler o subcapítulo dedicado à Inquisição espanhola, e o que pude observar é que a principal referência usada é o livro de Henry Kamen, considerado a maior autoridade nesse tópico. Portanto, a visão exposta por Beale está, ao menos nesse caso, de acordo com estudos acurados sobre o assunto, e não pode ser acusada de enganosa ou meramente propagandística pelos neo-ateus. Ademais, já que parece estar na moda associar qualquer referência a uma autoridade com a falácia do apelo à autoridade, vou ressaltar que o respeito por Kamen é fruto da sua pesquisa, e não da sua pessoa: ninguém está dizendo que alguma coisa ou fato são verdadeiros por terem sido apresentados por esse autor. (O livro A Inquisição em seu mundo, de Bernardino Gonzaga, contém várias citações da obra de Kamen, e é a melhor referência para aqueles que buscam algo em português).

Em The Irrational Atheist, algumas comparações oferecidas pelo seu autor me pareceram realmente úteis mesmo para aqueles que costumam tratar a Inquisição como algo parecido com o Holocausto, ou por aqueles que a tratam como uma instituição carente de motivos para existir e criada para converter qualquer não cristão ao catolicismo. Vejamos algumas considerações de Beale (The Irrational Atheist, pág. 214):
Em Deus, um delírio, Richard Dawkins se recusa visivelmente a detalhar o que ele descreve como os "horrores" da Inquisição Espanhola. Christopher Hitchens e Daniel Dennet evitam discuti-la completamente. Apenas o palhaço da Razão, Sam Harris, é suficientemente tolo para engolir a velha Lenda Negra, sem nenhuma dúvida, enquanto tenta retratar todas as inquisições como um dos dois "episódios mais negros na história da fé" [1].

Não houve uma inquisição histórica, mas quatro, a Medieval, a Espanhola, a Portuguesa, e a Romana [2]. Dessas quatro, a Inquisição Espanhola é a mais comumente referida pelos críticos devido à sua notória intensidade. Ela é, portanto, a que vale a pena examinar em detalhes para determinar o quão negro esse episódio da história da fé realmente foi e como se parece com os três episódios aos quais Harris implicitamente a compara: o Holodomor, o Grande Salto Adiante, e o Holocausto.
Ele então explica (pág. 215) a história que começa em 9 de junho do ano 721, com a Batalha de Tolosa, e continua com a reação liderada por reis cristãos em resposta à expansão islâmica sobre a Península Ibérica que acontecia já há um século. Nos 760 anos seguintes, as conquistas dos Omíadas foram revertidas, e culminaram no fim da Reconquista, em 1492:
A Inquisição Espanhola, que começa em 1481, não pode ser entendida sem que se reconheça a relevância da épica disputa de 771 anos entre cristãos e muçulmanos sobre a Península Ibérica. O que o grande general berbere Tariq ibn Zayid conquistou em apenas oito anos para o Califado Omíada, levou mais de cem vezes esse tempo para ser recuperado, e nem o Rei Fernando II de Aragão nem sua esposa, Rainha Isabel de Castela, estavam dispostos a arriscar qualquer possibilidade de repetir a grande diligência.
A Rainha estava particularmente preocupada com os conversos, cristãos que fingiam ter se convertido do judaísmo, mas ainda praticavam sua primeira religião. A preocupação vem do seguinte: se eles estavam mentindo sobre suas conversões, então seria razoável assumir que eles também estavam mentindo sobre sua lealdade à Coroa, e era amplamente temido que os judeus estivessem encorajando líderes islâmicos a recuperar o Al-Andalus - nome dado pelos islâmicos à Península Ibérica -, já que seus antecessores haviam encorajado a invasão original oito séculos antes [3].

Os monarcas espanhóis pediram que o Papa Sisto IV criasse uma ramificação da Inquisição Romana, que reportaria à Coroa Espanhola. Sisto IV negou o pedido, mas após as ameaças de Fernando II, ele emitiu, ainda que relutante, a bula Exigit Sinceras Devotiones Affectus em 1 de novembro de 1478. Em 27 de setembro de 1480 os dois primeiros inquisidores, Miguel de Morillo e Juan de San Martín, foram nomeados. Em 6 de fevereiro de 1481 seis falsos cristãos foram acusados, investigados, condenados e mortos no primeiro auto da fé da Inquisição Espanhola (The Irrational Atheist, pág. 216):
O que aconteceu entre novembro de 1478 e setembro de 1480 para motivar essa repentina tomada de decisão? Enquanto alguns historiadores como Henry Kamen se mostram perplexos em relação ao que poderia ter provocado a Coroa Espanhola, o impulso mais provável é que em 28 de julho, três meses antes da decisão de Fernando de apontar os dois inquisidores, um batalhão liderado por Gedik Ahmed Pasha atacou a cidade aragonesa de Otranto. Otranto caiu em 11 de agosto e mais de metade das 20.000 pessoas da cidade foi massacrada durante o saqueamento da cidade. O arcebispo foi morto na catedral, o comandante da guarnição foi serrado ao meio ainda vivo, assim como um bispo chamado Stephen Pendinelli. Mas o evento mais infame ocorreu quando foi dada aos homens capturados de Otranto a chance de converter-se ao Islã ou morrer; 800 deles manteram sua fé cristã e foram decapitados en masse em um lugar conhecido como o Monte dos Mártires.
Os turcos então atacaram as cidades de Vieste, Lecce, Taranto, e Brindisi, e destruíram o grande Mostero di San Nicholas di Casole. Beale destaca (págs. 217-19):
É uma das maiores ironias da história que três vezes mais pessoas morreram no esquecido evento que quase certamente inspirou a Inquisição Espanhola em relação às que morreram nas chamas da própria inquisição. Apesar de sua reputação de uma das mais perversas e letais instituições da história da humanidade, a Inquisição Espanhola foi uma das mais humanas e decentes de seu tempo, e poderia-se argumentar que fora a mais razoável, considerando as circunstâncias. De fato, há poucas instituições históricas que foram tão mal entendidas, como os três seguintes fatos deveriam esclarecer:
1. A Inquisição Espanhola não tentou converter ninguém ao cristianismo. Não possuia nenhuma autoridade sobre judeus professos, muçulmanos, ou ateístas; sua única missão era distinguir cristãos genuínos daqueles que fingiam ser cristãos e estavam, na verdade, praticando outra religião;
2. Os inquisidores não eram psicóticos idiotas como os retratados por Dostoiévisk e Edgar Allan Poe. Eles eram normalmente clérigos ao menos parcialmente educados das ordens monásticas mais eruditas que seguiam estritamente as regras e procedimentos, que foram as mais humanas da época;
3. A tortura era raramente usada [4], e apenas quando havia evidências substanciais de que o acusado estava mentindo. A tortura podia apenas ser usada por quinze minutos [5], e não podia causar a perda da vida ou de membros, nem derramamento de sangue; apesar de que houve excessos ocasionais, a principal razão pela qual nós sabemos deles é porque os responsáveis por cometê-los eram mantidos em conta pelas autoridades da Igreja.
Beale ainda comenta que surpreenderá aqueles que acreditam que milhões foram mortos na Inquisição Espanhola que durante os séculos XVI e XVII, menos de três pessoas foram sentenciadas à morte por ano em todo o Império Espanhol, que ia da Espanha à Sicília e Peru [6]. Considerando que em 345 anos menos de 1% dos 125.000 julgamentos da Inquisição Espanhola resultaram em execuções pela autoridade secular, Beale observa que o terrível tribunal foi, em base anual, quatorze vezes menos letal que bicicletas infantis [7]. Fiz uma versão em português do quadro fornecido por Beale, que é bastante prático visualmente.
The Irrational Atheist, pág. 219. Ver segunda nota completa no original.
Tenhamos em mente, em adição a tudo isso, que apenas no Terror Vermelho da Guerra Civil Espanhola, em 1936, foram mortos 6832 clérigos [8], mais de o dobro da Inquisição Espanhola, que durou mais de trezentos anos. Ressaltarei, também, que ninguém está dizendo que os crimes ateístas foram cometidos em nome do ateísmo: essa controvérsia não ganhará espaço nessa postagem, e o que está sendo afirmado é apenas o fato óbvio de que tais crimes foram cometidos por ateus. Também não será discutido o termo utilizado por Beale para se referir aos nazistas - teístas pagãos -, já que o debate seria simplesmente irrelevante ao propósito da postagem. Se o leitor estiver interessado em considerações sobre o "Hitler católico", recomendo a postagem "Supostamente", mas isso é o máximo que posso fazer no momento.
Para quem está familiarizado com o tema da Inquisição e a abordagem de Kamen, a  análise de Beale da Inquisição Espanhola não nos revela nenhuma novidade - com exceção da informação sobre os acidentes causados por bicicletas -, mas oferece detalhes que podem ser úteis para a melhor compreensão do contexto e de como os danos causados, se analisados em comparação a episódios anticatólicos ou antirreligiosos em geral, foram praticamente insignificantes. Se os neo-ateus ousarem culpar um cristão pela Inquisição ainda que este nunca tenha passado perto de uma fogueira, essa postagem será útil de duas maneiras: não só o cristão poderá argumentar sobre o quão absurda é a tentativa de responsabilizá-lo por algo que ele sequer viveu, como também poderá aproveitar e mostrar ao acusador que a Inquisição foi uma instituição tão dramática quanto o risco de se machucar na infância. E já que Theodore Beale não é católico, podemos perguntar, ainda, quanto ele deve estar recebendo do Vaticano por fazer propaganda a favor da Igreja... Certo?


Notas do autor:
  1. Sam Harris, The End of Faith, pág. 79. O outro sendo o Holocausto. Harris está aceitando uma falsa visão das inquisições criada por propagandístas protestantes do século XVI e moldado por romancistas do século XIX. Não há evidência que indique que as formas de tortura descritas por Harris foram realmente usadas pela Inquisição Espanhola, e o mais divertido, um dos três métodos que realmente foram usados pelos inquisidores, a toca, é praticamente idêntico ao uso do "afogamento simulado" que Sam Harris defende. "Eu sou uma das poucas pessoas que eu conheço que argumentou que a tortura pode ser uma necessidade ética na nossa guerra ao terror". Harris, Sam. "In Defense of Torture". The Huffington Post, 17 Outubro 2005.
  2. A Inquisição Romana ainda existe; o atual Grande Inquisidor é Vossa Eminência William Joseph Levada, um cardeal de Long Beach, California. Mas ele não atende por "Grande Inquisidor", seu verdadeiro título é Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
  3. "Continua um fato que os judeus, seja diretamente ou através de seus correligionários na África, encorajaram os maometanos a conquistar a Espanha... As cidades conquistadas de Córdoba, Málaga, Granada, Sevilha e Toledo foram colocadas sob controle de habitantes judeus, que foram armados pelos árabes". The Jewish Encyclopedia (1906). Vol. XI, pág. 485.
  4. Henry Kamen, The Spanish Inquisition, pág. 189. A maioria dos crimes não era considerada séria o suficiente para justificar a tortura. A incidência da tortura variava dependendo do tribunal, com as taxas mais baixas em Valência, em que metade de 1% daqueles investigados foi torturada; a maior taxa conhecida era de Sevilha, onde 11% sofreram o tratamento.
  5. "De acordo com o professor Agostino Borromeo, historiador do Catolicismo na Universidade Sapienza, em Roma, e curador do volume de 783 páginas realizado ontem, apenas 1% das 125.000 pessoas investigadas pelos tribunais da Igreja como hereges suspeitos fora executados... O que a Igreja iniciou como um processo estritamente regulado saiu de controle quando outros corpos foram envolvidos". Arie, Sophie. "Historians Say Inquisition Wasn't That Bad". The Guardian, 16 Junho 2004.
  6. Kamen, Henry, The Spanish Inquisition: A Historical Revision. New Haven: Yale University Press, 1997, pág. 203.
  7. "Em 2002, 130 crianças de 14 anos ou menos morreram em acidentes de bicicleta. A taxa de dano mortal de bicicletas em crianças de 14 anos ou menos diminuiu 70% de 1987 para 2002". Facts About Injuries To Children Riding Bicycles. Safe Kids Worldwide.
  8. Julio de la Cueva, "Religious Persecution, Anticlerical Tradition and Revolution: On Atrocities against the Clergy during the Spanish Civil War", Journal of Contemporary History, 3 (1998): págs. 355-369.