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ATEÍSMO MILITANTE



Conheço muitos ateus. Gente da melhor qualidade e gente não tão boa assim, como em qualquer conjunto de indivíduos. Só recentemente, porém, passei a encontrar ateus militantes, engajados na tarefa de menosprezar e investir contra as crenças alheias. Ora, toda militância pressupõe o desejo de concretizar algum objetivo. O que pretende a militância ateia? 1º) Dar sumiço à ideia de Deus. Provocar e proclamar a falência total dos órgãos divinos, como fez o ensandecido Nietzsche. 2º) Eliminar as religiões para produzir uma humanidade nova, sob o senhorio do barro de que somos feitos.

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Outro dia, nosso talentoso Luiz Fernando Veríssimo escreveu uma crônica cujo eixo expositivo firmava-se na ideia de que Deus é uma hipótese. Fiquei a pensar. Se Deus é hipótese, mera conjetura, um olhar em volta de nós mesmos revelará, então, a indispensável existência de um nada (quase escrevo esse nada com "n" maiúsculo) criador de quanto vejo. E seremos levados a atribuir a esse insignificante nada um verdadeiro frenesi criador. Surgirá, então, quem afirme que esse nada deu origem a tudo em seis dias e que no sétimo descansou sobre uma almofada de nuvens. Outros, mais em conformidade com o cientificismo do século 21, sustentarão que esse poderosíssimo nada, no exato milissegundo do Big Bang, de um até então inexistente tempo, fez explodir pequena bolinha de coisa nenhuma e... pronto! - estava criado o Universo. Onde? Onde? No imenso e absoluto vazio no qual o nada preexistia. Bum!

É interessante constatar, portanto, que ambos, tanto os crentes em Deus quanto os ateus não prescindem, para suas convicções, de algum ato de fé. Ou em Deus, ou no nada. Os primeiros partem dessa fé para as respectivas opções religiosas. Elas levam à oração, ao encontro do sentido da vida, ao consolo dos aflitos, ao repouso da alma. No caso dos cristãos, ao conhecimento do amor de Deus, à encarnação de Jesus, ao Divino que irrompe docemente no humano e na História, aos sacramentos, à meditação, ao perdão, à misericórdia. Levam, também, aos tesouros guardados onde não os corroem as traças. E, ainda, ao amor ao próximo e ao inimigo, ao luminoso exemplo dos grandes santos, a um precioso conjunto de verdades, princípios e valores que, entre outras coisas, compõe o cerne do moderno constitucionalismo. O leitor acha que é muita coisa? Pois isso tudo é apenas uma "palhinha". Há mais livros escritos sobre essa pauta do que a respeito de qualquer outro assunto de interesse humano. 

A adesão vital ao hipotético nada, por sua vez, leva a coisa alguma. Ou por outra, leva o ser humano a deixar-se conduzir por um vórtice que se esgota em si mesmo. Organizado em militância, como vejo acontecer, compõe uma nova igreja, a igreja do non credo a que já me referi. Tal religião religa seus crentes a um hipotético nada onde não há perdão nem salvação. A fé no nada não mobiliza sequer um fio de cabelo. A esperança no nada é o próprio desespero. E tudo acaba sob sete palmos de terra. Se houver algum resíduo perceptível de espírito, algo assim como um ainda latejante fragmento de consciência, que disponham dele os vira-latas. Como é grande o prejuízo nessa escolha!

Cardeal Brandmüller: ateísmo é irracional

Afirma que o homem só encontra sua plenitude em Deus
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 26 de novembro de 2010 (ZENIT.org) – O cardeal Walter Brandmüller sublinha a irracionalidade do ateísmo e indica que só em Deus o ser humano pode encontrar a plenitude.

O antigo presidente do Comitê Pontifício para as Ciências Históricas, criado cardeal no sábado passado, afirma isso em um novo livro em italiano, "Ateismo? No grazie! Credere è ragionevole" [Ateísmo? Não, obrigado! Crer es racional, N. da T.], publicado pela Libreria Editrice Vaticana.

A obra apresenta uma entrevista feita ao prelado por Ingo Langner, jornalista, publicitário e diretor de cinema, sobre as questões mais debatidas: Deus existe? Fé ou ateísmo? Ciência ou religião? Deus: sim ou não?, entre outras.

A entrevista começa quando Langner pergunta, citando Richard Dawkins: “Por que continuar acreditando?”.
O cardeal Brandmüller responde: “A pergunta não é nova. Friedrich Nietzsche anuncia que Deus está morto e Yuri Gagarin, o primeiro russo a ir ao espaço, disse, em sua viagem de 12 de abril de 1962, que em nenhum lugar viu algo que se parecesse com Deus. Dawkins não reconhece Deus sequer como hipótese. Para ele, Deus é uma alucinação que só existe na mente da pessoa”.

“Na verdade, o objetivo dos ateus não é tanto Deus, mas a Igreja, o Papa e o Vaticano”, disse o prelado. Acrescentou que a Igreja foi atacada desde o começo da era cristã; o Papa, durante 2 mil anos; e o Vaticano, desde que existe.

O cardeal se dirigiu ao tema dos milagres, recordando o que aconteceu em Calanda, pequeno povoado próximo a Zaragoza (Espanha), onde havia um jovem chamado Miguel Pellicer, cuja perna foi amputada. Dois anos mais tarde e apesar da dificuldade para caminhar, o jovem empreendeu a viagem ao santuário mariano de Nossa Senhora do Pilar, em Zaragoza.

Chegando ao santuário, rezou intensamente a Maria, para que o ajudasse. Na noite daquele dia, algo incrível aconteceu. Quando ele acordou, na manhã seguinte, sua perna estava inteira, perfeitamente saudável.
Para explicar os milagres, o cardeal Brandmüller cita William Shakespeare, que disse aos seguidores do Iluminismo: “Existem mais coisas entre o céu e a terra do que vossa erudição escolástica pode imaginar”.
O prelado explicou que “o homem moderno quer chegar a si mesmo por meio da realização pessoal, mas não tem êxito ao separar-se de Deus; só tem êxito quando volta a Deus”.

“Para o homem moderno, isso representa o filho pródigo que volta ao pai, ou seja, a Deus. Somente então o homem se realiza: quando reconhece o que é e para que Deus o criou.”