Gabriel J. Wilson
Após longa e acidentada história, a estrutura artificial que vem eliminando as gloriosas tradições cristãs de 27 países europeus enfrenta dois perigos: desastre interno e maciça invasão islâmica.
Um conglomerado de 27 nações — algumas das quais entre as mais importantes da Terra, com uma população acima de 500 milhões de habitantes — acaba de obter o direito de pronunciar-se em uníssono no concerto das organizações internacionais. Em 3 de maio, a União Européia (UE) ganhou o direito de falar, perante as Nações Unidas, em nome de seus 27 países-membros.
Seu peso cultural, político, tecnológico, econômico e militar não pode ser ignorado. Sua ação sobre as almas vai desde o fato de a UE ser um relicário do que de melhor se produziu em matéria de civilização e cultura no mundo, até o eldorado do bem-estar tecnológico prometido pela modernidade. Uma análise dos rumos que esse bloco vai tomando e sua influência sobre todo o orbe torna-se assim imperativa.
A unidade européia: fundo de quadro para uma análise
A idéia de uma Europa unida não é novidade. Sobre vários povos hoje extintos que antes de Cristo habitaram esse mesmo território já se impusera a disciplina do Império Romano: da Inglaterra ao Mediterrâneo, das margens do Reno aos Bálcãs. Porém, as sucessivas invasões de bárbaros vindos do norte e do leste fizeram com que desse passado pouco restasse.
Graças ao trabalho civilizador empreendido nos primeiros tempos do Cristianismo por missionários cristãos, bispos santos e monges do Ocidente, a Europa começou a adquirir sua fisionomia atual. Basta recordar alguns nomes: São Patrício (389-461), evangelizador da Irlanda e ilhas britânicas; São Bento, fundador da Ordem beneditina (480-547); São Columbano (543-615) e São Bonifácio (680-754).
 Carlos Magno |
Mas quem propriamente deu unidade política à parte mais significativa da Europa foi Carlos Magno, cujo império e dependências estendiam-se pelos territórios correspondentes hoje à Alemanha, França, Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, Áustria, norte da Itália e partes da Eslováquia, Hungria, Croácia e Península ibérica até os rios Ebro e Douro.
A partir desse núcleo floresceu o que chamamos a Cristandade medieval, com toda a sua riqueza de instituições e regimes de governo: reinos, principados, senhorias, hospitais, universidades, cidades livres, repúblicas. Ela constituía um só todo, que transcendia os vários países cristãos sem os absorver. Nessa realidade viva a influência da Igreja e dos princípios cristãos deu origem a uma civilização que ainda em nossos dias podemos admirar nas suas obras primas, como as catedrais góticas, abadias, cidades e castelos. A Ordem beneditina de Cluny (séculos IX a XII) contribuiu notavelmente para sua formação.