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Carta do Cardeal Siri na Páscoa de 1972

CARTA DE S.E. CARDEAL ARCEBISPO
Arcebispado de Gênova

Cardeal Siri

Páscoa

Para os RR. Professores de Liturgia e Rubricas,
bem como aos professores de Canto de nossos Seminários
e também aos outros Superiores e Professores

OBJETIVO DESTA CARTA
Deve-se observar que no mundo criou-se uma onda coletiva de esvaziamento [do belo]. Às vezes falamos de simplificação, mas este termo não corresponde à realidade. Atingiu-nos, como geralmente ocorre nos movimentos humanos, com uma infiltração no senso comum. Esta onda de esvaziamento também atingiu os Seminários e já há jovens que julgam que os símbolos externos da Igreja em sua Liturgia são supérfluos, inúteis e enfadonhos. Este juízo em que estou fazendo minhas observações é certamente prejudicial para a vida espiritual daqueles que acolho e convivo, porque muitos criticam o que não está sob sua competência. 
Os atos de orgulho sempre são ruinosos para a reta maturação dos jovens.

Chegamos ao «fato», ou seja, a Igreja faz uso de variados elementos externos. O vento que sopra contra estes elementos, que pode ter justificação em poucas situações, é certamente um vento de protestantização, que fundamentam as mesmas razões que um dia apoiaram as nações e povos católicos quando abandonaram a primitiva Fé. Esta presente carta destina-se a estabelecer a verdade acerca dos «elementos externos e simbólicos» da Tradição Apostólica e Eclesiástica.

A RESPOSTA DO ANTIGO TESTAMENTO

Da antiga Aliança não sobreviveram certas regras rituais. Isto é bem conhecido. Sobrevive, porém, as regras e diretrizes «morais». Essas, como afirmou o Cristo no Sermão do Monte, permanecem intactas e por Ele concluídas. 
A solenidade do culto do Senhor, o respeito que deve ser demonstrado nos gestos e nas coisas, a distinção que é necessária para os ministros sagrados, não são simplesmente leis rituais, mas regras morais. Para provar-lhes: no Êxodo cap. XII e nos capítulos XXV-XXX; Levítico caps. VIII-IX; Números caps. VII-VIII e o discurso legislativo proferido por Moisés é relatado em Deuteronômio.
Tudo isso é reiterado e reforçado pelas revelações feitas por Deus a Davi e a seu filho Salomão, sobre o grande Templo de Jerusalém (II Sm VII; Reis III, 10 segs.; V, 15 segs. VI; VII, 13 segs.; VIII; IX, 1-9, etc.).
Não é difícil entender a íntima razão das disposições e consentimentos divinos favoráveis aos elementos externos: eles tiveram que «simbolizar», ou seja, foram usados às pessoas como verdades sacrossantas com a sujeição a Deus, com o respeito pelas coisas de Deus, etc. Todos servindo, além da razão prática imediata, como função de «sinal».

A RESPOSTA DO NOVO TESTAMENTO 
Cristo instituiu os sete sacramentos (Concílio de Trento., Dz. 1.601). Ora, os sacramentos são constituídos de «sinais» sensíveis. O Salvador quis que cada fato sobrenatural interno fosse notificado ao exterior pelos elementos sensíveis. Ele aceitou e aplicou tal princípio. Os três [Evangelhos] Sinóticos nos dão à instituição da Eucaristia e do Sacrifício Eucarístico (Concílio de Trento. Dz. 1751 segs), nos quais evidentemente ocorrem elementos externos, aplicando o princípio dito acima. 

O próprio Salvador enquanto pobre nunca rejeitou as honras externas que Lhe foram concedidas, principalmente na casa de seus amigos, antes disso, elogiou-os (Mt XXVI, 6 segs, Mc XIV, 3 segs, etc.). Para a instituição da Eucaristia quis um lugar confortável e espaçoso, bonito, todo coberto com tapetes e almofadas (Mc XIV, 15). Entregaram-lhe um túmulo novo e ilustre; foi circundado de prodigiosas maravilhas quando da primeira descida do Espírito Santo. Estes fenômenos duraram toda a era Apostólica. 
Também no Novo Testamento Deus deu um lugar de destaque à essência humana, «ou seja», para ajudar o homem material a ver as realidades sobrenaturais, invisíveis aos olhos humanos. 
O Evangelho não nos deixou realmente uma lei de «esvaziamento» e de «desnuda miséria».

A NECESSIDADE PERMANENTE E IMEDIATA DO «SINAL» 
Somos obrigados por disposição de natureza a atingir a realidade externa à nossa inteligência através dos sentidos, isto é, através das coisas matérias que, somente, se apreende pelos sentidos. Trata-se de um direito que não se derroga. 
A conseqüência é clara: tudo o que se quer atingir pelo intelecto (que significa, consciência, raciocínio, etc) deve ser expresso com elementos materiais. A palavra não é o meio primário.

Isto é: as coisas que não podem ser apreendidas imediatamente pela alma inteligente, de forma a manter em sua danosa escuridão, devem ser «entendidas» através de elementos sensíveis, materiais. Além de qualquer abstracionismo, velho e interdito, esta é a realidade com a qual aqueles que ainda pensam devem considerar.
A Igreja traz consigo grandes coisas, que são por si objetos da alma e de sua inteligência. Toda a realidade do Reino de Deus, todo seu tesouro (Mt. XIII), todo o fato da Encarnação e Redenção, por si só preferidos e pertencentes como elementos implementados nos acontecimentos humanos, assim como o passado mesmo que divinamente presente, o sacramento do Sacrifício, os sacramentais: eis o que se deve fazer presente aos sentidos primeiro que ao intelecto.

Ainda há mais. Há uma Hierarquia. Esta é, por vontade divina, necessária para a Igreja e a salvação da alma. Ela se constitui em Jurisdição e Ordem. Os poderes que o Salvador entregou a esta dupla Hierarquia são incompreensíveis. Para a Hierarquia de Jurisdição (Papa e Bispos) há um poder de magistério que é autêntico, isto é, feito em nome de Cristo e sob certas condições infalíveis: por isso a verdade está ligada à condição da realidade terrestre. Por isto o Magistério se faz audível, e seus valores e a sua comunhão com a ação divina não podem ser visíveis. Se a Hierarquia têm poder de jurisdição, logo pode legislar e estas são sanções de Deus (Mat. XVIII); pode, portanto criar a obrigação grave no íntimo da consciência. Pela capacidade de Ordem dispõe dos Sacramentos. Isto significa: transforma as almas e as enriquece da graça de Deus. Trata-se de ações Divinas.
A Hierarquia da Ordem, que, através de um serviço e não de uma direção, deve ser necessariamente mais numerosa, enquanto permanece reduzida em número de pessoas que dirigem, incluindo os Bispos, os Párocos, os Ministros Sagrados e os Diáconos. Os poderes dos diáconos ampliados no último Concílio não alcançaram as coisas substanciais e necessárias. É suficiente para os Padres invocar o único poder de consagrar o pão e o vinho.

Tudo o que procede da Hierarquia de Jurisdição e de Ordem em seu nível é divino e sobrenatural, ultrapassa a possibilidade humana e abstrata. Tudo isto sabemos pela Fé. Para os que não a possuem e estão excluídos, o discurso deve se ater em outros [pontos], mas com a mesma conclusão.
Tentemos refletir o que está por detrás de uma absolvição dada por meio de um sacerdote, ou antes, o que está por detrás de uma simples bênção. A Igreja carrega consigo o «tesouro escondido no campo» (Mt. XIII, 44) de qual falava Jesus. O que não faz tudo unicamente um modesto e simplista comentário externo. Eis a necessidade dos «sinais», que é tudo o que é capaz de tornar perceptível ao povo, por sua eterna salvação, os «tesouros escondidos no campo». A redução ou, pior, a abolição dos elementos expressivos externos, significa tolher o ORDINÁRIO, o HABITUAL, o INSUBSTITUÍVEL conhecimento das coisas que devemos manter vivas, penetrantes, expressivas, operantes através de determinações externas. Talvez fosse melhor dizer que [a redução/abolição] é a opção do Protestantismo. 
Cremos que ficou claro porque necessitas dos «sinais».

Aplica-se. A liturgia, o estado eclesiástico, as funções sacerdotais, os locais sagrados, precisam de «sinais» inconfundíveis, imediatos, sempre operantes, fáceis e de seguro entendimento.
Eis porque a Liturgia precisa de paramentos, de sinais, de objetos litúrgicos e tanto quanto impacte e torne presente o «mistério», assim como [precisa] da ação e da palavra e das coisas que são unidas harmonicamente no rito.
Eis porque o padre precisa de paramentos que os qualifique. «Ai do dia em que os padres estiverem irreconhecíveis!»
Eis porque os ofícios diversos necessitam de fatores externos que indiquem a realidade Jurídica e a Sobrenatural.
Na realidade, quando temos que significar as coisas divinas é «difícil exagerar». No entanto, assume-se que as coisas externas devam ter por critério significar o suficiente, sem chegar aos efeitos negativos da finalidade para a qual ele atua. Quando é certa a necessidade do sinal, entretanto se leva em conta a possibilidade de uma adequação às circunstâncias. E esta melhor adequação à circunstância atira a Santa Madre Igreja ao cume da fúria iconoclasta, anticristã, cheio de amargura contra tudo o que é transcendente, belo e solene.
Historicamente a Igreja ao construir-se como «SINAL EXTERNO» do tesouro que porta consigo, pode ter sido influenciada por situações externas à ela. Porém, isto explica o critério de uma maior simplicidade essencial, a qual é inspirada nos documentos dos últimos dez anos, e não autoriza a volta ao passado por conta da preguiça dos homens, que estão esgotados das várias experiências políticas e sociais.
A Igreja é outra coisa. Querer privá-la de seus «SINAIS ADEQUADOS» é querer negá-la. «Escutem a inteligência e o coração, não a paixão do instinto.» 

2 de Abril 1972

+ Giuseppe Card. Siri
Tradução por Paulo Sério Vieira.

Os passos da reforma litúrgica pós-conciliar - Os bastidores da reforma através dos escritos do Cardeal Antonelli

ARS | A VIDA SACERDOTAL

Já era vontade nossa retomar a série de postagens com traduções de documentos e textos do tempo das primeiras aplicações da reforma litúrgica iniciada logo após a Sacrosanctum Concilium.

Nossa última publicação foi da Audiência de Paulo VI de 17/03/1965, no dia 08 de janeiro deste ano. Há vários textos interessantes para serem postados, mas o tempo às vezes é exíguo para o trabalho da tradução.

Pois bem, estivemos em contato com a 30Giorni, uma publicação mensal internacional, antes sob a direção do sr. Giulio Andreotti, ex-primeiro ministro italiano recém falecido (requiescat in pace), para pedir permissão para tradução e publicação de um artigo de 1998 com vários trechos dos escritos do Cardeal Antonelli.

Este Cardeal, Ferdinando Giuseppe Antonelli, nascido em 1896, frade menor desde 1909, sacerdote desde 1922, ordenado bispo em 1966, criado cardeal em 1973 e falecido em 1993, foi membro da comissão de reforma litúrgica de Pio XII, foi secretário da Comissão Conciliar de Liturgia, assumiu o secretariado da Congregação dos Ritos em 1965 e foi membro doConsilium para aplicação da reforma. Portanto, conheceu de perto e, diríamos, de dentro, o grupo de pessoas responsáveis pelo conjunto ritual que hoje temos como Forma Ordinária do Rito Romano.

As anotações do purpurado nos oferecem uma visão não-romântica. Diria que nos mostram o lado fraco, bastante imperfeito e definitivamente não-atraente da reforma que nos legou a atual forma ordinária do Rito Romano. Esta realidade nos interpela...

Por conta do tamanho (5 páginas), o texto está disponível somente aqui, no Gloria.TV. A leitura é bastante recomendada.

As anotações do cardeal encontram-se compiladas na obra de Fr. Nicola Giampietro, "Il Card. Ferdinando Antonelli e gli sviluppi della riforma liturgica dal 1948 al 1970" (O Cardeal Ferdinando Antonelli e os desenvolvimentos da reforma litúrgica de 1948 a 1970), já traduzida para o espanhol e para o inglês.
O artigo original da 30Giorni é de Gianni Cardinale e encontra-se, em italiano, aqui.

Desabafo de um padre sobre missas

Padre Luís Fernando | A VIDA SACERDOTAL



Sou padre há quase 5 anos. Fui seminarista por 7 anos. Já estive em vários lugares Brasil afora, já celebrei em tantos outros e guardo no meu coração uma tristeza profunda. Quando eu era criança na roça e ia com minha família à missa uma vez por mês eu sabia que naquela hóstia tinha Jesus. Eu sentia o cheiro da vela queimando e aprendi a me perseguinar toda vez que passava diante de uma Igreja. Eu achava tudo meio estranho porque não entendia a missa, mas, sentava no primeiro banco e respondia a todas as perguntas que o padre fazia na hora do sermão. Daí eu cresci, fomos pra cidade e eu continuava inocente. Fui pro seminário e as escamas de meus olhos caíram. A missa pela qual eu sempre nutri o maior religioso respeito
virou palco
virou show
virou passeata
virou passarela
virou camarim de estrela
virou sambódromo
virou terreiro
virou tudo e suportou tudo
menos ser de fato, missa.

Já vi tanto desleixo... alfaias puídas, vasos sagrados zinabrados, hóstias consagradas carunchadas dentro do sacrário, um sacrário no meio de uma reforma de Igreja com hóstias consagradas dentro, consagração de vinho em tamanha quantidade que as sobras Eucarísticas precisaram de um exército de MESC para consumi-las porque o padre não poderia fazê-lo sem ficar bêbado e outros tantos abusos. Quando veio a Redemptionis Sacramentum e a Ecclesia de Eucharistia veio uma lufada de ar fresco e os rebeldes da Teologia da Libertação, da Rede Celebra e das CEB`s reagiram vorazmente. O site do mosteiro da Paz que hospedava uma carta de Reginaldo Velloso eivada de críticas às necessárias mudanças na liturgia e catalizadora desta mentalidade saiu do ar, mas, encontrei-a no site da Montfort disponível aqui.


Capitaneada pelo dualismo marxista de tipo maniqueísta, a reinterpretação que a missa sofreu nas décadas que sucederam o Concílio Vaticano II seguiu as pegadas da subjetividade humana. É odioso ouvir: "ah o jeito do outro padre é diferente". Isto denota uma personalização que a missa não comporta. A missa nunca foi a missa do padre, mas a missa da Igreja!


Esta mentalidade impregnou tanto a liturgia que quando um Padre quer celebrar a missa da Igreja, aquela do Missal Romano, é chamado de retrógrado. O respeito às normas litúrgicas são sinônimo de opressão. A missa pura e simples foi esvaziada para poder ser enchida pela ideologia da enxada, da faixa, do cartaz, da freira, do padre TL... a missa se transformou...
virou manifestação e protesto contra o Governo e o Sistema
contra a Igreja
contra os padres
contra a fé católica de sempre
contra a liturgia de sempre.
Enfiaram bananeiras, berrantes, espeto de churrasco, cuia de chimarrão, pão de queijo, cachaça, coco, faca e facão, pipoca, balões e ervas de cheiro na missa, enfiaram panos coloridos para todos os lados, colocaram mães de santo manuseando o turíbulo e leigos lendo preces seminus. Para essa CORJA a missa já deixou há muito tempo de ser o sacrifício redentor de Cristo PRO MULTIS e se tornou só mais uma mesa para comensais na qual vale o discurso e não a fé, na qual o que importa é o que o homem diz aos seus iguais e não o que Deus diz ao homem. Lembro-me de um professor contando todo garboso que certa feita utilizou-se de uma Adoração ao Santíssimo Sacramento para dar uma aula de teologia ao povo - aos seus moldes é claro - porque para ele aquela hóstia era pobre de significado.


Aquela hóstia pobre...
tão pobre quanto o cocho de Belém,
tão pobre quanto a cama em Nazaré,
tão pobre quanto a casa de Pedro em Cafarnaum,
tão pobre quanto a casa de Lázaro em Betânia,
tão pobre quanto o coração do Filho de Deus,
ela só pôde se tornar Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Cristo
porque Ele se fez pobre!
Sua pobreza não comporta reduções
tampouco acréscimos desnecessários.
Ele é aquele que é e nada mais,
mas, só para quem tem fé!


Aos meus irmãos padres um apelo: que nós diminuamos e que Ele apareça. Não somos o noivo, apenas amigos do noivo! Rezemos a missa da Igreja, a missa do Missal. Que Ele fale aos corações e às mentes, inclusive às nossas mentes e corações! Ele ele toque as vidas, inclusive as nossas. Que sua voz ecoe nas consciências, também nas nossas. Que toda a nossa Liturgia seja feita Por [causa de] Cristo, Com Cristo e em Cristo a [o] Pai na Unidade do Espírito Santo. Só isso. Se fizermos isso bem feito teremos feito tudo o que nos compete nesta vida.

Missal de 1947 para baixar

Via Alexandria Católica


Clique em Missal Quotidiano


Completo
Em Latim/Português
Com o Próprio do Brasil
Edição A
D. Beda Keckeisen O.S.B.
Missal de 1947


Prefácio da V Edição

  Numerosos e instantes foram os pedidos, nesses últimos anos, para uma nova edição, em latim e português. Se não pudemos atendê-los, até aqui, por motivos alheios a nossa vontade, tanto maior satisfação temos agora em fazê-lo, entregando aos fiéis, justamente no ano em que se completa o 1o. decênio de nosso Missal Quotidiano, completo, esta 5a. edição, nas duas línguas."
   Vencidas as muitas dificuldades que se nos apesentaram, temos íntima consolação em constatar o grande interesse dos católicos brasileiros, nesses dez anos, pelas nossas edições, sentindo ao mesmo tempo que não nos enganamos em contar com as bençãos de Deus para que tão belo apostolado, que é o de ensinar a amar, a louvar e agradecer "ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo", o que fazemos no Santo Sacrifício. Sentimo-nos assim compensados pelos sacrifícios dispendidos, por havermos contribuído, com parcela diminuta embora, para o ressurgimento da vida espiritual dos nossos irmãos em Cristo, fazendo-os participar mais intimamente dos frutos da Santa Missa.
   De edição para edição procuramos melhorar a tradução dos textos e as notas. Como mudança de maior vulto, há, além da inclusão da Missa dos sumos Pontífices (no comum dos Santos como no Próprio), a colocação do Ordinário da Missa, que se acha agora entre o Próprio do Tempo e dos Santos, visando facilitar o manuseio do Missal. Confiantes inda uma vez nas bençãos de Deus, para esta nova edição do Missal Quotidiano, temos a certeza de que ela será proveitosa a muitas almas,para que dos mananciais do verdadeiro espírito cristão, possam haurir com abundância a VIDA. Membros do Corpo Místico do Cristo viverão essa VIDA para a vitória do Reino de Cristo e a Paz no mundo.

D. Beda Keckeisen, O.S.B.
Bahia, 28 de novembro de 1945



Obs.: Agradeço a alma generosa que enviou este arquivo ao blog. Que Nossa Senhora o abençoe muito e sempre.

Hinos Católicos Populares

Enquanto algumas almas preferem a zombaria e o escárnio, outras preferem obrar para a glória de DEUS e a salvação das almas! Acabo de tomar ciência do excelente e humilde trabalho de Amadeu Caldeira Dutra Brandão:

Hinos Católicos Tradicionais da década de 1940, extraídos dos Hinários Harpa de Sião e Manual de Cânticos Sacros Cecília.

Acessem o site: http://hinoscatolicos.wix.com/tradicionais

Parabéns pelo humilde e valoroso trabalho, Amadeu! DEUS lhe pague!

Cardeal Burke: a Liturgia "não é invenção humana, mas um presente de Deus para nós"

Via Pe. Paulo Ricardo

Em entrevista exclusiva a Zenit, o Cardeal Burke fala da importância de estudar a liturgia, da sua relação com a causa pró-vida e dos abusos litúrgicos.
Os abusos litúrgicos que se seguiram às reformas do Concílio Vaticano II estão "estreitamente relacionados" com uma grande porção de corrupção moral que existe no mundo hoje, diz o cardeal Raymond Leo Burke.
Em uma entrevista exclusiva a Zenit nos bastidores de "Sacra Liturgia 2013", uma grande conferência internacional sobre liturgia ocorrida em Roma no final de junho, o norte-americano mais influente do Vaticano diz que liturgias pobres também levaram a "uma leviandade na catequese" que tem "impactado" e deixado gerações de católicos mal preparadas para lidar com os desafios de hoje.
Em uma ampla discussão, o Cardeal Burke, que é Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, também explica a importância da lei litúrgica, como o Papa Francisco aborda a liturgia e porque a sagrada liturgia é vital para a nova evangelização.
ZENIT: Eminência, quais eram suas esperanças para essa conferência?
Cardeal Burke: Minha esperança para a conferência era um retorno ao ensinamento do Concílio Ecumênico Vaticano II sobre a sagrada liturgia. Além disso, um aprofundamento e apreciação da continuidade do ensinamento praticado na sagrada liturgia durante a história da Igreja, e que também se reflete no Concílio Ecumênico Vaticano II – algo que foi obscurecido depois do Concílio. Eu acredito que, em grande parte, isso foi alcançado.
ZENIT: Nós estamos saindo desse período agora?
Cardeal Burke: Sim, já o Papa Paulo VI, depois do Concílio, de uma maneira bem intensa, e depois João Paulo II e Papa Bento XVI, trabalharam diligentemente para restaurar a verdadeira natureza da sagrada liturgia como o presente de adoração dado por nós a Deus e que nós prestamos a Deus da maneira que Ele nos ensina a adorar. Então, não é invenção humana, mas um presente de Deus para nós.
ZENIT: Como é importante um bom entendimento da liturgia na Igreja de hoje. Como isso pode ajudar a evangelização?
Cardeal Burke: Para mim, é fundamental. É a mais importante área da catequese: entender a adoração devida a Deus. Os três primeiros mandamentos do Decálogo têm a ver com o relacionamento correto com Deus, especialmente no que diz respeito à adoração. É só quando nós entendemos nossa relação com Deus na oferta da adoração que nós também entendemos a ordem correta de todos os outros relacionamentos que nós temos. Como o Papa Bento XVI disse em seu belo magistério sobre a sagrada liturgia, o qual ele expressou com tanta frequência, consiste nessa conexão entre adoração e conduta correta, a
doração e lei, adoração e disciplina.
ZENIT: Alguns argumentam que a liturgia tem mais a ver com estética, e não é tão importante quanto, vamos dizer, boas obras feitas com fé. Qual a sua visão desse argumento?
Cardeal Burke: É um erro de concepção comum. Primeiro, a liturgia tem a ver com Cristo. É Cristo vivo em Sua Igreja, Cristo glorioso vindo ao nosso meio e agindo em nós por meio dos sinais sacramentais, para nos dar o presente da vida eterna para nos salvarmos. É a fonte de qualquer obra verdadeiramente caridosa que realizamos, qualquer boa obra que fazemos. Então, a pessoa cujo coração é cheio de caridade e quer fazer boas obras vai, como Madre Teresa, oferecer seu primeiro propósito à adoração de Deus, a fim de que, quando ele for oferecer caridade para as pessoas pobres ou necessitadas, seja no nível de Deus, e não em um nível humano.
ZENIT: Alguns também dizem que estar preocupado com as normas litúrgicas é ser extremado legalista, que é um sufocamento do espírito. Como uma pessoa pode responder isso? Por que devemos nos preocupar com as normas litúrgicas?
Cardeal Burke: A lei litúrgica nos disciplina, a fim de que tenhamos a liberdade de adorar a Deus; de outro modo, somos sequestrados – nós somos as vítimas ou escravos ou das nossas ideias individuais, ideias relativas disto ou daquilo, ou da comunidade ou de qualquer outra coisa. Mas a lei litúrgica salvaguarda a objetividade da adoração divina e prepara esse espaço entre nós, essa liberdade de adorar a Deus como Ele quer, para que, então, estejamos certos de não estarmos adorando a nós mesmos ou, ao mesmo tempo, como diz Aquinate, falsificando de algum modo o culto divino.
ZENIT: Ela oferece uma espécie de modelo?
Cardeal Burke: Exatamente, é o que disciplina faz em todo aspecto de nossas vidas. A menos que sejamos disciplinados, então não somos livres.
ZENIT: Como um bispo diocesano nos Estados Unidos, qual o estado em que o senhor encontrou a liturgia nas paróquias das quais o senhor esteve encarregado de cuidar? Quais são, na sua visão, as prioridades para a renovação litúrgica na vida diocesana hoje?
Cardeal Burke: Eu encontrei, é claro, vários aspectos bonitos – em ambas as dioceses nas quais servi –, como um forte senso de participação da parte dos fiéis. O que eu também encontrei foram algumas sombras, como o Papa João Paulo II as chamava: a perda da fé na Eucaristia, a perda da devoção eucarística e certos abusos litúrgicos. E, como bispo diocesano, eu precisava enfrentá-los e eu fiz o melhor que pude. Mas, ao enfrentá-los, você sempre tenta ajudar tanto o padre quanto os fiéis a entenderem as razões profundas para a disciplina da Igreja, as razões pelas quais certo abuso não somente não ajuda no culto divino, como, de fato, o bloqueia e o corrompe.
ZENIT: É dito que amar a sagrada liturgia e ser pró-vida andam juntos, que aqueles que adoram corretamente são mais dados a querer trazer crianças para o mundo. Você poderia explicar por que é assim?
Cardeal Burke: É na sagrada liturgia, acima de tudo, e particularmente na Sagrada Eucaristia, que nós olhamos para o amor que Deus tem por cada vida humana sem exceção, sem limites, começando pelo primeiro momento da concepção, porque Cristo derramou sua vida, como ele disse, por todos os homens. E lembre-se que Ele nos ensina que tudo o que tivermos feito ao menor dos nossos irmãos, nós fazemos diretamente a Ele. Em outras palavras, Ele se identifica a si mesmo no sacrifício eucarístico com cada vida humana. Então, se por um lado, a Eucaristia inspira uma grande reverência, respeito e cuidado pela vida humana, ao mesmo tempo inspira uma alegria entre aqueles que são casados de procriar, de cooperar com Deus em trazer uma nova vida humana a este mundo.
ZENIT: "Sacra Liturgia" foi sobre celebração litúrgica, mas também formação. Qual a base de formação litúrgica que precisamos em nossas paróquias, dioceses e particularmente em nossos seminários?
Cardeal Burke: A primeira importante lição que precisa ser ensinada é a de que a sagrada liturgia é uma expressão do direito divino de receber de nós o culto que lhe é devido, e que emana de quem nós somos. Nós somos criaturas de Deus e, então, o culto divino, de um modo bem particular, expressa ao mesmo tempo a infinita majestade de Deus e também nossa dignidade como as únicas criaturas na terra capazes de prestar-lhe culto, de, em outras palavras, elevar a Ele nossas mentes e corações em louvor e adoração. Essa seria a primeira lição. Depois, estudar com atenção como os ritos litúrgicos se desenvolveram ao longo dos séculos e não ver a história da Igreja como uma espécie de corrupção daqueles ritos litúrgicos. Neste sentido, a Igreja, no decorrer do tempo, chegou a um entendimento cada vez mais profundo da sagrada liturgia e expressou isso de várias formas, através das vestes sagradas, dos vasos sagrados, da arquitetura sacra – até o cuidado com os paramentos utilizados na Santa Missa. Todas essas são expressões da realidade litúrgica e devem ser cuidadosamente estudadas, e, é claro, então, deve-se estudar a relação da liturgia com os outros aspectos das nossas vidas.
ZENIT: Você é conhecido por celebrar a Forma Extraordinária do Rito Romano. Por que o Papa Bento XVI tornou-a livremente disponível e que papel isso tem na Igreja do século XXI?
Cardeal Burke: O que o Papa Bento XVI viu e experimentou, também por aqueles que vinham a ele, e que estavam muito ligados ao que chamamos hoje de Forma Extraordinária – a Missa Tradicional – foi que, nas reformas introduzidas depois do Concílio, ocorreu uma incompreensão fundamental: nomeadamente, as reformas foram feitas com a ideia de que havia uma ruptura, de que o modo como a Missa era celebrada até o tempo do Concílio era, de alguma maneira, radicalmente defeituosa e que deveria haver uma mudança violenta, uma redução nos ritos litúrgicos e até na linguagem usada, em todos os aspectos. Então, a fim de restabelecer a continuidade, o Santo Padre deu ampla possibilidade para a celebração dos ritos sagrados tal como eram celebrados até 1962, e então expressou a esperança de que através destas duas formas do mesmo rito – é tudo o mesmo rito romano, pode ser diferente, mas é a mesma Missa, o mesmo Sacramento da Penitência e assim por diante – poderia haver um mútuo enriquecimento. E essa continuidade poderia ser mais perfeitamente expressa no que alguns chamaram de "reforma da reforma".
ZENIT: Papa Francisco é uma pessoa diferente de Bento XVI em vários aspectos, mas é difícil de acreditar que há diferenças substanciais entre eles na importância da sagrada liturgia. Existem algumas diferenças?
Cardeal Burke: Eu não vejo nada disso. O Santo Padre claramente não teve a oportunidade de ensinar com autoridade sobre a sagrada liturgia, mas nas coisas que ele disse sobre a sagrada liturgia eu vejo uma perfeita continuidade com o Papa Bento XVI e com sua disciplina, e é isso o que o Papa Francisco está fazendo.
ZENIT: Essa conferência está refletindo sobre os 50 anos desde a abertura do Concílio Vaticano II, e, há 50 anos, em dezembro, essa constituição sobre a sagrada liturgia foi promulgada. Você já mencionou como a renovação litúrgica não foi como o Concílio desejava, mas como você vê o progresso das coisas no futuro? O que você prevê, especialmente entre os jovens?
Cardeal Burke: Os jovens estão voltando atrás agora e estudando ambos os textos do Concílio Ecumênico Vaticano II com os seus sérios textos sobre teologia litúrgica que permanecem válidos ainda hoje. Eles estão estudando os ritos como eles eram celebrados, se esforçando para entender o significado e vários elementos do dito e há um grande entusiasmo e interesse nisso. Tudo isso, eu acredito, é direcionado a uma experiência mais intensa da presença de Deus conosco na sagrada liturgia. Esse elemento transcendente foi mais tristemente perdido quando a reforma após o Concílio foi, por assim dizer, enviesada e manipulada para outros propósitos – aquele senso de transcendência da ação de Cristo por meio dos sacramentos.
ZENIT: Isso reflete a perda do sagrado na sociedade como um todo?
Cardeal Burke: Reflete, de fato. Para mim, não há dúvidas de que os abusos na sagrada liturgia, a redução da sagrada liturgia a uma espécie de atividade humana, está estreitamente relacionada a muita corrupção moral e a uma leviandade na catequese que tem impactado e deixado gerações de católicos mal preparadas para lidar com os desafios do nosso tempo. Você pode ver isso em toda a gama da vida da Igreja.
ZENIT: O Papa Bento disse certa vez que as crises que vemos na sociedade hoje podem ser associadas aos problemas na liturgia.
Cardeal Burke: Sim, ele estava convencido disso e eu posso dizer que também estou. Era, é claro, mais importante que ele estivesse convencido disso, mas eu acredito que ele estava absolutamente correto.
Fonte: Zenit | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

Festa do Sagrado Coração de Jesus.

Fidelis est qui vocavit vos, qui etiam faciet 

“Fiel é aquele que vos chamou: ele também assim fará” (1 Thess. 5, 24).

Sumário. Os homens prometem facilmente, mas depois faltam muitas vezes à palavra, ou porque enganaram prometendo ou porque não a podem ou não a querem guardar. Não faz assim Jesus Cristo, que, sendo Deus todo poderoso, não pode enganar nem mudar. Quanto melhor é, pois, ter que tratar com este Coração divino do que com os homens! Ponhamos, porém, a mão na consciência: somos nós fiéis a Deus, assim como ele nos é fiel? Quantas vezes temos já prometido amá-Lo e depois o temos traído!
I. Oh! Quanto o belo Coração de Jesus é fiel para com aqueles que Ele chama a seu santo amor! Fiel é aquele que vos chamou: ele também assim fará. A fidelidade de Deus nos dá ânimo para esperar tudo, se bem que nada mereçamos. Depois de expulsarmos a Deus de nosso coração, basta que Lhe abramos a porta para Ele entrar logo segundo a promessa feita: Si quis aperuerit mihi ianuam, intrabo ad illum et coenabo cum illo (1) – “Se alguém me abrir a porta, entrarei em sua casa e ceiarei com ele. – Se desejamos graças, peçamo-las em nome de Jesus Cristo, visto que Ele nos prometeu que assim as obteremos: Se pedirdes alguma coisa a meu Pai em meu nome, Ele vo-la dará (2). Nas tentações, confiemos nos méritos de Jesus, e Ele não permitirá que os inimigos nos incomodem acima das nossas forças: Fidelis autem Deus est, qui non patietur vos tentari supra id quod potestis(3).
Oh, como é preferível tratar com Deus a tratar com os homens! Quantas vezes estes não prometem e depois faltam à palavra, quer porque enganam na promessa, quer porque depois da promessa mudam de opinião. Non est Deus quasi homo, ut mentiatur; nec ut filius hominis ut mutetur (4). Deus, assim diz o Espírito Santo, não pode ser infiel em suas promessas, porque não pode mentir, sendo a verdade mesma; nem pode mudar de opinião, porque tudo o que quer é justo e reto. Prometeu acolher todo aquele que a Ele se chega; dar auxílio ao que o pede, amar àquele que O ama, e depois não há de fazer? Dixit ergo, et non faciet?
Oxalá fôssemos nós tão fiéis a Deus, assim como Ele o é para conosco! No passado, quantas vezes não Lhe temos prometido sermos todos d'Ele, servi-Lo e amá-Lo; e depois nos tornamos traidores, e renunciando ao seu serviço, fizemo-nos escravos do demônio! Peçamos-Lhe que nos dê força para Lhe sermos fieis no futuro. – Felizes de nós, se formos fiéis a Jesus Cristo nas poucas coisas que Ele nos manda! Ele será fiel recompensando-nos copiosamente, e nos fará ouvir o que prometeu a seus servos fiéis: Euge, serve bone et fidelis! Quia super pauca fuisti fidelis, super multa te constituam; intra in gaudium domini tui (5) – “Eia, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, te investirei na posse do muito: entra no que é gozo de teu senhor.
II. Amadíssimo Redentor meu, oxalá que eu Vos tivesse sido fiel, como Vós o fostes comigo. Cada vez que Vos abri a porta do meu coração, nele entrastes para me perdoar e receber a vossa graça; cada vez que Vos invoquei, correstes em meu socorro. Vós fostes sempre fiel e eu Vos fui muitas vezes infiel: prometi servir-Vos e depois tantas vezes Vos virei as costas; prometi amar-Vos e depois mil vezes Vos recusei meu amor, como se Vós, meu Deus, meu Criador e meu Redentor, fosseis menos digno de ser amad, que as criaturas e as miseráveis satisfações pelas quais Vos abandonava. Perdoai-me, ó meu Jesus. Reconheço a minha ingratidão e a detesto. Reconheço que sois a bondade infinita, digna de um amor infinito, especialmente digna de ser amada por mim, a quem tanto tendes amado após tantas ofensas da minha parte.
Desgraçado de mim se me condenasse! As graças que me destes e as provas de amor que me prodigalizastes, seriam o inferno do meu inferno. Não seja assim, ó meu amor; não permitais que Vos abandone de novo, e que, por um justo castigo, seja precipitado no inferno para continuar a pagar com ódio e injúrias vosso amor para comigo. Ó Coração terno e fiel de Jesus, inflamai meu pobre coração, para que se abrase de amor para convosco, como Vós para comigo.Parece que de presente Vos amo, ó meu Jesus, mas amo-Vos muito pouco; dai-me que Vos ame muito e Vos seja fiel até à morte. É esta a graça que Vos peço, bem como a graça de a pedir sempre. Deixai-me morrer antes que venha novamente a trair-Vos.
“Fazei, Senhor Jesus Cristo, que nos vistamos das virtudes e nos inflamemos com os afetos de vosso Santíssimo Coração, para que mereçamos ser conformes à imagem da vossa bondade e participar do fruto da redenção.” (6) Fazei-o pelo amor de vossa e minha amada Mãe, Maria. (II 421.)
______________
1. Apoc. 3, 20.
2. Io. 14, 13.
3. 1 Cor. 10, 13.
4. Num. 23, 19.
5. Matth. 25, 23.
6. Or. Festi.
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 173-175.)

Papa Francisco: "A Missa Antiga é intocável!"


Papa Francisco na Missa do Crisma de 2013.
É isso mesmo, leitor, segundo a notícia do site italiano Il Foglio, estas são as palavras do Papa Francisco.

Segue a matéria em italiano até que alguém possa traduzi-la para nós:


Francesco e il latino
La messa antica non si tocca, il Papa gesuita spiazza ancora tutti
I vescovi pugliesi chiedono il ritiro del motu proprio di Ratzinger. Bergoglio dice no, servono cose nuove e antiche
Chi pensava che con l’arrivo al Soglio di Pietro del gesuita sudamericano Jorge Mario Bergoglio la messa in latino nella sua forma extra-ordinaria fosse archiviata per sempre, aveva fatto male i conti. Il motu proprio ratzingeriano del 2007, il Summorum Pontificum, non si tocca, e il messale del 1962 di Giovanni XXIII (che poi è l’ultima versione di quello tridentino del Papa santo Pio V) è salvo. Quel rito con il celebrante rivolto verso Dio e non verso il popolo, con le balaustre a separare i banchi per i fedeli dal presbiterio, non è un’anticaglia, detrito da spedire in qualche museo a impolverarsi. E’ stato proprio il Pontefice regnante a dirlo, ricevendo qualche giorno fa nel Palazzo apostolico la delegazione dei vescovi pugliesi giunti a Roma in visita ad limina apostolorum, come fa tutto l’episcopato mondiale ogni cinque anni.
Come ha scritto sul suo blog il vaticanista Sandro Magister, i vescovi pugliesi sono stati i più loquaci, con clero e giornalisti. La scorsa settimana, il capo della diocesi di Molfetta, Luigi Martella, ha raccontato come Francesco sia pronto a firmare entro l’anno l’enciclica sulla fede che Benedetto XVI starebbe portando a termine nella tranquillità del monastero Mater Ecclesiae, aggiungendo addirittura che Bergoglio ha già pensato alla sua seconda lettera pastorale, dedicata alla povertà e intitolata “Beati pauperes”. Dichiarazioni che hanno costretto la Santa Sede a smentire, rettificare e chiarire, con padre Federico Lombardi che invitava a pensare “a un’enciclica per volta”. Poi è toccato al vescovo di Conversano e Monopoli, Domenico Padovano, che al clero della sua diocesi ha raccontato come la priorità dei vescovi della regione del Tavoliere sia stata quella di spiegare al Papa che la messa in rito antico sta creando grandi divisioni all’interno della chiesa. Messaggio sottinteso: il Summorum Pontificum va cancellato, o quanto meno fortemente limitato. Ma Francesco ha detto no.
E’ sempre monsignor Padovano a dirlo, spiegando che Francesco ha risposto loro di vigilare sugli estremismi di certi gruppi tradizionalisti, ma suggerendo altresì di far tesoro della tradizione e di creare i presupposti perché questa possa convivere con l’innovazione. A tal proposito, come scrive Magister, Bergoglio avrebbe pure raccontato le pressioni subite dopo l’elezione per avvicendare il Maestro delle cerimonie liturgiche, quel Guido Marini dipinto al Papa come un tradizionalista che andava rimandato a Genova, la città che nel 2007 lasciò a malincuore obbedendo alla volontà di Benedetto XVI che lo volle a Roma. Anche in questo caso, però, Francesco ha opposto il suo rifiuto a ogni cambiamento nell’ufficio delle cerimonie. E lo ha fatto “per fare tesoro della sua preparazione tradizionale”, consentendo al mite e poco protagonista Marini di “avvantaggiarsi della mia formazione più emancipata”.
La differenza culturale c’è tutta, il gesuita che per tradizione ignaziana “nec rubricat nec cantat” si trova improvvisamente catapultato in una realtà in cui negli ultimi otto anni erano stati pazientemente e lentamente recuperati elementi liturgici abbandonati negli ultimi trenta-quarant’anni, giustificando così chi vedeva nel Concilio una rottura anche in campo liturgico. Il filo conduttore delle cerimonie benedettiane era riassumibile nella sintesi tra solennità e compostezza: il ritorno sull’altare dei sette alti candelabri e della croce centrale e gli avvisi a non applaudire ne sono un esempio. E poi il latino, lingua della chiesa, che veniva usato per le celebrazioni non più solo a Roma ma in ogni angolo del pianeta, Africa compresa. Non pochi, guardando il volto serio di Marini quella sera di marzo mentre Bergoglio appariva per la prima volta alla Loggia delle Benedizioni con la semplice talare bianca, senza mozzetta né stola, avevano previsto un avvicendamento imminente. Invece Francesco sa che Roma non è Buenos Aires, che fare il Papa richiede anche di mantenere un apparato simbolico ancorato nella storia e nella tradizione millenaria della chiesa cattolica.
La continuità che non piace a tutti
Un recupero, quello avvenuto negli anni di Benedetto XVI, che a molti non è piaciuto, anche dentro le Mura leonine. Monsignor Sergio Pagano, prefetto dell’Archivio segreto vaticano, diceva lo scorso 7 maggio a margine della presentazione della costituzione d’indizione del Concilio “Humanae salutis” che “quando oggi vedo in certi altari delle basiliche quei sette candelabri bronzei che sovrastano la croce mi viene da pensare che ancora poco è stato capito della costituzione sulla liturgia Sacrosanctum Concilium”. Ecco perché qualcuno, come il vescovo di Cerignola-Ascoli Satriano, monsignor Felice Di Molfetta – che da sempre considera la messa in forma extra-ordinaria incompatibile con il messale di Paolo VI, espressione ordinaria della lex orandi della chiesa cattolica di rito latino – qualche giorno fa ha fatto sapere ai fedeli della sua diocesi di essersi vivamente rallegrato con Francesco “per lo stile celebrativo che ha assunto, ispirato alla nobile semplicità sancita dal Concilio”.
© - FOGLIO QUOTIDIANO
di Matteo Matzuzzi@matteomatzuzzi

Homem recusa (novamente) a comunhão na mão em Missa Papal

Via Rorate Caeli

Continuo esperando por uma das "missas-dos-balões" do Papa Francisco. Mas, ao contrário, continuo vendo missas com muito Latim e somente pessoas ajoelhadas recebendo a Sagrada Comunhão do Santo Padre.

Vejam em 1 hora 57min 39 seg. Pode-se ver mais uma vez - como na última semana - alguém sendo lembrado para receber a Sagrada Comunhão na língua ... [Nota Rorate: ainda mais forte, ele foi negado na mão, e não apenas lembrados, um bom sinal]

Para ter certeza, há padres "agradáveis ao público" ', por exemplo @ 1 hora 57min 08sec, que distribuem a Sagrada Comunhão de qualquer forma, mas está claro que existe uma diretiva para se distribuir na língua, que certos padres tomam para si a iniciativa de contrariar...

O esplendor da única Esposa do Cordeiro Imolado

Por Igor R. da Costa

Mais do que a emoção – já que essa não vale nada –, faz chorar pela Fé.

Tempos em que se cantava não com a goela, mas com coração e, sobretudo, com a alma […].

Ad Majorem Dei Gloriam! E à glória da Igreja que, Ela mesma, merece, por ser a Esposa de Cristo.

Recomendo, sincera e vivamente, que, assistam ao todo, para contemplarem a glória de "outrora", de outrora, entre aspas, porque é a glória que a Igreja merece e que há de voltar!

Já de antemão, vou-lhes dizendo aquilo que me é mais emocionante e mais me faz chorar de alegria ao ver, mas também de aperto no coração, todavia, de esperança por voltar a ver no atual Pontificado de Sua Santidade, o gloriosamente reinante, Vigário de Cristo, Sucessor de Pedro, Sancte Pater Benedictus PP. XVI:

- Tu Es Petrus

- Gloria

- Alleluia do coro grego, mas em especial, o:

- Alleluia solene, antes do Santo Evangelho, esse sim faz arrepiar e chorar dada a beleza, de tão '”divino” que chega a ser, o primeiro é meio “eremita”, introspectivo.

- Credo (note-se o belo comentário do narrador, não se tecem mais comentários assim…)

- Oremus Pro Pontificem (eu tenho uma cisma de que Paulo VI tirou Bartolucci da Capella Sistina por isso... é meio estranha a explicação, um dia quem sabe eu diga...), cuja parte que o coro sobressai contra o chamado do Sumo Pontífice é a mais bela!

- Prefácio, sim, até o fim, por lembrar da grandeza da glória e da majestade de Deus, com o:

- Sanctus, que inclui a Consagração, até hoje baixo a cabeça durante a Elevação.

- Corona Aurea Super Caput Eius, na Loggia, belíssimo, outro de fazer chorar. Nossa Mãe! Agora percebi o tamanho da Mitra do Cardeal Diácono, à destra de Sua Santidade.

Papal Coronation - Coronación del Papa Juan XXIII (1)


"Tu Es Petrus", na Capela do Santíssimo Sacramento: 22:20 ~ 26:11

"Tu Es Petrus", no Altar da Confissão, após o último "Pater sancte, sic transit gloria mundi": 49:40 ~ 51:22

"Introito": 52:20

"Kyrie Eleison", de Palestrina, Missae Papae Marceli: 1:00:30 ~ 1:07:15

"Gloria": 1:07:25 ~ 1:12:56

"Alleluia" do coro do colégio grego: 1:28:30 ~ 1:30:10

"Alleluia" do Evangelho: 1:33:35 ~ 1:37:10

”’Pós-Evangelho’ em grego”: 1:43:40 ~1:44:22

"Credo": 1:45:30 ~ 1:54:40

”Tu Es Petrus”, usado, recentemente, por S. S. Bento XVI, recordem-se: 1:58:00 ~ fim do vídeo (cut)

Papal Coronation - Coronación del Papa Juan XXIII (2)


"Oremus Pro Pontificem": 3:50 ~ 7:00

”Sanctus”: 9:49 ~ 18:04

”Agnus Dei”: 20:40 ~ 26:40

“Communio”: 27:18 ~ 29:35

”Ite Missa Est”: 36:00 ~ 37:00

”Corona Aurea Super Caput Eius”, Moteto de Palestrina: 49:00 ~ 52:55.

Ah! E antes do Mons. Frisina, tem a Santa Missa no Santo Domingo de Páscoa, em 1939 (ou 1939? ou1941?), na Basílica de Nossa Senhora das Dores, em Chicago.


Peço que também Lha assistam por inteiro.

Aquilo que mais me instrospecta, perfurando “l’anima mia”:

Processio

Introito – Ressurexit

Kyrie Eleison, sem palavras para descrever.

Gloria

Sequentia – Victimae Paschalis Laudes, belíssimo, igualmente sem palavras

Alleluia

Credo, em especial ao chegar no “Et Unam Sancta Catholicam et Apostolicam Ecclesiam”, muito me faz emocionar-me, lembra-me da potência, da majestade –, e pelo tom –, sobretudo, da missão da Igreja no mundo: dentre outras tantas lembranças da Igreja que muito me fazem chorar. Daqui não tenho mais palavra alguma para expressar o que sinto, não tenho como revelar o que sinto ao coração por palavras: naquele Dia, vereis.

Regina Caeli, no Offertorium.

Prefácio, sempre tem de ter ele…

Sanctus, esse é magnífico, um próximo dele só aquele da Missa “in B minor”, de Bach, o link do download é esse: http://maisumadofalsario.blogspot.com/2007/05/1952-js-bach-missa-em-si-menor.html

Benedictus, como esse, só o da Missa de Requiem “in D minor”, de Mozart que, mesmo assim, não chega nem aos pés, por assim dizer.

Agnus Dei. Ah! E que se preste atenção como até o ósculoda paz expressa a hierarquia da Igreja, é a Paz do Cristo Ressurreto que emana d’Aquele que Tira o pecado do mundo.

Confiteor, belíssimo e, diferente do que estamos habituados a ouvir: eu particularmente gosto mais desse tom do que o do que ouvimos hoje…

”Finem”, não sei o nome (ainda…), mas é belíssimo, tem início quando o Padre põe-se a ler o Último Evangelho, especialmente quando aproxima-se do fim e aparece a imagem do Calvário, esplêndido!

Eis as partes mais belas:

”Processio”: 5:08 ~ 6:25

”Ressurexit”: 12:10 ~ 16:10

”Kyrie Eleison”: 16:10 ~ 19:45

”Gloria”: 19:45 ~ 25:30

”Victimae Paschalis Laudes et Alleluia”: 29:45 ~ 33:10

”Credo”: 36:45 ~ 47:45

”Regina Caeli, in Offertorium”: 49:20 ~ 53:10

”Sanctus”: 55:45 ~ 57:30

”Benedictus”: 58:45 ~ 1:01:10

”Agnus Dei”: 1:03:45 ~ 1:06:45

”Confiteor”: 1:07:35 ~ 1:08:40

”Pascha Nostrum”: 1:09:20 ~ 1:10:47

”Panis Angelicus”: 1:10:47 ~ 1:13:00

”Ab ‘Ite Missa Est’ ad finem”: 1:15:20 ~ finem.

“Benedicamus Domino. Alleluia!”

Da crença batista à Missa na Forma Extraordinária - a história do Pe. Christopher Smith

Tradução e notas por Luís Augusto - membro da ARS
Pe. Christopher na Quinta-feira Santa de 2012
Por que estou tão enraizado na Forma Extraordinária da Missa? (1)
Por Pe. Christopher Smith, 
Pároco da Paróquia Prince of Peace, em Taylors, Carolina do Sul, 
da Diocese de Charleston, Estados Unidos da América.
Eu estava tendo uma deliciosa refeição recentemente com um bispo a quem amo e respeito como um pai, e que tem sido extraordinariamente bondoso para comigo. Minha política pessoal de nunca mencionar a forma extraordinária da Missa à mesa de jantar foi contornada por um de meus irmãos padres, a quem estimo como amigo e colega. "Então, sr. bispo, o que o senhor pensa da Missa Tridentina?" O suor começou a se formar na minha testa enquanto meu estômago se agitou, e o antes deleitável filé mignon, em meu prato, imediatamente me deu repulsa. "De novo não", eu disse para mim mesmo, começando a abafar o que eu sabia que seria um dilúvio de palavreado contra o Missal de Pio V/João XXIII, rezando de cabeça as Orações ao pé do Altar.
É uma cena que ocorreu comigo várias vezes, e que é muito familiar a padres jovens por todo o mundo. De uma hora para a outra, eu já não era só mais um padre no meio dos outros. Eu era um homem marcado. Eu cometi o pecado não tão original de ser um "daqueles padres", do tipo que celebrava a Forma Extraordinária do Rito Romano. Eu era um enigma para vários amigos que eu fiz nas comunidades que gozam exclusivamente dos livros litúrgicos pré-conciliares, que não conseguiam compreender como eu podia acordar toda manhã e rezar o desagradável Novus Ordo, ou Nervosa Desordem (2). E eu era um mistério para meus irmãos padres e até para alguns de meus paroquianos que não conseguiam enquadrar o homem que eles conheciam como seu amigo, que parecia tão jovial, divertido e mente-aberta, com uma liturgia que era caricaturada por muitos como o carro-chefe dos que se acham a última coca-cola do deserto, dos machucadinhos, dos integristas, dos inflexíveis (3).