O progressismo - do Cardeal Giuseppe Siri (I)

in «Rivista Diocesana Genovese», janeiro de 1975, pp. 22-36

Vivemos na época das “palavras”. Para vencer batalhas civis (e não somente estas) cunham-se palavras e ditos icásticos, resumidos (slogans). Para vencer homens se emprega qualquer termo ou classificação que as circunstâncias sugerem ser aptos ao escopo de destruir. Para anestesiar cidadãos e fiéis cunham-se palavras. Aquilo que surpreende é o fato de os homens, em vez de se deixarem abater por autênticas espadas, se deixam abater tão somente por palavras. Por isso os termos, os slogans, as classificações da moda devem ser avaliadas, entendidas, eventualmente desmascaradas. Começo, portanto, a publicar notas esclarecedoras. Espero que o nosso clero as queira ler bem, para evitar uma sorte inglória. Comecemos pelo termo mais em voga, usado como um divisor ou como uma proteção para o próprio agente: “progressismo”. De tantas pessoas se diz que são ou não são “progressistas”. Vejamos claramente e, se tivermos de restituir um termo à exata função, não coagida, como é sereno e doce o nosso italiano falado, não é necessário recusar tal mérito.

Elenquemos, portanto, os casos mais frequentes nos quais se usa o termo “progressista”. Ofereçamos um espelho para que cada um nele se mire.

1. Ser independentes da lógica teológica
Muitas vezes o “progressismo” significa isto, ou ainda mais, quando se atribui a si uma tal independência, há quem se glorie de ser “progressista”. Vejamos pois o que quer significar. Conclusões para depois. O que é este “desinteresse total pela lógica teológica”?
Lógica teológica é o conjunto das normas pelas quais, sendo aplicadas, se pode embasadamente chegar a afirmar como revelada, ou também como simplesmente certa, uma proposição.
Estas normas, que constituem a lógica teológica, na realidade se reduzem (falamos, note-se bem, da “lógica”, não da Revelação) a um princípio: o magistério infalível da Igreja. De fato é ao magistério infalível da Igreja, seja solene, seja ordinário, que é confiada a interpretação certa e autêntica tanto da Escritura quanto da divina tradição. E é lógico. De fato, se Deus tivesse entregado aos homens uma quantidade de rolos escritos ou de fitas magnéticas para fazer ouvir a palavra viva e se tivesse parado aí, a um certo ponto nada teria funcionado, se encontraria um modo de fazer com que a Palavra divina diga tudo o que se quer, o contrário daquilo que se quer, o contraditório daquilo que se quer e não se quer, infinitamente. A verdade salvífica não teria podido funcionar entre os homens. As provas? Nós as temos diante dos olhos e apelamos somente para duas.

A primeira é que com uma natureza imensamente nítida, a história humana teve continuamente filosofias turvas, o contrário, o contraditório desse. A demonstração do que o homem sabe fazer com o seu pensamento, entregue a si mesmo e aos estímulos do próprio eu ou das próprias trevas, nos dá a história da filosofia e, ainda melhor, a filosofia da história da filosofia.

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