Missa Tridentina em Franca com assistência do Bispo

Algumas fotos da solene Missa Tridentina rezada pelo Pe. Michel na Catedral de Franca, por ocasião do aniversário de sua ordenação sacerdotal. Que Deus o abençoe!


ALTAR DA CATEDRAL DE FRANCA


ENTRADA DOS ACÓLITOS


ENTRADA PE. MICHEL



PRESENÇA DE DOM PEDRO LUIZ, BISPO DE FRANCA


FIÉIS


MOMENTO DA CONSAGRAÇÃO


CONSAGRAÇÃO DO VINHO


COMUNHÃO

Bento XVI: Jesus “ocupou o último lugar no mundo” por nós

Recorda importância da humildade, durante a oração do Ângelus

CASTEL GANDOLFO, domingo, 29 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - O Papa Bento XVI quis dedicar sua habitual introdução à oração do Ângelus - com os peregrinos reunidos no interior do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo - à virtude da humildade.
Refletindo sobre a passagem do Evangelho do dia, sobre os convidados a um casamento que buscavam os primeiros lugares, o Papa afirmou aos presentes que é Jesus quem "ocupou o último lugar" por cada um de nós.

Quando Jesus aconselha a buscar os últimos lugares, explicou o Pontífice, "não pretende dar uma lição sobre etiqueta nem sobre a hierarquia entre as diferentes autoridades", mas insiste "em um ponto decisivo, que é o da humildade".

"Esta parábola, em um significado mais profundo, faz pensar também na posição do homem em relação a Deus - acrescentou o Papa. O ‘último lugar' pode representar, de fato, a condição da humanidade degradada pelo pecado"; por isso, o próprio Cristo "ocupou o último lugar no mundo - a cruz - e, precisamente com esta humildade radical, nos redimiu e ajuda sem cessar".

No final da parábola, prossegue o Papa, "Jesus sugere ao chefe dos fariseus que convide à sua mesa não seus amigos, parentes ou vizinhos ricos, mas as pessoas mais pobres e marginalizadas, que não têm como devolver o favor".

"Mais uma vez, portanto, vemos Cristo como modelo de humildade e gratuidade: d'Ele aprendemos a paciência nas tentações, a mansidão nas ofensas, a obediência a Deus na dor, a espera de que Aquele que nos convidou dos diga: ‘Amigo, vem mais para cima'."

Neste sentido, quis recordar o exemplo de São Luís, rei da França, cuja memória foi celebrada no dia 25 de agosto.

Este rei, afirmou, "pôs em prática o que está escrito no livro do Eclesiástico: ‘Na medida em que fores grande, humilha-te em tudo e assim encontrarás graça diante de Deus' (3, 20)".

Por que o ente e não a esquizofrenia?

Sidney Silveira 

De acordo com Santo Tomás, o primo cognitum é o ente enquanto oposto ao nada, quer dizer: simplesmente algo que é, embora não se saiba neste primeiro momento como e por que é. Em resumo, o ato pelo qual se inicia em nós o conhecimento é a percepção do ente extramental — situado, como o próprio termo indica, fora da nossa mente, pois não depende dela para ser o que é. Daí dizer o tomista Garrigou-Lagrange, em seu livro Le réalisme du principe de finalité, que a inteligência marcha do conhecido ao desconhecido, e o primeiro conhecido é, repitamos, o ente oposto ao nada, em meio ao qual estamos desde sempre.

Noutras palavras, podemos dizer o seguinte: seja qual for a realidade com a qual deparemos, ela não pode achar-se fora do ente. Se a inteligência contempla algo, trata-se sempre de algo que é, e por esta razão o realismo gnosiológico aristotélico-tomista não cansa de repetir que, assim como o objeto formal próprio da vista é a cor, e o do ouvido é o som, etc., o da inteligência é o ente. Mas que ente é esse primeiramente apreendido? Resposta: o das coisas sensíveis, ou, em termos técnicos, a essência das coisas materiais (quidditas rei materialis). O caminho natural da inteligência vai, pois, do sensível ao inteligível. Aristóteles já o sabia.

Diferentes foram as tentativas, a partir da modernidade, de estabelecer um tipo de conhecimento intuitivo, ou seja, uma clara visão direta dos inteligíveis — intento que tem a sua primeira formulação, recheada de premissas teológicas, em Duns Scot. Ocorre que, por mais sofisticadas que sejam essas tentativas, elas esbarram sempre numa brutal agressão às evidências e ao senso comum. Cabe ao metafísico espanar a poeira dos sofismas e apontar os erros. Houve também tentativas de pôr o sensível e o inteligível num mesmo plano, como se sempre sentíssemos inteligindo (é o caso da pressuposição do filósofo basco Xavier Zubiri de que a inteligência é radicalmente sentinte*), mas esta é uma idéia que mereceria outro texto.

O fato é que as conseqüências da má-gnosiologia são sempre terríveis. Espinosa, por exemplo, ao pressupor que o ente é não apenas unívoco, mas também único (é a tese famosa da substância única), acreditava possuir naturalmente uma intuição direta do ente divino — e ver Deus em tudo. Para ele, a multiplicidade das substâncias é enganosa, e o ente divino seria o primeiro objeto conhecido por nossa inteligência; por meio dele, tudo ganharia inteligibilidade. É o chamado ontologismo panteísta: Deus está em tudo não virtualmente, mas essencialmente, como se fora parte integrante das coisas. Ah, se Espinosa tivesse lido a questão 3 da primeira parte da Suma Teológica (Utrum Deus in compositionem aliorum veniat) em que o Aquinate mostra ser impossível Deus entrar em composição com os entes, ou ser de algum deles o princípio formal ou material!!** Enfim, qualquer estudioso da obra de Santo Tomás que tenha lido a Ética de Espinosa deparou, logo nas primeiras páginas, com agressões deste tipo ao bom senso. A experiência sensível (da qual parte o conhecimento) totalmente ignorada ou desprezada, e as evidências deixadas de lado em favor de hipóteses fantasiosas.

Depois de esmiuçar os conceitos-chave da metafísica, uma das principais tarefas do realismo filosófico é estabelecer um princípio gnosiológico que não parta de uma quimera. Já citamos no Contra Impugnantes vários e polifacéticos devaneios transformados em teorias do conhecimento: Kant, Hume, Husserl, Heidegger, Descartes, Bergson, agora Spinoza, etc. Todos eles parecem ignorar este que é um princípio fundamental: Ens est transcendens. A absoluta transcendentalidade do ente — o primeiro dos sete universais — garante não apenas a base para a analogia entis, mas também traz consigo, implícita, a distinção entre ser potencial e ser real. Sem ela, o mundo deixa de ser um conjunto de coisas reais e vira uma simples idéia.

O possível lógico, que para Santo Tomás era o “possível equívoco” (aequivoce possibile), sem a consideração da transcendentalidade do ente acaba por engendrar aberrações. Definamos os termos: possível lógico é aquilo que não possui nenhuma contradição lógica interna e pode pensar-se como verdadeiro. Há, por exemplo, uma possibilidade matematicamente mensurável de que alguém de costas para um muro atire trezentas pedrinhas de cinco milímetros para trás e elas se encaixem exatamente em trezentos buracos de dez milímetros no muro. Ocorre que, além dessa possibilidade lógica — mero ente de razão —, deve haver uma possibilidade ontológica sem a qual o possível lógico torna-se suposição infantil. Ora, como o acaso não pode ser o princípio das coisas que se ordenam a um fim, pois se o acaso tivesse uma finalidade não seria ocasional, estamos neste exemplo das pedrinhas naquilo que o filósofo e teólogo Jaime Balmes chamava de impossibilidade de senso comum: o meramente possível (possibilidade logarítmica) pode até ter uma função instrumental num teorema filosófico, mas não pode ser o esteio, a premissa fundamental; esta há-de ser uma evidência. O contrário implica construir sobre areia movediça.

E é sobre possíveis lógicos (analogamente assim chamados, para o caso de que se trata) que boa parte da filosofia pós-escolástica se apóia. Porque, parafraseando Heidegger, ela esqueceu-se do ente. A propósito, à pergunta de Heidegger “por que há o Ente e não o Nada?”, que já denota um abandono da metafísica clássica, poderíamos jocosamente responder: porque uma inteligência sem entes reais, extra mentis, é esquizofrenia pura. Coisa de louco.

* Outra questão importante é “Sobre a existência de Deus nas coisas” (De existentia Dei in rebus, I, q. VIII), onde Santo Tomás mostra que Deus está nas coisas, sim, mas não como parte da essência delas. Ele está nelas virtualmente, ou seja: assim como o agente está naquilo que faz.
** Prefiro o particípio “sentinte” ao neologismo “sensiente”, adotado por alguns estudiosos.

Catequese do Papa: Santo Agostinho, a busca da Verdade e o silêncio

Intervenção na audiência geral desta quarta-feira

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 25 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos o discurso de Bento XVI na audiência geral desta quarta-feira, no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo, em que, na presença dos peregrinos, o Papa falou sobre Santo Agostinho, a busca da Verdade e a importância do silêncio.

* * *


Caríssimos irmãos e irmãs,

na vida de cada um de nós existem pessoas muito queridas, que sentimos particularmente próximas, algumas já estão nos braços de Deus, outras ainda partilham conosco o caminho da vida: são os nossos pais, os parentes, os educadores, as pessoas a quem fizemos bem ou de quem recebemos o bem; são pessoas com quem sabemos que podemos contar. É importante, entretanto, ter também alguns “companheiros de viagem” no caminho de nossa vida cristã: penso no Diretor espiritual, no Confessor, nas pessoas com quem se pode compartilhar a experiência de fé, mas penso também na Virgem Maria e nos Santos. Todos devem ter algum santo que lhe seja familiar, para senti-lo próximo por meio da oração e intercessão, mas também para imitá-lo. Gostaria de convidar, então, a um maior conhecimento dos Santos, começando por aquele de quem se leva o nome, lendo sua vida, seus escritos. Tenham certeza de que eles se tornarão bons guias para amar ainda mais o Senhor e uma válida ajuda para o crescimento humano e cristão.

Como sabem, eu mesmo estou ligado de modo especial a algumas figuras dos Santos: entre eles, estão São José e São Bento, de quem levo o nome, e outros, como Santo Agostinho, que tive o grande dom de conhecer, por assim dizer, muito de perto, através do estudo e da oração, e que se tornou um bom “companheiro de viagem” na minha vida e no meu ministério.

Gostaria de sublinhar uma vez mais um aspecto importante da sua experiência humana e cristã, atual mesmo em nossa época, em que parece que o relativismo é, paradoxalmente, a “verdade” que deve guiar o pensamento, as escolhas, os comportamentos. Santo Agostinho é um homem que nunca viveu com superficialidade; a sede, a busca inquieta e constante da Verdade é uma das características fundamentais de sua existência; não, porém, das “pseudo verdades” incapazes de levar paz duradoura ao coração, mas daquela Verdade que dá sentido à existência e é “a morada” em que o coração encontra serenidade e alegria.

O caminho dele não foi fácil, nós sabemos: pensava em encontrar a Verdade no prestígio, na carreira, na posse das coisas, nas vozes que lhe prometiam felicidade imediata; cometeu erros, atravessou a tristeza, enfrentou insucessos, mas nunca parou, nunca se satisfez com aquilo que lhe dava apenas um vislumbre de luz; soube perscrutar o íntimo de si e percebeu, como escreve nas Confissões, que aquela Verdade, que o Deus que buscava com suas próprias forças era mais íntimo de si que ele próprio, ele sempre esteve ao seu lado, nunca o tinha abandonado, estava à espera de poder entrar de modo definitivo na sua vida (cf. III, 6, 11; X, 27, 38). Como dizia ao comentar o recente filme sobre sua vida, Santo Agostinho compreendeu, em sua busca inquieta, que não era ele quem havia encontrado a Verdade, mas a própria Verdade, que é Deus, tinha-o buscado e encontrado (cf. L’Osservatore Romano, quinta-feira, 4 de setembro de 2009, p. 8). Romano Guardini, comentando uma passagem do terceiro capítulo das Confissões, afirma: Santo Agostinho percebe que Deus é “glória que se ajoelha, bebida que mata a sede, o amor que traz felicidade, [... ele era] a pacificante certeza de que finalmente tinha compreendido, mas também a beatitude do amor que sabe: isto é tudo e me basta” (Pensatori religiosi, Brescia 2001, p. 177).

Também nas Confissões, no livro nono, nosso Santo reporta uma conversa com a mãe, Santa Mônica, cuja memória se celebra na próxima sexta-feira, depois de amanhã. É uma cena muito bonita: ele e sua mãe estão em Ostia, em um hotel, e da janela veem o céu e o mar, transcendem céu e mar, e por um momento tocam o coração de Deus no silêncio das criaturas. E aqui surge uma ideia fundamental no caminho para a Verdade: as criaturas devem silenciar, deve prevalecer o silêncio, em que Deus pode falar. Isso é verdade ainda mais em nosso tempo: há uma espécie de medo do silêncio, do recolhimento, do pensar as próprias ações, do sentido profundo da própria vida, frequentemente se prefere viver o momento fugaz, iludindo-se de que traz felicidade duradoura, prefere-se viver assim pois parece mais fácil, com superficialidade, sem pensar; há medo de buscar a Verdade ou talvez haja medo de que a Verdade seja encontrada, que agarre e mude a vida, como aconteceu com Santo Agostinho.

Caríssimos irmãos e irmãs, gostaria de dizer a todos, também àqueles que vivem um momento de dificuldade no seu caminho de fé, aos que participam pouco da vida da Igreja ou aos que vivem “como se Deus não existisse”, que não tenham medo da Verdade, não interrompam o caminho para ela, não deixem de buscar a verdade profunda sobre si e sobre as coisas, com os olhos interiores do coração. Deus não falhará em oferecer a Luz para fazer ver e Calor para fazer sentir, ao coração que ama e que deseja ser amado.

A intercessão da Virgem Maria, de Santo Agostinho e de Santa Mônica os acompanhe neste caminho.

[Traduzido do original italiano por Alexandre Ribeiro.

Após a audiência, o Papa dirigiu-se aos peregrinos em diferentes idiomas. Em português, disse:]

Queridos peregrinos vindos do Brasil e de Portugal, a minha saudação amiga para todos vós, em especial para os grupos paroquiais de Unhos, Catujal e Viseu. Recordamos nestes dias Santo Agostinho e sua mãe, Santa Mônica, testemunhas de como Jesus Cristo Se deixa encontrar por quantos O procuram. E, com Ele, a vossa vida não poderá deixar de ser feliz.

[© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana]

Bento XVI: caminho do Reino de Deus é acessível aos humildes

Nas palavras introdutórias à oração do Ângelus

ROMA, domingo, 22 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a palavras pronunciadas por Bento XVI neste domingo, ao introduzir a oração do Ângelus, com os fiéis e peregrinos reunidos no pátio do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo.

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Queridos irmãos e irmãs:

Oito dias depois da solenidade da Assunção ao Céu, a liturgia nos convida a venerar a Bem-Aventurada Virgem Maria com o título de "Rainha". A Mãe de Cristo é contemplada coroada pelo seu Filho, o que está associado à sua realeza universal, como é representada por muitos mosaicos e pinturas. Como esta memória coincide neste ano com o domingo, adquire uma maior luz a partir da Palavra de Deus e da celebração da Páscoa semanal. Em particular, a imagem de Nossa Senhora como Rainha tem um eco especial no Evangelho de hoje, no qual Jesus afirma: "Há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos" (Lc 13, 30). Esta é uma típica expressão de Cristo, recordada repetidamente pelos evangelistas - com expressões semelhantes -, porque evidentemente reflete um tema importante dentro de sua pregação profética. Nossa Senhora é o exemplo perfeito dessa verdade evangélica: Deus humilha os soberbos e eleva os humildes (cf. Lc 1, 52).

A simples e pequena menina de Nazaré se tornou a Rainha do mundo! Esta é uma das maravilhas que revelam o coração de Deus. Naturalmente, a realeza de Maria está totalmente relacionada à de Cristo: Ele é o Senhor que, depois da humilhação da morte na cruz, foi exaltado pelo Pai acima de toda criatura, no céu, na terra e debaixo da terra (cf. Flp 2, 9-11). Por um desígnio da graça, A Mãe Imaculada está plenamente associada ao mistério do Filho: à sua Encarnação; à sua vida terrena, primeiramente oculta em Nazaré e depois manifestada no mistério messiânico; à sua Paixão e Morte; e, finalmente, à glória da Ressurreição e Ascensão ao céu. A Mãe compartilhou com o Filho não somente os aspectos humanos deste mistério, mas, pela obra do Espírito Santo nela, também a intenção profunda, a vontade divina, de maneira que toda a sua existência, pobre e humilde, foi elevada, transformada, glorificada, passando através da "porta estreita" que é o próprio Jesus (cf. Lc 13, 24). Sim, Maria é a primeira a atravessar o "caminho" aberto por Cristo para entrar no Reino de Deus, um caminho acessível aos humildes, aos que se fiam da Palavra de Deus e se empenham em colocá-la em prática.

Na história das cidades e dos povos evangelizados pela mensagem cristã, são inúmeros os testemunhos de veneração pública, em certos casos até institucionais à realeza da Virgem Maria. Mas hoje vamos sobretudo renovar, como filhos da Igreja, nossa devoção Àquela que Jesus nos deixou como Mãe e Rainha. Confiemos à sua intercessão a oração cotidiana pela paz, especialmente onde a lógica da violência está mais desenfreada, para que todas as pessoas se convençam de que, neste mundo, temos de nos ajudar, uns aos outros, como irmãos, a construir a civilização do amor. Maria, Rainha da paz, rogai por nós!

[O Papa saudou os peregrinos em diversas línguas. Em português, disse:]

Saúdo também o grupo brasileiro da paróquia de São Joaquim, diocese de Franca, e demais peregrinos de língua portuguesa, desejando que esta peregrinação vos ajude a fortalecer a confiança em Jesus Cristo e a encarnar na vida a sua mensagem de salvação. De coração vos agradeço e abençoo. Ide com Deus!

[Traduzido do italiano por Aline Banchieri.

© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana]

Cardeal Cañizares: Jesus e as crianças

Há cem anos, Pio X antecipava a idade para a primeira comunhão

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 23 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – No contexto do centenário do decreto Quam singulari Christus amore (8 de agosto de 1910), de São Pio X – Papa que foi beatificado em 1951 e canonizado em 1954 –, publicamos a reflexão do prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, cardeal Antonio Cañizares, apresentada em L'Osservatore Romano. Bento XVI discutiu esse tema na audiência geral de quarta-feira passada.

* * *

Completam-se agora cem anos da promulgação do decreto Quam singulari, do Papa São Pio X, pelo qual, seguindo fielmente os ensinamentos do Concílio IV de Latrão e os de Trento, estabeleceu a primeira comunhão e primeira confissão das crianças à idade do uso de razão, quer dizer, em torno dos sete anos.

Esta disposição do santo Papa supunha um caminho muito importante na prática pastoral e na concepção habitual de então, que por razões diversas, tinha atrasado a idades posteriores este acontecimento tão transcendente para o homem.

Com este decreto, São Pio X, o grande Papa da piedade e da participação eucarística, com o desejo de renovação eclesial que inspirou seu pontificado, ensinou a toda Igreja o sentido, lugar, valor e centralidade da sagrada comunhão para a vida de todos os batizados, incluídas as crianças.

Com este gesto, ao mesmo tempo, destacava e recordava a todos o amor e a predileção de Jesus pelas crianças, que, além de fazer-se criança, manifestou seu amor por elas com gestos e palavras, até o ponto de dizer: “se não forem como as crianças, não entrarão no reino dos céus”; “deixai que as crianças venham a mim, não as impeçam, porque delas é o reino dos céus”. Elas são sempre amigas muito especiais do Senhor.

Com a mesma predileção, com o mesmo olhar amoroso e com a mesma atenção e solicitude singular, a Igreja olha, atende, cuida e se preocupa com as crianças. Por isso, ela, como mãe amorosa, quer para seus filhos pequenos, os primeiro no reino de Deus, que, com as devidas disposições, participem logo do melhor e mais importante que Jesus nos deixou em sua memória: seu Corpo e seu Sangue, o Pão da vida. Pela sagrada comunhão, Jesus em pessoa, Filho de Deus, entra dentro da vida de quem o recebe e coloca sua morada nele. Não há maior amor, nem maior presente. Isso é um dom de amor que vale mais que todo o restante que se possa dar à vida de cada homem. Estar com o Senhor; que o Senhor esteja em nós, dentro de nós; que nos alimente e sacie; que nos tome pelas mãos e nos guie; que nos vivifique e permaneçamos fielmente em comunhão e amizade com ele: é sem dúvida o mais importante, o mais gratificante, o mais gozoso que pode acontecer a alguém.

Como atrasar, pois, às crianças, este encontro com Jesus, elas que são seus melhores amigos, as especialmente queridas por Deus, o Pai, objeto de especial cuidado da Igreja, mãe santa?

A primeira comunhão das crianças é como o início de um caminho junto a Jesus, em comunhão com ele: o início de uma amizade destinada a durar e se fortalecer toda a vida com ele; começo de um caminho, porque com Jesus, unidos sem nos separar, procedemos bem e a vida se faz boa e virtuosa; com ele dentro de nós podemos ser sem dúvida pessoas melhores. Sua presença entre nós e conosco é luz, vida e pão no caminho. O encontro com Jesus é a força de que necessitamos para viver com alegria e esperança. Não podemos, atrasando a primeira comunhão, privar as crianças – a alma e o espírito das crianças – desta graça, obra e presença de Jesus, deste encontro de amizade com ele, desta participação singular do próprio Jesus e deste alimento do céu para poder amadurecer e chegar assim à plenitude.

Todos, especialmente as crianças, têm necessidade do Pão descido do céu, porque também a alma deve se nutrir e não bastam nossas conquistas, a ciência, as coisas técnicas, por muito importantes que sejam. Necessitamos de Cristo para crescer e amadurecer em nossas vidas. Isso é ainda mais importante neste tempo que vivemos e o é de modo especial para as crianças, frequentemente objeto, infelizmente, de manipulação e de destruição de sua grandeza, pureza, simplicidade, “santidade”, capacidade de Deus e de amor que as constitui. As crianças vivem imersas em mil dificuldades, envolvidas em um ambiente difícil que não lhes favorece ser o que Deus quer delas; muitas são vítimas da crise da família. Nesse clima ainda lhes é mais necessário o encontro, a amizade, a união com Jesus, sua presença e sua força. São, por sua alma limpa e aberta, as mais bem dispostas, sem dúvida, para isso.

O centenário do decreto Quam singulari é uma ocasião providencial para recordar e insistir no ato de receber a primeira comunhão quando as crianças tiverem a idade do uso de razão, que hoje, inclusive, parece se antecipar. Não é recomendável, por isso, a prática que se está introduzindo cada dia mais de atrasar a idade da primeira comunhão. Ao contrário, é ainda mais necessário o ato de adiantá-la. Perante tantas coisas que estão acontecendo com as crianças, e o ambiente tão adverso em que crescem, não as privemos do dom de Deus: este pode ser, é a garantia de seu desenvolvimento como filhos de Deus, engendrado pelos sacramentos da iniciação cristã no seio da santa mãe Igreja. A graça do dom de Deus é mais poderosa que nossas obras e que nossos planos e programas. Quando São Pio X adiantou a idade da primeira comunhão, também insistiu na necessidade de uma boa formação, de uma boa catequese. Hoje devemos acompanhar este ato de adiantar a idade com uma nova e vigorosa pastoral de iniciação cristã. As linhas marcadas pelo Catecismo da Igreja Católica e o Diretório geral para a catequese são guias imprescindíveis nesta nova pastoral ou renovada da iniciação cristã tão fundamental para o futuro da Igreja, a mãe que, com o auxílio da graça do espírito, engendra e amadurece seus filhos pelos sacramentos da iniciação, pela catequese, e por toda ação pastoral que acompanha. Assim, pois, não fechemos hoje nossos ouvidos às palavras de Jesus: “deixai que as crianças venham a mim, não as impeçam”. Ele quer estar nelas e com elas, porque “das crianças e dos que são como elas é o reino de Deus”.

Segundo livro do Papa sobre Jesus chegará às livrarias em março

Apresentadas as “Opera Omnia” de Ratzinger sobre a liturgia cristã

RIMINI, terça-feira, 24 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – O próximo livro de Bento XVI sobre a vida de Jesus chegará às livrarias, em vários idiomas, no primeiro domingo da Quaresma, 13 de março. Foi o que afirmou ontem à Rádio Vaticano Giuseppe Costa, diretor da Libreria Editrice Vaticana.
Este esperado segundo volume, que se centra na paixão e morte de Jesus, encontra-se atualmente em processo de tradução para os diferentes idiomas. Será entregue aos editores no dia 15 de janeiro, para preparar as respectivas edições nacionais.

Segundo Costa, no momento, chegou-se a um acordo com 18 editoras, ainda que não se descartam mais pedidos nos próximos meses.

O Papa – segundo confirmou o porta-voz vaticano, Federico Lombardi – trabalha atualmente no terceiro volume sobre a vida de Jesus, dedicado à infância de Cristo.

Giuseppe Costa, responsável editorial dos textos vaticanos, encontrava-se estes dias em Rimini (Itália), para a apresentação do primeiro volume da Opera Omnia (obra completa) de Joseph Ratzinger.

A apresentação aconteceu durante o festival conhecido como Meeting de Rimini, organizado pelo movimento católico Comunhão e Libertação, que todos os anos reúne milhares de pessoas.

Esta Opera Omnia consta de 16 volumes que recolhem todos os escritos e intervenções de Joseph Ratzinger, antes de ser eleito Papa, sobre a importância da liturgia na vida cristã.

A obra traz, explicou Costa, “não seus ensinamentos como pontífice, mas seus escritos, entrevistas e ensinamentos como cardeal. Esta Opera Omnia encerra quando ele foi eleito Papa”.

Sobre o conteúdo das obras, o bispo de Ratisbona, Dom Gerhard Müller, encarregado da edição alemã, explicou à emissora vaticana a importância que a liturgia tem no pensamento de Joseph Ratzinger.

“A liturgia é a participação sacramental na vida de Deus. Por isso, não é só um ‘teatro’, uma autoexpressão do coração ou da ideia da subjetividade, mas é a expressão objetiva, real, concreta, do contato com o próprio Deus, que quer conviver conosco, suas criaturas”, afirmou o prelado.

Ciência: hábito mental da verdade; teologia sagrada: sabedoria suprema (I)


Sidney Silveira
 
Em sentido lato, por ciência entende-se o conhecimento sistemático nalguma matéria. Aristóteles já tinha noção disso ao afirmar que a ciência é o conhecimento certo de uma coisa a partir de suas causas — daí ser ela para o Estagirita propriamente demonstrativa, ou seja: é próprio da ciência demonstrar a verdade. Mas será que, com estas observações, alcançamos verdadeiramente o proprium da ciência?

Lembremos que o próprio é um dos cinco predicáveis (os outros são gênero, espécie, diferença específica e acidentes); e é o próprio que melhor nos dá notícia da essência dos entes, na exata medida em que só conhecemos a essência deles — e imperfeitamente! — a partir de suas operações formais próprias. Não é o caso de enumerar aqui todas as características do predicável próprio e de suas relações com a essência, mas, para o que nos ocupa, interessa-nos definir se o mais próprio da ciência é mesmo ser demonstrativa, ou se há outras propriedades que descortinem melhor a essência disto a que chamamos ciência. Recorramos a Santo Tomás, para ver o que diz.

Para o Aquinate, não obstante toda ciência ser o conhecimento certíssimo de uma coisa, partir de um conjunto de princípios e ter um objeto formal próprio (e de também ser demonstrativa), ela é, antes de tudo, habitus. E o hábito é, no glossário tomista, o intermediário entre a potência e o ato. Aqui, trata-se de uma qualidade adquirida pela alma intelectiva ao atualizar habitualmente determinada ciência. Isto nos encaminha a uma nova definição: a ciência é o conhecimento habitual da verdade*. Ou, se se preferir outra fórmula, a que costumo usar — por meio de uma analogia de atribuição — é a seguinte: a ciência é o hábito mental da verdade.

Advirta-se que não estamos confundindo a essência da ciência (conhecimento) com o seu próprio (o hábito mental desse conhecimento); este deriva daquela, pois, como conceitua Aristóteles (Tópicos, I, 5-6), “próprio é o que, embora não exprima a essência do sujeito, só a ele pertence”. Neste sentido, usemos o exemplo clássico: a risibilidade é propriamente humana, ou seja, é próprio do homem sorrir. Dos animais irracionais e dos anjos só podemos dizer que sorriem por uma de analogia de atribuição extrínseca, mas este é outro assunto.

Definidos os termos, registremos que, segundo Santo Tomás, a teologia sagrada é ciência, e no mais elevado sentido. Ela é habitus; é demonstrativa; tem princípios dos quais parte; e tem um objeto formal próprio: a deidade obscure per fidem cognita. Ou seja: a vida recôndita de Deus que só conhecemos pela fé. Para o homem no atual estado (ferido pelo pecado original), acima dessa teologia há apenas a ciência do próprio Deus e a dos bem-aventurados que conhecem a deidade clare visa, ou seja, pela visão beatífica.

Princípios dos quais parte a ciência teológica
 
Toda ciência deduz as suas conclusões partindo de princípios evidentes. Ora, a ciência teológica parte de princípios não-evidentes (os artigos da fé, que são recusados por muitos). Logo, não é ciência. A esta objeção (Suma, I, q.1, art. 2) Santo Tomás responde que os princípios de qualquer ciência ou são evidentes simpliciter (por si) ou secundum quid (buscados de outra ciência superior. Por ex.: a perspectiva depende dos princípios subministrados pela geometria). No caso da ciência teológica, ela parte de um princípio buscado em uma ciência superior: a de Deus, que conhecemos pela Revelação. Aqui, novamente, vale lembrar a importância do predicável proprium, que tantas equivocidades evita. Em resumo, é próprio de uma ciência não partir apenas de princípios evidentes simpliciter, mas partir de princípios (sejam evidentes ou buscados de outra ciência). Em suma, a primeira premissa do argumento em contrário — a de que os princípios de toda e qualquer ciência são evidentes simpliciter — cai por terra.
(continua)

* Não confundamos este conhecimento habitual com aquilo que hoje muitos chamam de consciência, pois a consciência, como demonstrou de forma apodítica Santo Tomás no De Veritate, é ato e não hábito. É a aplicação de uma ciência a algo determinado (cum alio scientia).

A cultura do abismo

Sidney SilveiraO liberalismo*, que, como diz o Padre Calderón, é uma abjeta reação da carne contra as exigências do espírito — razão pela qual traz consigo, in nuce, o gérmen a apostasia —, ganhou as consciências das massas ao longo das últimas décadas atuando nisto que hoje se convenciona chamar equivocamente de “cultura”. Depois de consolidada a separação entre as ordens material e espiritual (no plano político, entre a Igreja e o Estado), ficou mais bem fácil inocular na cultura o vírus da revolução nas artes e nos costumes, pois tal vírus da desagregação encontra ambiente propício em meio ao vale-tudo.

Os liberais bem-falantes de hoje — prosternados no altar de uma cultura de almanaque — são capazes de êxtases convulsivos diante de um verso bem escrito (ainda que satânico, como os de Blake ou Baudelaire), mas estão cegos à verdadeira natureza da cultura e à hierarquia de valores que ela traz consigo. Por isso produzem em seus livros, eventos culturais, blogs e revistas tanta bobagem...

Como contraponto a isto, vale lembrar uma definição do filósofo Octavio Derisi: a cultura é o desenvolvimento harmônico e hierárquico do homem em seus diversos aspectos, sob a hegemonia da vida espiritual. Para o famoso tomista argentino, a genuína cultura tem uma tríplice dimensão:

1- de atividade cognoscitiva (contemplação);
2- de atividade volitiva (moral);
3- de atividade poiética dirigida pela inteligência prática (arte).

Tudo isso, sem dúvida, é cultura, mas retirem-se os dois primeiros tópicos acima, e o terceiro se transformará em puro non sense, em atividade estéril do ponto de vista noético-espiritual. Transformar-se-á em esteticismo danosamente infantil.

Pois muito bem: um dos sinais mais clamorosos de que a vaca está no brejo é que a cultura não apenas perdeu de vista o aperfeiçoamento espiritual do homem, mas, ao contrário, transformou-se no grande motor da corrupção das potências mais nobres da alma. Ouçam o que se ouve em média por aí; vejam o que se vê por aí no cinema e na tv; leiam o que se publica em média de obras literárias e filosóficas; e então, a situação política (de absoluto caos) e moral (de cegueira coletiva) ganha novos contornos — novo padrão de inteligibilidade.

Observava muito bem Derisi que a crise da cultura provém de uma crise ética, e esta, de uma crise metafísica e teológica. Isto na década de 50 do século passado!!!! Os remédios para a crise poderiam provir da autoridade espiritual da Igreja, mas como esta depôs a própria autoridade, abdicando ao papel civilizatório de mestra das nações, isto explica muito bem a atual cultura do abismo que tudo domina, tudo envolve com seu fétido hálito...
Tapem as narinas, pois a coisa vai feder ainda mais.

* Nunca, em tempo algum, nos esqueçamos de que a peçonha comunista é, no plano histórico, filha da visão liberal, o seu oposto complementar — aquilo que os escolásticos chamavam de coincidentia oppositorum: são opostos que coincidem na aversão à autoridade espiritual.

Philippe Jaroussky e Nuria Rial


Os dois ganhadores do prêmio German Echo Klassik (Classical) 2009:
A soprano espanhola Nuria Rial, e o contra tenor Philippe Jaroussky.

Organismos internacionais promovem aborto no Ano dos Jovens

Alerta do jornal da Santa Sé
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 23 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - No Ano Internacional dos Jovens, inaugurado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no último dia 12 de agosto, organismos internacionais estão tentando promover o aborto como um direito humano, alerta o jornal vaticano.    

A edição italiana do L'Osservatore Romano (23-24 de agosto de 2010) explica que, entre estes organismos, destaca-se o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

"No site do UNFPA se constata que várias iniciativas da ONU para os jovens estão orientadas à promoção do acesso universal aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, linguagem que, como se sabe, refere-se à anticoncepção e ao aborto", explica o jornal vaticano.

"Também desagrada que os documentos provisórios publicados na conferência preparatória que se realiza em León (México), de 23 a 27 de agosto, não sejam mencionados na Convenção para os Direitos da Criança, acrescenta L'Osservatore Romano.

"Este documento certamente não é perfeito, mas sublinha os direitos e deveres básicos dos pais para educar e criar seus filhos."

No esboço de declaração da conferência preparatória, no entanto, não se citam os termos "filhos" ou "pais".

Nesta ausência, o jornal vaticano vê "uma concepção radical de autonomia juvenil, que busca romper todos os laços entre pais e filhos e, portanto, atingir o coração da família não ajuda os jovens".

L'Osservatore Romano pede que se leve em consideração a Carta Magna dos Valores para uma Nova Civilização, apresentada neste mês de agosto às Nações Unidas pelo Parlamento Universal da Juventude (World Youth Parliamentwww.wyparliament.org).

Catequese do Papa: São Pio X, modelo de pastor

Intervenção na audiência geral dequarta-feira

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 18 de agosto de 2010 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos no pátio do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo.
***
Queridos irmãos e irmãs:

Hoje, eu gostaria de falar da figura do meu predecessor, São Pio X - cuja memória litúrgica será celebrada no próximo sábado -, sublinhando algumas das suas características que também podem ser úteis para os pastores e fiéis da nossa época.

Giuseppe Sarto (este era seu nome) nasceu em Riese (Treviso), em 1835, de família camponesa. Após os estudos no Seminário de Pádua, foi ordenado sacerdote, aos 23 anos. Primeiramente, foi vice-pároco em Tombolo, depois pároco em Salzano, e mais tarde cônego da catedral de Treviso, com o cargo de chanceler episcopal e diretor espiritual do seminário diocesano.

Nesses anos de rica e generosa experiência pastoral, o futuro pontífice mostrou esse profundo amor a Cristo e à Igreja, essa humildade e simplicidade e essa grande caridade pelos mais necessitados, que foram características de toda a sua vida. Em 1884, foi nomeado bispo de Mantua e, em 1893, patriarca de Veneza. No dia 4 de agosto de 1903, foi eleito Papa, ministério que aceitou com hesitação, porque não se considerava à altura de uma tarefa como essa.

O pontificado de São Pio X deixou um traço indelével na história da Igreja e se caracterizou por um notável esforço de reforma, sintetizada no lema Instaurare omnia in Christo ("Renovar todas as coisas em Cristo"). Suas intervenções, de fato, abrangeram os diversos âmbitos eclesiais. Desde o começo, dedicou-se à reorganização da Cúria Romana; depois, aprovou os trabalhos da redação do Código de Direito Canônico, promulgado pelo seu sucessor, Bento XV. Promoveu, além disso, a revisão dos estudos e do iter de formação dos futuros sacerdotes, fundando também vários seminários regionais, equipados com boas bibliotecas e professores preparados.

Outro setor importante foi o da formação doutrinal do povo de Deus. Desde os anos em que era pároco, havia redigido ele próprio um catecismo e, durante o episcopado em Mantua, havia trabalhado para que se chegasse a um catecismo único, se não universal, pelo menos italiano.

Como autêntico pastor, havia compreendido que a situação da época, também pelo fenômeno da migração, tornava necessário um catecismo ao qual todo fiel pudesse referir-se, independentemente do lugar e das circunstâncias da vida. Como pontífice, preparou um texto de doutrina cristã para a diocese de Roma, que se difundiu depois em toda a Itália e no mundo. O Catecismo chamado "de Pio X" foi para muitos um guia seguro na aprendizagem das verdades da fé, por sua linguagem simples, clara e precisa e por sua eficácia expositiva.

Pio X dedicou uma notável atenção à reforma da Liturgia, em particular da música sacra, para levar os fiéis a uma vida de oração mais profunda e a uma participação nos sacramentos mais plena. No Motu Proprio Tra le sollecitudini (1903), afirma que o verdadeiro espírito cristão tem sua primeira e indispensável fonte na participação ativa nos sacrossantos mistérios e na oração pública e solene da Igreja (cf. ASS 36[1903], 531). Por isso, convidou a que se aproximassem frequentemente dos sacramentos, favorecendo a frequência cotidiana à Santa Comunhão, bem preparados, e antecipando oportunamente a Primeira Comunhão das crianças aos 7 anos de idade, "quando a criança começa a raciocinar", dizia (cf. S. Congr. de Sacramentis, Decretum Quam singulari : AAS 2[1910], 582).

Fiel à tarefa de confirmar os irmãos na fé, São Pio X, frente a algumas tendências que se manifestaram no âmbito teológico no final do século XIX e começo do XX, interveio com decisão, condenando o Modernismo, para defender os fiéis das concepções errôneas e promover um aprofundamento científico da Revelação, em consonância com a Tradição da Igreja.

No dia 7 de maio de 1909, com a carta apostólica Vinea electa, fundou o Pontifício Instituto Bíblico. Os últimos meses de sua vida foram difíceis, pelo começo da guerra. O apelo aos católicos do mundo, lançado no dia 2 de agosto de 1914, para expressar sua "áspera dor" daquele momento, era o grito sofredor do pai que vê os filhos enfrentando-se uns aos outros. Ele faleceu pouco depois disso, no dia 20 de agosto, e sua fama de santidade começou a difundir-se imediatamente entre o povo cristão.

Queridos irmãos e irmãs, São Pio X nos ensina que, na base da nossa ação apostólica, nos diversos campos em que trabalhamos, deve haver sempre uma íntima união pessoal com Cristo, que é preciso cultivar e fazer crescer cada dia. Este é o núcleo de todo o seu ensinamento, de todo o seu compromisso pastoral. Somente se estivermos enamorados do Senhor, seremos capazes de levar os homens a Deus e abri-los ao seu amor misericordioso, abrir o mundo à misericórdia de Deus.

[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]

A minha saudação a todos os peregrinos vindos do Brasil, de Portugal e demais países lusófonos, com uma bênção particular para os alunos do Seminário do Verbo Divino, de Tortosendo: na vossa formação, empenhai-vos em seguir o exemplo dos grandes pastores como São Pio X, sendo sempre humildes e fiéis servidores da verdade. Que Deus vos abençoe!
[Tradução: Aline Banchieri
©Libreria Editrice Vaticana]

Papa às monjas de clausura: orai pela pureza da Igreja

Ao visitar monastério dominicano em Monte Mario
ROMA, sexta-feira, 25 de junho de 2010 (ZENIT.org) – Bento XVI deixou o Vaticano na manhã dessa quinta-feira para visitar uma comunidade de monjas de clausura próxima, pedindo a elas que orem pela pureza da Igreja neste momento particular.


O Pontífice visitou o monastério de Santa Maria do Rosário em Monte Mario, rezou junto às religiosas a Hora Média da Liturgia das Horas e dirigiu-lhes palavras de apreço e proximidade pela missão insubstituível que desempenham a serviço de toda a Igreja com sua vida de oração e trabalho.


“Vossa consagração ao Senhor no silêncio e no anonimato faz-se fecunda e rica de frutos, não apensa no que se refere ao caminho de santificação e purificação pessoal, mas também com respeito ao apostolado de intercessão que desenvolveis por toda a igreja, para que possa ser pura e santa diante do Senhor”, disse.


“Vós, que bem conheceis a eficácia da oração, experimentais diariamente quantas graças de santificação esta pode obter para a Igreja”.


No monastério encontra-se a antiga imagem da Virgem de São Lucas, que remonta ao século VII e que segundo a tradição teria sido pintada pelo evangelista, embora aparentemente tenha sido levada a Roma por monjas gregas para salvá-la da fúria iconoclausta deflagrada em 815 .


O monastério abriga ainda relíquias de São Domênico de Gusmão, Santa Catarina de Siena e de outros santos e santas dominicanos.


“O modo de vida contemplativo, que das mãos de São Domênico recebeis na modalidade de clausura, vos coloca, como membros vivos e vitais, no coração do corpo místico do Senhor, que é a Igreja – disse a elas o Papa; e assim como o coração faz circular o sangue dando vida a todo o corpo, também vós, por meio do trabalho e da oração, contribuis para manter a Igreja, instrumento de salvação para todo homem redimido pelo Senhor com seu Sangue”.


“Como não ser acometido pela compaixão para com aqueles que parecem vagar sem meta?” – disse o Papa pensando na missão destas religiosas de orar pelas necessidades do mundo.


“Como não desejar que suas vidas encontrem Jesus, o único que dá sentido à existência”.


“Reconheceis que é o Senhor que colocou em vossos corações o seu amor, desejo que dilata o coração, até torná-lo capaz de acolher o próprio Deus. Este é o horizonte do peregrinar terreno! Esta é vossa meta!”.


“Por essa razão escolhestes viver no anonimato e na renúncia aos bens terrenos: por desejar acima de qualquer coisa aquele bem ao qual não há par, aquela pedra preciosa que merece a renúncia de todos os demais bens para ser possuída”.


Antes de se despedir, o Papa deixou um conselho às religiosas: “possais pronunciar todos os dias vosso ‘sim’ aos desígnios de Deus, com a mesma humildade com a qual disse ‘sim’ a Virgem Santa”.

Itinerário da mente para DEUS, São Boaventura


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É um excelente livro.

Eis a dica do mês do nosso blog.

Salve MARIA!

La Ciencia de la Cruz y la Comunicación del Espíritu Santo (I)

"En esto consiste el amor: no en que nosotros hayamos amado a Dios, 
sino en que Él nos amó y nos envió a Su Hijo como propiciación por nuestros pecados" (1 Jn 4,10)


Imitación de la muerte de Cristo

En verdad, es importante aprender a vivir bien; pero es igualmente importante aprender a morir bien. San Pablo testimonia: «pues para mí la vida es Cristo, y la muerte, una ganancia» (Flp 1,21). De hecho, Jesús une de manera inseparable ambos aspectos, pues para vivir como Él vivió, debemos tomar diariamente la cruz sobre nosotros y negarnos a nosotros mismos (Lc 9,23-24). Quien pretenda ganar su vida, la perderá, y quien la pierda, ganará la vida eterna (Jn 12,25).

Cristo nos habría podido redimir con una sola de Sus acciones durante Su vida terrena, pues cada una de ellas poseía un mérito perfecto e infinito. Sin embargo, Él prefirió redimirnos mediante Su muerte en la Cruz, pues con ella quería superar la muerte del hombre y podía manifestar la plenitud de Su amor. Conmovido por esto Pablo expresó: «Porque el amor de Cristo nos apremia al pensar que, si uno murió por todos, todos por tanto murieron. Y murió por todos, para que ya no vivan para sí los que viven, sino para aquel que murió y resucitó por ellos» (1 Co 5, 1-15).

Nuestra participación en la muerte y resurrección de Cristo, es decir, de Su gracia, nos es comunicada mediante el bautismo: «¿O es que ignoráis que cuantos fuimos bautizados en Cristo Jesús, fuimos bautizados en su muerte? Fuimos, pues, con Él sepultados por el bautismo en la muerte, a fin de que, al igual que Cristo fue resucitado de entre los muertos por medio de la gloria del Padre, así también nosotros vivamos una vida nueva» (Rom 6,3-4; CIC 1227).

El bautismo es la fuente de gracias de la que brota toda la vida en Cristo (Ef 5,21; 1 Cor 16,15ss). Es el sacramento de la fe, en cuya luz reconocemos a Cristo (Mc 16,16). En la carta a los Hebreos se le denomina incluso «iluminación» (Hb 10,32; CIC 1216). Con todo, constituye apenas el comienzo del conocimiento de Cristo por la fe, por eso «en todos los bautizados, niños o adultos, la fe debe crecer después del bautismo» (CIC 1254).

El Espíritu Santo, con sus siete dones, es quien nos asiste en el anhelo por profundizar en el conocimiento de Cristo, a fin de que Cristo more en nuestros corazones por la fe y podamos ser capaces, mediante el amor, de alcanzar el conocimiento pleno de Cristo y ser colmados con la plenitud de Dios (Ef 3,16-20).

Bento XVI: confiar em Maria

Palavras ao introduzir a oração do Angelus este domingo em Castel Gandolfo

ROMA, domingo, 15 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Ao meio-dia deste domingo, o Papa rezou o Angelus com os peregrinos reunidos no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo. Estas foram suas palavras ao introduzir a oração mariana.

* * *

Caros irmãos e irmãs,

hoje, Solenidade da Assunção da Mãe de Deus ao Céu, celebramos a passagem da condição terrena à bem-aventurança celeste daquela que gerou na carne e acolheu na fé o Senhor da Vida. A veneração à Virgem Maria acompanha desde o início o caminho da Igreja, e a partir do século IV aparecem festas marianas: em algumas vem exaltado o papel da Virgem na história da salvação, em outras são celebrados os momentos principais de sua existência terrena. O significado da festa de hoje está contido nas palavras conclusivas da definição dogmática, promulgada pelo Venerável Pio XII, a 1° de novembro de 1950, e de que este ano recordamos o 60° aniversário: "A Imaculada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, concluída sua vida terrena, foi assunta ao céu na glória celeste em corpo e alma" (Cost. ap. Munificentissimus Deus, AAS 42 [1950], 770).

Artistas de todas as épocas pintaram e esculpiram a santidade da Mãe do Senhor, adornando igrejas e santuários. Poetas, escritores e músicos renderam honras à Virgem com hinos e cantos litúrgicos. Do Oriente ao Ocidente, a Santíssima é invocada como Mãe Celeste, que traz o Filho de Deus nos braços e a cuja proteção toda humanidade encontra refúgio com a antiga oração: À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mais livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita”.

No Evangelho da solenidade de hoje, São Lucas descreve a plenitude da salvação através da Virgem Maria. Ela, em cujo seio se fez pequeno o Onipotente, depois do anúncio do Anjo, sem demora, visita a sua prima Isabel para levá-la o Salvador do mundo. E, de fato, “quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo” (Lc 1, 41); reconhece a Mãe de Deus: “bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas” (Lc 1,45). As duas mulheres, que esperavam a realização das promessas divinas, saboreiam agora a alegria da vinda do Reino de Deus, a alegria da salvação.

Caros irmãos e irmãs, confiemo-nos a Maria, que – como afirmava o Servo de Deus Paulo VI – "assunta ao céu, não renunciou à sua missão de intercessão e salvação" (Es. ap.Marialis Cultus, 18, AAS 66 [1974], 130). A Ela, guia dos apóstolos, sustento dos mártires, luz dos Santos, dirigimos nossa oração, suplicando que nos acompanhe nesta vida terrena, nos auxilie a nos voltarmos para o Céu e nos acolha um dia junto de seu Filho Jesus.

[Traduzido por ZENIT. Após rezar o Angelus, o Papa saudou os peregrinos em diversos idiomas. Em português, disse:]

Uma calorosa saudação aos peregrinos de língua portuguesa! Nossa Senhora ao ser assunta ao Céu fica mais próxima de seus filhos aqui na terra, intercedendo por eles junto a Jesus, e torna-se um sinal luminoso da vida futura que esperamos. Que Deus vos abençoe! Obrigado pela vossa visita!

[© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana]

O corpo totalmente sujeito à alma: o estado dos beatos glorificados

Sidney Silveira

A perfeita submissão da potências inferiores da alma às superiores será, de acordo com Santo Tomás, uma das notas distintivas dos corpos dos glorificados que verão a Deus. Hoje, como a experiência o mostra de forma inequívoca, estamos sujeitos às intempéries das paixões (que são um movimento veemente do apetite sensitivo), o que muitas vezes nos impede de alcançar a excelência do ato propriamente humano. Em resumo, ser o que essencialmente somos tornou-se algo custoso, após o pecado original. À luz dessa observação torna-se especiosa a frase de Píndaro: “Homem, torna-te o que tu és”!

Diz o Aquinate na obra-prima 
Compêndio de Teologia:

“Os corpos dos beatos ressurgidos não serão corruptíveis, nem retardadores [das ações próprias] da alma, não lhe resistindo em nada. (...). Daí se pode concluir qual seja a constituição dos corpos dos glorificados. A alma é forma e motor do corpo. Como forma, não apenas é princípio do corpo quanto ao ser substancial, mas também quanto aos acidentes que não são causados no sujeito pela união da forma com a matéria. Além disso, 
quanto mais forte for a forma, tanto menos terá a sua atuação sobre a matéria impedida por algum agente externo. (...) Ora, como a alma beata estará em sumo grau de nobreza e de força, porque unida ao primeiro princípio de todas as coisas, ela conferirá ao corpo a si divinamente unido, em primeiro lugar, o ser substancial, tendo-o sob o seu império de modo nobilíssimo, e, por isso, ele será sutil e espiritual. Dará também a alma ao corpo uma outra qualidade nobilíssima, qual seja, a glória da claridade, e, em virtude dela, o corpo não poderá ser modificado na sua disposição, que é a de ser impassível; e porque também ele obedecerá totalmente à alma, como o instrumento obedece ao agente motor, tornar-se-á ágilSão, portanto, quatro as condições dos corpos dos beatos: sutileza, clareza, impassibilidade e agilidade”.

Ah, Tomás, deste pequenino trecho sobre o estado perfeito que nos espera no céu tantas ilações podemos fazer com relação ao nosso atual estado!