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Bíblia Clerus: um excelente programa da Congregação para o Clero

Por Allan dos Santos

Informação atualizada em 3 de Setembro de 2013
Pessoal, esqueci que para ter acesso aos demais pacotes do Biblia Clerus, precisa ter as chaves. Ei-las:

Key for Installing: 
Go into the Biblia-Clerus Folder and click on ICTUS Setup. 
If you want the extra works under copyright, just click on the boxes and type in the following codes: 
- La Bible de Jerusalem: bj2910
- Somme theologique de St-Thomas d’ Aquin- st33
- Les Peres dans la Foi, edition Migne- migne
- Oeuvres completes de St-Jean de la Croix- jnc33
- Nuevo Grande Comment Biblico- jbc1968
- Jerome Biblical Commentary- jbc1968
- Oeuvres de Sainte Therese d’Avila (marcelle Auclair)- tha33

The other folders besides the Biblia-Clerus are from the internet. The Latin-English, English-Latin dictionary is very helpful, to install it just open it up and click on the box marked “words.” The Biblia Clerus allows you to add new files so you could add the other internet files to the program as well, and enjoy the benefit of its search engine. 



Vejam no lado direito de quem vê asreferências aos santos ou ao Magistério
Amigos, estou disponibilizando a cópia do CD-ROM "Biblia Clerus" da Congregação para o Clero. Este programa pode ser atualizado pelo site da Congregação, mas não pode ser baixado. O arquivo é um pouco grande e prefiro enviar a cópia do CD-ROM do que tentar colocá-lo na internet (minha internet é precária, infelizmente).

Desta maneira, quem quiser o CD-ROM BIBLIA CLERUS, apenas baixe o arquivo AQUI [me envie o endereço completo com o nome para o seguinte e-mail: allan.santosbr@hotmail.com]. Será uma alegria ajudar os sacerdotes e seminaristas a estudarem a Fé Católica mergulhados na Tradição e nas Escrituras Sagradas.
Biblia Clerus interface
Para quem não conhece: o programa roda no Windows apenas (até onde sei), e possui documentos do magistério com links em cada versículo da Bíblia, a qual pode ser lida em Latim Vulgata, Nova Vulgata, Francês, Inglês, Espanhol, Português, Grego, Hebraico, Alemão e outras línguas.

Explicando: quando você clica num versículo da bíblia, seja ele qual for, você terá na barra lateral quem citou este exato versículo ou capítulo, seja o Magistério ou os Santos da Igreja; e em cada indicação da bibliografia do magistério ou do santo (a) da Igreja, você poderá ler o livro, ou a parte do texto que o buscador fez referência. A maioria dos doutores da Igreja está neste programa maravilhoso, assim como o Denzinger com as citações do Magistério.

Enfim, é espetacular para estudos sérios e fiéis ao Magistério.

O link do site para atualização: http://www.clerus.org/bibliaclerus/index_eng.html

8 de Agosto, São João Maria Vianney



João Maria Vianney tomou consciência de sua grande responsabilidade de vigário: “Se o padre estivesse plenamente consciente da grandeza de seu ministério, só isso valeria”. Ele se reconhecia o representante de Deus diante de seus 230 paroquianos, mas, acima de tudo, representante deles perante Deus: “Deixai uma paróquia vinte anos sem vigário, e os animais passarão a ser adorados”. Exortava frequentemente os paroquianos a se converterem, mas estava convencido de que eles não o fariam sem sua ajuda permanente, sem suas orações mais fervorosas. Como muito pouco sabiam do que significava amar a Deus, pensava ser sua competência suprir o que neles faltava. Aí estava uma das razões de suas preces, de sua penitência, de suas preocupações: “Se eu soubesse tudo o que teria de enfrentar sendo Cura, teria morrido de tristeza. Não estou agastado de ser padre para celebrar a Santa Missa, mas não gostaria de ser vigário… estou enfadado… De que temor não deve ser tomado um pobre padre diante de um ministério tão extraordinário![…]”.

Na primavera de 1818, começou a confiar nos que julgava melhores. Convidou três ou quatro mulheres mais velhas para freqüentar a missa dos dias de semana e lhes propôs comungarem diariamente. Ensinou-as a rezar o Rosário da Virgem Maria. Incentivou-as a reunir as crianças que ficavam entregues aos cuidados das avós enquanto as mães trabalhavam. Seis meses após sua chegada, esse pequeno grupo já se reunia aos domingos de manhã no jardim da casa paroquial. Rezavam, cantavam e ouviam o Cura. Acabaram formando a “Confraria do Rosário”. Dois ou três anos depois, congregava não só velhas e crianças, mas também esposas, mães e jovens, que renunciavam ao prazer da dança.

Era verdade: o Cura não gostava nada da dança dominical, nem dos dançarinos. Abominava, acima de tudo, a frivolidade dos costumes.

Pouco tempo depois de sua chegada a Ars, celebrou o primeiro casamento. Fato banal e até mesmo feliz? Podia ser… Mas… o noivo tinha apenas 18 anos, e a noiva, 14! Três meses depois celebrava o Batismo do filho deles. Ele sabia como os jovens gostavam de se reunir na pracinha atrás da igreja, o “Disfarce”, e que essas reuniões estavam sendo ocasião de desordens. Os jovens ficavam ouvindo música a tarde inteira, “quase todo domingo”, escreveu Catarina Lassagne, e acrescentou: “A presença do Cura ainda não conseguiu modificar este hábito. Somente aos poucos é que ele vai-se extinguindo”. João Maria Vianney intervinha, falava-lhes da presença de Jesus na Eucaristia, no Sacrário, na igreja… “Ah! Se tivéssemos fé, se estivéssemos bastante compenetrados da presença de Nosso Senhor nos altares com suas mãos repletas das graças, buscando distribuí-las, com que respeito nos comportaríamos em sua presença!”. Uma testemunha declarou: “As moças, então, começaram a sentir-se pouco à vontade quando se divertiam a poucos metros da igreja, que já não era mais para elas um monumento qualquer, mas uma casa onde verdadeiramente habitava o bom Deus”.

O Cura convenceu alguns pais e mães de família, em especial o prefeito e alguns membros do Conselho Municipal a decidir que não haveria mais bailes no “Disfarce”, por ser muito perto da igreja. Os bailes que viessem a ocorrer seriam realizados na periferia da aldeia. O prefeito transformou o “Disfarce” em depósito de areia e cascalho. Alguns rapazes, inconformados, roubaram o material. O prefeito ameaçou-os com multa, mandando anunciar-lhes a medida, através de seu guarda-florestal ao som do tambor!

Finalmente voltou a calma. Os bailes tornaram-se mais raros em Ars e as moças, pouco a pouco, foram deixando de comparecer. Os rapazes custaram a se conformar, já que tinham de freqüentar os bailes das aldeias vizinhas.

João Maria Vianney era radicalmente contra bailes e danças porque via nisso ocasiões favoráveis à luxúria e à impureza, “esses pecados que os demônios nos fazem cometer, e que eles próprios não cometem”. Sua experiência de vigário o autorizava a dizer: “De todos os pecados, o da impureza é o mais difícil de arrancar. Quão difícil é corrigir-se inteiramente!”. Antes de condenar, porém, preferia exaltar a pureza do coração e do corpo: “Ser rei… triste situação: a pessoa é rei para os homens! Mas estar em Deus, estar em Deus todo inteiro, sem reservas, o corpo em Deus, a alma em Deus!… o corpo casto, a alma pura… nada há de mais belo!”.

João Maria Vianney lançou-se, em seguida, contra os beberrões. Havia um botequim muito perto da igreja, no largo do “Disfarce”. A desativação dos bailes fez com que ele perdesse quase toda clientela domingueira. Ficaram uns poucos beberrões. “Nós afogamos, nós asfixiamos nossa alma no vinho”, bradava ele. O dono do botequim viu-se na contingência de aceitar a ajuda de João Maria Vianney, ele que havia dito que o Cura havia pago para fechar o botequim!

João Maria Vianney: o cura d’Ars – Marc Joulin, 6. ed. – São Paulo: Paulinas, 2009, PP. 57-58

[Bento XVI] Os três conselhos do Papa aos sacerdotes

Em primeiro lugar ser fascinado por Cristo

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 8 de novembro de 2011 (ZENIT.org) - A fim de que os sacerdotes possam crescer de acordo com Jesus, segundo o Papa Bento XVI, pelo menos três condições devem ser respeitadas: a primeira é ser fascinado por Ele, por Suas palavras, por Suas ações e por Sua própria pessoa.

O Papa deu três sugestões ou conselhos durante as Vésperas celebrada sexta-feira, novembro 4, na abertura do ano acadêmico das Universidades Pontifícias.

Lembrando o aniversário de 70 anos de instituição, por Pio XII, da Pontifícia Obra para as Vocações Sacerdotais, o Papa Bento XVI centralizou sua reflexão sobre o ministério sacerdotal, mas observou que suas palavras são igualmente aplicáveis a outros, pois é "importante para todos, de fato, aprender sempre mais para permanecer com o Senhor."

"Existem algumas condições para que haja uma crescente harmonia com Cristo na vida do sacerdote", afirmou o Papa: "o desejo de colaborar com Jesus para propagar o Reino de Deus, a gratuidade no serviço pastoral e a atitude de servir ".

O Bispo de Roma reiterou que no sacerdócio "existe um encontro com Jesus e o ser fascinado, impressionado com suas palavras, seus gestos e sua própria pessoa. Significa ouvir distintamente, no meio de tantas vozes, a voz Dele. É como ser atingido pela irradiação de bondade e de amor que emana dele, se sentir envolvido e participante a ponto de querer ficar com Ele como os dois discípulos de Emaús ".

O ministro do Evangelho é o único que deixa-se prender por Cristo, continuou o Santo Padre, "que sabe ficar com ele, que entra em sintonia, em amizade íntima com Ele, para que tudo seja feito, como agrada a Deus '".


Depois, Bento XVI falou sobre a vocação sacerdotal para ser "administradores dos Mistérios de Deus, não por interesse vergonhoso, mas com um espírito generoso".

"O convite do Senhor para o ministério não é fruto de mérito especial, mas é um dom a ser acolhido que se corresponde dedicando-se não apenas a um projeto individual, mas ao de Deus, totalmente generoso e desinteressado", disse o Papa. "Nunca devemos esquecer - como sacerdotes - que a única subida legítima rumo ao ministério do pastor não é aquela do sucesso, mas a da Cruz."


Por fim, o Santo Padre encorajou os sacerdotes a viverem como servos, tanto no sentido de ser modelo para os fiéis como servos dos sacramentos.

"É uma vida, então, profundamente marcada por estes serviços: o atencioso cuidado com o rebanho, a celebração fiel da liturgia, e pela prontidão para com todos os irmãos, especialmente os pobres e necessitados", disse o Santo Padre.

"Ao viver essa caridade pastoral no modelo de Cristo e com Cristo, em qualquer lugar que o Senhor chamar, cada sacerdote poderá realizar plenamente a si mesmo e sua vocação", concluiu.

Mensaje del prefecto de la Congregación para el Clero, S.E.R. Mons. Mauro Piacenza, a los sacerdotes con ocasión de la Navidad 2010

[Congre.gif]
Reverendos y queridos sacerdotes:

Con alegría me dirijo a cada uno de vosotros, ante la inminencia de la Santa Navidad, recordándoos en la oración y pidiendo a la Luz que viene al mundo el don de santos sacerdotes para la Iglesia del tercer milenio.

Que el empeñativo trabajo de estos días, por el que el Señor y la Iglesia os dan profundamente las gracias, no os impida deteneros en silencio y con sorprendida y profunda adoración ante ese Misterio, del que dependen radicalmente la salvación del mundo y nuestra misma existencia sacerdotal.

El discurso con el que el Santo Padre Benedicto XVI ha dirigido sus propias felicitaciones a la Curia Romana, ha subrayado de manera especial el don que ha significado el Año Sacerdotal, a pesar de las grandes fatigas que le han caracterizado. Con la lúcida y realista constatación de realidades inimaginables y dolorosísimas, el Santo Padre ha invitado a toda la Iglesia al realismo de la fe y a la disponibilidad a la penitencia, elementos indispensables y constitutivos de toda auténtica, posible y deseada renovación.

De rodillas, ante la gruta de Belén, contemplando al Verbo hecho carne y escuchando su gemido, lleno de ternura y al mismo tiempo profético, mendigamos, por intercesión de la bienaventurada Virgen María, Reina de los Apóstoles, y de san José, su castísimo esposo, que el Señor haga grandes cosas en su Cuerpo, que Él quiere siempre joven, renovado, resplandeciente y misionero.

Con estos sentimientos, aseguro a todos los queridos amigos sacerdotes, esparcidos por todo el mundo, un especial recuerdo en la oración, y a cada uno le pido el apoyo con la oración en el ministerio que me ha sido confiado.
+ Mauro Piacenza
Prefecto

Ordenação Sacerdotal do Diác. João Jeferson

Tirado e adaptado de Coetus Sacerdotallis

No sábado dia 23 de outubro nosso caro Diác. João Jefferson, Secretário do Coetus Sacerdotalis Summorum Pontificum, recebeu a Ordenação Sacerdotal na Catedral Metropolitana de S. Sebastião do Rio de Janeiro.

No dia seguinte, domingo às 9h, o Pe. João Jefferson celebrou a Santa Missa na forma extraodinária do Rito Romano na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, com a assistência do Mons. José de Matos Barbosa, responsável pelo apostolado da Administração Apostólica na Arquidiocese do Rio.

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VESTES LITURGICAS SACERDOTAIS (II)

Amicto: é a primeira veste que o Sacerdote coloca sobre os ombros e em volta do pescoço. Representa o elmo da salvação que defende o Sacerdote das insídias de Satanás. Ao vesti-la é rezada a seguinte oração: "Colocai, Senhor, na minha cabeça o elmo da salvação para que possa repelir os golpes de Satanás".

Alva: é a antiga túnica romana e grega. É de linho e simboliza a pureza de coração com que o Sacerdote deve se aproximar do altar. Representa também a túnica branca com que Cristo foi vestido, por ordem de Herodes, para designá-lo como louco. Ao vesti-la, o sacerdote reza: "Revesti-me, Senhor, com a túnica de pureza, e limpai o meu coração, para que, banhado no Sangue do Cordeiro, mereça gozar das alegrias eternas".

Cíngulo: é um cordão que o Sacerdote amarra na cintura impedindo que a alva se arraste no chão. Representa a mortificação necessária para a conservação da castidade. Representa também a corda com que Nosso Senhor foi amarrado, quando foi preso. O Sacerdote coloca-o dizendo: "Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui nos meus rins o fogo da paixão, para que resida em mim a virtude da continência e da castidade".

Manípulo: inicialmente era uma espécie de guardanapo, preso a um dos braços, utilizado nos banquetes antigos. Mais tarde passou a ser utilizado como lenço, pelos oradores, para enxugar o suor e as lágrimas. Hoje é utilizado por aqueles que possuem ordens maiores, preso ao braço esquerdo. É de seda, e da mesma cor da casula e com três cruzes. Simboliza o trabalho e as boas obras, feitas aqui na terra, com lágrimas, mediante as quais o Sacerdote conquistará o céu. Representa também a corda com que Nosso Senhor foi preso à coluna, para ser açoitado. Ao vesti-lo o Sacerdote reza: "Fazei, Senhor, que mereça trazer o manípulo do pranto e da dor, para que receba com alegria a recompensa do meu trabalho".

Estola: era um lenço luxuoso, mais comprido que o manípulo, utilizado por pregadores, indicando autoridade da pessoa que falava. Hoje é uma faixa comprida de seda, da mesma cor da casula, colocada ao pescoço, descendo para frente por ambos os lados. Simboliza o poder sacerdotal e a imortalidade ou glória eterna que o Sacerdote pede, ao revestir-se dela, rezando: "Restitui-me, Senhor, a estola da imortalidade, que perdi na prevaricação do primeiro pai, e, ainda que não seja digno de me abeirar dos Vossos sagrados mistérios, fazei que mereça alcançar as alegrias eternas".

Casula: seu nome significa "casinha". Era um grande manto que cobria todo o corpo do Sacerdote, permitindo passar somente a cabeça. Sua função era simbolizar o isolamento do Sacerdote com relação o mundo. Com o tempo, esse manto foi diminuindo, por razões práticas (era muito difícil fazer qualquer movimento com ele). Hoje a casula romana é aberta nos flancos para facilitar os movimentos do sacerdote. A casula é feita de seda da cor correspondente à Missa celebrada, possui uma grande cruz nas costas, simbolizando o jugo suave da lei de Cristo que o Sacerdote deve levar e ensinar aos demais a levar. O Sacerdote coloca-a, rezando: "Senhor, que dissestes: O meu jugo é suave e o meu peso é leve, fazei que o suporte de maneira a alcançar a Vossa graça. Amén".

Durante a Santa Missa, o Sacerdote pode ser auxiliado pelos coroinhas, esses se vestem com batina e sobrepeliz.

Batina: Veste dos padres e seminaristas. É negra, representado luto ao mundo, para o qual o Sacerdote está morto, possui um colarinho branco representando a pureza. Na frente possui trinta e três botões, representando a idade de Cristo, e nas mangas possui cinco botões representado as cinco chagas de Cristo.

Sobrepeliz: É uma espécie de alva de tamanho reduzido, chega o máximo na altura do joelhos, possui mangas largas e folgadas. Costuma ser de linho e pode ter rendas.

Há ainda outros paramentos usados pelo Diácono e pelo Subdiácono, em Missas solenes: Dalmática e Tunicela: são paramentos de seda semelhantes à casula do sacerdote, e da mesma cor que ela, porém possuem mangas e formato mais próximo do quadrado. São utilizados, respectivamente, pelo Diácono e pelo Subdiácono. Indicam solenidade, e simbolizam: a dalmática, a Justiça, e a Tunicela, a alegria.

Pluvial: é um grande manto usado pelo sacerdote e que chega até aos pés. É preso no peito por um broche. É utilizado em Missas solenes, onde muitas vezes há procissões. Seu uso antigo era para defender o Sacerdote da chuva.

Véu Humeral: é usado pelo Sacerdote nas bênçãos, transladações e procissões do Santíssimo Sacramento, comunhão para os enfermos, etc., e pelo Subdiácono, na Missa solene, para sustentar a Patena. Utilizado também para cobrir os objetos da Credência. É de seda, branca quando se trata do Santíssimo Sacramento, e da cor dos paramentos, na Missa solene.

Há também os Ornamentos Episcopais ou Pontificiais, mais vistosos e mais ricos, que os dos simples Sacerdotes, pois a maior autoridade e maior dignidade assim exigem.

O Bispo, nas funções solenes reveste-se da cor violácea, símbolo da penitência e do sacrifício, em que devem viver para conduzir o seu rebanho.

Solidéu: é um pequeno gorro da cor violácea, seu nome significa "só para Deus". É utilizado pelo Bispo em todas as ocasiões, e em todos os lugares, exceto diante do Santíssimo exposto, e do Sumo Pontífice.

Roquete: é parecido com a sobrepeliz, possui, porém, mangas compridas e estreitas.

Murça: capinha de cor violácea utilizada sobre o roquete, fechada na frente com botões.

Capa Magna: grande capa com cauda e capuz, utilizada nas funções pontificiais.

Meias e Sandálias: da cor do paramento do dia, significam que o Bispo é como Mensageiro divino, preparado para levar o Evangelho aos povos.

Além dos ornamentos o Bispo utiliza as seguintes Insígnias: Cruz Peitoral: é uma advertência solene de sua diginidade sacerdotal, que deriva da Cruz, e dos seus deveres para com o seu rebanho redimido pela Cruz.

Anel: de ouro, simboliza a caridade, possui uma pedra preciosa e significa a união do Bispo com a Igreja, e sua inquebrantável fidelidade.

Báculo: é um grande cajado de metal precioso, e relembra o cajado dos pastores. Possui uma das extremidade terminado em uma espécie de gancho, e a outra em ponta. Simboliza as funções do pastor: de atrair a ovelha, com a extremidade em gancho, e de atacar e ferir o lobo, com a extremidade pontuda.

Palmatória: pequeno castiçal de cabo com uma vela acesa, como sinal de homenagem a sua dignidade.

Cânon: pequeno missal que fica na frente do Sacrário, ou no atril, em lugar do Missal Ordinário, para maior comodidade do Prelado que deve rezar, nele, orações especiais.

Cruz Arquiespiscopal: possui uma haste, e se leva diante do Arcebispo, quando entra ou sai da igreja, ou quando se dirige solenemente a um lugar, com o crucifixo voltado para ele.

A relação entre estudo teológico e vida interior (I)

R. Garrigou-Lagrange, O.P.
 
Costuma-se separar demais o estudo da vida interior, e não se observa o bastante a belíssima gradação que se encontra no cap. 48 da Regra de São Bento: “lectio, cogitatio, studium, meditatio, oratio, contemplatio”. Santo Tomás, que recebeu sua primeira formação dos beneditinos, conservou esta gradação admirável na sua Suma Teológica, no lugar onde trata da vida contemplativa (IIa. IIae. q. 180, a. 3).
 
Ora, dessa excessiva separação entre estudo e oração, seguem-se muitos defeitos: os sacrifícios e as dificuldades que não raro se encontram nos estudos, não são mais considerados como uma penitência salutar, nem são adequadamente ordenados a Deus; assim, por vezes sobrevêm fadigas e fastio, sem que delas se tire nenhum fruto religioso.
 
Ora, dessa excessiva separação entre estudo e oração, seguem-se muitos defeitos: os sacrifícios e as dificuldades que não raro se encontram nos estudos, não são mais considerados como uma penitência salutar, nem são adequadamente ordenados a Deus; assim, por vezes sobrevêm fadigas e fastio, sem que delas se tire nenhum fruto religioso.
 
Por outro lado, por vezes se encontra no estudo o deleitamento natural, que poderia ser ordenado a Deus, em espírito de fé viva, mas que não raro permanece puramente natural, sem qualquer fruto para a alma religiosa.
 
Santo Tomás fala desses dois desvios na IIa IIae, q. 166, onde trata da virtude da estudiosidade ou da aplicação aos estudos, que deve ser governada pela caridade, contra a curiosidade desordenada e contra a preguiça, a fim de que se estude o que convém, como convém, quando e onde convém e, sobretudo, para que se estude com o espírito e o fim mais apropriado para melhor conhecer o próprio Deus e para a salvação das almas.
 
Mas, para evitar os defeitos acima, opostos um ao outro, é bom lembrar-se de como nosso estudo intelectual pode ser santificado, considerando, em primeiro lugar, o que recebe a vida anterior do estudo retamente ordenado; em seguida, e por outro lado, o que o estudo da Sagrada Teologia pode cada vez mais receber da vida interior. Na união destas duas atividades de nossa vida, verifica-se o princípio: "Causae ad invicem sunt causae, sed in diverso genere"; há entre elas uma relação de mútua causalidade e de prioridade verdadeiramente admirável.

O que quer dizer, na Salve Rainha, a invocação "a vós bradamos, os degredados filhos de Eva"?

Resposta — Para melhor compreender a expressão "degredados filhos de Eva", é conveniente reler o que está nos capítulos 2 e 3 do Gênesis, que narram a criação do homem e a sua queda, cedendo à tentação da serpente e comendo do fruto proibido. Resumiremos os dados principais, transcrevendo alguns trechos desse primeiro livro das Sagradas Escrituras:


"O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e insuflou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma vivente. Ora, o Senhor Deus tinha plantado, desde o princípio, um paraíso de delícias, no qual pôs o homem que tinha formado. E o Senhor Deus tinha produzido da terra toda a casta de árvores formosas à vista, e de frutos doces para comer; e a árvore da vida no meio do paraíso, e a árvore da ciência do bem e do mal. [...] Tomou, pois, o Senhor Deus o homem e colocou-o no paraíso de delícias, para que o cultivasse e guardasse. E deu-lhe este preceito, dizendo: Come de todas as árvores do paraíso, mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque, em qualquer dia que comeres dele, morrerás indubitavelmente" (Gen. 2, 7-15).
A queda, o castigo e a expulsão do Paraíso
Segue-se a descrição da criação de Eva a partir de uma costela de Adão. Em seguida vem a tentação da serpente e a queda do homem:
"Mas a serpente era o mais astuto de todos os animais da terra que o Senhor Deus tinha feito. E ela disse à mulher: Por que vos mandou Deus que não comêsseis de todas as árvores do paraíso? Respondeu-lhe a mulher: Nós comemos do fruto das árvores que estão no paraíso, mas do fruto da árvore que está no meio do paraíso Deus nos mandou que não comêssemos, e nem a tocássemos, não suceda que morramos. Porém a serpente disse à mulher: Vós de nenhum modo morrereis. Mas Deus sabe que, em qualquer dia que comerdes dele, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal.
"Viu, pois, a mulher que [o fruto] da árvore era bom para comer, e formoso aos olhos, e de aspecto agradável; e tirou o fruto dela e comeu; e deu a seu marido, que também comeu. E os olhos de ambos se abriram; e tendo conhecido que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram para si cinturas. E, tendo ouvido a voz do Senhor Deus, que passeava pelo paraíso à hora da brisa, depois do meio-dia, Adão e sua mulher esconderam-se da face do Senhor Deus no meio das árvores do paraíso" (Gen. 3, 1-8).
Como se fosse possível esconder-se da face de Deus! Deus interpela Adão, que culpa Eva. E Eva culpa a serpente. E depois de amaldiçoar a serpente, Deus diz a Eva:
"Multiplicarei os teus trabalhos, [especialmente os de] teus partos. Darás à luz com dor os filhos, e estarás sob o poder de teu marido, e ele te dominará. E disse a Adão: Porque deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que eu te tinha ordenado que não comesses, a terra será maldita por tua causa; tirarás dela o sustento com trabalhos penosos todos os dias da tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra, de que foste tomado; porque és pó, e em pó te hás de tornar" (Gen. 3, 16-19).
Por desobediência, o degredo de Adão e Eva
Adão e Eva são expulsos do Paraíso. Anunciação (detalhe) – Fra Angélico, séc. XV. Museu do Prado, Madri


"Fez também o Senhor Deus a Adão e sua mulher umas túnicas de peles e os vestiu. E disse: Eis que Adão se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal; agora, pois, [expulsemo-lo do paraíso], para que não suceda que ele estenda a sua mão e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente. E o Senhor Deus lançou-o fora do paraíso de delícias, para que cultivasse a terra, de que tinha sido tomado. E expulsou Adão, e pôs diante do paraíso de delícias Querubins brandindo uma espada de fogo, para guardar o caminho da árvore da vida" (Gen. 3, 21-24).
Portanto Deus tinha criado o homem para deixá-lo num paraíso de delícias. Esse lugar seria a sua pátria nesta Terra. Tendo ele pecado, Deus expulsou-o desse paraíso, condenando-o a comer o pão com o suor do seu rosto, sujeitando-o a toda espécie de males, e por fim à morte. Como filhos de Adão e Eva, esta é a nossa situação atual: fomos desterrados da pátria que Deus tinha criado para nós, e vivemos numa terra de exílio.
Esta passagem da pátria autêntica, cheia de delícias, para uma terra estranha e adversa, é o que se chama degredodesterro ou exílio. Somos, pois, os "degredados filhos de Eva".
A Salve Rainha é uma oração composta originalmente em latim, onde se usa no trecho em questão a palavra exsules, que se traduziria perfeitamente por exilados. No tempo em que a oração foi traduzida para o português, seria mais comum do que hoje o uso da palavra degredo, e portanto todos a compreendiam facilmente. De qualquer modo, o significado é o mesmo: exílio ou desterro, isto é, a expulsão da pátria como castigo de um crime grave, como grave foi a desobediência de Adão e Eva à ordem dada por Deus.
Naturalmente pode dar-se também o exílio voluntário, quando alguém foge do país por receio de ser perseguido por razões políticas ou de outro gênero. Foi o que ocorreu com a Sagrada Família, que se exilou no Egito para fugir da perseguição de Herodes. No caso de Adão e Eva, porém, não se tratou de um exílio voluntário.
Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria
Nossa Senhora aparece a São Bernardo de Claraval


Uma piedosa legenda atribui as palavras finais da Salve Rainha — o clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria — a São Bernardo de Claraval, que as teria pronunciado na Catedral de Spira por ocasião de uma solenidade no dia 25 de dezembro de 1146, na presença do imperador Conrado III. A Salve Rainha é comumente atribuída, toda inteira, ao mesmo S. Bernardo, mas disso não se pode ter certeza, pois algum tempo antes de São Bernardo a oração já era conhecida.
Mais importante do que descobrir sua autoria é rezá-la com freqüência, para que a Santa Mãe de Deus esteja sempre presente, fazendo companhia a nós, que somos "os degredados filhos de Eva". Máxime em nossos dias, em que esta terra de exílio vai se tornando cada vez mais adversa aos filhos da Santa Igreja, e já se esboçam planos de perseguição aos verdadeiros católicos em todo o mundo, como está previsto no Segredo de Fátima. Mesmo em nosso católico Brasil (ou já se pode falar de ex-católico Brasil?), cujo Plano Nacional de Direitos Humanos, assinado pelo Presidente Lula, contém medidas de verdadeira perseguição religiosa.
Precisamos resistir e lutar, por todos os meios lícitos, contra o que pretendem esses inimigos da Igreja. Mas, não nos iludamos, pode chegar o momento em que todos os que queiramos permanecer fiéis a Nosso Senhor Jesus Cristo sejamos confinados nos calabouços dos novos Coliseus, que vão se construindo nas nações celeremente secularizadas e atéias de nossos dias.
Precisamos estar preparados para enfrentar então o martírio. E desde já, aflitos mas confiantes, devemos levantar os olhos para a Virgem Mãe de Deus e bradar em alta voz:
Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva! A vós suspiramos, gemendo e chorando, neste vale de lágrimas! Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.
E devemos insistir sempre: Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo!
*       *       *
O sacerdote que assina as linhas acima é portador de uma sacratíssima relíquia que, devidamente autenticada e lacrada, contém uma gota do leite que — ó admirável privilégio! — a Mãe do Divino Infante deixou cair sobre a língua de seu diletíssimo Bernardo, enquanto este cantava o Salve Rainha!

Mensaje del nuevo prefecto de la Congregación para el Clero, S.E.R. Mons. Mauro Piacenza, a los sacerdotes y diáconos


Vaticano a 8 de octubre de 2010
Queridísimos Sacerdotes y Diáconos:


En el momento en el que el Santo Padre ha tenido la bondad de nombrarme nuevo Prefecto deseo enviar a cada uno mi saludo más cordial.


El Año Sacerdotal, hace poco terminado, permanece ante nosotros, sea en sus contenidos, sea en su modelo de santidad, San Juan María Vianney. En sus contenidos es todo aquello que hay que recibir plenamente en el ámbito de la formación – inicial y permanente del Clero – sobre todo mirando a la centralidad, que se ha querido reconocer a la Eucaristía, celebrada y adorada; en el modelo de santidad propuesto refulge la heroica participación del Cura de Ars en su donación a Cristo a favor de la vida de los hombres y tal testimonio nos empuja continuamente a ofrecernos al Señor “en sacrificio de suave olor”.


Delante de las tempestades del “mar de este mundo”, Jesús de Nazaret repite a sus discípulos: “No tengáis miedo”. A la tentación del activismo y de la búsqueda espasmódica de soluciones humanas – ¡demasiado humanas! – El responde con la suave invitación: “Permaneced en mi amor” (Jn. 15,9).


Como indicado por el Santo Padre Benedicto XVI: “Si continuamos a leer detenidamente este fragmento del Evangelio de Juan, encontramos también un segundo imperativo: “Permaneced” y “Observad mis mandamientos”. “Observad” es sólo el segundo nivel; el primero es aquel de “permanecer”, el nivel ontológico, esto es, que estemos unidos a El, que se ha dado anticipadamente, que ya ha dado su amor, el fruto. No somos nosotros quienes debemos producir el gran fruto; el cristianismo no es un moralismo, no somos nosotros quienes debemos hacer cuanto Dios espera del mundo; pero debemos entrar en este misterio ontológico: Dios se da El mismo. Su ser, su amar precede nuestro hacer y, en el contexto de su Cuerpo, el contexto de estar con El, identificándose con El, ennoblecidos con su Sangre, podemos también nosotros hacer como Cristo” (Visita al Seminario Romano Mayor, 12. 02. 2010).


Queridos amigos, es propiamente éste el primado de la ontología sobre la ética, del “estar” sobre el “hacer”, la garantía, la única garantía posible y la fecundidad de nuestro apostolado.


Ante la imperante secularización y el divagante relativismo, el Beato Cardenal J. H. Newman nos recuerda que: “Demasiadas veces el cristianismo se ha encontrado en aquello que parecía un peligro mortal; ¿por qué ahora debemos atemorizarnos ante esta nueva prueba? Esto es absolutamente cierto; lo que es incierto – y en estos grandes desafíos ciertamente lo es y representa una gran sorpresa para todos – es la manera en la que, una vez después de otra, la Providencia protege y salva a sus elegidos. A veces, el enemigos se transforma en amigos, a veces se logra desnudarlo de su virulencia y agresividad, a veces cae a pedazos por sí mismo, a veces infiere cuanto basta a nuestro favor y después desaparece. Normalmente la Iglesia no debe hacer otra cosa que continuar haciendo aquello que debe hacer, en confianza y la paz, estar tranquila y esperar la salvación de Dios” (Billete Speech, 12 mayo 1879).


Con estos sentimientos de profunda y radical confianza en el Señor de la Iglesia y de la historia, en el Señor de mi existencia sacerdotal y de la vuestra, os pido un particular recuerdo en la oración, mientras aseguro mi pastoral solicitud y una especial entrega a la potente protección de la Beata Virgen María, que es Madre de los Sacerdotes con un título especialísimo.
+ Mauro Piacenza
Arz. Titular de Vittoriana
Prefecto

Dom Piacenza: sacerdote não é “funcionário de Deus”, e sim “outro Cristo”

Fala o novo prefeito da Congregação para o Clero
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 7 de outubro de 2010 (ZENIT.org) - A renovação espiritual profunda dos sacerdotes é indispensável para a nova evangelização, como o Papa Bento XVI indicou em várias ocasiões durante o Ano Sacerdotal. Este é o "programa" que tem em mente o novo prefeito da Congregação para o Clero, Dom Mauro Piacenza.

O prelado concedeu esta entrevista a ZENIT imediatamente após a divulgação da sua nomeação por parte do Papa, depois da renúncia do cardeal Cláudio Hummes, por motivos de idade.

Dom Mauro Piacenza, que trabalhou muitos anos na Congregação para o Clero, reconhece que uma das suas tarefas será melhorar a formação do clero - também a partir dos escândalos protagonizados por alguns membros deste nos últimos meses.

ZENIT: O Santo Padre o chamou à alta responsabilidade de guiar o dicastério da Cúria Romana que se ocupa dos sacerdotes. Que motivos levaram o Papa a fazer esta escolha?

Dom Piacenza: Isso nós teríamos que perguntar ao Santo Padre! Pelo que posso imaginar, minha longa presença neste dicastério deve ter tido algum papel, pois a maior parte do meu serviço à Cúria Romana foi levada a cabo nele.

Aproveito esta oportunidade para renovar meu profundo agradecimento ao Sumo Pontífice pela confiança que ele demonstrou e para invocar, para mim e para todos os colaboradores da congregação, sua bênção paterna, de forma que todos nós, juntos, possamos trabalhar incansavelmente pelo verdadeiro bem do clero e da santa Igreja, não antepondo nada ao amor de Cristo.

ZENIT: Também pelas conhecidas circunstâncias presentes, a Congregação para o Clero assume hoje um papel estratégico no governo de Bento XVI?

Dom Piacenza: Quem se ocupa dos delitos mais graves é a Congregação para a Doutrina da Fé. Contudo, certamente é necessário e é um dever colocar em marcha todos esses instrumentos que impedem que atos semelhantes voltem a ocorrer.

O primeiro de todos é a formação, inicial e permanente, pela qual é necessário velar continuamente, porque não se deve formar "funcionários de Deus", mas sim "outros Cristos": um bom pastor que, vivendo totalmente de Deus e para Deus, ofereça a vida pelo seu rebanho, fazendo-o crescer no amor autêntico.

ZENIT: E quais são os caminhos para obter isso? Qual é o seu programa?

Dom Piacenza: Não tenho outro programa a não ser o de obedecer a Cristo e à sua Igreja, cuja vontade se manifesta, de maneira totalmente peculiar, por meio do Santo Padre. Ele mesmo nos remeteu muitas vezes, também durante o Ano Sacerdotal, a uma leitura não funcionalista, mas ontológica do ministério ordenado, capaz realmente de "levar Deus ao mundo" através do carisma do celibato, da fidelidade evangélica, da caridade pastoral. A Eucaristia, celebrada e adorada, em uma concepção semelhante do ministério ordenado, não pode deixar de ter um papel absolutamente central: nela está o segredo, a fonte de toda existência sacerdotal "bem sucedida". A Eucaristia é a própria respiração sacerdotal.

ZENIT: Qual é a identidade sacerdotal, então, que o novo prefeito tem em mente?

Dom Piacenza: Sempre a da Igreja! A identidade sacerdotal só pode ser cristocêntrica e, por isso, eucarística. Cristocêntrica porque, como muitas vezes recordou o Santo Padre, no sacerdócio ministerial, "Cristo atrai para si", envolvendo-se conosco e envolvendo-nos em sua própria existência. Esta atração "real" acontece sacramentalmente, portanto, de forma objetiva e insuperável, na Eucaristia, da qual os sacerdotes são ministros, isto é, servos e instrumentos eficazes.

ZENIT: O senhor acabou de mencionar o celibato. Estão previstas novidades a propósito desta lei?

Dom Piacenza: Antes de tudo, é preciso eliminar a palavra "lei". A lei é consequência de uma realidade muito mais alta, que só pode ser captada em um contexto cristológico. O celibato é sempre uma novidade, no sentido de que também através dele, a vida do presbítero é "sempre nova", porque sempre se entrega e, portanto, sempre é renovada, em uma fidelidade que tem em Deus sua própria raiz; e no florescimento e dilatação da liberdade humana, seu próprio fruto.

ZENIT: Como o senhor pretende realizar este programa?

Dom Piacenza: Se pensasse em realizá-lo "eu", seria um temerário! É o Espírito quem guia a Igreja na realização dos seus programas. Certamente, é necessária uma profunda redescoberta da dimensão vertical da vida e da fé, também para os sacerdotes, voltando a colocar Deus no seu lugar: o primeiro!

A ordenação, na vida do discípulo, é garantia de fecundidade apostólica, unida a um profundo espírito de oração e a uma intensa vida eucarística, tanto sacramental como no dom total de si.

Peço o acompanhamento e o apoio, nesta nova tarefa que o Santo Padre me confiou, a todos os meus irmãos bispos e sacerdotes, assim como a todas as almas consagradas, sensíveis à causa essencial da santificação do clero, fundamental para toda a grande empresa da nova evangelização. Que Nossa Senhora nos acompanhe, ilumine e proteja. A Ela confio e consagro todo o meu humilde serviço. Obrigado!

“É da liturgia que nós obtemos a graça que nos salva”, afirma monsenhor Guido Marini

Publicado 2010/10/06
Autor: 
Gaudium Press
Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 06-10-2010, Gaudium Press) Para o mestre das Cerimônias Pontifícias do Santo Padre, a liturgia está intrinsicamente ligada à espiritualidade - e isso se reflete nas postulações e considerações do Papa Bento XVI sobre o tema. Nesta entrevista exclusiva a Gaudium Press, em Roma, mons. Guido Marini fala sobre reforma, justificação e fidelidade litúrgica.

Gaudium Press - Como a Igreja católica entende a liturgia depois do Concílio Vaticano II? Qual é o sentido, o coração da liturgia? O Santo Padre durante sua recente viagem à Inglaterra, na Catedral de Westminster falou sobre a dimensão do sacrifício.

Creio que haja dois aspectos da celebração eucarística onde um deve estar junto ao outro. Porque como se diz também nos documentos do magistério, a Missa é a renovação do sacrifício do Senhor e, ao mesmo tempo, é também o momento, o lugar no qual este sacrifício se comunica a nós através do sinal da convicção. Por isso, eu creio que haja dois elementos, ambos fundamentais para a compreensão da celebração eucarística. Creio também que a dimensão sacrifical é uma dimensão de fundação. Porque se não houvesse o sacrifício redentor, não existiria nem mesmo a possibilidade de comunicar este sacrifício e assim entrar em comunhão com a salvação que nos foi dada pelo Senhor Jesus. Eu creio que isto seja a visão que a Igreja nos transmite através de seu ensinamento e que nos leva ao coração autêntico da liturgia.
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Monsenhor Guido Marini auxiliando o Santo Padre em cerimônia

GP - O Santo Padre se refere também brevemente à questão da justificação. Sempre falando sobre liturgia, como a Igreja Católica apresenta o tema da justificação em Cristo?
No âmbito da liturgia, justamente porque repropõe, apresenta, atualiza o mistério da salvação, isto é, do Senhor que morreu e ressuscitou por nós, se apresenta também como o momento da justificação da humanidade e do homem. Porque nós sabemos que o homem é salvo justamente em virtude deste mistério de morte e ressurreição. É claro que depois cada um deve se apropriar pessoalmente, subjetivamente, dessa justificação que foi dada. E então me parece que sejam os dois aspectos de novo importantes, ambos fundamentais da participação na liturgia. De uma parte vem um dom, que é o dom da salvação e portanto o mistério que se renova. Por outro lado este dom deve ser porém acolhido na vida de cada um e deve tornar-se vida da vida. Então, há sempre esta relação entre dom e responsabilidade, justificação dada e justificação acolhida na própria vida pessoal.

GP - O então professor Ratzinger nos seus escritos fala na reforma da reforma da liturgia. Como o senhor vê esta exigência das reformas, das mudanças na liturgia? De fato, algumas mudanças já foram introduzidas pelo Santo Padre Bento XVI.
Quando às vezes se fala e se usa este termo "reforma da reforma", se arrisca a ser "mal entendido". Porque nem todos o entendem da mesma maneira e nem todos o captam do mesmo modo. Eu creio que, além das frases feitas, aquilo que é importante é que a reforma que o Concílio Vaticano II iniciou seja efetivamente realizada em modo completo segundo os ensinamentos do Concílio, que colocam a liturgia em uma continuidade com toda a sua tradição no mesmo tempo com o critério de desenvolvimento orgânico. Como deve ser sempre na vida da Igreja. A atuação prática da reforma depois do Vaticano II não está sempre feliz. Exatamente por isto que talvez seja necessário fazer alguma correção, alguma mudança, alguma melhoria justamente para atuar em modo completo as indicações do Concílio e fazê-las de forma que pareça cada vez mais claro com o desenvolvimento da liturgia da Igreja e se coloque em orgânica continuidade com a que a precedeu.

GP - Uma das indicações do Concílio Vaticano II não realizada na prática foi o desejo de um movimento litúrgico dentro da Igreja, principalmente na Alemanha e na França. Agora como se vê esta exigência na pastoral litúrgica?
O próprio Papa ainda cardeal havia desejado um renovado movimento litúrgico que pudesse criar as condições, as bases para o desenvolvimento interior, aprofundamento da vida litúrgica da Igreja. Assim como foi antes do Concílio Vaticano II. Aqui também há diversos modos de ver, de estender as relações entre o movimento litúrgico antes do Concílio com este movimento litúrgico que continua ainda agora que se gostaria que fosse ainda mais significativo, talvez renovado. Eu creio que a vida litúrgica da Igreja conhece um florescimento sempre que há um terreno que seja capaz de fazer florescer. Então creio que seja importante o amor à liturgia e também o viver a liturgia com fidelidade a indicações da Igreja, a fim de se tornar de algum modo aquele grande movimento litúrgico que depois pode trazer frutos para a vida litúrgica da Igreja.

GP - O Santo Padre durante sua audiência geral de 29 de setembro disse que "A Liturgia é uma grande escola da espiritualidade". O que queria dizer o Santo Padre?
Creio que ele queria dizer que a espiritualidade cristã nasce da liturgia e cresce com a liturgia. Acredito que não seja imaginável a espiritualidade fora do contexto litúrgico. Justamente porque é da liturgia que nós obtemos a graça que nos salva e é na liturgia que nós crescemos dentro desta graça que nos salva. Nós encontramos o Senhor vivo, presente na Igreja operante na sua Igreja em modo mais alto justamente na liturgia. Então, se isto faltasse, então de verdade faltaria a fonte, a força para qualquer espiritualidade. Uma verdadeira vida espiritual, um crescimento da vida espiritual, um caminho intimamente espiritual só é possível em relação com a liturgia.

Anna Artymiak

Papa aos sacerdotes: vocação de ser “outro Cristo”


Propõe o Santo Cura d’Ars como modelo


CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 24 de junho de 2009 (ZENIT.org).- O sacerdócio não é meramente um “serviço” aos demais; o centro de uma vocação sacerdotal é a configuração da própria pessoa com Cristo, afirma Bento XVI.


O Papa dedicou a tradicional catequese de quarta-feira a aprofundar no significado do recém-inaugurado Ano Sacerdotal, com o qual se comemora o 150º aniversário da morte do Santo Cura d’Ars.

“Este novo ano jubilar nos convida a olhar um pobre agricultor convertido em humilde pároco, que realizou seu serviço pastoral em um pequeno povoado”, explicou o Papa aos presentes.

“Por que um Ano Sacerdotal? Por que precisamente na recordação do santo cura d’Ars, que aparentemente não fez nada de extraordinário?”, perguntou.

Para Bento XVI, não é “casual” que o encerramento do Ano Paulino tenha coincidido com o começo do Ano Sacerdotal. Dois santos, Paulo e João Maria Vianney, que “se diferenciam muito pelos trajetos de vida que os caracterizaram”.

No entanto, “algo fundamental os une: sua total identificação com seu próprio ministério, sua comunhão com Cristo que fazia Paulo dizer: ‘Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim’. Já São João Maria Vianney gostava de repetir: ‘Se tivéssemos fé, veríamos Deus escondido no sacerdote como uma luz atrás do cristal, como o vinho mesclado com a água’”.

O Papa explicou que hoje é difícil viver o ministério sacerdotal “num mundo em que a visão comum da vida compreende cada vez menos o sagrado, em cujo lugar o ‘funcional’ converte-se na única categoria decisiva, a concepção católica do sacerdócio poderia correr o risco de perder sua consideração natural, inclusive dentro da consciência eclesial”.

“Não é casual que tanto nos ambientes teológicos como também na prática pastoral concreta e de formação do clero, contrastam-se, e inclusive se opõem, duas concepções diferentes do sacerdócio”, uma “social-funcional” e outra “sacramental-ontológica”.

A primeira “define a essência do sacerdócio com o conceito do ‘serviço’: o serviço à comunidade, na realização de um função...”, enquanto a outra “não nega o caráter de serviço do sacerdócio, mas que o vê ligado ao ser do ministro e considera que este ser está determinado por um dom concedido pelo Senhor através da mediação da Igreja, cujo nome é sacramento”.

Na realidade, esclareceu, “não se trata de duas concepções contrapostas, e a tensão que contudo existe entre elas deve-se resolver a partir de dentro”.

“O sacerdote é servo de Cristo, no sentido de que sua existência, configurada ontologicamente com Cristo, assume um caráter essencialmente relacional: ele está em Cristo, para Cristo e com Cristo ao serviço dos homens.”

“Precisamente porque pertence a Cristo, o sacerdote está radicalmente ao serviço dos homens: é ministro de sua salvação, de sua felicidade, de sua autêntica libertação”, assinalou o Papa.

A respeito do “ministério da palavra” próprio dos sacerdotes, esclareceu que “a pregação cristã não proclama “palavras”, mas a Palavra, e o anúncio coincide com a própria pessoa de Cristo, ontologicamente aberta à relação com o Pai e obediente a sua vontade”.

“Um autêntico serviço à Palavra requer por parte do sacerdote que tenda a uma abnegação profunda de si mesmo”, acrescentou. “O presbítero não pode considerar-se ‘amo’ da palavra, mas servo”.

Isso “não constitui para o sacerdote um mero aspecto funcional. Ao contrário, pressupõe um substancial “perder-se” em Cristo, participando em seu ministério de morte e de ressurreição com todo o próprio eu: inteligência, liberdade, vontade e oferecimento dos próprios corpos, como sacrifício vivo”, afirmou.

O Papa expressou seu desejo de que o Ano Sacerdotal favoreça “o fortalecimento de cada presbítero até a perfeição espiritual da qual depende sobretudo a eficácia de seu ministério”.

Trata-se de “ajudar os sacerdotes e, com eles, todo o Povo de Deus, a redescobrir e revigorar a consciência do extraordinário e indispensável dom da Graça que o ministério ordinário representa para quem o recebeu, para toda Igreja e para o mundo, que, sem a presença real de Cristo, estaria perdido”.
(Inma Álvarez)