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O Espírito Santo e o próximo conclave


Por Roberto de Mattei

Os olhos do mundo, não só dos católicos, estão voltados neste momento para São Pedro, a fim de saber quem será o novo Vigário de Cristo. A espera que se manifesta antes de cada Conclave é desta vez mais acurada e intensa, pela sucessão de acontecimentos que nos deixam chocados e confusos.
Roberto De Mattei
Massimo Franco escreve no “Corriere della Sera” de 27 de fevereiro de 2013 que “dentro da Cidade do Vaticano está se consumando o fim de um modelo de governo e de uma concepção do papado”, e compara a dificuldade que a Igreja atravessa hoje com a fase final da crise do Kremlin soviético. “O declínio do Império vaticano – escreve – acompanha aquele dos EUA e da União Europeia em crise econômica e demográfica. Mostra um modelo de papado e de governo eclesiástico centralizado, desafiado por uma realidade fragmentada e descentralizada”. A crise do império vaticano vem apresentada como uma crise de modelo de papado e de governo eclesiástico inadequado para o mundo do século XXI. A única saída seria a de um processo de “auto-reforma” que salvasse a instituição desnaturando-lhe a essência.
Na realidade, o que está em crise não é o governo “monocrático” conforme com a Tradição da Igreja, mas o sistema de governo nascido das reformas pós-conciliares, que nos últimos 50 anos vêm expropriando o Papado de sua autoridade soberana para redistribuir o poder entre as conferências episcopais e uma onipotente Secretaria de Estado. Mas, sobretudo Bento XVI e seus predecessores, por razões diversas de temperamento, se tornaram vítimas do mito da colegialidade de governo na qual sinceramente acreditaram, renunciando a assumir muitas responsabilidades que teriam podido resolver o problema da aparente ingovernabilidade da Igreja. A atualidade perene do Papado está no carisma que lhe é próprio: o primado de governo sobre a Igreja universal, da qual o magistério infalível é a decisiva expressão.
Bento XVI, dizem alguns, não exerceu com autoridade seu poder de governo, por ser um homem suave e manso, que não tem nem o caráter nem a força física para fazer frente a essa situação de grave ingovernabilidade. O Espírito Santo o iluminou infalivelmente, sugerindo-lhe o supremo sacrifício da renúncia ao pontificado para salvar a Igreja. Porém, não se dá conta de quanto este discurso seculariza e humaniza a figura do Sumo Pontífice. O governo da Igreja não se rege com base no caráter de um homem, mas em sua correspondência à assistência divina do Espírito Santo.
O Papado tem sido ocupado por homens de caráter imperioso e guerreiro como Júlio II, e por temperamento suave e amável como Pio IX. Mas foi o beato Pio IX, e não Júlio II, a corresponder mais perfeitamente à graça, ascendendo ao cume da santidade própria ao exercício heróico do governo papal. A concepção segundo a qual um Papa fraco e cansado deve renunciar não é sobrenatural, mas naturalista, porque nega a ajuda decisiva ao Pontífice daquele Espírito Santo que impropriamente vem invocado. O naturalismo se transforma neste ponto no seu oposto: em um fidelismo de impronta pietista, pelo qual a penetração do Espírito Santo absorve a natureza humana e torna-se o fator regenerador da vida da Igreja. Trata-se de heresias antigas que hoje afloram até nos ambientes mais conservadores.
O erro, sempre mais difuso, é aquele de tentar justificar qualquer decisão que seja tomada por um Papa, por um Concílio, por uma Conferência Episcopal, em nome do princípio pelo qual “o Espírito Santo assiste sempre a Igreja”. A Igreja é por certo indefectível porque, graças à assistência do Espírito Santo, o “Espírito da Verdade” (Jo 14, 17), tem a garantia de seu Fundador de perseverar até o fim dos tempos na profissão dessa mesma fé, desses mesmos sacramentos, da mesma sucessão apostólica de governo. Indefectibilidade, todavia, não significa infalibilidade estendida a todos os atos de Magistério e de governo, nem tampouco impecabilidade da suprema hierarquia eclesiástica.
Na história da Igreja, explica Pio XII, “alternam-se vitórias e derrotas, subidas e descidas, heroicas confissões com o sacrifício de bens e da vida, mas também, em alguns de seus membros, queda, traição e divisão. Um testemunho da história é inequivocamente claro: oportae infero non praevalebunt (Mt 16, 18); mas também não falta a outra testemunha, até as portas do inferno tiveram o seu sucesso parcial” (Discurso De coração grande, de 14 de setembro 1956). Malgrado os sucessos parciais e aparentes do inferno, a Igreja não fica abalada nem pelas perseguições, nem pelas heresias ou pelos pecados de seus membros; pelo contrário, obtém nova força e nova vitalidade diante das graves crises que a golpeiam.
Mas se os erros, as quedas, as deserções não devem nos desencorajar, quando ocorrem não podem ser negados. Foi, por exemplo, o Espírito Santo que inspirou a escolha de Clemente V e de seus sucessores de transferir a sede do Papado de Roma para Avignon? Hoje os historiadores católicos concordam em defini-la como uma decisão gravemente errada, que enfraqueceu o Papado no século XIV, abrindo o caminho para o Grande Cisma do Ocidente.
Foi o Espírito Santo que sugeriu a eleição de Alexandre VI, um Papa que teve uma conduta profundamente imoral antes e depois de sua eleição? Nenhum teólogo, mas também nenhum católico, poderia sustentar que os 23 cardeais que elegeram o Papa Borgia foram iluminados pelo Espírito Santo. E se isso não aconteceu naquela eleição, pode-se imaginar que não aconteça em outras eleições e conclaves, que viram a escolha de Papas fracos, indignos, inadequados para a sua alta missão, sem que de algum modo isso prejudicasse a grandeza do Papado.
A Igreja é grande também porque sobrevive à pequenez dos homens. Pode, portanto, ser eleito um Papa imoral ou inapropriado. Pode acontecer que os cardeais do conclave rejeitem o influxo do Espírito Santo, e que o Espírito Santo, que assiste o Papa no cumprimento de toda a sua missão, seja recusado. Isso não significa que o Espírito Santo é derrotado pelos homens ou pelo demônio. Deus, e só Ele, é capaz de tirar o bem do mal e, portanto, a Providência guia todos os acontecimentos da História. No caso do conclave, explica em seu tratado sobre a Igreja o cardeal Journet, assistência do Espírito Santo significa que ainda que a eleição fosse o resultado de uma má escolha, tem-se a certeza de que o Espírito Santo, que assiste a Igreja transformando em bem até o mal, permite que isso aconteça por fins superiores e misteriosos. Mas o fato de que Deus tire o bem do mal praticado pelos homens, como aconteceu com o primeiro pecado de Adão, que foi a causa da Encarnação do Verbo, não significa que os homens possam fazer o mal sem culpa. E todo pecado deve ser pago, no céu ou na terra.
Cada homem, cada nação, cada assembleia eclesiástica deve corresponder à Graça, que para ser eficaz necessita da cooperação humana. Em face do processo de demolição da Igreja, do qual já falava Paulo VI, não se pode, portanto, permanecer com as mãos cruzadas, em um estado de otimismo pseudo-místico. Devemos rezar e agir, cada um de acordo com a sua própria possibilidade, para que esta crise tenha fim e a Igreja possa mostrar visivelmente aquela santidade e aquela beleza que jamais perdeu, e que nunca perderá até o fim dos tempos. (Roberto de Mattei)

Missa Pro eligendo Pontifice: invocar o Espírito Santo para ajudar a Igreja a escolher o sucessor de Pedro



Roma, 07 de Março de 2013 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio 

Na quinta Congregação Geral que aconteceu hoje pela manhã, o número de cardeais subiu para 152. Estavam presentes 114 dos eleitores, falta apenas o cardeal do Vietnã, Pham Minh Man.  

De acordo com o referido pelo porta voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, durante o briefing com os jornalistas acreditados junto à Santa Sé, os últimos cardeais a fazerem o juramento foram o arcebispo de Varsóvia, Kazmierrz Nycz, e o núncio apostólico emérito Giovanni Coppa.

No decorrer da manhã foi realizado o sorteio do novo trio de assistentes do Camerlengo, sendo designado o cardeal Bechara Boutros Raí (para os bispos), Laurent Monsengwo (para os presbíteros) e Velasio De Paolis (para diáconos).

Entre os 16 pronunciamentos realizados na Quinta Congregação, os primeiros três foram dos chefes dos Dicastérios para assuntos econômicos: cardeal Domenico Calcagno, presidente da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica; Giuseppe Versaldi, prefeito para Assuntos Econômicos e Giuseppe Bertello, presidente  do Governatorato da Cidade do Vaticano.

Sob a Constituição Apostólica Pastor Bonus ( n º 171), durante a Sé Vacante, o Camerlengo deve prover ao Colégio dos Cardeais relatórios e informações sobre o balanço patrimonial e econômico da Santa Sé. Por isso, o Cardeal Camerlengo, Tarcisio Bertone, colocou em questão os responsáveis ​​pelos diversos Dicastérios para assuntos econômicos.

Ainda nesta manhã foram tocados argumentos que vão da evangelização ao compromisso da Igreja no mundo de hoje; da Santa Sé aos departamentos da Cúria Romana; das relações com os bispos ao perfil e as expectativas para o novo Papa. Falou-se também do diálogo ecumênico, da caridade e do compromisso da Igreja para com os pobres.

Padre Lombardi destacou a notável variedade de intervenções, com uma ampla participação dos cardeais de todas as línguas e de todas as nações.

Instado pelos jornalistas sobre a possível data de início do Conclave, Pe. Lombardi afirmou que - além de determinada quando o número de eleitores estiver completo – é estabelecida por iniciativa do Cardeal Decano, que “sentindo" o Colégio, propõe a data e leva para votação. O Decano, portanto, se move "com muita cautela, sem a imposição de um tempo ao Colégio.

O porta-voz do Vaticano também negou a informação divulgada ontem por uma agência de notícias, segundo a qual o Conclave começaria segunda-feira, 11 de março, como se os cerimonialistas tivessem reservado uma missa Pro eligendo Pontifice na Basílica Vaticana para a tarde do mesmo dia.

A notícia foi negada pelo mestre de cerimônias do Vaticano, monsenhor Guido Marini. Além disso, acrescentou Lombardi, a reserva desta celebração litúrgica na Basílica, não diz respeito aos mestres de cerimônias, mas ao Colégio dos Cardeais.

A missa Pro eligendo Pontífice, disse Lombardi, pode ser celebrada nestes dias por qualquer sacerdote, em qualquer paróquia ou capela no mundo, para invocar o Espírito Santo para ajudar a Igreja a escolher o próximo sucessor de Pedro.

Alguns jornalistas estavam preocupados com a publicação de entrevistas ou declarações de alguns prelados que preferem permanecer anônimos. A este respeito, padre Lombardi afirmou que cada um deve assumir a responsabilidade e cabe ao jornalista avaliar se a fonte é "confiável".

Sobre algumas prováveis indiscrições que alguns cardeais italianos teriam difundido fora das Congregações, o porta-voz do Vaticano considera essas declarações inaceitáveis ​​e acrescentou: "Quem deixa a confidencialidade, eu não sei".

Quanto à suspensão da conferência de imprensa dos cardeais americanos, Lombardi afirmou que essa decisão não foi imposta de forma alguma pelo Colégio dos Cardeais.

A última rodada de perguntas foi sobre o clima emocional do Conclave, muito diferente do realizado em 2005, em luto pela morte do Papa João Paulo II. As diferenças em relação há oito anos atrás, no entanto, "não influenciam substancialmente sobre a responsabilidade dos cardeais e sobre suas tarefas", disse padre Lombardi.

Continuam as obras na Capela Sistina, em vista do Conclave, como evidenciado pelas imagens de vídeo transmitidas para a imprensa.  Está sendo escurecido o vidro da entrada da capela, e está em fase de conclusão a construção do piso de madeira elevado, onde serão dispostas as mesas dos cardeais eleitores.

Chegaram também os dois fogareiros que serão colocados fora do piso temporário: o primeiro servirá para emitir a fumaça preta ou branca, e o segundo, mais arredondado, servirá para queimar as cédulas após cada votação.

Enquanto isso, nos jardins do Vaticano foi removido o brasão papal do Papa Bento XVI. Sobre o terreno serão plantadas flores que reproduzirão o emblema do novo Papa.

(07 de Março de 2013) © Innovative Media Inc.

A Guarda do Papa



O encerramento do pontificado de Bento XVI foi marcado por um ato que pôs em evidência um dos muitos personagens do Vaticano: a Guarda Suíça Pontifícia. Coube a ela cerrar as portas do Palácio Apostólico de verão, em Castel Gandolfo, onde o agora Papa Emérito passará os próximos dois meses. Após esse gesto, depôs as armas e foi substituída pela Gendarmaria (Corpo de Polícia do Estado do Vaticano). Mas, uma pergunta ficou no ar: quem são esses homens cuja função é cuidar da segurança do Papa?
Por volta de 1505, o então Papa Julio II pediu ao monarca da Suíça que lhe mandasse um grupo de homens para fazer a sua segurança pessoal. Em 22 de janeiro de 1506, 150 homens suíços, comandados pelo Capitão Kaspar von Silenem, escolhidos entre os mais fortes, robustos e nobres representantes dos cantões de Uri, Zurique e Lucerna, adentraram ao Vaticano e atravessaram a Praça do Povo, onde foram abençoados por aquele Pontífice.
Encarregados de garantir a segurança do Papa, enfrentaram em 06 de maio de 1527 a mais sangrenta batalha, quando Roma foi invadida por cerca de dezoito mil homens pertencentes ao exército de Carlos V, o qual guerreava contra Francisco I. Naquele dia, um grupo de mil homens do exército inimigo batalhou contra a Guarda do Papa, em frente à Basílica de São Pedro. Os suíços lutaram bravamente e 108 deles morreram no combate, mas, para comprovar sua coragem e dedicação, das fileiras contrárias tombaram 800 dos mil invasores. Além disso, fizeram uma espécie de cordão de isolamento em torno do Papa Clemente VII, levando-o em segurança até o Castelo de Santo Ângelo.
Recruta levanta os três dedos da mão, símbolo da Santíssima Trindade, durante a cerimônia de juramento.
Esta é a missão da Guarda Suíça Pontifícia: dar a própria vida, se necessário for, para proteger a do Sumo Pontífice. Assim, é evidente que para ser admitido ao corpo da Guarda é necessário que o candidato passe por um rigoroso processo de seleção. Os principais requisitos são:
  1. Ser católico: dado que a pessoa a ser protegida é ninguém menos que a autoridade máxima temporal da Igreja Católica Apostólica. Além disso, é dever do Guarda Suíço velar pelos peregrinos católicos, pela Cúria Romana e pelo próprio Túmulo do Príncipe dos Apóstolos. Por fim, ele deve participar cotidianamente das diversas celebrações litúrgicas no Vaticano. Nada mais justo, portanto, que professe a fé católica.
  2. Ter cidadania suíça: em honra aos 108 suíços que tombaram gloriosamente na batalha ocorrida em 1527, somente são admitidos homens dessa nacionalidade no corpo de segurança pontifício.
  3. Ter boa saúde: os candidatos passam por uma rigorosa bateria de exames físicos e psicológicos.
  4. Ser solteiro: exceção feita somente aos oficiais, sargentos e cabos. É proibido que durmam fora do Vaticano.
  5. Ter concluído o curso básico de preparação: ministrado pelo exército suíço. Além disso, devem obter um certificado de aptidão.
  6. Ter boa conduta: como a pessoa irá servir diretamente ao Papa, deve ter uma conduta irreprovável.
  7. Ter formação profissional: é desejável que o candidato tenha uma boa formação, além da vontade e eficiência. É esperado que ele demonstre capacidade de aprendizagem e um certo nível de maturidade.
  8. Idade: Para ser admitido, o candidato deve ter entre 19 e 30 anos de idade.
A Guarda Suíça tem diversas atribuições, dentre elas, prestar segurança às inúmeras autoridades estrangeiras que visitam oficialmente o Vaticano, assistir o Papa durante as suas viagens apostólicas e também em suas aparições públicas na Praça de São Pedro. Por isso, nem sempre estão trajados com o uniforme pelo qual são reconhecidos. Muitas vezes estão à paisana, como guarda-costas e misturam-se à multidão, utilizando equipamentos de segurança de última geração. Tudo para garantir a segurança do Pontífice. Hoje ela é composta por 109 membros, sendo cinco oficiais, 26 sargentos e cabos e 78 soldados.
O uniforme é outro aspecto interessante da Guarda Suíça e pelo qual são reconhecidos. Imputa-se o seu desenho original a Michelangelo, mas o modelo atual foi redesenhado por Jules Répond, então Capitão da Guarda. Elaborado em malha de cetim, nas cores azul-real, amarelo-ouro e vermelho-sangue, é composto de meias que aderem às pernas e são presas na altura do joelho por uma liga dourada e a parte superior também apresenta um corte inusitado. O capacete é ornado com uma pluma de cor vermelha e as luvas são brancas.
Trata-se de um uniforme bastante elegante, que simboliza a nobreza e o orgulho de servir ao Sumo Pontífice. Embora, de maneira inegável, seja curioso para os tempos atuais. Por causa disso, chama a atenção dos peregrinos católicos que visitam o Vaticano. No site oficial da Guarda Suíça Pontifícia existe um campo para que os peregrinos enviem suas fotos tiradas com os guardas na Praça de São Pedro. No dia 06 de maio de 2006, o Papa Emérito Bento XVI, presidiu uma Missa Solene celebrando os 500 anos da Guarda Suíça Pontíficia. Em sua homilia afirmou:
"Entre as numerosas expressões da presença dos leigos na Igreja católica, encontra-se também a da Guarda Suíça Pontíficia, que é muito singular porque se trata de jovens que, motivados pelo amor a Cristo e à Igreja, se põem ao serviço do Sucessor de Pedro.
Para alguns deles a pertença a este Corpo de Guarda limita-se a um período de tempo, para outros prolonga-se até se tornar opção para toda a vida. Para alguns, e digo-o com profundo prazer, o serviço no Vaticano contribuiu para maturar a resposta à vocação sacerdotal ou religiosa. Mas para todos, ser Guardas Suíços significa aderir sem limites a Cristo e à Igreja, prontos por isso a dar a vida. O serviço efetivo pode terminar, mas dentro permanece-se sempre Guardas Suíços."
A cena da qual a Guarda Suíça fez parte no dia da renúncia de Bento XVI (28/02/2012) retrata perfeitamente o espírito que a move e que deveria servir de exemplo para todos os católicos:servir à Igreja e ao Sumo Pontífice até o fim. Até o último segundo.
Guarda Suiça se prepara para o final do pontificado de Bento XVI acompanhada pelos jornalistas do mundo inteiro

Referências

  1. Site oficial da Guarda Suíca
  2. Homilia do Papa Bento XVI na solene concelebração eucarística por ocasião do V Centenário da Guarda Suíça Pontifícia
  3. Site do Padre Paulo Ricardo

Cardeal Camerlengo, qual é sua atribuição?


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Cidade do Vaticano (RV) – O Camerlengo, atualmente o cardeal italiano Tarcisio Bertone (nomeado em 4 de abril de 2007), é o Cardeal que preside a Câmara Apostólica e que exerce a função de cuidar e administrar os bens e os direitos temporais da Santa Sé. No período da Sé Vacante ele está entre aqueles que não entregam seu cargo e que” continuam a exercer suas funções ordinárias, submetendo ao Colégio cardinalício aquilo que deveria ser apresentado ao Sumo Pontífice”. Segundo a Constituição ‘Universi Dominici Gregis’, compete a ele:

- colocar os selos que lacram os aposentos e o estúdio do Papa, dispondo que as pessoas que habitualmente freqüentam o apartamento privado, possam permanecer até depois do sepultamento (em caso de morte do Pontífice), quando então todo o apartamento pontifício será fechado e selado;
- comunicar a morte do Papa tanto ao Cardeal Vigário de Roma, que por sua vez, dá a notícia ao Povo de Roma com notificação especial, quanto ao Cardeal Arcipreste da Basílica Vaticana;
- tomar posse da Residência Apostólica Vaticana e, pessoalmente ou por delegado, das Residências de Latrão e de Castel Gandolfo;
- estabelecer, ouvidos os Cardeais Chefes das três Ordens, tudo aquilo que concerne à sepultura do Pontífice (art. 17);
- presidir a Congregação particular constituída pelo mesmo Cardeal e por três Cardeais Assistentes e que tem a tarefa de administrar as questões de menor importância (art. 7);
- decidir o dia em que devem iniciar as Congregações gerais para a preparação da eleição do Papa (art. 11);
- predispor, junto aos Cardeais que desempenhavam respectivamente a função de Secretário de Estado e de Presidente da Pontifica Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano, as dependências da Domus Sanctae Marthae para a conveniente acomodação dos Cardeais eleitores e prover com eles os detalhes para a preparação da capela Sistina, a fim de que as operações relativas à eleição possam se realizar facilmente, de modo ordenado e com a máxima reserva, segundo quanto previsto e estabelecido nesta Constituição (art. 13);
- Se a Sé do Penitencieiro-Mor estiver vacante, presenciar junto aos três Cardeais Assistentes à abertura das cédulas para a sua eleição que se dá por meio de votação secreta de todos os Cardeais eleitores presentes (art. 15);
- conceder permissão para eventuais fotografias a título de documentação do Pontífice defunto (art. 30);
- desde o início do processo da eleição assegurar com a colaboração externa do Substituto da Secretaria de Estado o fechamento da Domus Sancatae Marthae e da Capela Sistina e dos ambientes destinados às celebrações litúrgicas às pessoas não autorizadas (art. 43);
Brasão do Camerlengo Tarcísio Bertone.


- receber o juramento dos cardeais sobre a observância do segredo do voto (art. 48)
- É obrigado a vigiar com diligência, junto aos três Cardeais Assistentes pro tempore, para que não seja de modo algum violada a confidencialidade do que ocorre na Capela Sistina, recebendo dos Cardeais eleitores, onde se realizam as operações de votações e dos espaços adjacentes, tanto antes quanto durante e depois tais operações, os escritos de qualquer natureza, que tenham consigo, relativos ao êxito de cada escrutínio, a fim de que sejam queimados com as cédulas. (art. 55,71)
(JE - RL)