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Ano Litúrgico no Rito Romano Tradicional VIII


 TEMPUS PER ANNUM (depois de Pentecostes)

Espiritualidade

A Santa Liturgia nos introduz agora num período novo, totalmente diverso dos que percorremos até agora. Toda a série dos divinos mistérios se consumou, e nós ainda não chegamos ao meio do ano. Esta última parte do ano não está por isso desprovida de símbolos, mas, em lugar de excitar nossa atenção sobre uma ação que se realiza no tempo, a liturgia nos oferecerá uma sucessão quase que contínua de episódios variados, uns gloriosos, outros tocantes, trazendo cada um seu elemento especial para o desenvolvimento dos dogmas da fé, ou para o progresso da vida cristã.

Para bem compreender a intenção e o alcance desta parte do ano litúrgico, é necessário considerar toda a série dos mistérios que a Igreja celebrou conosco desde o Advento até a Ascenção. Neste período, através das celebrações, segundo expressão de São Paulo, “Cristo formou-se em nós” (Gálatas IV, 19).

Mas, a vinda do Espírito Santo era necessária, para crescer a luz, para aquecer nossas almas num fogo permanente, para considerar e manter em nós a imagem de Cristo. Descendo, este divino Paráclito deu-se a nós, e Ele quer residir em nossa alma e dominar nossa vida regenerada. Ora, esta vida que deve correr conforme a de Cristo e sob direção do Espírito Santo, é figurada e expressada neste tempo depois de Pentecostes.



São dois os objetos que se apresentam a nós durante este período:

a) A Santa Igreja: celebramos a vida da Igreja, que, com o verde da esperança, caminha na Terra desde Pentecostes até o fim do mundo, continuando a obra de Jesus sob a ação do Espírito Santo. Sendo este tempo a celebração da vida eclesial, nele abundam as festas dos santos, frutos da santidade da Esposa de Cristo no mundo.

b) A alma cristã: quanto à alma fiel, cujo destino é como um resumo do da Igreja, sua marcha durante este novo período deve ser análoga à de nossa mãe comum. Ela deve viver e agir segundo Cristo, que a ela se uniu na série de seus mistérios, e segundo o Espírito Santo que ela recebeu. Assim, a alma irá aspirar à consumação n´Aquele que ela conhece, e em cuja possessão entrará por meio da morte.

Estrutura e normas litúrgicas

a) O tempo durante o ano é o “tempo comum”: não apresenta nenhuma norma litúrgica especial.

b) Os dias feriais são de quarta classe. No Ordo aparece sempre a cor litúrgica do tempo: verde. Mas, por serem dias de quarta classe, o sacerdote é livre para celebrar missas votivas e, desse modo, a cor dos paramentos varia conforme a Missa escolhida pelo celebrante.



Celebrações de destaque

É bom lembrar sempre o princípio de destacar as festas segundo sua classe, através da ornamentação e da música. Assim, as de primeira classe devem contar, sempre que possível, de ornamentação e hinos festivos.

1. Festas do Senhor

a) Festa da Santíssima Trindade: primeiro domingo depois de Pentecostes (primeira classe).

b) Festa de Corpus Christi: quinta-feira após o primeiro domingo depois de Pentecostes (primeira classe). Quando a procissão é feita logo após a Santa Missa, deve-se consagrar na hora da celebração a Hóstia que será levada.

c) Festa do Sagrado Coração de Jesus: sexta-feira após a oitava de Corpus Christi (primeira classe). É interessante ornamentar um trono para a imagem do Sagrado Coração. Diante do Santíssimo Sacramento exposto deve-se renovar o Ato de Consagração ao Coração de Jesus (Papa Pio XI).

d) Festa do Preciosíssimo Sangue de Jesus: 01/07 (primeira classe).

e) Festa da Transfiguração de Jesus (Santíssimo SalvadorSenhor Bom Jesus): 06/08 (segunda classe).

f) Festa da Exaltação da Santa Cruz: 17/09 (segunda classe).

g) Festa de Cristo Rei: último domingo de outubro (primeira classe). Diante do Santíssimo exposto deve-se renovar o Ato de Consagração ao Coração de Jesus (Papa Pio XI).

h) Dedicação da Arquibasílica do Santíssimo Salvador (São João de Latrão, em Roma): 09/11 (segunda classe).



2. Festas de Nossa Senhora

a) Visitação de Nossa Senhora: 02/07 (segunda classe).

b) Assunção de Nossa Senhora: 15/08 (primeira classe). É a principal festa mariana do ano.

c) Imaculado Coração de Maria: 22/08 (segunda classe). Nesse dia renova-se a Consagração ao Imaculado Coração de Maria (Papa Pio XII).

d) Natividade Nossa Senhora: 08/09 (segunda classe).

e) Nossa Senhora das Dores: 15/09 (segunda classe).

f) Nossa Senhora do Rosário: 07/10 (segunda classe).

g) Maternidade de Nossa Senhora: 11/10 (segunda classe).

h) Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil: 12/10 (primeira classe).

3. Festas dos Santos

a) Natividade de São João Batista: 24/06 (primeira classe).

b) São Pedro e São Paulo: 29/06 (primeira classe). Neste dia (ou no domingo seguinte) celebra-se o “dia do Papa”, com a tradicional coleta do Óbulo de São Pedro.

c) São Miguel Arcanjo: 29/08 (primeira classe).

d) Todos os Santos: 01/11 (primeira classe).

4. Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos – 02/11

A Igreja não se esquece dos seus filhos que estão sofrendo a dura purificação do Purgatório. Assim, ela reserva um dia especial em seu calendário para rezar por essas almas, é o dia 2 de novembro. Neste dia é tão grande o desejo da Igreja de aliviar as penas de seus filhos padecentes, que a liturgia permite a todos os sacerdotes celebrar três missas, e todo o Ofício Divino recebe uma ordenação especial para sufragar as almas.



5. Jornadas importantes

Há alguns dias que devem ser celebrados de modo especial durante o ano:

a) Aniversário da eleição do Santo Padre (atualmente 19 de abril).

b) Aniversário de ordenação do bispo.

c) Aniversário de ordenação do pároco.

d) Dia Mundial das Missões (penúltimo domingo de outubro): dia de orações e de fazer coleta pelas missões católicas.

e) Semana Nacional da Família (do segundo ao terceiro domingo de agosto): é interessante ornamentar um trono para a imagem da Sagrada Família. Escolher hinos alusivos.

f) Dia do Nascituro (8 de outubro), precedida pela Semana de Defesa e Promoção da Vida. Orações nessas intenções.



OBS: em relação aos dias santos, vale lembrar que as festas do padroeiro da paróquia e do da diocese são de primeira classe, e que, no Brasil, certas festas foram transferidas para o domingo seguinte (o rito gregoriano segue o rito novo nisso), ou, como o caso de Corpus Christi, em parte do Nordeste, as dioceses postergam ou mesmo antecipam a comemoração.

Conclusão

Que estas reflexões noa ajudem a compreender a importância do nosso papel na liturgia da Igreja. Cumprindo bem nossas funções no altar, no coro, no órgão, etc., estamos colaborando com a liturgia para comunicar aos fiéis todos os tesouros dos mistérios que Jesus realizou para nossa salvação.

Cumpramos com amor e espírito sobrenatural nosso papel na liturgia e que nós mesmos sejamos os primeiros a aproveitar as graças que Nosso Senhor quer nos conceder através dos ciclos litúrgicos.

Ano Litúrgico no Rito Romano Tradicional VII


3.2 - Tempo da Ascensão



Espiritualidade

A festa da Ascensão pertence às mais antigas da Igreja. Eusébio (+ 339) chama-a um dia soleníssimo. A vigília é do século IV. A solenidade de hoje é o complemento dos mistérios de Nosso Senhor, e é do número das festas instituídas pelos próprios Apóstolos, como diz Santo Agostinho. Por fim, ela veio santificar mais uma vez a quinta-feira, dia já especial pela instituição da Eucaristia.

O dia de hoje respira alegria e triunfo. O triunfo de Nosso Senhor é a causa da alegria de Seus discípulos; por isso diz São Lucas que os discípulos voltaram a Jerusalém “cheios de uma viva alegria”.

Estrutura e normas litúrgicas

a) São as mesmas normas gerais do Tempo Pascal.

b) Na Santa Missa da Ascensão, após a leitura do Evangelho, apaga-se o círio pascal.

Celebrações de destaque

a) Festa da Ascensão (primeira classe): dia de grande solenidade (ornamentação e música festiva).

b) Novena ao Divino Espírito Santo: começa na sexta-feira, dia seguinte à Ascensão. Aconselha-se fazer em todas as paróquias.

c) Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: celebra-se em todo o Brasil desde o domingo depois da Ascensão até o dia de Pentecostes. São dias de orações especiais pela conversão dos cismáticos e hereges, para que haja "um só rebanho e um só Pastor". Recomenda-se celebrar uma Missa votiva pela unidade da Igreja.


3.3 - Tempo de Pentecostes: festa e oitava



Espiritualidade

Fundado sobre um passado de quatro mil anos às figuras, o Pentecostes cristão, o verdadeiro quinquagésimo, é do número das festas instituídas pelos próprios Apóstolos. É o dia que celebra a Missão do Divino Espírito Santo, que desceu sobre os Apóstolos no Cenáculo. Sob a ação do Espírito Santo, celebramos também hoje a promulgação da Igreja, que, com a primeira pregação de São Pedro, começa sua missão de levar o Evangelho até os confins da Terra.

A Oitava de Pentecostes é, depois da de Páscoa, a mais solene da Igreja. Todos os seus dias são de primeira classe. Durante toda ela, a Igreja se ocupa em considerar a misteriosa e sublime ação do Espírito Santo nas almas. As epístolas, tiradas dos Atos do Apóstolos, narram a ação do Espírito nas comunidades cristãs, quer pela administração do Batismo, quer mesmo de modo visível e com carismas sobre os fiéis.

Com esta oitava, a sucessiva série dos mistérios e o ciclo móvel da Santa Liturgia chega a seu termo.

Estrutura e normas litúrgicas

a) A festa e oitava de Pentecostes têm as mesmas características da oitava da Páscoa: são de primeira classe e não admitem nenhuma outra festividade.

b) Durante toda a semana: ornamentação, órgão e música festivos.

Ano Litúrgico no Rito Romano Tradicional VI


3 - Tempo Pascal:

3.1 - Tempo da Páscoa



Espiritualidade

Dá-se o nome de Tempo Pascal ao período de cinco semanas que vai desde o Domingo de Páscoa até o sábado depois de Pentecostes. Esta porção do ano litúrgico é a mais sagrada, e para ela converge todo o ciclo litúrgico: é a Ressurreição, a vitória de Cristo Nosso Senhor.

A eternidade feliz é a verdadeira Páscoa. É por essa razão que a Páscoa da terra é a festa das festas, a solenidade das solenidades. O gênero humano estava morto, e Nosso Senhor, ressuscitado, lhe devolve a vida. A Igreja quer, então, que nos olhemos sempre como ressuscitados com Cristo, como já em possessão da vida eterna. Dizem os Santos Padres que os cinqüenta dias do Tempo Pascal são figura da eternidade. Eles são consagrados inteiramente à alegria, e a Igreja não sabe dizer nenhuma palavra a Seu Esposo sem misturá-la com o Aleluia.

A prática do Tempo Pascal se resume na alegria espiritual que este santo tempo deve produzir nas almas ressuscitadas com Cristo, alegria que é um antegozo da felicidade do Céu; o cristão deve manter-se nele, buscando sempre mais ardentemente a vida que está no Divino Mestre, fugindo com energia constante da morte, filha do pecado. Nos diz São Paulo que "Cristo, ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não O dominará. Morto uma só vez, Ele morreu para o pecado; mas, agora Ele vive, e vive para Deus” (Romanos IX, 10). Ora, nós somos membros de Cristo e, portanto, Sua sorte deve ser a nossa.


Estrutura e normas litúrgicas

a) A oitava da Páscoa é toda de primeira classe, não permitido nenhuma outra festividade: toda a semana deve apresentar ornamentação festiva.

b) O Tempo Pascal é todo tempo de alegria. Os dias feriais são comuns, de quarta classe.

c) Círio Pascal: permanece em seu candelabro do lado do Evangelho durante todo o Tempo Pascal. Deve ser aceso nas missas paroquiais e missas cantadas. Pode ser aceso em todas as missas que se celebram com certa solenidade ou até em todas as santas missas. Acende-se primeiro o círio e depois as velas do altar; após a Missa é o contrário, o círio é a último a ser apagado.

Celebrações de destaque

a) Domingo de Páscoa e sua Oitava: são os oito dias de maior festa da Igreja.

b) Ladainhas Maiores (25/04): dia de Procissão com o canto da Ladainha de Todos os Santos.

c) Dia do Bom Pastor: é o segundo domingo depois da Páscoa; dia de orações pelas vocações sacerdotais.

d) Festa de São José Operário (01/05).

e) Ladainhas menores ou Rogações: são celebradas nos três dias que precedem a festa da Ascenção; procissão com o canto da Ladainha de Todos os Santos.

f) Festa de Nossa Senhora Rainha (31/05): deve-se fazer a consagração ao Imaculado Coração de Maria, composta pelo Papa Pio XII.

Ano Litúrgico no Rito Romano Tradicional V


2.2 Tempo da Paixão





Espiritualidade


Depois de ter proposto à mediação dos seus fiéis, durante as quatro primeiras semanas da Quaresma, os quarenta dias de jejum de Jesus Cristo, a Santa Igreja consagra à meditação das Suas dores, as duas semanas que ainda nos separam da festa da Páscoa. Ela não quer que seus filhos cheguem ao dia da imolação do Cordeiro Divino sem tê-los preparado pela compaixão aos sofrimentos que Ele suportou em seu lugar.



O tempo da Paixão abrange as duas semanas que precedem a festa da Páscoa. A razão é porque foi justamente duas semanas antes da Páscoa israelítica que teve início a Paixão de Nosso Senhor pelo decreto de morte lançado contra Ele, exequível em qualquer momento. Esta sentença injusta era consequência do milagre da ressurreição de Lázaro.



Muito marcante neste tempo litúrgico, é a cerimônia de velar as imagens de roxo. Segundo o piedoso pensar da Idade Média e da liturgia, a “igreja material” deve tomar parte da penitência da Igreja, Esposa de Cristo. Uma outra razão são as palavras do Evangelho do dia: "Jesus, escondeu-se". Esta cerimônia parece ser de origem galicana. Era conhecida na Gália já no século VII, na Itália por volta do ano 1000. A cruz velada no altar representa o grande mistério de Nosso Senhor que escondeu Sua divindade por nosso amor. Este heroísmo inflama o coração nobre a amar o Redentor, que foi capaz de tanta humilhação para alcançar aos filhos adotivos de Deus a glorificação do Céu.


Estrutura e normas litúrgicas


a) Segue os padrões do tempo da Quaresma: os domingos são de primeira classe e as férias da primeira semana são de terceira classe.



b) As imagens devem ser veladas de roxo na tarde do sábado anterior ao Primeiro Domingo da Paixão.



c) Coro e organista: mesmas normas da Quaresma.

Semana Santa





Espiritualidade


Incluída dentro do tempo da Paixão, a Semana Santa é o centro, o cume de todo o Ano Litúrgico, por celebrarem-se nela os grandes mistérios da nossa Redenção. Assim sendo, a Santa Igreja, para celebrar dignamente tão santos mistérios, estabeleceu desde muito cedo, cerimônias especiais que deixassem a memória destes bem gravada nos fiéis. Os ritos da Semana Santa são os mais antigos e veneráveis da liturgia católica romana, ocupando um lugar único em todo o ano eclesiástico.



A Igreja vai fazer questão de acompanhar passo a passo os últimos momentos da vida mortal de seu Esposo Divino, buscando recolher os mais abundantes frutos de salvação para seus filhos. A Semana Santa é um tempo de profunda reflexão para todos os fiéis, por isso, mais do que nunca, é tempo de participar o melhor possível de todas as funções sagradas e atos de devoção da Igreja.



Vejamos cada dia da Semana Santa em particular. Para os detalhes das cerimônias consultar as rubricas do Missal de altar ou obras especializadas, como o curso de liturgia que está em nossa biblioteca:



Domingo de Ramos


Recorda-nos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Neste dia a cerimônia possui duas partes:



a) Benção e procissão dos ramos: é a parte festiva, na qual aclamamos Cristo Rei:







»Os paramentos são vermelhos e pode-se ornamentar o altar com ramos.



»Coro: além dos cantos litúrgicos, para a procissão pode-se cantar hinos populares em honra de Cristo Rei.



b) Santa Missa da Paixão: é a parte penitencial, que nos fala da Paixão de Jesus, cujo relato se lê no Evangelho de São Mateus. 







Os paramentos são roxos.


De Segunda a Quarta-feira Santa


Estes três dias são de primeira classe: seguem as normas gerais do tempo da Paixão e neles não há nenhuma cerimônia litúrgica especial. São dias centrados na meditação da Paixão de Jesus, que se lê na terça-feira santa segundo o Evangelho de São Marcos, e na quarta segundo São Lucas.



Quinta-feira Santa






Abertura do Tríduo Sagrado. Neste dia comemoramos a Última Ceia, na qual Jesus nos deu o Mandamento novo da Caridade e instituiu a Santa Missa, a Comunhão e o Sacerdócio Católico.


a) Por ser a instituição da Eucaristia, deve-se ornamentar o altar como em dias festivos. É interessante usar motivos eucarísticos como uvas, trigo... O altar da reposição, onde o Santíssimo ficará para adoração até a meia-noite, deve ser adornado o mais ricamente possível.



b) Coro e órgão: música festiva até o Glória. O órgão é permitido até o fim do Glória, depois será totalmente silenciado até a Missa da Vigília Pascal.



c) Lava-pés: acontece durante a Santa Missa, após a homilia.


Sexta-feira Santa







Dia do grande luto da Igreja: dia da Paixão e Morte de Nosso Senhor, dia de jejum e abstinência. Neste dia não se celebra a Santa Missa: a Paixão de Jesus é recordada na Solene Ação Litúrgica pós-meridiana (antes da reforma de Pio XII era chamada de Rito dos Pré-Santificados).


a) A cerimônia da Ação Litúrgica tem quatro partes:



I - Leituras e Paixão (paramentos pretos).



II - Orações Solenes nas grandes intenções da Igreja (paramentos pretos).



III - Adoração da Cruz (paramentos pretos).



IV - Comunhão (paramentos roxos).



b) Coro: além dos cantos litúrgicos, hinos em honra da Paixão de Jesus e hinos penitenciais.


Sábado Santo





É a noite mais sagrada de todo o ano litúrgico, quando a Santa Igreja vela em oração, esperando o triunfo de Nosso Senhor.


a) A Solene Vigília Pascal possui as seguintes partes:



I - Bênção do fogo novo e do Círio Pascal; canto do Precônio (anúncio) Pascal.



II - Leituras das Profecias do Antigo Testamento.



III - Primeira parte da Ladainha de Todos os Santos.



IV - Bênção da Água Batismal (e batizados se houver). 



V - Renovação das Promessas do Batismo e aspersão do povo com a água lustral.



VI - Segunda parte da Ladainha.



VII - Solene Missa da Ressurreição.



b) Ornamentação: o altar (atrás da cortina) deve ter a melhor ornamentação do ano: é a Páscoa, triunfo de Nosso Senhor. 



c) Coro e órgão: durante a Vigília cantam-se os cantos litúrgicos, não se toca o órgão. Na Santa Missa: órgão e música festiva.

Ano Litúrgico no Rito Romano Tradicional IV


2 - Tempo Quaresmal:

2.1 - Tempo da Quaresma



Espiritualidade

Dá-se o nome de Quaresma ao jejum de quarenta dias pelo qual a Igreja se prepara para celebrar a festa da Páscoa; e a instituição desse jejum solene remonta aos primeiros tempos do cristianismo. O próprio Nosso Senhor inaugurou-o com Seu exemplo, jejuando quarenta dias e quarenta noites no deserto.

O homem é pecador, eis porque, mesmo depois dos mistérios divinos, pelos quais Cristo operou nossa salvação, a expiação faz-se ainda necessária. Por isso os Apóstolos, vindo em socorro da nossa fraqueza, estabeleceram, desde o começo do cristianismo, que a solenidade da Páscoa fosse precedida de um jejum universal. E, fundando-se no exemplo do Salvador, estabeleceram que tal jejum durasse quarenta dias. A instituição apostólica da Quaresma nos é atestada por São Jerônimo, São Leão Magno, São Cirilo de Alexandria, Santo Isidoro de Sevilha e outros.

Como o fervor cristão diminuiu muito através dos séculos, a Quaresma conservou-se como um tempo de penitência, mas o jejum ficou reduzido somente a dois dias: a quarta-feira de cinzas e a sexta-feira santa. Malgrado as variações dos séculos, a disciplina da Igreja conservou como essencial do jejum a redução da alimentação ordinária a uma só refeição por dia, acompanhada da abstinência de carne, alimentação não tão necessária para a vida.


A tradição da Igreja nos mostra a Quaresma como o tempo de praticar a oração, o jejum e a esmola: três grandes armas para alcançarmos de Deus nossa conversão.

E para nos ajudar a isso, a Santa Igreja julgou oportuno abrir a Quaresma pela imposição das cinzas na fronte culpável de seus filhos, repetindo a cada um as terríveis palavras do Senhor que nos condenaram à morte. No entanto, o uso da cinza como símbolo de humilhação e penitência, é bem anterior a esta instituição. O Antigo Testamento nos dá vários exemplos: Jó, Davi depois de seu pecado, os ninivitas, etc. Desde então se via a relação existente entre esta poeira de um ser material visitado pelo fogo, e o homem pecador, cujo corpo deve ser reduzido ao pó, pelo fogo da Justiça Divina. Para salvar pelo menos a alma do fogo da vingança celeste, o pecador recorria à cinza e, reconhecendo sua triste fraternidade com ela, sentia-se mais protegido da cólera d´Aquele que resiste aos orgulhos e perdoa os humildes. 

Estrutura e normas litúrgicas

a) Todos os domingos da Quaresma são de primeira classe: não admitem nenhuma festa. As festas de primeira classe que caírem no domingo, devem ser transferidas para a segunda-feira.

b) Todos os dias da Quaresma são de terceira classe: não admitem as festas de santos de terceira classe.

c) A Quaresma é o tempo da grande penitência da Igreja: não se pode ornamentar o altar com flores; deve-se manter um ambiente de austeridade na igreja. – Exceção: no quarto domingo da Quaresma, em que se usam paramentos róseos, pode-se ornamentar o altar com flores.

d) Coro e órgão: Nas missas da Quaresma só se permite o órgão para acompanhar os cânticos. É tempo de cantar hinos penitenciais e alusivos à Paixão de Jesus. - Exceção: no quarto domingo da Quaresma, em que se usam paramentos róseos, pode-se tocar o órgão.
Celebrações de destaque

a) Quarta-feira de cinzas: abertura da Quaresma, dia de jejum e abstinência. Antes da Santa Missa, faz-se a bênção e imposição das cinzas. Para a cerimônia da bênção o celebrante usa pluvial roxo. Ajudantes: dois acólitos, um turiferário e um cerimoniário. Após as orações da bênção, o celebrante impõe eincenso, asperge e incensa as cinzas. Em seguida começa a imposição.

b) Festa de São José (19/03 – primeira classe): pode-se tocar o órgão, música e ornamentação festiva. É interessante colocar em destaque a imagem de São José.

c) Festa da Anunciação de Nossa Senhora (25/03 – primeira classe): pode-se tocar o órgão, música e ornamentação festiva.

Ano Litúrgico no Rito Romano Tradicional III


II) Ciclo da Páscoa:

1 - Tempo da Septuagésima



Espiritualidade

O tempo da Septuagésima compreende a duração das três semanas que precedem imediatamente à Quaresma. Ele forma uma das principais divisões do ano litúrgico e é repartido em três seções hebdomadárias: Septuagésima,Sexagésima e Quinquagésima. Como vemos, esses nomes expressam uma relação numérica com o nome Quaresma.

Este tempo foi criado para que nós, católicos, não entremos desprevenidos na Quaresma. Dado que ela é o grande tempo de conversão e renovação da Igreja, era necessário ir avisando os fiéis da sua chegada. Assim, o tempo da Septuagésima é uma espécie de tempo de exame de consciência, ou seja, é um tempo para refletirmos sobre nossos pecados pelos quais deveremos fazer penitência na Quaresma.

O próprio número setenta é simbólico: lembra os setenta anos do cativeiro do povo escolhido na Babilônia, símbolo do cativeiro do pecado, do qual Jesus veio nos libertar.

Estrutura e normas litúrgicas

a) Com a Septuagésima começa o tempo penitencial de preparação para a Páscoa: os paramentos são roxos, omite-se o Aleluia em todos os ritos litúrgicos.

b) É um tempo de penitência moderada: pode-se ornamentar o altar com flores, mas é interessante já ir marcando a penitência com adornos mais sóbrios.

c) Coro e órgão: pode-se tocar o órgão, ficando proibidos todos os demais instrumentos (violino, flauta, etc.). Começar a cantar hinos penitenciais.

d) Durante a semana, quando não há festas de santos, são dias feriais normais.

Carlos Ramalhete escreveu um texto sobre a Septuagésima


Não é chamado de tempo comum. É chamado de Tempo depois da Epifania ou Tempo depois de Pentecostes. Exatamente porque não há nenhuma comemoração especial de algum mistério do Verbo encarnado, este tempo não recebia igualmente nome especial no rito tridentino. Com a invenção do novo rito, resolveu-se nomeá-lo de "Tempo pelo Ano" (Tempo Comum).


Gloria na Septuagésima?


 Vejam esse comentário no Missal:

O Tempo da Septuagésima é o prelúdio da Quaresma e serve de preparação remota para a festa da Páscoa. Serve de transição à alma cristã, que deve passar das alegrias do Natal para a penitência austera da Quaresma. E se o jejum não é ainda rigoroso, a cor dos paramentos é já roxa, a cor da penitência. Não se diz Gloria in excelsis, porque este canto de vitória que celebrou Cristo nascido na nossa carne mortal, deve calar-se durante este período de tristeza, que envolve as almas e a Igreja por causa dos pecados dos homens, para irromper de novo no dia glorioso da ressurreição. O Martirilógio anuncia: "Domingo da Septuagésima, em que se depõe o cântico do Senhor, Aleluia". Pois como poderemos, dizia o povo de Israel, cantar o cântico do Senhor em terra estrangeira? Esta terra estranha é para o povo cristão o mundo, que é lugar de exílio, onde não soa bem o Aleluia, o cântico que São João ouviu na Jerusalém celeste. Canta-se porém no Tempo Pascal, porque a Páscoa simboliza a vida futura, a libertação definitiva das almas. A Quaresma, de quarenta dias e as três décadas representadas pelo Tempo da Septuagésima, simbolizam perfeitamente os setenta anos do cativeiro da Babilônia. O Tempo da Septuagésima termina, para o ciclo temporal, na Quarta-Feira de Cinzas e, para o santoral, no dia 10 de março, se a Páscoa cair a 25 de abril.