TEMPUS PER ANNUM (depois de Pentecostes)
Espiritualidade
A Santa Liturgia nos introduz agora num período novo, totalmente diverso dos que percorremos até agora. Toda a série dos divinos mistérios se consumou, e nós ainda não chegamos ao meio do ano. Esta última parte do ano não está por isso desprovida de símbolos, mas, em lugar de excitar nossa atenção sobre uma ação que se realiza no tempo, a liturgia nos oferecerá uma sucessão quase que contínua de episódios variados, uns gloriosos, outros tocantes, trazendo cada um seu elemento especial para o desenvolvimento dos dogmas da fé, ou para o progresso da vida cristã.
Para bem compreender a intenção e o alcance desta parte do ano litúrgico, é necessário considerar toda a série dos mistérios que a Igreja celebrou conosco desde o Advento até a Ascenção. Neste período, através das celebrações, segundo expressão de São Paulo, “Cristo formou-se em nós” (Gálatas IV, 19).
Mas, a vinda do Espírito Santo era necessária, para crescer a luz, para aquecer nossas almas num fogo permanente, para considerar e manter em nós a imagem de Cristo. Descendo, este divino Paráclito deu-se a nós, e Ele quer residir em nossa alma e dominar nossa vida regenerada. Ora, esta vida que deve correr conforme a de Cristo e sob direção do Espírito Santo, é figurada e expressada neste tempo depois de Pentecostes.
São dois os objetos que se apresentam a nós durante este período:
a) A Santa Igreja: celebramos a vida da Igreja, que, com o verde da esperança, caminha na Terra desde Pentecostes até o fim do mundo, continuando a obra de Jesus sob a ação do Espírito Santo. Sendo este tempo a celebração da vida eclesial, nele abundam as festas dos santos, frutos da santidade da Esposa de Cristo no mundo.
b) A alma cristã: quanto à alma fiel, cujo destino é como um resumo do da Igreja, sua marcha durante este novo período deve ser análoga à de nossa mãe comum. Ela deve viver e agir segundo Cristo, que a ela se uniu na série de seus mistérios, e segundo o Espírito Santo que ela recebeu. Assim, a alma irá aspirar à consumação n´Aquele que ela conhece, e em cuja possessão entrará por meio da morte.
Estrutura e normas litúrgicas
a) O tempo durante o ano é o “tempo comum”: não apresenta nenhuma norma litúrgica especial.
b) Os dias feriais são de quarta classe. No Ordo aparece sempre a cor litúrgica do tempo: verde. Mas, por serem dias de quarta classe, o sacerdote é livre para celebrar missas votivas e, desse modo, a cor dos paramentos varia conforme a Missa escolhida pelo celebrante.
Celebrações de destaque
É bom lembrar sempre o princípio de destacar as festas segundo sua classe, através da ornamentação e da música. Assim, as de primeira classe devem contar, sempre que possível, de ornamentação e hinos festivos.
1. Festas do Senhor
a) Festa da Santíssima Trindade: primeiro domingo depois de Pentecostes (primeira classe).
b) Festa de Corpus Christi: quinta-feira após o primeiro domingo depois de Pentecostes (primeira classe). Quando a procissão é feita logo após a Santa Missa, deve-se consagrar na hora da celebração a Hóstia que será levada.
c) Festa do Sagrado Coração de Jesus: sexta-feira após a oitava de Corpus Christi (primeira classe). É interessante ornamentar um trono para a imagem do Sagrado Coração. Diante do Santíssimo Sacramento exposto deve-se renovar o Ato de Consagração ao Coração de Jesus (Papa Pio XI).
d) Festa do Preciosíssimo Sangue de Jesus: 01/07 (primeira classe).
e) Festa da Transfiguração de Jesus (Santíssimo Salvador; Senhor Bom Jesus): 06/08 (segunda classe).
f) Festa da Exaltação da Santa Cruz: 17/09 (segunda classe).
g) Festa de Cristo Rei: último domingo de outubro (primeira classe). Diante do Santíssimo exposto deve-se renovar o Ato de Consagração ao Coração de Jesus (Papa Pio XI).
h) Dedicação da Arquibasílica do Santíssimo Salvador (São João de Latrão, em Roma): 09/11 (segunda classe).
2. Festas de Nossa Senhora
a) Visitação de Nossa Senhora: 02/07 (segunda classe).
b) Assunção de Nossa Senhora: 15/08 (primeira classe). É a principal festa mariana do ano.
c) Imaculado Coração de Maria: 22/08 (segunda classe). Nesse dia renova-se a Consagração ao Imaculado Coração de Maria (Papa Pio XII).
d) Natividade Nossa Senhora: 08/09 (segunda classe).
e) Nossa Senhora das Dores: 15/09 (segunda classe).
f) Nossa Senhora do Rosário: 07/10 (segunda classe).
g) Maternidade de Nossa Senhora: 11/10 (segunda classe).
h) Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil: 12/10 (primeira classe).
3. Festas dos Santos
a) Natividade de São João Batista: 24/06 (primeira classe).
b) São Pedro e São Paulo: 29/06 (primeira classe). Neste dia (ou no domingo seguinte) celebra-se o “dia do Papa”, com a tradicional coleta do Óbulo de São Pedro.
c) São Miguel Arcanjo: 29/08 (primeira classe).
d) Todos os Santos: 01/11 (primeira classe).
4. Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos – 02/11
A Igreja não se esquece dos seus filhos que estão sofrendo a dura purificação do Purgatório. Assim, ela reserva um dia especial em seu calendário para rezar por essas almas, é o dia 2 de novembro. Neste dia é tão grande o desejo da Igreja de aliviar as penas de seus filhos padecentes, que a liturgia permite a todos os sacerdotes celebrar três missas, e todo o Ofício Divino recebe uma ordenação especial para sufragar as almas.
5. Jornadas importantes
Há alguns dias que devem ser celebrados de modo especial durante o ano:
a) Aniversário da eleição do Santo Padre (atualmente 19 de abril).
b) Aniversário de ordenação do bispo.
c) Aniversário de ordenação do pároco.
d) Dia Mundial das Missões (penúltimo domingo de outubro): dia de orações e de fazer coleta pelas missões católicas.
e) Semana Nacional da Família (do segundo ao terceiro domingo de agosto): é interessante ornamentar um trono para a imagem da Sagrada Família. Escolher hinos alusivos.
f) Dia do Nascituro (8 de outubro), precedida pela Semana de Defesa e Promoção da Vida. Orações nessas intenções.
OBS: em relação aos dias santos, vale lembrar que as festas do padroeiro da paróquia e do da diocese são de primeira classe, e que, no Brasil, certas festas foram transferidas para o domingo seguinte (o rito gregoriano segue o rito novo nisso), ou, como o caso de Corpus Christi, em parte do Nordeste, as dioceses postergam ou mesmo antecipam a comemoração.
Conclusão
Que estas reflexões noa ajudem a compreender a importância do nosso papel na liturgia da Igreja. Cumprindo bem nossas funções no altar, no coro, no órgão, etc., estamos colaborando com a liturgia para comunicar aos fiéis todos os tesouros dos mistérios que Jesus realizou para nossa salvação.
Cumpramos com amor e espírito sobrenatural nosso papel na liturgia e que nós mesmos sejamos os primeiros a aproveitar as graças que Nosso Senhor quer nos conceder através dos ciclos litúrgicos.











