Mostrando postagens com marcador Ricardo da Costa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ricardo da Costa. Mostrar todas as postagens

A Igreja e os templários

Por Ricardo da Costa

Palestra de abertura da cerimônia de lançamento do livro "In Nomine Domine" do historiador e escritor Eliezer Nardoto. Local: Catedral de São Mateus (ES). 04 de maio de 2013.

Parte I

Parte II

Cultura na Península Ibérica Medieval e Moderna (séculos XIII a XVII)

Apresentação curso Cultura na Península Ibérica Medieval e Moderna (séculos XIII a XVII). Professor Doutor Ricardo Costa. Parte 1 de 2.

Para saber mais, visite: http://goo.gl/MkfWT

Raimundo Lúlio: “Maomé foi um enganador que fez um livro chamado Alcorão"

Raimundo Lúlio: “Maomé foi um enganador que fez um livro chamado Alcorão"

"Nessa iluminura de um manuscrito italiano do séc. XIV (possivelmente de Gênova), Virgílio (70-19 a.C.) e Dante (c. 1265-1321) (à esquerda, com uma veste azul) encontram-se no nono abismo do Inferno. Horrorizado, o poeta abre os braços e vê os “semeadores de escândalo e cismáticos”, percorrendo eternamente a vala onde, a cada volta, são cortados ao meio por um diabo com uma enorme espada (à direita). Antes de fecharem suas feridas, na volta seguinte, eles são novamente cortados. Por toda a eternidade. No centro da cena, Maomé, o principal semeador de escândalos, mostra a Dante as suas entranhas, seu “ascoso saco no qual em fezes se torna o que é tragado”. À sua esquerda (direita da cena), está Ali, com o corpo roxo, fendido, caminhando em direção do diabo (Inferno, Canto XXVIII, 22-63). MS. Holkham misc. 48 (Norfolk, Holkham Hall, MS. 514), p. 42". [por Ricardo da Costa] 

Sidney Silveira

No IX EIEM - Encontro Internacional dos Estudos Medievais, a realizar-se em Cuiabá entre os dias 04 e 07 de julho de 2011, sob coordenação da Associação Brasileira de Estudos Medievais - ABREM, o Prof. Ricardo da Costa, meu querido irmão, apresentará um paper intitulado "Maomé, um enganador que fez um livro chamado 'Alcorão': a imagem do Profeta na filosofia de Ramon Llull (1232-1316)". O título (com uma expressão retirada de uma obra do filósofo catalão) é de arrepiar os delicados e ecumênicos ouvidos dos que hoje propugnam a tese falaciosa de que Lúlio é o pai do chamado "diálogo inter-religioso". Em muitos casos, trata-se de professores e filósofos financiados com milhões de euros espraiados por institutos na Europa e, também, nos EUA — com testas-de-ferro no Brasil e outros países periféricos. Na prática, estes homens nos brindam com mais um cavalo de Tróia do modernismo católico-liberal: a tentativa de tornar o ecumenismo "acadêmico", "filosófico" e historicamente defensável. Um absurdo! Tudo a serviço de uma Igreja tão fundamentalmente antiapostólica, como a atual.

Na Apresentação do livro "Raimundo Lúlio e As Cruzadas", denunciamos quão mentirosa é essa tese, com base nos textos explícitos e inequívocos do próprio autor catalão, o que provocou murmúrios de lulianos no Brasil, alguns inclusive dedicados à detração de pé-de-ouvido deste insignificante escriba, chamado de nomes não muito agradáveis, palavras às quais dou, pessoalmente, a mesma importância que possui o espirro de uma formiga — embora se deva dizer que, na verdade, se trata de formigas desimportantes em si, mas ecumenicamente endinheiradas, o que lhes dá grande escopo de ação e difusão das idéias do neocatolicismo, tão açucarado como uma fruta envenenada.

A seguir, leia-se o abstract desta comunicação do Prof. Ricardo da Costa:

"Resumo: O trabalho analisa como o filósofo Ramon Llull tratou pejorativamente de Maomé (c.570-632) e do Alcorão em seus escritos, apresentando o Profeta como um homem impuro, endemoniado, epilético e enganador, e o Alcorão como uma obra confusa, enganosa e recheada de falsidades e canções luxuriosas. Para tal, valho-me dos tratados O Livro da Intenção (Llibre d’intenció, c. 1274-1283) e a Doctrina pueril (Doutrina para crianças, c. 1274-1276), dedicados ao seu filho Domingos, mas também do Liber de Passagio (O Livro da Passagem, 1292), do Liber de fine (O Livro Derradeiro, 1305) e do Liber de acquisitione Terrae sanctae (Livro sobre a aquisição da Terra Santa, 1309), obras cruzadísticas em que Llull analisou como a Cristandade poderia – e deveria necessariamente – recuperar a Terra Santa e converter os infiéis (muçulmanos); caso contrário, todos prestariam contas no Dia do Juízo Final. Para contextualizar historicamente o pensamento teológico-escatológico do filósofo catalão, apresento um afresco do pintor Giovanni da Modena (c. 1379-1455) e uma iluminura italiana do século XIV, imagens influenciadas pela passagem da Divina Comédia em que Dante (c. 1265-1321) coloca o Profeta Maomé no nono abismo do Inferno, junto com Ali, dilacerado por um demônio, entre os “semeadores de escândalo e cismáticos” (Inferno, Canto XXVIII, 22-63)".

Lido este resumo do Prof. Ricardo da Costa, vale ainda dizer que, na verdade, Lúlio não faz outra coisa senão repetir o que dizia a Igreja do Islã, assim como os seus grandes Doutores, como Santo Tomás, que, numa famosa passagem Suma Contra os Gentios, afirma com todas as letras que Maomé adulterou o Antigo e o Novo Testamentos, proibiu os seus primeiros seguidores de ler a ambos, fez a sua religião crescer à força da espada e com promessas de prazeres carnais (a história das virgens no céu que serviriam como um harém para os justos era, para o Aquinate, assombrosamente absurda). Tudo bem: viva o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso!

Ramon Llull e as Cruzadas




Sidney Silveira

Eis o próximo livro da Sétimo Selo, que já está no forno: Raimundo Lúlio e as Cruzadas. Nele apresentamos (em edição trilíngüe: latim, catalão e português) três obras do peculiar autor medieval sobre este tema comumente mal interpretado por ideólogos os mais variados. Noutro post, falarei mais sobre a obra. Por ora, fiquem com o começo da Nota dos Editores, assinada por mim e que precede os demais textos da edição. Também falaremos (antes do lançamento do livro) um pouco mais sobre o caráter das Cruzadas, a partir de uma perspectiva histórica realista.


BREVE NOTA DOS EDITORES


Quando o Papa Inocêncio III convocou o IV Concílio de Latrão,[1] por intermédio da bula Vineam Domini Sabaoth (de 10 de abril de 1213), já se haviam passado quase cento e vinte anos desde a Primeira Cruzada,[2] proclamada em 1095 por Urbano II com o objetivo expresso de libertar Jerusalém e a Terra Santa do jugo muçulmano. O cânone 71º desse Concílio (Expeditio pro recuperanda Terra Sancta) garantia àqueles que de alguma forma contribuíssem com a luta a completa remissão dos pecados, desde que, sinceramente arrependidos e com o coração contrito, passassem pela confissão auricular [3] — espécie de preparação sacramental prévia para o cristão que, pondo em risco a própria vida, se aventurasse numa expedição levada a cabo no contexto da defesa da fé.[4] A partir de então, a Cristandade organizou-se para esta que ficou vulgarmente conhecida como a Quinta Cruzada, entre 1217 e 1221, sob o pontificado de Honório III.


Aduzimos este exemplo apenas para advertir que, se um historiador perde de vista as motivações religiosas da luta armada dos cristãos contra os infiéis — apontadas em farta documentação pelas autoridades eclesiásticas —, está ipso facto incapacitado para emitir sobre elas um juízo histórico equilibrado. Acabará, quer o queira, quer não, por instrumentalizar a história e pô-la a serviço de alguma ideologia.[5] Isto é o que fazem muitos escritores cujo único zelo parece ser o de dar às fontes primárias que analisam uma intenção diametralmente oposta às que estão consignadas nos documentos. Pressupor que todas as Cruzadas tivessem um objetivo meramente político ou econômico, sem trazer à luz nenhum registro da autoridade eclesiástica em que tais motivos estejam descritos ou pelo menos insinuados, é um dentre tantos exemplos encontradiços em certa historiografia daninha, que pretende recontar a história da Igreja a partir de ideologias que lhe são frontalmente adversas. O resultado dessa peculiar hermenêutica compõe quase sempre o quadro sombrio de uma Igreja autoritária, interessada tão-somente em fins políticos, em bens materiais e no domínio indevido sobre a vida das pessoas.

A consideração das fontes eclesiásticas a respeito do tema (bulas, decretos pontifícios, encíclicas, concílios, etc.) é o primeiro passo para uma genuína aproximação da verdade histórica, ainda que de maneira assintótica.[6] Mas isto com duas importantes ressalvas: 1ª. é fundamental o historiador conhecer qual seja, de acordo com a Igreja, o caráter do Magistério (as suas premissas teológicas, os seus fins, o seu sujeito, os seus atos, os seus níveis hierárquicos, os seus órgãos principais e subsidiários, os graus de comprometimento doutrinal, etc.);. antes de aventurar-se a temerários vôos interpretativos, o historiador precisa ater-se, primacialmente, ao que informam esses documentos. Um exemplo de desvio desta norma são as opiniões antipapistas que pululam na historiografia contemporânea, as quais têm o sestro de atribuir à autoridade suprema da Igreja intenções que não estão assinaladas nas fontes, como por exemplo a de que o papado ou a Cúria eram movidos por interesses menores, como o de afirmar-se politicamente.

Em se tratando de autor cristão medieval que tenha abordado um tema ligado à ação política, como é o caso de Lúlio, tais pareceres ideológicos afloram quando se ignora o imenso cabedal de fontes eclesiásticas acerca do papel que a política deve ocupar, de acordo com a doutrina da Igreja. Não sendo este o lugar de aprofundar a questão, apontemos tão-somente um ponto crucial em que o Magistério e — seguindo-o de perto — alguns dos maiores teólogos e Doutores da Igreja coincidem: tanto os homens como as sociedades estão ordenados ao fim último, cujo usufruto é contemplar beatificamente a essência divina. É enfática a doutrina quanto a este ponto, ao frisar que a autoridade política tem caráter meramente instrumental, em vista da salvação querida por Deus para todos os homens.

Dizia a este respeito Bonifácio VIII na bula Una Sanctam, de 18 de novembro de 1302: “(...) este poder comporta duas espadas, e todas as duas estão em poder da Igreja: a espada espiritual e a espada temporal. Esta última deve ser usada para a Igreja (pro Ecclesia), enquanto a primeira deve ser usada pela Igreja (ab Ecclesia). O poder espiritual deve ser manuseado pelos sacerdotes; o temporal, por reis e cavaleirosde acordo com o consenso e a vontade dos sacerdotes. Uma espada deve estar subordinada à outra espada, e a autoridade temporal deve ser submissa à autoridade espiritual (et temporalem auctoritatem spirituali subiici potestati). (...) A verdade atesta: o poder espiritual pode estabelecer o poder terrestre e julgá-lo, se não for bom (Nam, veritate testante, spiritualis potestas terrenam potestatem instituere habet, et iudicare, si bona non fuerit)”.[7]

O que se diz das interpretações forçosas acerca das medidas político-prudenciais do papado medieval e dos Concílios no tocante às Cruzadas serve, igualmente, para o pensador catalão Raimundo Lúlio (Ramon Llull), incensado como o precursor do que hoje se convencionou chamar de “diálogo inter-religioso”. Ocorre o seguinte: para alguns desses valorosos e eruditos historiadores, as três obras do autor catalão que apresentamos neste volume são uma pedra de tropeço, pois nelas Lúlio mostra um ímpeto cruzadístico verdadeiramente impressionante, ao exortar o Papa Nicolau IV a reiniciar as Cruzadas (após a queda, em 1291, do último reduto cristão na Palestina, a cidade de São João d’Acre); ao propor táticas para levar os cristãos à vitória definitiva; ao falar ao Papa da necessidade de fazer uma guerra permanente contra os sarracenos; ao afirmar que “os anjos do Paraíso e os santos desejam que a Terra Santa e outras terras que os infiéis tomaram dos latinos sejam recuperadas”; etc.

CONTINUA (...). 

________________________
[1] A importância do IV Concílio de Latrão pode ser mensurada, entre outras coisas, por duas doutrinas concernentes à fé solenemente proclamadas naquela ocasião — além da condenação formal das heresias trinitárias do monge cisterciense Joaquim de Fiore e da convocação de mais uma expedição militar para libertar a Terra Santa, em poder dos muçulmanos. 1ª. Fora da Igreja não há salvação (“Una vero est fidelium universalis Ecclesia extra quam nullus omnino salvatur); 2ª. A Virgindade Perpétua de Maria (Et tandem unigenitus Dei Filius Iesus Christus a tota Trinitate communiter incarnatus ex Maria semper virgine).
[2] Nesta breve nota, preferimos utilizar o termo “Cruzada” por uma simples convenção historiográfica e também para facilitar a compreensão dos leitores não familiarizados com estas questões terminológicas. A este problema se atém o texto da Introdução ao presente volume.
[3] “Nos igitur omnipotentis Dei misericordia et beatorum apostolorum Petri et Pauli auctoritate confisi ex illa quam nobis licet indigne Deus ligandi atque solvendi contulit potestate omnibus qui laborem propriis personis subierint et expensis plenam suorum peccaminum de quibus liberaliter fuerint corde contriti et ore confessi veniam indulgemus et in retributione iustorum salutis æternæ pollicemur augmentum”.
[4] Que as motivações dessa luta armada contra os infiéis fossem dedefesa da fé (e, na perspectiva da Igreja, em favor da salvação das almas dos eleitos pela presciência divina) é o pressuposto de todos os documentos deste Concílio. A propósito, a defesa da fé tem sempre em vista o bem comum da Igreja, ainda quando as ações implicadas se dêem no plano político. Quando, por exemplo, diz-se que a heresia deve ser combatida por ser fruto da cegueira instilada pelo “pai da mentira” (pater mendacii), vale frisar: quer o historiador acredite ou não no demônio, quer acredite ou duvide da insensatez das doutrinas heréticas ali aludidas, não é lícito nem hermeneuticamente defensável que pressuponha haver, por trás dessa razão claramente expressa no documento eclesiástico, outras motivações ocultas, de ordem política ou econômica. A menos que estivessem consignadas nas fontes.
[5] Cunhado no livro Elements d’idéologie (1801) por Antoine Destutt de Tracy, discípulo de Condillac — ambos liberais revolucionários —, o termo “ideologia” exerce ali, segundo o próprio autor, o papel de “filosofia primeira” em substituição a qualquer metafísica e a qualquer religião. O que, porém, quer dizer precisamente De Tracy ao falar de “filosofia primeira”, já que não se trata de metafísica? Ora, esta sempre fora considerada a filosofia primeira por tratar, justamente, das coisas que são primeiras na realidade: Deus incluído, e acima de tudo. A “ideologia” do francês tinha o exato sentido de “ciência das idéias”, e, como uma ciência ou filosofia se define pelo seu objeto, e como a “ideologia” de De Tracy se substituía à metafísica como “filosofia primeira”, logo, para ele as coisas primeiras na realidade só podiam ser... idéias! O que se diz da “ideologia” de De Tracy se pode também dizer de todas as ideologias: trata-se, sempre, de um apartamento entre as idéias e as coisas, uma colocação indevida e arbitrária de uma idéia (ou conjunto de idéias) no lugar dos entes. Em resumo: uma não-aceitação das coisas como são. Essa falta de docilidade para com os dados da realidade é um dos signos por excelência do espírito antifilosófico.
[6] Por melhor embasado que seja, o juízo histórico terá sempre o caráter de interpretação de uma presumível verdade acerca do passado, diferentemente do juízo metafísico, que parte de evidências extraídas de primeiros princípios indemonstráveis e chega a conclusões necessárias. Como bem afirma Juan Cruz Cruz em Filosofia da História, embora o juízo histórico possua certeza e alcance um alto grau de verossimilhança, carece de uma evidência absoluta, lógico-apodíctica. Daí que a história seja uma recriação intencional do passado a partir de vestígios consignados nas fontes escritas ou em tradições orais. Para ser historiador, não basta compulsar mil arquivos; é preciso reunir a maior quantidade de informações e interpretá-las à luz de algum método. Ver.Cruz Cruz, JuanFilosofia da História. São Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio, 2007, pp. 13-23.
[7] Papa Bonifácio VIIIUna Sanctam, 18/11/1302 (grifos nossos). Esta sempre foi a doutrina comum da Igreja, e escolhemos a presente bula por ter sido consignada no mesmo período em que Lúlio escrevia os textos publicados na presente edição — para mostrar quão afinado estava ele com a Igreja, neste ponto específico. E não é ocioso deixar o registro de que se trata de doutrina multissecular, como se pode confirmar por uma Encíclica escrita mais de 700 anos depois: “Não se neguem, pois, os governantes das nações a dar por si mesmos e pelo povo públicas mostras de veneração e de obediência ao império de Cristo, se porventura pretendem conservar incólume a sua autoridade” (grifos nossos). Papa Pio XIQuas Primas, nº 16, 11/12/1925.

Curso internacional sobre a Península Ibérica - inscrições abertas



Sidney Silveira

Inscrições estão abertas para o curso à distância "Cultura na Península Ibérica Medieval e Moderna", com certificado emitido pela Universidade de Alicante, na Espanha. Entre os professores brasileiros há nomes como o do meu irmãoRicardo da Costa,  do querido amigo Carlos Nougué e de Bruno Garschagen. As inscrições devem ser feitas no site www.ivitra.ua.es.

Eis a lista do corpo docente e das conferências que perfazem o curso:

1) Apresentação: Península Ibérica: um outro mundo possível?
Dr. Ricardo da Costa (UFES)

2) La Escuela de Traductores de Toledo (siglos XI-XIII)
Dr. Alexander Fidora (ICREA-UAB)

3) Las relaciones entre cristianos y musulmanes en la Edad Media (siglos XI-XIII)
Dra. Ana María Echevarría Arsuaga (UNED)

4) Reconquista y Cruzada en la Península Ibérica. La experiencia castellano-leonesa y el ideal de Tierra Santa, ¿una dicotomía? (siglos XI-XVI)
Dr. José Manuel Rodríguez García (UNED)

5) Las Siete Partidas de Afonso X (1252-1284): o jurídico sob o teologal
Carlos Nougué (Instituto Angelicvm)

6) El pensamiento político franciscano de la Corona de Aragón (siglos XIII-XV)
Dr. Rafael Ramis Barceló (UIB)

7) As traduções brasileiras da literatura catalã: Jaime I (1208-1276), Ramon Llull (1232-1316), Bernat Metge (c. 1340-1413) e a novela de cavalaria Curial e Guelfa (séc. XV)
Dr. Ricardo da Costa (UFES)

8) Ramon Llull (1232-1316): um projeto de vida em prol da conversão dos infiéis
Profesora Eliane Ventorim (UFES)

9) La frontera como espacio dinámico. El caso del Sur de la Corona de Aragón (siglos XIII-XV)
Dr. José Vicente Cabezuelo Pliego (Universidad de Alicante)

10) El interés por la traducción del árabe al catalán en la Edad Media (siglos XIII-XV)
Dr. Francisco Franco-Sánchez (Universidad de Alicante)

11) Latín medieval diplomático en la Península Ibérica
Dr. Juan Francisco Mesa Sanz (Universidad de Alicante)

12) Literatura catalana: la introducción del Humanismo en la Península Ibérica
Dra. Júlia Butiñá (UNED)

13) Literatura de amore. Siglos XIV y XV en la Península Ibérica
Dr. Antonio Cortijo Ocaña (UCSB)

14) Los libros de caballerías a lo divino (siglos XIV-XVI)
Dr. Enric Mallorquí-Ruscalleda (California State U-Fullerton)

15) Las imágenes licenciosas en el arte de la Edad Media tardía y del primer Renacimiento
Dr. Daniel Rico (UAB)

16) Curial e Güelfa: reflejo literario de la presencia de la Corona de Aragón en Italia (s. XV)
Dr. Antoni Ferrando (UV)

17) Ridendo castigat mores. A multifocalidade dos dois Mundos de Gil Vicente (c. 1465-1536) na Psicologia dos Costumes entre a Idade Média e o Renascimento (séc. XVI)
Dr. Ricardo Monteiro (UNIFUTURO)

18) Literatura española. La biografía caballeresca en el otoño de la Edad Media: El Victorial de Gutierre Díaz de Games (siglo XV)
Dr. Rafael Beltrán Llavador (UV)

19) Ausiàs March (c. 1397-1459): su presencia en las coronas de Castilla y Aragón durante el siglo XVI
Dr. Vicent J. Escartí (UV)

20) O ideal hispânico de cruzada e seu prolongamento na conquista do Novo Mundo (séculos XV-XVI)
Prof. Guilherme Queiroz de Souza (UNESP/Assis)

21) Tirant lo Blanc y su proyección europea (siglo XVI)
Dr. Vicent Martines (UA)
22) Camões (c. 1524-1580) e a afirmação da língua portuguesa
Prof. Armando Alexandre dos SANTOS (UNESP-Franca)

23) História e Literatura na Conquista do Brasil (séc. XVI)
Dr. Carlos Vinicius Mendonça (UFES)

24) A filosofia política da Escola de Salamanca (sécs. XVI-XVII)
Prof. Bruno Garschagen (UCP)

25) La mirada de Velázquez (1599-1660)
Dra. Patricia Grau-Dieckmann (ISPJVG)

26) El redescubrimiento de la Edad Media en el siglo XIX: el caso de la Corona de Aragón
Dr. Rafael Roca (UA)

27) Encerramento: O Espelho de Próspero vingou?
Dr. Ricardo da Costa (UFES)

Curso à distância "Cultura na Península Ibérica Medieval e Moderna (sécs. XIII-XVII)"

Clique na imagem para ampliá-la.

Curso à distância "Cultura na Península Ibérica Medieval e Moderna (sécs. XIII-XVII)".



Inscrições abertas em memoriamcultural.com.br


A Idade Média existiu?

Palestra do Prof. Dr. Ricardo da Costa no evento organizado pelo Instituto Vera Fides na Igreja de Sant'Ana no centro do Rio de Janeiro, RJ.


History Channel menciona o nosso evento sobre História Medieval

Organizar eventos católicos é sempre muito difícil por várias razões: sempre são eventos gratuitos, não conseguimos apoio financeiro, sempre há dificuldades de divulgação e tantas outras coisas conhecidas de todos nós. 




O encanto da Idade Média

LAVS DEO!


Estimados leitores e amigos,

Acabo de chegar em casa e quero agradecer muitíssimo o esforço, apoio, paciência e dedicação do Sidney SilveiraRicardo da Costa,Márcio PachecoRodolpho LoretoMário Dias de Oliveira, Vanessa Pacheco e todos os que foram para a palestra "O mito da Idade Média". É sempre muito bom rever os amigos, aprender bastante e tomar um bom vinho, que o Sidney escolheu para seu irmão!


Sempre sem recursos financeiros, contando com a simplicidade e colaboração dos palestrantes, dia-a-dia vamos realizando o ardoroso trabalho de formiguinha de formar as almas na esplendor da verdade!

Obrigado a todos! E nós do Instituto Vera Fides agradecemos de coração o apoio de vocês todos!

Santo e feliz Natal para todos! Em breve colocaremos a palestra para todos!

In CHRISTO,
Allan dos Santos.


Palestra "O MITO DA IDADE MÉDIA"

Clique na imagem para ampliá-la.

Horário15 horas
Local: Espaço cultural Sant'Ana
Dia 22 de dezembro
OrganizaçãoInstituto Vera Fides.
Apoio: Missão Coração Adorador.

Mais sobre o Doutorado Internacional com o Professor Ricardo da Costa

Como já havíamos anunciado aqui no blog, o programa de doutorado internacional da Universidade d'Alacant (UA), sob a orientação do Prof. Dr. Ricardo da Costa está a cada dia mais próximo! Segue a carta do professor:
Caro,
Boa noite.
A você, que demonstrou interesse em cursar o Programa de Doctorado Internacional “Transferencias Interculturales e Históricas en la Europa Medieval Mediterránea” da Universitat d'Alacant (UA), sob minha orientação.
Estou organizando para o ano que vem um curso em forma de conferências online (via Internet) com cerca de 20 professores da Espanha, Portugal, Argentina e Brasil. O objetivo é, em seu caso, habituá-lo ao contato direto com os colegas europeus, além do conteúdo que terá relação direta com o doutorado da UA.
Como há praticamente um ano antes do doutorado abrir, além de participar desse curso que eu organizarei (e depois darei informações), sugiro que você:
1) Atualize seu Currículo Lattes (especialmente na seção “artigos publicados”);
2) Disponibilize online seus trabalhos. Eles serão avaliados quando de seu ingresso no doutorado - caso o pedido seja aceito pela Comissão de Avaliação da UA;
3) Comece desde já a entrar em contato com a História da Coroa de Aragão. Caso não conheça, comece do zero. Os verbetes da Wikipedia são um bom começo (especialmente os em espanhol e catalão. Leia e compare);
4) Leia os clássicos literários catalãs que eu já traduzi para a nossa língua (desde o "Livro das Maravilhas" de Ramon Llull - além das outras obras literárias dele - até "Curial e Guelfa" e o "Livro dos Feitos" do rei Jaime I de Aragão). Sugiro que adquira a edição de "Curial e Guelfa" junto ao Prof.Vicent Martines (o e-mail dele segue abaixo);
5) Leia os artigos sobre essas obras que eu escrevi - todos estão disponíveis em meu site. Como uma das exigências é ter como fonte primária uma obra da literatura catalã, o objetivo de sua leitura é que, até novembro (ou melhor, antes disso), você tenha escolhido uma fonte e um tema nela contido.
6) Estude espanhol e catalão. Sugestão: comece a traduzir textos escritos nessas duas línguas. Há dois excelentes dicionários online:
REAL ACADEMIA ESPAÑOLA. DICCIONARIO DE LA LENGUA ESPAÑOLA - Vigésima segunda edición:http://lema.rae.es/drae
e
Diccionari-català-valencià-balear:http://dcvb.iecat.net/
São essas ferramentas que eu uso em meu trabalho.
Tão logo os valores de matrícula estejam disponíveis, eu repassarei a informação.
Qualquer dúvida de natureza institucional, consulte o diretor, Prof. Dr. Vicent Martines. E-mail: martines@ua.es
Também visite o site de IVITRA, e tomem ciência da natureza do trabalho por eles desenvolvido. Site:http://www.ivitra.ua.es/
Você tem um ano. Mais do que tempo para se organizar e se preparar.
Abraço e tudo de bom.
Ricardo da Costa
www.ricardocosta.com

Programa para Doutorado Internacional em Filosofia, Letras e História Medieval


Estimados leitores,

Sabemos que a luta contra-revolucionária é grande, árdua e difícil. Entretanto, a divina providência nos presenteia com recados como este que recebi por e-mail de meu grande amigo o Dr.Ricardo da Costa:

Programa de Doctorado Internacional Transferencias Interculturales e Históricas   en la Europa Medieval Mediterránea Órgão proponente: Facultad de Filosofía y Letras de la Universitat d’Alacant (UA) 
*** 
A Facultad de Filosofía y Letras de la Universitat d’Alacant (UA-Espanha) abrirá, em novembro de 2013, um Programa de Doutorado Internacional à Distância (sobre Idade Média e Renascimento), e de excelência, co-financiado pelo FEDER da União Européia “Una manera de hacer Europa”. Intitular-se-á “Transferencias Interculturales e Históricas en la Europa Medieval  Mediterránea”. Está, nesse momento, na fase final dos procedimentos burocráticos e formais.
Seu diretor, o Prof. Dr. Vicent Martines Peres (UA), também responsável pelo projeto IVITRA (Institut Virtual Internacional de Traducció) convidou-me para participar do seu  Corpo Docente e de sua  Comissão Acadêmica (que avaliará os projetos e candidatos interessados), de modo que estarei capacitado a orientar doutorandos brasileiros dispostos a cursá-lo. 
As exigências:  
1) Deverá haver na documentação do projeto de doutorado do candidato uma obra literária da Coroa de Aragão (sécs. XIII-XVI) – como, por exemplo, “Curial e Guelfa”, “Lo somni” (de Bernat Metge), “O Livro dos  Feitos” (do rei Jaime I) ou mesmo as obras literárias de Ramon Llull (p. ex., “O Livro das Maravilhas” ou seus “Poemas”). Em outras palavras, o tema do doutorado  poderá ser em Letras, Filosofia ou História, contanto que tenha uma obra literária como fonte primária; 
2) A tese poderá ser apresentada no Brasil, mas o doutorando deverá fazer uma estadia de 03 meses para aprimoramento em Alicante (durante o período de 3 anos de vigência do doutorado); 
3) A tese poderá ser escrita em português, mas deverá ser enviado um resumo (de 50 páginas, e em espanhol) à Universitat d’Alacant; 
4) Como membro do  Corpo Docente e do  Conselho Acadêmico que avaliará os projetos de doutorado inscritos para concorrer ao curso, eu estarei capacitado a ser o orientador de possíveis interessados no Brasil; 
5) Caso haja interessados brasileiros, deverá haver dois orientadores: eu aqui, e um colega na Espanha (a orientação será dupla). 

Lembrando que para cursar o doutorado não é preciso ter cursado o mestrado. Bom proveito amigos!

In CHRISTO,
Allan dos Santos.

Realidade intelectual em crise: trajetória e restauração

Palestra proferida no dia 18 de maio de 2012 na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Unesp - Campus de Franca.

Resumo: Nesse início do século XXI no Brasil, o mundo acadêmico das Ciências Humanas vive uma grave crise. Apesar da notável expansão dos cursos de pós-graduação há, definitivamente, não só uma crise de paradigmas, mas, sobretudo uma crise ética, crise de valores, crise de Humanismo. Aquele crescimento não foi acompanhado pela qualidade necessária, pelos padrões éticos universais. Alunos que não sabem escrever, que mal sabem se expressar, professores que não orientam: o mundo universitário sangra a olhos vistos. O nascedouro desse vírus remonta à solução de um dos ideólogos do regime militar (1964-1985), Golbery do Couto e Silva (1911-1987), apelidado de O Bruxo, para a cultura brasileira -- e para a Universidade de um modo específico: a chamada "teoria da panela de pressão". Somado a isso, a adoção da Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire (1921-1997) por parte dos cursos de Humanas terminou com a devastação cultural que vigora hoje em nossa realidade intelectual. Qual a solução para essa crise? Quais parâmetros devemos adotar? Para onde devemos direcionar nossa reconstrução? A proposta dessa palestra é narrar a história dessa crise e apresentar como única solução possível o retorno aos clássicos, ao mundo clássico e medieval, ao universo da tradição que moldou o Ocidente.



O pensamento de Santo Tomás de Aquino (1225-1274) sobre a vida militar, a guerra justa e as ordens militares de cavalaria



In: BLASCO VALLÈS, Almudena, e COSTA, Ricardo da (coord.).
Mirabilia 10. A Idade Média e as Cruzadas
La Edad Media y las Cruzadas
The Middle Ages and the Crusades, Jan-Jun 2010, p. 145-157
(ISSN 1676-5818).

Texto em pdf.

ENTREVISTA COM O PROF. DR. RICARDO COSTA


Via Poesia Diversa


(Professor efetivo da Ufes e Acadêmico correspondente no exterior da Reial Acadèmia de Bones Lletres de Barcelona. Sua produção acadêmica encontra-se disponível em www.ricardocosta.com/novosite)

1) A Igreja Católica como instituição encontra-se nas raízes culturais do Ocidente, visto ter feito do cristianismo como religião um processo civilizatório de assimilação e transmissão da cultura Greco-Romana. Assim, durante séculos a cultura tornou-se a principal dimensão do cristianismo como manifestação teológico-estética, o que pode ser visto em diversos campos da arte. Com o advento do secularismo esse processo tornou-se praticamente nulo. Quais as conseqüências desse entrave secular para o cristianismo e para a Igreja Católica como instituição?

Ricardo da Costa – Cultura e Cristianismo, de fato, formaram, moldaram o Ocidente, como tentei recentemente mostrar em uma conferência no Rio, ao tratar da relação entre o ideal monárquico e o Cristianismo (“A Gênese da Monarquia no Ocidente Cristão, sécs. IV-VI”). O mundo se secularizou a partir do século XVIII – na Filosofia antes – e o século XIX foi o momento de ruptura, com a disseminação dos ideais revolucionários franceses. Presenciamos hoje as consequências mais dramáticas desse processo: atualmente, à medida que o mundo rapidamente se descristianiza, cresce a violência, não só a mais extrema, mas tambem nas relações sociais mais corriqueiras. As pessoas hoje estão incrivelmente agressivas. Não é preciso ser historiador para perceber isso. Qualquer pessoa minimamente sensata e com mais de cinquenta anos percebe isso. O mundo era inacreditavelmente mais pacífico antes da década de 60 – refiro-me aqui à vida cotidiana, naturalmente.

De fato, a década de 60 foi um dos momentos de maior ruptura histórica que a Humanidade vivenciou. O começo foi oConcílio Vaticano II (1962-1965), com a prostração teológica da Igreja ao mundo. A seguir, a explosão do rockn’roll (iniciada em meados dos anos 50). O próprio John Lennon (1940-1980), em uma entrevista bombástica concedida em 1966, afirmou que o Cristianismo encolheria até morrer, e que eles (os Beatles) já eram então mais populares que Jesus Cristo. Se estivesse vivo, considerar-se-ia profético...

A Revolução cultural na China (1966) promovida por Mao-Tsé-Tung (1893-1976), com sua destruição do passado (inclusive das obras de arte do período Ming), Maio de 68 em Paris, Woodstock (1969), a explosão das drogas (a partir do verão psicodélico-californiano de 1966). Tudo foi rompido, subvertido, alterado. O mundo nunca mais foi o mesmo.
A eliminação dos Quatro velhos na Revolução Cultural da China: velhos costumes, velha cultura, velhos hábitos, velhas idéias [1].

O Espelho de Reis de Frei Álvaro Pais (c. 1275-1349) e seu conceito de tirania

Certa vez, indicamos um excelente livro de São Boaventura aqui no A VIDA SACERDOTAL. Hoje, temos a alegria de indicar um excelente artigo do Prof. Dr. Ricardo da Costa (Facebook: perfil, página oficial do site), que muito pode auxiliar quem busca aprimorar a leitura que outrora indicamos.
_____________________________________________________





O Espelho de Reis de Frei Álvaro Pais (c. 1275-1349) e seu conceito de tirania

Resumo: O artigo inicia com uma breve biografia de Frei Álvaro Pais, enfocando com maior ênfase sua atuação política. A seguir, para poder tratar do conceito de tirania exposto pelo autor na obra Espelho dos Reis, é analisado o sentido medieval do Espelho na Idade Média, a partir da tradição bíblica, passando por Plotino e Gregório de Nissa até chegar ao sentido de espelho na tradição franciscana, que também trata do Espelho como um lugar de contemplação das virtudes. A seguir, o conceito de tirania na obra Espelho dos Reis é analisado comparativamente com a obra de Santo Tomás de Aquino, De Regimine Principum. Em ambos os autores, a tirania é definida basicamente como o exercício privado do bem público e o uso da justiça de maneira indevida, isto é, a obra é uma apologia do sistema monárquico através da execração de sua degeneração: como o rei é o representante mais perfeito dos anseios do povo, o tirano é sua corrupção mais lamentável.

Palavras-chave: História Medieval - Álvaro Pais - Tomás de Aquino - Tirania - Espelho.
*
Álvaro Pais (ou Pelágio) nasceu em Salnés, na Galiza, diocese de Compostela, entre 1275 e 1280. Como João de Salisbury e Santo Tomás, sua formação foi a de um acadêmico: tendo como mestre Guido de Baisio, doutorou-se em Cânones na Universidade de Bolonha, onde lecionou posteriormente. Ingressou na Ordem dos Frades Menores através de Frei Gonçalo — ministro-geral da Ordem em 1304 — doando então todos os seus bens aos pobres (BARBOSA, 1992).
Como franciscano pertenceu inicialmente à corrente dos espirituais — que defendiam uma interpretação rigorista da ordem (FALBEL, 1995). Por fidelidade ao papa João XXII, afastou-se depois desta corrente. Apesar disso, continuou a demonstrar grande simpatia pela tese da pobreza.
Sua ação política foi sempre a de um papista. Na questão da luta entre João XXII e Pedro de Corbara, tomou o partido do primeiro. Após a coroação de Luís da Baviera em Roma e a eleição de Pedro de Corbara como papa (Nicolau V), Álvaro Pais — que residia no Convento de Araceli, em Roma — refugiou-se em Monte Compatri (próximo de Roma). Em 1328, com a entrada de Luís da Baviera em Roma, Pais teve que abandonar a cidade.
Antes de 1330, Frei Álvaro exerceu o ofício de penitenciário do papa em Avignon, o que demonstra seu grau de proximidade com a corte. Assim, em 1332, João XXII dispensou Álvaro do impedimento de ilegitimidade paterna, o que possibilitou a obtenção das dignidades eclesiásticas. No mesmo ano Frei Álvaro foi sagrado bispo de Corona — cargo que nunca exerceu.
No dia 09 de junho de 1332, foi transferido para a diocese de Silves (atualmente Faro, ou Algarve). Lá teve graves discórdias com Afonso IV de Portugal. Frei Álvaro colocava-se contra a guerra movida pelo rei de Portugal contra Afonso XI de Castela e os impostos cobrados sobre os bens eclesiásticos para mantê-la. Chegou mesmo a sofrer ataques físicos quando celebrava uma missa. Fugiu para Sevilha e lá veio a falecer, em meados de dezembro de 1349.
Álvaro Pais escreveu três obras, consideradas seu tríptico principal:
1De statu et planctu Ecclesiae (Sobre o Estado e Pranto da Igreja) — nos anos 1332-1335. No Livro I, defende a legitimidade do papa João XXII como chefe da Igreja e combate Pedro de Corbara e o imperador Luís da Baviera. No Livro II repreende os vícios da Igreja de seu tempo;
2Speculum regum (Espelho dos Reis) — 1341-1344. É considerado uma espécie de resumo das teses políticas expostas no De statu..., além de instruir o rei sobre as virtudes que deve cultivar em grau elevado;
3Collyrium fidei adversus haereses (Colírio da Fé contra as Heresias).
Além disso, manteve uma correspondência com Afonso IV de Portugal escrita nos anos 1336-1337, e, provavelmente, também escreveu as seguintes obras:
1Comentário ao Evangelho de São Mateus;
2Comentário aos Quatro Livros de Sentenças;
3Sermão sobre a Visão Beatífica;
4) Pequeno tratado intitulado De potestate Ecclesiae (Sobre o Poder da Igreja) (COSTA, 1966; BARBOSA, 1992).
Mas qual o sentido medieval do conceito de Espelho? Devemos tentar responder esta pergunta antes de passarmos à análise do conceito de tirania na obra Espelho dos Reis, fundamental na construção de sua imagem ideal de rei.
*
Espelho, do latim, speculu: reprodução fiel da imagem, representação, reflexo. Em seu sentido figurado, um modelo, exemplo a ser seguido, imitado. Deriva do verbo depoente latino speculor, cuja primeira acepção é observar. Essas palavras, por sua vez, derivam da raiz indo-européia scop. Por exemplo, o termo episcopos significa “aquele que olha sobre, vela (SOUZA, 1999).
Mas como os pensadores da Idade Média entendiam esta alegoria? A tradição veterotestamentária traz a idéia do Espelho como um lugar que o homem, ou melhor, os reis, podem vislumbrar a ação de Deus. No Livro da Sabedoria, obra que se insere na tradição literária parenética que este artigo trata, encontra-se uma passagem em que o autor se vale desta metáfora reino terrestre-reino celeste: "A Sabedoria é mais móvel que qualquer movimento (...) Ela é um aflúvio do poder de Deus, uma emanação puríssima da gloria do Onipotente, pelo que nada de impuro nela se introduz. Pois ela é um reflexo da luz eterna, um espelho nítido da atividade de Deus e uma imagem de sua bondade" (Sb, 7, 24-26) (A Bíblia de Jerusalém, 1991: 1217-1218.)
Assim, desde a tradição deuterocanônica, o Espelho é o lugar da contemplação, a porta por onde os soberanos podem receber a iluminação que reflete a luz divina da Sabedoria. Com ela, através do Espelho, os reis podem exercer sabiamente o ofício da Justiça à maneira de Salomão. O Espelho representa a Sabedoria e faz parte da simbologia do poder monárquico e da educação do príncipe.
Por sua vez, na tradição filosófica ocidental, o Espelho também representa, desde Platão (c. 429-347 a.C.) até Plotino (204/205 - 270 d. C.), a alma. Segundo este último, a imagem de uma pessoa está sujeita a receber a influência de seu modelo, como um Espelho (PLOTINO, Ennéades, Paris, IV, 3); a alma possui duas faces: um lado inferior, voltado para o corpo, e um lado superior, voltado para a inteligência (PLOTINO, Ennéades, III, 43; IV, 88).
O cerne da filosofia de Plotino era a prática do retorno da alma através da contemplação interior. Neste sentido, o Espelho é uma metáfora do “olhar para dentro”, um reflexo, uma materialização da alma. Este tema foi desenvolvido por Santo Atanásio (328-373, bispo de Alexandria) e São Gregório de Nissa (371-395, bispo de Nissa - Capadócia). São Gregório afirmava que "...como um espelho quando é bem feito, recebe em sua superfície polida os traços daquele que lhe é apresentado, assim também a alma, purificada de todas as manchas terrestres, recebe em sua pureza a imagem da beleza incorruptível.” (BERNARD, 1952, p. 75)
Platonista da escola de Orígenes, Gregório acreditava que para qualquer método ser eficaz deveria ser como um Espelho. Assim como uma virgem, espécie de corpo-espelho onde as pessoas poderiam ter um vislumbre da pureza, da imagem de Deus. Segundo ele, uma virgem era um Espelho da pureza da alma e uma imagem física do Jardim do Éden, também terra virgem (BROWN, 1990, p. 249). A imagem refletida é então uma participação, interação: quando a alma se torna um Espelho perfeito, participa da imagem (CHEVALIER, 1995, p. 393).
Momento de integração cristã, o rei que contempla é contemplado pela imagem que vê. Pode então refletir sobre as marcas do pecado e expiá-los com a educação ética. Purificando a si, purifica também o reino que dirige, pois rei e reino são como um só. O rei é o elo de salvação dos súditos e elevação do reino terrestre à categoria de reino celeste.
Estas noções neoplatônicas estão fortemente presentes na mensagem de Álvaro Pais. A idéia de Espelho como um lugar de contemplação de virtudes é cara ao franciscanismo quatrocentista: data de 1318 a confecção da obra Espelho da Perfeição, obra de um franciscano desconhecido e influenciada pelos escritos de Frei Leão, companheiro íntimo de São Francisco de Assis (O Espelho da Perfeição, 1997, pp. 847-986).
Nela, espécie de “nova regra franciscana”, a idéia principal é a do Espelho como o lugar do reflexo da perfeição da vocação do estado de Frade Menor. Da pobreza perfeita, a perfeita maneira de obedecer, a perfeita obediência a um cadáver, a perfeita humildade partindo de si mesmo, a perfeição evangélica, a descrição do frade perfeito, a imagem do bom religioso, a obra é um manual das perfeitas virtudes cristãs. Um perfeito Espelho de contemplação e guia ético.
A respeito da função do saber, este autor desconhecido afirma que o “dom da ciência” deverá ser um guia para o modo de agir. Através de seus atos, o cristão que possui a educação científica deve ser um "...modelo de piedade, simplicidade, paciência e humildade. Cultivará a virtude tanto em si mesmo como nos outros; exercitar-se-á praticando-a continuamente e estimulará os outros, mais com exemplos do que com palavras, a praticá-la.” (O Espelho da Perfeição, cap. 80, p. 933)
Não é este o paradigma pelagiano para educar seu rei cristão? Também para Álvaro Pais, ver-se no Espelho é um ato de contemplação da alma, do eu interior. Álvaro Pais reporta o sentido do Espelho ao universo semântico que dá origem à palavra speculum (Espelho): spectare (olhar, contemplar, observar), specto (olhar, estar voltado para), specula (lugar de observação, lugar elevado), specularia (vidro), speculatione (especulação).
Assim, liga-se à tradição filosófica medieval que interpretou a especulação (speculatione) como “modo de refletir”, isto é, refletir contemplativamente, fielmente, como um EspelhoSpeculumspeculerisEspelho, contemplação. O Espelho alvarinoé instrumento contemplativo. Exalta a figura do sábio e oferece ao governante o que de melhor existe no mundo terreno: a possibilidade de contemplação.
O rei alvarino deveria ser um Espelho de virtudes cristãs. Somente através deste exercício de consciência o monarca poderia conduzir seus súditos à salvação, ao reino celeste — finalidade última de sua função régia. Para isso, os súditos deveriam contemplar aquele modelo real perfeito de virtudes. A partir de seu corpo, o rei propagava a boa nova: de sua corte irradiaria-se a salvação para todo o restante do corpo social.
Portanto, o objetivo pedagógico é o rei, a alma régia, a perfeita monarquia. A educação parenética é um ato de unção régia, colírio que limpa e purifica a alma do rei e do reino. Feitas estas considerações preliminares, passemos à análise de suas idéias sobre a tirania no Espelho dos Reis. * Neste livrinho por dedicatória te envio o colírio com que possas ungir teus reais olhos interiores (...) e o espelho em que assìduamente te contemples, confessando que a ti, meu Senhor natural e afectuosìssimo dilecto, nada de mais precioso e mais durável posso oferecer. (Espelho dos reis, vol. I, p. 05)
Com esta dedicatória a Afonso XI de Castela (1312-1350) Álvaro Pais inicia o Espelho dos Reis. A obra foi escrita para comemorar a vitória cristã na batalha do Salado. A vitória do rei de Castela no Salado foi a confirmação da superioridade cristã contra os “filhos espúrios de Maomé, pseudo-profeta, mago e condutor de camelos” (Espelho dos reis, vol. I. p. 07).
Para comprovar a força das armas cristãs vencedoras, o autor criou uma simbolização cristã das armas do cavaleiro:
Arma
Escudo - O triângulo da fé em Cristo
Elmo - A esperança
Espada - O amor de Cristo
A vitória confirma a eficácia da fé em Cristo. O rei que vence é não só o rei-guerreiro, mas também o rei re-ungido pela virtude. Mas qual a importância daquilo que Álvaro Pais chama de unção interior (e que nós chamaremos de educação cristã virtuosa)? No século XII, João de Salisbury já tinha ressaltado a importância da educação dos príncipes na boa condução do reino por ele governado. A respeito do rei de Roma, Conrado III João afirmava: “quia rex illiteratus esta quasi asinus coronatus” (“porque o rei inculto é como um asno coroado”) (CURTIUS, 1996, p. 235).
O ideal do imperator literatus que se desenvolveu no Ocidente desde o período de Augusto metamorfoseou-se na forma do soberano erudito (el sabio, le sage, der Weise). Considero o Espelho de Príncipes um prolongamento desta extensão, um registro escrito em forma de tratado ético-político sistematizado.
A tradição ibérica em relação ao tema da tirania remonta, pelo menos, ao código de leis intitulado Las Siete Partidas, de Afonso X, o Sábio (1221-1284), rei de Castela e Leão (Las Siete Partidas, 1974). A obra assinala dois tipos de tirania:
1) O tirano que usurpa o trono por traição;
2) O tirano que utiliza seu poder indevidamente (SORIA, 1988, p. 184).
Outro documento ibérico onde se encontra o conceito de tirano é a obra intitulada Castigos e documentos del rey don Sancho (SORIA, Ibid.). Nela a distinção entre o rei e o tirano é que o verdadeiro rei ama o bem comum; o tirano coloca seu próprio bem acima de qualquer outro. O bem do reino só interessa ao tirano na medida que convém ao seu próprio interesse.
No Espelho dos Reis, Álvaro Pais segue pari passu o desenvolvimento do tema por Santo Tomás na obra De Regimine principum. Seria mesmo um tomismo político com ligeiros acréscimos. É interessante notar que esta adesão não é explícita: nas dezenas de passagens das auctoritas que respaldam o texto pelagiano, não há nenhuma referência à obra de Santo Tomás, muito menos ao autor.
Para Álvaro Pais, todo poder emana de Deus. Como Santo Tomás, o autor afirma que o homem é um animal social e comunicativo. No entanto, o poder procedeu da corrupta intenção (corrupta intentione): no princípio do mundo, as pessoas que assumiram o domínio (dominium) assim o conseguiram através da soberba e da tirania.
A ambição de dominar é odiosa a Deus; no entanto Ele permitiu o domínio para refrear o governo dos senhores ambiciosos e a malícia dos homens desordenados, para a concórdia dos bons e a punição dos maus (Espelho dos reis, vol. I, p. 51). Assim, não há poder que não venha de Deus: ou mandado, ou consentido.
Convém que alguns governem outros para:
1) Dirigirem os ignorantes;
2) Coibirem e punirem os pecadores;
3) Defenderem os inocentes;
4) Cuidarem do bem comum;
5) Conservarem a sociedade.
Alguns governantes conseguiram o governo por reto caminho; outros por perverso caminho:
Por reto caminho
1) Por comum consenso da multidão
2) Por especial mandado de Deus
3) Por instituição daqueles que fazem as vezes de Deus
Por perverso caminho
1) Usurpação por paixão de dominar
2) Usurpação pela força
3) Usurpação por dolo ou suborno
É de fundamental importância compreender estes pontos para a análise do posterior desenvolvimento pelagiano do conceito de tirano e suas conseqüências. A causa da tirania é o excesso de poder concedido ao rei. A perfeita precaução contra a tirania é incutir a perfeita virtude naquele a quem tamanho poder é concedido, espaço aberto para a educação parenética.
Quanto ao juízo, os príncipes tiranos devem ser julgados somente pelo papa, “vigário superior de Deus na Igreja”. Mas porque alguns reis são tiranos se todo poder vem de Deus? Para o autor, nem o mal se faz sem a Sua permissão: como no tomismo, tolerar o tirano é um exemplo de provação. A dialética rei-bomrei-mau é assim desenvolvida:
Rei bom
1) Deus ordena
2) Deus ordena de boa vontade
3) O rei-bom é uma dádiva de Deus
Rei mau (tirano)
1) Deus ordena
2) Deus ordena irado
3) O rei-mau é o castigo pelos crimes do povo
O reino é reto ou perverso quanto ao modo de aquisição e uso do poder. Também como Santo Tomás, em Álvaro Pais o governo injusto acontece quando o rei governa para seu bem privado. O tirano possui asseclas (leõezinhos, leunculos suos) que “...chupam o sangue dos pobres e o vomitam no seio de seus senhores” (Espelho dos reis, vol. I, p. 157-159).
Mas qual a definição de tirano dada por Álvaro Pais? O tirano é:
1) O dono da força;
2) O que oprime;
3) O que não rege pela justiça;
4) Aquele que não possui justamente o poder, mas o usurpa;
5) Aquele que quer ser temido e busca os interesses pessoais;
6) Aquele que domina com a paixão da ambição;
7) Aquele que rouba os bens dos súditos.
O rei representa a unidade e sua conservação, isto é, a paz. Aquele que pode realizar mais plenamente a unidade é o uno em si. Portanto, deve-se trabalhar para que o rei não se transforme em tirano. Como? Temperando seu poder.
Ora, este é o desenvolvimento ipse litteris de Santo Tomás em sua obra De Regimine principum. Como o Aquinense, Frei Álvaro também defende a graça de suportar o tirano, com os mesmos exemplos históricos de Tarqüínio Soberbo e Domiciano. Procurando forças humanas para recorrer do tirano, Frei Álvaro acrescenta uma importante instância temporal: a Igreja. Somente após recorrer a ela o homem deve pedir a Deus que “...humilhe o coração do tirano” (Espelho dos reis, vol. I, p. 177).
Em outra obra, Álvaro Pais retorna à definição de tirano, em relação direta com Deus. Tirano, aquele que é:
1) Fugitivo da face do Senhor;
2) Não governou segundo a vontade do Senhor;
3) Edificou uma torre que o Senhor também detestou;
4) Transgrediu a lei da natureza;
5) Fez aos outros opressões e mortes;
6) Um apóstata daquilo que devia fazer a seus irmãos (Estado e Pranto da Igreja, vol. I, § 36, p. 407-409).
Por isso, os homens fogem e se escondem do tirano como das feras cruéis (Espelho dos reis, p. 169). Mas o povo merece o tirano, pois peca: deve então abster-se de culpa, “...para se libertar da praga dos tiranos” (BARBOSA, 1992, p. 30).
Assim, a imagem do rei é edificada e reforçada conceitualmente a partir da oposição filosófica ao tirano. Trata-se de uma apologia do sistema monárquico através da execração de sua degeneração: como o rei é o representante mais perfeito dos anseios do povo, o tirano é sua corrupção mais lamentável. Mas, para Álvaro Pais, isto só possui real valor se o governante tiver em conta a suprema finalidade de sua missão: a espiritualização da monarquia, a elevação do reino e dos súditos ao reino celeste. Isto só será possível se o rei for virtuoso e ético, se consagrar seu reinado à comunidade que representa. Para isso, deve ter em mente o perigo da tirania, refutá-la através de suas ações cristãs.

*

Fontes 

ÁLVARO PAIS. Espelho dos reis (Speculum regum). Lisboa: Instituto de Alta Cultura, 1963.
ÁLVARO PAIS. Estado e Pranto da Igreja (Status et Planctus Ecclesiae). Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1988.
GREGÓRIO DE NISSA. De Virginitate (org. M. Aubineau), Grégoire de Nysse: Traité de la Virginité, Sources Chrétiennes 119, Paris: Éditions du Cerf, 1961.
PLOTINO. Ennéades (coord. e trad. René Bréhier). Paris, 1924-1931.
A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Edições Paulinas, 1991.
Las Siete Partidas (ed. de Gregório López de 1555). Madrid: fac-símile, 1974.
São Francisco de Assis. Escritos e biografias de São Francisco de Assis — Crônicas e outros testemunhos do primeiro século franciscano. Petrópolis: Editora Vozes/FFB, 1997.

Bibliografia 

BARBOSA, João Morais. Álvaro Pais. Lisboa: Editorial Verbo, 1992.
BERNARD, Régis. L’image de Dieu d’après saint Athanase. Paris: 1952.
BROWN, Peter. Corpo e Sociedade — o homem, a mulher e a renúncia sexual no início do cristianismo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1990.
CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT. Dicionário de Símbolos — mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1995.
COSTA, António Domingues de Sousa. Estudos sobre Álvaro Pais. Lisboa: Instituto de Alta Cultura, Centro de Estudos de Psicologia e de História da Filosofia anexo à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1966.
CURTIUS, Ernst Robert. Literatura Européia e Idade Média Latina. São Paulo: Editora HUCITEC, 1996.
FALBEL, Nachman. Os espirituais franciscanos. São Paulo: Editora Perspectiva, 1995.
SORIA, José Manuel Nieto. Fundamentos ideológicos del poder real en Castilla. Madrid: Eudema, 1988.
SOUZA, José Antônio de C. R. de. Entrevista concedida no dia 02.07.1999 via INTERNET.

Aprenda mais