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“A Missa Latina produz maior fruto espiritual”, diz o Cardeal Bartolucci



Cardeal Domenico Bartolucci celebrando missa prelatícia em Roma, em 8 de dezembro de 2010, por ocasião da festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.
Cardeal Domenico Bartolucci celebrando missa prelatícia em Roma, em 8 de dezembro de 2010, por ocasião da festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.
“Estou aqui, Beatíssimo Padre, para agradecer Vossa Santidade pelo forte chamado em favor do uso da música nas hodiernas celebrações da Santa Missa. Estou certo que, ao chamar um músico para ser parte do Colégio dos Cardeais, desejastes que isso fosse um chamado em favor do uso da música sacra na Sagrada Liturgia.
 “Hoje, pode-se notar um verdadeiro e próprio novo despertar em muitíssimos jovens que desejam reviver a beleza daMissa Latina e o maior fruto espiritual que dela nasce. Isso é um grande, grandioso conforto, e nos faz esperar um futuro litúrgico que vós certamente desejais. Agradecemos ao Senhor, que Ele possa ajudar a todos aqueles que estão trabalhando pela seriedade na música sacra. Confio firmemente que, com a ajuda do Senhor, ocorrerá um verdadeiro retorno à tradição bimilenar da música sacra”.

Domenico Bartolucci - Adoro te devote

Quando Bartolucci chorou


Via Fratres in unum
Do artigo de Paolo Rodari, do Il Foglio:
Cardeal Domenico Bartolucci celebrando missa prelatícia em Roma, no último dia 8, por ocasião da festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.Cardeal Domenico Bartolucci celebrando missa prelatícia em Roma, no último dia 8, por ocasião da festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

A música sacra da Igreja Católica sofreu uma grande revolução após o Concílio Vaticano II. Bartolucci relata: “Também Pio XII havia desejado convocar o Concílio. Assim o disse o Cardeal Achille Silvestrini, no décimo aniversário da morte do Cardeal Domenico Tardini. Ele se deu conta, porém, que os numerosos focos de rebelião presentes na Igreja poderiam começar um incêndio em Roma. Foi assim que o Papa João XXIII,  depois do Sínodo Romano, convocou o Concílio. Sob o seu pontificado, a Capela Sistina pôde finalmente ser reconstituída. Eu mesmo apresentei um projeto de reforma geral e o Papa o aprovou integralmente. Obtivemos uma sede, o arquivo, um grupo fixo e assalariado de cantores adultos e especialmente a schola puerorum dedicada exclusivamente à formação dos nossos moços. O Papa João apreciava muito a Capela. No Natal, cantávamos em seu apartamento com os meninos diante do presépio. Com relação à liturgia, creio que ele não teria mudado nada, mas em seguida ele morreu. A reforma verdadeira e própria, com todas as mudanças, se deu sob Paulo VI”. 
Sob o pontificado do Papa Montini e com o novo direcionamento litúrgico se verificou, de fato, a crise da música sacra. Bartolucci recorda ainda uma Páscoa em que voltou para casa em lágrimas. Disse: “Nos mandaram embora dizendo que a Sistina não deveria cantar, mas o povo. Foi uma revolução copernicana. O abandono do latim, que o próprio Concílio não desejava, na verdade, foi promovido por muitos liturgistas e assim todo o repertório tradicional do canto gregoriano e da polifonia, e, consequentemente, as schola cantorum,  foram apontados como a causa de todo o mal. Ir ao povo havia se tornado lema, sem que se compreendesse as graves conseqüências dessa banalização dos ritos e da liturgia. Eu sempre me opus a isso e sempre defendi a necessidade da grande arte na Igreja, para sustento e benefício do próprio povo. Pensou-se que participar significasse cantar ou ler alguma coisa e assim se desprezou a sábia pedagogia do passado. Paradoxalmente, também o repertório dos cantos devocionais que o povo sabia e cantava desapareceu. Anos atrás, por exemplo, quando o povo assistia a uma missa por um morto, sabia cantar com devoção o Dies Irae, e recordo que todos se uniam para cantar o Te Deum ou as antífonas de Nossa Senhora. Hoje, dificilmente se acha alguém capaz de fazê-lo. Muitos hoje, felizmente, embora um pouco atrasados, começam a perceber o que aconteceu. Era necessário pensar naquela época, antes de proceder com tanta susposta sabedoria em favor de uma moda. Mas você sabe, na época todos renovavam, todos pontificavam. Felizmente, o Santo Padre está dando indicações muito precisas sobre a liturgia e esperamos que o tempo ajude as novas gerações”.
A Capela Sistina, depois do Concílio, no entanto, continuou a desempenhar uma importante atividade, pois Bartolucci quis promover suas execuções também em concertos. “Dei a volta ao mundo com a Sistina e nos concertos pude me sentir livre para programar as obras-primas que eram impossíveis de se realizar dentro da liturgia, in primis, as obras de Giovanni Pierluigi de Palestrina. Giuseppe Verdi o define como o “pai eterno” da música ocidental. Eu já disse isso uma vez em uma entrevista: “Palestrina é o primeiro patriarca que compreendeu o que significa fazer música; ele percebeu a necessidade de uma composição contrapontística vinculada ao texto, alheia à complexidade e aos cânones da composição flamenga. Não por acaso, o Concílio de Trento fixou o cânones da música litúrgica olhando para ele. Não há autor que respeite o texto sagrado como Palestrina. Eu, no que pude, tentei me referir a este mesmo espírito, à solidez do canto gregoriano e polifonia de Palestrina. Por isso pude continuar a escrever música, na esteira da tradição da Escola Romana”.

FSSP: Pontifical com Domenico Cardinal Bartolucci e como cerimoniário Pe. Almir de Andrade

Domenico Cardinal Bartolucci


A primeira vez que ele vestiu a casula romana para ir ao altar de DEUS foi em 1939. Aqui ele faz o mesmo em 2010. Inspire-se. Persevere. Ore pelos sacerdotes. Eles nos representam no altar do Santo dos Santos e fará expiação pelos nossos pecados.

FSSP: Domenico Cardeal Bartolucci em Roma



Na manhã da festa da Imaculada Conceição, o Maestro Domenico Bartolucci, 93 anos, criado Cardeal no dia 20 de novembro passado pelo Papa Bento XVI, celebrou a Santa Missa segundo o rito antigo na Igreja Romana da Santissima Trinità dei Pellegrini.

Bartolucci é símbolo vivo daquela grande música sacra, fundamentada sobre o canto gregoriano e polifônico, que, por séculos, se fez uma só coisa com a liturgia católica latina.

Mas o seu episódio pessoal, quando sofreu, em 1997, a expulsão brutal do coro papal da Capela Sistina, do qual era maestro “perpétuo”, é também um símbolo do exílio ao qual foi condenada esta grande música litúrgica.

Eis como o Cardeal Bartolucci traçou as duas faces desse drama, na parte central de sua homilia da missa de 8 de dezembro:
* * *
“Quem não ama a beleza, não ama a Deus”
de Domenico Bartolucci
Cardeal Domenico Bartolucci celebrando missa prelatícia em Roma, no último dia 8, por ocasião da festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.
Cardeal Bartolucci celebrando missa prelatícia em Roma, por ocasião da festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

[...] No meu sacerdócio, eu não fui um pregador, um teólogo, nem um pastor de uma diocese e nunca pronunciei grandes discursos, todavia, tenho procurado frutificar os dons que o Senhor me deu e o fiz através da música sacra, uma nobre arte capaz de penetrar efetivamente a alma dos fiéis, convidando-os à conversão, à alegria, à oração.

Particularmente na civilização ocidental, a música é a arte que, mais do que qualquer outra, deve agradecer à Igreja. Nela, realmente, nasceu, cresceu e se desenvolveu. Como tive a oportunidade de dizer já na ocasião do concerto oferecido ao Papa na Capela Sistina, os coros representaram o berço da arte musical. A própria Igreja dos primeiros séculos, tão logo teve a oportunidade de dar glória ao Senhor publicamente, empenhou-se na criação das “scholae cantorum”, que, gradualmente, ao longo dos séculos, nos deixaram em herança o patrimônio do canto sacro, o canto gregoriano e a polifonia, instrumentos autênticos de pregação, que freqüentemente, por causa de sua intensidade, conseguem fazer perceber a mensagem contida na Palavra de Deus.

Este patrimônio que hoje devemos necessariamente recuperar e que, infelizmente, tem sido negligenciado, nunca teve a intenção de se estabelecer como um “ornamento” [ndt: no sentido de adorno, enfeite] da celebração litúrgica. O cantor, como ensinaram os nossos mestres do passado, é simplesmente um ministro que exprime e torna vivo, da melhor maneira possível, o texto sagrado e a palavra de Deus. Muito freqüentemente nós, músicos da Igreja, temos sido acusados de querer impedir a participação dos fiéis nos ritos sagrados e eu mesmo, como diretor da Capela Sistina, tive de enfrentar momentos difíceis nos quais a Sagrada Liturgia sofria banalizações e experimentações áridas. Hoje, mais do que nunca, devemos assumir a responsabilidade de analisar criticamente o quanto foi feito e devemos ter a coragem de reafirmar a importância das nossas tradições de beleza que exaltam e dão glória a Deus e que são também eficazes meios de conversão. Recordo-me, por ocasião dos concertos da Capela Sistina, o entusiasmo do povo, mesmo de países como Turquia e Japão, onde foram registradas diversas conversões ao catolicismo. “Quem não ama a beleza, não ama a Deus!”, disse o Santo Padre em uma das suas homilias. Precisamos, portanto, saber como nos reapropriarmos de nós mesmos e de quanto a tradição eclesial nos deu.

Como escreveu Bento XVI às vésperas da assembléia geral dos bispos italianos reunida em Assis, em novembro passado: “Todo verdadeiro reformador, na verdade, é um obediente à fé: não se move de forma arbitrária, nem arroga para si qualquer poder discricionário sobre o rito; não é o dono, mas o guardião do tesouro instituído pelo Senhor e a nós confiado”.

Desejando seguir essa descrição, podemos olhar precisamente para a figura de Maria: ela foi a primeira guardiã do Verbo Encarnado, a serva do Senhor que soube agir sempre de acordo com a sua vontade.

Como Maria, também nós somos chamados a ser obedientes na fé, sem nos mover de forma arbitrária, mas sabendo acolher o que nos foi entregue. Esta é a nossa força, esta é a força sempre nova do cristão que, como São Paulo, transmite aquilo que recebeu da fonte da graça que, para ele, assim como para nós, é o encontro com o Senhor.

Também por isso, encontrar-me aqui, na igreja da Trinità dei Pellegrini, onde é vivo o empenho em favor da difusão da liturgia tradicional, é para mim motivo de alegria e esperança que me faz tocar com a mão alguns frutos que se seguiram à publicação do motu proprio “Summorum Pontificum”.

Em um momento difícil, somos todos chamados em nosso serviço a nos unirmos ao sucessor de Pedro: como Pedro, também nós devemos nos converter ao Senhor crucificado e ressuscitado, não nos desanimando nunca diante da realidade da cruz e com a certeza de tomar parte um dia de sua própria ressurreição.

Esse, antes do nosso, foi o caminho de Maria, um caminho que a Igreja procurou propor como modelo e que mesmo os fiéis quiseram exaltar e exprimir na riquíssima devoção popular. Também eu, entre as músicas compostas desde quando era um jovem seminarista, tenho dedicado grande parte a Maria. A festa da Imaculada Conceição me faz pensar em tantas músicas escritas em honra a Nossa Senhora: missas, laudes, motetos, magnificat, Stabat Mater, mas me faz pensar especialmente nas numerosas antífonas marianas que o povo soube fazer suas e que cantava em honra à Mãe celeste, encontrando nela o ícone da fé. [...]

* * *

Uma pequena nota. Quando Bartolucci, em sua homilia, disse que o canto gregoriano e a polifonia “nunca tiveram a intenção de se estabelecer como um ‘ornamento’ da celebração litúrgica”, ele inverte com destreza a imprudente tese de seu atual, desmerecedor, sucessor na direção Capela Sistina, Massimo Palombella , que, em um recente editorial na revista “Armonia di voci”, escreveu que apenas “com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II a música não se põe mais como um elemento ‘ornamental’ do rito”.

Os novos príncipes da Igreja. Papáveis?

Sua Eminência reverendíssima o Cardeal Bartolucci ao lado de J.P. Sonnem.
Nascido em 1916, ordenado sacerdote em 1939 e criado cardeal por S.S. Bento XVI em 19 novembro de 2010.

Sua Eminência Reverendíssima Angelo Cardeal Amato, grande amigo de Josef Ratzinger.

Quase dispensa apresentações. S. Emcia. Revma. Malcolm Cardeal Ranjith é um grande defensor da Liturgia!

É o favorito dos estudantes de Roma. Um verdadeiro pai espiritual. Ao seu lado, o grande e famoso sacerdote  Mons. Ignacio Barreiro-Carámbula (Interim President do Human Life International).


S. Emcia. Revma. Mauro Cardeal Piacenza, cujos maravilhosos textos podem ser encontrados aqui no AVS. Ele foi ordenado sacerdote pelo grande Cardeal Siri.