No programa de hoje o Pe. Alex fala sobre este desequilíbrio que pode acontecer no sentimento humano. Explica que a virtude está no equilíbrio.
Mons. Pozzo em conferencia à FSSP sobre os “aspectos da eclesiologia católica no acolhimento do Concílio Vaticano II"
Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei”, proferiu recentemente uma conferencia à Fraternidade de São Pedro sobre os “aspectos da eclesiologia católica no acolhimento do Concílio Vaticano II”. Apresentamos a parte conclusiva da referida conferência, particularmente interessante, uma vez que Mons. Pozzo se refere a um assunto de grande atualidade na vida da Igreja: o da interpretação do Concílio Vaticano II em continuidade com a Tradição doutrinal católica (um tema que está incluído entre aqueles que a Fraternidade São Pio X tratará com a Santa Sé nas atuais conversações doutrinais). Com grande clareza e lucidez, Mons. Pozzo denuncia a existência e as conseqüências do que chama “ideologia pára-conciliar”.
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| Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei” |
O que está na origem da interpretação da continuidade ou ruptura com a Tradição?
Está o que podemos chamar a ideologia conciliar ou, mais exatamente, pára-conciliar, que se apoderou do Concílio desde o princípio, sobrepondo-se sobre ele. Com esta expressão não se entende algo que diz respeito aos textos do Concílio, nem muito menos à interpretação dos sujeitos, mas sim o marco de interpretação global em que o Concílio foi colocado e que atuou como uma espécie de condicionamento interior na leitura sucessiva dos feitos e dos documentos. O Concílio não é, de fato, a ideologia pára-conciliar, mas na história dos acontecimentos da Igreja e dos meios de comunicação de massa logrou-se em grande medida a mistificação do Concílio, quer dizer, a ideologia pára-conciliar. Para que todas as conseqüências da ideologia pára-conciliar fossem manifestadas como evento histórico, foi necessário verificar a revolução do ano 1968, que assume como princípio a ruptura com o passado e a mudança radical da história. Na ideologia pára-conciliar, o ano de 1968 significa uma nova figura de Igreja em ruptura com o passado, embora as raízes desta ruptura estivessem presentes já desde algum tempo em determinados ambientes católicos.
Este marco de interpretação global, que se sobrepôs de modo extrínseco ao Concílio, pode ser caracterizado principalmente por esses três fatores:
1) O primeiro fator é a renúncia ao anátema, quer dizer, a contraposição entre ortodoxia e heresia.
Em nome da assim chamada ‘pastoralidade’ do Concílio, faz-se passar a idéia de que a Igreja renuncia à condenação do erro, à definição da ortodoxia em contraposição à heresia. Se contrapõe à condenação dos erros e ao anátema pronunciado pela Igreja no passado, sobretudo, aquele que é incompatível com a verdade cristã ao caráter pastoral do ensinamento do Concílio, que já não queria mais condenar ou censurar, mas sim exortar, ilustrar ou testemunhar.
Na realidade, não há contradição alguma entre a firme condenação e a refutação dos erros em matéria doutrinal e moral e a atitude de amor para quem cai no erro e de respeito à sua dignidade pessoal. Todavia, precisamente porque o cristão tem um grande respeito pela pessoa humana, empenha-se além de todo limite para libertá-la do erro e das falsas interpretações da realidade religiosa e moral.
A adesão à pessoa de Jesus Filho de Deus, a sua Palavra e a seu mistério de salvação, exige uma resposta de fé simples e clara, como a que se encontra nos símbolos da fé e na regra fidei. A proclamação da verdade da fé implica sempre também a refutação do erro e a censura das posições ambíguas e perigosas que difundem incerteza e confusão nos fiéis.
Portanto, seria errôneo e infundado considerar que, depois do Concílio Vaticano II, o pronunciamento dogmático e censurador do Magistério teve que ser abandonado ou excluído, assim como seria também equivocado considerar que a índole expositiva e pastoral dos Documentos do Concílio Vaticano II não implica também uma doutrina que exige o nível de assentimento por parte dos fiéis segundo o grau diverso de autoridade das doutrinas propostas.
2) O segundo fator é a tradução do pensamento católico às categorias da modernidade. A abertura da Igreja às instâncias e às exigências da modernidade (ver Gaudium et Spes) é interpretada pela ideologia pára-conciliar como necessidade de uma conciliação entre Cristianismo e o pensamento filosófico e ideológico cultural moderno. Trata-se de uma operação teológica e intelectual que volta a propor na substância a idéia do modernismo, condenado no início do século XX por São Pio X.
A teologia neomodernista e secularista tem buscado o encontro com o mundo moderno precisamente às vésperas da dissolução do “moderno”. Com a queda do assim chamado “socialismo real” em 1989, caíram aqueles mitos da modernidade e da irreversibilidade de emancipação da história que representavam os postulados do sociologismo e do secularismo. O paradigma da modernidade, de fato, foi sucedido hoje em dia pelo paradigma da pós-modernidade do “caos” ou da “complexidade pluralista”, cujo fundamento é o relativismo radical. Na homilia do então Cardeal Joseph Ratzinger, antes de ser eleito Papa, por ocasião da celebração litúrgica “Pro eligendo Pontifice” (18/4/2005), encontra-se em destaque o centro da questão: “Quantos ventos de doutrina temos conhecido durante estas últimas décadas, quantas correntes ideológicas!, quantas modas de pensamento!… A pequena barca de pensamento de muitos cristãos foi sacudida com freqüência por essas ondas, levada de um extremo a outro: Do marxismo ao liberalismo, até a libertinagem, do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo, etc. Cada dia nascem novas seitas e se realiza o que diz São Pedro sobre o engano dos homens, sobre a astúcia que tende a induzir ao erro (cf. Ef 4, 14). A quem tem uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, freqüentemente se aplica a etiqueta de fundamentalismo. Ao passo que o relativismo, quer dizer, deixar-se “levar à deriva por qualquer vento de doutrina”, parece ser a única atitude adequada nos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida só o próprio eu e seus antolhos”.
Frente a este processo é necessário, antes demais nada, recuperar o sentido metafísico da realidade (cf. Encíclica Fides et ratio do Papa João Paulo II) e uma visão de homem e da sociedade fundada sobre valores absolutos, meta-históricos e permanentes. Esta visão metafísica não pode prescindir de uma reflexão sobre o papel na história da Graça, quer dizer, do sobrenatural, da qual a Igreja, Corpo Místico de Cristo, é depositária. A reconquista do sentido metafísico com o lumen rationis deve ser paralela ao sentido sobrenatural com o lumun fidei.
Pelo contrário, a ideologia pára-conciliar considera que a mensagem cristã deve ser secularizada e reinterpretada segundo as categorias da cultura moderna extra e anti-eclesial, comprometendo sua integridade, talvez com o pretexto de uma “oportuna adaptação” aos tempos. O resultado é a secularização da religião e a mundanização da fé.
Um dos instrumentos para mundanizar a religião constitui-se pela pretensão de modernizá-la, adequando-a ao espírito moderno. Esta pretensão tem levado o mundo católico a comprometer-se em um “aggiornamento”, que constituía em realidade em uma progressiva e às vezes inconsciente homologação da mentalidade eclesial com o subjetivismo e o relativismo imperantes. Isto levou a uma desorientação nos fiéis, privando-os da certeza da fé e da esperança na vida eterna, como fim prioritário da existência humana.
3) O terceiro fator é a interpretação do “aggiornamento” querido pelo Concílio Vaticano II.
Com a expressão “aggiornamento”, o Papa João XXIII quis indicar a tarefa prioritária do Concílio Vaticano II. No pensamento do Papa e do Concílio este termo não expressava, sem dúvida, o que por sua vez ocorreu em seu nome na recepção ideológica do pós-Concílio. “Aggiornamento”, no significado papal e conciliar, queria expressar a intenção pastoral da Igreja de encontrar os modos mais adequados e oportunos para conduzir a consciência civil do mundo atual a reconhecer a verdade perene da mensagem salvífica de Cristo e da doutrina da Igreja. Amor pela verdade e zelo missionário pela salvação dos homens estão na base dos princípios da ação de “aggiornamento” querida e pensada pelo Concílio Vaticano II e pelo Magistério pontifício sucessivo.
Por outro lado, desde a ideologia pára-conciliar, difundida, sobretudo, pelos grupos intelectualistas católicos neomodernistas e pelos centros mediáticos do poder mundano secularista, a expressão “aggiornamento” é entendida e proposta como a derrocada da Igreja frente ao mundo moderno: do antagonismo à receptividade. A Modernidade ideológica – que certamente não deve ser confundida com a legítima e positiva autonomia da ciência, da política, das artes, do progresso técnico – fixou como princípio o rechaço ao Deus da Revelação cristã e da Graça. Portanto, ela não é neutra em face à fé. O que fez pensar em uma conciliação da Igreja com o mundo moderno levou assim, paradoxalmente, ao esquecimento de que o espírito anticristão do mundo continua atuando na história e na cultura. A situação pós-conciliar foi descrita deste modo já por Paulo VI em 1972:
“A fumaça de Satanás entrou por alguma fissura no templo de Deus: E assim entraram a dúvida, a incerteza, a problemática e a inquietude. A dúvida entrou em nossas consciências e entrou por janelas que deveriam estar abertas à luz. Também dentro da Igreja reina este estado de incerteza. Pensava-se que depois do Concílio viriam dias de Sol para a história da Igreja. Em troca, veio um dia de nuvens, tempestade, escuridão, busca e incerteza. Como isso ocorreu? Confiamos-lhes nosso pensamento: Houve a intervenção de um poder adverso. Seu nome é diabo, este misterioso ser a que se faz alusão também na carta de São Pedro” (Paulo VI, homilia na Missa por ocasião do IX aniversário da coroação de Sua Santidade na solenidade de São Pedro e São Paulo, 29 de junho de 1972).
Por desgraça, os efeitos assinalados por Paulo VI não desapareceram. Um pensamento estranho entrou no mundo católico, semeando confusão, seduzindo a muitas almas e desorientando os fiéis. Há um “espírito de autodemolição” que infiltra o modernismo, que se apoderou entre outras coisas, de grande parte do periodismo católico. Este pensamento alheio à doutrina católica pode ser constatado, por exemplo, sob dois aspectos.
Um primeiro aspecto é uma visão sociológica da fé, quer dizer, uma interpretação que assume o social como chave de valoração da religião e que comportou uma falsificação do conceito de Igreja segundo um modelo democrático. Se observarmos as discussões atuais sobre a disciplina, sobre o direito, sobre o modo de celebrar a liturgia, não se pode evitar perceber que esta falsa compreensão da Igreja se difundiu entre os leigos e teólogos segundo o slogan: Nós somos o povo, nós somos Igreja (Kirche von unten). O Concílio, na realidade, não oferece nenhum fundamento a esta interpretação, uma vez que a imagem do povo de Deus referida à Igreja está sempre ligada à concepção da Igreja como Mistério, como comunidade sacramental do corpo de Cristo, composto por um povo que tem uma cabeça e por um organismo sacramental composto por membros hierarquicamente ordenados. A Igreja, portanto, não pode converter-se em uma democracia, na qual o poder e a soberania derivam do povo, já que a Igreja é uma realidade que provém de Deus e foi fundada por Jesus Cristo. Ela é intermediária da vida divina, da salvação e da verdade, e depende da soberania de Deus, que é uma soberania de graça e de amor. A Igreja é, ao mesmo tempo, dom de graça e estrutura institucional porque assim o quis o seu Fundador: chamando aos Apóstolos, “Jesus instituiu doze” (Mc. 3, 13).
Um segundo aspecto, sobre o qual peço a vossa atenção, é a ideologia do diálogo. Segundo o Concílio e a Carta Encíclica de Paulo VI Ecclesiam suam, o diálogo é um importante e irrenunciável meio para o colóquio da Igreja com os homens do próprio tempo. Porém, a ideologia pára-conciliar transforma o diálogo de instrumento em objetivo e fim primário da ação pastoral da Igreja, esvaziando cada vez mais de sentido e obscurecendo a urgência e o chamado à conversão a Cristo e à pertença a Sua Igreja
Contra tais desvios, é necessário reencontrar e recuperar o fundamento espiritual e cultural da civilização católica, quer dizer, a fé em Deus, transcendente e criador, providente e juiz, cujo Filho Unigênito se encarnou, morreu e ressuscitou para a redenção do mundo e infundiu a graça do Espírito Santo para a remissão dos pecados e para fazer aos homens partícipes da natureza divina. A Igreja, Corpo de Cristo, instituição divino-humana, é o sacramento universal da salvação e da unidade dos homens, da qual é sinal e instrumento, no sentido de unir aos homens a Cristo mediante seu Corpo, que é a Igreja.
A unidade de todo o gênero humano, da qual fala LG 1, não deve ser entendida, portanto, no sentido de alcançar a concórdia ou a reunificação das diversas idéias ou religiões ou valores em um “reino comum e convergente”, mas que se obtém reconduzindo a todos à única Verdade, da qual a Igreja Católica é depositária porque Deus mesmo a confiou. Nenhuma harmonização das doutrinas “estranhas”, mas um anúncio integral do patrimônio da verdade cristã, no respeito da liberdade de consciência, e valorizando os raios de verdade esparsos no universo das tradições culturais e das religiões do mundo, opondo-se ao mesmo tempo às visões que não coincidem e não são compatíveis com a Verdade, que é Deus revelado em Cristo.
Concluo voltando às categorias interpretativas sugeridas pelo Papa Bento no Discurso à Cúria Romana, mencionado no início. Estas não fazem referência ao esquema ternário habitual e obsoleto (conservadores, progressistas, moderados), mas se apóiam sobre um binário estranhamente teológico: duas hermenêuticas, a da ruptura e a da reforma na continuidade. É necessário seguir esta última direção ao afrontar os pontos controversos, liberando, por assim dizer, o Concílio do pára-Concílio que se mesclou a ele, e conservando o principio da integridade da doutrina católica e da plena fidelidade ao depósito da fé transmitido pela Tradição e interpretado pelo Magistério da Igreja.
Fonte: La Buhardilla
Tradução: Fratres in Unum
Roma: discurso de Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis, em conferência sobre Fátima.
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| Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare. |
Apresentamos nossa transcrição do discurso proferido por Sua Excelência Reverendíssima Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis (Goiás), no “The Fatima Challenge Conference”, em Roma, no último dia 7. De antemão agradecemos as possíveis correções feitas ao nosso trabalho.
* * *
Excelências, irmãos padres, religiosos e religiosas,
Não esperem muito de mim, pois sou baixinho, mas, em suma, devo falar alguma coisa e me pediram que, ao menos, eu me comunicasse com vocês.
Algo que me parece sempre incerto é a questão do Concílio Vaticano II. Na última sessão, da qual participei, uma comissão foi até a Irmã Lucia, em Coimbra, e eu lhe encaminhei uma pergunta por escrito. Minha pergunta foi a seguinte: o terceiro segredo de Fátima tem alguma relação com o Concílio Vaticano II? A Irmã Lucia respondeu — não a mim, mas a um padre que fora com a comissão — “não estou autorizada a responder esta pergunta”. Isso é muito interessante. [...] é um sinal de alguma reserva no terceiro segredo e esta reserva tinha alguma relação com o Concílio Vaticano II.
Mas, como reversas com o Concílio Vaticano II? Estudei aqui em Roma, estudei Teologia, e isso me impressionava muito. Eu também tinha lido dois livros sobre Fátima, um do padre Marc, e um outro de um padre português, que tinha sido diretor espiritual num seminário brasileiro. E uma coisa interessante para mim era entender esta razão. E nesse meio tempo, soube que o Santo Padre Pio XI desejava reabrir o Concílio do Vaticano. O Cardeal Billot o advertiu: “Santidade, me parece que isso é um perigo, porque estamos no tempo dos modernistas e esses modernistas criaram muita confusão na Igreja. Se o concílio for aberto agora, todos estarão em condição de participar, porque muitos também eram hierarcas da Igreja e creio que isso seria uma magnífica confusão entre os teólogos, sacerdotes, religiosos e até o povo, porque todas estas questões que já haviam sido esclarecidas e algumas condenadas pela Igreja desde Pio X e também um pouco por Bento XV, estas questões estariam livres para discussão e creio que não seria bom para a comunicação e para a opinião católica”. Soube que o Papa levou em consideração o que havia dito o Cardeal Billot – o Cardeal Billot foi retirado do cardinalato alguns anos depois, mas esta é outra questão – mas o Papa teria dito sim, [o Cardeal] tem razão.
Soube também que Pio XII teve uma idéia [sobre um concílio] – estudei quatro anos em Roma quando ele era Pontífice – mas estas razões [mesmas] lhe fizeram pensar e naqueles anos ele havia escrito uma carta encíclica Humani Generis, onde ele condena aberta e duramente todas as posições modernistas, citando, inclusive, muitos teólogos de seu tempo. Eu depois fiz [...] um trabalho [...] sobre esta encíclica e situei muitas de suas citações [de autores] que eram anônimas, mas eram citações, nesta encíclica. Por exemplo, Padre Congar, por exemplo, Padre Schillebeecxs, e outros. [...], mas o Santo Padre havia denunciado muitos teólogos que depois fariam sucesso com os seus escritos.
E por isso creio que o Papa Bento XVI, com sua prudência e sabedoria, não tenha citado nas obras do Papa Pio XII esta encíclica. É interessante, pois me perguntaram uma vez: por que o Papa não cita a Humani Generis? Pensei, pensei, e disse: creio que se o Papa tivesse citado esta encíclica ele criaria um ambiente de oposição a Pio XII por parte de teólogos famosos que continuam tendo muita influência nas questões da Igreja e haviam sido grandes homens famosos, aplaudidos, no Concílio Vaticano II. Para mim foi uma decisão de muita prudência e sabedoria [...]. Depois, quando a questão da canonização tivesse avançado, eles tomariam certamente outra posição.
Mas retornemos. Seria possível que Nossa Senhora tivesse dito que não era de seu gosto, que não lhe agradava uma realização do Concílio? Eu não sei, mas se pode pensar. Com isso eu não quero dizer que o Concílio Vaticano não seja legítimo… e não seja também uma benção para a Igreja.
Não sei se vocês conhecem este livro de Brunero Gherardini, Concilio Vaticano II – Un discorso da fare – publicado pelos Franciscanos da Imaculada, aquela congregação fundada pelo padre Manelli, que é interessantíssimo… terrível este livro… mas mantém uma posição muito justa, muito bem fundamentada. Ele diz que no Concílio foram ditas muitas coisas que não são boas. Um comentarista francês dizia que era necessário distinguir aquilo que foi dito no Concílio, e foram ditas tantas coisas tolas, por exemplo, quando se discutia – e com todo respeito – a maternidade divina de Maria e também Maria mãe da Igreja; um bispo mexicano, Méndez Arceo, provocou risos, muitos risos, quando disse: “isso não me agrada, pois, se Maria é mãe da Igreja, e se a Igreja é nossa mãe, Maria não será nossa mãe, mas nossa avó”. Uma piada fora de lugar, mas, em suma, tudo era possível, e era uma Excelência que falava. E outras coisas que foram ditas; evidentemente, num ambiente de discussão, pode-se dizer tanta coisa tola [...] o delito que o homem usa e abusa de dizer o que pensa. Portanto, é necessário compreendê-lo.
Mas é ainda mais interessante que muitos daqueles que foram condenados por Pio XII – De Lubac, De Le Blond, Danielou, Congar, etc – eram homens do dia, atuais, durante o Concílio.
Mas, verdadeiramente, eu soube de uma coisa interessante: um professor da Universidade Gregoriana, que fora responsável pela comissão para os textos preliminares para o Concílio – Padre Tromp – um teólogo magnífico… Falei com ele um pouco antes de sua morte. Ele era meu professor na Gregoriana e eu até fiz um curso especial com ele. E eu perguntei como ele avaliava esta situação e ele me respondeu o seguinte: o Concílio foi um concílio bastante difícil, muito difícil, tanta energia desperdiçada, mas, em suma, uma coisa que se deve dizer é que o Concílio Vaticano II, com todas estas discussões, declarações, documentos, etc, etc, é também a indicação dada por João XXIII de ser um concílio pastoral. Até hoje não se compreende bem este sentido, sentido bem profundo de concílio pastoral. Mas sabemos que não era um concílio de definições, que terminava assim: “todos que disserem o contrário sejam anátemas, etc, etc,” como era praxe. Mas era um concílio que tratava questões católicas, religiosas e mesmo questões não religiosas, mas não concluía mais como os outros concílios, com condenações, excomunhões. Não era um concílio dogmático.
Este sacerdote, que fora nomeado chefe da comissão de redação dos textos preliminares por João XXIII, me disse: “É incrível que um Concílio assim, complexo, heterogêneo, no final das contas tenha contribuído para um dos documentos mais seguros, fundamentais da Igreja. Sim, e ele aludia ao Capítulo 8º da Lumen Gentium. Para o Padre Tromp, este documento seria um dos maiores documentos de toda a história da Igreja.
Bem, nesse Concílio havia um homem que eu admirava muito, muitíssimo, tinha lido várias vezes um de seus livros: “Teologia do Apostolado”, Cardeal Suenens e que, em suma, me fez sofrer[...]. Ele tomou a posição de comando, um comando externo, dos bispos da Alemanha e Holanda. Mas, em suma, ele era um mariólogo, um devoto de Maria e certamente ele é quem inspirou e acompanhou a redação do capitulo 8º. Bem, por que digo isso? Porque quando Suenens disse: “Santidade, não somos crianças [...]”. Recebemos uma carta, para logo ler e assinar. Nós somos bispos, nós somos sucessores dos apóstolos. Sabemos o que fazemos. [... ]. Temos que ler os esquemas e depois vamos discuti-los.
E João XXIII, vocês sabem disso, se amedrontou e disse: “sim sim, faremos um Concílio pastoral” Não há Constituições Dogmáticas num Concílio Pastoral. Faremos um Concílio para discutir as questões do momento, e não as questões de sempre, e dar a resposta convencida pela prudência e sabedoria evangélica.
O estudo feito por Gherardini considera todas essas questões e diz claramente: o Concílio é uma grande graça para o mundo, e também é este concílio, tantas coisas são ditas, mas não há nenhum peso dogmático. [..] Há coisas que podemos chamar de incertas… até alguns teólogos depois do Concílio Vaticano II disseram que a linguagem da teologia de hoje é uma linguagem de incertezas, não há nenhuma certeza em suas declarações.
Assim, me parece que isso explica que tantas coisas tenham chegado a nós com muito pouco fruto. Pelo contrário. Vejamos. Dentro do Concílio Vaticano II, não nas reuniões, foram feitos acordos com os representantes da Rússia para que não se falasse do comunismo, não se falasse de Rússia. Mas isso é o contrário da mensagem de Fátima. O centro da mensagem [...] era a Rússia, da qual virão grandes males para a Igreja e para o mundo. Mas fizeram um acordo. Ah sim! Porque havia bispos ortodoxos [para participar do Concílio]. E nós sabemos hoje que muitos bispos não só na Rússia, mas na Polônia e outros lugares, para não terem obstáculos da parte do governo comunista, faziam vistas grossas a certas coisas. Por exemplo: nós sabemos que este escândalo ocorreu na Polônia de um arcebispo que fora nomeado e que no momento de tomar posse da diocese ele simplesmente disse: “não, não posso tomar posse, porque encontraram um documento assinado por mim que me permitia sair da Polônia para estudar em Roma com a condição de colaborar com o governo sobre as coisas da Igreja que lhe interessavam.”. Este é o problema. [...] O arcebispo de Kiev, que era um homem que se aproximou muito de João Paulo I, na última audiência, morreu lá diante do Papa. Ele não era ninguém menos que um chefe da KGB e era arcebispo de Kiev. Coronel da KGB. [...] É um trabalho de muito tempo de infiltração na Igreja Católica, e se pode dizer que também o fato de Judas fazer parte do colégio apostólico, não disse nada contra Cristo, e no último momento quis lhe trair: “amigo, a que viestes?”. [...] Há momentos extremos de traição e por isso o Senhor tem muitos e muitos caminhos. [...]
Por outro lado, por exemplo, nós sabemos da influência da maçonaria no último Concílio não foi pouca, porque o próprio Monsenhor encarregado da liturgia – Bugnini – tinha escrito uma carta ao chefe da maçonaria italiana, dizendo que pela liturgia havia feito tudo que era possível; tudo aquilo, segundo recebeu instruções, mais não poderia ser feito. [...] Um padre polonês que encontrou este ofício o levou imediatamente a Paulo VI, que o mandou para fora de Roma, na nunciatura no Irã. Até Monsenhor Benelli, que era o braço direito do Papa, também foi retirado de Roma e estranhamente ambos morreram pouco depois em circunstâncias misteriosas. Dizíamos que era uma queima de arquivo. Entendem, não?
Quero dizer que mesmo os inimigos estando presente dentro da Igreja, isso não deve nos atemorizar, pois o próprio Cristo já contou aquela parábola [...] do trigo e do joio juntos e o Senhor disse “deixai crescer”, depois, na hora da colheita se separará os dois. Pois os maus, como diz Santo Agostinho, ou existem para se converter ou para nos santificar. E isso é verdade. [...] O Senhor, no antigo testamento, deixava os povos bárbaros e desumanos presentes e próximos do povo eleito para garantir a sua fidelidade e seu espírito de sacrifício. E por isso não devemos de maneira alguma pensar que estes problemas possam abalar a nossa fé. Absolutamente!
Uma vez, quando disse um pouco dessas coisas num encontro de bispos, um deles se levantou e me disse: “Você não crê no Espírito Santo?”. Eu disse: “Creio sim, e por isso estou aqui, porque creio no Espírito Santo e sei que as portas do inferno não prevalecerão”. “Eu estarei convosco até o fim do mundo”, tenhamos esta certeza absoluta, não podemos duvidar daquilo que Cristo disse. Isso seria um suicídio religioso. Se não creio em Cristo, em que acreditaria? Em meu pai, em minha mãe, em meu amigo, no Papa? Se não creio em Cristo… e por isso estou seguro, seguro com armas, com sofrimentos, com sangue, sim, sim, é verdade. Quando penso, por exemplo, no Pe. Gruner, vejo nele um mártir da Igreja moderna, sem dúvida. Não se pode compreender a sua vida sem a palavra de Deus que diz: “o reino dos céus é sofre violência, e são os violentos que o alcançam”.
Creio que poderia dizer – digo como uma palavra minha — e suspeitar que o Concílio Vaticano II está relacionado [...] com o terceiro segredo de Fátima. Alguns de vocês me dirão: “mas isso não é atual”. Mas é atual sim, pois se nós publicamos isso, teremos que enfrentar o temor de nossos fiéis que dirão: “O que? Vocês não acreditaram?”… Porque me dirão que eu fui fraco, que eu fui estúpido… essas não são justificativas para que eu possa dizer: “não sou responsável” ou “não estava nessas coisas”.
[...] victoria quae vincit mundum: fides nostra. A nossa fé é a vitória que vence o mundo. Que vence o mundo! Eu estarei convosco até a consumação dos séculos. As portas do inferno com ela. Nem a maçonaria que é o corpo místico de Satanás, nem as heresias são realmente a lepra da nossa Igreja, mas que encontram sempre na graça de Maria e no amor de Cristo um remédio salutar para todos os males, nada disso me deve fazer perder a coragem ou deixar de lutar.
Um dia eu falava na conferência dos bispos do Brasil contra o aborto, porque eu trabalho muito – poderia e deveria ter trabalhado ainda mais. E um bispo me disse: “Mas Dom Pestana, o senhor tem que entender que não podemos perder tempo [...] com uma batalha perdida. O aborto vem! Como veio para quase todas as nações. Não se pode perder tempo com essas coisas”. E eu disse: “Excelência, Deus não te julga se ganhamos ou não a batalha, mas se lutamos e se lutamos bem”. E assim penso que vocês estão fazendo, e por isso estou aqui com a alma renovada, encorajado [...] mesmo com o meu joelho com duas placas de metal.
Deve-se pensar nisso: eu devo lutar. [...]. Sempre recordo de uma estória, e gosto de contar estorinhas [...] para ensinar o catecismo. Um elefante corria na África e, de repente, uma formiga na sua orelha lhe diz: “Elefante, olhe para trás, veja quanta poeira estamos fazendo”. Nós estamos fazendo. E pensamos que somos nós que estamos fazendo. E por isso o personalismo no apostolado é um grande perigo. É Deus quem faz, e só quando os homens se convencerem que Deus faz aquilo que nós fazemos é que acreditarão em nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, Amém.
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Fonte: The Fatima Challenge
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El autor de estas líneas se apresura a decir que en esta síntesis no todo posee igual valor ni se impone con la misma autoridad.. Afirma que, fuera de las verdades de fe y de las conclusiones teológicas comunmente recibidas, que representan aquello que hay de más cierto en la ciencia teológica, lo que decimos apoyándonos en la autoridad de Santo Tomás y de sus más calificados comentaristas no se impone a nuestra adhesión, ni convence, en la medida de los principios que le sirven de fundamento. Es difícil sin embargo separar de esta síntesis un solo elemento de alguna importancia, sin poner en peligro su solidez y armonía.
Por supuesto que se ha dado un gran paso para llegar a un acuerdo, por el hecho de que críticos de los más autorizados hayan reconocido en esta doctrina "notable armazón arquitectónica y magnífico desarrollo".
El Congreso carmelitano de Madrid, en el año 1923, cuyas conclusiones fueron publicadas en la revista "El Monte Carmelo", de Burgos, en mayo del mismo año, reconocía la verdad de estas dos importantes conclusiones acerca de la contemplación infusa (Tema V): "El estado de contemplación se caracteriza por el dominio progresivo de los dones del Espíritu Santo y por el modo sobrehumano como se practican todas las buenas acciones. Como las virtudes encuentran su última perfección en los dones, y éstas hallan su perfecta actualización en la contemplación, resulta que ésta es el camino ordinario de la santidad y de las virtudes habitualmente heroicas."
En su Compendio de teología ascética y mística, 1928, M. Tanquerey, sulpiciano, se adhiere a esta doctrina cuando escribe (no. 1564): "La contemplación infusa, considerada independientemente de los fenómenos místicos extraordinarios que a veces la acompañan, nada tiene de milagroso ni anormal, mas proviene de dos causas: del desarrollo o formación de nuestro organismo sobrenatural, especialmente de los dones del Espíritu Santo, y de una gracia operante que en sí nada tiene de milagrosa... Esta doctrina es seguramente la doctrina tradicional tal como se la encuentra en los autores místicos, desde Clemente de Alejandría hasta San Francisco de Sales". "Casi todos estos autores consideran la contemplación como el normal coronamiento de la vida cristiana (Ibid., no. 1566).
En ese mismo sentido se puede citar lo que dice San Ignacio de Loyola en una carta, que todos conocen, escrita a San Francisco de Borja (Roma, 1548): "Sin estos dones (impresiones e iluminaciones divinas), todos nuestros pensamientos, palabras y obras son imperfectos, fríos y turbios; habemos pues de tener gran deseo de estos dones para que aquéllos sean justos, fervorosos y trasparentes, para mayor servicio de Dios". En 1924, el P. Luis Peeters, S. J., en un interesante estudio: Hacia la divina unión, por los ejercicios de San Ignacio, c. VIII (Musaeum Lessianum, Brujas), escribía: "¿Qué piensa el autor de los ejercicios acerca de la vocación universal al estado místico? Imposible admitir que la considere como una excepción casi anormal... Conocida es su optimista confianza en la divina liberalidad: «Son pocos los que sospechan qué cosas no obraría Dios en ellos, si no le opusieran obstáculo». Y es cierto; es tan grande la humana debilidad, que sólo unos pocos escogidos, singularmente generosos, aceptanlas temibles exigencias de la gracia. El heroísmo nunca fue, ni lo será, cosa común; y la santidad no se concibe sin heroísmo...
"A lo largo de todo el libro de los Ejercicios, con insistencia que revela profundo convencimiento, brinda a sus generosos discípulos esperanzas ilimitadas de las divinas comunicaciones, la posibilidad de llegar a Dios, de gustar la suavidad de la divinidad, de entrar en inmediata comunicación con el Señor. «Cuanto el alma, dice, se junta más a Dios y es generosa con él, más apta se hace para recibir en abundancia las gracias y los dones espirituales»... "Y aun hay más. Las gracias de oración no sólo le parece que se han de desear, sino que las juzga hipotéticamente necesarias para llegar a eminente santidad, sobre todo en los hombres apostólicos"2. No es posible decirlo con más claridad.
Y esto es lo que hemos pretendido demostrar en la presente obra. La unanimidad es mayor cada día acerca de estas fundamentales cuestiones, y con frecuencia es más real de lo que parece. Los unos, teólogos de profesión, como nosotros, consideran la vida de la gracia, germen de la gloria, en sí misma, para poder señalar cuál debe ser el pleno desarrollo normal de las virtudes infusas y de los dones, la disposición próxima para recibir inmediatamente la visión beatífica, sin pasar por el purgatorio, es decir en un alma totalmente purificada, que ha sabido sacar provecho de las pruebas de la vida, y a la que nada queda por expiar después de la muerte. Síguese de ahí que, en principio, de derecho, la contemplación infusa está dentro del camino normal de la santidad, aunque se den excepciones que nacen sea del temperamento individual, o bien de ocupaciones absorbentes, de un ambiente poco favorable, etc.3 Otros autores, fijándose principalmente en los hechos, o en las almas individuales que viven la vida de la gracia, concluyen que hay almas de vida interior, verdaderamente gener sas, que nunca llegan a esas alturas, que, no obstante, son el pleno desarrollo normal de la gracia habitual, de las virtudes infusas y de los dones. Ahora bien, la teología espiritual debe, como cualquiera otra ciencia, considerar la vida interior en sí misma, y no en tal o cual alma individual, en tales o cuales circunstancias, desfavorables muchas veces. Del hecho de que haya robles mal formados, no se sigue que el roble no sea un árbol robusto y de bellas líneas. La teología espiritual, aun dándose cuenta de las excepciones que pueden explicarse por tal o cual circunstancia, debe buscar sobre todo de fijar las leyes superiores que rigen el normal y total desarrollo de la vida de la gracia considerada en sí misma, y señalar cuáles son las disposiciones próximas para que un alma totalmente purificada goce o reciba inmediatamente la visión beatífica.
Siendo el purgatorio un castigo, supone una falta que hubiéramos podido evitar, o al menos expiar, antes de la muerte, aceptando con resignación los sufrimientos de la vida presente. La cuestión de que aquí se trata es señalar cuál es la vía normal de la santidad, o de una perfección tal que nos permita entrar al cielo inmediatamente después de la muerte. Desde este punto de vista, hemos de considerar la vida de la gracia en cuanto es germen de la vida eterna, y así, la idea precisa de vida eterna, término de nuestra carrera, es la que nos ha de iluminar en esta cuestión. Un movimiento no se especifica por su punto de partida, ni por los obstáculos que le salen al paso, sino por el fin al cual se dirige. Del mismo modo la vida de la gracia se precisa y define por la vida eterna de la que es germen y principio, de ahí que haya que concluir que la disposición próxima y perfecta para entrar en inmediata posesión de la visión beatífica, se encuentra dentro del camino normal de la santidad.
En las páginas siguientes insistimos mucho más en los principios generalmente recibidos en teología, demostrando su valor en sí mismos y en sus consecuencias, que sobre la multitud de opiniones expuestas por autores, muchas veces de inferior categoría, acerca de tal o cual punto particular. No faltan obras recientes, indicadas en otro lugar, que mencionan al detalle tales opiniones; nosotros nos hemos propuesto otra cosa, y ésta es la razón de no citar apenas sino a los autores más conspicuos. El acudir constantemente a lo que constituye los fundamentos de su doctrina, creemos que es sin duda lo más importante y necesario para la formación del espíritu, que interesamos que la erudición. Nunca lo secundario ha de hacer olvidar lo principal, por eso la complejidad de ciertas cuestiones no nos debe hacer perder de vista los grandes principios directivos que iluminan todas las cuestiones de espiritualidad. Es sobre todo necesario no contentarse con citar estos principios como si se tratase de lugares comunes, sino examinarlos a fondo y volver a menudo sobre ellos para comprenderlos más perfectamente.
Sin duda que uno se expone así a repetirse a veces, mas aquellos que, por encima de las opiniones pasajeras que han podido estar en boga durante algunos años, van en busca de la verdadera ciencia teológica, saben que ésta es eminentemente una sabiduría; que se preocupa no tanto de deducir conclusiones que tengan aires de novedad, sino más bien de que esas relaciones formen perfecta trabazón con idénticos principios superiores, como las aristas con el vértice de 1,2 pirámide. En tal caso, el recordar, a propósito de una y otra cuestión, el principio fundamental de la síntesis total, no es tanto una repetición, como una manera de acercarse a la contemplación circular; la czíal, dice Santo Tomás (II, II, q. 180, a. 6), retorna constantemente a la misma Verdad eminente, para mejor captar sus detalles y consecuencias, y, como el vuelo del ave, describe nmcbas veces el mismo círculo alrededor del mismo lugar. Este centro, igual que el vértice de la pirámide, es, a su manera, símbolo del único instante de la inmoble eternidad que coincide con todos los sucesivos instantes del tiempo que pasa y se desliza. Si se tiene esto en cuenta, fácilmente se nos perdonará el que tengamos que volver repetidas veces sobre los mismos temas o leitmotivs que crean el encanto, la unidad y la grandeza de la teología espiritual.
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2 El P. Peeters repite los mismos conceptos en la segunda edición de su obra, 1931, pp. 216-221.
3 Esta distinción explica, según nuestra manera de ver, ciertas aparentes contradicciones de Santa Teresa, que ella misma ha hecho resaltar diciendo que no son reales. En muchas ocasiones habla del llamamiento general de las almas interiores a las aguas vivas de la oración, y en otros textos habla de casos particulares. Y así dice en el Camino de perfección, c. XX: "Parece que me contradigo en este capítulo pasado de lo que había dicho, porque cuando consolaba a las que no llegaban aquí, dije que tenía el Señor diferentes caminos por donde iban a él, así como había muchas moradas. Así lo torno a decir ahora..." Y mantiene el principio del llamamiento general, que explica de nuevo diciendo: "Porque, como entendió su Majestad nuestra flaqueza, proveyó como quien es. Mas no dijo: por este camino vengan unos, y por este otros; antes fue tan grande su misericordia, que a nadie quitó procurase venir a esta fuente de vida a beber... A buen seguro que no lo quita a nadie antes públicamente nos llama a voces (Jesús puesto de pie en el templo dijo en voz alta: Si alguien tuviere sed, venga a mí y beba, Ioan, VII, 37). Así que, hermanas, no hayáis miedo ni muráis de sed en este camino... Y pues esto es así, tomad mi consejo y no es quedéis en el camino, sino pelead como fuertes hasta morir en la demanda, pues no estáis aquí a otra cosa sino a pelear". Las restricciones puestas por Santa Teresa no conciernen al llamamiento general y remoto, sino al particular y próximo, como lo hemos explicado en Perfection chrétiene et contemplation t. II, pp. 459-462, 463 y ss.
Superior da FSSP visita S. S. Bento XVI
A notícia é antiga, mas muito valiosa e exemplar.
Na segunda - feira 6 de julho de 2009, o Santo Padre se reuniu em audiência privada com o Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, Pe. John Berg. A reunião teve lugar na biblioteca privada do Santo Padre Bento XVI no Palácio Apostólico. Após a reunião, o Santo Padre teve o prazer de cumprimentar alguns dos membros fundadores da FSSP e ele agradeceu por seu trabalho dando a cada pequena lembrança.
Photo credit: L'Osservatore Romano.
AMBIENTES, COSTUMES, CIVILIZAÇÕES
Esplendor da concepção hierárquica e cristã da vida
A onda satânica do igualitarismo, que desde a revolução protestante do século XVI até a revolução comunista de nossos dias, vem atacando, caluniando, solapando, e fazendo definhar tudo quanto é ou simboliza hierarquia, apresenta toda desigualdade como uma injustiça. Está na natureza humana - dizem os igualitários - que o homem se sinta diminuído e vexado em curvar-se ante um superior. Se o faz, é porque certos preconceitos ou o império das circunstâncias econômicas o obrigam a tal. Mas esta violência à ordem natural das coisas não fica impune. O superior deforma sua alma pela prepotência e pela vaidade que o levam a exigir que alguém se curve ante ele. O inferior perde com seu gesto subserviente algo da elevação de personalidade própria ao homem livre e independente. Em outros termos, sempre que uma pessoa se curva ante outra, há um vencedor e um vencido, um déspota e um escravo.
A doutrina católica nos diz exatamente o contrário. Deus criou o universo segundo uma ordem hierárquica. E dispôs que a hierarquia fosse da essência de toda ordem verdadeiramente humana e católica.
Em contato com o superior, o inferior pode e deve tributar-olhe todo o respeito, sem o menor receio de se rebaixar ou degradar. O superior, por sua vez, não deve ser vaidoso, nem prepotente. Sua superioridade não decorre da força, mas de uma ordem de coisas muito santa, e desejada pelo Criador.
Na Igreja Católica, os costumes exprimem com admirável fidelidade esta doutrina. Em nenhum ambiente os ritos e as fórmulas de polidez consagram mais acentuadamente o princípio de hierarquia. E em nenhum, também, se vê tão claramente quanta nobreza pode haver na obediência, quanta elevação de alma e quanta bondade pode haver no exercício da autoridade e da preeminência.
* * *
Numa Cartuxa espanhola, um monge oscula, genuflexo, o escapulário de seu superior. É a expressão da mais inteira sujeição.Entretanto, considere-se atentamente a cena, e se verá quanta varonilidade, quanta força de personalidade, quanta sinceridade de convicção, quanta elevação de motivos o humilde monge genuflexo põe em seu gesto. Contém este qualquer coisa de santo e cavalheiresco, de grandioso e singelo, que faz pensar ao mento tempo na "Legende Dorée", na "Chanson de Roland", e nas "Fioretti" de São Francisco de Assis.
Como, genuflexo, este religioso humilde e desconhecido é maior do que o homem moderno, molécula enfatuada, impessoal, anônima e sem expressão, da grande massa amorfa em que se transformou a sociedade contemporânea.
* * *
Depois da humildade do monge, consideremos a do gentil-homem.
O Conde Wladimir d’Ormesson foi até há bem pouco embaixador da França junto à Santa Sé. Em nosso clichê, vemo-lo, revestido do fardão solene de diplomata, ajoelhado ante o Santo Padre Pio XII por ocasião de uma audiência. Seria difícil imaginar uma atitude que exprimisse, tão completamente e ao mesmo tempo, uma alta consciência de sua própria dignidade e um vivo respeito ante a autoridade excelsa e suprema, em face da qual o embaixador tem a honra de se encontrar. O joelho em terra, mas o tronco e o pescoço eretos, a nobreza e a reverência do cumprimento, tudo enfim mostra quanto respeito e quanta dignidade se contém nos tradicionais estilos diplomáticos, dos quais o Conde se mostra aqui intérprete fiel, e que foram elaborados nos séculos áureos da civilização cristã.
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De sua parte, considere-se o Prior. Há como que um contraste entre seu grande vulto branco, ereto, robusto, estável, que exprime autoridade, segurança e paterna proteção, e a expressão fisionômica que parece neutra, impassível, serena, um pouco distante. O vulto exprime a atitude oficial do Prior. A fisionomia traduz o desapego, a simplicidade do homem. Pois não é ao homem enquanto tal, mas ao cargo, que a homenagem se dirige.
E, com o devido respeito, consideremos a posição do Pontífice. Sentado em um pequeno trono, ele não se levanta para receber a homenagem do embaixador. Entretanto, inclina ligeiramente o busto para se aproximar mais do Conde. Conserva sua mão na dele. Dá a toda a acolhida uma nota de amenidade muito marcada. E, mantendo-se embora inteiramente como Papa, dá todas as mostras da mais entranhada benevolência e do maior apreço para com o embaixador.
* * *
Quatro atitudes, inspiradas numa visão muito hierárquica das coisas, todas nobres, dignas, honrosas, embora cada qual a seu modo. Em uma palavra, esplendor da humildade cristã e formosura de uma vida hierárquica...
Fonte: CATOLICISMO
Fonte: CATOLICISMO
Qual é a melhor maneira de comungar e quais nossos méritos?
No programa de hoje o Pe. Alex responde a perguntas que certamente todos nós já fizemos. Dúvidas a respeito da diferença de comungar o pão como normalmente acontece e comungar sob as duas espécies, ou seja, pão e vinho.
Papa: dedicar las vacaciones al espíritu
El famoso episodio de la visita de Jesús a la casa de Marta y María, narrado por San Lucas, nos recuerda que si bien el hombre debe trabajar y comprometerse con las tareas domésticas y profesionales, necesita en primer lugar de Dios, que es la luz interior del amor y la verdad, recordó ayer el Papa a los fieles antes del Ángelus, en el patio del Palacio Apostólico de Castel Gandolfo.Es verano -dijo el Papa- en esta parte del mundo donde estamos de vacaciones. Y el mensaje de la página evangélica de hoy, nos recuerda que sin amor, incluso las actividades más importantes pierden valor y no dan alegría. Sin un significado profundo, todas nuestras acciones se reducen a activismos estériles y desordenado ...
Limbo dos justos e mediação, Pe. Alex Brito, E.P.
Hoje o Pe. Alex explica o que é esse lugar misterioso chamado Limbo, para onde iam as almas dos justos antes da Redenção. E atendendo a outra pergunta, explica a questão da mediação de Nossa Senhora e dos santos.
Denzinger de 1885
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Bispo de Guarulhos diz que não recuará em mobilização contra Dilma
Saiu na Folha.com.
Pivô da polêmica mobilização contra Dilma Rousseff, o bispo de Guarulhos (SP), d. Luiz Gonzaga Bergonzini afirma que não recuará e levará sua manifestação de veto à presidenciável às missas e celebrações das 37 paróquias da cidade.
Ele considera o PT favorável à descriminalização do aborto e divulgou artigo recomendando aos católicos que boicotem a petista.
Bispo de Guarulhos recomenda a católicos que não votem em DilmaDilma nega defender aborto e diz que opinião de bispo não é uma posição da CNBB Serra promete manter proibida prática do aborto no Brasil
Governado desde 2001 pelo PT, o município é o segundo colégio eleitoral do Estado, com 788 mil votantes. A campanha informal alicerçada na diocese desagradou o prefeito Sebastião Almeida.
"Sou católico e respeito a posição do religioso. Mas não posso concordar com a transformação de uma posição doutrinária da Igreja Católica em apoio ou rejeição a qualquer candidato."
Em entrevista à Folha, d. Luiz Gonzaga, 74 anos, diz não ter nada pessoal contra a candidata, mas é irredutível, mesmo após as recorrentes negativas da ex-ministra da Casa Civil.
"Ela [Dilma] segue o partido, ela é a candidata. Então eu vou matar a cobra na cabeça. Pessoalmente não tenho nada contra ela. Mas o direito à vida é o maior direito humano. O aborto é atitude covarde e criminosa. Eu não arredo o pé, não."
Leia os principais trechos da entrevista concedida pelo bispo.
Folha - Mesmo com a recomendação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pela neutralidade na campanha, o senhor decidiu explicitar sua posição contrária à candidata Dilma Rousseff. Por quê?
D. Luiz Gonzaga Bergonzini - Em primeiro ligar, que recomendação é essa? A CNBB não tem autoridade nenhuma sobre os bispos. Eu segui a voz da minha consciência. Sou cristão de verdade e defendo o mandamento "não matarás". Não tem esse negócio de "meio termo".
Folha - A candidata afirma que não defende a descriminalização do aborto. Mesmo assim, o senhor cita o nome dela no artigo.
Ela [Dilma] segue o partido, ela é a candidata. Então eu vou matar a cobra na cabeça. Pessoalmente não tenho nada contra ela. Mas o direito à vida é o maior direito humano. O aborto é atitude covarde e criminosa. Eu não arredo o pé, não.
Folha - Como o senhor concluiu que ela tem essa posição? Isso nunca ficou claro e ela nega.
É o terceiro plano de governo que ela adota. Como percebeu que havia reação, foi mudando. Não vou recuar.
Folha - O senhor pretende levar ao conhecimento dos fiéis da diocese essa recomendação de não votar na candidata Dilma?
Os padres devem notificar ao povo a orientação do bispo. Eu não vou arredar o pé, não importa as consequências que eu venha sofrer, mas o que importa é minha consciência e seguir o Evangelho. Eu não tenho medo. O que pode acontecer? Deus saberá.
Folha - Inclusive nas missas, os padres vão tratar do tema? Vão citar o nome da candidata?
Tratar do tema, não. Podem citar o nome dela, porque vou mandar uma carta para os padres notificarem as pessoas da minha recomendação nas missas. Como cidadão, tenho direito de expressar minha opinião e, como bispo, tenho a obrigação de orientar os fiéis.
Folha - O senhor teme algum tipo de retaliação ou reação negativa, seja por parte da CNBB ou de partidários da candidata Dilma?
Sempre tem alguma coisa. Tenho recebido muitos e-mails. Não sei se são ameaças, mas contestando. Mas posso te dizer que muitos de apoio. As pessoas dizem: "finalmente alguém que usa calça comprida resolveu reagir".
A GRANDEZA DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA
| A ELE A GLÓRIA PELOS SÉCULOS DOS SÉCULOS. AMÉM. |
I. É Jesus Cristo a vítima oferecida na Santa Missa
O Concílio de Trento (Sess. 22) diz da Santa Missa: “Devemos reconhecer que nenhum outro ato pode ser praticado pelos fiéis que seja tão santo como a celebração deste imenso mistério”. O próprio Deus todo-poderoso não pode fazer que exista uma ação mais sublime e santa do que o santo sacrifício da Missa. Este sacrifício de nossos altares sobrepassa imensamente todos os sacrifícios do Antigo Testamento, pois não são mais bois e cordeiros que são sacrificados, mas é o próprio Filho de Deus que se oferece em sacrifício. “O judeu tinha o animal para o sacrifício, o cristão tem Cristo”, escreve o venerável Pedro de Clugny; “seu sacrifício é, pois, tanto mais precioso, quanto mais acima de todos os sacrifícios dos judeus está Jesus Cristo”. E acrescenta que, “para os servos (isto é, para os judeus, no Antigo Testamento), não convinham outros animais senão aqueles que eram destinados ao serviço do homem; para os amigos e filhos foi Jesus Cristo reservado como cordeiro que nos livra do pecado e da morte eterna” (Ep. cont. Petrobr.). Tem, portanto, razão São Lourenço Justiniano, dizendo que não há sacrifício maior, mais portentoso e mais agradável a Deus do que o santo sacrifício da Missa (cfr. Sermo de Euch.).
S. João Crisóstomo diz que durante a Santa Missa o altar está circundado de anjos que aí se reúnem para adorar a Jesus Cristo que, nesse sacrifício sublime, é oferecido ao Pai celeste (De sac., 1, 6). Que cristão poderá duvidar, escreve S. Gregório (Dial. 4, c. 58), que os céus se abram à voz do sacerdote, durante esse Santo Sacrifício, e que coros de anjos assistam a esse sublime mistério de Jesus Cristo. S. Agostinho chega até a dizer que os anjos se colocam ao lado do sacerdote para servi-lo como ajudantes.
II. Na Santa Missa é Jesus Cristo o oferente principal
O Concílio de Trento (Sess. 22, c. 2) ensina-nos também que neste sacrifício do Corpo e Sangue de Jesus Cristo é o próprio Salvador que oferece em primeiro lugar esse sacrifício, mas que o faz pelas mãos do sacerdote que escolheu para seu ministro e representante. Já antes dissera São Cipriano: “O sacerdote exerce realmente o ofício de Jesus Cristo” (Ep. 62). Por isso o sacerdote diz, na elevação: "Isto é o meu corpo; este é o cálice de meu sangue".
Belarmino (De Euch., 1. 6, c. 4) escreve que o santo sacrifício da missa é oferecido por Jesus Cristo, pela Igreja e pelo sacerdote; não, porém, do mesmo modo por todos: Jesus Cristo oferece como o sacerdote principal, ou como o oferente próprio, contudo, por intermédio de um homem, que é, no mesmo tempo sacerdote e ministro de Cristo; a Igreja não oferece como sacerdotisa, por meio de seu ministro, mas como povo, por intermédio do sacerdote; o sacerdote, finalmente, oferece como ministro de Jesus Cristo e como medianeiro ele todo o povo.
Jesus Cristo, contudo, é sempre o sacerdote principal na Santa Missa, onde ele se oferece continuamente e sob as espécies de pão e de vinho por intermédio dos sacerdotes, seus ministros, que representam a sua Pessoa quando celebram os santos mistérios. Por isso diz o quarto Concílio de Latrão (Cap. Firmatur, de sum. Trinit.) que Jesus Cristo é ao mesmo tempo o sacerdote e o sacrifício. De fato, convém à dignidade deste sacrifício que ele não seja oferecido, em primeiro lugar, por homens pecadores, mas por um sumo sacerdote que não esteja sujeito ao pecado, mas que seja santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e mais elevado que os céus (Heb 7, 26).
III. A Santa Missa é uma representação e renovação do sacrifício da cruz
Segundo São Tomás (Off. Ss. Sac., I. 4), o Salvador nos deixou o Santíssimo Sacramento para conservar viva entre nós a lembrança dos bens que nos adquiriu e do amor que nos testemunhou com sua morte. Por isso o mesmo Doutor chama a Sagrada Eucaristia “um manancial perene da paixão”.
Ao assistires, pois, à Santa Missa, alma cristã, pondera que a hóstia que o sacerdote oferece é o próprio Salvador que por ti sacrificou o seu sangue e a sua vida. Entretanto, a Santa Missa não é somente uma representação do sacrifício da cruz, mas também uma renovação do mesmo, porque em ambos é o mesmo sacerdote e a mesma vítima, a saber, o Filho de Deus Humanado. Só no modo de oferecer há uma diferença: o sacrifício da cruz foi oferecido com derramamento de sangue; o sacrifício da missa é incruento; na cruz, Jesus morreu realmente; aqui, morre só misticamente (Conc. Trid., Sess. 22, c. 2).
Imagina, durante a Santa Missa, que estás no monte Calvário, para ofereceres a Deus o sangue e a vida de seu adorável Filho, e, ao receberes a Santa Comunhão, imagina beberes seu precioso sangue das chagas do Salvador. Pondera também que em cada Missa se renova a obra da Redenção, de maneira que, se Jesus Cristo não tivesse morrido na cruz, o mundo receberia, com a celebração de uma só Missa, os mesmos benefícios que a morte do Salvador lhe trouxe. Cada Missa celebrada encerra em si todos os grandes bens que a morte na cruz nos trouxe, diz São Tomás (In Jo 6, lect. 6). Pelo sacrifício do altar nos é aplicado o sacrifício da cruz. A paixão de Jesus Cristo nos habilitou à Redenção; a Santa Missa nos faz entrar na posse dela e comunica-nos os merecimentos de Jesus Cristo.
IV. A Santa Missa é o maior presente de Deus
Na Santa Missa, o próprio Jesus Cristo dá-se a nós. É uma verdade de fé que o Verbo Encarnado se obrigou a obedecer ao sacerdote, quando este pronuncia as palavras da consagração e a vir às suas mãos sob as espécies do pão e do vinho. Fica-se estupefato por Deus ter obedecido outrora a Josué e mandado ao sol que parasse, quando ele disse: Sol, não te movas de Gabaon, e tu, ó lira, do vale de Ajalon (Jos 10, 12). Entretanto, muito mais admirável é que Deus mesmo desce ao altar ou a qualquer outro lugar a que o Padre o chama com umas poucas palavras, e isso tantas vezes quantas é chamado pelo sacerdote, mesmo que este seja seu inimigo. E, tendo vindo, se põe o Senhor à inteira disposição do sacerdote; este o leva, à vontade, de um lugar para o outro, coloca-o sobre o altar, fecha-o no tabernáculo, tira-o da igreja, toma-o na Santa Comunhão, e o dá em alimento a outros. São Boaventura diz que o Senhor, em cada Missa, faz ao mundo um benefício igual àquele que lhe fez outrora pela encarnação (cfr. De inst. Novit., p. 1, c. 11). Se Jesus Cristo não tivesse vindo ao mundo, o sacerdote, pronunciando as palavras da consagração, o introduziria nele. “Ó dignidade sublime a do sacerdote”, exclama por isso Santo Agostinho (Mol. lnstr. Sach., t. 1, c. 5), “em cujas mãos o Filho de Deus se reveste de carne, como no seio da Virgem Mãe”.
Numa palavra, a Santa Missa, conforme a predição do profeta (Zac 9, 17), é a coisa mais preciosa e bela que possui a Igreja. São Boaventura (De inst. Nov., 1. c.) diz que a Santa Missa nos põe diante dos olhos todo o amor que Deus nos dedicou e que é, de certo modo, um compêndio de todos os benefícios que ele nos fez.
OS QUATRO FINS DO
SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA
I. A Santa Missa é um sacrifício latrêutico
No Antigo Testamento os homens procuravam honrar a Deus por toda a espécie de sacrifícios, no Novo Testamento, porém, presta-se maior honra a Deus com um só sacrifício da Missa do que com todos os sacrifícios do Antigo Testamento, que eram só figuras e sombras da Sagrada Eucaristia. Pela Santa Missa se presta a Deus a honra que lhe é devida, porque, por meio dela, Ele recebe a mesma honra infinita que Jesus Cristo lhe prestara sacrificando-se na cruz. Uma só Missa presta a Deus maior honra que todas as orações e penitências dos santos, todos os trabalhos dos apóstolos, todos os sofrimentos dos mártires, todo o amor dos serafins e mesmo da Mãe de Deus, porque todas as honras dos homens são de natureza finita, enquanto a honra que Deus recebe pela Missa é infinita, pois lhe é prestada por uma pessoa divina, o seu Filho.
Devemos por isso reconhecer, com o santo Concílio de Trento, que a Santa Missa é a mais santa e divina de todas as obras (Sess. 22). Nosso Senhor morreu especialmente para esse fim, para poder criar sacerdotes do Novo Testamento. Não era necessário que o Salvador morresse para remir o mundo; uma só gota do seu sangue, uma lágrima, uma só oração teria bastado para operar a salvação de todos, porque, sendo essa oração de valor infinito, seria suficiente para remir não só um mundo, mas também mil mundos. Para criar, porém, um sacerdote devia Jesus Cristo morrer, pois, do contrário, donde se tiraria esse sacrifício que agora oferecem a Deus os sacerdotes do Novo Testamento, esse santo e imaculado sacrifício que, por si só, basta para dar a Deus a honra que lhe é devida? Ainda que se sacrificasse a vida de todos os anjos e santos, mesmo assim, esse sacrifício não prestaria a Deus essa honra infinita, que lhe dá uma única Santa Missa.
II. A Santa Missa é um sacrifício propiciatório
Pode-se deduzir já da instituição da Sagrada Eucaristia que a Santa Missa é verdadeiramente um sacrifício propiciatório, ou seja, que inclina Deus a nos perdoar a pena e a culpa dos pecados, que foi feita especialmente para a remissão dos pecados: Este é o meu, sangue, que será derramado por muitos, para remissão dos pecados, disse Jesus Cristo (Mt 26, 28). A Santa Missa perdoa até os maiores pecados, não imediatamente, mas só mediatamente, como afirmam os teólogos, isto é, Deus, em consideração ao sacrifício do altar, concede a graça que leva o homem a detestar seus pecados e a purificar-se deles no sacramento da Penitência. Quanto às penas temporais, que devem ser expiadas depois da destruição da culpa, são elas perdoadas por virtude da Santa Missa, ao menos parcialmente, quando não de todo. Numa palavra, a Santa Missa abre os tesouros da divina misericórdia em favor dos pecadores.
Desgraçados de nós se não houvesse esse grande sacrifício, que impede à justiça divina de nos enviar os castigos que merecemos por nossos pecados. É certo que todos os sacrifícios do Antigo Testamento não podiam aplacar a ira de Deus contra os pecadores. Se se sacrificasse a vida de todos os homens e anjos, a justiça divina não seria satisfeita devidamente nem sequer por uma única falta que a criatura tivesse cometido contra seu Criador. Só Jesus Cristo podia satisfazer por nossos pecados: Ele é a propiciação pelos nossos pecados (1 Jo 2, 2). Por isso o Padre Eterno enviou o seu Filho ao mundo, para que se fizesse homem mortal e, pelo sacrifício de sua vida, o reconciliasse com os pecadores. Esse sacrifício é renovado em cada Missa. Não há dúvida: o sangue inocente do Redentor clama muito mais fortemente por misericórdia em nosso favor, que o sangue de Abel por vingança contra Caim.
Este sacrifício pode ser oferecido também pelos defuntos. Por isso o sacerdote, na Santa Missa, pede ao Senhor que se recorde de seus servos que partiram para a outra vida e que lhes conceda, pelos merecimentos de Jesus Cristo, o lugar de repouso, da luz e da paz. Se o amor de Deus que possuem as almas ao saírem desta vida não basta para purificá-las, essa falta será reparada pelo fogo do Purgatório; muito melhor, porém, a repara o amor de Jesus Cristo por meio do sacrifício eucarístico, que traz às almas grande alívio e, muitas vezes, até a libertação completa dos seus sofrimentos. O Concílio de Trento declara que as almas que sofrem no Purgatório podem ser muito auxiliadas pela intercessão dos fiéis, mas em especial pelo santo sacrifício da Missa. E acrescenta (Sess. 22, c. 2) que isso é uma tradição apostólica. Santo Agostinho exorta-nos a oferecer o sacrifício cia Santa Missa por todos os defuntos, caso que não possa aproveitar às almas pelas quais pedimos.
III. A Santa Missa é um sacrifício eucarístico
É justo e razoável que agradeçamos a Deus pelos benefícios que nos fez em sua infinita bondade. Mas que digno agradecimento podemos dar-lhe nós, miseráveis? Se Deus nos tivesse dado uma única vez um sinal de sua afeição, estaríamos obrigados a um agradecimento infinito, porque esse sinal de amor seria o favor e dom de um Deus infinito. Mas eis que o Senhor nos deu esse meio de cumprir com nossa obrigação e de agradecer-lhe dignamente. E como? Tornando-nos possível oferecer-lhe na Santa Missa a Jesus Cristo. Dessa maneira dá-se a Deus o mais perfeito agradecimento e satisfação; pois, quando o sacerdote celebra a Santa Missa, dá-lhe um digno agradecimento por todas as graças, mesmo por aquelas que foram concedidas aos santos no céu; uma tal ação de graças, porém, não podem prestar a Deus todos os santos juntos, de maneira que também nesse respeito a dignidade sacerdotal sobrepuja todas as dignidades, não excetuadas as do céu.
Na Santa Missa, a vítima que é oferecida ao Eterno Pai é seu próprio Filho, em quem pôs toda a sua complacência. Por isso dirigia Davi suas vistas a este sacrifício, quando pensava num meio de agradecer a Nosso Senhor pelas graças recebidas: Que darei ao Senhor por tudo que ele me tem feito? pergunta ele, e responde: Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor (S1 115, 12). O próprio Jesus Cristo agradeceu a seu Pai celeste todos os benefícios que tinha feito aos homens, por meio deste sacrifício: E, tomando o cálice, deu graças e disse: Tomai-o e distribuí-o entre vós (Lc 22, 17).
IV. A Santa Missa é um sacrifício impetratório
Se já temos a segura promessa de alcançar tudo que pedimos a Deus em nome de Jesus Cristo (cfr. Jo 16, 23), muito maior deve ser a nossa confiança se oferecemos a Deus seu próprio Filho. Este Salvador que nos ama roga por nós sem cessar lá no céu (cfr. Rom 8, 31), mas, de modo todo especial, durante a Santa Missa, em que se sacrifica a seu Eterno Pai, pelas mãos do sacerdote, para nos alcançar suas graças. Se soubéssemos que todos os santos e a Santíssima Virgem estão rezando por nós, com que confiança não esperaríamos de Deus os maiores favores e graças. Está, porém, fora de dúvida que um só rogo de Jesus Cristo pode infinitamente mais que todas as suplicas dos santos.
No Antigo Testamento era permitido unicamente ao sumo sacerdote, e isso uma só vez no ano, entrar no santo dos santos; hoje, porém, todos os sacerdotes podem sacrificar todos os dias ao Eterno Pai o cordeiro divino, para alcançar de Deus graças para si e para todo o povo.
O sacerdote sobe ao altar para ser o intercessor de todos os pecadores. “Ele exerce o ofício de um medianeiro”, diz São Lourenço Justiniano (Sermo de Euchar.), “e por isso deve ser um intercessor para todos que pecam”. "Dessa maneira“, diz São João Crisóstomo, “está o Padre no altar, no meio, entre Deus e o homem; oferece a Deus as súplicas dos homens e alcança-lhes as graças de que precisam” (Hom. 5 in Jo.). Deus distribui as suas graças sempre que é rogado em nome de Jesus Cristo, mas as distribui com mais largueza durante a Santa Missa, atendendo às suplicas do sacerdote, diz São João Crisóstomo; pois essas súplicas são então acompanhadas e secundadas pela oração de Jesus Cristo, que é o sacerdote principal, visto que é ele mesmo que se oferece neste sacrifício para nos alcançar graças de seu Eterno Pai.
Segundo o Concílio de Trento (Sess. 22, c. 2), é especialmente durante a Santa Missa que o Senhor está sentado naquele trono de graças ao qual devemos nos chegar, diz o Apóstolo, para alcançarmos misericórdia e encontrarmos graças no momento oportuno (Heb 4, 16). Até os anjos esperam o tempo da Santa Missa, diz São João Crisóstomo (Hom 13. De incomp. Dei nat.), para pedirem com mais resultado por nós, acrescentando que dificilmente se alcançará aquilo que não se consegue durante a Santa Missa.
A Santíssima Virgem, depondo uma vez o Menino Jesus nos braços de Santa Francisca Farnese, disse-lhe: “Eis aqui o meu Filho; aprende a torná-lo favorável a ti, oferecendo-o muitas vezes a Deus. Dize, por isso, a Deus, quando vires presente no altar o divino Cordeiro: Ó Pai Eterno, ofereço-vos hoje todas as virtudes, todos os atos e todos os afetos de vosso mui amado Filho. Recebei-os por mim, e por seus merecimentos, que ele mos deu e, por isso, são meus, dai-me as graças que Jesus Cristo pedir por ruim. Ofereço-vos esses merecimentos para vos agradecer por todas as misericórdias que tendes usado comigo e para satisfazer por meus pecados. Pelos merecimentos de Jesus Cristo espero alcançar de vós todas as graças, o perdão, a perseverança, o céu, mas especialmente o mais precioso de todos os dons, o vosso puro e santo amor”.
Fonte: LIGÓRIO, Santo Afonso Maria. Escola da Perfeição Cristã. Org: Pe. Saint-Omer
Tradução: Quadrante
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