II) Ciclo da Páscoa:
1 - Tempo da Septuagésima
Espiritualidade
O tempo da Septuagésima compreende a duração das três semanas que precedem imediatamente à Quaresma. Ele forma uma das principais divisões do ano litúrgico e é repartido em três seções hebdomadárias: Septuagésima,Sexagésima e Quinquagésima. Como vemos, esses nomes expressam uma relação numérica com o nome Quaresma.
Este tempo foi criado para que nós, católicos, não entremos desprevenidos na Quaresma. Dado que ela é o grande tempo de conversão e renovação da Igreja, era necessário ir avisando os fiéis da sua chegada. Assim, o tempo da Septuagésima é uma espécie de tempo de exame de consciência, ou seja, é um tempo para refletirmos sobre nossos pecados pelos quais deveremos fazer penitência na Quaresma.
O próprio número setenta é simbólico: lembra os setenta anos do cativeiro do povo escolhido na Babilônia, símbolo do cativeiro do pecado, do qual Jesus veio nos libertar.
Estrutura e normas litúrgicas
a) Com a Septuagésima começa o tempo penitencial de preparação para a Páscoa: os paramentos são roxos, omite-se o Aleluia em todos os ritos litúrgicos.
b) É um tempo de penitência moderada: pode-se ornamentar o altar com flores, mas é interessante já ir marcando a penitência com adornos mais sóbrios.
c) Coro e órgão: pode-se tocar o órgão, ficando proibidos todos os demais instrumentos (violino, flauta, etc.). Começar a cantar hinos penitenciais.
d) Durante a semana, quando não há festas de santos, são dias feriais normais.
Carlos Ramalhete escreveu um texto sobre a Septuagésima:
Não é chamado de tempo comum. É chamado de Tempo depois da Epifania ou Tempo depois de Pentecostes. Exatamente porque não há nenhuma comemoração especial de algum mistério do Verbo encarnado, este tempo não recebia igualmente nome especial no rito tridentino. Com a invenção do novo rito, resolveu-se nomeá-lo de "Tempo pelo Ano" (Tempo Comum).
Gloria na Septuagésima?
Vejam esse comentário no Missal:
O Tempo da Septuagésima é o prelúdio da Quaresma e serve de preparação remota para a festa da Páscoa. Serve de transição à alma cristã, que deve passar das alegrias do Natal para a penitência austera da Quaresma. E se o jejum não é ainda rigoroso, a cor dos paramentos é já roxa, a cor da penitência. Não se diz Gloria in excelsis, porque este canto de vitória que celebrou Cristo nascido na nossa carne mortal, deve calar-se durante este período de tristeza, que envolve as almas e a Igreja por causa dos pecados dos homens, para irromper de novo no dia glorioso da ressurreição. O Martirilógio anuncia: "Domingo da Septuagésima, em que se depõe o cântico do Senhor, Aleluia". Pois como poderemos, dizia o povo de Israel, cantar o cântico do Senhor em terra estrangeira? Esta terra estranha é para o povo cristão o mundo, que é lugar de exílio, onde não soa bem o Aleluia, o cântico que São João ouviu na Jerusalém celeste. Canta-se porém no Tempo Pascal, porque a Páscoa simboliza a vida futura, a libertação definitiva das almas. A Quaresma, de quarenta dias e as três décadas representadas pelo Tempo da Septuagésima, simbolizam perfeitamente os setenta anos do cativeiro da Babilônia. O Tempo da Septuagésima termina, para o ciclo temporal, na Quarta-Feira de Cinzas e, para o santoral, no dia 10 de março, se a Páscoa cair a 25 de abril.

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