Sobre o livro "Nobreza e Elites Tradicionais Análogas nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza Romana" I


EDITOR: Muitos têm exaltado a "Igreja pobre e para os pobres" do Papa Francisco, mas o que acontecerá com os nobres? Serão odiados e assassinados? Talvez não, mas que o ódio feroz, como bem disse o Cardeal Stickler, a ferocidade anti-nobiliárquica provocada pela Revolução Francesa, ainda viva,  existe, ainda que parece enfraquecer. Grupos monárquicos se erguem mesmo dentro das favelas, algo que eu mesmo sou testemunho. E por esta razão nosso blogue publicará o que disseram grandes prelados acerca do livro "Nobreza e Elites Tradicionais Análogas nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza Romana" de Dr. Plínio Correa de Oliveira. Boa leitura!
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Do Cardeal Alfons M. Stickler, S.D.B.
SCV, Festa de São José 1993

Ilustríssimo Senhor Professor,

Cardeal Stickler
Agradeço-lhe de coração pelo gentil presente de sua obra "Nobreza e elites tradicionais análogas nas Alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza Romana”, que recebi na tradução italiana.

Ela me tocou por vários motivos: antes de mais nada, por sua oportunidade, pois constitui a re-proposição dos ensinamentos do grande Papa Pacelli sobre o tema, num momento histórico-cultural em que a ferocidade anti-nobiliárquica, provocada no mundo inteiro pela Revolução Francesa, parece diminuir em todo o orbe.

Em segundo lugar, a obra, face à decadência universal dos valores cristãos sobretudo, mas também dos meramente naturais, suscitará em toda parte e em muitos corações o desejo de que as elites nobiliárquicas voltem a dar à Humanidade os exemplos de que esta tem urgente e suprema necessidade. As elites, nos séculos passados, tiveram um papel importante, e com freqüência dominante, em enaltecer esses valores, através de sua vida e de sua atividade.

Um terceiro motivo resulta de suas considerações –– que me parecem de extrema atualidade –– a respeito da formação, ao lado das nobrezas e das elites de sangue, de nobrezas e elites de espírito e de ânimo que, associando-se e organizando-se entre as tantas almas nobres que existem, assumam em todo o mundo as funções de exemplo e de guia rumo a uma ordem natural e perene das coisas. Isto tanto para sustentar as nobrezas de sangue ainda existentes e re-emergentes, quanto para substituir as que não sabem reagir eficazmente a decadências que se patenteiam em nossos dias, em mais de um caso.

O senhor, valendo-se de uma ampla e segura documentação, realiza em seu livro uma análise fina da muito complexa realidade sócio-política hodierna e, comentando com grande rigor de lógica os luminosos ensinamentos do Papa Pacelli, faz ver quanto ele, e seus sucessores até João Paulo II, continuam a esperar da nobreza ainda existente, e das elites análogas a serem criadas, a elevação religiosa, moral e cultural do mundo.

Por isso, ilustre Professor, alegro-me por este livro e lhe desejo uma larga difusão, a fim de suscitar, sustentar e construir uma profunda e vasta sensibilidade em relação a esse excelente instrumento de restauração de uma sã ética natural e de uma moralidade religiosa redivivas, que levem toda a Humanidade àquela paz, prosperidade e felicidade que somente os autênticos e genuínos valores podem realizar e garantir.

A estes meus votos acrescento ardentes orações ao Senhor e à Mãe da Igreja, para que o sustentem na obra tão benéfica quanto angustiosamente atual no tempo em que vivemos.

Seu em Cristo

A1fons M. Cardo Stickler S.D.B.

O Cardeal Alfons M. StickJer, SDB, foi Bibliotecário e Arquivista da Santa Igreja Romana e membro da Comissão encarregada de elaborar o novo Código de Direito Canônico.

Um comentário:

  1. Como ensinou Santo Agostinho, o pecado de certos ricos não está na riqueza que possuem, mas na soberba que os pode acometer em função da riqueza. Para pegar apenas duas frases que estão aí em cima citadas, de Santo Agostinho e de São João Crisóstomo, o dever dos ricos e dos que têm posses é ajudar os pobres. Ou seja, é lícito que possuam, mas têm o dever de caridade de ajudar os necessitados. Nem a riqueza material é condenada em si, nem a pobreza material é uma bem-aventurança em si.

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