“o coração do rei é uma água fluente nas mãos do Senhor:
ele o inclina para qualquer parte que quiser” (Prov. XXI,1).
ele o inclina para qualquer parte que quiser” (Prov. XXI,1).
I. Pressupostos iniciais
Em 2005, quando da eleição do Papa Bento XVI, um expoente da teologia da libertação, o sacerdote chileno Pablo Richard, escreveu um artigo [1] no qual analisava a escolha de Joseph Ratzinger para o sólio pontifício e traçava um plano programático para os progressistas nos anos sucessivos. Este plano, verdadeiramente, foi seguido à risca por todos eles.

Papas Bento e Francisco.
Em oito anos de Pontificado, estabeleceu-se eficazmente uma “operação boicote” a todo o magistério de Bento XVI. Suas determinações foram ignoradas, sua imagem detratada, sua palavra deturpada e seu governo sabotado. Ao fim, após uma avalanche de escândalos, “com plena liberdade e pelo bem da Igreja”[2], declarou a sua renúncia ao ministério petrino[3].
Agora, desde a conturbada convocação e realização do conclave, bem como da eleição ao Pontificado do Card. Jorge Mario Bergoglio[4], o orbe tradicionalista entrou num estado de perplexidade inicial, seguido de diversas atitudes contraditórias, que precisamos considerar. A meu ver, após a primeira reação de susto, contrastaram-se três posições: 1ª.) alguns, num esforço de contorno otimista da situação, deram largas a uma auto-alucinação apressada positiva. Estes são os entusiastas; 2ª.) outros, chocando-se de início com as primeiras exibições um tanto populistas do Papa Francisco e com a sua austeridade litúrgica, tão dissonante com o esplendor ratzingeriano, entregaram-se ao pavor, já dão tudo por perdido, se descabelam e anunciam a chegada do Armagedom. São osdesesperados; 3ª.) por fim, outros, mais cautelosos no juízo, estão considerando os fatos com calma, sem servilismos e ingenuidades, mas serena e criticamente observam a progressão dos acontecimentos. São os cautelosos. Pessoalmente, tenho feito um esforço, às vezes não demasiadamente pequeno, para ter esta última atitude.
Para isso, precisamos analisar a situação ponderadamente.
II. Análise ponderada da situação
Passada uma semana de pontificado, podemos mais calmamente, ainda que prematuramente, fazer algumas observações que talvez tenham qualquer pertinência.
É verdade que determinadas posturas do Papa Francisco são desconcertantes para o observador tradicionalista ou mesmo meramente conservador. Entretanto, creio que este papa não é facilmente enquadrável e todas as rotulações que se lhe façam correm um risco não pequeno de serem desmentidas a posteriori.
Em seus tempos de jesuíta, não perece ter sido um dos preferidos do Padre Arrupe. “O jesuíta Jorge Maria Bergoglio nos anos setenta era um ‘arrupista’, isto é, decidido seguidor do Padre Pedro Arrupe, superior geral da Companhia de Jesus entre 1965 e 1981? Não o era. O argentino tinha sido nomeado superior provincial do seu país em 1973, mas em 1974 se produziria um fato que modificaria a face da Companhia: a 32ª. Congregação Geral dos Jesuítas reformulava o sentido da ordem fundada por Santo Inácio em 1540 (…). A Igreja e a Companhia na Argentina, naqueles momentos, tinham uma estrutura muito tradicional, e a postura de Bergoglio se orientou por outra senda. Ele, que era uma pessoa de profunda espiritualidade e um homem de intensa oração, alertou seus irmãos jesuítas ‘de que se mantivessem na tradição da Companhia’ (…). Seja como for, e sem tirar a ‘reta e sã intenção de Bergoglio’, sua liderança como padre provincial diminuiu e os jesuítas se ‘dividiram entre aqueles que o respeitavam e seguiam e aqueles que iam às comunidades de base e liam a Teologia da Libertação”[5].
Imediatamente após a sua eleição, veicularam-se fotografias, vídeos e textos nos quais o Card. Bergoglio assumiu posições objetivamente ruins. No entanto, isto vale igualmente para os últimos pontífices, inclusive durante seus respectivos pontificados. Os exemplos poderiam se multiplicar aos borbotões[6]…
Para nos limitarmos ao exemplo do Papa Bento XVI, basta dizer que ele, um dia após sua eleição, afirmou diante dos cardeais que o elegeram: “eu, ao preparar-me para o serviço que é próprio do Sucessor de Pedro, desejo afirmar com vigor a vontade decidida de prosseguir no compromisso de atuação do Concílio Vaticano II”[7]. Quase como um presidente da república que jura uma constituição, o Papa Ratzinger, taxado de conservador, comprometeu-se explicitamente em aplicar o Vaticano II. Enquanto isso, Papa Francisco, celebrado com fogos de artifício pelos progressistas, até a homilia de sua missa de entronização, sequer o mencionou! Como enquadrá-lo?
Ao mesmo tempo, interessante é notar que, embora tenha tido um comportamento ecumênico, Papa Francisco, em sua primeira homilia aos cardeais, afirmou sem titubeio: “Quando não confessa Jesus Cristo, confessa o mundanismo do diabo, o mundanismo do demónio”[8]. Menos ecumênico, impossível! Nem a declaração Dominus Jesus tinha sido tão contundente.
A propósito, em dois dias de pontificado, o Papa Francisco citou quatro vezes o demônio em seus encontros com os cardeais, três vezes na Missa pro Ecclesia e uma vez na audiência do dia seguinte. Parece-me que falar do diabo não seja a prática mais progressista do mundo…
É verdade que em seu primeiro Angelus ele afirmou que o Card. Kasper é um “um teólogo estupendo”, mas, em seguida, cometeu um lapso imenso, quando disse “não julgueis que estou a fazer publicidade dos livros dos meus Cardeais”[9]. Nunca tinha visto um papa do pós-Concílio referir-se aos cardeais utilizando um pronome possessivo na primeira pessoa do singular, “meu”! Ué?!, diriam alguns, mas ele não se apresentou apenas como bispo de Roma, quase que abrindo mão de sua autoridade suprema sobre os bispos e, ainda mais, sobre os cardeais?…[10] Pois é, em Roma, é preciso saber ler também nos lapsos e nas entrelinhas[11].
Outros se desesperam ao verificar o contraste entre a liturgia ratzingeriana e a bergogliana… Certo!, existem contrastes que não agradam os olhares tradicionais empenhados neste esforço já consagradamente denominado de “reforma da reforma”.
Deixando de lado a técnica já ultrapassada de ler a história do papado colocando um papa contra outro para se escolher aquele que mais agrada ao mesmo que os contraditou artificialmente, o problema é mais amplo do que se possa perceber de início.
O primeiro dado relevante é a própria pessoa do Papa Francisco. Ele é jesuíta. Ou seja, pertence a uma ordem religiosa surgida após a chamada devotio moderna, que não se limita à espiritualidade litúrgica, mas cultiva práticas devocionais (meditação, exames de consciência, leitura espiritual, entre outras) como elemento essencial de sua espiritualidade[12].
Ademais, os jesuítas sempre foram dispensados dos ofícios litúrgicos em comum, como a missa conventual, de modo que sua formação neste aspecto segue contornos menos cerimoniais. Além do que, por seu voto de pobreza, pela austeridade característica da Companhia de Jesus e pelo seu próprio estilo mais ascético de viver, é inevitável que tais traços repercutam de algum modo em seu modo de encarar, por exemplo, a pompa nos pontificais papais. O Papa Bento XVI, de fato, além de sua formação muitíssimo mais refinada, tem uma vivência litúrgica mais marcada por um estilo monástico, beneditino, donde emana sua compreensão mais nobre da liturgia.
Papa Francisco foi presidente da Conferência Episcopal Argentina e, como tal, certamente ouviu não poucas ironias episcopais acerca do estilo litúrgico mais suntuoso de Bento XVI. Pois bem, aliada à sua austeridade pessoal, será que a tentativa de não salientar estas polêmicas não pode ser indício de que está querendo somar uma popularidade que lhe dê uma plataforma de onde possa tomar proximamente medidas impopulares?

Papa Francisco celebra Missa de encerramento do conclave.
Pessoalmente, posso dizer que a concepção litúrgica de Bento XVI, dentro daquela hermenêutica da reforma na continuidade proposta por ele em dezembro de 2005, é aquela que mais se aproxima de nossa sensibilidade doutrinal católica tradicional… Entretanto, também preciso reconhecer naquele olhar fixo do Papa Francisco para a hóstia consagrada, durante a elevação, uma fé menos ostentada, mas não menos adorante.
Evidentemente, com isso, não quero defender nenhum tipo de pauperismo atribuível aomodus celebrandi do novo Pontífice. Quero apenas salientar a ideia acima referida de que, também neste aspecto, ele não é facilmente enquadrável.
Há alguns meses atrás, um líder tradicionalista italiano dizia in off que “estamos precisando de perseguição, nos farão bem”… Na verdade, precisamos reconhecer que, em muitos ambientes ditos tradicionalistas, se antepôs um amor formalista à liturgia ao necessário zelo pela doutrina, pela piedade coadunada com uma vida santa, dando espaço a um modismo litúrgicototalmente alheio seja à santidade da Missa de Sempre[13] como ao verdadeiro espírito da liturgia defendido por Papa Bento XVI. Agora veremos quem realmente ama com zelo doutrinal e espiritual as práticas litúrgicas tradicionais (desde a Missa de Sempre até a comunhão na boca e de joelhos, a orientação do altar ad Deum, a centralidade da cruz, etc.) e quem é, digamos,embalista.
De fato, chegou a hora de nos evadirmos de qualquer superficialismo e desfraldarmos a bandeira da fé católica, que nos faz amar a liturgia tradicional por amor da santidade da Igreja e da continuidade na transmissão de seu patrimônio dogmático. Ter um papa que simbolicamente não favoreça esta compreensão pode ser ocasião para que cada um reitere sua convicção de fé, sem ceder diante das facilidades ou das tendências do momento eclesial.
Enquanto isso, os progressistas soltam rojões, dançam ao som do maculelê e gritam vivas ao “Papa Chico”, que irá “reformar a Igreja”… Estão celebrando o despertar, depois daquilo que consideram ter sido o pesadelo dos pontificados que, segundo eles, até agora, bloquearam o Concílio. Não nos impressionemos com isso. Também eles são apressados, e até demais!
Mas os progressistas nunca amaram nenhum papa. Aliás, eles são incapazes de amar qualquer coisa que seja diferente de suas próprias utopias delirantes. Eles usam o papa e o instrumentalizam, citando-o para referendarem fundamentalisticamente as suas próprias crenças exorbitantes. É o que estão fazendo agora. Chegaram até mesmo ao absurdo de usar Bento XVI, dizendo que tinha defendido a essência da teologia da libertação[14]. Imaginem o que não poderão fazer com Papa Francisco, que celebrará a Missa da Ceia do Senhor num centro de menores delinquentes[15]…
Porém, como dizia minha velha e venerável vovó, “quanto mais alto, maior o tombo”!
Não é a primeira vez que isto acontece na história da Igreja. Em 1846, foi eleito Giovanni Mastai, que tomou o nome de Pio IX. Na época, a maçonaria fez festa do norte ao sul da Itália, comemorando a eleição, enfim, de um papa liberal. Após o célebre exílio em Gaeta, porém, Pio IX deu uma guinada milagrosa em direção à tradição e tornou-se o inimigo “número um” do chamado “catolicismo liberal”, tornou-se o Papa da encíclica Quanta cura, do Syllabus, da Imaculada Conceição, da Infalibilidade Pontifícia, da Consagração do Gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus e da extensão deste culto a toda a Igreja, tornou-se o terror de todos os modernistas do seu tempo.
De fato, a Escritura tem razão quando afirma: “cor regis in manu Domini quocumque voluerit inclinabit illud”, “o coração do rei está nas mãos do Senhor, ele o inclina para qualquer parte que quiser” (Prov. XXI,1).
Os modernistas contam apenas com os recursos naturais. Os católicos fiéis contam, sobretudo, com os meios sobrenaturais, e sabem que há mais poder em dedos que debulham o Terço e em joelhos que se dobram diante do Santíssimo Sacramento que em todos os conchavos humanos e em todas as maquinações da política eclesiástica.
“Convertimini… et dabo vobis pastores juxta cor meum et pascent vos scientia et doctrina”, “convertei-vos… e vos darei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e doutrina” (Ier. III,14-15). Como dizia São João Eudes, “o maior sinal da ira de Deus sobre um povo e a mais terrível punição que sobre ele pode descarregar neste mundo é permitir que, em castigo dos seus crimes, venha a cair nas mãos de pastores que mais o são de nome do que de fato”[16].
Portanto, como será este pontificado depende também das nossas orações, sacrifícios e apostolados… Por isso, sem a pretensão de ser invasivo, gostaria de sugerir algumas medidas práticas como guias de ação para os próximos anos.
III. Pistas de ação
1) Multiplicar as orações e penitências pelo Soberano Pontífice. Enquanto muitos se dedicam unicamente a criticá-lo, nós, acompanhando criticamente o seu pontificado, como dissemos, sem ingenuidades e servilismos, prosseguimos, mais do que nunca, rezando pela pessoa e pelas intenções do Sucessor de Pedro. Precisamos invadir o céu em assalto, extraindo, pela mediação estratégica do Imaculado Coração de Maria, na força potentíssima do Santo Rosário, todas as graças necessárias para a restauração da Igreja. A adoração à Santíssima Eucaristia é o modo pelo qual continuamente entronizamos Cristo, pedindo incessantemente “adveniat regnum tuum”, “adveniat per Mariam”. Aliás, chegou a doer a afirmação de Bento XVI, dias depois da declaração de sua renúncia, quando disse que, então e apenas então, “nestes dias, não fáceis para mim, sentiquase fisicamente a força da oração que me proporciona o amor da Igreja, a vossa oração. Continuai a rezar por mim, pela Igreja” e, continuava ele, “pelo futuro Papa. O Senhor vos guiará”[17]. É triste saber que o Papa precisou renunciar para poder sentir um surto de orações que o sustentassem…
2) Celebrar com ainda maior solenidade e devoção a Santa Missa na forma extraordinária do Rito Romano. O Papa Bento XVI afirmou rotundamente acerca da Missa de Sempre ser esta “numquam abrogatam”[18]. Portanto, este é o momento mais importante para que celebremos ou assistamos a Santa Missa com a máxima devoção, difundindo entre todos os fiéis o mais radical apreço por esta forma litúrgica, pois “aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós”[19], mesmo que alguns se sirvam de alguma interpretação falsificada do pensamento do Pontífice reinante para nos criticar. Os modernistas lutam com todas as suas forças contra a Missa de Sempre porque sabem ser ela o compêndio inalterado das mais excelsas verdades da fé católica, o que os coloca sob grave perigo.
3) Continuar incessantemente com a “reforma da reforma” sem nenhum retrocesso. As conquistas duramente obtidas no Pontificado de Bento XVI não podem ser malbaratadas nem negociadas em nome do momento presente. De fato, são estas uma manifestação da autenticidade de nossa fé católica, “são fórmulas e ritos não privados de uma sua beleza que favorece a contemplação dos mistérios de Deus. A lex credendi torna-se assim lex orandi”[20]. Não podemos nos desencorajar em nossa reverência para com a magnificente presença de Deus em nossas ações litúrgicas. Assim como os modernistas não deixaram de cumprir vergonhosamente seus abusos durante o pontificado anterior, não podemos abandonar nossa convicção de fé em nome de uma situação momentânea adulterada pela astúcia deles.
4) Ensinar oportuna e inoportunamente a fé católica. Muitas vezes, mesmo em ambientes ditos tradicionais, descurou-se a transmissão autêntica da doutrina, dedicando-se demasiado tempo a polêmicas e querelas teológicas. De nossa parte, precisamos tomar o Catecismo em punho e ensinar a todos as verdades eficazes da nossa salvação. “Conticuit populus meus eo quod non habuerit scientiam”, “meu povo se perde por falta de conhecimento” (Os. IV,6). Mas, “fide ex audito”, “a fé vem pelo ouvir” (Rom. X,17). E, por isso, precisamos falar. Portanto, para cada missa tradicional, que haja dezenas de grupos para o estudo da doutrina cristã e, assim, nossa devoção não será sacrificada sobre o altar da nossa ignorância. Somente mentes ilustradas com a doutrina de sempre poderão aderir sem titubeios à verdadeira piedade e devoção tradicionais.
5) Aprofundar no magistério de Bento XVI. Encerrando o seu pontificado, Bento XVI deixou-nos um patrimônio magisterial valiosíssimo que, enquanto foi ensinado, nem sempre pôde ser adequadamente acompanhado, seja pelo número imenso de intervenções papais como pela sua frequência quase ininterrupta. É chegado o tempo de aprofundar. Não podemos permitir que Bento XVI passe à história simplesmente como o Papa que teve a ousadia de tirar do armário o fânon ou o camauro papais! O seu magistério consistiu numa ampla reinterpretação do Concílio Vaticano II à luz da tradição e, por isso, deve ser assimilado, refletido e transmitido às próximas gerações. A este propósito, cabe uma observação: nossa geração, testemunha e receptora do magistério espetacular de Bento XVI tem uma responsabilidade grave para com as próximas gerações, que é a de transmitir a sua visão do Concílio Vaticano II, desmistificado da áurea de intocável que lhe foi atribuída, na linha da hermenêutica da continuidade. Somente se formos firmes na reverberação desta ideia, as futuras gerações poderão, serena e desapaixonamente, considerar com objetividade o Concílio, desapegando-se dele enquanto evento, analisando-o em seus textos, sintonizando-o com o magistério precedente e reavaliando-o também através de suas consequências históricas.
6) Combater com todas as forças a teologia da libertação. Já em 1996, para os representantes das comissões de doutrina das Conferências Episcopais da América Latina, no México, o então Card. Ratzinger apontava a necessidade de se superar a teologia da libertação[21]. Efetivamente, desde aqueles tempos, este monstro que quase devorou a fé em nossa nação estava em operação discretamente, bem ao estilo de Pablo Richard, que mencionava no início deste artigo. Todavia, também neste período levantou-se uma falange de jovens católicos esclarecidos, que deram seu grito de “cansei!” a esta caterva de apóstatas, e se articularam, eletrônica e até mesmo pessoalmente, na brava resistência a seus maiores expoentes, aliás, já anciãos e às portas do dies iræ[22]. Contudo, infelizmente, as heresias não morrem com a morte de seus proponentes! Nossas armas são o magistério autêntico da Igreja e a nossa devoção e, por isso, temos de juntar forças para vencê-los, ao menos em nossa geração. Não seguimos os mesmos protocolos imundos que eles seguem, pois sabemos que “non est nobis conluctatio adversus carnem et sanguinem sed adversus principes et potestates adversus mundi rectores tenebrarum harum contra spiritalia nequitiæ in cælestibus”, “não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal nos ares” (Eph. VI,12) que agem através deles. “Hæc est victoria quæ vincit mundum fides nostra“, “Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” (I Ioan. V,4).
7) Quebrar a onipresença dos progressistas em todas as mídias possíveis. É impressionante como, nestas horas, os dinossauros da teologia da libertação voltam à baila em todas as mídias, sobretudo nos jornais e nas televisões, para vomitarem seus “dogmas” anti-católicos sem nenhuma contestação! Precisamos ser mais reativos a esta hegemonia, escrevendo aos seus respectivos superiores eclesiásticos, a fim de exigir uma intervenção disciplinar, e nos manifestando aos órgãos de imprensa, mostrando como estes senhores não representam o povo católico de modo algum. Ademais, com os recursos que tivermos, precisamos esgotar todas as possibilidades de nos fazermos ouvir em todos os meios de comunicação social, e não apenas na internet, como muitos se têm conformado em fazer.
IV. Conclusão
Como disse ao início, sem pressas, precisamos ser cautelosos em emitir juízos sobre o pontificado que se inicia, sobretudo pela imprevisibilidade da intervenção divina – a Igreja é de Deus! – e por considerar a boa fé do Pontífice.

Missa de inauguração do Ministério Petrino: Papa Francisco aos pés de Nossa Senhora.
De fato, um dos sinais mais interessantes que o Papa nos deu imediatamente foi a iniciativa de, como primeiro ato,dirigir-se a Santa Maria Maior e consagrar seu Pontificado a Nossa Senhora. Do mesmo modo, na missa de inauguração de seu ministério Petrino, pressurosamente acorreu aos pés da Imagem da Santíssima Virgem para confiar-se a ela.
O Papa Bento XVI, em sua última viagem à Fatima no ano de 2010, augurou: “possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima”[23].
A respeito disso, traduzo umas palavras do Pe. Paul Kramer, um dos maiores combatentes de Fátima: “Remeto o testemunho do estigmatizado romano Antonio Ruffini. O Papa Pio XII autorizou a bênção de uma capela no local onde Ruffini recebeu os estigmas, na Via Appia, e Padre Tomaselli escreveu um livro sobre ele – um breve relato da vida de Ruffini. Eu mesmo conheci Ruffini há muitos anos. No início de 1990, perguntaram a Ruffini: ‘É João Paulo II, o Papa que vai fazer a Consagração da Rússia?’ Ele respondeu: ‘Não, não é João Paulo. Não será seu sucessor imediato, mas o que virá depois. Ele é o único que vai consagrar a Rússia’. Ou seja, o sucessor de Bento XVI, durante este tempo de guerra mundial e perseguição da Igreja, vai ser o único a fazer a Consagração, finalmente, e, depois, a restauração e o triunfo do Imaculado Coração começará”[24]. Ademais, “digna de nota é a sua eleição no dia treze do mês, que tem um significado especial para os devotos e os promotores da Mensagem de Fátima”[25]. A propósito, Francisco é também o nome do Pastorinho de Fátima…
Será que este Papa fará a tão sonhada Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria? Talvez, por detrás de suas comentadas “quebras de protocolo” se esconda a coragem de quebrar um protocolo maligno de censura e silenciamento de Nossa Senhora de Fátima, citada por ele, nas entrelinhas, em seu primeiro Angelus[26]…
Se o fará, não sabemos. Mas… “o coração do rei é uma água fluente nas mãos do Senhor: ele o inclina para qualquer parte que quiser” (Prov. XXI,1). Oremus pro Pontifice nostro Francisco.
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