Neste 3 de novembro, na Basílica de São Pedro, a missa “extraordinária” é a missa normal.


Uma missa “extraordinária”? Uma missa normal!
Missa Pontifical celebrada na Basílica de São Pedro pelo Cardeal Cañizares.
Missa Pontifical celebrada na Basílica de São Pedro pelo Cardeal Cañizares. Foto: Rinascimento Sacro.
Por Summorum Pontificum Observatus, 3 de novembro de 2012 | Tradução: Fratres in Unum.com – Em preparação à celebração que acaba de ser concluída na Basílica de São Pedro, o Cardeal Cañizares havia, então, explicado ao vaticanista Andrea Tornielli, ponderando suas palavras: “é uma maneira de mostrar às pessoas que é normal usar o missal de 1962”. Para quem conhece o funcionamento da Cúria Romana, tal ato do Prefeito da Congregação para o Culto Divino na Basílica do Papa não poderia deixar de ser, de uma forma ou outra, inspirado, como assinala a mensagem do Papa, em francês, lida no início da cerimônia.
Às 14:30, a longa procissão de confrarias, clero e fiéis, que partiu de San Salvatore, do outro lado do Tibre, atravessando a Ponte Sant’Angelo, depois de ter subido toda a Via della Conciliazione, passava as portas da Basílica vaticana para se juntar à multidão de fiéis que já estava em seu interior. E às 15 horas, visivelmente radiante, o Prefeito do Culto Divino iniciou a Missa Pontifical sob a Cátedra de São Pedro, diante de uma assistência de cerca de duas a três mil pessoas em torno da Cátedra de São Pedro, além da multidão atrás das divisórias e de um numerosíssimo clero secular e religioso. Como em outras cerimônias desta peregrinação Summorum Pontificum [cuja entrevista de apresentação foi publicada em português com exclusividade pelo Fratres in Unum], um dos pontos mais marcantes foi a presença maciça de sacerdotes diocesanos e seminaristas provenientes de diversas de Universidades Pontifícias, ou vindos para a ocasião da França, Estados Unidos, Inglaterra, etc.
Entre os prelados romanos que assistirão a cerimônia (Mons. Perl, Mons. Pozzo, que acabava de ser nomeado Arcebispo nesta manhã, Monsenhor Agostini, cerimoniário pontifício, etc.), a presença mais marcante era aquela, quase oficial, da Comissão Ecclesia Dei, com o seu Vice-Presidente, Dom Di Noia, ladeado por seus colaboradores e presidindo os membros do clero. Padre Almir de Andrade, [brasileiro] membro da Comissão, impecavelmente conduziu a cerimônia, auxiliado por um sacerdote diocesano, Pe. Cuneo. O sacerdote assistente foi Mons. Ferrer, vice-secretário da Congregação para o Culto Divino; o diácono, Pe. Barker, Vigário da paróquia pessoal [em Roma] dedicada à liturgia tradicional; o subdiácono, Pe. Reginal-Marie, da Fraternidade São Vicente Ferrer, sendo os outros ministros escolhidos dentre os seminaristas dos colégios romanos o dos cleros diocesanos.
Tudo visava a dar a entender que, partindo de uma situação de “privilégio” concedido, estamos agora a caminho — mesmo se ainda muito longe do objetivo — de uma situação normal, o extraordinário de ontem devendo se integrar pouco a pouco, passo a passo, nas paróquias, nas dioceses, nos movimentos de juventude, ordinariamente na vida da Igreja.
Procissão se aproxima da Basílica de São Pedro. Foto: The Remnant.
Procissão se aproxima da Basílica de São Pedro. Foto: The Remnant.
É o que o próprio Cardeal Cañizares enfatizou no final de sua homilia (muito espiritual), detendo-se sobre um tema que lhe é caro: o Motu Proprio é a pacificação da Igreja consigo mesma, com a sua Tradição, cujo eixo é a liturgia romana tradicional. Quando o “ministro da liturgia” de Bento XVI evoca com muita delicadeza a “iluminação” que a Constituição Sacrosanctum Concilium deve trazer a uma e a outra forma do Rito Romano, isso não significa dizer que, se ontem o Concílio foi explicado pela liturgia de Paulo VI, hoje ele pode também ser relido com o auxílio – para não dizer dizer com o filtro – da liturgia dita de São Pio V?
A emoção que contagiou os assistentes da Missa de 3 de novembro vinha da consciência de ver brotar essa revolução copernicana. O Cardeal recordou os objetivos da peregrinação: ação de graças e apoio à intenção do Santo Padre, comunhão “afetuosa” do povo Summorum Pontificum com o Pai Comum.
Anúncio da celebração do Papa que selará esta passagem da missa “extraordinária” à missa normal?

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