Via AQUINATE.
por Paulo Faitanin
![]() Sidney Silveira |
Entrevista
1- Qual a importância do resgate da filosofia clássica para os nossos dias?
R: A filosofia constantemente redefine o objeto de sua atividade; essa é uma das tarefas que lhe cabe. Não se trata, como diz o filósofo basco Xavier Zubiri, de algo de caráter meramente propedêutico, pois uma filosofia descortina o horizonte dos seus questionamentos a partir da idéia fundamental de que parte. Ocorre que muitas “demolições” — realizadas por filosofias dos séculos XIX e XX — se mostram hoje insuficientes, sem consistência. Isso acontece muito particularmente em relação à metafísica, ou às chamadas metafísicas do ser. Se pusermos na balança algumas das críticas à metafísica feitas por Kant, Nietzsche, Heidegger, entre outros, verificaremos que cada uma delas tem um lado bastante problemático. Portanto, o contexto atual me parece propício para a retomada dos estudos não somente da filosofia clássica, mas particularmente de metafísica.
2. Como surgiu a idéia de lançar a Sétimo Selo e qual é o seu objetivo?
R: A editora Sétimo Selo está começando a sua trajetória com a proposta de dar a conhecer, no Brasil, grandes autores da filosofia medieval cristã e alguns do final da era Patrística. A nossa grande inspiração é, neste contexto, Santo Tomás de Aquino — que, além de pouco estudado entre nós, tem uma parcela ínfima de sua grandiosa obra publicada em português. Mas há vários outros autores importantíssimos, dos quais os estudantes de filosofia em nosso país jamais ouviram falar, isto sem falar nos professores, boa parte dos quais leu pouco a respeito desses autores. Duns Scot, Santo Tomás, Alberto Magno, Escoto Eurígena, Santo Anselmo e vários outros são, sem nenhum exagero, ilustres desconhecidos entre nós — pois, dentre estes, mesmo os mais conhecidos foram muito pouco lidos e comentados. Acho que a publicação de suas obras pode trazer um impulso para o estudo de filosofia medieval no Brasil.
3. É possível promover um diálogo entre o clássico e o contemporâneo?
R: Não é apenas possível, mas necessário. Contudo, a iniciativa desse diálogo não cabe à filosofia contemporânea, ainda impregnada de preconceitos que seria necessário apontar. De toda forma, penso que o diálogo deve ser feito sem confrontos acirrados, que não levam a nada, mas a partir de uma salutar troca de idéias. Particularmente em relação à filosofia medieval, tributária da herança grega assimilada pelas três grandes religiões monoteístas, acho que seria maravilhoso trazer esse diálogo para problemas referentes à moral e à ética, por exemplo. São questões práticas, perante as quais o homem contemporâneo adota, em média, uma postura que se quer democrática, mas que se transforma numa falsa tolerância travestida de liberalidade.
4. Quem é Tomás de Aquino para o Senhor e qual é a importância do seu pensamento para os nossos dias?
R: Santo Tomás é um antídoto contra vários “ismos”, que representam atitudes mentais encontradas, em maior ou menor grau, em todas as épocas. É um antídoto contra o racionalismo, quando este confere à razão prerrogativas fora do seu âmbito e do seu alcance, ou quando a razão se fecha totalmente à realidade, e pára na contemplação de si mesma; é um antídoto contra o irracionalismo, que é quando esse racionalismo idealista se frustra e gera o seu contrário, e a filosofia nega princípios fundamentais, e assim, fundando-se em negações, cai em verdadeiros becos sem saída; é um antídoto contra o imoralismo, na medida nos chama à responsabilidade da reta razão no agir, que é a prudência, aplicada às circunstâncias do cotidiano; é um antídoto contra o falso moralismo (ou ainda contra o puritanismo), pois nos ensina, por exemplo, quão amáveis são o corpo e a alma, e os prazeres decorrentes de ambos, tidos como bens naturalmente apetecíveis; é um antídoto contra o hedonismo, na medida em que nos orienta a ver que os prazeres — embora sejam bens — devem ser a culminância dos atos de amor, uma conseqüência destes, e não a mera utilização de coisas e pessoas para a sua realização, pois tal atitude representa, na prática, transformar pessoas em coisas, o que é contra a lei natural; é um antídoto contra o niilismo, que para ele seria um total absurdo, por conceder a algumas desordens da vontade humana um caráter fundante. Devo dizer que Santo Tomás transformou a minha vida, pois trouxe uma luz para problemas dramáticos com os quais eu deparava, nos últimos anos. Sendo assim, o mínimo que posso fazer em retribuição, ainda que muito modestamente, é divulgar a sua obra entre nós, por intermédio da editora Sétimo Selo. Mas sabemos que é uma grande responsabilidade e um desafio.
5. Quais são os futuros projetos da Sétimo Selo?
R: Em 2006, publicaremos, além do segundo volume do “De Malo”, de Santo Tomás, obras de Duns Scot e de Santo Anselmo. Se Deus assim o desejar.

Rapaz novo, achei que fosse mais velho. Tomara que viva muito e continue a nos ajudar.
ResponderExcluirProcurei o site e encontrei:
ResponderExcluirhttp://www.edsetimoselo.com.br/loja/default.asp
http://www.edsetimoselo.com.br/album/album.htm
http://contraimpugnantes.blogspot.com/2008/09/editora-stimo-selo.html
Espero que a Editora ainda esteja ativa!
O site está funcionando perfeitamente, assim como a Editora, Nilbia. O link se encontra no fim da postagem aqui em baixo.
ResponderExcluirLAVS DEO