Especial Adolph Tanquerey para sacerdotes - Parte III


378. O Código sancionou estas idéias de Pio X, insistindo, mais do que o havia feito a legislação antiga, sobre a necessidade da santidade para o sacerdote e os meios de alcançá-la. Declara sem rodeios que “os clérigos devem levar uma vida interior e exterior mais santa que os leigos, e dar-lhes bom exemplo pela sua virtude e boas-obras”. E acrescenta que os Bispos devem procurar “que todos os clérigos se aproximem frequentemente do sacramento da Penitência, para se purificarem das suas faltas; que consagrem todos os dias certo tempo à oração mental, visite o SS.mo Sacramento, recitem o Terço em honra da Virgem Mãe de Deus, e façam exame de consciência. Todos os três anos, ao menos, devem os sacerdotes seculares fazer um retiro durante o tempo determinado pelo seu Bispo, em uma casa pia ou religiosa; não podem ser dispensados dessa obrigação senão, em algum caso particular, por uma causa grave e com licença explícita do Ordinário. Todos os clérigos, mas sobretudo, os sacerdotes são especialmente obrigados a ter para com o seu Ordinário respeito e obediência [1].


Ademais a necessidade que tem o sacerdote de tender à perfeição prova-se: 1.º pela autoridade de N. S. Jesus Cristo e de S. Paulo; 2.º pelo Pontifical; 3.º pela mesma natureza das funções sacerdotais.

I. A doutrina de Jesus e de S. Paulo.

379. 1.º N. S. Jesus Cristo ensina eloqüentemente, tanto pelos seus exemplos como pelas suas palavras, a necessidade de ser santo que tem o sacerdote.


A) Dá o exemplo. Ele, que desde o princípio era cheio de graça e de verdade, “vidimus eum... plenum gratiae et veritatis”, quis submeter-se, na medida do possível, à lei do progresso: “Jesus progredia, diz S. Lucas, em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e dos homens: “proficiebat sapientia et aetate et gratia apud Deum et homines” [2]. E durante trinta anos preparou-se para o seu ministério público pelo exercício da vida oculta com todas as usas conseqüências: oração, mortificação, humildade e obediência. Três palavras resumem trinta anos da vida do Verbo Encarnado: “Erat subditus illis” [3]. Para pregar com mais eficácia as virtudes cristãs, começou as por em prática: “coepit facere et docere” [4]; e tão perfeitamente as exercitou que poderia dizer de todas as virtudes o que disse da mansidão e da humildade: “discite a me, quia mitis sum et humilis corde” [5]. E assim, ao fim ao fim de sua vida, declara com toda a simplicidade que se santifica e sacrifica (a palavra sanctifica tem este duplo sentido). Para que os seus apóstolos e sacerdotes, seus sucessores, se santifiquem em toda a verdade: “Et pro eis ego sanctifico meipsum, ut sint et ipisi sanctificati in veritate” [6]. Ora, o sacerdote é o representante de Jesus Cristo na terra, outro Cristo: “pro Christo ergo legatione fungimur” [7]. Logo também nós devemos tender incessantemente à santidade.

[1] – Antigo CDC, Can. 124-127.
[2] – Lc 2, 52.
[3] – Lc 2, 51.
[4] – Atos 1,1.
[5] – Mt 11,29.
[6] – Jo 17,19.
[7] – 2 Cor 5,20.

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