Especial Adolph Tanquerey para sacerdotes - Parte VI

I. A autoridade do Pontifical


385. Seria fácil mostrar que os SS. Padres, ao comentarem o Evangelho e as Epistolas, desenvolveram e fixaram com precisão estes ensinamentos; poderíamos até acrescentar que escreveram Cartas e Tratados inteiros sobre a dignidade e santidade do sacerdócio [1]. Para não nos alongarmos, porém, demasiado, limitar-nos-emos a invocar a autoridade do Pontifical, que é como o Código sacerdotal da Nova Lei, e contém o resumo do que a Igreja católica exige dos seus ministros. Esta simples exposição mostrará o alto grau de perfeição que se requere dos Ordinários e, com maior força de razão, dos pastores de almas.

387. 2º. Com as Ordens Menores, recebe o clérigo um duplo poder: um sobre o Corpo eucarístico de Jesus, outro sobre o seu corpo místico, isto é, sobre as almas; mas exigi-se dele, além do desprendimento, um duplo amor, o amor do Deus do sacrário, e o amor das almas, cada um dos quais supõe o sacrifício.


Acólito, desapega-se dos prazeres sensuais, para praticar já aquela pureza que o serviço dos altares requere. Ao mesmo tempo vai-se robustecendo o seu amor para com Deus: ama o Deus do sacrário, cuja guarda lhe está confiada, ama o Verbo oculto debaixo do véu das letras na Sagrada Escritura, ama Aquele que impera aos espíritos malignos, ama Aquele que se imola no altar. E este amor desabrocha em zelo: ama as almas, e por isso a sua felicidade é levá-las a Deus pela palavra e pelo exemplo, edificá-las pelas suas virtudes, purificá-las pelos seus exorcismos, santificá-las, santificá-las pela parte que toma no Santo Sacrifício. E assim vai a pouco avançando para a perfeição.

389. 4º Aos diáconos, que são constituídos cooperadores do presbítero na oblação do santo Sacrifício “comministri et cooperatores estis corporis et sanguinis Domini”, o Pontifical exige pureza mais perfeita ainda: “Estote nitidi, mundi, puri, casti”. E, como tem o direito de pregar o Evangelho, exige-se-lhes que o pregue com o exemplo mais ainda que com a boca: “curate ut quibus Evangelium ore annuntiatis, vivis operibus exponatis”. A sua vida deve, pois , ser uma tradução viva do Evangelho, e por isso mesmo uma imitação constante das virtudes de nosso Senhor Jesus Cristo. E assim, ao orar para que o Espírito Santo desça sobre eles, com todos os seus dons, e sobre tudo com o da fortaleza, o Pontífice dirige a Deus esta bela oração: “Abundet in eis totius forma virtutis, auctoritas modesta, pudor, constans, innocentiæ puritas, et spiritualis observantia disciplinæ”. Não é isto pedir para eles a prática das virtudes que conduzem à santidade? Na oração final, o Bispo pede efetivamente que eles sejam ornados de todas as virtudes “virtutibus universis ... instructi”.

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