Padre Pio: “ESTOU SEMPRE CONTIGO”

Mas às vezes parece que seu Anjo demorou um pouco em ajudá-lo. Até temos um acontecimento em que seu Anjo da Guarda aparentemente recusou-se a ajudar e que Padre Pio depois contou numa carta ao seu diretor espiritual, o Padre Agostinho: “Portanto eu não posso contar-lhe como me batem estes malvados. Às vezes, sinto que estou perto da morte. Sábado, pensei que eles realmente queriam acabar comigo. Não sabia mais a qual dos Santos deveria apelar; voltei-me para o meu Anjo e, depois de me fazer esperar por alguns momentos, ele, finalmente, apareceu, pairando ao meu redor, cantando hinos à Divina Majestade com sua voz angelical. Então seguiu-se uma destas cenas ordinárias: gritei para ele para ele severamente por me fazer esperar tanto tempo, já que eu nunca falhei em chamá-lo para socorrer-me. Para puni-lo, não quis olhar para seu rosto, quis manter distância, fugir e esconder-me dele. Mas ele, pobre companheiro, aproximou-se de mim, quase chorando. Segurou-me, para que, levantando meu rosto, eu pudesse olhar nos seus olhos e ver que estava completamente aflito...”

Então o Anjo, chorando, disse-lhe: “Eu estou sempre perto de ti, meu querido jovem. Pairo constantemente ao teu redor com aquela afeição que estimula a tua gratidão para com o Amado do teu coração. Meu afeto por ti nunca se extinguirá, nem com a tua morte. Sei que teu generoso coração sempre bate pelo nosso mútuo Amado. Cruzarias toda montanha e todo deserto para encontrá-l’O, para vê-l’O de novo, abraçá-l’O novamente nesses momentos extremos e pedir-lhe para quebrar de uma só vez essas cadeias que te mantêm preso ao corpo,... para não sofreres mais ficando longe d’Ele, e para que Ele te levasse conSigo. Gostarias de dizer-lhe que separado d’Ele juntas mais dor do que alegria. Gostarias desta grande graça, mas não fiques aborrecido,... pois deves esperar um pouco mais. Por agora Ele não pode dar-te nada mais do que o raio de uma estrela, o perfume de uma flor, o som de uma harpa, a carícia do vento. Mas não cesses de pedir-Lhe isso constantemente porque Seu supremo gozo é ter-te conSigo. E embora Ele não possa satisfazer teu desejo agora, pois a Providência quis que ficasses um pouco mais no exílio, Ele, finalmente, te satisfará, pelo menos, em parte”.

E Padre Pio acrescentou na carta: “Pobre querido Anjo! Ele é tão bom! Será que vai conseguir fazer-me entender a grave obrigação da gratidão?” (Epistolario I, San Giovanni Rotondo 1987,Lett. 102, 311-312).

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