







"[...]seja real ou aparente, o bem [11] é o que busca o homem em todos os seus atos [12]. Ora, o bem [13] tem razão de fim último - pois este é apetecido [14] pelo homem. Por conseqüência do pecado a ignorância nos torpe o juízo da razão [15], que é raiz do bem do homem. Assim, como o seu fim último é sobrenatural, excedendo as suas forças naturais, sem a graça é impossível amar, não por veleidade, mas eficazmente o Bem Soberano [16], o seu fim último, Deus."
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NOTAS:
11 ―(...) a respeito do bem, cabe falar de dois modos: de um modo a respeito do bem simpliciter; de outro modo, enquanto se fala de um bem [concreto], como um homem bom ou um olho bom. Logo, falando do bem simpliciter, o bem possui uma amplíssima extensão, mais ampla até que a do ente, como gostava de dizer Platão. Pois sendo o bem aquilo que é apetecível, aquilo que é em si apetecível, também em si é bom, sendo por isto mesmo, fim. Pois, do fato de que ao apetecer um fim apetecemos aquelas coisas que se ordenam ao fim, segue-se que aquelas coisas que se ordenam ao fim, pelo fato mesmo de que se ordenam ao fim ou ao bem, adquirem a sua razão de bem – donde as coisas úteis estarem compreendidas na divisão do bem‖ (TOMÁS DE AQUINO, De Malo, Q. 2, respondeo).
12 Cf. ARISTÓTELES, Ethica Nichomachaea, C. 1: 1094, a. 3. E também: SÃO TOMÁS,Suma Th. q. 5, a. 1, respondeo.
13 Cf. ARISTÓTELES, Ethica Nichomachaea, I, 1 (1094ª, 2-3).
14 O que tem razão de fim, tem razão de apetecível. Ora se o bem tem razão de apetecível tem razão de fim: ―(...) ainda que o fim seja um bem si, não só o fim é um bem, mas também aquelas coisas que se ordenam ao fim têm, por esta mesma ordem, razão de bem, como se disse‖. De Malo q. 2, ad. 9.
15 TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica, I-II, Q.24, a.3, resp.
16 TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica, I-II, Q.109, a.3: ―Homo in statu naturae integrae dilectionem suiipsius referebat ad amorem Dei, sicut ad finem, et similiter dilectionem omnium aliarum rerum, et ita Deum diligebat plus quamseipsum et super omnia. Sed in statu naturae corruptae homo ab hoc déficit secundum appetitum voluntatis rationalis, quae propter corruptionem naturae sequitur bonum privatum, nisi sanetur per gratiam Dei”. Idem a.4: “In statu naturae corruptae, non potest homo implere omnia mandata divina sine gratia sanante‖.
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