Diante da dor que assola a alma de qualquer fiel, a atitude deve ser a da imagem acima. Sem dúvida alguma! Que belo exemplo.
É necessário esclarecer que a Fé Católica não se funda em aparições, mas tão somente na Revelação:
“Credo Deo Revelanti et non theologo opinanti” (Padre Lennerz S.J.)
Não é da natureza das aparições a faculdade de ensinar-nos o que devemos crer, esta natureza é a do Magistério, tão somente. Contudo, as aparições não são quimeras a serem desprezadas como tal por um fiel católico. Bem pelo contrário, é pelo fiel tão respeitada, por em nada contradizer a fé, que este a respeita e venera como grande auxílio para o alimento de sua fé¹. Feita distinções devidas, voltemos ao tema que desejo tratar neste texto.
Não podemos nos firmar em doutrinas substancialmente otimistas, onde o homem é tratado como Anjo, ou como a personificação da ignorância, como se em todas as matérias em que indevidamente cai em culpabilidade, certamente está sobignorância. Isso não é de todo equivocado, já que as paixões e os hábitos, não só podem mas realmente invalidam o ato voluntário.
Uma espiritualidade que chama a meditação sobre o inferno de antipedagógica ouretrógada, exclui diante de si as condenações que o Magistério no uso de sua autoriadade sancionou contra os jansenistas, onde estes defendem que o medo do inferno não é amor. Ora, as paixões são enraizadas no amor, e uma vez que tenho medo - que é uma paixão - do inferno por temer a justiça divina, este medo é um amor, ainda imperfeito – com o nome de atrição –, mas já preparatório para o amor perfeito, a contrição – que não é facilmente merecida, senão com grande luta contra o amor próprio etc.
Na pedagógica aparição de Nossa Senhora em Fátima, a Virgem deu a conhecer o inferno a três criancinhas de tenra idade. Teria a Virgem diminuido o amor perfeito nestas crianças? Certamente, não. Antes fê-lo aumentar ainda mais:
“Quando, nesse dia, chegávamos à pastagem, a Jacinta sentou-se pensativa, em uma pedra.
- Jacinta! Anda brincar!
- Hoje não quero brincar.
- Porque não queres brincar?
- Porque estou a pensar. Aquela Senhora disse-nos para rezarmos o Terço e fazermos sacrifícios pela conversão dos pecadores. Agora, quando rezamos o Terço, temos de rezar a Ave MARIA e o PADRE Nosso inteiro. E os sacrifícios como havemos de fazer?
O Francisco discorreu em breve um bom sacrifício:
- Demos a nossa merenda às ovelhas e fazemos o sacrifício de não merendar!Em poucos minutos, estava todo o nosso farnel distribuído pelo rebanho. E assim passávamos um dia de jejum, que nem o do mais austero cartuxo! A Jacinta continuava sentada na sua pedra, com ar de pensativa e perguntou:
- Aquela Senhora disse também que iam muitas almas para o inferno. E o que é o inferno?
- É uma cova de bichos e uma fogueira muito grande (assim mo explicava minha Mãe) e vai para lá quem faz pecados e não se confessa e fica lá para sempre a arder.
- E nunca mais de lá sai?
- Não.
- E depois de muitos, muitos anos?!
- Não; o inferno nunca acaba. E o Céu também não. Quem vai para o Céu, nunca mais sai lá sai. E quem vai para o inferno também não. Não vês que são eternos, que nunca acabam?
Fizemos então, pela primeira vez, a meditação do inferno e da eternidade. O que mais impressionou a Jacinta foi a eternidade. Mesmo brincando, de vez em quando, perguntava:
- Mas, olha. Então, depois de muitos, muitos anos, o inferno ainda não acaba?
Outras vezes:
- E aquela gente que lá está a arder não morre? E não se faz em cinza? E se a gente rezar muito por os pecadores, Nosso Senhor livra-os de lá? E com sacrifícios também? Coitadinhos! Havemos de rezar e fazer muitos sacrifícios por eles!
Depois acrescentava:
- Que boa é Aquela Senhora! Já nos prometeu levar para o Céu”
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1 – Aparições confirmadas pela Igreja, apenas E que fique claro que Medigórie, ou Medigore, não está dentre o gênero de aparições do texto acima. Pois não é aprovada pela Igreja, e muito menos perto de acontecer.
2 – O termo idealismo pode levar a várias concepções filosóficas ou teológicas. Aqui, quero designar apenas que o princípio do idealismo não se funda em princípios válidos, indemonstráveis e evidentes, quando filosóficos; e, quando teológicos, não se fundamentam nos dogmas, único porto seguro da sacra doctrina.
Em tempo: colocarei como foi a visão deles, pois este trecho de “Memórias da Irmã Lúcia” trata apenas da meditação deles acerca do mesmo.
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