O sacerdote como pontífice entre o coração do homem e Deus
O sacerdócio de Cristo é a única ponte[1] capaz de unir o homem pecador à intimidade de Deus Uno e Trino. E este sacerdócio é perpetuado nos frágeis e pobres homens que de dia e de noite oferecem a Deus o Único e Eterno sacrifício de Jesus, a maior prova de amor que a terra pode ver, ainda que tão envoltos de fraqueza. E por causa desta mesma fraqueza, deve oferecer este ato amoroso de Cristo na Cruz por si e pelas suas ovelhas.
“Porque todo Sumo Sacerdote es tomado de entre los hombres y está puesto en favor de los hombres en lo que se refiere a Dios para ofrecer dones y sacrificios por los pecados; y puede sentir compasión hacia los ignorantes y extraviados, por estar también él envuelto en flaqueza. Y a causa de esa misma flaqueza debe ofrecer por los pecados propios igual que por los del pueblo.”[2]
Pelo homem, tentado pelo maligno, entrou a desordem na criação, ele é o eixo entre toda criação material e Deus. É a única criatura corporal e espiritual. Uma vez que rompe em si a ordem estabelecida por Deus, esta desordem só poderá ser vencida pelo próprio homem. Mas o homem é incapaz de refazer esta ordem sozinho, e por isso o mistério da Encarnação, já exposto acima[3]. Jesus Sacerdote, e somente Ele, é quem restabeleceu a amizade entre Deus e o homem. Assim, a santificação dos homens depende intrinsecamente da santificação dos sacerdotes, primeiros responsáveis pela santificação da humanidade. Pois, não há justificação sem a graça, e o sacramento é o sinal desta. Logo, sem sacerdotes, sem santificação da humanidade; e se existem sacerdotes, mas são infiéis, a graça age, mas seus frutos são atenuados por não serem auxiliados por aquele a quem foi incumbido de anunciar os meios necessários para se alcançar o fim desejado. E se o mistério da piedade nos foi manifesto por Cristo, Sumo Sacerdote, o mistério da impiedade, ou iniqüidade, foi manifesto por Judas, o traidor, que era sacerdote. E é por meio dos sacerdotes que estes dois mistérios se transmitem na história da humanidade, uns o mistério da piedade, outros o da impiedade.
O mundo só encontrará a verdadeira Fonte do amor, que é Cristo, por meio dos sacerdotes. É na fragilidade do sacerdote que temos a imagem d’Aquele que se fez pecado por nós: quem vê um sacerdote confessar-se, por exemplo, pode ver, por analogia, Jesus no presépio! E a mesma salvação, na visão exposta acima, a Kenosis de Cristo está presente no sacerdote: Médico de almas é enfermo, Pastor é ovelha etc.
“Ha escogido Dios más bien lo necio del mundo para confundir a los sabios. Y ha escogido Dios lo débil del mundo, para confundir lo fuerte. Lo plebeyo y despreciable del mundo ha escogido Dios; lo que no es, para reducir a la nada lo que es. Para que ningún mortal se gloríe en la presencia de Dios. De él os viene que estéis en Cristo Jesús, al cual hizo Dios para nosotros sabiduría de origen divino, justicia, santificación y redención, a fin de que, como dice la Escritura: El que se gloríe, gloríese en el Señor”[4].
O sacerdote é o modelo dos homens, é o enfermo que sabe indicar a cura, pois também é médico; é a ovelha exemplar, pois conhece a voz do pastor, e esta também está em seus lábios. Enfim, o sacerdote é o pontífice entre o homem e Deus, as famílias e Deus, a sociedade e Deus, é o maior sinal da Fonte do Amor, Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote do Pai. É no sacerdote que se pode encontrar a palavra de Jesus: “si quis, véniat ad me, et bibat[5]”. Mas não que o sacerdote seja a Fonte em si, não. Ele é a ponte para a Fonte do Amor. É o sinal do amor.
[1] Por isso, pontífice.
[2] Hebreus 5, 1.
[3] Embora não tenha tratado do tema com a devida exposição. Limitei-me a tratar do mesmo apenas para manifestar, ainda que tão simplesmente, a Encarnação como Fonte do Amor de que temos tanta ânsia.
[4] I Cor 1, 27-31.
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