Antes de aludir a uma história contada por Santo Tomás de Aquino em forma de parábola, faço a seguir brevíssimas considerações.
1- A revolução acontece quando o tecido social esgarça-se completamente, e as instituições passam a não ter mais como manter-se com um mínimo de estabilidade.
À luz deste princípio, vale dizer: todos os que hoje — julgando-se com "consciencia política" acima da média — servem de fermento para o estado de anomia devem refletir sobre a sua responsabilidade pessoal no quadro que se avizinha. Estão brincando com fogo e não vêem que contribuem para algo próximo à guerra civil, a qual será nefasta para todos os brasileiros.
2- A anarquia é muitíssimo pior do que um mau governo.
O estado de convulsão social permanente presta um desserviço bem maior e mais letal do que as ações contrárias ao bem comum levadas a cabo por um governo corrupto.
O sujeito que, a esta altura dos acontecimentos, não percebe as ações orquestradas (como, por exemplo, o fechamento simultaneo de estradas pelo país afora) por trás da espontaneidade ingênua dos que aderem à causa (?), é um títere zonzo, e se a coisa piorar será o primeiro a correr da raia. Mas terá mesmo para onde correr, se continuarmos neste compasso que vem levando o país a parar?
Ditas estas duas coisas, ilustro o que quero dizer com uma passagem do livro "De Regno" (I, 6), na qual Santo Tomás conta a fabulosa história de uma velhinha que rezava para o tirano da vez não cair:
"(...) Em Siracusa, no tempo em que toda a gente desejava a morte de Dionísio, uma certa velhinha constantemente rezava para que não lhe acontecesse mal algum, e ele vivesse mais tempo do que ela. Quando o tirano soube disto, perguntou-lhe por que razão ela o fazia.
E ela respondeu:
— Quando eu era jovem tínhamos um tirano muito cruel, e eu desejava a sua morte. Quando ele foi morto, sucedeu-lhe outro que era um pouco mais cruel que ele. Eu também fiquei ansiosa por ver o fim do seu domínio, mas então nos veio um terceiro tirano, ainda mais cruel. Este eras tu. Por isso, se tu fores levado, um pior pode tomar o teu lugar”.
Por fim, digo: será que os bem-intencionados "manifestantes" repararam que o discurso dos governantes ESTÁ A SEU FAVOR? Não se sentem hipocritamente adulados?
Que Deus proteja o Brasil e não nos traga — pela convulsão causada pelas massas anárquicas e aparentemente sem lideranças — um tirano de presente, antes mesmo do Natal deste ano.
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