Nova ARENA e o cenário político do Brasil atual: completemos as ASSINATURAS FALTANTES!


Na prática, o Magistério da Igreja sempre tentou conciliar duas esperanças especificamente distintas: a cristã e a política. Fazer pairar sobre a terra — entenda-se: acima das leis positivas humanas — o influxo benéfico da lei divina, sem a qual o homem desumaniza-se a ponto de obscurecer os sinais distintivos de sua condição.

Por dois milênios, o Magistério eclesiástico tornou patente um fato inegável do ponto de vista civilizacional: a política não tem (nem pode ter) princípio e fim em si mesma. Para ela subsistir enquanto ciência do bem comum, é necessário haver um conjunto de valores civilizacionais sem os quais ela mesma inviabiliza-se. Sem isto, o que resta é um arremedo maquiavélico do que ela essencialmente é — e, na prática, a ação dos políticos acaba por voltar-se, do começo ao fim, contra o bem comum.

O princípio e os fins da política são metapolíticos, ou seja: são ontologicamente anteriores e transcendentalmente superiores a ela. Há, na prática, preâmbulos sem os quais sempre se cai nalgum tipo de barbárie, como o demonstra a história de maneira cabal. E há fins que pairam acima de quaisquer facções e ideologias. A menos que concedamos que os hunos faziam “política” ao trucidar quem lhes cruzasse o caminho; os vikings faziam “política” ao empalar criancinhas; Stálin fazia “política” com o genocídio implacável de incontáveis almas; os mensaleiros do governo Lula faziam “política” ao armar um esquema de compra de votos; e o governo FHC fazia “política” ao enriquecer (e armar) o MST com o dinheiro do contribuinte, defender o aborto, etc. Não! Nestes e em incontáveis outros casos, trata-se de antipolítica.

Pois bem. A agenda globalista que hoje impõe uma falsa moral apátrida aos países encontra em nações como o Brasil terreno fértil para disseminar-se sem freios. Isto porque o “homem cordial” que o ensaísta Sérgio Buarque de Holanda codificara em meados do século XX se metamorfoseou, ao longo de algumas décadas, numa hidra de mil cabeças: do compadrio nas relações, dos pequenos favorecimentos ilícitos, das negociatas à margem da lei, entre outros fatores malignos latentes em nossa formação, acabou por transfigurar-se em alguém sem a menor noção de deveres cívicos ou limites éticos. A sociedade do jeitinho tornou-se macabra — e o proverbial desapego brasileiro a normas, ao ter contato com doutrinas nefastas e anticivilizacionais, ganhou contornos inimagináveis até pouco tempo. Nas últimas décadas, a vaca foi para o brejo com a velocidade de um guepardo em caça.

Podemos dizer que a política ou é a favor da civilização, ou não é política. Ou reprime o mal no seio da Pólis — em todas as instâncias possíveis —, ou não é política. Ou defende a liberdade para a verdade, ou não é política. Dar liberdade indiscriminada a erros patentes é alimentar um monstro; é como colocar num mesmo patamar o malogro e a veracidade. Em breves palavras, qualquer pessoa tem o direito de expressar-se e dar palpites errôneos ou infelizes, mas os seus erros não podem ter direitos políticos. Esta é a sutil diferença entre o slogan sofístico da “liberdade de expressão” e aquilo que chamamos de “liberdade de expressão da verdade”, e para a verdade. Obviamente, isto nada tem nada a ver com a canhestra “Comissão Nacional da Verdade” criada na forma da Lei 12528/2011, a qual padece de amnésia seletiva altamente culpável quanto ao que estava em jogo na luta política dos anos 60 e 70 e usurpa um nome com intuitos propagandísticos.

Em síntese, o erro e a mentira ideológica devem ser combatidos sem tréguas, pois, se se disseminam no tecido social, tornam-se um câncer com metástase. Ora, são justamente as teorias equivocadas que, ganhando terreno, acabam cedo ou tarde por gerar monstruosidades. E, de todas as mentiras a reprimir na forma da lei e com o apoio dos recursos que se fizerem necessários, uma das mais daninhas é a mentira política, pois os malefícios que acarreta são imensos, duradouros e, muitas vezes, impossíveis de sanar ao longo de gerações.

A história do Brasil está sendo reescrita, falsificada, transfigurada diante dos nossos olhos — com livros didáticos e paradidáticos criminosos, leis iníquas, pedagogias imbecilizantes, discursos políticos sofismáticos, falas aterradoras e pífias como a que proferiu recentemente a petista Marilena Chauí contra a classe média. Seja como for, o fato é que, valendo-se de estratagemas mil, o grupo hoje no poder corre para dar remate no Brasil à obra maligna do globalismo centralista, ao aprovar e/ou propor leis que representam a pá-de-cal sobre os resquícios de cristianismo ainda resistentes no tecido social.

Alguma reação no plano político faz-se, pois, absolutamente necessária na hora presente, ainda que seja feita por um bloco heterogêneo, mas com o seguinte ponto comum: salvar algo da civilização cristã do orwelliano naufrágio universal. Defender a lei natural com sólidos argumentos e colocar os adversários perante dificuldades que ainda não encontraram, pois esforços isolados e corajosos têm sido feitos por políticos intelectualmente caricaturáveis.

Embora, em alguns casos, imbuídos de boas intenções.

ASSINATURAS PARA A NOVA ARENA
Conversei recentemente com jovens que constituíram legalmente a nova Aliança Renovadora Nacional (ARENA), a qual resgata um nome com grande carga simbólica no presente momento. Não vi ali políticos profissionais, mas pessoas com o frescor de um idealismo sadio.

Coloco-me, pois, à disposição deles para ajudar, sobretudo no tocante à revisão de textos do estatuto e do programa do partido nascente, se isto lhes interessar. Assim como para emprestar um pouco da substância filosófico-teológica tomista e usá-la num "sed contra" aos argumentos dos que hoje se locupletam no poder e trabalham em prol do caos, da desordem, da infâmia. O leque é amplo: do aborto à política de cotas; da falácia do aquecimento global ao hedonismo totalitário do gayzismo; etc.

Se a presidente do partido, a jovem gaúcha Cibele Bumbel Baginski, aceitar meus modestos préstimos, cá estou. Afinal, uma pessoa sem a mais ínfima sombra de esperança política pode ser útil. Uma pessoa para quem a política jamais pode constituir-se num fim em si mesmo, pode em algo contribuir. E uma pulga — embora insignificante em sua miudeza — coça.

Aos católicos tradicionais que, como eu, conhecem as advertências do Magistério quanto à ação política dos leigos, digo: a situação é de exceção, o estado é de necessidade — portanto, algumas divergências podem ser momentaneamente deixadas de lado em vista do tsunami devastador que está à nossa frente. O oponente comum é voraz, forte, organizado, adestrado em táticas para desconstruir qualquer discurso.

O partido, pelo que me falaram os seus representantes do Rio, conseguiu em poucos meses mais de 250 mil assinaturas (o total exigido pelo TSE é de 500 mil, para efetivamente constituí-lo). Os interessados devem procurar a própria Cibele Baginski ou o Claudio Henrique Motta Melo, aqui no Rio, para informarem-se sobre como proceder. No site em construção do partido há também instruções.

Quanto a mim, juro ao pé da Santa Cruz o seguinte: se porventura um dia ocupar um cargo legislativo federal, farei um santo inferno.

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