Luta de classe e autogestão marxista


Essa foi a “receita” de um Fórum Social Mundial, ocorrido em Buenos Aires e  realizado nos mesmos moldes do Fórum de Porto Alegre
Martin Viano

Buenos Aires – De 22 a 25 de agosto p.p., reuniu-se na capital argentina o Fórum Social Mundial para discutir “A crise do neoliberalismo na Argentina e os desafios do movimento global”,sob os auspícios da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nacional de Buenos Aires.
O evento atraiu ativistas de organizações da esquerda marxista da Argentina e de diversos países sul-americanos, entre os quais representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Sem Terra (MST), do Brasil.
Segundo o Comité de Movilización, propuseram-se – baseados na “experiência de Porto Alegre” – abrir um espaço para articular “movimentos e grupos comprometidos em ações concretas contra o neoliberalismo e o domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo”.
Em pauta, o falido modelo cubano
O Fórum foi inaugurado com uma passeata, que partiu da Plaza de Mayo, onde dezenas de ônibus alugados tinham despejado manifestantes, grande parte dos quais compareceram apenas para receber, no encerramento do ato, um sanduiche com Coca-Cola.
As sessões giraram em torno das diferentes formas de organização e autogestão, com vistas a estender e aprofundar a “resistência” e a “busca de alternativas concretas” face à“globalização neoliberal”, na mesma linha da Internacional Rebelde promovida no Fórum Social de Porto Alegre, já comentado nas páginas de Catolicismo, edição de fevereiro/2002.
Evo Morales, candidato derrotado à presidência da Bolívia, discursou em defesa de Fidel Castro e de Hugo Chavez, conclamando os presentes a se mobilizarem para que “haja muitas Cubas” na América Latina, capazes de acabar com o “imperialismo norte-americano”, em união com os zapatistas do México e os guerrilheiros colombianos.
Internacional Rebelde mobiliza-se
Além de propiciar “formas de resistência do movimento popular” de caráter violento, não pouparam elogios aos “piqueteiros” que na Argentina, só neste ano de 2002, fizeram cerca de 3000 bloqueios de estradas e ruas.
Convém destacar ainda que, entre as atividades autogestionadas do Fórum, ocorreu também uma sessão abortista contrária à “proibição do aborto”, absurdamente explicada como sendo a “negação para as mulheres de uma sexualidade não reprodutiva”.
Uma sensação de fracasso do Fórum foi transmitida por uma mulher de aproximadamente 30 anos, com fortes traços indígenas, comentando que tinham deixado de concorrer para o evento muitos companheiros do interior da Argentina e do Uruguai.
Isso não impede, entretanto, que as esquerdas da Internacional Rebelde estejam se preparando para novas mobilizações: em Quito (Equador) neste mês, por ocasião da reunião doAcordo de Libre Comércio en las Américas (ALCA); e na IV Cumbre de Presidentes de las Américas— que contará com a presença do presidente norte-americano — a realizar-se na capital argentina em abril de 2003.



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