Apresento aos leitores de nosso site A VIDA SACERDOTAL, um excelente texto do tomista e psicólogo Prof. Martín Echavarría. Tradução livre, toda correção será bem vinda.
Por Prof. Martín Federico Echavarría
Universitat Abat Oliba CEU, Barcelona
Ainda que não tenha sido suficientemente destacado, a influência do pensamento ‘transvalorizador’ de Nietzsche sobre a psicanálise e a psicologia, é sumamente profunda. Esta influência não se limita a ser somente uma conexão histórica, ou uma coincidência em tal ou qual doutrina, senão que também, e sobretudo, é uma coincidência no “espírito” inpirador, na (pseudo) mística que os inspira, como têm assinalado nestas Jornadas I. Andereggen e E. Pavesi. A conseqüência é uma visão anti-humanista da realidade da alma, na que consiste do eu individual e dissolve em mãos de poderes extranhos, e na que se pretende AA superação faústica da moral, colocando-se “mais além do bem e do mal”. Nesta colocação exporemos o essencial do pensamento psicológicco de Nietzche, e não referiremos a sua influência na psicanálise, detendo-nos especialmente em Freud e em J. Lacan.
1. “Psicologia sem alma” ou transformação de seu significado?
Um primeiro tema que pareceria definir a orientação humanista[1], ou menos, parece ser sua postura sobre a alma, sua existência e sua natureza. A psicologia experimental do século XIX, fundada em uma filosofia positivista, ou eliminou o problema da alma ou o afastou à crença. Kant não havia dito outra coisa em sua Crítica da Razão Pura[2]. Com muita profundidade psicológica, Edith Stein, a qual fora estudante de psicologia de W. Stern[3], havia diagnosticado assim o mal desta “psicologia sem alma”: “Quando se observa uma cegueira tão incompreensível em relação à realidade da alma, como a que encontramos na história da psicologia naturalística do século XIX, cabe pensar que a causa dessa cegueira e da incapacidade de chegar ao mais profundo da alma não reside simplesmente em determinados princípios metafísicos, senão em uma inconsciente angústia de encontrar-se com DEUS”[4].
Cont.
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NOTAS:
[1] Aqui falamos de "humanismo" em um sentido amplo, e não desta corrente particular da psicología contemporânea que se suele denominar assim (representada por A. Maslow, C. Rogers, E. Fromm, etc.), e que são formas de humanismo ateu e secularizado. Cf. P. C. Vitz, Psychology as Religion. The Cult of Self-Worship, William B. Eerdmans Company, Michigan 19942.
[2] I. Kant, Crítica da Razão Pura, II Parte, II divisião, l. 2, c.1: "O problema de explicar a comum unidade da alma com o corpo não pertence propriamente à pscicologia de que se trata aquí, porque se propõe demonstrar a personalidade da alma, ainda assim fora desta comum unidade (depois da norte), e é, portanto, em seu sentido próprio transcendente, se bem que se ocupa de um objeto da experiência, mas somente enquanto cessa de ser objeto da experiência. Contudo, pode dar-se a este uma resposta suficiente, segundo nosso conceito doutrinal. A dificuldade, que há ocasionado esse problema, consiste, com é sabido, na pré-suposta heterogenidade do objeto do sentido interno (alma) com os objetos dos sentidos externos, tendo aquele o tempo por condição formal de sua intuição e este o tempo e o espaço. Porém, pode-se pensar que as duas espécies de objetos não se distinguem nisso interiormente, senão somente por quanto a uma aparece (é fenômeno) à outra exteriormente e, por tanto, que o que tem à base do fenômeno da matéria, como sua coisa em si, pode acaso não ser tão heterogênico, desapareça dita dificuldade e somente resta a seguinte: como poderia ser possível em geral uma comum unidade de substâncias. Mas, resolveria a coisa que fora do campo da psicologia e, sem dúvida alguma, fora do campo de todo conhecimento humano, como pode facilmente julgá-lo o leitor pelo que se já tem dito na analítica, acerca das potências e as faculdades fundamentais”.
[3]Traduzir: W. Stern, filósofo e psicólogo alemão, foi um dos mais conhecidos estudiosos da personalidade durante a primeira metade do século XX. Autor da “psicologia diferencial”, a sua postura filosófica chama-se: “personalismo”. Foi seu discípulo o famoso psicólogo da personalidade o americano Gordan Allport. Cf. W. Stern, Psicología general desde el punto de vista personalístico, Paidós, Buenos Aires 1951, 2 tomos.
[4] E. Stein, "El castillo del alma", en Obras selectas, Monte Carmelo, Burgos 1997, 444-445.
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