Cardeal Eugênio Sales - A Vida Sacerdotal Diocesana





Segue um artigo de sua eminênia sobre vocações.


VOZ DO PASTOR

D. Eugênio de Araújo Sales
04/05/2001

Rezar pelas vocações

No 4º Domingo da Páscoa é celebrada a Jornada Mundial de Orações pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas. O Evangelho da Missa dominical é o relato do Bom Pastor. Deus, no Antigo Testamento, é apresentado como Aquele que conduz o rebanho, seu povo. São João, em seu Evangelho, (10, 1ss) nos mostra Jesus como o Bom Pastor: “Eu sou o bom pastor, conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas me conhecem”. A Igreja é vista pelos Livros Sagrados como o “redil”, o “rebanho” entregue ao guarda vigilante. A mais antiga escultura do Salvador, do século IV, bem como um afresco na catacumba de São Calisto, do século III, representam-no transportando no ombro uma ovelha. Essa conduta pastoral é confiada às pessoas consagradas ao serviço do Senhor. Elas são chamadas, recebem a missão de continuar, na terra, a presença do Redentor. Apesar de tão alta incumbência, permanecem criaturas humanas, com todas as suas fraquezas e limitações. A graça para bem exercer seu encargo não falta, mas fica na dependência do reto uso da liberdade.

Logo aparece a importância do bom sacerdote, de pessoas consagradas que vivam intensamente seu chamamento e a corresponsabilidade de todo o rebanho no desempenho dessa missão. A Igreja é santa, por ser a continuação de Jesus e, ao mesmo tempo, formada por pecadores, criaturas passíveis de ofender a Deus e ao próximo.

Neste domingo de maio celebramos o XXXVIII Dia Mundial de Orações pelas Vocações. São duas as vertentes: pedimos ao Senhor que o número dos consagrados seja suficiente, pois, caso contrário, faltará quem apascente o rebanho. Igualmente rogamos, com fervor, que a santidade de vida brilhe em cada um dos que foram chamados por Deus para tão nobre mister, fundamental à Igreja.

Dada a significação da data, o Romano Pontífice, com alguma antecedência, divulga um documento. Na primeira celebração deste novo milênio, aborda o tema: “A vida como vocação” e traz a data de 14 de setembro de 2000. O Papa, no início, nos convida: “desejo deter-me para refletir convosco sobre um assunto de indiscutível importância na vida cristã” (Mensagem, nº 1). Por toda parte, os cristãos, mergulhados em um ambiente pleno de erotismo, que vivem um projeto de vida inteiramente edificado à margem dos princípios evangélicos, necessita de maior resistência para apresentar, em seus atos, a viabilidade da mensagem que o Senhor veio trazer à terra.
Ora, um elemento fundamental para ajudar os fiéis a serem verdadeiros seguidores de Cristo, em um mundo tão adverso, sem dúvida está na vida consagrada ao Evangelho. Enumera-se aí a santidade do clero, dos religiosos. Por maior que seja o esforço da Igreja, a fraqueza humana estará sempre presente. Faz-se mister uma contribuição de todos, sacerdotes e leigos, para reduzir as deficiências, promover o fortalecimento de uma autêntica vida espiritual a serviço da comunidade dos homens, impedindo a decomposição. Não é sem motivo que o elemento inteiramente doado ao serviço religioso é comparado ao sal que preserva e à luz que ilumina as trevas.

Por essa razão, nem todos são chamados a esse projeto de vida que pode raiar ao heroísmo. A vocação é dada por Deus que, ao mesmo tempo, faz a outorga dos meios para superar os obstáculos. Infelizmente, quem a recebe, por gozar do uso da liberdade, nem sempre aproveita da graça recebida; então o estrago é enorme, para toda a Igreja. Pensa erradamente quem afirma ser a solução suprimir a exigência do celibato aos que se entregam totalmente ao serviço de Deus e dos homens. A transgressão à castidade, infelizmente, existe e é freqüente entre os que não prometeram uma vida integralmente casta. O remédio à fraqueza humana está também na ajuda dos demais fiéis, pois a força da graça divina não falta, hoje também uma adequada formação no Seminário e amparo no período subseqüente. A fraqueza humana não é resolvida por concessões.

Em sua Mensagem, o Santo Padre chama a atenção dos Pastores do Povo de Deus, no despertar de vocações, citando o Concílio Vaticano II (“Presbyterorum Ordinis”, nº 1): “Os presbíteros, em primeiro lugar, se empenhem em fazer com que os fiéis conheçam a excelência e a necessidade do sacerdócio (...) “Ela (a voz do Senhor) precisa ser reconhecida e examinada, através daqueles sinais de que todos os dias o Senhor se serve para fazer com que os cristãos prudentes entendam a sua vontade; e cabe aos presbíteros estudar atentamente esses sinais”.
Ao lado desse trabalho dos Pastores do Povo de Deus em favor das vocações, o Papa conclama, no mesmo sentido, os pais cristãos para que ajudem os filhos a escutarem o chamado de Deus. Juntamente com o suporte à ação da família, cabe aos catequistas e professores cristãos promover nos jovens, a importância da vocação.

A toda a Igreja é endereçado o apelo do Senhor: “A messe é grande mas os operários são poucos! Rogai, pois, ao Senhor da messe que envie operários!” (Mt 9,37-38; Lc 10,2). O florescer das vocações ao sacerdócio e vida consagrada é um sinal claro da vitalidade religiosa em uma comunidade. Posso assegurar que Deus distribui os dons conforme as necessidades espirituais dos fiéis. Cabe, no entanto, a estes cooperar, com orações, apoio e manutenção das casas de formação para que o chamado do Senhor floresça e frutifique. Por isso, benemérito é o trabalho da Obra das Vocações Sacerdotais, da Comissão de Pastoral Vocacional e do Serra Clube em favor de tão nobre causa.

O XXXVIII Dia Mundial de Orações pelas Vocações, no Domingo do Bom Pastor seja acolhido com carinho e generosidade. Nobre é a causa, importante todo esforço pelo aumento e santificação dos Pastores do Povo de Deus.

Um comentário:

  1. Olá...tudo bem?
    Que riqueza encontrei nesse seu blog, meus parabéns!
    Nem sei se vc lembra de mim...estive com vc e o Sem.João, na fazenda em Itaipava!
    Adorei seu blog!

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